Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 27 de março de 2025

Angola - "Novo" porto do Namibe tem as obras quase prontas e será inaugurado ainda este ano

Os trabalhos contemplam o alargamento e modernização do Porto Comercial e Mineraleiro do Sacomar e a construção do novo terminal de contentores, executado pelo consórcio Toyota Tsusho com um custo de 600 milhões USD. A obra será entregue em Agosto



A primeira fase da construção da nova ponte cais do Terminal Mineraleiro do Sacomar tem 520 metros de comprimento e 18 metros de largura, e uma capacidade de atracagem de embarcações até 250.000 DWT, com capacidade máxima estimada de movimentação até 10 milhões toneladas/ano. As obras da infra-estrutura apresentam uma execução física na ordem dos 77 % e prevendo-se a entrega da empreitada até Agosto do ano em curso, bem como a realização de ensaios de funcionamento nos meses de Setembro, Outubro e Novembro.

Já o novo terminal de contentores vai acrescentar a capacidade do embarque e desembarque das mercadorias da região, beneficiando o terminal polivalente que actualmente apresenta sobrecarga. Como se sabe, hoje grande parte da mercadoria movimentada no porto do Namibe são minérios em blocos, sendo que este terminal abre a possibilidade de diversificar as mercadorias que entram e saem desta infraestrutura.

No âmbito da visita que fez a semana passada ao local, o ministro Ricardo Viegas D’Abreu garantiu que depois de concluído este projecto de modernização e ampliação, o porto do Namibe terá uma capacidade equivalente aos dos outros dois portos nacionais, Luanda e Lobito, abrindo o corredor logístico Sul, que terá uma importância significativa no aumento do comércio com os países vizinhos, Zâmbia, Namíbia e Botsuana.

Para consolidar este corredor logístico, serão necessários investimentos avultados na modernização e ampliação da linha de caminho de ferro de Moçâmedes, que tem hoje 860 Km entre a cidade de Namibe e a cidade de Menongue, no Cuando Cubango, com passagem pela cidade do Lubango. Está também previsto que a médio prazo, se possa fazer a ligação ferroviária ao Corredor do Lobito, ampliando assim as potencialidades deste corredor logístico.

Em termos estratégicos, a opção é fazer um segundo corredor logístico a Sul, estando nesta altura em preparação as condições necessárias para que se possa lançar um concurso de concessão e gestão que vai integrar as infraestruturas ferroviárias e portuárias, à semelhança do que aconteceu com o corredor do Lobito.

Porto com 68 anos

O porto de Moçâmedes, como se chamava no tempo colonial, foi inaugurado em 1957, uma obra da engenharia portuguesa, na altura já com o apoio de know how japonês, que tinha como objectivo fundamental a exportação de ferro e manganês que era extraído da província da Huíla, e posteriormente o ferro de Cassinga. Mas foi também fundamental para o desenvolvimento da indústria mineira na província de Moçâmedes, nomeadamente granito e mármore, que hoje têm uma dimensão importante na economia da região.

Entre 1975 e 2002 enquanto durou a guerra civil no País, manteve-se em funcionamento, mas não teve praticamente nenhum investimento, o que obrigou posteriormente a um plano de modernização intensa, de forma a restituir-lhe a importância que tinha no passado. Em 2018, foi anunciado um plano de reabilitação e expansão do Porto do Namibe, com o objectivo de aumentar sua capacidade de movimentação de carga e atrair mais navios, sendo que a China se assumiu como o principal financiador, tendo o governo angolano assinado um acordo de financiamento com o Banco de Desenvolvimento da China e execução das obras pela empresa chinesa China Harbour Engineering Company (CHEC).

Em 2019 a empresa japonesa Toyota Tsusho Corporation assinou um contrato para o desenvolvimento de um projecto no Porto do Namibe, avaliado em cerca de 646 milhões de dólares. Este investimento visa a recuperação e modernização das infraestruturas portuárias, sendo que a primeira fase ficará então concluída este ano. Hermenegildo Ferreira – Angola in “Expansão”


Trump, o fim do estado de graça

Não é ainda uma grande reação popular, incluindo uma parte de eleitores republicanos decepcionados, mas surgem os primeiros sinais, nos EUA, de descontentamento com o governo de Donald Trump. É o fim do estado de graça, assinalam alguns comentários na imprensa, e o início da oposição contra a desencontrada avalanche de decretos trumpistas.

Os primeiros sintomas se fizeram sentir com o aumento da inflação nos supermercados, agravado com o desaparecimento dos ovos num país onde fazem parte tradicional do breakfast. Os gestos de mãos de Trump, jogando a responsabilidade no governo anterior do velho Biden, não estão convencendo a todos.

Uma sondagem Reuters-Ipsos mostra estar mudando o humor da população, desaprovando os impactos das medidas de Trump no custo de vida. Em outras palavras surgem as primeiras decepções e o resultado não deixa dúvidas: mostram 57% dos estadunidenses descontentes nos supermercados, outros 51% não aprovam sua política econômica e 40% aprovam sua política de demissões.

Esses primeiros resultados em dois meses são maus presságios, diante das próximas repercussões do aumento dos preços dos produtos importados. Porém, não se pode esquecer a força de penetração da Tv Fox, repercutida nas redes sociais apoiadas pela plataforma X de Elon Musk, mais o reforço dominical dos pregadores fundamentalistas, no sentido de tranquilizar o rebanho trumpista. Nas redes sociais da globosfera da direita e extrema-direita estadunidense, tudo foi culpa da gripe aviária, já sob controle, ou do Joe Biden. Logo toda situação estará sob controle, garantem.

Senão, no caso de crescerem as críticas, existe a hipótese não descartável de Trump jogar a culpa sobre Elon Musk com seu Departamento de Eficácia Governamental, DOGE, responsável pela série de demissões em massa de funcionários federais, mesmo se muitos deles votaram em Trump.

Outro setor começando a temer a política protecionista de Trump é o mercado financeiro, apesar do presidente estadunidense, alertado pelas más repercussões, ter juntado a frase "haverá flexibilidade nos direitos aduaneiros". Essa frase mostrou uma reavaliação pela Casa Branca, diante dos temores criados pelo aumento dos direitos aduaneiros recíprocos, e provocou uma alta na bolsa de Nova York. Essa marcha-à-ré diminuiu os impactos da anunciada guerra comercial prevista para 2 de abril. Trump irá realmente flexibilizar as tarifas aduaneiras e mesmo anular algumas, num retrocesso bem recebido pelas bolsas?

Essa tática do quente e do frio poderá ser adotada também em outros setores, diante do risco de perda de apoio? Embora sensível ao mercado financeiro, Trump deverá manter suas medidas relacionadas com a imigração, cultura e universidades por agradarem ao seu eleitorado conservador.

Entretanto, existe um setor externo importante, cujas reações às medidas de Trump poderão provocar crises dentro dos EUA. É o relacionado com o turismo, pois um número crescente de viajantes está decidindo não mais viajar aos Estados Unidos, numa espécie de boicote não organizado, por divergir da política trumpista, por temer uma alta de preços com a inflação e mesmo para evitar as exigências para o visto de entrada nos EUA.

Está prevista uma queda de 5% na entrada de turistas nos EUA, quando se previa um acréscimo de 8,8% neste ano de 2025, ou seja, somando-se as previsões de aumento com a diminuição das entradas, a estimativa é de uma queda de mais de 13% de turistas nos EUA, afetando os setores de hotéis, restaurantes, diversões, áreas turísticas e comércio em geral. E mesmo nos transportes aeroviários e locação de carros.

A linguagem e as medidas racistas de Trump contra a imigração, mais as medidas comerciais protecionistas e as ameaças ao Canadá, Panamá, Groenlândia e a suspensão do apoio militar à Ucrânia estão criando um clima de animosidade e rejeição com relação aos Estados Unidos nos países latinos, no Canadá e países europeus, com rejeição da compra e consumo de produtos importados dos EUA. Essa rejeição inclui uma importante baixa de venda, na Europa, dos carros elétricos Tesla do multimilionário Elon Musk. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


quarta-feira, 26 de março de 2025

Europa - Astrofísica portuguesa nomeada para comité científico e técnico de observatório europeu

Sónia Antón, professora do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigadora do Centro de Física de Coimbra (CFisUC), foi nomeada membro do Science and Technical Committee (STC) do European Southern Observatory (ESO), representando Portugal neste comité consultivo. A nomeação, que vigorará do próximo dia 1 de abril a dezembro de 2027, foi aprovada por unanimidade pelo Conselho do ESO. 

O STC tem um papel essencial na assessoria ao Conselho do ESO e ao Diretor-Geral em matéria de estratégia e operacionalidade da instituição. Entre as suas principais responsabilidades, incluem-se a definição de prioridades científicas para projetos e programas, bem como recomendações sobre a construção e modernização de instrumentação e telescópios. O comité também atua como elo entre o ESO e a comunidade científica dos seus Estados Membros, promovendo informação sobre os objetivos estratégicos da organização.

A seleção da professora Sónia Antón surge na sequência de um processo rigoroso. Cada Estado Membro do ESO propõe três candidatos, escolhidos através de um pedido nacional de manifestação de interesse e validação pelos seus delegados nacionais.  «Embora a razão exata da escolha não tenha sido comunicada, acredito que a expertise em astrofísica extragalática, a experiência na utilização de diversos tipos de telescópios e a participação no desenvolvimento de instrumentação para o espaço tenham sido fatores determinantes.  Esta nomeação representa um reconhecimento do meu percurso e contributo para a comunidade académica e científica», considera Sónia Antón. 

O STC integra um representante de cada Estado Membro do ESO, um representante do Chile e até seis membros independentes, incluindo especialistas de países não-membros. Conta ainda com subcomités especializados, compostos por peritos em áreas específicas, que fornecem recomendações técnicas sobre as infraestruturas do ESO, como La Silla-Paranal, ALMA e o futuro E-ELT. 

Esta nomeação também poderá trazer benefícios para a Universidade de Coimbra, especialmente para o Departamento de Física da FCTUC, onde se leciona o Mestrado em Astrofísica e Instrumentação para o Espaço. «Esta participação no STC fomenta a identificação de oportunidades para a Universidade, seja no âmbito de projetos científicos internacionais e estágios para estudantes, como também no desenvolvimento de novos instrumentos, na modernização de tecnologia existente e, em suma, na inovação em instrumentação para o espaço», acredita a docente. 

Para a cientista, a motivação para integrar o STC prende-se com a oportunidade de contribuir para a visão estratégica do ESO e antecipar os desafios da astronomia nas próximas décadas. «É absolutamente aliciante estar na linha da frente das decisões que orientam a construção e evolução dos observatórios mais avançados do mundo», afirma.

A nomeação da professora Sónia Antón reforça, assim, a presença e influência da Astrofísica portuguesa nos grandes projetos internacionais e evidencia o contributo de Portugal para a investigação científica no âmbito do ESO. Universidade de Coimbra - Portugal


Macau - Empresas da lusofonia procuram negócios nas energias renováveis

Um conjunto de 26 empresas de Portugal, Brasil e Timor-Leste estarão presentes em Macau no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental (MIECF), que decorre entre 27 e 29 de Março, informaram os organizadores.



Os expositores da lusofonia “irão expor produtos relacionados com as novas energias, a gestão de resíduos, o tratamento de águas residuais e a higiene ambiental”, informou o presidente do Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento, Vincent U U Seng.

O evento, que se organiza desde 2008, tem como objetivo abordar temas como a neutralidade carbónica, a mobilidade verde e ecológica, e conta com actividades como o “fórum verde”, a exposição verde, bolsas de contacto e um “dia verde do público”. “Inovação e desenvolvimento verde – soluções para construção de cidades belas”, é o tema deste ano, que será exposto numa área de 12.000 metros quadrados, segundo os organizadores.

Este ano, “vamos também organizar visitas de negócios a Hengqin e Zhuhai para representantes de países de língua portuguesa, e assim expandir a influência da nossa plataforma a novas oportunidades internacionais de negócios verdes”, disse U.

José Carlos Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, participará no evento com uma palestra dedicada ao tema “transformação verde e desenvolvimento”, agendada para o terceiro dia do certame.

De acordo com os organizadores, mais de 60 expositores internacionais participam na MIECE deste ano, mais 17% do que no ano passado, e serão visitados por um número de compradores profissionais estrangeiros também superior ao do ano passado, na ordem dos 23%.

O evento é organizado pelo executivo da Região Administrativa Especial de Macau, com o apoio de uma dezena de províncias chinesas vizinhas e do Governo de Pequim. In “Ponto Final” - Macau


Filipinas - Recebem cidadãos resgatados em centros de crime ‘online’ no Myanmar

Trinta pessoas desembarcaram ontem em Manila, os primeiros dos 206 filipinos que serão repatriados após serem resgatados de centros liderados por gangues de criminalidade ‘online’ no Myanmar, onde foram forçados a trabalhar.



O primeiro grupo chegou ontem de manhã num voo comercial ao Aeroporto Internacional Ninoy Aquino, na capital filipina, informou o subsecretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, Eduardo de Vega, em declarações à televisão ABS-CBN. Esta quarta-feira, outros 176 filipinos regressarão a casa num voo fretado da Tailândia.

O subsecretário do Departamento de Trabalhadores Migrantes (DMW), Bernard Olalia, disse que os repatriados receberão uma ajuda financeira de 60.000 pesos (cerca de 1046 euros) à chegada.

As autoridades do país asiático afirmaram que os resgatados foram atraídos para a Tailândia com promessas fictícias de emprego, mas à chegada ao país foram traficados para o vizinho Myanmar para aí serem forçados a cometer fraudes ‘online’ a partir de computadores instalados nesses centros. “O nosso programa inclui fazer justiça, pelo que a DMN vai recolher testemunhos para podermos descobrir quem os recrutou ilegalmente e como chegaram a Myanmar”, afirmou Olalia, citado pelos meios de comunicação filipinos.

Nas últimas semanas, milhares de pessoas foram repatriadas depois de terem sido libertadas de centros de burlas online em Myanmar, no âmbito de uma mega operação liderada por Pequim.

A Tailândia espera receber cerca de 7000 pessoas provenientes do país vizinho.

A existência destes complexos, que na prática funcionam como prisões ou campos de escravos, no Sudeste Asiático, alegadamente geridos por máfias chinesas, onde as vítimas de tráfico de seres humanos são forçadas a cometer fraudes online, não é novidade.

Muitos destes complexos começaram por ser casinos ligados ao branqueamento de capitais. A dimensão das operações de salvamento pôs em evidência os abusos cometidos contra os trabalhadores forçados.

Um dos filipinos que regressou ontem ao seu país contou à ABS-CBN as longas horas de trabalho de quase 17 horas por dia, durante as quais tentava ganhar a confiança das vítimas para investirem em plataformas fraudulentas.

Aqueles que não atingiam as quotas estabelecidas pelos captores para os montantes de fraude, explicou, podiam ser deixados durante horas ao sol.

O Governo indonésio, que repatriou este mês 400 cidadãos resgatados de centros birmaneses, denunciou a tortura com eletrocussões e outras, bem como ameaças de remoção dos órgãos das vítimas de tráfico. In “Ponto Final” - Macau


Viagem pelo Atlântico vai relembrar pessoas escravizadas entre Brasil e Angola

“A Grande Travessia” é um projeto inédito sobre retomar a antiga rota marítima de tráfico de africanos vendidos como escravos; jornada deve inaugurar novo marco de cooperação cultural, turística e económica entre ambos os países



Mais de 2 mil pessoas vão cruzar o Atlântico a bordo de um navio, em dezembro deste ano, numa viagem que pretende refazer a rota do tráfico de pessoas escravizadas e promover a reflexão sobre a escravatura.

O projeto "A Grande Travessia" pretende fretar um navio de cruzeiro, com partida de Santos, parando no Rio de Janeiro e Salvador, antes de seguir rumo a Luanda, capital de Angola.

Viagem altamente simbólica

Dagoberto José Fonseca, antropólogo responsável pelo projeto, afirma que é a primeira vez que uma população que se autoidentifica oriunda de Angola, regressa ao continente africano nessa condição.

Em entrevista à ONU News, no Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Comércio Transatlântico de Escravos, o professor da Universidade Estadual Paulista, Unesp, explica que o projeto “visa reconhecer, reparar para seguir memória e história dos nossos, um mundo atlântico em terra firme”.

O grupo escolheu a viagem marítima por ser altamente simbólica em relação ao tráfico de milhões de pessoas escravizadas entre os séculos 15 e 19.

Voltar pelas águas

“Quando nós perdemos algo em nossas casas, nós fazemos o caminho de volta para encontrar o que perdemos. Não há como fazer o caminho de volta, buscar a ancestralidade pelo avião. Nós teremos que voltar pelas águas, porque é pelas águas que os nossos antepassados passaram”, justifica o antropólogo.

Estima-se que cerca 5 milhões de africanos escravizados tenham sido levados para o Brasil, mais do que qualquer outro país. A maioria foi capturada em Angola, na África Ocidental, e deportada em condições desumanas a bordo de navios portugueses.

“As populações que saem do continente africano pelos portos de Angola, do atual território de Angola, são colossais, perto das populações que saem de outros portos do continente africano”, explicou.

Marcas visíveis até hoje

O professor da Unesp garante que as marcas dessa população são visíveis até aos dias de hoje no Brasil, com impacto na identidade nacional, cultura, gastronomia e língua.

Com Angola a preparar-se para celebrar 50 anos de independência em novembro de 2025, Dagoberto José Fonseca destaca que essa é mais uma razão para a realização da viagem este ano. "Não é à toa que o Brasil é o primeiro país a reconhecer a independência de Angola a 11 de novembro de 1975", acrescentou.

Travessia de 21 dias

A viagem tem uma duração de 21 dias, com partida a 1 de dezembro de 2025. A travessia no Atlântico durará sete dias, seguidos de sete dias de permanência em Angola e a viagem de regresso por outros sete dias.

O projeto prevê a participação de cerca de 2000 passageiros, incluindo estudantes, professores, académicos, empresários, descendentes de pessoas escravizadas e líderes de várias religiões.

As atividades a bordo incluem workshops, mesas-redondas, oportunidades de networking. A equipa acredita que o projeto vai permitir fazer a reabertura das rotas marítimas do Atlântico.

“O Atlântico não é um lugar de sepultamento”

A bordo do navio vão decorrer homenagens aos mais de 2,5 milhões de pessoas que perderam a vida na travessia entre o continente africano e o continente americano.

Dagoberto José Fonseca lembra que “o Atlântico não é um lugar de sepultamento” e que o projeto pretende ser “um reencontro com aquelas pessoas que foram violentamente, criminosamente jogadas no Oceano Atlântico”.

Os organizadores veem o cruzeiro como “parte de um movimento mais amplo que luta por reparações pela escravatura transatlântica e pelo colonialismo europeu.”

“Esse é o grande marco do projeto da Grande Travessia, que eu acho que encontra eco em tudo aquilo que as Nações Unidas têm produzido, desde os seus documentos, em 1948”, concluiu o antropólogo.

O Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Comércio Transatlântico de Escravos foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2007 e assinala-se a este 25 de março. Sara Rocha – Portugal ONU News


terça-feira, 25 de março de 2025

Cabo Verde - Reabilitação da Igreja de São Roque na ilha da Boa Vista vai agregar valor ao circuito de turismo cultural segundo o Instituto do Património Cultural

Sal Rei – A presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Ana Samira Baessa, afirmou que as obras de reabilitação da Igreja de São Roque, localizada em Rabil, vão agregar valor ao circuito de turismo cultural da ilha.



As afirmações foram feitas por Ana Samira Baessa, que se encontra em missão na ilha da Boa Vista juntamente com a sua equipa técnica e a das Infraestruturas de Cabo Verde (ICV), para acompanhar a evolução das obras de reabilitação da Igreja de São Roque, iniciadas em Janeiro, no âmbito do Programa de Valorização do Património Histórico, Cultural e Religioso.

“É a igreja mais antiga da Boa Vista, e uma das mais antigas de Cabo Verde, o seu estado de conservação exigia alguma intervenção com carácter de urgência, porque estava bastante degradado. Estamos a falar de mais de 33 mil contos, que vão ser investidos na igreja, com muito rigor em termos de técnicas de conservação e protecção do património histórico e cultural”, informou.

A presidente do IPC indicou que a obra está na fase de preenchimento e consolidação de muros, sendo que se fala de uma igreja que foi construída com muita junção de argamassa e também de argila, que não tem tido manutenção.

Segundo a mesma fonte, o objectivo é reabilitar esse património, para servir a comunidade, mas também para valorização do património da ilha na perspectiva do turismo cultural e religioso, havendo mais uma alternativa para os turistas poderem sair dos hotéis.

“Com o programa não estamos a reabilitar só o edifício, nós estamos a reabilitar a parte da história e a parte da identidade cultural cabo-verdiana”, afirmou.

A reabilitação da Igreja de São Roque insere-se na estratégia governamental de valorização do património cultural, contribuindo para a conservação deste monumento histórico e para a dinamização do turismo cultural e religioso.

O investimento é financiado pelo Governo de Cabo Verde, a intervenção está enquadrada no Eixo IV do Programa de Reabilitação, Requalificação e Acessibilidades (PRRA), com um investimento global superior a 600 mil contos.

Além da Igreja de São Roque, outros projectos de restauração estão em andamento na ilha, incluindo o Farol do Morro Negro e o Forte Duque de Bragança. Estes projectos, financiados pela cooperação espanhola, têm como objectivo diversificar e valorizar os pontos de atracção turística na ilha. In “Inforpress” – Cabo Verde