Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Espanha - Seca revela igreja afundada, construída no século XI

“Turistas da seca” visitam a igreja do século XI, que foi submersa há 60 anos


Uma igreja na submersa na vila espanhola de Sant Romà de Sau emergiu das águas de um reservatório.

Inundada há 60 anos para formar o reservatório de Sau, que fornece abastecimento de água essencial à cidade de Barcelona, ​​apenas o topo da torre de três andares da igreja geralmente aparece acima da superfície. Agora, o edifício do século XI está firmemente em terra seca e começou a atrair “turistas da seca”.

“É inacreditável o quanto o nível da água baixou”, diz Sergio Iberico, que visita frequentemente o reservatório.

“Lembro-me de remar aqui e o nível da água estava na janela da torre da igreja.”

Os atuais níveis de água no reservatório de Sau estão em apenas 6% da capacidade. No ano passado, nesta altura, rondavam os 19 por cento e a média de Janeiro é normalmente superior a 90 por cento.

Antonio Rodriguez, que mora perto do reservatório, diz que a queda do nível da água o deixou preocupado consigo mesmo e com sua família.

“A água está a acabar. Já restringi o meu uso de água, só uso o necessário”, afirma. “Mas estamos a ficar sem água.”

A igreja em Sant Romà de Sau é apenas um sinal de uma emergência de seca mais ampla que o país enfrenta.

A seca traz aumento nas contas de água e nos preços dos alimentos

As regiões de Espanha mais atingidas pela seca prolongada são a Andaluzia e a Catalunha – ambas importantes áreas agrícolas e de produção alimentar.

Na Catalunha, a seca já dura há três anos e restam apenas 17% do abastecimento de água da região. Se esse número cair para 16%, o governo da Catalunha terá de declarar o estado de emergência e impor restrições mais rigorosas ao uso da água pelas famílias.

As contas da água já aumentaram e a utilização da água para a agricultura está restringida. Os parques já não são regados, as fontes estão secas e não é permitido encher piscinas privadas.

Algumas academias da região começaram a cobrar uma taxa adicional pelo uso das suas piscinas e algumas fecharam totalmente.

O impacto da seca também se reflecte no aumento do custo das frutas, legumes e azeite em todo o país. O preço do azeite, em particular, atingiu um recorde, aumentando mais de 50 por cento em relação ao ano passado. Muitas lojas espanholas começaram a colocar etiquetas de segurança nas garrafas.

A dessalinização pode resolver o problema da seca em Espanha?

Barcelona também abriga a maior central de dessalinização da Europa, que produz água doce do vizinho Mar Mediterrâneo.

Laia Hernandez Lloret, porta-voz da central, diz que sem ela restrições rígidas de água e um estado de emergência teriam entrado em vigor na região há pelo menos seis meses. Milhões de turistas e residentes de Barcelona não teriam água suficiente.

“De 100 litros de água salgada, obtemos 45 litros de água doce. Neste momento, esta central de dessalinização produz cerca de 20% da água doce de que Barcelona necessita”, afirma o diretor da central de Llobregat, Carlos Miguel.

Mas, acrescenta Miguel, actualmente estão a funcionar a plena capacidade e não conseguem dessalinizar mais água.

É pouco provável que transformar a água do mar em água doce resolva o problema da seca em Espanha. É muito lento, caro e consome muita energia. A menos que a energia provenha de fontes renováveis, a poluição causada pela dessalinização também acelerará as alterações climáticas, o que contribui para a escassez de água.

E, no entanto, enquanto o problema persiste, a Espanha está a planear duas novas centrais de dessalinização nas regiões mais atingidas da Andaluzia e da Catalunha. Euronews.green


quarta-feira, 7 de abril de 2021

Namíbia – Região de Ohangwena está a expulsar angolanos

As autoridades namibianas da região de Ohangwena estão a repatriar, diariamente, centenas de angolanos que se encontram no país vizinho para fugirem à fome provocada pela seca severa que atinge as províncias do sul de Angola


Nas últimas semanas milhares de angolanos atravessaram ilegalmente a fronteira com a Namíbia, especialmente habitantes das províncias da Huíla e do Cunene, para fugir aos efeitos dramáticos da estiagem prolongada, concentrando-se maioritariamente nas regiões de Omusati e Ohangwena.

O governador da região de Ohangwena, Walde Ndevashiya, citado pela NBC namibiana, explicou que em média, todos os dias, só desta municipalidade, são repatriados pelas forças de segurança mais de 200 angolanos por não cumprirem os requisitos legais exigidos para permanência no país.

Como o Novo Jornal tem acompanhado, largos milhares de angolanos, na sua maioria jovens, homens e mulheres, muitos deles com filhos pequenos, atravessaram, e continuam a atravessar, ilegalmente, a fronteira sul de Angola para procurar na Namíbia, seja em trabalho doméstico, seja como pastores de gado, na sua maior parte, quase sempre remunerados muito abaixo dos valores médios praticado, salvaguarda para os efeitos da seca que se impôs na Huíla, Cunene e também Namibe.

Apesar de a chuva ter regressado nos últimos dias, os efeitos mais severos da seca mantêm-se e o êxodo de milhares de angolanos permanece, tendo mesmo, há duas semanas, levado a embaixadora angolana em Windhoek a visitar as zonas de fronteira para se inteirar da situação dramática que vivem estes cidadãos.

Face ao continuado fluxo de angolanos que atravessam a fronteira, as autoridades locais, ao nível dos governos das regiões de Omusati e Ohangwena, apesar de manterem a ideia de que os dois países devem encetar conversações para lidar com este problema, que têm estado a providenciar alimentação de recurso a estas pessoas, dizem ter-se visto obrigadas a optar pelo repatriamento. In “Novo Jornal” - Angola

terça-feira, 30 de junho de 2020

Angola - Unicef envia suplementos para travar insegurança alimentar no sul do país

A agência quer garantir sobrevivência das crianças e evitar que a situação nutricional piore, cerca de 232 mil menores de cinco anos sofrem de desnutrição, a região teve recorde nacional de temperaturas altas dos últimos 45 anos



A seca no sul de Angola fez subir para mais de 56 mil, o número de famílias que enfrentam insegurança alimentar. Em tempos de pandemia, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, anunciou a entrega de 9,6 mil caixas de suplementos nutricionais a quatro províncias.

Para a agência, é essencial garantir que continuem os serviços para apoiar a sobrevivência da criança, incluindo o tratamento da desnutrição. Outra meta é evitar o piorar da situação nessas áreas como contou à ONU News a especialista em nutrição da Unicef em Angola, Fanceni Balde.

Governos locais

“Irão fortalecer o funcionamento das 28 unidades especiais e nutrição e das 210 unidades sanitárias, que têm unidades de tratamento em ambulatório nas províncias de Cuando Cubango, Cunene, Huíla e Namibe. Estes donativos são de grande importância para o combate das formas mais diversas de desnutrição e dos efeitos da seca nas comunidades mais vulneráveis prevenindo um futuro agravamento da situação nutricional e aumentando a resiliência das comunidades mais afectadas.”

A entrega dos suplementos nutricionais, anunciada esta segunda-feira, pretende reforçar os programas contra a desnutrição e as actividades dos governos locais. Mais de 10 mil crianças menores de cinco anos já beneficiam destas entregas.

A agência informou que o apoio à resposta do governo para a emergência tem impacto em sectores como a saúde, nutrição, água, saneamento e higiene, proteção da criança, mudança de comportamento e envolvimento comunitário. 

Este ano, mais de 300 técnicos de saúde foram capacitados para fornecer serviços de desnutrição aguda. Áreas como aconselhamento em alimentação infantil e suplementação com micronutrientes para pais e encarregados de crianças pequenas também fazem parte da ajuda.

Em 2019, a ONU e parceiros ajudaram a identificar e tratar cerca de 232 mil crianças menores de cinco anos sofrendo de desnutrição. 

Prevenção e rastreio

Este ano, cerca de 16 mil menores de cinco anos devem ter acesso à prevenção e ao rastreio da desnutrição aguda. Outros 12 mil menores em idade escolar beneficiarão de desparasitação e suplementação com micronutrientes.

O impacto das secas cíclicas é mais severo nas zonas semiáridas do Cunene, da Huíla e do Namibe. A situação piorou com a falta de chuvas no ano passado, que seguiu a tendência do último triénio. Esse período registou um recorde de temperaturas altas dos últimos 45 anos na região.

Um inquérito nutricional aponta ainda uma prevalência de desnutrição aguda de 13,6% em crianças menores de cinco anos na província da Huíla. Cerca de 3% das crianças da área correm o risco de morrer devido à desnutrição aguda severa. 

No Cunene, 12,9% enfrentam esta condição e 1,7% poderão perder a vida se não forem atendidas.

Em Angola, a seca afeta mais de 2,3 milhões de pessoas, incluindo 491 mil crianças com menos de cinco anos. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Angola – Seca afecta mais de dois milhões de pessoas



Cerca de 2,3 ​​milhões de pessoas em Angola precisam de assistência humanitária devido à seca. Na província de Cunene, pelo menos 80% da população, 860 mil angolanos, necessitam de apoio urgente.

Durante uma missão na região, o coordenador residente da ONU para Angola, Paolo Balladelli, pediu à comunidade internacional que aumente o apoio às pessoas que vivem na linha de frente da crise climática.

Aumento

Balladelli disse que os números de necessitados são "três vezes mais do que no começo do ano" e que o sul do país “está enfrentando as consequências arrasadoras das mudanças climáticas.”

As temperaturas em 2019 foram as mais altas em 45 anos. A seca está aumentando a fome e a desnutrição, especialmente nas províncias de Cunene, Huíla, Bié e Namibe.

O coordenador residente está visitando a região com a chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, na África Austral e Oriental, Gemma Connell.

Objetivos

O objetivo da missão é conhecer melhor a situação no terreno e a resposta das Nações Unidas, incluindo projetos financiados pelo Fundo Central de Emergência da ONU, Cerf.

Graças ao financiamento do fundo, foi possível ajudar mais de 640 mil pessoas com alimentos e serviços de saúde, nutrição, água e higiene nas quatro províncias mais atingidas.

O coordenador disse que o projeto “complementa os esforços do governo para responder a esta situação terrível e salvar vidas”, mas que “é preciso fazer mais e com urgência.”

As necessidades estão crescendo e famílias já foram forçadas a tomar medidas desesperadas para sobreviver, com meninas e mulheres sofrendo o maior impacto da crise.

Visita

Em Caculuvale, os representantes da ONU encontraram famílias que lutam pela sua sobrevivência e crianças com desnutrição aguda grave. Em visitas a centros de saúde, os médicos disseram que estão registando as maiores taxas de admissão em muitos anos.

Gemma Connell contou que “nas áreas rurais, as mulheres têm que caminhar longas distâncias para levar comida e água para casa, expondo-as ao risco de violência.” Por outro lado, “um número crescente de crianças está abandonando a escola, as meninas para ajudar as mães e os meninos para procurar pastagens com os pais.”

Resiliência

A delegação se reuniu com funcionários do governo, incluindo os vice-governadores das províncias de Cunene e Huíla, e elogiou a implementação de medidas sustentáveis ​​para mitigar os efeitos de eventos climáticos.

O coordenador residente disse que a prioridade a curto prazo são recursos para salvar vidas nas populações afetadas pela seca, mas que é “essencial investir na construção da resiliência das comunidades para o futuro.”

Também participam na missão representantes de seis agências da ONU, como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, o Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, o Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, o Programa Mundial de Alimentos, PMA, e a Organização Mundial da Saúde, OMS. ONU News – Nações Unidas



sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Angola - Lança projecto para monitorizar seca através de dados de satélite

As autoridades angolanas vão passar a monitorizar a seca, que afecta 1,3 milhões de pessoas em quatro províncias do sul de Angola, através de dados de satélite, que vão permitir medir, quantificar e diagnosticar o problema



Trata-se do Projecto de Quantificação da Problemática da Seca no Sul de Angola, lançado em Ondjiva, capital da província do Cunene, a mais afectada pela seca, pelo Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias da Informação.

O projecto, que vai monitorizar a seca com a utilização de dados de satélite, visa demonstrar a implementação de um protótipo do sistema de exploração de dados de satélite para a gestão hídrica e monitoramento da seca, avança uma nota do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias da Informação.

"Com o Projeto de Quantificação da Problemática da Seca pretende-se explorar os dados de satélites para se combater a problemática da seca, determinar a taxa de ocupação do solo, identificar as fontes hídricas superficiais, determinar a densidade populacional, realizar análises do histórico das precipitações das regiões e do índice de vegetação e atuar na prevenção e monitorização das secas", refere o comunicado.

Na sua intervenção, o titular da pasta, José Carvalho da Rocha, disse que o projecto "é um contributo para o melhoramento das condições sociais e económicas do país, com especialistas nacionais e estrangeiros".

Uma das participantes internacionais no projecto, que actua como investigadora principal, é Danielle Wood, professora do Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos da América.

Daniele Wood destacou no seu discurso que a utilização do satélite de observação da terra permite observar a previsão do caudal dos rios, estudar o solo, vegetação e localização da população afetada pela seca.

Segundo o ministro, o projecto é um trabalho conjunto do Instituto Nacional de Meteorologia (Inamet), do GGPEN, universidades angolanas e dos ministérios do Ambiente e do Ensino Superior, "na busca de melhores caminhos para compreender cientificamente o problema da seca e as soluções".

Além do Cunene estão afectadas pelo problema da seca as províncias do Cuando Cubango, Huíla e Namibe.

O governador da província do Cunene, Virgílio Tyova, ressaltou que a seca afectou seriamente a vida e a economia daquela região no sul de Angola, vizinha da República da Namíbia, estando em curso medidas de mitigação do problema, nomeadamente a reabilitação de furos de água e a construção de 89 chimpacas (pequenos lagos artificiais) para dar de beber ao gado e irrigar campos agrícolas.

Hoje, segundo anunciou Virgílio Tyova, está previsto o lançamento da primeira pedra para a construção de três novas barragens naquela província. In “Angola 24 Horas” - Angola

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Estados Unidos da América – Primeiro porta-contentor a gás liquefeito

A Tote Maritime através da sua operadora Sea Star Line apresentou no passado dia 18 de Abril de 2015 o seu primeiro porta-contentor alimentado por gás natural liquefeito (GNL), o “Isla Bella” lançado ao mar em San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos da América.

O “Isla Bella”, com uma capacidade para 3100 TEU, tem um comprimento de 233 metros, move-se à velocidade de 22 nós e vai operar entre Jacksonville na Flórida e San Juan em Porto Rico e reduzirá a emissão de enxofre em 97%.

O início da actividade do “Isla Bella” está previsto para o 4º trimestre de 2015, estando um navio gémeo prestes a ser lançado também ao mar para começar a operar no primeiro trimestre de 2016.

Estes porta-contentores, da classe marlin, estão vocacionados para operar em regiões, como a costa atlântica dos Estados Unidos, Canadá e o norte da Europa, numa região que abrange o mar Báltico, o Categate, o mar do Norte e o Canal da Mancha, locais onde já foi introduzida a obrigação da redução substancial das emissões de enxofre marinhos através da nova legislação ambiental denominada Sulphur Emission Control Area (SECA) que tem origem na Organização Marítima Internacional das Nações Unidas (IMO).

O lançamento do “Isla” Bella” teve a presença de 2600 convidados e foi construído pela empresa americana General Dynamics NASSCO. Baía da Lusofonia


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Internacional – Melhoria ambiental no transporte marítimo

No final deste mês de Dezembro de 2014, a Transfennica Iberian, linha de transporte marítimo pertence à empresa holandesa Transfennica do Grupo Spliethoff suspenderá o seu serviço ro-ro entre Bilbao (Espanha), Portsmouth (Reino Unido) e Zeebrugge (Bélgica).

Tal decisão resulta da introdução de nova legislação ambiental na UE denominado Sulphur Emission Control Area (SECA) que tem origem na Organização Marítima Internacional das Nações Unidas (IMO) e visa garantir uma redução substancial das emissões de enxofre marinhos no norte da Europa a partir do próximo dia 01 de Janeiro de 2015, numa região que abrange o mar Báltico, o Categate, o mar do Norte e o Canal da Mancha.

Esta área no norte da Europa é a segunda SECA, a primeira está situada na costa do Atlântico norte e abrange uma zona de 200 milhas ao longo da costa dos Estados Unidos e do Canadá. A nova legislação obriga os navios que operam na zona SECA a utilizar um teor máximo de enxofre no seu combustível de 0,1%, muito inferior ao limite actual de 1%.

Esta alteração ambiental significa aumentos no custo de transporte que reflete no valor do frete, o que levará num futuro próximo ao regresso às estradas de aproximadamente 50% do volume que nos dias de hoje são transportados por via marítima e são estas contas que a Transfennica está a calcular para tomar a decisão de suspender o serviço ro-ro para o norte da Europa, mantendo apenas entre as outras regiões europeias, incluindo Portugal. Baía da Lusofonia