Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Angola – Escritor Manuel Rui tem uma nova obra

O escritor Manuel Rui lança amanhã, 29 de Dezembro de 2015, às 18H 00M, no Centro Cultural Português – Instituto Camões, em Luanda, o seu mais recente livro infanto-juvenil, intitulado “Duas Abelhas Amigas de um Girassol”, com ilustrações de Rosa Cubillo.


Com 46 páginas, o livro de poesia infanto-juvenil, ”Duas Abelhas Amigas de um Girassol” chega ao mercado com a chancela da Mayamba Editora. Na obra o autor evidencia a sua mestria e forma singular de captar momentos. Mário Cohen – Angola in “Jornal de Angola”



Manuel Rui Alves Monteiro nasceu no Huambo em 1941, tendo vivido durante anos em Coimbra onde se licenciou em Direito. Em Portugal foi advogado e membro da direcção da revista "Vértice", de que foi colaborador. Regressou a Angola em 1974, onde ocupou diversos cargos políticos, tendo sido Ministro da Informação do Governo de Transição. Foi também professor universitário e Reitor da Universidade de Huambo, um dos principais ficcionistas Angolanos

domingo, 27 de dezembro de 2015

Moçambique - CFM constrói porto seco em Chimbunila

Os Caminhos de Ferro de Moçambique, vão construir um Porto Seco, próximo ano, no povoado de Uti, distrito de Chimbunila, no Niassa, em substituição da actual Estação na Cidade de Lichinga.

O futuro porto seco dista catorze quilómetros da Cidade de Lichinga e vai compreender uma área de cem hectares.

No local, serão erguidos igualmente armazéns, terminal de contentores e parque de viaturas de grande tonelagem, além de outras infra-estruturas.

Até este momento, foram reabilitados mais de oitenta quilómetros da linha férrea Lichinga-Cuamba e espera-se que o comboio inicie a circular nos meados do próximo ano.

O Governador do Niassa, Arlindo Chilundo, disse que a construção do Porto Seco em Uti, deve-se aos grandes encargos financeiros que iria acalentar ao Estado para indemnizar os cidadãos que construíram as suas residências muito próximo da linha, na Cidade de Lichinga.

A reabilitação daquela ferrovia é financiada pelo Banco Emiratos Árabes Unidos com noventa e oito milhões de meticais, numa extensão de cerca de duzentos e cinquenta quilómetros.

O Comboio deixou de circular no troço Cuamba-Lichinga, em dois mil e dez, devido a degradação acentuada da linha, situação que é aliada a dificuldades de trânsito na estrada Lichinga-Cuamba, encarece o custo de vida no Niassa. In “Rádio Moçambique” - Moçambique

Portugal - A russa a caminho do Marão

"É de Sacalina?" E a mulher derreteu-se: "Estou em Portugal há 12 anos. É a primeira pessoa que me disse o nome da minha ilha."

Um amigo e, embora só recentemente conhecido, um rapaz do meu tempo, o embaixador Francisco Seixas da Costa tem um blogue. Há dias, a caminho da sua terra, passou por Amarante, foi atestar a uma bomba e encetou conversa com os olhos não mediterrânicos da garagista. "De onde é?" e tal, seguido de respostas em reticências, de alguém resignado a tão pouco se saber do seu país. Russa... de uma ilha... a norte do Japão... Rapaz do meu tempo, do tempo em que os atlas eram devorados com uma vontade que atestava na suspeita de talvez nunca se ir nem a Badajoz, Seixas da Costa disse-lhe: "É de Sacalina?" E a mulher derreteu-se: "Estou em Portugal há 12 anos. É a primeira pessoa que me disse o nome da minha ilha."

Porque também sou um rapaz do meu tempo, eu também diria Sacalina e, como gosto de apostar, talvez prescindisse da sugestão sobre ser do norte do Japão. A russa: "Sou duma ilha..." E eu, logo: "Sacalina!" E como gosto também de competir aproveitei para mandar ao meu amigo uma pergunta, em SMS: "De que país era capital a cidade antigamente conhecida como Santa Maria Bathurst?" Tinha uma armadilha, a Wikipédia não reconhece esse nome inteiro, só Bathurst, antigo nome da capital da Gâmbia, hoje Banjul. O nome da capital, no meu tempo liceu, incluía a ilha onde Bathurst estava (Santa Maria), nome completo que desapareceu bem antes do advento desse saber universal que é o Google. A resposta veio no quinquagésimo de segundo, afastando a hipótese de pesquisa prévia (que, aliás, não serviria de nada): "Gâmbia." Na verdade, porque ele é diplomata, escreveu em forma de dúvida delicada: "Gâmbia?"

Só confirmei o que já sabia, Seixas da Costa é um trota mundos, o seu blogue chama-se Duas ou Três Coisas, um piscar de olho ao filme de Jean-Luc Godard, Duas ou Três Coisas Que Sei Dela, sendo ela, Paris, onde ele foi embaixador. Apesar de ser sobre Paris, o filme tem como protagonista Marina Vlady (olha, outra russa pelo mundo), atriz a quem o realizador cometeu a tolice de pedir em casamento no começo das filmagens. Tendo levado com os pés, Godard nunca mais falou com a sua atriz durante a rodagem, com exceção de algumas ordens ditas para o microfone de orelha, a que ela tinha de responder olhando a câmara. Um dia, Godard atirou-lhe: "Define-te numa palavra!". Marina Vlady respondeu (e está no filme): "Indiferença." O exato oposto do que define Seixas da Costa, mesmo quando para numa estação de serviço a caminho do Marão.

Aquele breve diálogo quase trasmontano que culminou em Sacalina já me deu para três parágrafos, muitos comentários no tal blogue e, até, a poemas de amigos que partilham com Seixas da Costa uma mesa no bar Procópio, em Lisboa. Julgo que o desinteresse que os jornais colhem nos quiosques tem muito a ver com a indiferença com que eles passam por uma russa numa estação de serviço no caminho para o Marão. E, o que mais é, uma russa de Sacalina.

Um comentador do post prestou uma homenagem: garantiu que conhece uma aventura contada por Hugo Pratt na ilha russa. Estarei talvez enganado mas Corto Maltese nunca desembarcou em Sacalina. Mas há erros que revelam boa ciência: aquelas ilhas agrestes do extremo norte, com povos exagerados como os russos, cruzando-se com civilizações que desaparecem, são cenário típico do marinheiro de perfil cortado à faca. Estou a ver Corto Maltese a gostar do concerto duma nivkh, de um povo perdido que tange os tinrin, instrumentos em que, como todos sabemos, as cordas são vibradas com a língua.

A ilha Sacalina - lá vem o meu liceu, grande como Portugal, 600 mil habitantes, no extremo-nordeste da Ásia - foi disputada durante séculos pela Rússia e o Japão, e depois da II Guerra ficou soviética. Os japoneses levaram os aïnous, os russos ficaram com os nivkhs, cada um com as suas minorias, ambos povos siberianos. No ano passado, a empresa estatal Gazprom descobriu jazidas colossais de petróleo, a juntarem-se ao gás natural da ilha que já era o de maior produção na Rússia.

Já decidi, no próximo Natal vou encher o depósito a uma certa estação de serviços a caminho do Marão. Se a russa não estiver lá, deduzo que acabou a ironia da venda a retalho tão longe da grande produção (de Amarante a Moscovo, 4,5 mil quilómetros, de Moscovo a Sacalina, 9 mil). Se a russa estiver, quero saber dos muitos portugueses que, ao longo de 2016, lhe falaram do nome da sua ilha. Se eu não ficar satisfeito com a curiosidade dos portugueses, sigo outra sugestão de Seixas da Costa e em Amarante compro lérias, papos d"anjo, São Gonçalos, foguetes e brisas do Tâmega, doces de tanger a língua. Ferreira Fernandes – Portugal in “Diário de Notícias”

Síria – Há Natal


As fotos aí de cima foram tiradas em Latakia, na Síria, nas comemorações da noite de Natal. Há muitas mais que você pode ver no twitter de uma moça síria, Lina Arabi, aqui.

Não é outra Síria. É a Síria de verdade, que agora nos acostumamos a ver apenas nas multidões de refugiados e nas atrocidades do “Exército Islâmico”.

Um país multirreligioso, que sempre soube conviver com suas diferenças e do qual temos aqui tantos descendentes, como dos seus irmãos do Líbano, quase um povo só no nome que lhes damos e eles, de bom grado, aceitam: sírio-libaneses.

Mas o Ocidente, para derrubar o que chama de ditadura de Bashar Al-Assad fomentou, financiou e armou a Síria sanguinária, tão próxima da barbárie dos fanáticos do Isis.

Mas há mais humanidade na Síria do que imaginam os tolos, os que discriminam os muçulmanos e árabes como fossem selvagens.

A Al Jazzera noticiou que o Governo sírio permitiu que grupos rebeldes, entre eles muitos do “Exército Islâmico” se retirassem do bairro de Yarmouk, nos subúrbios da capital, Damasco, onde estavam sitiados há tempos. Deram-lhes um salvo-conduto, extensivo às suas famílias para viajarem para onde desejarem, inclusive para as áreas ainda controladas pelo Isis.

De Yarmouk e arredores, certamente, saíram muitos dos refugiados que vimos nos jornais. Da população de 160 mil pessoas, restavam apenas 18 mil sob o controle do Isis e de outros grupos.

E que, quem sabe, quando entenderem que é preciso acabar com o fruto sangrento da intervenção do Ocidente no mundo árabe, possa estar reunida em festas, cristãs ou muçulmanas, outra vez.

Como era na Síria. Fernando Brito – Brasil in “Tijolaco.com.br”

sábado, 26 de dezembro de 2015

Macau - Fotografias espalhadas pelo mundo e ligadas pelo português

Chama-se Projecto @NossaLíngua, nasceu no Brasil e tem como objectivo ligar países e comunidades que falam português, através da fotografia e do aplicativo Instagram, dando a conhecer aspectos desconhecidos de cada elemento geográfico. Com 10 temas e 100 fotografias seleccionadas pelo próprio público, inclui oito obras de residentes do território, que se destacam pela visão pessoal numa linha comum da língua


























Luciane Araújo é a criadora e directora do Projecto @NossaLíngua, que através do Instagram colocou falantes de português em contacto, numa mostra abrangente de cultura desses países e regiões.

“@NossaLíngua nasceu com o objectivo de trocar experiências e de se estabelecer um intercâmbio sociocultural entre os países e comunidades que falam a língua portuguesa. Sabemos muito pouco sobre esses países aqui no Brasil, sua cultura e identidade, como acreditamos acontecer o mesmo em relação ao Brasil. Dessa forma, acreditamos que o movimento @NossaLíngua venha preencher essa lacuna que faltava”, disse Luciane Araújo, em entrevista por email ao Jornal Tribuna de Macau.

Destacando que a língua é o “canal de comunicação”, revelou que o projecto recebeu quase 17 mil imagens, através de 10 missões publicadas no perfil @nossalíngua no Instagram. Os interessados tinham apenas de utilizar o “hashtag” (palavra ou frase antecedida do símbolo cardinal para facilitar pesquisas sobre determinados temas) de cada missão para poder participar e criar essa mega “galeria de acesso global e gratuito”, como a directora do projecto lhe chamou.

Depois disso, uma equipa de curadores do Brasil e de cada país ou região seleccionou 10 fotos de cada missão para integrarem o livro e a exposição. “O resultado foi muito positivo considerando que a participação do público é colaborativa”, afirmou.

Tendo em conta que a mostra tem uma natureza itinerante, Luciane Araújo declarou que gostava que Macau “abraçasse a ideia e convidasse a exposição para apresentar ao público essas imagens representativas do mundo da língua portuguesa”.

“Temos uma distância geográfica que não nos permite ir com tanta facilidade para esses países irmãos da língua”, afirmou, notando que, por outro lado, a internet foi um factor relevante que permitiu chegar com mais facilidade a esses sítios, obtendo uma participação relevante de todos eles.

Questionada sobre o que mais a surpreendeu, destacou o rápido crescimento da rede. “Há uma grande curiosidade geral entre esses países, afinal falamos a mesma língua mas somos diferentes. Cada país possui a sua própria identidade e o movimento @Nossa Língua surgiu com essa proposta. Vamos conhecer-nos através das artes, da literatura, da música, das paisagens, das festas, do lazer e de sua gente”, disse.

No que diz respeito ao documentário, uma equipa viajou até Portugal e Cabo Verde com iPhones e outros equipamentos para entrevistar pessoas comuns, escritores e representantes da cultura com o intuito de “apresentar ao público um panorama linguístico”. “Dessa forma, o movimento @NossaLíngua parte do mundo das imagens para o mundo da palavra”, afirmou Luciane Araújo, indicando que em 2016 será dada continuidade a esta ideia com visitas a outros países.

De Macau para a Lusofonia

Das 17 mil fotografias enviadas, oito das seleccionadas dizem respeito a Macau e foram curadas por Pedro Santos, arquitecto local e também ele fotógrafo.

“Na realidade, foi mais o projecto que me descobriu do que o contrário. Fui contactado pela equipa da Nossa Língua antes ainda de saber do que se tratava”, contou ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU, referindo que a sua responsabilidade como curador era “promover e ajudar a seleccionar imagens de cá relativas a cada missão semanal”.

Como curador, Pedro Santos explicou que procurou “a herança portuguesa em Macau em imagens que fossem apelativas ou que tivessem algo que cativasse a atenção”. “Talvez por força da minha formação, as imagens de espaços urbanos, de edifícios ou de detalhes arquitectónicos acabam sempre por atrair-me mais”, admitiu.

Outro dos critérios, foi o “contraste entre o presente e a herança de que falava antes, o contraste entre Macau português e Macau chinês, sem querer apontar as diferenças mas antes a forma como se encaixam e como resulta nesta cultura actual”.

Confessando ter ficado duplamente surpreendido pela escolha para curador, mas também “chateado” por não poder participar, realçou que o grupo de imagens seleccionadas foi “muito bom com a visão pessoal” de cada participante sobre cada tema. Apesar disso, no livro os curadores ganham algum destaque, pelo que Pedro Santos pode apresentar alguns dos seus trabalhos sobre o território.

No seu ponto de vista, a iniciativa é “interessante, pois reúne num só espaço a cultura dos quatro cantos do mundo ligada por um elemento forte: a linguagem, a nossa língua portuguesa”.

Segundo revelou, Pedro Santos está a tentar contactar as entidades competentes em Macau para trazer a exposição agora inaugurada no Brasil. “A nossa língua é o português e acho que faria todo o sentido poder ter cá as imagens que fizeram parte deste projecto, até em jeito de reconhecimento ao trabalho de todos, quer seja a organização, quer os participantes”, disse.

Ana Bretes viu duas das suas fotografias serem seleccionadas para integrar o livro e a exposição, depois de ter descoberto o projecto pelo Instagram e imprensa portuguesa.

Para a arquitecta, a fotografia é um hobby e paixão e como reside em Macau, “o território acaba por ser o palco” de algumas das suas imagens.

Em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, considerou que a importância do projecto @NossaLíngua reside no facto de “através da visão de diferentes pessoas, documentar os vários territórios de herança e língua portuguesa; as suas especificidades; as suas diferenças”. “Uma vez que são diferentes territórios e panos de fundos distintos e em localizações geográficas diversas, encontram-se pequenos detalhes onde podemos identificar a influência portuguesa e o que os une”, declarou.

Dos 10 temas apresentados, as fotografias seleccionadas correspondiam ao tema “casa” e a outra ao “lazer”. A primeira fotografia documenta um de muitos prédios de Macau, mostrando o lado sobrepovoado da RAEM e as “grades nas janelas e varandas de todos os apartamentos, ou seja, as ‘gaiolas’ bem características”.

Já a segunda imagem foi tirada no Lago Nam Van durante um treino de Barcos Dragão. “Esta foto acaba por ser muito mais pessoal que a primeira, porque mostra uma actividade desportiva e de lazer característica da China e de Macau, mas que eu também adoptei como minha, uma vez que também sou praticante”, revelou, frisando que a foto transmite o que sente quando treina: “a calma e a paz que se consegue sentir no Lago Nam Van, apesar de rodeado de toda a luz e reboliço dos hotéis e casinos que o rodeiam, e que aparecem na foto como pano de fundo”.

Terra, Trabalho, Fé, Festa, Gente, Raiz, Palavra e Mar foram outras das missões que serviram de mote a fotógrafos em todo o Mundo, permitindo ir além de estereótipos de muitos países e apresentando toda a sua riqueza cultural. Liane Ferreira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Brasil – Emil regressa em 2016

Reunidos em São Paulo, todos os envolvidos na realização do evento literário Emil fizeram um balanço da 1.ª edição e começaram a traçar o formato da segunda edição, que promete fazer parte do calendário cultural da cidade

Os organizadores do 1.º Encontro Mundial da Invenção Literária – Emil – se reuniram esta semana e fizeram um balanço muito positivo do evento. Mais que isso, anunciaram a realização do 2.º Emil, para novembro de 2016. O 1.º Emil teve abertura dia 11 de novembro e a programação foi realizada entre os dias 12 e 15 de novembro, com mais de 200 horas de eventos gratuitos e para todos os públicos. Ao todo foram 35 livrarias e espaços culturais da cidade de São Paulo, com o envolvimento de 120 escritores, 13 deles internacionais.

Durante a reunião de avaliação, todos concordaram que o 1.º Emil teve desempenho acima das expectativas para uma primeira edição. Por isso, a ideia de torná-lo evento anual e inserido no calendário cultural da cidade, se consolidou ainda mais.

De acordo com Gabriel Chalita, secretário Municipal de Educação e presidente da Academia Paulista de Letras (APL), o objetivo do Emil, de chamar a atenção do público e procurar estimular o hábito de leitura a todas as idades foi plenamente atingido.

“Foi uma alegria ver a participação no Emil. Isso em muito pouco tempo entre a definição do evento e a sua realização. Para 2016 queremos engajar ainda mais pessoas, ampliar o número de apoiadores, a partir de uma estruturação cada vez melhor do evento. Nossa intenção é contribuir para a formação de gerações mais conscientes, com menos preconceitos, com maior tolerância. Pela leitura é possível buscar esse poder transformador”.

Para Luís Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Emil é muito importante e deve fixar-se no calendário cultural brasileiro para estreitar o contato com autores e livros dos públicos infantil, jovem, adulto e idoso.

“Foi muito positivo ver a participação das pessoas e o entusiasmo dos escritores. Isso certamente amplifica o poder formativo e educacional da literatura, além de valorizar o papel de dois pilares fundamentais do circuito literário: professores e livreiros, na qualidade, respectivamente, de agentes de incentivo à leitura e de difusão do livro”.

O 1.º Emil teve curadoria do jornalista e crítico literário Manoel da Costa Pinto e da produtora cultural Manuela Leão. Entre os muitos escritores que passaram pelo Emil, nomes como Ruy Castro, Walcyr Carrasco, Anna Maria Martins, Pedro Bandeira, Paulo Lins, Michel Laub, Raimundo Carrero, Rubens Figueiredo, o angolano José Eduardo Agualusa, a portuguesa Teolinda Gersão. Participaram ainda o jovem escritor Taran Matharu e o prêmio Nobel de literatura Wole Soyinka, que estava no Brasil a convite da Flink Sampa e Universidade Zumbi dos Palmares e aceitou participar também do Emil. Houve ainda homenagens aos escritores Ruth Rocha, Maurício de Sousa e Lygia Fagundes Telles.

O Emil é uma iniciativa comum da Academia Paulista de Letras (APL), Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Associação Nacional de Livrarias (ANL), com apoio da Abrelivros, Prefeitura de São Paulo, através das secretarias de Cultura e de Educação, do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria Estadual da Cultura, e do Governo Federal. O 1.º Emil foi incentivado pela Lei Rouanet e teve patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Itaú e Iguatemi Empresa de Shopping Centers S/A.

Para saber mais sobre o Emil, aceda aqui ou no facebook. In “Vá de Cultura” - Brasil

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Mercosul e neocolonialismo

SÃO PAULO – Quem conhece minimamente História sabe das consequências do Tratado de Methuen para Portugal e Brasil. Também conhecido como Tratado dos Panos e Vinhos, esse acordo entre Inglaterra e Portugal, que vigorou de 1703 a 1836 e levou esse nome em homenagem ao negociador pelo lado inglês, o diplomata John Methuen (1650-1706), envolvia a troca entre produtos têxteis ingleses e vinhos portugueses.

Embora lesivo aos interesses lusos, o acordo teve vida longa e, praticamente, destruiu a incipiente indústria portuguesa, com o conseqüente atrelamento da economia do país à Inglaterra. Como a demanda portuguesa por tecidos era bem maior que a riqueza produzida pela venda de vinho à Inglaterra, os portugueses acumularam grandes dívidas pela necessidade crescente de consumir produtos ingleses manufaturados.

Para tanto, durante quase todo o século XVIII, esse déficit foi suprido com o envio de barras de ouro e pedras preciosas que eram extraídas no Brasil. Como dependia da Inglaterra para se manter como nação independente diante da vizinha Espanha, Portugal teve de se submeter aos interesses britânicos, deixando de aproveitar um período em que a prosperidade trazida pelo ouro poderia ter impulsionado a sua modernização.

A que vêm estas reflexões históricas? Vêm a propósito das negociações entre Mercosul e União Europeia (UE) que se arrastam desde 1999 e que, aparentemente, caminhariam para uma conclusão, diante da próxima proposta sul-americana que atenderia à exigência dos europeus de liberação de pelo menos 90% dos produtos trocados pelos dois lados.

Como se sabe, a última proposta do Mercosul, apresentada em 2004, chegou a 87%, mas não houve consenso. Desde então, divergências entre os sócios do Mercosul impediram que o bloco definisse uma nova proposta. Além disso, como os preços das commodities estavam nas alturas, os latino-americanos não pareciam muito interessados em consumar o pacto.

Acontece, porém, que hoje o contexto internacional é outro. A UE claramente espera concluir antes os projetados acordos com EUA, Índia e Japão. Com isso, estará numa situação bem confortável para negociar com o Mercosul, que, por sua vez, ficará praticamente “asfixiado” e condenado a uma posição subalterna, sendo obrigado a aceitar as regras impostas pelos demais blocos, sem condições de discuti-las.

Diante disso, se não for bem negociado, o acordo UE-Mercosul pode vir a constituir uma reedição do Tratado de Methuen. Em outras palavras: a adoção explícita do neocolonialismo. Milton Lourenço – Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.