Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 14 de agosto de 2021

Estados Unidos da América - Luso-americanos promovem a cultura e herança portuguesa

O Conselho de Liderança Luso-Americano (PALCUS) inicia hoje uma nova série de eventos sobre a cultura portuguesa, incluindo concertos de fado e sessões com artistas, intitulada “United Through Heritage” (Unidos pela Herança)

A ideia, disse à Lusa a chair do PALCUS, Angela Simões, “foi fazer uma série de eventos destacando os nossos tesouros culturais”, a partir de uma discussão sobre o sentimento de divisão criado pelo ambiente político contencioso que se vive no país.

“Pensámos em formas de voltarmos a sentir que somos uma comunidade unida”, explicou Angela Simões. “O consenso foi de que a melhor forma de fazer isso é através da herança partilhada e o foco no que temos em comum e do que gostamos sendo portugueses”.

A série arranca com um concerto da fadista Maria da Nazaré, acompanhada por Pedro Galveias e Tânia Oleiro, em direto a partir da casa de fados Maria da Mouraria.

Será o primeiro concerto de vários na série, fruto de uma parceria com a Portuguese American Cultural Exchange, cujo propósito é promover o fado nos Estados Unidos. Haverá também conversas sobre a relação entre a música e o lirismo do fado.

“Há tantas coisas novas, esperamos adicionar eventos musicais com artistas locais”, indicou Angela Simões.

A série deverá continuar até ao final do ano, permeando a conferência nacional do PALCUS entre 11 e 22 de outubro, com mais de duas dezenas de sessões.

Um tema em destaque será o ensino e o esforço para reintegrar o português como língua crítica no programa STARtalk.

“A língua é uma componente chave da nossa cultura. A dificuldade é como conseguimos mais cursos de português nas escolas públicas em todos os níveis de ensino”, afirmou Angela Simões. “Do ponto de vista das políticas, a discussão é como podemos influenciar mudanças sistémicas e não escola a escola”.

O PALCUS tem feito diligências para que o STARtalk volte a financiar o ensino do português, explicou, sublinhando que foi feito algum progresso, em especial com o gabinete do congressista luso-americano Jim Costa.

“Está no topo das nossas prioridades para o comité de relações governamentais”, indicou a responsável. “A língua é algo que tem de ser endereçado na comunidade, como um todo”, disse, frisando que o ensino da língua é sempre a principal preocupação nas sondagens da comunidade.

Outro foco é a passagem de testemunho à nova geração de lusodescendentes. “Temos eventos virados para a nova geração, como uma aula para fazer cocktails, provas de vinho e até sessões na conferência nacional sobre o que é que a próxima geração quer, o que está à procura?”, indicou a chair. “É preciso ter conversas com os mais novos sobre o que é que sentem que é a comunidade e o que querem ver”.

O PALCUS lançou dentro da sua estrutura o Next Gen Leadership Group, que é liderado completamente por jovens, e o grupo vai começar um podcast no canal da organização. “É uma coisa entusiasmante. Penso que é o primeiro podcast deste género”, sublinhou Angela Simões.

Marcando o 30º aniversário do Conselho de Liderança, a conferência voltará a ser virtual por causa da pandemia de covid-19, tal como aconteceu em 2020.

“Tivemos uma resposta tão incrível à conferência no ano passado que não tenho dúvida de que teremos a mesma resposta este ano, senão melhor”, avançou a presidente, referindo que o meio virtual permitiu chegar a mais pessoas.

Tanto a série “United Through Heritage” como a conferência nacional estarão abertas a todos, de forma gratuita.

A realização dos eventos é apoiada pela FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, com o patrocínio do Licor Beirão e Portugalia Marketplace e apoio da The Navigator Company, Universidade de Massachusetts, Lowell, e MDVIP. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Estados Unidos da América - Emigrantes estão a perder a língua portuguesa

A comunidade luso-americana apontou como principal prioridade a retenção da língua e o investimento em aulas de português na segunda edição do Índice Nacional do Conselho de Liderança Luso-Americano (PALCUS, na sigla em inglês), apresentado esta quarta-feira nos Estados Unidos


“O maior desafio que as pessoas consideram que a comunidade luso-americana enfrenta é a retenção da língua portuguesa”, afirmou a investigadora Dulce Maria Scott notando que esta preocupação aumentou desde o primeiro índice, realizado em 2017.

Os luso-americanos inquiridos na pesquisa selecionaram, por isso, as aulas de português como maior prioridade de investimento na comunidade. “Temos uma população que está interessada em aprender português, por isso precisa de mais aulas de português”, resumiu a investigadora.

Alguns inquiridos disseram que não vivem perto de uma comunidade portuguesa e sentem dificuldade em aprender a língua, apesar da vontade.

Embora a investigadora tenha sublinhado que o índice não tem ainda uma amostra representativa de toda a população luso-americana, algo que o PALCUS planeia conseguir na próxima edição, os dados recolhidos mostram um declínio acentuado nas capacidades linguísticas de português à medida que as gerações avançam.

Este é um fenómeno “que acontece com todos os grupos de emigrantes”, disse Dulce Maria Scott. No índice, 41,7% dos inquiridos de todas as gerações reportam fluência em português, sendo que 52,6% dos falantes aprenderam em casa com os pais e familiares.

“Muito poucos usam português nos seus empregos, o que mostra o elevado nível de integração dos luso-americanos na sociedade americana”, sublinhou Dulce Maria Scott.

A dificuldade de retenção reflete-se no facto de que 49,2% dos filhos dos inquiridos não falam português.

A investigadora sublinhou também “surpresa” com a falta de conhecimento sobre os programas que estão disponíveis para estudar em Portugal: 71,8% disseram não saber sobre os mesmos e 63,7% afirmaram que gostariam de aproveitar estas oportunidades.

A questão da educação é uma das preocupações mais evidentes da comunidade, nomeadamente os custos elevados nos Estados Unidos da América e a complexidade do processo de entrada no ensino superior.

O índice também concluiu que “parece haver um maior investimento na política nacional”, com mais donativos a campanhas políticas e a causas reportados pelos luso-americanos que em 2017.

Com dados detalhados sobre nível de educação, tipo de emprego, rendimentos e demografia dos luso-americanos inquiridos, o índice mostra uma integração cimentada na sociedade americana ao mesmo tempo que há preocupação com a manutenção das organizações lusas e a preservação da língua e tradições.

O elevado número de inquiridos que visitou Portugal recentemente mostra “que existe ainda um turismo da saudade” e vontade de manter as ligações.

Segundo os dados mais recentes do American Community Survey (ACS), que também foi analisado nesta sessão, havia em 2018 1358190 luso-americanos contabilizados nos Estados Unidos, uma redução de 5% em relação a 2010.

“O índice PALCUS e o ACS mostram que os luso-americanos são um grupo estabelecido que continua a progredir no seu caminho de integração na sociedade americana”, resumiu Dulce Maria Scott.

“Em simultâneo, continuam empenhados na sua herança portuguesa, ainda que reconhecendo que é difícil manter a língua e replicar tradições étnicas”, frisou.

Angela Simões, dirigente do PALCUS, indicou que a pesquisa para o próximo índice será conduzida em 2022. Entretanto, a organização irá apresentar os resultados de uma pesquisa relativa às tendências de voto dos luso-americanos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo