Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Portugal - Defendida maior ligação entre Casa de Macau e Casa de Goa

Decorreu ontem em Lisboa a conferência “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que analisou o papel de ligação que as entidades podem ter na diáspora goesa e macaense. Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau, destaca a importância de criar pontes com a Casa de Goa pelo “paralelo de representatividade de luso-descendentes”


Que papel podem ter a Casa de Macau e a Casa de Goa, em Lisboa, tendo em conta o desfilar do tempo e os desenvolvimentos trazidos pelas novas gerações das comunidades macaense e goesa? É certo que Macau e Goa há muito deixaram de fazer parte do antigo império português, mas os laços socioculturais permanecem. A pensar nisso, decorreu ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, a palestra “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que procurou traçar respostas para os desafios do futuro.

Ao HM, Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau em Lisboa, declarou que “seria interessante que as pontes entre a Casa de Macau e a Casa de Goa pudessem também ser equacionadas num paralelo da sua representatividade dos luso-descendentes e das culturas mestiçadas”, tendo em conta que as duas entidades “são pilares fundamentais para a representatividade dessas comunidades”.

O responsável, ele próprio macaense, destaca “as similitudes da sua gastronomia, crioulo e festividades” entre as duas comunidades. Seria, assim, “interessante aliar as pequenas representações dos gigantes do mundo asiático, representadas pela simbologia do Dragão e do Elefante, como elementos estruturantes para um diálogo entre Portugal e a Ásia, queiram as vontades políticas e institucionais”.

Na visão de Carlos Piteira, as duas casas “reforçam a herança legitimada do diálogo entre o Ocidente e o Oriente, e as relações seculares de Portugal com estes países, muitas vezes ignorada e esquecida pelos poderes oficiais e institucionais”.

Já Pedro Colaço, da direcção da Casa de Goa, destaca a importância de preservar a memória da presença portuguesa tanto em Goa como nos restantes territórios de Damão e Diu. “Foram 450 anos de história, no caso de Macau foram mais umas décadas, e procuramos acompanhar a actual cultura goesa. Uma das partes mais importantes do nosso trabalho é fazer uma ponte entre Goa e Lisboa, e diariamente contactamos com artistas, músicos e membros da comunidade, é esse o nosso papel”, descreveu ao HM. Pedro Colaço deu o exemplo do concerto que vai decorrer a 8 de Março na Fundação Oriente, em Lisboa, intitulado “Oscar Castellino – Voz de Ópera de Goa e Piano com Rodrigo Ayala”.

De resto, a Casa de Goa, actualmente sem sede própria, procura, tal como a Casa de Macau, atrair novos sócios, sobretudo das novas gerações, a fim de dar continuidade ao projecto, para que a Casa se mantenha “como um polo de união dos goeses e, cada vez mais, dos amigos de Goa”.

Acompanhar a história

A Casa de Macau foi fundada em Lisboa em 1966 e tem acompanhado diversas fases não só da história de Portugal como do relacionamento do país com Macau e a China.

“A existência da Casa de Macau marca, sem dúvida, um paralelo com a própria história de Portugal por mais de 70 anos. Macau foi a ‘pérola do Oriente’ para o Estado Novo e viveu as turbulências do período revolucionário de Abril 1974, adaptando-se e consagrando-se como a ‘ponte entre o Ocidente e Oriente'”. Por fim, depois da transição para a República Popular da China, tem-se assistido à reorganização [de Macau] como território central na ligação, a partir da China, com os países da língua portuguesa.”

Carlos Piteira descreveu ainda que a Casa de Macau tem acompanhado “a história dos tempos, alargando a visão da presença portuguesa neste território”. Além disso, teve uma tarefa “não menos importante”, por ter “cristalizado, protegido e perpetuado a comunidade macaense em Portugal e no mundo”.

Actualmente, a Casa de Macau tem desenvolvido diversas actividades que levam mais sócios à Avenida Gago Coutinho, onde está situada, e cujo edifício foi recentemente alvo de obras de restauro. Todas as quartas-feiras há almoços de comida macaense com a Chef Tina, natural de Macau, decorrendo também sessões de cinema e palestras.

A missão da Casa é, actualmente, “realizar actividades de divulgação de Macau e da cultura macaense”, dando-se “apoio e dinamização de estudos e trabalhos de teor científico sobre Macau, macaenses” e fazendo-se também a “interligação institucional com as demais entidades ligadas a Macau, Portugal e Casas de Macau na diáspora”.

Quem é de Goa e quem não é

Pedro Colaço explicou que a comunidade goesa em Lisboa “tem mais facilidade em falar com a restante diáspora indiana” em Portugal, tendo em conta que, por exemplo, “a ligação é muito antiga” com a comunidade hindu.

“Temos pena que às vezes não se fale mais [da comunidade], ao nível dos meios de comunicação, porque é uma parte importante da história portuguesa”, lamenta o responsável, lembrando figuras bem destacadas no país, como António Costa, que foi primeiro-ministro português, ou Narana Coissoró, antigo presidente da Casa de Goa e ex-deputado do CDS-PP. “Há figuras mais notórias, mas no geral a comunidade goesa inseriu-se muito bem e é conhecida por ser uma comunidade bastante instruída”, lembrou ainda, lamentando que em Portugal não se consiga fazer uma distinção entre comunidades de origem indiana.

“Uma coisa que é preocupante é o desconhecimento que existe em relação às comunidades. Hoje em dia há uma grande pressão devido à imigração e depois mistura-se tudo”, destaca Pedro Colaço, lembrando que há um sentimento forte em ser-se goês, nomeadamente na ligação ao catolicismo e a uma cultura muito própria por oposição a comunidades do Indostão que, actualmente, estão muito presentes em Portugal.

“A comunidade goesa é tão miscigenada que metade da minha família, ou mais, não aparenta ser goesa, mas eu, por acaso, aparento. Há um sentimento de ser goês, algo que nos une. As outras comunidades da diáspora indiana são, muitas vezes, confessionais, têm uma religião associada, enquanto a comunidade goesa é, na sua maioria, católica, mas cada um vai à sua igreja, está muito espalhada”, apontou.

O futuro é um desafio

Pedro Colaço fala num “futuro desafiante” para a Casa de Goa. “Estou agora no segundo mandato, a direcção mudou de presidente, e uma das coisas que se tem tentado fazer é trazer jovens para os órgãos sociais. Agora temos três ou quatro membros mais novos, abaixo dos 40 anos. Também temos tentado alargar a Casa a não goeses.”

Neste ponto, há semelhanças com a Casa de Macau, que também tem procurado alargar o leque de sócios a chineses ou portugueses que não pertençam à comunidade. Pedro Colaço adianta que, com o passar dos anos, as coisas mudaram.

“Há 30 anos a comunidade era muito grande, mas neste momento, e tal como todas as instituições, temos de nos alargar. Há muitas pessoas que gostam muito de Goa e que sabem muito do território, talvez até mais do que eu, e são esses que têm de ser puxados”, assumiu.

Actualmente, a Casa de Goa tem 500 associados e, mesmo sem sede, procura fazer actividades, nomeadamente em parceria com a Fundação Oriente. É publicado um boletim mensal. Deixaram de ter sede devido às obras do metro em Lisboa, o que tem dificultado a agenda da Casa.

“Estamos no processo de arranjar uma nova sede, e é algo que tem constituído um constrangimento, mas procuramos fazer o máximo de actividades possível e, mensalmente, temos sempre actividades”, rematou Pedro Colaço. Andreia Silva – Portugal in “Hoje Macau”


quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Portugal - Casa de Macau vai organizar fundo documental

Depois de anos a receber inúmeras publicações relacionadas com Macau, a Casa de Macau em Portugal decidiu agora organizar um fundo documental, cujo objectivo é ajudar estudantes e investigadores em assuntos respeitantes ao território. O projecto de organização dos materiais deverá demorar cerca de dois anos a ser concretizado. Por outro lado, a Direcção da Casa anunciou o regresso dos eventos presenciais – vai haver Magusto e Chá-Gordo de Natal


A Direcção da Casa de Macau em Portugal vai organizar um fundo documental, uma vez que ao longo dos anos tem recebido “inúmeras publicações” que têm sido depositadas numa das salas da Casa. Assim, entendeu que “seria importante” começar a organizar toda a documentação, “por forma a catalogar e salvaguardar o importante espólio” de que dispõe.

No boletim informativo “Qui Nova?”, enviado ao Jornal Tribuna de Macau, a Casa de Macau informa que, sob a supervisão da vice-presidente da Direcção, Maria João dos Santos Ferreira, se iniciou um projecto de tratamento documental “tendo em vista uma futura partilha de informação e conhecimentos” com o público que deseje consultar o espólio.

“Um dos propósitos fundamentais é conseguirmos apoiar estudantes e investigadores, em assuntos respeitantes a Macau. Trata-se de um projecto audacioso que levará cerca de dois anos a ser concretizado”, refere.

De acordo com a informação, o fundo documental será organizado em temáticas será organizado em temáticas referentes a Macau e apoiado em diversos ficheiros: de ordem sequencial numérica; de títulos de publicação; de autoridade (autor pessoa física ou colectividade); de assunto, entre outros.

“Numa primeira fase, ainda incipiente, estamos a fazer a separação entre monografias e publicações periódicas, tendo sido já agrupadas cerca de 60 monografias, de diversos autores, e cerca de 20 títulos de publicações periódicas, que terão no seu conjunto mais de 100 publicações”, pode ler-se no boletim informativo.

A preocupação da Casa é “centralizar a documentação toda em salas específicas” – uma de monografias e outra de periódicos. “Este projecto prima também pela sua ambição: queremos utilizadores presenciais – na nossa sala de leitura – e remotos – que acedam à base de dados que iremos futuramente criar”.

Actividades presenciais estão de volta

Por outro lado, a Casa de Macau anunciou o regresso “progressivo e seguro” às actividades presenciais, em linha com o que está a acontecer em Portugal, e de forma a proporcionar aos associados, amigos e parceiros “momentos de lazer e convívio, numa tentativa de recuperar rotinas e uma certa normalidade”.

Nesse sentido, neste último trimestre do ano vão realizar-se dois eventos de confraternização – um convívio de São Martinho e outro de Natal. O tradicional Magusto vai decorrer no dia 13 de Novembro, a partir das 15:00, proporcionando um lanche ajantarado em que serão servidos “não só os pratos tradicionais da época, como o caldo verde, as febras, as castanhas cozidas e assadas, mas também algumas delícias Macaenses, como chilicotes, arroz chau-chau, tai chói kóu de coco e bebinca de leite”.

Já no dia 11 de Dezembro, a partir das 17:00, terá lugar na Casa de Macau em Portugal um Chá-Gordo de Natal “muito especial”, indica a organização. Além de um menu “repleto” de iguarias Macaenses, contará com música ao vivo, com a actuação do Duo “A Outra Banda”. Constituído em finais de 2015, o Duo reúne os talentos de Carlos Piteira e Jaime Mota, num tom revivalista, onde canções do passado, portuguesas, macaenses e de outras longitudes, são reinventadas ao som das teclas (órgão) e das cordas (viola), “prometendo muita animação e nostalgia”.

Em ambos os eventos, a participação de qualquer pessoa, sócios, não sócios, adultos ou crianças, tem um custo de cinco euros. A Casa de Macau espera assim poder contar com “uma calorosa adesão”.

Plano de actividades e orçamento votados no dia 25 de Novembro

A Casa de Macau em Portugal convocou uma Assembleia Geral Ordinária para o dia 25 de Novembro, pelas 17:00. De acordo com a informação disponível, da agenda fazem parte a apreciação e votação do Plano de Actividades e Orçamento para 2022 e as propostas de sócios honorários. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”