Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Brasil e Espanha promovem luta global contra fome, em meio a guerras e desastres

O ministro brasileiro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, falou à ONU News sobre impactos dos conflitos e da crise climática sobre os mais pobres; ele afi,rmou que a garantia da segurança alimentar requer investimentos urgentes. A Aliança Global criada em 2024 já conta com 218 membros


As guerras e as alterações climáticas representam obstáculos cada vez maiores para a erradicação da fome e da pobreza no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, 40 milhões de pessoas entraram no mapa da fome nos últimos anos por causa de conflitos.

Estes dados serão apresentados na reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma plataforma de cooperação que é copresidida pelo Brasil e pela Espanha.

Efeito colateral das guerras sobre os mais pobres

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, representa o Brasil no encontro, realizado às margens da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Em entrevista para a ONU News, ele disse que o esforço pela paz é prioridade máxima.

“Nós estamos no caminho certo, vamos estragar esse projeto humanitário por um projeto desumano como as guerras? Ou seja, vamos tirar dinheiro de ajudas humanitárias para salvar vidas, para colocar num plano de tirar vidas com as guerras?”.

Dias lembrou que os esforços realizados nos últimos anos deram resultado, levando a uma redução de 750 milhões para 645 milhões de pessoas no mapa da fome. O caos gerado pelas guerras, no entanto, ameaça este progresso.

“O lado perverso das guerras, dos conflitos armados, é primeiro que desorganiza a migração e ela termina criando uma desordem onde muitas pessoas, sem planejar, saem dos seus países, às vezes da sua região para outras regiões do mundo. Veja o tamanho do problema nos Estados Unidos, na Europa, no Brasil, em outras partes do mundo. E ela impacta na economia. É o caso, por exemplo, do efeito do preço dos combustíveis, do petróleo e dos fertilizantes para a agricultura, que impacta no preço de alimentos. E isso gera inflação. Quem são os que mais pagam? os pobres”.

A crise climática é cada vez mais urgente

O ministro acrescentou que os eventos climáticos extremos também são um fator de grande preocupação, pois ameaçam a produção e distribuição de alimentos.

“A realidade dura da elevação da temperatura e mudança do clima é uma realidade. O que aconteceu com o Nepal não é um acaso. Os Estados Unidos. O Brasil. Os países sempre tiveram situações de uma seca, de uma enchente, às vezes até de um tornado, mas não nesta frequência. Dentro do Brasil. Para falar um exemplo, a gente raramente tinha seca na Amazónia. Agora é todo ano, todo ano, ou seja, cada vez mais forte”.

Ele adicionou que os que mais sofrem com os eventos climáticos extremos são ribeirinhos, pescadores e povos indígenas. 

Dias fez um apelo para que os trilhões de dólares que são investidos em guerras passem a ser usados para reduzir a fome e a pobreza, e para lidar com as mudanças do clima.

Crescimento da Aliança Global

Ele destacou a importância da Aliança Global Contra a Fome a Pobreza, criada em 2024, durante a presidência do Brasil no G20, o bloco das 20 maiores economias do mundo.

De dois anos para cá, a iniciativa cresceu de 148 para 218 membros, e conta com países de todos os continentes, organismos da ONU, instituições de investigação, setor privado e bancos multilaterais.

O ministro explicou que dentro do grupo existem países como o Brasil, que são capazes de executar os seus próprios planos nacionais de combate à fome e à pobreza, mas também países na procura de apoio, que já são cerca de 20.

Nesse sentido, ele destacou a preocupação com quedas acentuadas do financiamento internacional, citando por exemplo a decisão de países europeus de cortar 17% da verba para ajuda externa. Isso restringe a capacidade da Aliança de apoiar países em desenvolvimento.

Fundo de Garantia

A iniciativa também funciona como uma “cesta” de políticas que já foram testadas e consideradas eficientes como a transferência de rendimento, que contribui para o desenvolvimento económico dos mais pobres, e o reforço da merenda escolar, que contribui para as metas de educação.

O ministro compartilhou que já sentiu na pele a insegurança alimentar e sabe como ela afeta a aprendizagem.

Sobre políticas aplicadas no Brasil, ele citou a criação de um Fundo de Garantia que possibilitou investimentos de R$ 4 mil milhões em pequenos negócios, fazendo com que pessoas que antes recebiam benefícios do governo, como a Bolsa Família, hoje consigam gerar emprego para tirar outras pessoas da pobreza.

Dias revelou que, durante a Assembleia Geral, o governo brasileiro vai discutir com o Banco Mundial e com o Banco Interamericano estratégias para replicar este modelo do Fundo de Garantia para beneficiar países pobres. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Angola e Moçambique na lista de Aliança Global para acabar com a Sida infantil

OMS, Unaids e Unicef divulgaram as nações da fase inaugural do projeto internacional que também contempla mães e adolescentes. A iniciativa apresentada na Conferência Internacional sobre a Sida prevê ações para beneficiar o grupo nesta década


As Agências da ONU anunciaram, nesta terça-feira, a Aliança Global para Acabar com a Sida em Crianças. Angola e Moçambique estão na etapa inicial da iniciativa que deve promover o acesso ao tratamento até 2030.

A apresentação foi feita na Conferência Internacional da Sida, em Montreal, Canadá.

Pilares

Na primeira fase, 12 nações acolhem a implementação que junta a Organização Mundial da Saúde, OMS, o Programa da ONU sobre HIV/Sida, Unaids, e o Fundo da ONU para a Infância, Unicef. Para além de Angola e Moçambique, os restantes países são Camarões, Cote d’Ivoire ou Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Quénia, Nigéria, África do Sul, Uganda, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué.

Estima-se que 52% das crianças soropositivas recebam tratamentos antirretrovirais, 76% entre os adultos.

Para melhorar este quadro, a fase de consultas apontou a prioridade do fechamento da lacuna de tratamento para jovens adolescentes, mulheres grávidas e lactantes a viver com HIV. Outra aposta é otimizar a continuidade do tratamento.

Entre as medidas que precisam ser adotadas estão a prevenção e detecção de novas infecções por HIV em mulheres adolescentes, grávidas e que amamentam.

Igualdade

Outro foco da iniciativa será aumentar o acesso à testagem, melhorar o tratamento e o cuidado completo a bebés, crianças e adolescentes expostos e vivendo com o vírus.

Por último, serão abordados os “direitos, a igualdade de género e as barreiras sociais e estruturais que dificultam o acesso aos serviços”.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, o facto de metade das crianças com HIV receberem antirretrovirais é um “escândalo e uma mancha” para a consciência coletiva. Ele disse que a aliança é uma oportunidade para renovar o compromisso com as crianças e as suas famílias de unir, falar e agir com propósito e solidariedade com mães, crianças e adolescentes.

Já a diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, afirma que a grande lacuna na cobertura de tratamento entre crianças e adultos é uma ofensa. A expectativa é que por meio da iniciativa, haja união e seja promovida a ação ligando medicamentos novos e melhorados, o compromisso político renovado e o ativismo determinado das comunidades que promoverão a geração que acabará com a Sida nas crianças.

Sociedade civil

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, disse que apesar dos progressos observados para baixar a transmissão vertical, aumentar os testes, o tratamento e o acesso à informação, as crianças em todo o mundo ainda têm muito menos probabilidade de acesso a remédios em relação aos adultos para a prevenção, os cuidados e o tratamento do vírus.

Entre os parceiros da aliança estão movimentos da sociedade civil, como a Rede Global de Pessoas vivendo com HIV,  o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da Sida, Pepfar, e o Fundo Global. ONU News – Nações Unidas