Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Lusofonia - Crise climática prejudicou 1 milhão de estudantes em países de língua portuguesa

No Brasil, mais de 700 mil alunos tiveram a vida escolar interrompida pelo calor extremo em 2025, em Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau, quase 300 mil jovens sofreram com chuvas intensas e cheias


Uma em cada dez crianças no mundo teve a sua educação interrompida por desastres climáticos no ano passado.

Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, mostra que tempestades, cheias, ondas de calor e secas provocaram suspensão de aulas e o aumento da evasão escolar em 106 países.

Calor extremo e chuvas intensas em países de língua portuguesa

O documento, lançado nesta quinta-feira, revela que algumas nações de língua portuguesa integram esta lista.

No Brasil, mais de 745 mil estudantes foram prejudicados por ondas de calor.

Em Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau, quase 300 mil jovens sofreram com chuvas intensas e cheias, enquanto em Portugal cerca de 28 mil alunos tiveram o calendário escolar alterado.

Somados, estes países registaram aproximadamente 1 milhão de estudantes impactados por eventos climáticos extremos em 2025.

Riscos mais altos para raparigas

No total, 171 milhões de crianças e adolescentes tiveram a sua trajetória escolar comprometida, sendo 75% em países de baixo e médio rendimento.

No Egipto e Paquistão, milhões ficaram sem aulas devido a tempestades, e na Espanha mais de 500 mil estudantes foram afetados por chuvas fortes e calor extremo.

Para a diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, os eventos climáticos ampliam desigualdades e atingem de forma mais severa raparigas, que enfrentam riscos adicionais como casamento infantil e sobrecarga doméstica.

Tempestades causaram maior impacto

Segundo o relatório, tempestades foram responsáveis por 109 milhões de jovens com interrupções escolares, seguidas por cheias, que afetaram 70 milhões, e ondas de calor, que atingiram 50 milhões.

Além das perdas imediatas, a Unicef estima que os impactos de 2025 podem gerar até US$ 200 mil milhões em rendimentos futuros perdidos.

Entre os obstáculos adicionais estão danos às instalações sanitárias, deslocamentos forçados e queda no rendimento familiar, fatores que ampliam barreiras para as raparigas.

Para enfrentar os desafios, a Unicef defende o fortalecimento dos sistemas educacionais, investimentos em infraestrutura, ampliação de financiamentos voltados à adaptação e capacitação de crianças e jovens em educação ambiental, aliados ao aprimoramento dos sistemas de dados para antecipar crises e acelerar a recuperação escolar. ONU News – Nações Unidas