Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Espanha, Chipre, Grécia: Onde a Europa está a enfrentar a seca após uma primavera quente recorde?

A agricultura e a energia hidroelétrica podem ter dificuldades para sobreviver enquanto a seca causada pelo clima continua na Europa


Mais de 40% da Europa enfrenta atualmente alguma forma de seca, revela a última atualização oficial.

Partes do sudeste da Espanha, Chipre, Grécia e áreas do sudeste dos Balcãs estão sob o nível mais alto de "alerta", de acordo com o relatório do Observatório Europeu da Seca (EDO) de 11 a 20 de maio.

Mas um "alerta" de seca também está em vigor em grandes áreas do norte e leste da Europa, após uma primavera quente e seca recorde, causada pelas alterações climáticas.

Março foi o mês mais quente já registado na Europa, e alguns países tiveram o seu março mais seco, informou anteriormente o Serviço Europeu de Alterações Climáticas Copernicus (C3S).

Alerta de seca em pontos turísticos de férias

No total, 1,6% dos 27 países da UE (excluindo Madeira, Açores e Ilhas Canárias), além do Reino Unido, estão em estado de alerta. De acordo com a classificação da EDO, isso significa que a vegetação está a apresentar sinais de estresse, além de solo com falta de humidade – o que coloca a área sob alerta – e precipitação abaixo do normal.

A situação é particularmente grave em algumas regiões do Mediterrâneo, preferidas por turistas, como as ilhas gregas de Santorini e Mykonos. Lá, a água precisa de ser transportada de Atenas ou filtrada por centrais de dessalinização para encher piscinas e duches.

O turismo excessivo está a ser responsabilizado por agravar o problema. "O setor turístico é insustentável e não há planeamento", disse Nikitas Mylopoulos, professor de gestão de recursos hídricos na Universidade da Tessália, à Sky News do Reino Unido. "[Isso] está a levar a um aumento tremendo na procura por água no verão."

No entanto, ele acrescentou, a agricultura representa um dreno muito maior dos recursos hídricos do país, amplificado pelo desperdício e pela falta de políticas eficazes.

Preocupações com a agricultura em países afetados pela seca

Condições de alerta estão a surgir rapidamente em grandes áreas da Ucrânia e países vizinhos, impactando plantações e vegetação, alerta o EDO.

A Ucrânia é um dos países com aquecimento mais rápido na Europa, atingindo 2,7°C acima da média de 1951-1980 em 2023. Como grande exportador de grãos, a seca no país tem sérias implicações para o abastecimento global de alimentos. Partes da Polónia e da Eslováquia também estão a sofrer com a seca.

As condições de alerta também persistem no oeste, sudeste e centro da Turquia, norte e oeste da Síria, Líbano, Israel, Palestina , partes da Jordânia, norte do Iraque, Irão e Azerbaijão. 

No norte da África, as condições de alerta e advertência perduram há mais de um ano.

Alertas generalizados de seca no norte da Europa

De acordo com o Indicador Combinado de Seca (CDI) do EDO, 39,6% da UE-27 e do Reino Unido têm um alerta de seca.

Durante o período de 10 dias de 11 a 20 de maio, as temperaturas ficaram acima da média sazonal no norte da Europa.  

Além dos impactos na agricultura, há preocupações com a energia hidroelétrica. A Associação Internacional de Energia Hidroelétrica afirmou que a seca e as chuvas intensas – um exemplo de "choque climático" – estão a levar as centrais a "operar no limite dos seus equipamentos existentes".

As alterações climáticas estão a piorar a seca?

O aquecimento global está a agravar a seca em algumas partes do mundo, incluindo ao redor do Mediterrâneo. Cientistas da World Weather Attribution descobriram que a seca generalizada de 2022, por exemplo, foi 20 vezes mais provável devido às alterações climáticas.

Levará algum tempo para fazer um estudo semelhante para a primavera de 2025, mas não há dúvida de que as alterações climáticas estão a piorar as secas ao aumentar as temperaturas e alterar os "regimes de precipitação", nas palavras de Andrea Toreti, coordenador dos Observatórios Europeu e Global de Secas Copernicus.

Regiões que normalmente teriam uma oportunidade de se recuperar ou equilibrar a falta de água nas estações mais quentes e se preparar para o verão não podem depender das chuvas da mesma forma, disse Toreti anteriormente à Euronews Green.

“Hoje em dia, esse tipo de equilíbrio foi modificado.” Euronews Green


quinta-feira, 25 de julho de 2024

Fundação Calouste Gulbenkian - A Orquestra Juvenil Geração está de regresso ao Grande Auditório

 


O concerto assinala os 100 anos de nascimento do compositor português Joly Braga Santos, com o seu emblemático Concerto de Cordas, a que se juntam aberturas de ópera e repertório de influência latino americana, sendo de realçar a peça de Anne Victorino d’Almeida, criada no âmbito do projecto B-Me (Blending melodies: bridging cultural identities) numa parceria entre o Sistema Chipre, Sistema Grécia e Associação das Orquestras Sinfónicas Juvenis Sistema Portugal, com o apoio do Creative Europe.

Reunindo mais de 100 jovens de todos os núcleos da Orquestra Geração da Área Metropolitana de Lisboa (Almada, Amadora, Lisboa, Loures, Oeiras, Sesimbra e Vila Franca de Xira), neste concerto participarão ainda 9 jovens do Sistema Chipre que integraram o estágio de verão da Orquestra Geração.

O concerto será dirigido pelos maestros Juan Carlos Maggiorani, diretor artístico da Orquestra Juvenil Geração, e Santiago Ossa Alzate, diretor artístico do Sistema Chipre.

A receita de bilheteira reverte para a Orquestra Geração. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal

28 jul 2024

domingo, 18:00

Local

Grande Auditório

Fundação Calouste Gulbenkian

Preço

5,00 €

Comprar Bilhete

Orquestra Juvenil Geração

Juan Carlos Maggionari Maestro

Santiago Ossa Alzate Maestro

Gioachino Rossini

Abertura da ópera Guilherme Tell

Anne Vitorino de Almeida em colaboração com Edison Otero

Rapsódia dos Rios, op. 93c*

Joly Braga Santos

Concerto para Orquestra de Cordas, op. 17

Arturo Marquez

Danzón n.º 2

Richard Wagner

Abertura da ópera Os Mestres Cantores de Nuremberga

*Peças compostas no âmbito do projeto B-Me: blending melodies, bridging cultural identities (Creative Europe, EU)

Duração 60 min. (sem intervalo)

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação. 

Assista ao concerto de 2023:

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Portugal - Concerto B-Me - Orquestra Juvenil Geração


A 23 de julho de 2023, a Orquestra Juvenil Geração realizou um concerto no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, celebrando a riqueza da diversidade cultural. Integrando uma parceria com o Sistema Chipre e o Sistema Grécia, no contexto do projecto B-Me co-financiado pela Creative Europe (União Europeia), estiveram em palco nove composições em estreia mundial, da autoria conjunta de compositores nacionais e músicos de origem migrante ou refugiados.

Na segunda parte do concerto, pode-se ainda assistir a outras obras do repertório da Orquestra Juvenil Geração. Na direção de orquestra tivemos os maestros Sandra Martins, Jorge Camacho, Jesús Olivetti e Juan Maggiorani. Orquestra Geração Sistema Portugal

 

sábado, 22 de julho de 2023

Portugal - Compositores portugueses e migrantes estreiam-se na Fundação Calouste Gulbenkian

A Orquestra Juvenil Geração apresenta no domingo um programa constituído por peças, em estreia, de compositores gregos, cipriotas e portugueses, cocriadas com músicos migrantes, no âmbito de um projeto da União Europeia


O concerto realiza-se na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, às 18h00, e a Orquestra Juvenil Geração apresenta nove das quinze obras realizadas no âmbito do projeto “B-Me: Blending Melodies: Bridging Cultural Identities” (“Seja eu: Misturando melodias: unindo identidades culturais”, em tradução livre), levado a cabo pela Associação das Orquestras Sinfónicas Juvenis-Sistema Portugal (Orquestra Geração), pelo Sistema Chipre e pelo El Sistema-Grécia, cofinanciado pela União Europeia.

O concerto marca a estreia de composições dos portugueses Mário Laginha, Carlos Garcia, Anne Victorino d’Almeida, Ana Seara e Marta Domingues, dos gregos George Dousis e María Gouvali e dos cipriotas Giorgio Karvellos e Geórgia Christoforou, todas cocriadas com músicos de origem migrante.

O projeto europeu é coordenado em Portugal pela Orquestra Geração e está em desenvolvimento também no Chipre e na Grécia desde junho do ano passado.

O objetivo é “juntar, em cada um destes três países, cinco compositores locais a músicos refugiados, migrantes ou seus descendentes, para criar obras originais que unam diferentes identidades culturais e permitam compreender outras culturas através da música”, afirma a Orquestra Geração em comunicado.

Mário Laginha fez dupla com Edvânia Moreno, de Cabo Verde, Carlos Garcia com o ucraniano Marian Yanchyk, Anne Victorino d’Almeida com o colombiano Edison Otero, Ana Seara com a indiana Carolina Figueiredo, de Goa, e Marta Domingues com o brasileiro Ale Damasceno.

As diferentes duplas começaram a trabalhar em outubro do ano passado.

No próximo domingo, além de peças cocriadas pelos compositores portugueses, são também estreadas as peças das duplas Giorgos Karvellos e Ranya Al Najjar, do Líbano, Geórgia Christoforou e Yenisleydi Guevara Garcia, de Cuba, e as de Giorgos Dousis com Padou Mayuma, da República Democrática do Congo, e de Maria Gouvali com Elina Sadova, da Rússia.

Chipre, que coordena o projeto sob o Sistema Chipre, congénere à Orquestra Geração, contou ainda com a participação dos compositores e músicos Andys Skordis e Ibrahim Kamara, da Gâmbia, Kyriaki Iakovidou e Ma Belen Llarde, das Filipinas, e Voris Sarris e Nikita Zozovsky, da Ucrânia.

Pela Grécia, sob a coordenação do El Sistema-Grécia, participaram os compositores Roxani Chatzidimitriou com Enxhi Kllogiri, da Albânia, Ioanna Topsi-Moutesidou com Hussain Bardan, da Síria, e Alexandros Gkonis com Hasan Labendz, da Polónia.

No mesmo comunicado o português Mário Laginha considera o projeto “apaixonante” e referiu que, no seu caso, “a escolha da Edvânia Moreno não podia ter sido mais feliz”.

“Foi ela que sugeriu e me deu a conhecer o batuque cabo-verdiano e me chamou a atenção para algumas particularidades do batuque que se tornaram nucleares na peça que escrevi”, acrescenta.

Marian Yanchyk, violonista ucraniano que se estabeleceu em Portugal em 2005, considera que a “colaboração com os músicos de vários países do mundo é importantíssima neste momento”.

“Penso que é uma oportunidade para demonstrar, mais uma vez, a igualdade que existe entre todas as nações do mundo e a união que é possível fazer através da música”.

As composições criadas pelos compositores portugueses, cipriotas e gregos vão ficar disponíveis para serem tocadas por qualquer outra orquestra do mundo como forma de “possibilitar a compreensão de outras culturas através da música, destacando o valor e a importância da diversidade cultural”, afirma a Orquestra Geração. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Chipre – Poderia este pedaço de terra abandonado oferecer uma solução para um conflito de 66 anos?


Na aldeia há muito abandonada de Variseia, na zona tampão das Nações Unidas em Chipre, cientistas de ambos os lados da turbulenta ilha esperam que uma parcela de terra intocada possa unir um país em guerra.

A zona tampão - também conhecida como Linha Verde - é uma área desmilitarizada patrulhada pela Força de Manutenção da Paz das Nações Unidas. Estabelecido pela primeira vez em 1964 e ampliado em 1974 após a invasão turca de Chipre, a faixa de terras agrícolas desabitadas cobre cerca de três por cento da ilha - abrangendo uma área de 346 quilómetros quadrados.

O seu objetivo é simples: separar as forças opostas gregas e turcas e impedir o reacendimento das hostilidades entre as partes em guerra da ilha.

Mas nos 66 anos desde a sua criação, outra função imprevista tomou conta - uma que os cientistas esperam que possa resolver o conflito de Chipre para sempre.

"Esta parte do Chipre está abandonada desde 1974", diz Salih Gucel, diretor do Instituto de Ciências Ambientais da Universidade do Oriente Próximo.

“Não houve influência de humanos, então isso fez o habitat e as plantas florescerem aqui. Como resultado, os animais, a vegetação e outros organismos que vivem aqui são mais saudáveis ​​e desenvolvem-se de forma mais harmoniosa”.

Um hotspot de biodiversidade

Enquanto os líderes do Norte e do Sul de Chipre permanecem em desacordo, esta faixa de vegetação intocada ajudou a plantar a semente da cooperação entre os dois lados.

“Percebemos que algumas partes da zona tampão poderiam funcionar como hotspots de biodiversidade para o resto da ilha, então essas são áreas onde a biodiversidade floresce, onde tem populações saudáveis ​​de diferentes espécies”, diz Iris Charalambidou, pesquisadora da Universidade de Nicósia.

“As pessoas que trabalham com questões ambientais geralmente são tão apaixonadas pelo meio ambiente que, quando se encontram, falam sobre isso e não se incomodam em falar sobre outras questões”, continua Iris.

“Um dos objetivos do nosso projeto era fazer com que as pessoas interessadas no meio ambiente em ambas as comunidades colaborassem umas com as outras”.

Este ambicioso empreendimento visa unir membros da comunidade ambientalista em estudos com foco no processo de renaturalização da Linha Verde – resultado da limitada atividade humana na área. Como consequência, a flora e a fauna ameaçadas estão agora florescendo na zona tampão, enquanto pastagens comuns estão disponíveis para os agricultores de ambos os lados da divisão.

"Estamos a analisar questões ambientais aqui em Chipre e vemos oportunidades para ajudar a construir a paz entre duas comunidades divididas", disse Aleem Siddique, porta-voz da força de paz da ONU em Chipre.

“Sabemos pelo nosso trabalho com os jovens da ilha que eles compartilham uma preocupação com o meio ambiente. Estamos reunindo essas comunidades para abordar preocupações ambientais comuns dentro da zona de separação". Euronews.green


 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Europa em saldo

O governo de Malta aprovou a concessão de cidadania europeia com respectivo passaporte a todos aqueles cidadãos que a pretendam adquirir pela módica quantia de 650 mil euros, sendo óbvio que os destinatários são os cidadãos não pertencentes à União Europeia.

Malta que aderiu à União Europeia em 2004 pretende atrair milionários russos e chineses, mas se à rede aparecerem de outras nacionalidades, certamente que serão bem-vindos.

Com esta medida, o governo de Malta espera que 300 milionários afluam por ano a este país no meio do mar Mediterrânico e que façam entrar nos cofres do estado a quantia de 30 milhões de euros.

Outra ilha do mar Mediterrânico, Chipre, pertencente também à União Europeia, pretende tomar uma iniciativa idêntica, tendo anunciado no início de 2013, medidas semelhantes.

Entretanto no início de Novembro de 2013, Portugal através do gabinete do vice-primeiro-ministro anunciou que concedeu até ao final do mês anterior, 318 vistos “Gold” que se traduziu num volume de investimento para o país de 200 milhões de euros.



Os vistos “Gold” permitem que cidadãos de países terceiros, que não pertençam à União Europeia ou não integrem o Acordo de Schengen, garantam uma autorização de residência em Portugal para desenvolver uma actividade de investimento. Do total das 318 autorizações concedidas para residir em Portugal, 80% foram através da compra de imobiliário e as restantes foram concedidas devido a transferências financeiras.

Para a atribuição do visto “gold”, o despacho impõe que haja actividade de investimento, promovida por um indivíduo ou uma sociedade e que seja desenvolvida por um período mínimo de cinco anos, prevendo-se várias opções, em que se incluem a transferência de capital num montante igual ou superior a um milhão de euros, a criação de pelo menos dez postos de trabalho ou a compra de imóveis num valor mínimo de 500 mil euros.

Para efeitos de renovação da autorização de residência é exigido ao investidor que comprove ter cumprido o período mínimo de permanência no território português exigido, de sete dias consecutivos ou interpolados no primeiro ano, ou catorze dias consecutivos ou interpolados no período subsequente de dois anos. Os cidadãos da China continuam a liderar a lista dos cidadãos estrangeiros que recebem os chamados vistos “gold”, seguindo-se os naturais da Rússia, Angola e África do Sul.

A Espanha está também interessada em avançar com uma medida idêntica a Portugal e está a estudar conceder autorização de residência a estrangeiros que comprarem imóveis num valor superior a 160 mil euros, uma forma de impulsionar o depauperado mercado imobiliário do país.

Não é de estranhar, em termos políticos, que medidas como as que foram anteriormente enunciadas tragam para a Europa novas máfias, o que leva ao descontentamento da população europeia e ao crescimento dos partidos de extrema-direita, a resposta que os cidadãos europeus vão construindo face aos abusos governamentais. Baía da Lusofonia