Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Moçambique - Ualalapi ganha edição em banda desenhada e versão inglesa

A Editora Trinta Zero Nove e o projecto Livroteca lançam hoje, na livraria da Vila Municipal de Marracuene, as novas edições de Ualalapi: uma versão em banda desenhada e a tradução inglesa da obra clássica de Ungulani Ba Ka Khosa.


O evento contará com a presença do autor e de Adérito Wetela, ilustrador responsável pela adaptação visual do romance.

Publicado em 1987, Ualalapi é uma referência maior da ficção africana contemporânea. Vencedor do Grande Prémio de Ficção Narrativa Moçambicana, integra desde 2002 a lista dos 100 melhores livros africanos do século XX, destacando-se pela profundidade histórica e pela relevância literária.

A narrativa acompanha Ualalapi, guerreiro encarregado de matar o hosi Mafename por ordem do príncipe Ngungunhane, que assim ascende ao trono como último imperador de Gaza, figura central da resistência moçambicana ao colonialismo no final do século XIX.

A adaptação em banda desenhada oferece uma abordagem visual que procura aproximar a obra de novos leitores, enquanto a tradução inglesa reforça a sua presença no panorama literário internacional. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


segunda-feira, 3 de março de 2025

Moçambique - Ungulani ba ka Khosa dinamiza acções literárias em Manica e Sofala

“Com Energia Lemos Melhor” é o lema da iniciativa Ler Com Energia, dinamizada pelo escritor Ungulani Ba Ka Khosa, que realizará uma série de actividades literárias nos municípios de Chimoio e Gorongosa, entre os dias 4 e 7 de Março do ano em curso.

As acções incluem palestras na Universidade Pungué, Universidade Católica de Moçambique (Chimoio) e Universidade Católica de Moçambique (Gorongosa), e o apetrechamento de duas bibliotecas escolares: Escola Secundária da FEPOM (Chimoio) e Escola Secundária Eduardo Mondlane (Gorongosa).

O projecto Ler Com Energia tem como objectivo promover a leitura, abordando hábitos de leitura, acesso ao livro e uso de bibliotecas, bem como incentivar a interracção entre escritores e estudantes das escolas e universidades públicas, ampliando a presença de obras literárias moçambicanas.

Com a doação de livros às bibliotecas escolares, garante-se que os exemplares permaneçam disponíveis como referência literária nessas instituições.

Ungulani Ba Ka Khosa acredita que as visitas às províncias de Sofala e Manica contribuirão para melhorar os hábitos de leitura em Moçambique, pois, a leitura é uma grande ferramenta de inclusão cultural e desenvolvimento sustentável.

Durante a estadia, o escritor pretende sensibilizar e mobilizar a sociedade para acções voltadas à leitura e fortalecer a responsabilidade social na cadeia produtiva do livro.

A iniciativa Ler Com Energia conta com o patrocínio da empresa Eletricidade de Moçambique (EDM) e a curadoria da Agência Criativa Vírgula. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Moçambique – Uma análise de Ungulani Ba Ka Khosa às eleições gerais de 2024

Para quem, como eu, tem acompanhado, ao longo de mais de quarenta anos, como professor e, acima de tudo, escritor, o percurso da Frelimo, em tanto que Frente de libertação de Moçambique e, subsequentemente, como Partido de orientação marxista, desembocando em Partido sem estratégia ideológica, estas eleições não me surpreenderam de todo


Ao acompanhar a leitura dos resultados feita pelo Presidente da Comissão Nacional de Eleições, veio-me à mente a durabilidade no poder de um outro partido do sul global, o PRI (partido revolucionário institucional), do México, que esteve no poder entre 1929 e 2000. 71 anos no poder. Longo e asfixiante tempo! As críticas que se faziam, nas sucessivas eleições, centravam-se na fraude eleitoral, na sucessiva repressão contra os eleitores, na sistemática violação dos princípios democráticos, na falta de lisura no trato da coisa pública. Tal e qual a nossa situação. 

A propósito, o grande Poeta e intelectual mexicano Octávio Paz, dizia, com a linguagem que lhe era característica: “Os moralistas escandalizam-se diante das fortunas acumuladas pelos antigos revolucionários, mas não reparam que a este florescimento material corresponde outro verbal: a oratória transforma-se no género literário de pessoas prósperas. Mais que um estilo é uma marca, um distintivo de classe.

Ao lado da oratória e das suas flores de plástico, triunfa e se propaga a sintaxe bárbara nos jornais; as inépcias nos programas de televisão; a desonra diária da palavra nos alto-falantes e nos rádios, a cafonice enjoativa da publicidade – toda esta asfixiante retórica, ao mesmo tempo nauseabunda e açucarada, de gente satisfeita e amodorrada por comer demais. Sentados sobre o México, os novos senhores e os seus cortesãos e parasitas lambem os beiços diante de gigantescos pratos de lixo florido.

Quando uma sociedade se corrompe, a primeira coisa que gangrena é a linguagem. A crítica da sociedade, em consequência, começa com a gramática e com o restabelecimento dos significados.”  Atenção intelectuais e sociedade civil! Li, algures, por entre os textos que circulam nas redes, uma máxima que me encantou e que restabelece, de facto, os significados: “O povo não é prejudicado pela greve. O povo está em greve por ser prejudicado.” 

É profundo. E é a resposta popular à recente política editorial dos média, e não só, em dar enfoque aos prejuízos económicos resultantes das manifestações. Uma manifestação, a ideia não é minha, li-a algures, é sempre um simulacro de revolução. Ela visa inquietar o poder, abanar os alicerces corroídos, provocar rupturas, e influenciar as decisões do governo. Não esqueçamos que o nosso modelo democrático funda-se na representatividade, na delegação do poder. Se a árvore que nos representa não dá frutos, é  preciso repensar na sua utilidade dentro do nosso espaço  vital.

No nosso caso, a população quer mudanças profundas, está cansada da esperança prometida, quer que a realidade do dia a dia mude radicalmente, em actos e propostas urgentes; mas o poder, anquilosado na cadeira que o sustenta há mais de 49 anos, não quer ver a realidade que está nas ruas. E isso pode ser fatal para um partido que já foi uma Frente de Libertação e que soube, a seu jeito, adaptar-se aos conturbados momentos da luta de libertação. Mas quando se transformou em Partido, a ortodoxia e o conservadorismo tomou as rédeas do que era o movimento de libertação. Afirmações desconexas e infantis do comandante geral da polícia, bem como o comunicado tão fora do tempo histórico, como o que foi proferido pela senhora Alcinda Abreu, em nome da Comissão Politica da Frelimo, revelam uma pobreza intelectual e ideológica tão confrangedora que me custa afirmar que a Frelimo está à deriva, desconectada da realidade, e muito longe de um ancoradouro sustentável. Mas está mesmo! 

Reencontrem-se e dialoguem com esta juventude que representa o Futuro. O futuro pertence-lhes! E a nós também. Ungulani Ba Ka Khosa – Moçambique in “Moz Entretenimento” com “Facebook”


sexta-feira, 5 de abril de 2024

Moçambique - Ungulani Ba Ka Khosa e João Paulo Borges Coelho conversam sobre 25 de Abril no Camões – Centro Cultural Português

O Camões – Centro Cultural Português em Maputo e os dois Centros de Língua Portuguesa situados na Universidade Pedagógica de Maputo e na Universidade Eduardo Mondlane promovem um ciclo de conversas que contam com a participação de Ungulani Ba Ka Khosa, Joaquim Furtado, João Paulo Borges Coelho e Luís Loforte, por ocasião da celebração dos 50 anos do dia 25 de Abril de 1974.


A data representa um ponto de inflexão na História de Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa, um momento em que, há 50 anos, a resistência à opressão se encontrou com a liberdade individual e colectiva.

Ao longo do mês de Abril, será dinamizado um Ciclo de Conversas e outras actividades subordinadas ao tema “Memórias do 25 de Abril de 1974”, tendo como pano de fundo a exposição “50 Passos para a Liberdade – Portugal, da Ditadura ao 25 de Abril”, a qual ficará patente na galeria do CCP Maputo até ao dia 1 de Junho. Os convidados do Ciclo de Conversas são personalidades do mundo da literatura, do jornalismo e da História que viveram o 25 de Abril e que, sob diferentes perspectivas, partilharão as suas vivências e reflexões.

A iniciativa pretende também recordar a vida e a obra de Leite de Vasconcelos, jornalista e escritor moçambicano que, às 00h20 do dia 25 de Abril de 1974, transmitiu, no programa Limite da Rádio Renascença, em Portugal, a canção Grândola, Vila Morena de Zeca Afonso, a senha esperada pelos militares para dar início às operações que poriam fim ao regime ditatorial em Portugal.  O jornalista português Joaquim Furtado, um dos convidados deste Ciclo, leu o primeiro comunicado do Movimento das Forças Armadas, na Rádio Clube Português, também na madrugada do dia 25 de Abril de 1974.

Durante esta iniciativa que decorrerá nos dias 4, 11, 18 e 25 deste mês, será também exibido o filme “Capitães de Abril”, de Maria de Medeiros, como documento audiovisual dos acontecimentos que ocorreram naquele dia 25 de Abril de 1974.

Enquanto a sessão com Ungulani Ba Ka Khosa e Joaquim Furtado, com moderação de Eduardo Quive, decorreu esta quinta-feira na Galeria do Camões, o encontro com João Paulo Borges Coelho e Luís Loforte, com moderação de Eduardo Quive, será a 11 de Abril, 18h00, igualmente, na Galeria do Camões – CCP Maputo. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 19 de julho de 2023

Moçambique – Luís Nhachote lança “Cartas ao presidente Chissano” como acto de cidadania

Luís Nhachote lançou, esta terça-feira, no Sindicato Nacional de Jornalistas, na Cidade de Maputo, Phambeni – cartas ao presidente Chissano. O livro de crónicas tem o prefácio assinado pelo antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, e foi apresentado por Ungulani ba ka Khosa.

Foto: José dos Remédios

No espaço reservado à nota do autor do seu livro, Luís Nhachote afirma o seguinte: “Decidi, vinte anos depois, ir aos arquivos do mediaFax buscar as 40 crónicas que escrevi ao então Presidente da República, Joaquim Chissano, e que dão corpo a este pequeno livro, com a intenção de preservar a ‘memória histórica’ da nossa democracia embrionária. Fi-lo com a intenção de não deixar, no esgoto da memória, que a cidadania activa pode – e deve continuar – a ser exercida dentro dos limites da decência e urbanidade”.

Durante 40 semanas, Luís Nhachote escreveu 40 crónicas ao Presidente da República, Joaquim Chissano. Ao publicá-las em livro, esta terça-feira, na Cidade de Maputo, uma vez mais, o jornalista percebeu que o seu exercício foi um acto de cidadania, dito e argumentado pelo apresentador do livro Ungulani ba ka Khosa: “Foi uma alegria, para mim, apresentar o livro de Nhachote, porque representa, quer para a classe jornalística, quer para a classe dos escritores e toda a classe intelectual, um exercício de cidadania que, há 20 ou 30 anos, já se vinha exercendo”.

Segundo Ungulani ba ka Khosa, numa altura em que se verificam pressões de alguns poderes sobre os cidadãos, o livro de Luís Nhachote demonstra, de uma vez por todas, que o exercício da cidadania tem de estar presente em todos os moçambicanos.

Concordando com o apresentador do seu livro, Luís Nhachote, primeiro, confessou que Ungulani ba ka Khosa fez uma análise do seu projecto muito além do que antes tinha imaginado. De seguida, assumiu que, de facto, Phambeni – cartas ao presidente Chissano, “É um dos principais exercícios de cidadania que eu tive como moçambicano jovem que até teve o privilégio de votar em todas as eleições realizadas em Moçambique”.

Apesar desse necessário exercício de cidadania, Luís Nhachote lembrou, no Sindicato Nacional de Jornalistas, que as suas crónicas foram vistas, pelos mais velhos do seu tempo, colegas alguns, como um acto de ousadia. Firme nos seus processos, com efeito, o então jovem jornalista continuou a trilhar veredas consciente de que, o que quer que escrevesse, a cordialidade deveria sempre manter-se como um factor presente nas crónicas. “Eu escrevi as minhas cartas com muito respeito à figura do então Estadista e não tive nenhum problema até ao fim do seu consulado, tanto que, no fim das cartas, eu me despedi e desejei-lhe boa sorte”.

20 anos depois, entretanto, quem se considera sortudo é o autor do livro, Luís Nhachote, porque, afinal, mereceu o prefácio de Joaquim Chissano. “Nem consigo descrever. Ter o prefácio do próprio visado das minhas cartas é uma bênção. Penso que o Presidente insuflou nos moçambicanos que é possível fazer coisas com base no respeito e nos princípios”.

Phambeni – cartas ao presidente Chissano é um livro constituído por 101 páginas e foi lançado em cerimónia no Sindicato Nacional de Jornalistas, na Cidade de Maputo, sob a chancela da Gala Edições. José dos Remédios – Moçambique in “O País”


quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Moçambique - 8ª edição da Feira do Livro de Maputo

A 8ª edição da Feira do Livro de Maputo, na comemoração dos 100 anos de José Craveirinha, celebra o autor do emblemático Nós Matámos o Cão-tinhoso como o Escritor Homenageado desta edição. Luís Bernardo Honwana lançou o seu livro de estreia há 58 anos


A Feira do Livro de Maputo arranca esta quinta e termina sábado.

A realizar-se na Praça da Independência e no Átrio Municipal, o evento irá homenagear o escritor Luís Bernardo Honwana, o autor do célebre Nós matamos o cão-tinhoso.

De acordo com uma nota de imprensa, a Feira do Livro de Maputo vai se materializar em diversas disciplinas artísticas. A música com o Coro Xiquitsi, teatro, oficinas de escrita e leitura, debates, concursos literários, palestras e outras atracções literárias

Citando na nota da feira, para Ungulani Ba Ka Khosa, homenagear Luís Bernardo Honwana, significa consolidar o papel fundacional do pai da modernidade da literatura moçambicana.

A Feira do Livro, graças a parceria com o Camões – Centro Cultural Português em Maputo e com Instituto Guimarães Rosa – Centro Cultural Brasil-Moçambique, traz a Maputo duas vozes da literatura portuguesa e brasileira respectivamente, nomeadamente, Lúcia Vicente, em residência literária, e Tatiana Pequeno, autora do livro Tocar o Terror que será lançado na Feira do Livro.

De Moçambique, pontificam nomes tais como: Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane, Marcelo Panguana, Sónia Sultuane, Aurélio Rocha, Jorge Ferrão, Licínio Azevedo, Jaime Munguambe, Hirondina Joshua e Matilde Chabana.

A Feira do Livro de Maputo, entre 20 e 22 de outubro, vai contar com a participação de vozes imprescindíveis da literatura lusófona e hispânica. A Feira vai contar este ano com a participação de escritores de 24 países, nomeadamente: Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Brasil, Portugal, Bolívia, Argentina, Espanha, Itália, Cuba, República Dominicana, Guiné-Equatorial, Honduras, Rússia, Finlândia, Inglaterra, Colômbia, Venezuela, El Salvador, Chile, Mali, Uruguai.

O evento, que contará com 12 mesas de autores e debates, vai contar com um espaço dedicado aos escritores e editoras, na Praça da Independência, decorrendo em simultâneo com actividades lúdicas e criativas para o publico infanto-juvenil, lançamentos de livros, oficinas de leitura, sessões de autógrafos e conversas entre escritores e leitores. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 26 de abril de 2022

Moçambique – Livraria Mabuko junta autores para promover o livro na Matola


A Livraria Mabuko promoveu um encontro entre autores e leitores, na Cidade da Matola. A sessão serviu para celebrar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor e inaugurar um novo espaço dedicado ao livro naquele ponto do país.

O país não se encontra num bom momento, no que à promoção do livro diz respeito. Por isso, e partindo de uma boa experiência de feira do livro realizada no ano passado, a Livraria Mabuko organizou um encontro entre escritores e leitores, na Cidade da Matola.

De acordo com Cisa Ponta Vida, da Mabuko, o centro comercial Novare passa a contar com a venda de livros porque o objecto literário é essencial para educação e cultura de toda a humanidade. “Nós tivemos um momento muito difícil, na altura em que a COVID-19 estava em alta. Muita gente estava a fechar as portas. Então, decidimos que tínhamos de inovar, porque a leitura é um assunto importante para todos nós”, acrescentou Cisa Ponta Vida, como que a justificar porque a Mabuko não se contentou com a livraria localizada na zona nobre da Cidade de Maputo: “Depois da adesão que registámos em Dezembro, quando cá viemos fazer uma feira do livro, decidimos ceder à vontade dos leitores em ter-nos cá”.

Além de só inaugurar um novo espaço de venda de livros, num contexto em que as livrarias estão encerradas em várias cidades nacionais, a Mabuko convidou autores como Ungulani ba ka Khosa, Juvenal Bucuane e Adelino Timóteo para uma confraternização, igualmente, como forma de celebrar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, assinalado no passado dia 23 deste mês. A Mabuko procedeu assim porque percebeu que muitos dos que compram os livros nunca tiveram a oportunidade de estar com o escritor moçambicano que lêem.

Para Adelino Timóteo, que veio da Cidade da Beira precisamente para participar no evento, a iniciativa da Mabuko é importante porque tira o livro do centro urbano para outros locais, contribuindo, dessa forma, para divulgar as obras literárias em locais alternativos, onde as pessoas estão. “Deste modo, ganha a literatura, porque o livro fica mais próximo do destinatário. De igual maneira, ganham também os autores porque passamos a ter maior comunicação entre escritores e leitores”.

Concordando com Timóteo, a escritora Stela Manhiça Langa considerou que a divulgação do livro em espaços como o centro comercial Novare, na Matola, é fundamental porque, em geral, os moçambicanos ainda estão a aprender a ler obras literárias, se se pensar em termos quantitativos. “Esta é uma forma de estimular a leitura. É um exercício que pode e deve ser feito a partir da base e da pré-escola, de modo que as crianças possam crescer com hábitos de leitura. Com um Plano Nacional de Leitura, que envolve educadores de infância e a família, passaríamos a ter no país adultos que gostam de ler”.

Já para o escritor Albert Dalela, o encontro promovido pela Mabuko foi marcante porque teve a oportunidade de estar com autores que lê desde criança. “Para além de que assim os leitores têm a possibilidade de nos conhecer e, entre nós, conversamos sobre a complexa indústria do livro. Para que as pessoas leiam, precisamos que o Governo se envolva em campanhas a favor do consumo da literatura”. José dos Remédios – Moçambique in “O País”


 

sábado, 27 de outubro de 2018

Moçambique - Prémio José Craveirinha entregue a Ungulani Ba Ka Khosa

O escritório moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa recebeu ontem à tarde, num evento de abertura da sétima edição da Feira do Livro do Songo, a distinção do prémio “José Craveirinha”, o maior prémio literário do país.

De seu nome verdadeiro Francisco Esaú Cossa, Ungulani Ba Ka Khosa nasceu em 1957 em Inhaminga, província de Sofala, tendo recebido pela primeira vez o prémio José Craveirinha de Literatura em 2007, com a obra “Os sobreviventes da noite”.

A acção foi promovida e patrocinada pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa em parceria com o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, recebendo na altura um valor de 25 mil dólares que representa o reconhecimento pelo seu percurso literário. Baía da Lusofonia

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Moçambique – Lançamento do livro “O Berlinde com Eusébio lá dentro”

O escritor moçambicano, Almiro Lobo lançou na passada semana em Maputo, uma nova obra intitulada “O Berlinde com Eusébio lá dentro”.

O evento que decorreu no Centro Cultural Português contou com a participação de amigos, escritores, estudantes, amantes da literatura e familiares que não quiseram perder o momento.

“O Berlinde com Eusébio lá dentro” é uma obra de 64 páginas, compostas por uma colecção de 14 crónicas organizadas cronologicamente e retratam histórias vividas pelo autor há mais de três décadas.

De acordo com o autor, a obra que foi prefaciada por Fátima Mendonça não é um livro de análise ou de reflexão mas sim, um conjunto de micro-narrativas, ou histórias que só se contam aos amigos em ambiente de confiança mútua e de secretismo que perfilam recordações de infância.

“As minhas memórias marginais não o são preposições a outras recordações ou aos outros registos. São depoimentos inéditos, sem outra pretensão que não seja a de partilhar vivências e trajectórias individuais. Trata-se de pequenos episódios verídicos, ocorridos por moçambicanos desconhecidos e que não participam na construção oficial da história”, contou Lobo.

Escritores que se identificam com as histórias trazidas por Lobo, não escondem a alegria e satisfação de reviver memórias através das 14 crónicas, tal é o caso de Tomas Vieira Mário, que na altura era repórter.

“As 14 crónicas me encantaram. O livro conta algumas histórias que me dizem respeito. Essas memórias me levam junto de lugares que vivi, de experiências que aprendi e me fazem recordar de pessoas que conheci na altura, que foram retratadas na história”, recordou Mário.

O mesmo sentimento é partilhado por Ungulani Ba Ka Khosa, que também viveu o período retratado por Lobo.

“Nestas crónicas, o Almiro retrata como ninguém a história dos “amores proibidos e campo de reeducação” (10ª crónica do livro). Faz-me recordar que na altura, obrigatoriamente tive de me casar com uma aluna-professora, porque a tinha engravidado. Caso contrário, pesava a ameaça de não voltar mais a Maputo e seria enviado para o campo de reeducação. A aluna-professora hoje é mãe dos meus filhos. Há capítulos que me tocam,” contou Ungulani.

Almiro Jorge Lourenço Lobo nasceu no Chinde, província da Zambézia. Actualmente é Professor Auxiliar na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM. Publicou A Escrita do Real (1999), Leituras Ensaiadas (2013), Moçambique em Textos Portugueses do Século XVIII (2013). In “Txopela” - Moçambique

quarta-feira, 4 de maio de 2016

III Congresso Internacional “Pelos Mares da Língua Portuguesa”

Universidade de Aveiro recebe o III Congresso Internacional "Pelos mares da língua portuguesa"



O Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro (UA) vai organizar a partir de hoje, 4 de Maio de 2016 até ao próximo dia 6, o III Congresso Internacional “Pelos Mares da Língua Portuguesa”, assinalando, assim, no segundo destes dias, o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP.

Comemorando-se também, em 2016, o Ano Internacional do Entendimento Global, este congresso pretende sublinhar a importância das línguas como meio de comunicação intercultural, fomentando um projeto de aproximação científica dos vários países e comunidades de língua portuguesa.

No seguimento do I Colóquio Internacional “FestLatino 2012 – Pelos Mares da Língua Portuguesa” e do II Congresso Internacional “Pelos Mares da Língua Portuguesa” 2014, esta reunião contempla investigação nos domínios da língua portuguesa, bem como das respetivas literaturas e culturas.

O programa do congresso inclui conferências plenárias, mesas redondas, comunicações livres e pósteres da autoria de mais de uma centena de investigadores oriundos de Portugal, Brasil, Moçambique, Índia (Goa), Timor Leste, Espanha, Itália, Polónia, Estados Unidos da América e China e conta com a presença do escritor moçambicano e Presidente da Associação de escritores moçambicanso (AEMO), Ungulani Ba Ka Khosa.

Reforçando a pluricontinentalidade da língua portuguesa, saliente-se ainda a realização de duas exposições temáticas, uma de pintura da autoria de Chica Sales e outra de fotografia, de Kok Nam, bem como um espetáculo musical, por Alex Duarte, aluno brasileiro da UA, e a apresentação de livros recentemente editados. In “Universidade de Aveiro” - Portugal

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Chiziane e Khosa condecorados


Os escritores moçambicanos Paulina Chiziane e Ungulani Ba Ka Khosa, foram ontem, dia 04 de Fevereiro de 2014, condecorados com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, uma atribuição do Presidente da República de Portugal, que teve lugar no salão nobre do Hotel Polana na cidade de Maputo, capital de Moçambique.



Para um melhor conhecimento destes dois escritores moçambicanos, convidamos a ler os textos aqui publicados no “Baía da Lusofonia” da autoria do Professor Doutor de Literatura Portuguesa Adelto Gonçalves, a 23 de Setembro de 2012, Ungulani Ba Ka Khosa e a 09 de Dezembro de 2012, Paulina Chiziane. Baía da Lusofonia


Fotos:txiling.sapo.mz

domingo, 23 de setembro de 2012

Khosa


Ungulani Ba Ka Khosa: a África que o Brasil não conhece
                                                                                            I
            Enquanto as universidades e editoras portuguesas e brasileiras, praticamente, só estudam e publicam autores africanos lusodescendentes – com as exceções de praxe, na área editorial, como a Editorial Caminho, de Lisboa, que tem tradição na área –, pouco se lê sobre romancistas, contistas e poetas africanos autóctones ou mestiços que utilizam a Língua Portuguesa como meio de expressão. E, no entanto, em poucos anos, se a Língua Portuguesa – a língua do invasor e do colonizador – quiser sobreviver no continente africano – e com ela todo o legado lusófono –, será mesmo dos autores autóctones que dependerá.

            Esse incompreensível silêncio – que reflete, pelo lado português, segundo o professor Patrick Chabal, do King´s College de Londres, certa saudade colonialista ainda não superada e, pelo lado brasileiro, descomunal desconhecimento em relação a assuntos africanos – é o que explica que um livro como Emerging Perspectives on Ungulani Ba Ka Khosa: prophet, trickster, and provacateur, preparado pelo professor Niyi Afolabi, ainda não tenha sido editado no Brasil nem em Portugal. E que, para lê-lo, tenhamos de recorrer à edição da Africa World Press, Inc., com sede em Trenton, New Jersey, EUA, e em Asmara, na Eritreia, país do Nordeste da África, antiga colônia italiana, às margens do Mar Vermelho, que se separou da Etiópia em 1991.

            Pouco conhecido do público-leitor brasileiro, Khosa (1957) não teve até hoje obra publicada no Brasil, mas esteve em São Paulo em novembro de 2010 para participar de um encontro na Casa das Áfricas e de um debate na Biblioteca de São Paulo sobre “O negro na literatura internacional”, que teve a mediação de Carmen Lucia Tindó Secco, doutora em Literatura Brasileira e professora de Literaturas Africanas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

            Trata-se de um dos mais importantes autores moçambicanos de sua geração, ganhador do Prêmio José Craveirinha de 2007 por seu livro Os Sobreviventes da Noite. Outro galardão que atesta a qualidade de sua obra é o Grande Prêmio de Literatura Moçambicana de 1990 por Ualalapi, que foi assinalado como um dos cem melhores livros africanos do século XX. No Brasil, Khosa já havia estado em 1987 para participar do lançamento da antologia Sonha Mamana Africa, preparada pela professora e jornalista Cremilda Medina de Araújo, da Universidade de São Paulo (USP).

            Nascido em Inhaminga, província de Sofala, Ungulani Ba Ka Khosa é o nome tsonga – grupo étnico do Sul de Moçambique – de Francisco Esaú Cossa, bacharel em História e Geografia pela Faculdade de Educação da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, professor de carreira e atual diretor do Instituto Nacional do Livro e do Disco, de Moçambique. Khosa também exerceu a função de diretor-adjunto do Instituto Nacional de Cinema e Audiovisual de Moçambique, participando na elaboração de roteiros e jornais cinematográficos. Filho de pais enfermeiros, Khosa completou os estudos secundários na Zambézia e tornou-se professor em 1978.

            É autor de seis livros, Ualalapi (1987), Orgia dos Loucos (1990), Histórias de Amor e Espanto (1993), No Reino dos Abutres (2001), Os Sobreviventes da Noite (2005) e Choriro (2009). Co-fundador da revista literária Charrua, na década de 90, tem escrito crônicas e artigos para vários jornais africanos. Membro da Associação dos Escritores Moçambicanos, recebeu ainda o prêmio Gazeta de Ficção Narrativa (1988), além de ter sido homenageado em 2003 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).          
                                                                   II
            Essa vasta obra justifica o livro que Niyi Afolabi, doutor em Estudos Africanos e Portugueses pela Universidade de Wisconsin-Madison e professor de Literaturas Brasileira, Ioruba e de Estudos da Diáspora Africana da Universidade do Texas, de Austin, EUA, preparou, reunindo quinze ensaios escritos por estudiosos de várias partes do mundo, além de entrevistas e excertos de textos do autor. Na maioria, os textos estão em inglês – inclusive, excertos dos livros –, mas há seis ensaios em português.

            Entre esses, destacam-se “Transculturação e representatividade lingüística em Ungulani Ba Ka Khosa: um comparatismo da solidariedade”, de Nataniel Ngomane, professor do Departamento de Lingüística e Literatura da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), e “O outro na representação da identidade nacional nas obras de Mia Couto, Suleiman Cassamo e Ungulani Ba Ka Khosa”, de Christoph Oesters, doutor pela Universidade de Utrecht, Holanda, com a tese “Figuras do Outro: identidades pós-coloniais no romance moçambicano contemporâneo” (2005).

            Os demais ensaios são de Ana Mafalda Leite, professora de Literatura Africana Lusófona da Universidade de Lisboa, António Belchior Vaz Martins, autor de Teoria e Práticas de Análise da Narrativa: as mitologias apocalípticas e Ualalapi de Ungulani Ba Ka Khosa (2004), Daniela Neves Lima, professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Belo Horizonte, e Ebenezer Adedeji Omoteso, coordenador de Estudos Portugueses no Departamento de Línguas Estrangeiras da Universidade Obafemi Awolowo, da Nigéria.

            Além da introdução “Quem tem medo de Ungulani Ba Ka Khosa?”, de Niyi Afolabi, igualmente traduzida para o português, há estudos de Jared Banks, doutor em Línguas e Literaturas Africanas pela Universidade de Wisconsin-Madison, Gilberto Matusse, professor do Departamento de Lingüística e Literatura da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, Anne Sletsjoe, professora de Literatura Portuguesa da Universidade de Oslo, Noruega, Sophia Beal, doutoranda em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Universidade Brown, EUA, Sunday Bamisile, doutorando em Literatura Comparada pela Universidade de Lisboa, e do próprio organizador do volume.
                                                                   III
            Como se vê por aqui, Khosa é um autor já largamente estudado por críticos de outras línguas. E que há muito já deveria ter sido editado no Brasil. Aliás, desde o seu primeiro livro, Ualalapi, romance histórico e primeira obra de ficção que se dedica exclusivamente ao passado colonial de Moçambique e conta a ascensão de Ngungunhane, imperador de Gaza, famoso pela resistência que opôs aos portugueses ao final do século XIX, até o fim de seu império.

            Como observa Oesters, o livro é construído a partir de fragmentos históricos, comentários de oficiais portugueses envolvidos na campanha contra o líder africano. São seis contos que acabam por reconstituir na imaginação episódios daquele período, formando um romance. O importante, porém, é que, ao contrário do que comumente se pode imaginar, o livro não apresenta Ngungunhane como um “grande líder” nem se preocupa em relatar seus possíveis feitos históricos contra a violência do domínio colonial, como foi feito no período pós-independência (1975). “Em vez disso, dedica-se muito mais a uma representação de Ngungunhane que corresponde à realidade histórica, mostrando a imagem de um tirano cruel em relação a outros povos africanos, mas também para com seu próprio povo”, diz Oesters.

            Oesters observa que o “Outro” na obra de Khosa aparece na forma dos “brancos, do outro lado do mar”, mas em breves referências. Numa delas, refere-se à morte de Ngungunhane no exílio “em roupas que sempre rejeitara e no meio da gente da cor do cabrito esfolado que muito se espantara por ver um preto”.
                                                                   IV
            Já Nataniel Ngomane, em seu ensaio, faz um paralelo entre a obra de Khosa e a dos autores latino-americanos do boom, a partir da constatação de que as culturas de ambos os lados são historicamente mestiças, “como produto do contato entre elementos indígenas – em si já bastante diversificados –, africanos e aluviões imigratórios europeus e asiáticos, na América Latina, e de elementos indígenas – não menos diversificados que aqueles –, árabes, asiáticos e europeus em Moçambique”.

            Ngomane ressalta que essa situação vem sendo explorada por narrativas como as de Khosa e de Mia Couto que, “no intuito de representar a conjugação dos imaginários e atitudes aí presentes, acabam por configurar processos culturais diversos”. Para tanto, vale-se da já clássica obra Contrapunteo cubano del tabaco y el azúcar (Havana: Letras Cubanas, 1991), de Fernando Ortiz (1881-1969), publicada pela primeira vez em 1940, tão estudada no Departamento de Letras Modernas da USP, mas que, incompreensivelmente, ainda está à espera de publicação por editora brasileira.

            Ngomane ressalta que, além de utilizar termos de origem bantu, “desconhecidos da maioria dos leitores em português, Khosa incorpora em sua linguagem a descrição de universos culturais a que esses termos se vinculam”. Ou seja, Khosa salpica seu texto com expressões verbais de origem bantu, mas o faz de uma maneira mais palatável ao leitor, explicando os termos no próprio texto, sem recorrer a um glossário no final do livro ou a notas de rodapé.
                                                                   V                    
            Obviamente, ninguém é contra que professores de outros mundos não lusófonos se preocupem em estudar as literaturas africanas de expressão portuguesa. Pelo contrário. O que se lamenta é que tanto em Portugal como no Brasil se dê tão pouco espaço aos escritores africanos autóctones que se utilizam da língua portuguesa. Até porque, como observa Perpétua Gonçalves em Português de Moçambique: uma variedade em formação (Maputo: Livraria Universitária e Faculdade de Letras da UEM, 1996), citada por Nataniel Ngomane, só uma minoria em Moçambique que teve acesso à escola (25%) e que habita nos centros urbanos (17%) fala português.

            Como o país é formado por muitas nações e 95% da população têm como língua materna uma língua bantu, por enquanto, o Português serve como uma espécie de tertius (neutro) para a língua oficial, já que, se um grupo étnico local quiser impor a sua língua como a predominante, com certeza, irá causar insatisfação entre os demais. Mas, se Portugal e Brasil continuarem de costas viradas para a África, não será difícil que Camões (c.1524-1580) seja substituído por Shakespeare (1564-1616) em pouco tempo. Até porque a África do Sul é logo ali. Depois, não digam que ninguém avisou. Adelto Gonçalves - Brasil
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EMERGING PERSPECTIVES ON UNGULANI BA KA KHOSA: PROPHET, TRICKSTER, AND PROVACATEUR, de Niyi Afolabi (editor).Trenton, New Jersey/Asmara, Eritrea, Africa World Press, Inc.,458 págs. , 2011, US$ 39,95. Site: www.africaworldpressbooks.com  E-mail: customerservice@africaworldpressbooks.com
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Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br
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Texto publicado no jornal quinzenal “As Artes entre as Letras” Porto - 12.09.2012  http://www.artesentreasletras.com.pt/index.php/home/index/20