Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 10 de novembro de 2024

Imperial é fino


 








Vamos aprender português, cantando


Imperial é fino


Ah e quê?

Ah então?

Ah porquê?

Que algo se perde na nossa tradução?

Ah e quê?

Ah então?

Ah porquê?


Dizes que não tens qualquer sotaque, isto não é um ataque mas tens falta de noção

e depois dizes “para não ser de supresa eu tufono-te às dezóito pa marcar a runião”

olha quem fala, tu dizes “à minha beira”, com pronúncia da ribeira

quando estás “ao pé de mim” 

dizes pega em vez de toma, dizes bufa em vez de sopra,

olha a Iana, Gola ialta e coisa assim


Imperial é fino, ténis é sapatilha

bica é cimbalino e “chicla” é pastilha

aloquete é cadeado e capuz, carapuço 

estrugido é refogado, chapéu de chuva é chuço 

se trolha é pedreiro, bueiro é sargeta 

sertã é frigideira e cabide é cruzeta


Ah e quê?

Ah então?

Ah porquê?

Que algo se perde na nossa tradução?

Ah e quê?

Ah então?

Ah porquê?


Já tu dizes “são quaise treuze” e já ouvi várias vezes “tira o téni do sófá”

o lisboeta come letras, tira o U pra dizer pôco, diz “óviste é muita lôco”, assim não dá!

tretas, pra ti mãe tem cinco letras, dizer “cumo” é o cúmulo e tu sabes que assim é

tu dizes testo e eu tampa, eu digo coxo e tu manco e quando dizes tótil eu bué


Imperial é fino, ténis é sapatilha

bica é cimbalino e “chicla” é pastilha

aloquete é cadeado e capuz, carapuço 

estrugido é refogado, chapéu de chuva é chuço 

se trolha é pedreiro, bueiro é sargeta 

sertã é frigideira e cabide é cruzeta


Contigo tão vira tom, contigo são vira som e depois bom vira “bão”

para mim o V vira B, p’ra ti “Lesboa” é com E, oblá e então?

ouve, não sou eu que falo torto, toda a gente me entende, não é meu o defeito 

s’eu falo à Porto é meu direito e se o teu ouvido é mouco, o meu sotaque é perfeito 


Se digo “fala bem”, é pra tu seres meiguinha

como eu sou também, no meu jeito alfacinha

e quando eu digo “bem” eu tou t’a dizer pra “bires”

eu até te falo bem só é pena não me ouvires

e quando eu digo “bem” eu tou t’a dizer pra “bires”

eu até te falo bem só é pena não me ouvires


Ah e quê?

Ah então?

Ah porquê?

Que algo se perde na nossa tradução?

Ah e quê?

Ah então?

Ah porquê?


Imperial é fino

imperial é fino

imperial é fino, fino, fino


Ah e quê?

Ah então?

Ah porquê?

Que algo se perde na nossa tradução?

Ah e quê?

Ah então?

Ah porquê?


Ana Bacalhau – Portugal

Cláudia Pascoal – Portugal


Composição:

(Letra) Capicua – Portugal

(Música) Ana Bacalhau, Cláudia Pascoal, João Só - Portugal 


domingo, 7 de abril de 2024

Que força é essa amiga









Vamos aprender português, cantando

 

Que força é essa amiga

 

Vi-te a trabalhar o dia inteiro

a limpar a cidade dos homens

por amor ou por pouco dinheiro

ficam velhas as tuas mãos jovens

o teu peito, o teu colo é consolo

a despeito do teu próprio choro

 

Que força é essa

que força é essa

que trazes nos braços

que só te serve para obedecer

que só te manda obedecer

que força é essa amiga

que força é essa amiga

que te faz levar o mundo todo na barriga

que força é essa amiga

que força é essa amiga

que força é essa amiga

 

O amor pra ti tem costas largas

faz-te doce nas horas amargas

e invisível nas noites em claro

ninguém paga o que mais te sai caro

ninguém sara, essa escara é antiga

tens o mundo todo da barriga

 

Que força é essa

que força é essa

que trazes nos braços

que só te serve para obedecer

que só te manda obedecer

que força é essa amiga

que força é essa amiga

que te faz levar o mundo todo na barriga

que força é essa amiga

que força é essa amiga

que força é essa amiga

 

Vi-te a trabalhar a noite inteira

não são tuas as horas de ócio

todos mamam, não há quem não queira

que o cuidado não pago é negócio

e no parto ou no quarto o teu corpo

esteve sempre ao serviço do outro

 

Que força é essa

que força é essa

que trazes nos braços

que só te serve para obedecer

que só te manda obedecer

que força é essa amiga

que força é essa amiga

que te faz levar o mundo todo na barriga

que força é essa amiga

que força é essa amiga

que força é essa amiga

 

Não me digas que não me compreendes

quando os dias se tornam azedos

não me digas que nunca sentiste

uma força a crescer-te nos dedos

e uma raiva a nascer-te nos dentes

não me digas que não me compreendes

 

Capicua – Portugal 

O tema "Que força é essa amiga" é baseado na canção "Que força é essa" de Sérgio Godinho (1971)

Composição:

(Letra) Sérgio Godinho e Capicua – Portugal

(Música) Sérgio Godinho - Portugal


 

domingo, 23 de maio de 2021

Estou bem









Vamos aprender português, cantando

 

Estou bem

 

Fiz a cama de lavado,

e com papel perfumado

forrei a minha gaveta

duas gotas de lavanda

e sentei-me na varanda

a beber um chá de menta

 

Duas gotas de lavanda

e sentei-me na varanda

a beber um chá de menta

 

O gato deitado no colo

ouço Coltrane num solo

a tocar no gira-discos

olho a cidade serena

que até parece pequena

no sossego dos chuviscos

 

Olho a cidade serena

que até parece pequena

no sossego dos chuviscos

 

Estou bem

assim sem ninguém...

Tão bem. Sabe tão bem

saber estar em solidão...

Como também

quando a companhia vem

estou bem, sabendo bem

saborear a confusão.

 

Estou bem

assim sem ninguém...

Tão bem. Sabe tão bem

saber estar em solidão...

Como também

quando a companhia vem

estou bem, sabendo bem

saborear a confusão.

 

A sala silenciosa

parece estar ansiosa

que retorne o frenesim

mas eu aproveito o tempo

faço render o momento

de ter espaço só pra mim

 

Mas eu aproveito o tempo

faço render o momento

de ter espaço só pra mim

 

Aconchego-me na manta

abro um livro, mas às tantas

vou deixando o sono ler

quando uma mão pequenina

me acorda com uma festinha

e a casa volta a encher!

 

Quando uma mão pequenina

me acorda com uma festinha

e a casa volta a encher!

 

Estou bem

assim sem ninguém...

Tão bem. Sabe tão bem

saber estar em solidão...

Como também

quando a companhia vem

estou bem, sabendo bem

saborear a confusão.

 

Estou bem

assim sem ninguém...

Tão bem. Sabe tão bem

saber estar em solidão...

Como também

quando a companhia vem

estou bem, sabendo bem

saborear a confusão.

 

Inês de Vasconcellos – Portugal

 

Composição:

(Letra) Capicua – Portugal

(Música) Capicua e Ricardo Cruz - Portugal