“Neineik, neineik” (devagar), é assim que a professora timorense Beatriz Sarmento lida com o desânimo dos seus alunos portugueses, que estão a aprender tétum, língua oficial de Timor-Leste a par do português, na Escola Portuguesa de Díli (EPD)
Desde o início de fevereiro, que mais
de 20 portugueses se inscreveram na nona edição do curso de tétum, nível
básico, do Centro de Formação da EPD.
Beatriz Sarmento não tem dúvidas que aumentou a procura
de portugueses a querer aprender tétum.
“Já avançámos até à nona edição do curso tétum e tenho
pedidos individuais de portugueses que querem aprender. Na verdade, cresceu.
Este ano a turma cresceu bastante”, afirmou à Lusa.
A professora explicou o aumento do interesse pela
aprendizagem do tétum com a integração social, mas também por razões
profissionais.
“Estou a aprender tétum principalmente por uma questão
profissional e depois também por uma questão de integração em Timor-Leste. No
meu caso, acho que me devo render ao tétum e integrar-me na sociedade
timorense”, afirmou à Lusa Bruno Pereira, um dos alunos do curso, que trabalha
como assessor no Governo timorense.
Mário Coutinho, professor em Timor-Leste, disse que
decidiu aprender tétum por “curiosidade” e por “necessidade” de perceber como
os alunos comunicam.
Questionado pela Lusa sobre se é uma língua difícil de
aprender, Mário Coutinho disse que é um “bocadinho complicado”.
“O sistema gramatical, a sintaxe semântica é um bocadinho
diferente da língua portuguesa, mas ‘neineik, neineik’, aos poucos iremos
conseguir”, afirmou Mário Coutinho.
Para Amélia Costa, que trabalha como jurista no Governo
timorense, a aprendizagem do tétum é essencial para quem trabalha com a
Administração.
“Só as pessoas mais idosas é que falam e percebem
português e para acompanharmos reuniões e falar em reuniões é absolutamente
necessário o tétum”, disse.
Amélia Costa afirmou também que é um bocado difícil
aprender a falar tétum até porque a estrutura da língua é completamente
diferente do português.
“Eu supunha que havia muito mais palavras portuguesas no
tétum, que tinha uma base essencialmente portuguesa e não tem tanto como eu
pensava, e depois há palavras que querem dizer várias coisas ao mesmo tempo,
por isso, é um bocadinho difícil”, considerou Amélia Costa.
Apesar da grande percentagem de palavras emprestadas do
português, mas que se escrevem de outra forma, a professora Beatriz Sarmento
salienta que “não é fácil adquirir o tétum” para os portugueses.
É que o tétum, explicou, tem uma estrutura frásica
bastante diferente do português e as palavras que se usam diariamente são muito
diferentes.
Depois há também verbos que se encontram implícitos e as
letras aspiradas, como o “h”, que não existem no português, e a troca e
adaptação da ortografia.
“Outra dificuldade é o sentido duplo ou triplo de uma
palavra”, acrescentou.
Mas, “neineik, neineik”, a aprendizagem lá se vai fazendo
e após um mês de aulas, o curso termina no final de março, os alunos já
conseguem articular algumas frases e ter os conhecimentos básicos para as
necessidades diárias, incluindo ir às compras.
Sobre se a aprendizagem da língua portuguesa também está
a ter mais procura por parte dos timorenses, Beatriz Sarmento, que trabalha
igualmente como professora no Centro de Língua Portuguesa da Universidade
Nacional de Timor-Leste, afirmou que há cada vez mais pedidos.
“Neste momento não temos recursos humanos suficientes
para atender os pedidos que chegam” ao centro da universidade pública
timorense, acrescentou.
Após a restauração da independência,
em 20 de maio de 2002, Timor-Leste adotou as línguas tétum e portuguesa como
línguas oficiais, e o indonésio e o inglês como línguas trabalho. In “Bom dia
Europa” – Luxemburgo com “Lusa”