Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 15 de março de 2026

Canção do medo











Vamos aprender português, cantando

 

Canção do medo

 

Dentro de um homem que nasce

debaixo da pele e do sangue lá está

o medo que ronda os sentidos

que atravessa o tempo de tudo o que há

que vem do ventre da memória

e pousa leve sobre a imaginação

e cria este desassossego

este mistério fundo no teu coração

 

Dentro da tua lembrança

há monstros e lobos que te vêm buscar

nos sonhos que alguém te deixou

e nunca paraste de procurar

o mundo não é o que te dão

mas sim esse medo que podes quebrar

abre os teus olhos à noite

e vê como a treva te vai libertar

 

Ai esta sombra dentro de nós

ai chega sempre tarde ou cedo

eu oiço sempre a sua voz

mas sou mais forte do que o medo

 

ai este não saber porquê

ai quando gela o arvoredo

eu trago sempre a sua voz

mas sou mais forte do que o medo

 

Dentro de um homem que nasce

debaixo da pele e do sangue lá está

o medo que ronda os sentidos

que atravessa o tempo de tudo o que há

que vem do ventre da memória

e pousa leve sobre a imaginação

e cria este desassossego

este mistério fundo no teu coração

 

Dentro da tua lembrança

há monstros e lobos que te vêm buscar

nos sonhos que alguém te deixou

e nunca paraste de procurar

o mundo não é o que te dão

mas sim esse medo que podes quebrar

abre os teus olhos à noite

e vê como a treva te vai libertar

 

Dentro da tua lembrança

há monstros e lobos que te vêm buscar

nos sonhos que alguém te deixou

e nunca paraste de procurar

o mundo não é o que te dão

mas sim esse medo que podes quebrar

abre os teus olhos à noite

e vê como a treva te vai libertar

 

Marco Oliveira - Portugal

 

domingo, 28 de novembro de 2021

Que é Feito da Mariquinhas?


 








Vamos aprender português, cantando

 

Que é Feito da Mariquinhas?

 

Que é feito da Mariquinhas?

Há muito que ninguém a vê passar

foi nas suas tamanquinhas

a casa já está pronta pr’alugar

quem é que se lembrou de a pôr a andar?

Não se riam as vizinhas

que dizem que foi desta p'ra pior

só não sabem, coitadinhas

quem ri por último é quem ri melhor

 

Vendeu o espelho e a colcha com barra

ao preço dumas uvas miudinhas

mas se ela deixou lá uma guitarra

um dia há-de voltar a Mariquinhas

 

Que é feito da Mariquinhas?

Ninguém sabe onde páram as amigas

correram as capelinhas

não há sinal daquelas raparigas

e vai um bairro inteiro p'rás urtigas

e a saga continua

ainda vai no adro a procissão

quem lá vai não se habitua

a falta que ela faz não tem perdão

 

Rifou as bambinelas mais a jarra

os móveis e as cortinas às pintinhas

mas se ela deixou lá uma guitarra

um dia há-de voltar a Mariquinhas

 

A rua cada vez está mais bizarra

custam couro e cabelo umas ginjinhas

o Fado que gostava de algazarra

perdeu a Rosa, o Chico e a Mariquinhas

 

Lisboa já não é como a cigarra

espantaram os boémios alfacinhas

mas se deixaste lá uma guitarra

adeus, até à volta, Mariquinhas

 

Marco Oliveira – Portugal


Composição:

(Letra) Marco Oliveira e Ana Sofia Paiva – Portugal

(Música) Marco Oliveira – Portugal



"Contar histórias sobre a Mariquinhas é uma tradição no fado.

Escrevemos esta letra no pico da especulação imobiliária, em que as pessoas foram

despejadas dos bairros antigos para as suas casas serem transformadas em albergues

de alojamento temporário completamente descaracterizados.

As tradições passaram a ser um negócio e claro, correram com as Mariquinhas do século XXI.

Mas eu acho que isto não fica assim e a canção diz isso mesmo."