O ministro brasileiro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, falou à ONU News sobre impactos dos conflitos e da crise climática sobre os mais pobres; ele afi,rmou que a garantia da segurança alimentar requer investimentos urgentes. A Aliança Global criada em 2024 já conta com 218 membros
As
guerras e as alterações climáticas representam obstáculos cada vez maiores para
a erradicação da fome e da pobreza no mundo. Segundo a Organização das Nações
Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, 40 milhões de pessoas entraram no
mapa da fome nos últimos anos por causa de conflitos.
Estes
dados serão apresentados na reunião da Aliança Global contra a Fome e a
Pobreza, uma plataforma de cooperação que é copresidida pelo Brasil e pela
Espanha.
Efeito colateral das guerras
sobre os mais pobres
O
ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome,
Wellington Dias, representa o Brasil no encontro, realizado às margens da
Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Em entrevista para a ONU News, ele
disse que o esforço pela paz é prioridade máxima.
“Nós
estamos no caminho certo, vamos estragar esse projeto humanitário por um
projeto desumano como as guerras? Ou seja, vamos tirar dinheiro de ajudas
humanitárias para salvar vidas, para colocar num plano de tirar vidas com as
guerras?”.
Dias
lembrou que os esforços realizados nos últimos anos deram resultado, levando a
uma redução de 750 milhões para 645 milhões de pessoas no mapa da fome. O caos
gerado pelas guerras, no entanto, ameaça este progresso.
“O
lado perverso das guerras, dos conflitos armados, é primeiro que desorganiza a
migração e ela termina criando uma desordem onde muitas pessoas, sem planejar,
saem dos seus países, às vezes da sua região para outras regiões do mundo. Veja
o tamanho do problema nos Estados Unidos, na Europa, no Brasil, em outras
partes do mundo. E ela impacta na economia. É o caso, por exemplo, do efeito do
preço dos combustíveis, do petróleo e dos fertilizantes para a agricultura, que
impacta no preço de alimentos. E isso gera inflação. Quem são os que mais
pagam? os pobres”.
A crise climática é cada vez
mais urgente
O
ministro acrescentou que os eventos climáticos extremos também são um fator de
grande preocupação, pois ameaçam a produção e distribuição de alimentos.
“A
realidade dura da elevação da temperatura e mudança do clima é uma realidade. O
que aconteceu com o Nepal não é um acaso. Os Estados Unidos. O Brasil. Os
países sempre tiveram situações de uma seca, de uma enchente, às vezes até de
um tornado, mas não nesta frequência. Dentro do Brasil. Para falar um exemplo,
a gente raramente tinha seca na Amazónia. Agora é todo ano, todo ano, ou seja,
cada vez mais forte”.
Ele
adicionou que os que mais sofrem com os eventos climáticos extremos são
ribeirinhos, pescadores e povos indígenas.
Dias
fez um apelo para que os trilhões de dólares que são investidos em guerras
passem a ser usados para reduzir a fome e a pobreza, e para lidar com as
mudanças do clima.
Crescimento da Aliança Global
Ele
destacou a importância da Aliança Global Contra a Fome a Pobreza, criada em
2024, durante a presidência do Brasil no G20, o bloco das 20 maiores economias
do mundo.
De
dois anos para cá, a iniciativa cresceu de 148 para 218 membros, e conta com
países de todos os continentes, organismos da ONU, instituições de investigação,
setor privado e bancos multilaterais.
O
ministro explicou que dentro do grupo existem países como o Brasil, que são
capazes de executar os seus próprios planos nacionais de combate à fome e à
pobreza, mas também países na procura de apoio, que já são cerca de 20.
Nesse
sentido, ele destacou a preocupação com quedas acentuadas do financiamento
internacional, citando por exemplo a decisão de países europeus de cortar 17%
da verba para ajuda externa. Isso restringe a capacidade da Aliança de apoiar
países em desenvolvimento.
Fundo de Garantia
A
iniciativa também funciona como uma “cesta” de políticas que já foram testadas
e consideradas eficientes como a transferência de rendimento, que contribui
para o desenvolvimento económico dos mais pobres, e o reforço da merenda escolar,
que contribui para as metas de educação.
O
ministro compartilhou que já sentiu na pele a insegurança alimentar e sabe como
ela afeta a aprendizagem.
Sobre
políticas aplicadas no Brasil, ele citou a criação de um Fundo de Garantia que
possibilitou investimentos de R$ 4 mil milhões em pequenos negócios, fazendo
com que pessoas que antes recebiam benefícios do governo, como a Bolsa Família,
hoje consigam gerar emprego para tirar outras pessoas da pobreza.
Dias
revelou que, durante a Assembleia Geral, o governo brasileiro vai discutir com
o Banco Mundial e com o Banco Interamericano estratégias para replicar este
modelo do Fundo de Garantia para beneficiar países pobres. ONU News – Nações
Unidas
