Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 30 de agosto de 2026

Macau - Universidades portuguesa e macaense querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia

A Universidade Nova de Lisboa (UNL) e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia, disse a cientista Elvira Fortunato

Em abril, o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL inaugurou o Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoeletrónica, que ficou sediado em Macau.

Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA, voltaram esta semana à região chinesa, onde chegaram a acordo com a MUST para a formação de estudantes, a partir do laboratório conjunto.

A universidade chinesa quer enviar para a UNL, a partir do próximo ano letivo, 2027/2028, alunos de mestrado e de doutoramento “com supervisão conjunta”, explicou Fortunato.

A cientista sublinhou que o Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST tem, “este ano, pela primeira vez” 87 alunos de licenciatura na área das nanotecnologias.

Um programa que é “único aqui em Macau e não há muitos no mundo”, acrescentou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024).

A UNL não tem uma licenciatura similar, mas Rodrigo Martins acredita que será possível uma adaptação, com os alunos de Macau a estudarem um ou dois anos em Lisboa.

O também Presidente da Academia Europeia de Ciências acredita que já em 2027 o i3N-NOVA poderá receber entre 20 e 30 alunos de licenciatura da MUST, entre 10 e 15 de mestrado e entre cinco e dez de doutoramento.

“A ideia é trazermos também professores para aqui, em períodos curtos”, explicou o cientista, para desenvolver projetos de investigação, que possam ainda “apoiar a formação dos alunos de doutoramento”.

Martins defende ainda que abrir as portas a alunos de licenciatura da MUST pode permitir à UNL “fazer uma internacionalização”, uma vez que Macau “vai fazer a ponte, provavelmente, no futuro, com a China”.

O reitor do Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST admitiu à Lusa estar entusiasmado porque os alunos “poderão aceder a excelentes oportunidades educacionais em Portugal”.

O objetivo, explicou Lee Shuit-Tong, é que “a próxima geração de cientistas chineses tenha o benefício desta formação multicultural e científica e tecnológica de ponta” em Lisboa.

No sentido contrário, o reitor espera a também ida para Macau de alunos da UNL, tanto portugueses como de outros países lusófonos, em uma “excelente plataforma para promover tanto a educação como a investigação”.

No futuro, Lee espera que a colaboração leve à criação de cursos em co-tutela, em que os alunos receberiam diploma das duas instituições. “Gostaríamos que fosse de cotutela e penso que os estudantes também”, explicou.

A MUST vai pedir autorização ao Governo de Macau para avançar com programas conjuntos e Lee, membro da Academia Chinesa de Ciências, disse estar otimista sobre a resposta.

“Este é também o desejo tanto do Governo de Macau como também do país. Porque Macau tem uma missão muito específica de ser uma espécie de janela da China para o mundo, particularmente na área da ciência e da tecnologia”, explicou Lee.

Durante a passagem pela China, Elvira Fortunato soube que foi distinguida com o Prémio de Amizade Chinês, um dos mais prestigiados reconhecimentos atribuídos por Pequim a personalidades estrangeiras.

A cerimónia de entrega do prémio a Fortunato terá lugar em Pequim, em 30 de setembro, precisamente um ano depois de ter sido o marido Rodrigo Martins a receber a mesma distinção.

O prémio criado em 1950 já foi entregue a cerca de duas mil pessoas, mas Elvira Fortunato e Rodrigo Martins são o primeiro casal a conquistá-lo.

“É um orgulho muito grande, não só para nós, mas acima de tudo, também para Portugal”, disse Fortunato.

Rodrigo Martins confessou que deverá aprofundar ainda a colaboração com a China, após se jubilar, o que irá acontecer já em setembro, tornando-se coordenador de um outro laboratório sino-europeu.

O Laboratório Conjunto de Materiais Eletrónicos China-União Europeia nasceu em Hefei, capital da província de Anhui, no leste da China, e, no lado europeu, é liderado pela UNL. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”

 

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Suíça - "Nanotecnologia é o remédio do futuro"

A nanotecnologia poderá personalizar os tratamentos médicos e ajudar até na cura do cancro, afirma Cornélia Palivan. A ilustre pesquisadora suíça ressalta os potenciais da tecnologia, mas lembra que muita coisa continuará ficção científica


Ao escutar o prefixo 'nano', alguns podem mais lembrar um filme de ficção científica. No entanto, a nanociência significa simplesmente uma técnica de manipulação de partículas numa escala nanométrica, ou seja, molecular. "Uma tecnologia que deve inspirar mais esperança do que receio", insiste Cornelia Palivan, professora de química na Universidade da Basileia e membro do Instituto Suíço de Nanotecnologia.

Swissinfo: A senhora considera possível imaginar uma realidade como a retratada no nosso conto de ficção científica: nanotecnologia injetada no corpo humano, assumindo o seu controlo e até manipulando pessoas?

Cornelia Palivan: Diria que não. Nós estamos muito longe desse cenário. Os chamados "nanobots" ainda são ficção científica. Seria algo fascinante, mas surreais. Poderia pensar, no máximo, no perigo das nanopartículas de engenharia, que contêm compostos tóxicos ou armas químicas e biológicas potencialmente muito letais desenvolvidas pelos governos. Mas aqui estamos falando de venenos e isso não tem nada a ver com o tamanho. O rótulo 'nano' não define uma boa ou má tecnologia, mas sim identifica uma forma de resolver problemas a nível molecular. Isto pode ser extremamente útil, especialmente na medicina.

SI: Como se desenvolve hoje a nanotecnologia?

C.P.: O meu grupo trabalha na implementação da nanotecnologia em vários campos, indo da medicina, ecologia e até chegamos na ciência de alimentos. Estamos fazendo isso através do desenvolvimento dos chamados "materiais bio-híbridos", que são obtidos pela combinação de biomoléculas - como proteínas e enzimas - com materiais sintéticos em quantidades muito pequenas. São compartimentos (cápsulas muito pequenas) em uma nano- ou microescala que não excedem 100 nanômetros de raio e dentro dos quais encapsulamos, por exemplo, enzimas que agem uma vez que estas cápsulas são absorvidas pelo corpo.

Um dos problemas na medicina é que as biomoléculas contidas nos medicamentos perdem rapidamente a eficácia. Com materiais bio-híbridos, como os nossos nanocompartimentos, é possível manter a plena funcionalidade das proteínas e enzimas e garantir que elas realizem as suas atividades. Além disso, graças a estas "nano cápsulas" sintéticas, as biomoléculas são protegidas e permanecem intactas.

SI: A nano-medicina poderia ser mais eficaz do que os tratamentos atuais?

C.P.: Sim, mas não se trata apenas de uma questão de eficácia. Na medicina, o maior desafio hoje é tornar os medicamentos também mais seguros, reduzindo os efeitos colaterais. Qualquer pessoa pode ir à farmácia e comprar pílulas de cores diferentes para tratar de diferentes doenças. Mas a questão é saber o que elas contêm. A ideia é que o médico do futuro não irá apenas prescrever medicamentos aos seus pacientes, mas também certificar-se de que o medicamento funcione no lugar certo e não seja tóxico para outras partes do corpo. Isto é o que todos esperam quando vão à farmácia. Desse ponto de vista, a nanotecnologia pode ajudar, pois permite que esses portadores sejam "projetados".

Trabalhar com nanotecnologia significa tentar copiar a natureza para entender como uma proteína específica age dentro de uma célula e substituí-la onde for necessário se ela estiver ausente devido a uma doença. Se recorrermos à solução clássica, a introdução de moléculas em pó, como é o caso da maioria das drogas, o risco é que em algumas situações as substâncias não consigam entrar nas células porque são grandes demais para serem aceitas.

Um exemplo bem conhecido são as vacinas baseadas na tecnologia do RNA mensageiro (como a utilizada nas vacinas contra o Covid-19): o ácido ribonucleico ou RNA é incorporado em nanopartículas que atuam como vetores. Estes vetores protegem a molécula e a transportam para onde ela é necessária. Sendo projetadas quimicamente, é mais fácil para estas nanopartículas serem aceitas pelas células.

SI: Existe algum risco associado à nanotecnologia, já que se trata de uma técnica nova?

C.P.: Obviamente os riscos existem. Mas é difícil dizer quais são, pois são necessários vários anos de testes e resultados clínicos antes que possam ser totalmente avaliados. Portanto, é normal que as pessoas façam perguntas. Por exemplo, no caso das vacinas contra o Covid-19, sabemos que elas funcionam bem e conhecemos os efeitos a curto prazo, mas ainda não conhecemos os efeitos a longo prazo porque ninguém teve tempo de estudar em profundidade algo que apareceu há um ano e meio atrás. Portanto, estes riscos a longo prazo têm que ser enfrentados pela ciência.

Mas gostaria de dizer uma coisa muito importante: para serem comercializados, os medicamentos estão sujeitos a anos e anos de pesquisas, estudos e até mesmo testes fracassados. Pode ser um processo muito frustrante porque cada vez que você falha uma etapa, é preciso começar de novo. Mas isto é inevitável, pois o corpo humano é uma máquina muito complexa. Além disso, é importante garantir a segurança do medicamento. Isto também é verdade para a nanotecnologia: por mais promissoras que sejam as soluções criadas, se não conseguirem passar por todas as etapas experimentais são expulsas.

SI: Em que campos a nanotecnologia poderia fazer uma diferença no futuro?

C.P.: Na medicina, certamente no diagnóstico e tratamento do cancro. As nanopartículas são conhecidas como agentes de contraste e podem ser muito úteis para identificar tumores em áreas específicas do corpo ou para monitorizar a direção das células tumorais. Além disso, a nanotecnologia dá um impulso significativo à medicina personalizada e de precisão, essencial no tratamento do cancro. Este é o único futuro possível (para terapias) e neste sentido a nanociência é a única solução, pois permite engendrar a nível molecular todos os tipos de vetores e atacar anticorpos específicos. É por isso que podemos considerar a nanotecnologia a 'medicina' do futuro.

Noutras áreas, a nanociência poderia ajudar a ecologia, resolvendo o grande problema da pureza da água. Graças às nanopartículas contendo proteínas que podem combater os poluentes, a água poderia ser purificada. Estas mesmas partículas também poderiam ser utilizadas na indústria alimentar para detectar mudanças na qualidade e deterioração dos alimentos.

SI: Como serão financiados esses novos medicamentos?

C.P.: É verdade que os custos são altos e certamente não acessíveis, mas ainda não vejo uma solução para este problema. As empresas que desenvolvem as tecnologias têm interesse em manter os preços altos e preservar as patentes o máximo de tempo possível por razões de lucro. Desse ponto de vista, a questão ainda não pode ser resolvida.

SI: Isso significa que no futuro apenas quem tiver recursos suficientes poderá se dar ao luxo de tratar o seu cancro, por exemplo?

C.P.: Infelizmente sim, se os custos de tratamento não caírem. Gostaria de ser mais otimista, mas ainda não vejo como. Seria necessário uma visão política global e uma ação a nível internacional. As iniciativas de países individuais, como a Suíça ou a França, não são suficientes.

SI: A senhora prevê um futuro no qual a nanotecnologia seja capaz de prolongar a vida humana?

C.P.: Algumas experiências estão em andamento, mas é muito difícil. Afinal, o corpo humano é algo maravilhoso e incrivelmente complicado. Além disso, há dois grandes desafios a serem superado: um é estender a vida; a outra, estender a qualidade de vida. Já vimos que, à medida que a idade média aumenta, as doenças neurodegenerativas também estão em ascensão. Deste ponto de vista, viver uma vida saudável por tanto tempo quanto possível é mais importante do que simplesmente viver mais tempo.

Na universidade pesquisamos as chamadas "organelas artificiais". As organelas, como as mitocôndrias, são estruturas celulares fundamentais para a vida. Com nossas organelas artificiais, queremos tentar copiar a natureza, incluindo materiais sintéticos que as tornam mais fortes. Esta tecnologia poderia ser muito promissora no futuro para apoiar os processos que sustentam a vida. Sara Ibrahim – Suíça in “Swissinfo”  



terça-feira, 6 de março de 2018

Hong Kong - Laboratório de Nanotecnologia de Braga vai ter nova ‘filial’



O Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), em Braga, no Norte de Portugal, vai ter um novo centro tecnológico na China, desta feita em Hong Kong, que estará direccionado para a área das cidades inteligentes, informou à Lusa a instituição. O centro tecnológico do INL irá começar a funcionar até ao final do ano no Parque de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, cidade onde a instituição assinou na sexta-feira um acordo de colaboração com o ASTRI – Centro de Investigação Tecnológica Aplicada.

Segundo o INL, o novo centro, dedicado à aplicação da nanotecnologia na construção de sensores para cidades inteligentes, permitirá aos clientes do laboratório “um melhor acesso ao mercado chinês”. Neste centro, que terá a designação de Laboratório de Inovação INL – ASTRI, vão trabalhar equipas de investigadores de ambas as instituições.

O Parque de Ciência e Tecnologia de Hong Kong acolhe várias empresas internacionais, o que, de acordo com um comunicado do INL, perspectiva “a possibilidade de explorar interesses comuns e oportunidades de cooperação”. Nos últimos dois anos, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia criou centros tecnológicos na Escandinávia, em Bruxelas (Bélgica), Israel, Dubai (Emirados Árabes Unidos), Xangai (China), Austin e Boston (Estados Unidos).

O INL é a única organização de investigação científica intergovernamental do mundo vocacionada para a nanotecnologia (área que trabalha materiais à escala de um átomo ou molécula). A entidade, localizada em Braga, foi fundada por Portugal e Espanha em 2008. In “Ponto Final” - Macau

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Portugal - Manga que ajuda doentes com cancro da mama vale prémio a aluno português

Uma manga de compressão desenvolvida por Carlos Gonçalves, aluno de doutoramento do programa MIT Portugal na Universidade do Minho, foi a mais inovadora das ideias incubadas durante dez semanas no Startup Nano, o primeiro programa nacional de aceleração e incubação para startups na área da nanotecnologia



O programa foi promovido pelo Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), pelo Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes (CeNTI) e com a parceria da Startup Braga.

Desenvolvida no âmbito do doutoramento em Líderes para as Indústrias Tecnológicas (EDAM-LTI) do Programa MIT Portugal na UMinho, a manga de compressão ativa permite auxiliar doentes no tratamento do braço inchado (linfedema dos membros superiores), frequente em portadores do cancro da mama e caracterizada por um aumento do diâmetro do braço, o que provoca dores incapacitantes. As terapias atuais consistem em compressões no braço feitas por massagens de drenagem linfática e por pressoterapia, com recurso a mangas insufláveis.

A nova manga de compressão mimetiza de forma eficaz massagens de drenagem linfática feitas por fisioterapeutas, graças a cinco estágios de compressão embebidos num substrato têxtil. Os estágios de compressão são ativados sequencialmente, permitindo criar uma “onda choque” que propulsiona a linfa de volta para os canais linfáticos.

O dispositivo é alimentado por uma bateria semelhante à de um telemóvel, tornando-o portátil. Isso permite que aquela manga seja usada no dia-a-dia por baixo de peças de vestuário comuns, possibilitando não só uma melhoria mais rápida, mas também evitando algum tipo de estigma inerente ao tratamento.

Este projeto surge de uma parceria entre a UMinho, o CeNTI e o MIT e está num processo de patente a nível nacional. “Estamos a aguardar para breve o resultado do pedido de patenteamento e a finalizar os procedimentos necessários para submetermos o pedido para uma patente europeia, tendo em vista a futura comercialização do projeto”, refere o investigador. Carlos Gonçalves considera que “este prémio é certamente uma forma de alavancar o projeto; no entanto, para garantir o desenvolvimento e a comercialização do produto, é preciso mais investimento, sendo esse um dos principais objetivos a curto/médio prazo”.

O 2º prémio desta segunda edição do Startup Nano foi atribuído a um projeto de microfiltragem de fluídos contra poeiras e agentes patogénicos, coordenado por Hugo Macedo, e o terceiro prémio a um biorreator que permite um controlo mais apertado das condições de cultura de células, apresentado por Marta Maciel e Ricardo Pereira, ex-alunos da UMinho. A pré-seleção dos candidatos decorreu em outubro, tendo nove projetos seguido para a fase de incubação. Nuno de Noronha - Portugal In “SAPO Lifestyle”

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Brasil e Portugal pretendem promover a ciência e o ensino na CPLP

“O Brasil precisa de valorizar institucional e cientificamente os seus laços com Portugal e com os demais países da CPLP.” A convicção é de Aldo Rebelo, ministro brasileiro da Ciência, Tecnologia e Inovação, que está em Portugal — a convite do ministro da Educação Nuno Crato - e assumiu ao DN trazer na bagagem projetos para reforçar a cooperação na ciência e no ensino. Não só entre os dois países mas entre estes e os restantes Estados integrantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“É o meu objetivo. Julgo que mais do que um dever político essa cooperação é um imperativo moral. O Brasil precisa de valorizar institucional e cientificamente os seus laços com Portugal e com os demais países da CPLP”, contou ao DN Aldo Rebelo. Na comitiva do ministro veio Marcelo Viana, presidente do Instituto de Matemática Pura e Aplicada do Brasil, que confirmou trazer “algumas ideias” para apresentar a Nuno Crato relacionadas com a formação pós-graduada em países da CPLP.

“Uma delas é a criação de um programa internacional de mestrado profissional para a formação de professores de Matemática, para melhorar a prestação dos professores da CPLP na sala de aula”, contou, explicando que o projeto passaria por numa parceria entre as melhores instituições que existem em Portugal e no Brasil, construindo em cima de experiências mais isoladas que já existem projetos de Portugal e Brasil nos países africanos”. Por exemplo, “os que existem na Universidade Federal do Ceará, com Cabo Verde. A Universidade Aberta do Brasil tem atuado também em Moçambique”, acrescentou, “e tenho conhecimento de ações similares que são levadas a cabo por instituições e pelo governo português também”.

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) português anunciou precisamente, há dias, a criação de um centro da CPLP, em parceria com a UNESCO, que vai funcionar em Lisboa, e oferecer mestrados, doutoramentos e outras pós-graduações a bolseiros de países de língua portuguesa. Um projeto que Marcelo Viana disse não conhecer ainda bem mas que poderia enquadrar-se na proposta que tem para apresentar. “Pode ser um elemento importante nesse esforço. Em todo o caso, a arquitetura dessa proposta nossa não está definida. É algo a ser conversado com colegas nossos portugueses e com o ministro Nuno Crato”, disse.

Cooperar na nanotecnologia

A visita de três dias de Aldo Rebelo começou pelo Norte do país, mais concretamente pelo Centro de Inovação e Engenharia para as Indústrias de Mobilidade (CEiiA), na Maia, onde empresas e instituições brasileiras têm reforçado a sua participação. “Já temos a presença do Parque Tecnológico Internacional de Itaipu, com uma equipa que por acaso estava trabalhando aqui neste centro, durante a minha visita. E existe também um trabalho com a Embraer [conglomerado brasileiro que fabrica aviões comerciais, militares e particulares] na confeção de peças fundamentais para a construção de aviões de transporte no Brasil”, ilustrou o ministro.

Aldo Rebelo esteve também no Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia (INL), em Braga — um projeto tutelado pelos governos de Portugal e Espanha em que, assumiu ao DN, o Brasil tem “também a intenção de ampliar a sua participação. Existe uma ligação com o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e queremos aprofundar essa colaboração. Eu trouxe um memorando ao ministro Nuno Crato, ampliando a cooperação entre o Instituto de Nanotecnologia aqui em Portugal e esse centro”.

“Já temos um grupo de pesquisadores importante a trabalhar aqui”, acrescentou, “mas queremos reforçar essa colaboração aumentando a presença de pesquisadores e bolsistas [bolseiros] brasileiros e também contratando serviços dessas instituições para o governo e para empresas no Brasil. Já fazemos isso com a Embraer. Já temos também colaborações com a Itaipu, que é uma importante empresa nacional, que tem um parque tecnológico internacional, e temos a intenção de ampliar a presença do Brasil aqui”.

O governante brasileiro esteve acompanhado pela secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, e teve a companhia do secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, na visita que fez à Universidade de Coimbra.

O encontro bilateral com o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, foi agendado para esta sexta feira, no Palácio das Laranjeiras. No final da reunião será assinada uma “Carta de Intenções entre Portugal, Espanha e Brasil para a Cooperação Científica em Nanotecnologia”, após a qual poderão ser anunciadas outras novidades. As instituições de ensino e investigação portuguesas e brasileiras têm vindo a reforçar os laços nos últimos anos, após um período de algum afastamento, ditado por questões como o reconhecimento mútuo das formações. Pedro Tavares – Portugal in “Diário de Notícias”