Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Brasil - Casas dos Açores unem forças numa nova rede

As oito Casas dos Açores existentes no Brasil passam a estar ligadas através de uma nova Rede Nacional de Casas dos Açores do Brasil, uma iniciativa que pretende reforçar a cooperação entre estas entidades e promover os Açores junto das comunidades açordescendentes


A assinatura do protocolo para criação da rede foi um dos principais resultados do IX Encontro Açores Brasil, que decorreu no dia 23 de agosto, em Florianópolis, no estado de Santa Catarina.

O encontro contou com a participação do secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, acompanhado pelo diretor regional das Comunidades, José Andrade.

A deslocação oficial ao Brasil incluiu também a inauguração da nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina, em Santo António de Lisboa, Florianópolis.

O edifício foi adquirido e totalmente reabilitado pelo Município de Florianópolis, com o investimento integralmente suportado pelo orçamento municipal.

A nova sede fica numa freguesia particularmente ligada à história da presença açoriana no Sul do Brasil, onde se fixaram, a partir de 1748, os primeiros açorianos que chegaram à região para contribuir para o seu povoamento.

A capital de Santa Catarina recebeu representantes das oito Casas dos Açores do Brasil para um encontro dedicado ao percurso histórico destas instituições, à sua situação atual e às perspetivas para o futuro.

Estiveram representadas as Casas dos Açores do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Estado do Rio Grande do Sul, Maranhão, Espírito Santo, Minas Gerais e Ceará.

A nova Rede Nacional de Casas dos Açores do Brasil pretende conjugar esforços para promover os Açores no Brasil, não apenas enquanto território de herança cultural, mas também enquanto destino turístico e espaço de oportunidades de investimento. A Rede contará com uma coordenação executiva, responsável por dinamizar o seu funcionamento e promover a articulação entre os seus membros. A primeira coordenação executiva será assegurada pela Casa dos Açores do Rio de Janeiro.

No âmbito do encontro foi ainda assinado um protocolo de apoio ao Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade do Estado de Santa Catarina.

As comemorações dos 600 anos da descoberta dos Açores, que terão lugar em 2027, estiveram também entre os temas abordados durante o encontro. A celebração pretende envolver a diáspora açoriana, com iniciativas previstas nas nove ilhas, no continente português e nos países onde existe uma presença açoriana significativa.

O IX Encontro Açores Brasil insere-se numa estratégia do Governo Regional para valorizar e reforçar os laços sociais, culturais e económicos entre os Açores e as comunidades açordescendentes nos diferentes estados brasileiros.

O Brasil ocupa um lugar particularmente importante nesta história: foi o primeiro destino da emigração açoriana e continua a representar uma das principais referências da presença açoriana fora do arquipélago.

O primeiro Encontro Açores Brasil realizou-se em Ponta Delgada, em outubro de 2021. Desde então, a iniciativa passou por diferentes cidades e ilhas, incluindo Angra do Heroísmo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Ponta Delgada, Pico, Faial e Belo Horizonte, chegando agora à sua nona edição. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 14 de fevereiro de 2026

Portugal - Defendida maior ligação entre Casa de Macau e Casa de Goa

Decorreu ontem em Lisboa a conferência “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que analisou o papel de ligação que as entidades podem ter na diáspora goesa e macaense. Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau, destaca a importância de criar pontes com a Casa de Goa pelo “paralelo de representatividade de luso-descendentes”


Que papel podem ter a Casa de Macau e a Casa de Goa, em Lisboa, tendo em conta o desfilar do tempo e os desenvolvimentos trazidos pelas novas gerações das comunidades macaense e goesa? É certo que Macau e Goa há muito deixaram de fazer parte do antigo império português, mas os laços socioculturais permanecem. A pensar nisso, decorreu ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, a palestra “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que procurou traçar respostas para os desafios do futuro.

Ao HM, Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau em Lisboa, declarou que “seria interessante que as pontes entre a Casa de Macau e a Casa de Goa pudessem também ser equacionadas num paralelo da sua representatividade dos luso-descendentes e das culturas mestiçadas”, tendo em conta que as duas entidades “são pilares fundamentais para a representatividade dessas comunidades”.

O responsável, ele próprio macaense, destaca “as similitudes da sua gastronomia, crioulo e festividades” entre as duas comunidades. Seria, assim, “interessante aliar as pequenas representações dos gigantes do mundo asiático, representadas pela simbologia do Dragão e do Elefante, como elementos estruturantes para um diálogo entre Portugal e a Ásia, queiram as vontades políticas e institucionais”.

Na visão de Carlos Piteira, as duas casas “reforçam a herança legitimada do diálogo entre o Ocidente e o Oriente, e as relações seculares de Portugal com estes países, muitas vezes ignorada e esquecida pelos poderes oficiais e institucionais”.

Já Pedro Colaço, da direcção da Casa de Goa, destaca a importância de preservar a memória da presença portuguesa tanto em Goa como nos restantes territórios de Damão e Diu. “Foram 450 anos de história, no caso de Macau foram mais umas décadas, e procuramos acompanhar a actual cultura goesa. Uma das partes mais importantes do nosso trabalho é fazer uma ponte entre Goa e Lisboa, e diariamente contactamos com artistas, músicos e membros da comunidade, é esse o nosso papel”, descreveu ao HM. Pedro Colaço deu o exemplo do concerto que vai decorrer a 8 de Março na Fundação Oriente, em Lisboa, intitulado “Oscar Castellino – Voz de Ópera de Goa e Piano com Rodrigo Ayala”.

De resto, a Casa de Goa, actualmente sem sede própria, procura, tal como a Casa de Macau, atrair novos sócios, sobretudo das novas gerações, a fim de dar continuidade ao projecto, para que a Casa se mantenha “como um polo de união dos goeses e, cada vez mais, dos amigos de Goa”.

Acompanhar a história

A Casa de Macau foi fundada em Lisboa em 1966 e tem acompanhado diversas fases não só da história de Portugal como do relacionamento do país com Macau e a China.

“A existência da Casa de Macau marca, sem dúvida, um paralelo com a própria história de Portugal por mais de 70 anos. Macau foi a ‘pérola do Oriente’ para o Estado Novo e viveu as turbulências do período revolucionário de Abril 1974, adaptando-se e consagrando-se como a ‘ponte entre o Ocidente e Oriente'”. Por fim, depois da transição para a República Popular da China, tem-se assistido à reorganização [de Macau] como território central na ligação, a partir da China, com os países da língua portuguesa.”

Carlos Piteira descreveu ainda que a Casa de Macau tem acompanhado “a história dos tempos, alargando a visão da presença portuguesa neste território”. Além disso, teve uma tarefa “não menos importante”, por ter “cristalizado, protegido e perpetuado a comunidade macaense em Portugal e no mundo”.

Actualmente, a Casa de Macau tem desenvolvido diversas actividades que levam mais sócios à Avenida Gago Coutinho, onde está situada, e cujo edifício foi recentemente alvo de obras de restauro. Todas as quartas-feiras há almoços de comida macaense com a Chef Tina, natural de Macau, decorrendo também sessões de cinema e palestras.

A missão da Casa é, actualmente, “realizar actividades de divulgação de Macau e da cultura macaense”, dando-se “apoio e dinamização de estudos e trabalhos de teor científico sobre Macau, macaenses” e fazendo-se também a “interligação institucional com as demais entidades ligadas a Macau, Portugal e Casas de Macau na diáspora”.

Quem é de Goa e quem não é

Pedro Colaço explicou que a comunidade goesa em Lisboa “tem mais facilidade em falar com a restante diáspora indiana” em Portugal, tendo em conta que, por exemplo, “a ligação é muito antiga” com a comunidade hindu.

“Temos pena que às vezes não se fale mais [da comunidade], ao nível dos meios de comunicação, porque é uma parte importante da história portuguesa”, lamenta o responsável, lembrando figuras bem destacadas no país, como António Costa, que foi primeiro-ministro português, ou Narana Coissoró, antigo presidente da Casa de Goa e ex-deputado do CDS-PP. “Há figuras mais notórias, mas no geral a comunidade goesa inseriu-se muito bem e é conhecida por ser uma comunidade bastante instruída”, lembrou ainda, lamentando que em Portugal não se consiga fazer uma distinção entre comunidades de origem indiana.

“Uma coisa que é preocupante é o desconhecimento que existe em relação às comunidades. Hoje em dia há uma grande pressão devido à imigração e depois mistura-se tudo”, destaca Pedro Colaço, lembrando que há um sentimento forte em ser-se goês, nomeadamente na ligação ao catolicismo e a uma cultura muito própria por oposição a comunidades do Indostão que, actualmente, estão muito presentes em Portugal.

“A comunidade goesa é tão miscigenada que metade da minha família, ou mais, não aparenta ser goesa, mas eu, por acaso, aparento. Há um sentimento de ser goês, algo que nos une. As outras comunidades da diáspora indiana são, muitas vezes, confessionais, têm uma religião associada, enquanto a comunidade goesa é, na sua maioria, católica, mas cada um vai à sua igreja, está muito espalhada”, apontou.

O futuro é um desafio

Pedro Colaço fala num “futuro desafiante” para a Casa de Goa. “Estou agora no segundo mandato, a direcção mudou de presidente, e uma das coisas que se tem tentado fazer é trazer jovens para os órgãos sociais. Agora temos três ou quatro membros mais novos, abaixo dos 40 anos. Também temos tentado alargar a Casa a não goeses.”

Neste ponto, há semelhanças com a Casa de Macau, que também tem procurado alargar o leque de sócios a chineses ou portugueses que não pertençam à comunidade. Pedro Colaço adianta que, com o passar dos anos, as coisas mudaram.

“Há 30 anos a comunidade era muito grande, mas neste momento, e tal como todas as instituições, temos de nos alargar. Há muitas pessoas que gostam muito de Goa e que sabem muito do território, talvez até mais do que eu, e são esses que têm de ser puxados”, assumiu.

Actualmente, a Casa de Goa tem 500 associados e, mesmo sem sede, procura fazer actividades, nomeadamente em parceria com a Fundação Oriente. É publicado um boletim mensal. Deixaram de ter sede devido às obras do metro em Lisboa, o que tem dificultado a agenda da Casa.

“Estamos no processo de arranjar uma nova sede, e é algo que tem constituído um constrangimento, mas procuramos fazer o máximo de actividades possível e, mensalmente, temos sempre actividades”, rematou Pedro Colaço. Andreia Silva – Portugal in “Hoje Macau”


quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Cabo Verde e Martinica: Duas identidades no itinerário da crioulidade

O itinerário dos povos de língua crioula trouxe a martiniquesa Victória Elizabeth até Cabo Verde, com a sua equipa de reportagem. O objectivo é contar este percurso tão comum, através da língua materna, da sua música, dança, uso diário, profissões diversas, unindo os pontos de uma herança colonial e afirmação identitária. A aventura começa por Cabo Verde, que tem o crioulo mais falado em África, e segue depois por mais 11 países, neste continente e nas Caraíbas



Em 2018, Victória Elizabeth, natural da Martinica, nas Caraíbas, começou a delinear um projecto que tinha tudo que ver com a sua cultura  ao mesmo tempo crioula e insular. E quando punha as primeiras ideias no papel, para a criação da sua Associação F’Kréyol (associação para a promoção das línguas e culturas crioulas, através de uma abordagem educacional, artística e digital) e procurava no mapa os locais do mundo onde as populações falavam uma língua crioula, viu as ilhas de Cabo Verde. Disse então para si que um dia viria até cá para visitá-las. E o ano passado, desembarcou na Praia para a primeira recolha de informações, a ‘réperage’ dos locais para a sua equipa filmar.

Ao mesmo tempo, procurava financiamento para o projecto sobre a língua crioula e as suas populações falantes, enviando o projecto a várias instituições e organizações. Este ano chegou com a sua equipa para mais tempo, dois meses, até o final do mês de Agosto.

O projecto consiste em abordar o itinerário da língua crioula pelo mundo, o seu uso profissional, a ligação entre as danças e a tradição, a transmissão entre as mulheres e a língua crioula. Incorpora, ainda, artistas, cantores, bailarinos, rappers, mas também jornalistas, advogados, ateliers pedagógicos para vários públicos.

“O objectivo é que quando subirem ao palco, no espectáculo, apresentem uma forma de expressão artística, uma actividade na sua língua crioula”, explica Victória.

Mas a sua ligação a Cabo Verde é mais remota. “Quando era estudante, na Martinica, tive uma professora cabo-verdiana, Maria da Silva, que me falava muito de Cabo Verde e da cultura das suas ilhas e na altura fiquei entusiasmada”, lembra.

E foi a vinda a Cabo Verde, pela primeira vez, que a levou a pensar o projecto de forma mais abrangente. “Na época, ainda estava circunscrito à Martinica e a Guadalupe. A minha vinda a Cabo Verde motivou-me a fazer tudo para conseguir esse objectivo, de visitar 12 países: quatro africanos (Cabo Verde, Senegal, Guiné-Bissau e o Benim), nove da zona das Caraíbas Trinidad e Tobago, Saint Martin, Santa Lucia, Dominica, Martinica, Guadalupe, Haiti e a Guiana) e começámos por Cabo Verde.

Diferenças e semelhanças

E as diferenças entre as ilhas de Cabo Verde e estas duas ilhas das Antilhas Francesas, Martinica e Guadalupe não são muitas, como ela explica: “Nós temos um clima tropical com duas estações, das chuvas, a ‘ivernage’, e a seca; mas temos também furacões, claro. Temos a mesma capacidade de resiliência e de adaptação. Mas o que me impressionou muito em Cabo Verde é que são 10 ilhas num só país. Nas Caraíbas há umas 15 ilhas de maior dimensão, mas cada uma delas é um país diferente, cada uma fala uma língua e encontramos também um crioulo em cada uma delas. E apesar das diferenças, conseguimos entender-nos em crioulo, mesmo os não de base francesa, porque estão muito misturados.”

Victória ainda não compreende tudo no crioulo de Cabo Verde, mas compreende a maneira de ser das pessoas e a ‘prosadie’: a entoação, o ritmo, a musicalidade, a intensidade e as pausas, na linguagem. “Algumas palavras são muito próximas e o facto de habitarem em ilhas levou a que estes povos desenvolvessem contextos semelhantes: estamos próximos do mar, mas também fazemos a agricultura, temos a ambição de sermos autossuficientes, porque de um momento para o outro podemos ficar isolados do mundo e é preciso haver uma capacidade de resiliência para sobreviver nestas condições”.

A martiniquesa adianta ainda o facto de os antepassados comuns terem sido traficados, trazidos para estes territórios insulares, antes da miscigenação com outros povos, “o que faz com que o dia a dia destes povos ilhéus sejam semelhantes aos de Cabo Verde, as suas rotinas… ainda há pouco estive com um grupo de pescadores aqui de Santiago e vi que eles cozinham o peixe e fazem um molho muito parecido com o nosso, na Martinica e nas Caraíbas; mas também partilhamos outros aspectos, a música, por exemplo; podemos apreciar as músicas, o batuko, o funaná, o zouk”.

Victória formou-se em ciência política e letras modernas, com mestrado em gestão de empresas. Questionada sobre as origens deste projecto ambicioso, recorda como em casa, quando era pequena, a mãe falava crioulo e ela respondia em crioulo. “Mas agora o contexto é outro, é diferente. Quando ia à escola, não era permitido falar o crioulo. E foi preciso um grande militantismo envolvendo várias gerações, para, a pouco e pouco, o crioulo ser introduzido nas escolas, nos programas escolares. Hoje, as aulas são em francês, mas temos aulas em crioulo também.”

Crioulo versus língua de colono

E quando descobre a realidade cabo-verdiana, o impasse e a discussão nacional em volta da língua materna, Victória responde que o problema da escrita, na Martinica, foi há muito ultrapassado, assim como nas outras ilhas. Mas, para as ilhas das Caraíbas, o crioulo do Haiti exerce uma pressão e atracção muito grandes, pois representa 12 milhões de falantes, o maior país ‘crioulo’ do mundo.

“Cada uma delas tem o seu sistema fonético, o seu dicionário, mas também não existe um consenso no sentido de alguma ‘uniformização’. Cada uma faz o seu trabalho, a luta pelo reconhecimento institucional da sua variante, estando elas em diferentes fases do processo, este não está finalizado, muito pelo contrário.”

Outra diferença entre Cabo Verde e a sua ilha de origem, a Martinica, é a convivência entre os seus crioulos e as línguas francesa e portuguesa. “Quando confrontada entre a perda de terreno do português face ao crioulo, em Cabo Verde, e a implantação desta língua materna, a nível nacional, de forma efectiva, sobretudo depois da independência, na Martinica é bem diferente.

“No nosso caso, o problema é inverso, o combate é no sentido de impor o crioulo, há cada vez mais uma forma ‘afrancesada’ de falar o crioulo, há cada vez mais palavras francesas no nosso crioulo, o francês ocupa cada vez mais espaço na sociedade, e a luta é para colocar o crioulo ao mesmo nível que o francês”, explica Victória.

No outro lado oposto está também o Haiti, em que o crioulo quase afastou o francês. Mas ela defende que o ensino de línguas diferentes não pode ser visto como um problema. “Antes pelo contrário, quanto mais línguas uma criança aprender melhor para ela e elas têm essa capacidade de aprendizagem e devem ser estimuladas nesse sentido”.

A admiração de Victória Elizabeth por Cabo Verde leva ainda a perguntar se não foi a garantia das transferências do orçamento de Paris, para estas ilhas, que desencorajou logo à partida qualquer ideia independentista. E, já agora, se o recente acordo assinado entre a Nova Caledónia e o governo francês, de uma progressão aberta da autonomia para um Estado independente, não cria entusiasmo nas Antilhas francesas. “Se foi a economia, não sei, mas esse argumento hoje não tem qualquer sustentação. Hoje os salários na Martinica são muito mais baixos que no ‘hexágono’ (França continental), os preços dos mesmos produtos são três vezes mais caros.

Estamos a sair de um período de forte contestação social, de reivindicações, houve tumultos a que se seguiram negociações. A vida na ilha é demasiado cara e a população exige estar ao mesmo nível que os outros franceses”, afirma.

O projecto sobre os povos de língua crioula começou em 2019 e hoje Victória tem a sua equipa de três elementos. Em Cabo Verde e nos restantes países irão realizar quatro filmes documentários e o objectivo, segundo ela, é a “valorização desta cultura e, se puder mostrar os filmes em cada um desses países”.

Depois de Cabo Verde, segue-se o Senegal, a Guiné Bissau e o Benim. São Tomé e Príncipe fica de fora, dada a dificuldade dos transportes. Para este itinerário da língua crioula pelo mundo, serão contempladas as áreas da música, dança, da língua, sua utilização ao nível profissional, a relação das mulheres com a língua. “Outras ilhas do arquipélago serão também contempladas, logo que tenhamos os nossos passaportes com o visto que solicitámos”, conclui. Joaquim Arena – Cabo Verde in “A Nação”


terça-feira, 8 de abril de 2025

Lusofonia - Comunidades Portuguesas na Ásia e Oceânia reforçam laços e propõem soluções para promover a língua, a identidade e a cooperação

Na primeira reunião presencial do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, realizada em Díli, conselheiros de Timor-Leste, Austrália e China identificaram desafios comuns e traçaram estratégias para valorizar a língua portuguesa, dinamizar o associativismo e apoiar os portugueses no estrangeiro



As Comunidades Portuguesas na Ásia e Oceânia reforçam laços e propõem soluções para promover a língua, a identidade e a cooperação

Na primeira reunião presencial do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, realizada em Díli, conselheiros de Timor-Leste, Austrália e China identificaram desafios comuns e traçaram estratégias para valorizar a língua portuguesa, dinamizar o associativismo e apoiar os portugueses no estrangeiro.

As comunidades portuguesas na Ásia e Oceânia enfrentam desafios comuns que vão desde a preservação da identidade cultural à promoção da língua portuguesa e à adaptação aos contextos socioeconómicos dos países de acolhimento. Esta foi uma das principais conclusões da reunião do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), que decorreu em Díli, nos dias 20 e 21 de março de 2025.

A iniciativa reuniu conselheiros dos círculos da Austrália, China e Timor-Leste. Durante dois dias de trabalhos, foi feito o balanço das atividades desenvolvidas e discutidos temas como o ensino do português, os serviços consulares, os fluxos migratórios e as oportunidades de cooperação económica e cultural.

Desafios estruturais nas comunidades da Austrália

A Conselheira da Austrália, Sara Fernandes, alertou para o decréscimo da população portuguesa no país, causado pelas políticas restritivas de imigração e pelo elevado custo de vida. “Quem chega com um visto de estudante, por exemplo, não tem acesso ao sistema de saúde público (Medicare) e é obrigado a pagar um seguro privado, o que torna a permanência bastante desafiante”, explicou.

As dificuldades não se limitam aos recém-chegados. Os imigrantes enfrentam obstáculos no acesso à saúde, limitações no número de horas de trabalho e problemas de integração, especialmente os idosos que, devido à barreira linguística, vivem frequentemente em situação de isolamento.

Outro ponto crítico é a fraca procura pelas aulas de português. Apesar do apoio do Instituto Camões, que fornece materiais didáticos e até tablets, as escolas funcionam de forma autónoma e com dificuldades em atrair alunos. Ainda assim, Sara Fernandes destacou avanços recentes, como a abertura de uma escola de português para adultos em Queensland, que já conta com várias inscrições.

Conforme a Conselheira, a nova geração de imigrantes portuguesas, com o aumento da mobilidade proporcionada pelo Working Holiday Visa, chega com um bom domínio da língua inglesa e uma compreensão prévia da cultura local. “Isso facilita significativamente a sua integração na sociedade australiana, especialmente no contexto cultural anglo-saxónico. Estes jovens vêm preparados, com objetivos bem definidos e uma maior capacidade de adaptação”, observou.

Identidade e cooperação luso-timorense como prioridade 

Durante a reunião, foi também salientado o papel das comunidades na dinamização das relações entre Portugal e os países da região. “A comunidade portuguesa na diáspora pode ser uma facilitadora de intercâmbios culturais, educativos e económicos entre Portugal, Timor-Leste e a Austrália”, afirmou Sara Fernandes, que aproveitou a estadia em Díli para reforçar esse compromisso junto das autoridades timorenses.

Em Timor-Leste, a presença portuguesa é significativa e contribui para o reforço institucional em áreas como a justiça, saúde, administração pública e formação profissional. O conselheiro Filipe Silva destacou a importância da cooperação no ensino da língua portuguesa, através de projetos como o CAFE (Centro de Aprendizagem e Formação Escolar), concursos escolares e bolsas de estudo.

“É preciso tornar o português mais atrativo para os jovens, ligando-o à cultura, ao desporto, aos media e ao empreendedorismo”, sublinhou Filipe Silva. A Escola Portuguesa de Díli também tem desempenhado um papel de destaque, sendo hoje um polo de atração para alunos timorenses e estrangeiros.

Segundo o Conselheiro, é necessário reforçar a estratégia. Muitos jovens timorenses demonstram respeito pela língua portuguesa, mas questionam a sua utilidade prática no dia a dia. “Por isso, é essencial apostar em iniciativas que revelem, de forma concreta, o valor e as oportunidades que o domínio da língua portuguesa pode trazer para o seu futuro”, referiu.

Serviços consulares e voto por correspondência preocupam comunidade 

Entre os principais constrangimentos apontados pelas comunidades residentes em Timor-Leste está o acesso aos serviços consulares. Apesar das melhorias nos últimos anos, Filipe Silva defende que é preciso flexibilizar os horários de atendimento e reativar um serviço de saúde básico para os cooperantes portugueses, encerrado em 2012. “Acredito que o Estado português deveria ponderar seriamente a reativação de um serviço de saúde básico em Díli, com a presença de um médico e uma enfermeira, mesmo que com um modelo de copagamento”, afirmou.

O direito de voto foi outro tema debatido com preocupação. O voto por correspondência continua a ser altamente ineficaz devido à morosidade dos correios timorenses. O Conselho das Comunidades Portuguesas voltou a defender a introdução do voto eletrónico como uma solução urgente, proposta que tem encontrado resistência no Parlamento português.

Macau como elo entre culturas e reforço do ensino

Macau foi também abordado durante a reunião como exemplo de promoção da língua portuguesa em contexto multicultural. Segundo Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do CCP, a cooperação entre Macau e Timor-Leste no intercâmbio de estudantes deve ser fortalecida. “Ambos os territórios têm escolas portuguesas, o que reforça a ligação histórica e educativa entre os dois espaços”, afirmou.

Rui Marcelo destacou ainda que a promoção do português não se faz apenas nas escolas, mas também nos órgãos de comunicação social, como é o caso de Macau, onde existem vários meios em língua portuguesa, incluindo televisão. “Isso contribui para tornar o idioma mais presente no quotidiano da população”, acrescentou.

O presidente afirmou que, apesar da diminuição da presença portuguesa no território, os portugueses que permanecem em Macau continuam a desempenhar um papel crucial na preservação da língua, da cultura e da identidade lusófona na Ásia e Oceânia.

“O ensino da língua portuguesa em Macau beneficia de um estatuto privilegiado, e várias estratégias têm sido implementadas para garantir a qualidade e a continuidade desse ensino, tanto para lusodescendentes como para aprendentes não nativos”, referiu Rui Marcelo.

Segundo o presidente, uma das principais iniciativas passa pela formação contínua de professores de português. “O Governo e as instituições educativas da China colaboram com entidades em Portugal para capacitar docentes, garantindo competências adequadas e atualizadas, com recurso a métodos pedagógicos inovadores e materiais didáticos modernos”.

A existência de escolas com ensino em português, bibliotecas com acervo em língua portuguesa e eventos culturais — como festivais, celebrações tradicionais e workshops — tem sido fundamental para valorizar a herança lusófona em Macau. “Estes espaços promovem a leitura e o acesso à cultura portuguesa, incentivando os jovens a explorar a língua de forma lúdica e educativa”, acrescentou.

A integração da comunidade portuguesa em Macau é, de um modo geral, bastante positiva, com presença significativa na administração pública, na educação, no comércio e na cultura. “Essa diversidade de atuação tem contribuído para reforçar a valorização da cultura portuguesa e a sua influência no quotidiano da região”, destacou.

Rui Marcelo sublinhou ainda que a comunidade portuguesa em Macau pode e deve desempenhar um papel de relevo no reforço da posição do território como plataforma de ligação entre a China e os países de língua portuguesa. “A comunidade local pode funcionar como intermediária em negócios e investimentos multilaterais. A promoção de experiências culturais únicas, como na gastronomia e na hotelaria portuguesas, tem um grande potencial económico”, afirmou.

Em relação ao apoio institucional, destacou os serviços prestados pelo Consulado-Geral de Portugal em Macau e pelo próprio Conselho das Comunidades Portuguesas, que incluem assistência consular, eventos culturais, feiras de emprego e programas de formação. “Estas iniciativas são essenciais para garantir que a língua e a cultura portuguesas continuem a ser valorizadas, mesmo num contexto de crescente integração local”, concluiu.

Educação, cultura e economia como eixos de intervenção

A reunião resultou na elaboração de um plano de atividades com foco em três eixos principais: educação e língua, cooperação cultural e relações económicas. Foram debatidas estratégias para dinamizar o associativismo, apoiar os empresários portugueses e mapear oportunidades em áreas como turismo, gastronomia, tecnologia e educação.

No caso da Austrália, Sara Fernandes lamentou a inatividade da Câmara de Comércio, desativada no período pós-pandemia, e apelou à sua reativação como plataforma essencial para apoiar os empresários portugueses.

A reunião terminou com visitas culturais a instituições timorenses e um encontro com a comunidade portuguesa residente em Díli. Segundo Rui Marcelo, a escolha de Timor-Leste para acolher este primeiro encontro presencial do Conselho Regional da Ásia e Oceânia “foi quase óbvia”, dado que o país passou a estar representado neste mandato. “O nosso objetivo comum é promover o intercâmbio entre as comunidades portuguesas da região, respeitando a especificidade de cada uma, mas agindo com uma estratégia conjunta”, concluiu. Joana Silva – Timor-Leste in Diligente


sexta-feira, 4 de abril de 2025

Lusofonia - ONG Mundu Nôbu prepara expansão de Portugal para Cabo Verde

A organização não-governamental (ONG) Mundu Nôbu, criada, há um ano, pelo músico Dino D’Santiago e Liliana Valpaços, para capacitar comunidades sub-representadas em Portugal, vai expandir-se este ano para Cabo Verde, disseram os fundadores à Lusa. “O que nos deixa ainda mais felizes é sabermos que vamos trazer esse projeto, devidamente adaptado, para Cabo Verde”, referiu [...]



A organização não-governamental (ONG) Mundu Nôbu, criada, há um ano, pelo músico Dino D’Santiago e Liliana Valpaços, para capacitar comunidades sub-representadas em Portugal, vai expandir-se este ano para Cabo Verde, disseram os fundadores à Lusa.

“O que nos deixa ainda mais felizes é sabermos que vamos trazer esse projeto, devidamente adaptado, para Cabo Verde”, referiu Liliana Valpaços, vice-presidente da ONG, arrancando as reuniões com autoridades e parceiros, na cidade da Praia.

“Nós criámos a Mundo Nôbu porque sentimos que há várias comunidades, na sociedade portuguesa, que não têm representatividade” em vários setores, profissões e áreas de influência, explicou – tanto comunidades afro-descendentes, como do Brasil, países de leste ou sul-asiáticos.

O programa “O teu lugar no mundo” inclui 12 módulos curriculares (literacia financeira, gestão de emoções, liderança, entre outros) e atividades complementares em que os participantes – dos 14 aos 18 anos – se envolvem por quatro a seis anos (até aos 22 anos, no máximo), “para que sintam que podem sonhar o que quiserem, serem o que quiserem”.

As atividades complementares “podem ser visitas a museus, contactos com determinadas pessoas, estágios em empresas, atividades que permitam romper horizontes”, tudo com o objetivo de “desenvolver o pensamento crítico e construir um projeto de vida sólido”.

Atualmente, o programa inclui 123 inscritos, que se candidataram voluntariamente, e Liliana Valpaços ambiciona chegar ao mesmo número em Cabo Verde, na fase inicial.

“Houve uma primeira intenção para que [a ONG] tivesse nascido em Cabo Verde”, recordou Dino D’Santigao.

“Felizmente fui aconselhado pela Liliana Valpaços”, disse à Lusa.

Uma conversa em que lhe apontou um facto sobre muitos filhos de pais africanos: “nasceram em Portugal, mas não sentem que este também é o seu lugar”, apesar de já merecerem “sentir isso, como ninguém”.

“Um ano depois, ver os resultados dos jovens que por lá passaram, é gratificante. Poder materializá-lo em Cabo Verde, já está acima do que eu tinha sonhado. Mas é a prova máxima de que, quando juntamos outra pessoa, agregando sonhos, conseguimos viver num mundo bem melhor”, concluiu.

A Mundu Nôbu (do crioulo, Mundo Novo) dá prioridade “à igualdade de acesso às oportunidades”, defendendo “valores morais e éticos, à luz da Declaração Universal dos Direitos do Homem”. Luís Fonseca – “Agência Lusa” in “Forbes” 


sábado, 15 de fevereiro de 2025

Luxemburgo - Portugueses podem perder direito de residência por dependerem de apoios sociais

Os emigrantes portugueses no Luxemburgo que sejam considerados um “encargo irrazoável” para o Estado podem ser obrigados a deixar o país. A medida, prevista na Lei da Imigração de 2008 e baseada numa diretiva europeia, aplica-se a cidadãos da União Europeia que residam no Luxemburgo há menos de cinco anos.



Segundo o jornal Contacto, a Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) tem recebido pedidos de ajuda de portugueses que receberam cartas de “expulsão”.

A Direção-Geral de Imigração do Luxemburgo esclarece que o simples recurso à assistência social não é suficiente para justificar a saída do país, mas que avalia fatores como o montante e a duração dos apoios concedidos. Os emigrantes que recebem a decisão de afastamento têm 30 dias para sair do Luxemburgo, mas podem regressar desde que cumpram as condições de residência, como conseguir um contrato de trabalho ou ter recursos próprios.

Sérgio Ferreira, diretor político da ASTI, considera que este caso representa uma situação traumática para os emigrantes que já estabeleceram a sua vida no país. A ASTI é contra a medida e argumenta que ela constitui um entrave à livre circulação dentro da União Europeia. A associação aconselha os portugueses afetados a procurarem apoio junto do Consulado de Portugal para facilitar o regresso ao país natal caso não consigam evitar o afastamento.

O jornal Contacto questionou o Ministério do Interior do Luxemburgo sobre o número de cartas de afastamento enviadas nos últimos anos. “Antes de mais, importa esclarecer que o simples facto de uma pessoa recorrer ao sistema de assistência social não constitui, por si só, um motivo suficiente para uma decisão de afastamento. Tal decisão só pode ser tomada se a pessoa for considerada um encargo irrazoável para o Estado, de acordo com as regras relativas à livre circulação de pessoas”, explica a assessoria de comunicação do Ministério do Interior.

A medida não se aplica a emigrantes com mais de cinco anos de residência no país, uma vez que estes têm direito a residência permanente. Para os restantes, a melhor solução para evitar o afastamento parece ser conseguir rapidamente um contrato de trabalho. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 5 de novembro de 2023

França - A rádio Alfa vai começar a emitir do Mónaco em DAB+

A partir da próxima segunda-feira, dia 6 de novembro, a rádio Alfa vai passar a emitir também do Mónaco em DAB+, alargando a cobertura geográfica da estação portuguesa mais conhecida de França.

A rádio Alfa nasceu nos anos 90, inicialmente com o estatuto de rádio associativa, passando mais tarde a ser uma rádio comercial, a emitir nos 98,6 MHz da banda FM. Acompanhando a transição digital, a rádio da família Lopes já emite em DAB+ a partir de Paris, Lille, Strasbourg e Lyon, passando agora a marcar presença também no Mónaco.

“Emitir a partir do Mónaco é importante para nós, porque temos a possibilidade de cobrir uma grande região do sul da França” explicou Fernando Lopes ao LusoJornal.

A implantação da rádio no Mónaco surgiu “por acaso”. O Principado decidiu dar a possibilidade a uma série de rádios de se instalarem no “Rochedo”. “Eles querem rádios ‘específicas’, que tenham algo de particular, como é o caso da rádio Alfa que se destina à Comunidade portuguesa” explica Fernando Lopes.

O Diretor Geral da rádio explica que já apresentou um pedido às autoridades francesas para a instalação em Marseille. “Mas o processo é longo e não funcionou. No Mónaco, o processo demorou poucas semanas”.

A rádio tem a sua sede em Valenton, no Val-de-Marne (94), mas tem também um animador em Lille. “Por enquanto, no Mónaco, a rádio vai difundir a mesma programação que é feita em Paris. O objetivo, a médio prazo, é termos também um animador no Mónaco para dar notícias locais” disse Fernando Lopes.

Em França, a transição digital das rádios está a ser um processo “extremamente lento”. Muitas rádios associativas ainda não conseguiram equipar-se com material para emitir em DAB+, por isso o Estado francês ainda não mandou encerrar as emissões hertzianas. “Pessoalmente, não creio que isso venha acontecer nos próximos 10 anos” confessa o Diretor da rádio Alfa.

O importante é ir ocupando espaço e Fernando Lopes diz que ultimamente a situação tem evoluindo. “As grandes rádios entraram também no universo digital e começaram a fazer campanhas a explicar que as pessoas têm DAB+ no carro. Nós sozinhos não fazemos nada, mas se formos muitas rádios, sobretudo rádios grandes, a divulgar, então vamos conseguir promover esta nova forma de ouvir rádio”. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


quinta-feira, 20 de abril de 2023

Guiné-Bissau - Quer aprofundar e dinamizar cooperação com Cabo Verde nas diferentes áreas de interesse mútuo” diz Salomé Allouche

Bissau – A secretária de Estado das Comunidades, Salomé Allouche, manifestou quarta-feira, na Cidade da Praia, o interesse da Guiné-Bissau em promover e dinamizar as relações de cooperação com Cabo Verde nas diferentes áreas de interesse mútuo.

A governante avançou estas informações à imprensa, no final de um encontro com o ministro cabo-verdiano das Comunidades, Jorge Santos, no quadro da sua visita oficial a Cabo Verde.

“Queremos reiterar aqui a nossa vontade de poder aprofundar e dinamizar a nossa relação em diferentes domínios de interesse mútuo através de implementação de acordos na área das Comunidades. Sabemos que o Governo de Cabo Verde e o ministro das Comunidades têm muita experiência nessa área então nós aproveitamos e falamos bastante sobre este assunto”, declarou.

Durante o encontro, prosseguiu, foi abordada a possibilidade da realização de uma comissão mista, mas frisou que a criação dessa comissão só será possível depois das eleições legislativas na Guiné-Bissau, previstas para 04 de Junho próximo.

Salomé Allouche manifestou ainda a vontade do seu país em celebrar o acordo de mobilidade e de livre circulação das pessoas com base na reciprocidade, entrada e permanência também das comunidades nos dois países: Guiné-Bissau e Cabo Verde.

“Temos também todo o interesse na criação e adopção de um projecto da mobilidade, de segurança social e acordo de reconhecimento da carta de condução tanto do cidadão guineense que vem para cá poderem utilizar a carta de condução e também a comunidade cabo-verdiana que vai para a Guiné-Bissau poderem, também, utilizar a carta”, indicou.

Apontou ainda a intenção de estabelecer uma troca de experiências em matéria da gestão das comunidades e na área da agricultura.

Por sua vez, o ministro das Comunidades de Cabo Verde Jorge Santos, destacou a importância das relações entre os dois países e a necessidade de apostar na melhor integração das comunidades.

“Queremos, na comissão mista entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau, trazer a diáspora para a agenda e assinarmos um protocolo de gestão partilhada das nossas comunidades, na sua dimensão económica, do capital humano, entre outros”, referiu.

Santos considerou ainda importante o reforço da cooperação com a Guiné-Bissau para ajudar Cabo Verde na criação de condições para o mapeamento dos cabo-verdianos residentes naquele país.

Destacou ainda a possibilidade do reforço da cooperação na área da educação visando garantir a criação de condições de mobilidade na área da formação profissional, considerando “determinante” o reforço da cooperação na área dos transportes marítimos.

De acordo com a agenda de trabalho, Salomé Allouche será recebida pelo ministro de Estado, da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, Fernando Elísio Freire, e pela Alta Autoridade para a Imigração e ainda pelos presidentes das Câmaras Municipais de Santa Cruz e Santa Catarina.

De acordo com a programação, a agenda ainda integra uma visita ao Centro de Energias Renováveis e Manutenção Industrial (CERMI), Parque Tecnológico e Data Center e encontro com a comunidade bissau-guineense residente na Ilha de Santiago e com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

França - Pedro Rupio diz que Linda de Suza contribuiu para a emancipação dos portugueses

O Presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas na Europa (CRCPE) enalteceu o papel da cantora Linda de Suza, que morreu ontem aos 74 anos, na emancipação da Comunidade portuguesa em França, que na altura enfrentava condições muito mais adversas.

Em declarações à Lusa, Pedro Rupio disse conhecer a importância da cantora, cuja “mala de cartão” simboliza a emigração “a salto” nos anos 60 e 70 do século passado, que teve sucesso num país onde muitos portugueses viviam em condições extremamente difíceis, nomeadamente nos famosos ‘bidonville’ (bairros de lata).

“Se há uma coisa que nunca mais se viu e que existia no tempo em que Linda de Suza emigrou para França foram os ‘bidonvilles’. É uma grande diferença”, observou.

Referindo-se à emigração a que Linda de Suza acabou por dar o rosto, Pedro Rupio indicou que os anos 60 e 70 do século XX tinham pouca emigração qualificada, ao contrário dos dias de hoje.

Contudo, o Presidente do CRCPE sublinha: “Ainda assim, em muitos países da Europa continua a assistir-se à chegada de Portugueses pouco qualificados e que enfrentam várias precariedades nos primeiros tempos nos países de acolhimento”.

Pedro Rupio reconhece a importância de figuras como Linda de Suza, com sucesso no país de acolhimento, e que ajudam a matar as saudades do país de origem. Carlos Pereira – França in “LusoJornal” com “Lusa”

 

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Estados Unidos da América - “Portugal não se interessa pela comunicação social da diáspora”

O fundador da Rádio Portugal USA, na Califórnia, disse que há pouco conhecimento e interesse em Portugal sobre os meios de comunicação da diáspora portuguesa, o que se reflete na falta de apoios

“Portugal não se interessa pela comunicação social da diáspora, na minha opinião”, afirmou João Manuel Dias, também responsável pela criação do Diáspora Media Group nos Estados Unidos.

“Portugal não tem conhecimento absolutamente nenhum do que as nossas rádios na diáspora fazem a favor da comunidade e em nome de Portugal”, salientou. “Nós é que estamos a desenvolver o nome de Portugal”.

João Manuel Dias falava esta madrugada na última edição semestral do projeto “As Nossas Vozes”, organizado em parceria pelo Conselho de Liderança Luso-Americano (PALCUS) e o Instituto Português Além-Fronteiras (PBBI), sob o tema “A Rádio de Língua Portuguesa nos Estados Unidos”.

À frente da estação WJFD em New Bedford, Paulina Arruda também participou no debate e corroborou a ideia de que há pouco interesse em Portugal sobre o que se faz nas comunidades.

“Portugal não reconhece a importância e o valor da comunicação social portuguesa nas comunidades e não reconhece a importância e o valor das comunidades portuguesas”, afirmou a responsável.

“Há gerações de americanos que cresceram com os portugueses. Têm interesse em visitar Portugal por causa das comunidades portuguesas e Portugal não faz a mínima ideia disso”, salientou, referindo que a presença portuguesa em Massachusetts influenciou desde a economia e cultura à música e gastronomia.

Na frequência 97.3 FM e a transmitir em português desde 1949, a WJFD chega a todas as comunidades que falam português em Massachusetts e Rhode Island, incluindo portugueses, cabo-verdianos, brasileiros, angolanos, moçambicanos e guineenses.

São “à volta de 400 a 500 mil falantes de português”, disse Paulina Arruda.

A estação tem 11 funcionários e transmite em português 24 horas por dia, sendo a maior parte da programação feita ao vivo com entretenimento, música, notícias locais e futebol.

Há mais de 20 anos que mantém uma parceria com a RTP e colabora com festivais e universidades.

“Fazemos muitos segmentos de interesse público”, disse Paulina Arruda. “Também somos a ligação entre as várias comunidades, com Portugal e muitas vezes entre as gerações”, continuou, indicando que as gerações mais novas interessam-se por notícias de Portugal e são atraídas pela qualidade dos artistas musicais.

Cerca de 80% a 85% da publicidade na WJFD vem de empresas da comunidade portuguesa, em especial pequenas e médias, mas Arruda salientou que grandes companhias portuguesas, como transportadoras aéreas ou organizações turísticas, não colocam quaisquer anúncios nas rádios da diáspora e, na sua opinião, deviam fazê-lo.

“Cada vez mais, nós somos a ligação entre a comunidade portuguesa e a comunidade americana”, afirmou. “Achamos que é nossa responsabilidade fazer essa ligação e representar a comunidade, ajudar a manter uma comunidade forte”.

A conquista dos mais jovens é um dos desafios, visto que têm interesses diversificados e não é fácil encontrar animadores de rádio que falem bem português e tenham perfil para o projeto.

Essa foi uma das questões levantadas por João Manuel Dias, cuja estação de rádio está disponível na internet e via aplicação móvel e conquistou uma audiência global em 38 países.

“O principal desafio que nós temos é conseguir que a juventude nos siga e nos escute”, afirmou. “Uma das coisas que estamos a tentar fazer é o uso de notificações, que leva à audiência a informação de que um programa está no ar e podemos informar de programas comunitários que estejam a acontecer”.

Na Califórnia, a dispersão geográfica das comunidades torna mais difícil cobrir eventos, mas João Manuel Dias apontou para a oportunidade de montar uma rede de correspondentes que possam fazer a ponte e fornecer estes conteúdos.

“Tudo isto começou como um desporto, mas tornou-se numa forma de servir a comunidade e de estar ao seu lado”, indicou o radialista. “Temos uma audiência extraordinária e somos reconhecidos dentro da comunidade como uma companhia que vai ao encontro deles”.

O presidente do Instituto Português Além-Fronteiras, Diniz Borges, e um dos apresentadores de “As Nossas Vozes”, referiu na sessão que a rádio em português foi um elemento fundamental para o desenvolvimento das comunidades luso-americanas.

“Eu não sei se teríamos a mesma comunidade sem a rádio em língua portuguesa”, considerou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Comunidades - Petição “Português para Todos” ultrapassa três mil assinaturas

A petição “Português para Todos”, que defende ensino gratuito de português no estrangeiro, ultrapassou os 3000 assinantes e os promotores renovaram hoje o apelo para conseguir as assinaturas necessárias para ver o assunto discutido no parlamento



“A petição ‘Português para Todos – Pelo direito das nossas crianças e jovens a um Ensino de Português no Estrangeiro de qualidade e gratuito’ superou as 3000 assinaturas (3008), adicionando os apoios obtidos ‘online’ e em papel”, disse à agência Lusa Pedro Rupio, conselheiro das comunidades portuguesas eleito pela Bélgica e promotor da iniciativa.

A petição, lançada em dezembro de 2019, pretende defender o ensino de português para as crianças e jovens portugueses e lusodescendentes residentes no estrangeiro.

“As decisões políticas que foram e estão a ser tomadas têm progressivamente levado à extinção do ensino de português como língua materna para os filhos e descendentes de emigrantes, decisões que desejamos reverter”, adianta o texto da petição.

Em 2008, prossegue o mesmo texto, havia 60 mil alunos portugueses a frequentar a Rede oficial do Ensino de Português no Estrangeiro (rede EPE), eram apenas 45 mil após a introdução da propina em 2012, número que continuou a diminuir ano após ano.

Por isso, entre as medidas reclamadas estão a revogação da propina, a mudança de tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros para o Ministério da Educação e a expansão da rede EPE para jovens portugueses e lusodescendentes, dentro e fora da Europa.

Com a meta das 4000 assinaturas necessárias para que a petição seja discutida no parlamento ainda longe, Pedro Rupio, que preside também ao Conselho Regional da Europa do Conselho das Comunidades Portuguesas, renovou o apelo para que a iniciativa seja apoiada.

“É nossa intenção alcançarmos as 4000 assinaturas antes da aplicação das novas regras [sobre o direito de petição] pois visto o contexto particular das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, será muito difícil alcançar 7500 assinaturas”, explicou Pedro Rupio.

O projeto de alteração à lei do exercício do direito de petição, que passa a estipular 7500 o número mínimo de assinaturas necessárias para levar uma petição para debate no Parlamento, viu a sua redação final aprovada em comissão a 30 de setembro.

Se não for novamente vetado pelo Presidente da República, como já aconteceu, deverá ser publicado nos próximos dias e entrará em vigor no dia seguinte ao da publicação.

“Uma nova exigência que poderá ser um entrave considerável à participação das comunidades portuguesas na democracia nacional por via das petições”, assinalou o conselheiro.

Por isso, Pedro Rupio pede apoio para que a petição chegue às “4000 assinaturas ambicionadas, com a esperança de alcançar essa meta antes de uma eventual aplicação do Projeto de Lei”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

Macau – Festival da Lusofonia, um importante acontecimento de partilha

O Instituto Cultural descreve o Festival da Lusofonia como “um importante acontecimento de partilha”. Entre os dias 16 e 18 de Outubro estão previstas actividades de música, dança, gastronomia e jogos que representam a cultura de diferentes países e regiões lusófonas



O Festival da Lusofonia arranca na sexta-feira da próxima semana, dia 16, e decorre até dia 18. O cartaz apresenta João Gomes e Banda, Gabriel, Banda Inova e a Banda Groove Ensemble 2 como os nomes do espectáculo que sobe ao palco no anfiteatro das Casas da Taipa no primeiro dia do evento, entre as 19h20 e as 22h00.

Os participantes vão precisar de usar máscara no recinto, mostrar o código de saúde e sujeitar-se a medição de temperatura corporal. São estas as regras anunciadas em comunicado pelo Instituto Cultural (IC), seguindo as orientações dos Serviços de Saúde.

A nota explica que a primeira edição do festival se deu em Junho de 1998, com o objectivo principal de “homenagear as comunidades lusófonas residentes em Macau pelo seu contributo para o desenvolvimento do território”, acrescentando que o evento – que vai agora na 23.ª edição – se tornou “num importante acontecimento de partilha da cultura das comunidades de língua portuguesa com a cultura chinesa”.

As comunidades lusófonas presentes na RAEM, nomeadamente de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e comunidade macaense vão instalar expositores no local para divulgar elementos culturais, desde artesanato e literatura a petiscos e bebidas típicas.

No sábado, dia 17, passam podem ser vistas actuações do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes e da Escola Portuguesa de Macau, do grupo de dança moçambicano Pérolas do Índico. Já no último dia, é a vez de subirem ao palco nomes como a Banda 80&Tal – Tributo aos Xutos e Pontapés, Grupo Dança Brasil e a Banda 100%.

Outras experiências

Além de todos os dias do Festival da Lusofonia contarem com actuações de grupos artísticos no anfiteatro e no palco instalado no Largo da Igreja do Carmo, o programa prevê outras actividades. Volta a haver lugar para o restaurante provisório, que dia 16 funciona entre as 19h00 e as 22h00, e nos dois dias seguintes com dois horários: entre as 12h00 e as 15h30, e a partir das 18h30, até às 23h00 (no sábado) e às 22h00 (no domingo).

Os visitantes podem também participar em jogos tradicionais portugueses nas tardes de sábado e domingo – estando previstos prémios como garrafas de vinho e bacalhau para os vencedores. Além disso, até às 16h30 de sábado são aceites inscrições para torneios de matraquilhos de sub-15 e maiores de 16 anos, com as finais a acontecerem no domingo. No fim de semana há ainda um espaço recreativo dedicado às crianças, com espectáculos de marionetes. Salomé Fernandes – Macau in “Hoje Macau”

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Macau – 22º Festival da Lusofonia

Entre 18 e 20 deste mês, as Casas da Taipa voltam a acolher por três dias o Festival da Lusofonia. O Instituto Cultural reitera que o evento pretende “homenagear” as comunidades de língua portuguesa devido ao seu contributo para Macau



O Festival da Lusofonia volta a realizar-se nas Casas da Taipa, este ano entre os dias 18 e 20 de Outubro. São três dias de celebração da cultura das comunidades lusófonas locais, que envolve gastronomia típica, espectáculos de música, dança e jogos para o público.

Nesta que é a 22ª edição do evento, haverá cerca de uma dezena de expositores das comunidades lusófonas locais: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau. Estes espaços serão dinamizados de diferentes formas, contendo desde artesanato a petiscos tradicionais, comunicou o Instituto Cultural (IC). Em cada dia haverá grupos artísticos de países e regiões representadas, levando a palco diferentes estilos musicais e de dança.

“O evento tem como principal objectivo homenagear as comunidades lusófonas residentes em Macau pelo seu contributo para o desenvolvimento do território”, indicou o IC, acrescentando que “ao longo dos anos, este evento tornou-se num importante acontecimento de partilha da cultura das comunidades de língua portuguesa, revelando o papel de Macau como plataforma de intercâmbio cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

O objectivo passa por levar os visitantes a “sentirem a energia do povo dos países de língua portuguesa”, aumentando a sua compreensão sobre cada cultura, explicou o IC. O Festival deu-se a Junho de 1998, integrado nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Um restaurante provisório vai servir almoço e jantar no espaço, voltado para gastronomia portuguesa e lusófona, prevendo-se ainda uma zona destinada a jogos para crianças. Para além disso, estarão disponíveis jogos tradicionais portugueses e torneios de matraquilhos, bem como a estação provisória intitulada “Rádio Carmo”.

O evento é organizado pelo Instituto Cultural, a Direcção dos Serviços de Turismo e o Instituto para os Assuntos Municipais. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”