Financiamento atribuído por fundo do Canadá vai permitir que Bárbara Soares Ferreira estagie durante um ano num centro de investigação daquele país
A estudante Bárbara Soares Ferreira, a
desenvolver atualmente o seu trabalho de doutoramento no Instituto de
Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), foi
recentemente distinguida com o «Prémio de Viagem em Biologia Celular 2026» atribuído
pelo Fundo Jacobo & Estela Klip do Hospital for Sick Children (SickKids),
uma instituição de referência mundial na investigação em saúde pediátrica. O
financiamento de cerca de 9000 euros permitirá à jovem cientista realizar um
estágio de um ano num centro de investigação no Canadá, onde vai prosseguir o
trabalho inovador que tem desenvolvido na área do cancro cerebral pediátrico.
O projeto de Bárbara está atualmente a ser desenvolvido
no grupo «Cancer Signalling & Metabolism» do i3S, sob a supervisão do
investigador Jorge Lima, e foca-se nos gliomas pediátricos de baixo grau, os
tumores cerebrais mais frequentes em crianças. O objetivo, sublinha, “é poder
contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes e
duradouras, com impacto direto na melhoria do tratamento e da qualidade de vida
de crianças com tumores cerebrais de baixo grau”.
Os gliomas pediátricos de baixo grau “têm elevadas taxas
de sobrevivência, mas muitos doentes – em particular aqueles cujos tumores não
podem ser totalmente removidos por cirurgia – apresentam progressão da doença e
efeitos secundários a longo prazo associados aos tratamentos”. Em alguns casos,
nota Bárbara Ferreira, as terapias-alvo têm conseguido melhorar os resultados
clínicos, mas “a resistência ao tratamento e o reaparecimento do tumor
continuam a representar desafios clínicos significativos”.
De acordo com a investigadora do i3S, este estudo tem
como objetivo “compreender de que forma o microambiente tumoral, constituído
pelas células cerebrais e do sistema imunitário envolventes, contribui para a
resistência terapêutica e para o crescimento recorrente do tumor”.
Para esse fim, Bárbara Ferreira irá utilizar tecnologias
avançadas de biologia espacial e organoides tumorais derivados de doentes,
co-cultivados com células cerebrais e imunitárias, para analisar as interações
celulares que influenciam a resposta às terapias-alvo.
É então este trabalho de investigação que a jovem
investigadora vai ter a oportunidade de desenvolver no laboratório da
investigadora Cynthia Hawkins, neuropatologista e cientista principal no Centro
de Investigação em Tumores Cerebrais Arthur and Sonia Labatt, sediado no
SickKids. Durante o estágio no Canadá, Bárbara vai “desenvolver estes sistemas
de co-cultura e receber formação especializada em análise de sequenciação de
RNA de célula única e transcriptómica espacial, técnicas de vanguarda na investigação
biomédica”.
Bárbara Ferreira é licenciada em
Bioquímica pela U.Porto e mestre em Medicina e Oncologia Molecular pela
Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP), estando atualmente a frequentar o
Programa de Doutoramento do Centro Académico de Medicina de Lisboa. Enquanto
investigadora no i3S, já viu o seu trabalho reconhecido por instituições como a
Fundação «la Caixa» ou a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Universidade do
Porto - Portugal
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