No Brasil, mais de 700 mil
alunos tiveram a vida escolar interrompida pelo calor extremo em 2025, em
Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau, quase 300 mil jovens sofreram com chuvas
intensas e cheias
Uma
em cada dez crianças no mundo teve a sua educação interrompida por desastres
climáticos no ano passado.
Um
levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, mostra que
tempestades, cheias, ondas de calor e secas provocaram suspensão de aulas e o aumento
da evasão escolar em 106 países.
Calor extremo e chuvas
intensas em países de língua portuguesa
O
documento, lançado nesta quinta-feira, revela que algumas nações de língua
portuguesa integram esta lista.
No
Brasil, mais de 745 mil estudantes foram prejudicados por ondas de calor.
Em
Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau, quase 300 mil jovens sofreram com chuvas
intensas e cheias, enquanto em Portugal cerca de 28 mil alunos tiveram o
calendário escolar alterado.
Somados,
estes países registaram aproximadamente 1 milhão de estudantes impactados por
eventos climáticos extremos em 2025.
Riscos mais altos para raparigas
No
total, 171 milhões de crianças e adolescentes tiveram a sua trajetória escolar
comprometida, sendo 75% em países de baixo e médio rendimento.
No Egipto
e Paquistão, milhões ficaram sem aulas devido a tempestades, e na Espanha mais
de 500 mil estudantes foram afetados por chuvas fortes e calor extremo.
Para a
diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, os eventos climáticos ampliam
desigualdades e atingem de forma mais severa raparigas, que enfrentam riscos
adicionais como casamento infantil e sobrecarga doméstica.
Tempestades causaram maior
impacto
Segundo
o relatório, tempestades foram responsáveis por 109 milhões de jovens com
interrupções escolares, seguidas por cheias, que afetaram 70 milhões, e ondas
de calor, que atingiram 50 milhões.
Além
das perdas imediatas, a Unicef estima que os impactos de 2025 podem gerar até
US$ 200 mil milhões em rendimentos futuros perdidos.
Entre
os obstáculos adicionais estão danos às instalações sanitárias, deslocamentos
forçados e queda no rendimento familiar, fatores que ampliam barreiras para as
raparigas.
Para
enfrentar os desafios, a Unicef defende o fortalecimento dos sistemas
educacionais, investimentos em infraestrutura, ampliação de financiamentos
voltados à adaptação e capacitação de crianças e jovens em educação ambiental,
aliados ao aprimoramento dos sistemas de dados para antecipar crises e acelerar
a recuperação escolar. ONU News – Nações Unidas
