Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Internacional - Fungos únicos no planeta estão a desaparecer. Estudo liderado pela Universidade de Coimbra alerta para perdas irreversíveis

Apesar de serem vitais para os ecossistemas, os fungos continuam largamente esquecidos na conservação global


Um estudo internacional liderado pelo Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) alerta que há espécies de fungos únicas no planeta, sem parentes próximos na árvore da vida, que podem desaparecer para sempre.

A investigação, desenvolvida em colaboração com o Comité para a Conservação dos Fungos da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), identificou espécies evolutivamente distintas e globalmente ameaçadas. Estas espécies representam linhagens isoladas, com histórias evolutivas únicas acumuladas ao longo de milhões de anos, o que significa que a sua extinção não seria apenas mais uma perda de biodiversidade, mas sim o desaparecimento de ramos inteiros da história da vida na Terra.

Publicado na revista científica Conservation Letters, o estudo analisou 94 espécies de fungos pertencentes a géneros monotípicos, grupos que incluem apenas uma única espécie conhecida. Os resultados revelam um cenário preocupante: nove espécies já se encontram ameaçadas ou próximas disso, enquanto a maioria, 56, não dispõe de informação suficiente para avaliar o seu estado de conservação. Apenas 28 foram classificadas como de baixo risco. Para os investigadores, este desconhecimento é, por si só, um dos maiores sinais de alerta.

“A deficiência de dados reflete graves lacunas no conhecimento sobre estes organismos. Em muitos casos, as espécies são conhecidas apenas pela sua descrição original, feita há mais de uma década, sem qualquer registo desde então”, explica Susana Cunha, líder do estudo e aluna do Doutoramento em Biociências da FCTUC e do Jardim Botânico Real de Kew no Reino Unido.

“Isto significa que podemos estar a perder espécies únicas sem sequer termos consciência disso.”

Apesar do seu papel fundamental para a vida na Terra, nomeadamente na decomposição de matéria orgânica e na regulação dos ciclos de nutrientes, os fungos continuam largamente ausentes das prioridades globais de conservação. Ao contrário do que acontece com animais e plantas, ainda não existe uma lista que identifique as espécies de fungos mais distintas evolutivamente e ameaçadas, uma lacuna que os investigadores consideram urgente colmatar.

O estudo sublinha que a falta de dados resulta de anos de subinvestimento na investigação micológica. Sem informação básica sobre distribuição, ecologia e diversidade, torna-se difícil integrar os fungos nas políticas de conservação e garantir a sua proteção efetiva.

Para inverter esta tendência, os autores defendem um reforço do investimento em investigação de base, incluindo inventariações de campo e o uso de ferramentas inovadoras como o DNA ambiental, que pode ajudar a revelar a presença de espécies difíceis de detetar. Ao mesmo tempo, destacam o potencial da ciência cidadã como forma de acelerar o conhecimento, envolvendo comunidades locais na recolha de dados sobre a diversidade fúngica.

“Espécies com poucos registos ou registos antigos são candidatas ideais para projetos participativos”, sublinha Susana Gonçalves, coautora do estudo. “O envolvimento dos cidadãos pode ser decisivo para colmatar lacunas de informação e apoiar a conservação.”

Os investigadores recomendam, ainda, que estas espécies únicas sejam alvo de análises moleculares para confirmar a sua posição isolada na árvore da vida e, sempre que se confirme o seu carácter singular, que passem a ser prioridade na conservação. Sem uma ação concertada, alertam, o mundo arrisca-se a perder uma parte insubstituível do seu património natural, muitas vezes antes mesmo de a conhecer. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Portugal - Investigador da Universidade de Coimbra integra equipa de avaliação da Lista Vermelha das Abelhas Europeias da União Internacional para a Conservação da Natureza

O investigador Hugo Gaspar, do Centre for Functional Ecology: Science for People & Planet da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), é um dos autores da segunda avaliação da Lista Vermelha das Abelhas Europeias, conduzida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).


O especialista em taxonomia, ecologia e conservação de abelhas selvagens em Portugal contribuiu para esta avaliação, que revela um aumento significativo do conhecimento sobre estas espécies, mas evidencia também um agravamento preocupante do seu estado de conservação na Europa.

Segundo o novo relatório da IUCN, 10% das abelhas selvagens europeias (171 em 1928 espécies avaliadas) estão ameaçadas de extinção, mais do dobro das 77 espécies ameaçadas registadas em 2014, quando foi feita a primeira avaliação. Um dos principais objetivos alcançados nesta segunda edição foi reduzir o número de espécies com estatuto de “Dados Insuficientes” (Data Deficient), que passou de 57%, em 2014, para apenas 14%, em 2025, tornando esta a avaliação na mais abrangente alguma vez realizada sobre o estado de conservação das abelhas selvagens europeias.

Entre os grupos de espécies mais afetadas encontram-se, por exemplo, os abelhões (género Bombus) e as abelhas do género Colletes e Dasypoda. Estas espécies, juntamente com as restantes avaliadas, são essenciais para a polinização de plantas silvestres e de culturas agrícolas, desempenhando um papel vital na sustentação dos ecossistemas terrestres e na agricultura.

Das 171 espécies que estão ameaçadas de extinção na Europa, 67 ocorrem em Portugal, o que corresponde a 9% da fauna nacional (747 espécies). Das 25 espécies no nível mais alto de ameaça (“Criticamente em Perigo”) na Europa, apenas uma ocorre em Portugal – o Epéolo-de-faixas (Epeolus fasciatus Friese, 1895) – uma espécie de abelha cuco que parasita abelhas do género Colletes.

«Este documento é mais uma prova do aumento do conhecimento, ainda que limitado, resultante do investimento que tem sido feito no estudo das abelhas na Europa nos últimos anos», explica Hugo Gaspar, investigador do Departamento de Ciências da FCTUC.

«É importante compreender que o nível de ameaça depende do contexto geográfico e neste documento é recomendada a criação de listas vermelhas nacionais específicas de abelhas selvagens, ainda inexistente em Portugal», afirma, acrescentando que «uma espécie pode não estar ameaçada à escala europeia e estar ameaçada à escala nacional, ou vice-versa – isso tem implicações na conservação nacional das abelhas».

Na FCTUC e no FLOWer Lab têm sido desenvolvidos esforços contínuos para a conservação das abelhas selvagens e de outros polinizadores, através de vários projetos de investigação e ação. Entre eles, destaca-se, naturalmente, o doutoramento de Hugo Gaspar, que visa ampliar o conhecimento da distribuição e identificação das abelhas selvagens em Portugal; o projeto nacional PolinizAÇÃO, responsável pelo Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores em Portugal; o projeto ARCADE para o melhoramento das coleções de referência nacionais; e mais recentemente, o projeto europeu BeeConnected SUDOE, dedicado ao restauro ecológico de habitats e à conservação de polinizadores selvagens.

A Lista Vermelha das Abelhas, publicada recentemente, destaca ainda as principais ameaças à conservação das abelhas: 1) a intensificação agrícola, 2) as alterações climáticas, 3) a perda e fragmentação dos habitats, 4) as espécies invasoras e 5) a poluição. Também são apresentadas as prioridades para a conservação: 1) proteger e restaurar habitats, 2) promover práticas agrícolas favoráveis a polinizadores, 3) expandir a monitorização e investigação, 4) fortalecer a rede de especialistas e 5) integrar a conservação de abelhas nas políticas existentes. Universidade de Coimbra - Portugal  


quinta-feira, 12 de junho de 2025

Investigadora da Universidade de Coimbra colabora em livro que destaca a urgência da conservação da flora única de São Tomé e Príncipe

Maria do Céu Madureira, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), colaborou no “Livro Vermelho das Espécies Endémicas de São Tomé e Príncipe”, resultado do projeto “Characterization of the threatened flora of São Tomé & Príncipe - Projecto Flora Ameaçada”, financiado pelo Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF).


Esta obra pioneira fornece a primeira visão geral do estado de conservação de 106 espécies de plantas (sub)endémicas, avaliadas de acordo com os critérios da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

«O livro mostra que duas espécies estão já extintas, enquanto doze se encontram criticamente em perigo, 53 em perigo, e 25 consideradas vulneráveis. A publicação evidencia a urgência da ação conservacionista, numa altura em que a biodiversidade das ilhas enfrenta ameaças crescentes, como a expansão agrícola, desflorestação e espécies invasoras», revela Maria do Céu Madureira.

De acordo com a especialista da FCTUC, a redescoberta de espécies raras como Balthasaria mannii e Psychotria exellii, não vistas há mais de meio século, bem como a identificação de pelo menos 17 espécies novas para a ciência – incluindo uma nova espécie dominante de Cleistanthus nas florestas secas do norte de São Tomé –, estão entre as descobertas mais marcantes.

O livro, ilustrado com gráficos e mapas de distribuição, destaca também os ecossistemas do arquipélago, apresenta as metodologias utilizadas e propõe diretrizes para a conservação. Identifica 21 áreas de elevada importância para a preservação da flora, muitas das quais fora da atual rede de Áreas Chave da Biodiversidade (KBA’s). Além disso, foram realizadas ações de conservação ex situ, com a plantação de espécimes ameaçados em viveiros locais, no Jardim Botânico de Bom Sucesso e em áreas florestais degradadas.

«Esta publicação sublinha a importância de reforçar o conhecimento científico local e a formação de técnicos e botânicos são-tomenses, reconhecendo a flora endémica como um património natural de valor incalculável para a resiliência dos ecossistemas face às alterações climáticas», conclui Maria do Céu Madureira.

O “Livro Vermelho das Espécies Endémicas de São Tomé e Príncipe” representa uma ferramenta científica vital para orientar decisões políticas, educativas e de conservação, sendo dirigido a autoridades governamentais, comunidades locais, setor privado e profissionais da conservação.

A obra pode ser descarregada de forma gratuita aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 4 de janeiro de 2025

Camarões - Biólogo luta para salvar peixes-boi africanos

Desde as suas primeiras observações no lago Ossa, em Camarões, o doutor em biologia marinha Aristide Takoukam Kamla luta para proteger os peixes-boi da África, uma espécie desconhecida e ameaçada, presente nas águas doces da costa oeste do continente



Para poder observar estes discretos mamíferos marinhos, é preciso esperar o amanhecer, quando a superfície do lago está plana como um espelho, seguir o rastro de bolhas e aguardar o animal subir para respirar.

Há mais de 10 anos, quando era estudante e investigador na Universidade de Dschang, em Camarões, Takoukam teve que remar por um longo tempo antes de conseguir ver estes habitantes das profundezas do lago.

“Esperava vê-los como no YouTube: em águas claras, saltando como golfinhos… uma ideia totalmente surrealista” vinda dos vídeos de peixes-boi da Flórida, muito diferentes dos africanos, explica o doutor em biologia de 39 anos com um sorriso no rosto.

Foi graças aos pescadores locais que ele aprendeu a avistar esses mamíferos, também conhecidos como vacas marinhas, nos 4500 hectares de águas sombreadas do Lago Ossa, localizado num parque natural no sudoeste de Camarões.

Agora, o peixe-boi africano é “seu animal favorito” e o tema do seu doutoramento na Universidade da Flórida, que em 2024 lhe rendeu o Prémio Whitley, a mais alta distinção no campo da conservação da biodiversidade.

Mistérios

Ao retornar de uma expedição com Takoukam, a investigadora americana Sarah Farinelli foi às lágrimas ao avistar cinco espécimes, incluindo uma fêmea acompanhada do seu filhote.

“É muito! Há alguns lugares na África onde é impossível vê-los”, explica a cientista que estuda estes animais na Nigéria.

Essa indefinição envolve estes animais em mistério: quantos Trichechus senegalensis existem nos Camarões, qual é a expectativa de vida deles, quando e para onde eles migram?

Eles habitam a costa oeste da África, entre a Mauritânia e Angola, mas “é uma espécie muito pouco estudada, em torno da qual ainda há muitos mistérios”, diz Takoukam.

Considerado “vulnerável”, este grande herbívoro marinho está na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Takoukam Kamla, fundador de uma organização de proteção de mamíferos marinhos na África (AMMCO), acredita que essa classificação da IUCN subestima “o status real desta espécie, que é alvo de caça ilegal” e cujo habitat está “constantemente ameaçado”.

No Lago Ossa, o único predador do peixe-boi é o homem. Há alguns anos, o peixe-boi ao molho era um prato comum em Dizangué, a cidade que reúne as vilas de pescadores nas margens do lago.

Agora a sua pesca é proibida, o prato desapareceu dos cardápios e uma estátua de gesso azul celebra a existência do animal. No entanto, as ameaças persistem.

Navegando por um rio local, Aristide aponta para uma refinaria artesanal de óleo de palma que despeja resíduos diretamente na água e polui o lago.

Pouco depois, ele discute indignado com um pescador que estendeu uma rede que poderia pegar um pequeno peixe-boi.

“Somos moradores locais, vivemos disso e nunca tivemos que suportar proibições em nossa casa”, protesta o pescador idoso sentado numa canoa. “Se quiserem nos impor proibições, terão que nos pagar todo mês”, insiste ele.

Unidos contra uma planta invasora

A relação entre cientistas e comunidades locais com práticas ancestrais de pesca não é fácil. No entanto, uma catástrofe em 2021 aproximou os dois mundos.

Uma planta invasora, a salvínia gigante, foi descoberta no meio do lago e o tornou inabitável tanto para os peixes quanto para os peixes-boi.

Os cientistas iniciaram uma “batalha biológica” usando gorgulhos “cyrtogabous salviniae”, um inseto microscópico que se alimenta apenas de salvínia, e pediram ajuda aos pescadores.

“Eles pegavam a salvínia infestada de gorgulhos e a espalhavam pelo lago”, lembra Thierry Aviti, pesquisador da AMMCO, a organização fundada por  Takoukam.

Depois de três anos, a planta praticamente desapareceu. “Chegou um momento em que não aguentávamos mais, mas eles mantiveram as suas promessas”, diz Thierry Bossambo, um pescador de Dizangué, ainda traumatizado pelos longos períodos sem pesca.

Aristide baseia-se nessa “relação de confiança” com os pescadores para evitar uma “ciência de paraquedas”, desvinculada das realidades locais.

Ele também quer desenvolver um circuito de ecoturismo para deter os caçadores ilegais. Para Gilbert Oum Ndjocka, guarda-florestal do parque nacional Douala-Edea, essa é uma “prioridade” para que “todas as partes interessadas sejam aliadas na conservação”. In “Plataforma” - Macau


quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Internacional - Biólogos marinhos pedem que as pessoas não desistam da Grande Barreira de Coral após relatório da UNESCO

Biólogos marinhos pediram ao mundo que não desista da Grande Barreira de Coral da Austrália


O apelo vem dias depois de um relatório conjunto do Centro do Património Mundial da UNESCO e da União Internacional para a Conservação da Natureza recomendar que o recife “seja inscrito na Lista do Património Mundial em Perigo”.

Estendendo-se por 2253 quilômetros ao longo da costa nordeste da Austrália, a selva subaquática é uma das grandes maravilhas do mundo natural.

Mas este ecossistema está ameaçado pelo branqueamento de corais e espécies invasoras.

O relatório da UNESCO é bem-vindo, diz Katie Chartrand, bióloga marinha da James Cook University. Mas ela está preocupada que isso possa prejudicar o investimento em projetos para salvar o recife.

"É bem-vindo de várias maneiras porque é o que todos nós sabemos", diz ela.

"[No entanto] também não queremos perder a ajuda de que precisamos da comunidade global."

Eles querem mostrar que o recife ainda está vibrante, muito vivo e indo bem, acrescenta Chartrand.

“Mas é difícil, eu acho, chegar a um acordo com a complexidade e a história do que é o recife e qual será a sua trajetória”.

O que diz o relatório da UNESCO sobre a Grande Barreira de Corais?

Funcionários da agência cultural da ONU e da União Internacional para a Conservação da Natureza divulgaram um relatório na segunda-feira alertando que, sem uma ação climática “ambiciosa, rápida e sustentada”, o maior recife de coral do mundo está em perigo.

O relatório da IUCN recomenda que o governo federal da Austrália e as autoridades estaduais de Queensland adotem metas de redução de emissões mais ambiciosas. Diz que eles devem estar alinhados com os esforços internacionais para limitar o aquecimento futuro a 1,5 graus Celsius.

O texto critica os esforços recentes para impedir o branqueamento em massa e evitar que a poluição contamine as águas naturais do recife, dizendo que eles não foram rápidos nem eficazes o suficiente.

Emissões desenfreadas levam ao aumento da acidez da água, que pode ser tóxica.

Mais dinheiro precisa ser encontrado para aumentar a qualidade da água e impedir o declínio do local, conclui o relatório.

Mas as autoridades ambientais da Austrália anunciaram que farão lobby contra a inclusão da Grande Barreira de Corais na lista de patrimónios da humanidade da UNESCO.

Eles argumentam que as críticas à inação sobre a alteração climática estão desatualizadas. O atual governo foi eleito em maio deste ano, destituindo os conservadores que estavam no poder desde 2013.

A designação “em perigo” é uma coisa boa ou má?

Segundo Chartrand, o reconhecimento do risco é bem-vindo porque a luta do recife está sendo destacada internacionalmente.

Por outro lado, poderia ameaçar o financiamento para salvar o recife.

“O facto de que isso pode prejudicar a percepção do estado do recife, acho que é uma grande preocupação para muitos”, diz ela.

Chartrand acrescenta que os esforços de base para incentivar as comunidades a apoiar as iniciativas climáticas e pressionar o governo a agir são muito mais fáceis se “as pessoas sentirem que há algo pelo que lutar”.

“Se as pessoas estão a assumir que o recife está morto ou ameaçado porque já está à beira, acho que será um desafio maior para obtermos o apoio de que precisamos para garantir que tenhamos um recife no futuro”, afirmou.

O feedback das autoridades australianas, tanto em nível federal quanto estadual, também será analisado antes que a UNESCO faça qualquer proposta oficial ao comité do Património Mundial. Euronews.green


 

domingo, 26 de dezembro de 2021

Brasil - Saguim-bicolor, o macaco de pelugem branca e orelhas arrebitadas


De pelugem branca e castanha, com uma longa cauda e umas orelhas arrebitadas – assim é o Saguim-bicolor, uma espécie de macaco nativa e restrita do Estado de Amazonas, no Brasil.

De acordo com o Jardim Zoológico de Lisboa, o primata mede entre 21 a 28 centímetros de comprimento, e pode pesar entre 480 e 600 quilogramas. A sua dieta é omnívora, e alimenta-se maioritariamente de frutos.

Vive em grupos de 2 a 13 indivíduos, segundo a National Geographic, e pode viver até 20 anos em cativeiro – longevidade que se altera no meio natural, em que se estima que viva em média 10 anos.

O Saguinus bicolor encontra-se categorizado como “criticamente em perigo” na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Faz também parte do Apêndice I da CITES – Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção.

A desflorestação e fragmentação do seu habitat, o desenvolvimento urbano e a expansão da agricultura são as suas principais ameaças, o que segundo a IUCN, vai resultar na perda de pelo menos 80% da distribuição da espécie nos próximos 18 anos. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Camarões - Peixe-boi em risco de vida devido a planta invasora no lago Ossa


O peixe-boi africano (Trichechus senegalensis) é uma espécie que se encontra em estado vulnerável, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), existindo apenas 10 mil indivíduos da espécie em todo o continente africano.

A população que vive no lago Ossa, situado na República dos Camarões, encontra-se em perigo de vida devido a uma planta invasora, revela o Euronews. A espécie Salvinia molesta apareceu em 2016 e está a provocar o asfixiamento do lago, ocupando de momento um quarto da superfície.

A sua presença impede que o peixe-boi possa vir respirar ao cimo da água e, ao mesmo tempo, está a prejudicar a pesca local, que é o sustento da população.

Como não é possível livrarem-se da planta apenas retirando-a da água, a ONG African Marine Mammal Conservation Organization (AMMCO) encontrou agora uma solução natural, um inseto que se alimenta da salvínia. “Vai levar algum tempo” mas “é muito mais eficaz”, afirma Aristide Takoukam Kamla, diretor da ONG, citado pelo canal televisivo. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Internacional - Manta-oceânica torna-se a primeira raia a ser listada como espécie ameaçada de extinção

 


O estado de conservação da manta gigante (ou oceânica) (Mobula birostris) foi elevado à categoria de Ameaçadas de Extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Uma lista de espécies ameaçadas de extinção é reservada para espécies com graves preocupações de conservação. O anúncio serve para confirmar o que há muito se suspeitava – este gigante marinho não está a conseguir sobreviver à mudança no seu habitat e à intensificação da atividade humana nos oceanos.

A manta-oceânica junta-se agora a mais de 16.000 espécies ameaçadas de extinção para serem avaliadas com este nível de grave ameaça. Nesta fase, 30% dos tubarões e raias estão em perigo de extinção.

O anúncio marca o fim de duas décadas devastadoras para esta espécie. Visando as suas placas de guelras – que utilizam para filtrar a alimentação do pequeno zooplâncton da água – a procura e a pescaria tem sido crescente. O relativamente novo comércio baseado na Ásia parece estar a impactar a manta-oceânica mais do que outras espécies de raia, com a colheita insustentável a dizimar as suas populações em todo o mundo.

A Dra. Andrea Marshall, que foi a autora principal desta avaliação mais recente para a IUCN, está envolvida nas suas avaliações desde 2003. “A manta-oceânica é um exemplo clássico de uma espécie que está a sucumbir rapidamente às pressões induzidas pelo homem. Quando avaliamos as rais pela primeira vez em 2003, simplesmente não havia informações suficientes sobre as espécies para determinar o seu status de conservação e foram listadas como ‘Dados deficientes’, mas em cada uma das avaliações subsequentes, o seu status de conservação aumentou constantemente de Quase Ameaçado, para vulnerável e agora para ameaçado. O seu status atual é o resultado direto da pressão insustentável da pesca, que ameaça agora desestabilizar as suas populações em todo o mundo. ”

Para conter o crescente comércio de partes dos seus corpos para a Ásia e encorajar estratégias de conservação mais abrangentes para as suas populações ao redor do mundo, a manta-oceância foi listada em dois dos mais importantes tratados de conservação global, a Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) em 2011 e a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES) em 2013.

Infelizmente, os números continuaram a diminuir. “Estas raias simplesmente não conseguem suportar tais pressões sobre as suas populações”, explica o Dr. Marshall em comunicado. “Elas têm uma estratégia reprodutiva extremamente conservadora. Atingem a maturidade sexual relativamente tarde na vida, dão à luz uma única prole a cada poucos anos na natureza, não cuidam ou defendem os seus filhotes e os próprios descendentes são vulneráveis ​​quando são pequenos e podem não sobreviver. Em outras palavras, como espécie, simplesmente não conseguem reproduzir-se rápido o suficiente para aumentar os seus números”.

Esta espécie icónica não é apenas extremamente importante do ponto de vista ecológico, as mantas gigantes fornecem ainda vastos benefícios económicos para as indústrias de turismo em todo o mundo. “As interações com estas raias são muito procuradas por turistas de mergulho e snorkel em todo o mundo e contribuem com milhões de dólares para a economia do turismo a cada ano, especialmente nos países em desenvolvimento. Neste momento crucial, reconhecer o seu valor económico pode ajudar a encorajar a proteção desta espécie enigmática e agora ameaçada de extinção”, explicou a Dra. Stephanie Venables, Cientista Sénior e especialista em raias do MMF. In “Green Savers Sapo” - Portugal


sábado, 12 de dezembro de 2020

Austrália - Ornitorrinco: O adorável animal que parece um desenho animado


Com uma cauda semelhante à de um castor e um bico achatado como o dos patos, esta espécie não passa despercebida.

O Ornitorrinco, de nome científico Ornithorhynchus anatinus, é um mamífero semiaquático originário da Austrália e da Ilha da Tasmânia. É o único animal vivo da família Ornithorhynchidae e a sua população está a decrescer, encontrando-se na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) como uma espécie quase ameaçada.

O Ornitorrinco tem uma aparência muito peculiar, com uma cauda semelhante à de um castor, um bico achatado igual ao dos patos, e membranas interdigitais com cinco garras. A espécie mede entre 40 e 50 centímetros, tem uma cor acastanhada, e vive em ambientes aquáticos como rios e lagoas, onde se alimenta de crustáceos e insetos.

Sendo um animal ovíparo, a fêmea põe entre 1 a 3 ovos, e tem uma esperança média de vida de 12 anos ou de 17 anos em cativeiro, segundo a IUCN. Contudo, enfrenta atualmente ameaças à sua sobrevivência devido à expansão urbana e às alterações climáticas, tal como tantos outros animais.

A espécie é também mundialmente conhecida devido à personagem Perry da série Phineas e Ferb, do Disney Channel. In “Green Savers Sapo” - Portugal




 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Internacional - Feneco, o pequeno e peculiar animal orelhudo



A Raposa-do-deserto, também conhecida como Feneco, é um pequeno animal da família Canidae que habita no deserto do Norte de África.

De nome científico Vulpes zerda, mede entre 20 a 41 centímetros e pesa de 1 a 1,5 quilogramas, denominando-se a raposa mais pequena do mundo. Como raposa que é, a sua cauda é grande e peluda, podendo chegar aos 31 centímetros. Mas o que a distingue de todas as outras da sua ordem, são as grandes orelhas que possui.

As orelhas do Feneco medem em média 15 centímetros, e são muito importantes para a sua sobrevivência. Com elas, conseguem irradiar o calor corporal e também caçar as presas com maior facilidade, detetando pequenos roedores, répteis e insetos à distância.

São animais noturnos e como tal, durante o dia, costumam estar na toca, conseguindo aguentar muito tempo sem beber água. O seu pêlo ajuda a suportar as altas temperaturas diárias e as mais baixas durante a noite.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a população está estável e pouco ameaçada. In “Green Savers Sapo” - Portugal 



sábado, 7 de novembro de 2020

Índia – Fotografado raro tigre negro

 


Mais de 70% da população mundial de tigres habita nas florestas da Índia. Segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), esta espécie encontra-se em perigo de extinção, com a população a decrescer cada vez mais.

Foi recentemente relatado pelo Daily Mail um avistamento de um tigre negro no Nnandankanan Wildlife Sanctuary, em Odisha, na Índia. O momento foi fotografado por Soumen Bajpayee, um estudante que visitava o Santuário.

Enquanto observava vários pássaros e macacos nas árvores, vi de repente algo que parecia um tigre, mas não um tigre comum”, “naquela altura eu não fazia ideia sobre os tigres melanísticos”, explica Soumen à NDTV Índia.

Segundo o canal televisivo, os primeiros tigres negros avistados em Odisha foram em 1993 e em 2007, na Similipal Tiger Reserve. Este é o espaço onde é mais comum avistá-los calculando-se a presença de 6 a 7 indivíduos. Segundo o relatório anual de 2015-2016 da Reserva, existiam em 2016 no total 26 tigres.

Não existe distinção entre o tigre comum e o tigre negro porque ambos pertencem à mesma espécie, apesar do tigre negro ter uma coloração diferente no pêlo que faz com que as suas riscas pretas sejam mais densas (genética). In “Green Savers Sapo” - Portugal

sábado, 19 de setembro de 2020

Papua-Nova Guiné – Casuar do Norte uma ave de aparência única

 



O Casuar do Norte (casuarius Unappendiculatus) é uma ave endémica da Papua-Nova Guiné, com uma aparência única.

Com umas grandes patas e uma fascinante penugem preta, tem a cabeça de cor azul, o pescoço em tons de laranja e vermelho, e no topo da nuca, possui uma espécie de “chapéu” de cor esverdeada. De acordo com o Animal Diversity Web ( ADW), ainda não se tem conhecimento do seu propósito, mas é uma característica que o distingue de todas as outras aves.

O animal mede cerca de 1 metro e meio, e pesa entre 25 a 50 quilogramas. A sua esperança média de vida em ambiente selvagem é de 40 anos. Habita na Papua-Nova Guiné, e pode ser encontrado com maior frequência na ilha Yapen.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) a sua população está a diminuir, mas mantém-se entre os 10 mil e os 19 mil indivíduos. As suas maiores ameaças são, como de muitos dos animais da região, a caça e a desflorestação.

O ADW explica que estes animais são importantes para a regeneração da floresta, dado que, ao serem frugívoros, acabam por dispersar sementes no solo através da defecação. In “Green Savers Sapo” - Portugal

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Guiné Equatorial - Gorila da planície, uma espécie ameaçada, reaparece no Parque Nacional Monte Álen

As imagens de gorilas selvagens das planícies ocidentais foram capturadas por câmaras de armadilha nas selvas da Guiné Equatorial continental, marcando a primeira vez que os gorilas da região foram capturados num filme em mais de uma década.



As câmaras de armadilha implantadas por protectores com o apoio da  Sociedade Zoológica de Bristol (BZS)  e da  Universidade do Oeste da Inglaterra (UWE) também em Bristol, tiraram as fotos no Parque Nacional Monte Álen, localizado no centro de Rio Muni, região continental da Guiné Equatorial.

As comunidades locais relataram terem avistado gorilas na região, mas os protectores não tinham visto os animais por si mesmos até agora.

As fotografias foram tiradas no Parque Nacional Monte Alén e são significativas porque confirmam a existência continuada de gorilas, apesar da forte pressão de caça.



O gorila da planície ocidental é uma das duas subespécies reconhecidas do gorila ocidental, a outra subespécie é o gorila do rio cruzado (gorila diehli). A população de gorilas das planícies ocidentais no Parque Nacional Monte Alén é considerada de particular importância para a sobrevivência das espécies, classificadas como ameaçadas de extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Os gorilas das planícies ocidentais podem ser encontrados em quase todas as áreas protegidas e em muitas concessões madeireiras em toda a sua extensão, incluindo também Angola, Camarões, República Centro-Africana, Gabão e República do Congo.

Segundo a IUCN, o número de gorilas ocidentais das planícies diminuiu quase 20% entre 2005 e 2013. Estima-se que havia pouco mais de 360 mil indivíduos a partir de 2013, mas o seu número continuou a diminuir, atingindo uma estimativa 316 mil indivíduos até ao final de 2018. O número de gorilas presentes hoje é desconhecido devido ao facto de que eles vivem em algumas das florestas tropicais mais densas e remotas da África. In “Guinea Informarket” – Guiné Equatorial

domingo, 5 de maio de 2019

Cabo Verde – Identificada na ilha do Fogo ave Diablotin com origem nas Caraíbas



São Filipe – Um Diablotin, uma espécie de ave marinha que reproduz no Caribe, foi identificado e fotografado pela equipa do Projecto Vito durante uma sessão de “Chumming”, realizado no mar entre a ilha do Fogo e o Ilhéu de Cima.

Chumming é uma actividade que consiste em triturar peixe fresco, congelar e colocar depois o bloco de peixe no meio do mar para atrair aves marinhas, de modo a permitir a visualização das aves que estão perto desta área, conhecer e estudar a sua população e em que épocas passam as aves que não existem pelo país.

O Petrel preto-tampado diablotin (em português), segundo o especialista e professor de Zoologia da Universidade de Barcelona, Jacob Salvatore Gonzalez, é a primeira vez que foi identificado na região de Sotavento, observando que esta espécie já tinha sido avistada em 2017 no mar perto da ilha de São Nicolau e na ilha de Santo Antão (terra) em 2016 e 2018, suspeitando que talvez esta espécie esteja a melhorar naquela ilha.

Se for confirmado esta possibilidade, afirmou, seria uma “grande notícia” para a conservação desta espécie, que está catalogada como “criticamente em perigo globalmente” pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

Além do Diablotin, durante a sessão de chumming, a primeira realizada neste espaço, foram observadas muitas aves marinhas, nomeadamente Cagarras e Pedreiros, segundo aquele especialista, reforçando a ideia de que o desenvolvimento da actividade de “chumming”, uma pratica de atrair os animais, neste caso concreto as aves marinhas, poderá representar um valor acrescentando ao sector do turismo e trazer mais turistas para o país.

Um dos objectivos do projecto de conservação das aves marinhas está explorando é a possibilidade de usar o chumming e explorá-lo para o turismo, e com as fotografias feita no mar, há evidências de que ele está elevando em Cabo Verde, e a possibilidade de avistar este pássaro em águas de Cabo Verde levanta grandes expectativas entre os observadores de aves. In “Inforpress” – Cabo Verde

sábado, 25 de agosto de 2018

Bolívia - Cientistas filmam uma rara onça preta

O animal foi filmado no norte do país andino depois que os moradores alertaram os pesquisadores sobre a existência desta espécie na área



Um grupo de cientistas filmou uma rara onça preta ou melânica (Panthera onca) numa área protegida localizada no departamento de Pando, no norte da Bolívia, de acordo com um vídeo enviado ao YouTube no mês passado pela Associação para Investigação e Conservação dos Ecossistemas Andino-Amazônicos (ACEAA).

"É uma observação muito rara, porque normalmente as onças presentes na Bolívia (e observadas até agora) não apresentam esta característica", explicou Nuno Negrões, coordenador do programa de monitoramento e pesquisa da ACEAA. Os negros explicaram que eles colocaram os dispositivos depois que os moradores da região lhes falaram sobre a existência de jaguares negros na área.

A gravação, com apenas 20 segundos de duração, foi filmada na tarde de 29 de maio com a ajuda de armadilhas fotográficas, usadas para detectar espécies evasivas ou perigosas para os humanos. Nas imagens pode-se observar o impressionante animal caminhando à noite pela floresta de Santa Rosa del Abuná.

A onça preta tem uma variação genética que faz com que ela produza mais melanina - o que dá à pele a sua cor preta - do que o restante dos espécimes desta espécie, que está presente em vários países da América, como Argentina, Paraguai ou EUA, e é considerada uma espécie ameaçada mundialmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). In “RT” - Rússia