Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Moçambique - Ana Magaia considera que Feira do Livro da Beira marca diferença na valorização da literatura

As actividades desenvolvidas pela Associação Kulemba, em prol da literatura em Moçambique, marcam a grande diferença, em termos práticos, na valorização da literatura moçambicana. Essa posição foi defendida pela actriz Ana Magaia, depois do encerramento da quarta edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2024), que decorreu entre os dias 18 e 20 de Setembro.


Para Ana Magaia, a Kulemba está a fazer o que devia ter sido feito há muito tempo. A actriz acrescentou que a associação está a dar aulas a grandes gerações ao proporcionar eventos como a FLIB, que permitem discutir vários aspectos da literatura moçambicana.

Na FLIB 2024, Ana Magaia participou no sarau de encerramento do evento, no qual fez uma leitura encenada do conto “Rosita, até morrer”, da autoria Luís Bernardo Honwana, escritor homenageado na quarta edição da FLIB.

Em relação ao trabalho apresentado, a actriz sublinhou que encenar qualquer peça sobre a obra de Honwana é motivacional e inspirador, uma vez que faz recordar vários episódios da sua juventude nos diferentes palcos do país, pois ela estreou esta peça, pela primeira vez, nos anos 80.

Palestras, conversas, debates, sarau cultural e feira de livros foram as actividades programadas para a quarta edição, que decorreu no Instituto de Formação de Professores de Inhamízua, Livraria Fundza, Universidade Licungo, Centro Cultural Português na Beira e Casa do Artista. Nessas actividades, houve participação de diferentes públicos que celebraram a grande festa do livro.

No seu discurso de encerramento, Dany Wambire, presidente da Associação Kulemba, sublinhou que esta edição é uma continuação da celebração dos 60 anos de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso, uma vez que, ainda neste ano, houve, em Maputo, actividades iniciais, como o simpósio e a publicação do livro “O inventário da memória”, organizado por José dos Remédios.

Depois destes quatro dias de intensas actividades, Dany Wambire afirmou que Associação Kulemba conseguiu cumprir, com sucesso, os objectivos traçados para a festa de seis décadas da obra emblemática que marcou várias gerações em Moçambique e no estrangeiro. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Moçambique - Luís Bernardo Honwana diz que o livro é o único instrumento para desenvolver o país

O escritor de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso”, Luís Bernardo Honwana, defende que não existe nenhum outro instrumento, senão o livro, para que qualquer país se desenvolva em diversas áreas. Honwana falava durante uma palestra, na quinta-feira, na Livraria Fundza.


Luís Bernardo Honwana disse, durante o seu discurso na abertura oficial da 4ªedição da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, cujo lema é “Encontro entre Literatura, Direito e Religião”, que Moçambique faz parte das nações que devem abraçar o livro para encontrar a solução de vários problemas.

Acrescentou ainda que a pobreza no país só será mitigada através dos livros, pois é nos manuais onde se encontra a chave que pode abrir as portas para a solução dos males existentes, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança, tecnologia, entre outras.

O escritor vincou que este debate deve ser levado a sério, pelo que, o livro não pode ser visto, como acontece muitas vezes, como algo lúdico. Por isso, Honwana entende que já está na hora de se desenharem políticas sobre o livro.

O escritor fez comentários sobre a importância das línguas autóctones moçambicanas e disse ser vergonhoso observar a existência de pessoas que sentem o complexo de inferioridade quando se comunicam nas suas línguas de origem. Para ele, Moçambique deve orgulhar-se por ter vários idiomas.

Hoje, prosseguem as actividades do FLIB-2024. Por isso, às 18 horas, vai decorrer, no Centro Cultural Português na Beira, o debate sobre os temas: “Relação entre Literatura, Direito e Religião” e “Inventário da Memória”.

Luís Bernardo Honwana, conversou, na manhã da passada quarta-feira, na Universidade Licungo, Cidade da Beira, com docentes e estudantes de diferentes cursos.

No dia inaugural da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, a qual está a decorrer estre esta quinta-feira e amanhã, sábado, na cidade da Beira, Luís Bernardo Honwana referiu-se a vários temas que mexem com a actualidade e o passado do país. Nessa ocasião, falou da falta de valorização das línguas bantu em Moçambique, defendendo que há ainda uma grande discrepância entre o que se diz e o que se pratica.

Ainda assim, o autor afirma que, mesmo depois de 50 anos de independência, não se pode afirmar que a língua portuguesa ocupou um espaço privilegiado no país, uma vez que exclui muitos moçambicanos em diversas áreas das suas vidas. Citou, a título de exemplo, o processo da construção da paz e da democracia e, também, o processo de ensino e aprendizagem. No primeiro caso, o autor defende que só se envolvem ou sentem-se envolvidos os que têm domínio da língua portuguesa, colocando, desta maneira, os outros como meros assistentes.

No segundo caso, o Luís Bernardo Honwana defendeu que, apesar de estar em andamento o programa bilingue de ensino, em algumas regiões, dá-se privilégio ao português.

Para Luís Bernardo Honwana, as línguas bantu continuam a representar a identidade dos moçambicanos em diversos contextos.

No final, o escritor desafiou os estudantes a pensarem soluções para os problemas do país e a não serem somente assistentes. Com isso, disse que os trabalhos de conclusão de curso devem ser pensados com o objectivo de resolver os desafios que Moçambique enfrenta.

Nesta terça-feira, Luís Bernardo Honwana também teve um encontro com os estudantes do Instituto de Formação de Professores de Inhamízua, onde afirmou que qualquer país que queira ser grande deve apostar na formação de quadros com capacidade de ser e estar perante as várias adversidades.

A quarta edição da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024) subordina-se ao tema “Encontro entre Literatura, Direito e Religião” e tem como convidado especial o escritor Luís Bernardo Honwana. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Moçambique - Editora Marimbique lança edição fac-similada de “Nós matámos o cão tinhoso”

A editora Marimbique lança, segunda-feira, em Maputo, uma edição fac-similada da primeira edição de “Nós matamos o cão tinhoso”, de Luís Bernardo Honwana, em homenagem ao autor que celebrou, no dia 12 de Novembro, 80 anos de idade. O livro não terá circulação comercial, destina-se apenas a assinalar o jubiloso aniversário do escritor.

O livro de estreia de Luís Bernardo Honwana foi publicado originalmente em 1964. 58 anos depois, o livro constitui um dos marcos fundadores e fundamentais da moderna narrativa de ficção moçambicana. “Contos breves, à excepção do primeiro, que dá título ao conjunto das sete histórias, revelam um escritor prodigioso, com apenas 22 anos, e um poder de observação e uma capacidade narrativa exemplares”, lê-se na nota de imprensa da Marimbique, editora que lança a edição fac-similada, com ilustrações de Bertina Lopes.

Na mesma nota, a Marimbique lembra que Luís Bernardo Honwana começou a publicar histórias na página “Despertar” do matutino “Notícias”. Colaborou em diversos jornais (“Notícias”, “Voz de Moçambique”, “Tribuna”, “Diário de Moçambique” e “A Voz Africana”, na Beira), fez desenhos à pena, participou em exposições de artes plásticas, viu filmes e escreveu sobre o cinema, dedicou-se à fotografia, participou com jornalistas, poetas e pintores na efervescente vida cultural dos anos 60. Para além disso, praticou desporto e foi um activista político contra o regime colonial português. Por isso mesmo, conheceu, aos 22 anos de idade, a prisão pela PIDE. Esteve três anos e meio na cadeia, na mesma altura que José Craveirinha, Rui Nogar, Malangatana, entre outros importantes nacionalistas moçambicanos.

O livro  Nós Matámos o Cão Tinhoso” conheceu, ao longo dos anos, edições sucessivas em Moçambique, sobretudo no período pós-independência, bem como diversas traduções, entre as quais “We Killed Mangy Dog and Other Stories”, publicada pela Hinneman, na mítica “African Writers Series”, dirigida pelo escritor nigeriano Chinua Achebe e que incluiu obras de autores africanos emblemáticos como Ngugi Wa Thiong ´o, Sembene Ousmane, Naguib Mahfouz, Wole Soyinka ou Nadine Gordimer, os três últimos laureados com o Prémio Nobel da Literatura. O livro teve múltiplas edições em Portugal e no Brasil.

Luís Bernardo Honwana foi jornalista e nacionalista, combatente pela liberdade, após a Independência de Moçambique desempenhou o cargo de director do gabinete do Presidente da República, foi, sucessivamente,  Secretário de Estado e Ministro da Cultura, fundador da Associação dos Escritores e de outras agremiações como a dos Fotógrafos, estabeleceu e foi primeiro Presidente do Fundo Bibliográfico, membro do Conselho Consultivo da UNESCO, seu representante na África Austral, é, hoje, Director Executivo da Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND.

Em 2017, Luís Bernardo Honwana publicou, 53 anos depois de “Nós Matámos o Cão Tinhoso”, a obra de ensaios “A Velha Casa de Madeira e Zinco”. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Moçambique - 8ª edição da Feira do Livro de Maputo

A 8ª edição da Feira do Livro de Maputo, na comemoração dos 100 anos de José Craveirinha, celebra o autor do emblemático Nós Matámos o Cão-tinhoso como o Escritor Homenageado desta edição. Luís Bernardo Honwana lançou o seu livro de estreia há 58 anos


A Feira do Livro de Maputo arranca esta quinta e termina sábado.

A realizar-se na Praça da Independência e no Átrio Municipal, o evento irá homenagear o escritor Luís Bernardo Honwana, o autor do célebre Nós matamos o cão-tinhoso.

De acordo com uma nota de imprensa, a Feira do Livro de Maputo vai se materializar em diversas disciplinas artísticas. A música com o Coro Xiquitsi, teatro, oficinas de escrita e leitura, debates, concursos literários, palestras e outras atracções literárias

Citando na nota da feira, para Ungulani Ba Ka Khosa, homenagear Luís Bernardo Honwana, significa consolidar o papel fundacional do pai da modernidade da literatura moçambicana.

A Feira do Livro, graças a parceria com o Camões – Centro Cultural Português em Maputo e com Instituto Guimarães Rosa – Centro Cultural Brasil-Moçambique, traz a Maputo duas vozes da literatura portuguesa e brasileira respectivamente, nomeadamente, Lúcia Vicente, em residência literária, e Tatiana Pequeno, autora do livro Tocar o Terror que será lançado na Feira do Livro.

De Moçambique, pontificam nomes tais como: Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane, Marcelo Panguana, Sónia Sultuane, Aurélio Rocha, Jorge Ferrão, Licínio Azevedo, Jaime Munguambe, Hirondina Joshua e Matilde Chabana.

A Feira do Livro de Maputo, entre 20 e 22 de outubro, vai contar com a participação de vozes imprescindíveis da literatura lusófona e hispânica. A Feira vai contar este ano com a participação de escritores de 24 países, nomeadamente: Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Brasil, Portugal, Bolívia, Argentina, Espanha, Itália, Cuba, República Dominicana, Guiné-Equatorial, Honduras, Rússia, Finlândia, Inglaterra, Colômbia, Venezuela, El Salvador, Chile, Mali, Uruguai.

O evento, que contará com 12 mesas de autores e debates, vai contar com um espaço dedicado aos escritores e editoras, na Praça da Independência, decorrendo em simultâneo com actividades lúdicas e criativas para o publico infanto-juvenil, lançamentos de livros, oficinas de leitura, sessões de autógrafos e conversas entre escritores e leitores. In “O País” - Moçambique


domingo, 21 de agosto de 2022

Moçambique - Feira do Livro de Maputo 2022 celebra a literatura e homenageia Luís Bernardo Honwana

De 20 a 22 de Outubro de 2022, será realizada a VIII edição da Feira do Livro de Maputo, na cidade de Maputo, em formato híbrido (presencial e virtual).

Organizada pelo Conselho Municipal de Maputo, a Feira do Livro de Maputo tem como objectivo celebrar a literatura moçambicana e internacional e, neste ano, vai homenagear o escritor moçambicano, Luís Bernardo Honwana, autor da obra “Nós Matamos o Cão Tinhoso”.


Luís Bernardo Honwana nasceu em 1942, na cidade de Lourenço Marques, atual Maputo, capital de Moçambique, e cresceu em Moamba, cidade do interior, onde seu pai trabalhava como intérprete.

1964 foi o ano da primeira publicação de Nós matamos o Cão Tinhoso!. No mesmo ano, Honwana, militante da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), foi preso pelas suas atividades anticolonialismo, e permaneceu encarcerado por três anos.

Em 1970, foi para Portugal estudar Direito na Universidade Clássica de Lisboa.

Após a Independência de Moçambique, em 1975, foi nomeado Diretor de Gabinete do Presidente Samora Machel, e participou ativamente da vida política do país.

Em 1982, tornou-se Secretário de Estado da Cultura de Moçambique e, em 1986, foi nomeado Ministro da Cultura de Moçambique.

Em 1987, foi eleito membro do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Em 1991, fundou e foi o primeiro Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

Em 1994, foi convidado para entrar para o Secretariado da UNESCO e foi nomeado Diretor do escritório regional da organização, com base na África do Sul.

Honwana é membro fundador da Organização Nacional dos Jornalistas de Moçambique, da Associação Moçambicana de Fotografia e da Associação dos Escritores Moçambicanos. Atualmente, é o diretor executivo da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND). In “Moz Entretenimento” – Moçambique com “Kapulana”


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Moçambique - “Nós matámos o Cão tinhoso” comemora bodas de ouro

Em reconhecimento à sua importância no contexto da literatura e cultura moçambicanas, foi lançada, na passada segunda-feira 01 de Setembro de 2014, em Maputo, a versão da primeira edição do livro “Nós Matámos o Cão Tinhoso” da autoria do escritor Luís Bernardo Honwana, por ocasião das comemorações dos 50 anos desta obra literária.

Publicada em Março de 1964, a obra representa um marco na dinâmica da literatura moçambicana, cuja relevância e estética são testemunhadas pelo resgate e elevação ao estatuto de principal fonte dos textos de ficção narrativa que povoam os manuais escolares dos primeiros anos após a Independência nacional.

A reedição do “Nós Matámos o Cão Tinhoso” resulta das actividades de investigação e extensão da Universidade Eduardo Mondlane, em parceria com a AEMO-Associação dos Escritores Moçambicanos e a editora Alcance Editores, com o apoio institucional da maior operadora de telefonia móvel do País, a mcel.

Intervindo na cerimónia de lançamento da nova versão da obra, Felícia Nhama, disse, em representação da mcel, que “a operadora é uma empresa cem por cento moçambicana, daí que a nossa aposta no apoio à cultura, particularmente à literatura, constitui um desafio muito grande para a promoção e elevação da identidade nacional”.

“Este lançamento, ocorre numa ocasião inestimável, que é a comemoração dos 50 anos desta obra, que marcou a revolução e o desenvolvimento da literatura moçambicana e reiteramos, por isso, mais uma vez, os nossos agradecimentos pela honra de estarmos presentes neste momento de grandes memórias da literatura e história do nosso Moçambique”, frisou Felícia Nhama.



Por sua vez, o secretário-geral da AEMO, Ungulani Ba Ka Khosa (pseudónimo de Francisco Esaú Cossa), considerou que o livro “Nós Matámos o Cão Tinhoso” constitui obra maior da nossa literatura, razão pela qual “não pode ser abandonado em qualquer apeadeiro desta ferrovia literária. Ele tem que ocupar a carruagem da primeira classe junto às grandes obras do nosso universo literário”.

“Que o nosso Ministério da Educação assuma duma vez por todas, que, no edifício do nosso saber, “Nós Matámos o Cão Tinhoso” tem a sua cadeira por direito próprio. Não é um favor que prestamos ao autor, é um tributo que prestamos à nossa cultura”, frisou.

Usando igualmente da palavra, o autor da obra, Luís Bernardo Honwana, realçou que o livro é ainda hoje celebrado, porque continua a interessar mesmo àqueles para quem os grandes resultados da saga do 25 de Setembro são, nas suas vidas, um dado adquirido.

O escritor reconheceu que a longevidade deste livro é feita, sem dúvida, pelo interesse do público que justifica sucessivas edições e traduções, mas sobretudo pelo favor da crítica.

“Efectivamente, é grande e variada a produção ensaística que este livro tem suscitado ao longo desde 50 anos. Muitos dos textos estão marcados pelas polémicas que o aparecimento do livro levantou no ambiente peculiar de um país colonizado que éramos então, mas desde cedo a crítica mais esclarecida identificou nesta pequena colecção de contos, aquilo que certamente a faz transcender o tempo, o lugar e o quadro histórico em que foi produzida”, finalizou.in “Olá Moçambique” - Moçambique