Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Lusofonia - Duas alunas de França entre os vencedores do concurso “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2026”

A 6.ª edição do concurso internacional “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa” distinguiu jovens autores de quatro continentes e voltou a sublinhar a vitalidade do português como língua de criação literária em contextos não maternos. Os resultados foram anunciados esta semana, em Lisboa, no âmbito do festival literário 5L, numa iniciativa conjunta da Porto Editora, do Instituto Camões e do Plano Nacional de Leitura (PNL).


Entre os premiados, a França destacou-se com duas vitórias, ambas no escalão Juvenil-Adulto e Infantil-Juvenil, confirmando o dinamismo do ensino do português no país e o talento crescente dos seus jovens aprendentes.

Na categoria Infantil-Juvenil B1-B2, Julija Bambalaite Garcia, do Lycée International de Saint-Germain-en-Laye, conquistou o primeiro prémio com o conto A Fábrica Pinhais. Esta é já a quarta distinção da jovem autora neste concurso, um feito raro que evidencia a maturidade da sua escrita e a consistência do trabalho desenvolvido no ensino de português língua estrangeira em França. Julija Garcia é filha do escritor Nuno Gomes Garcia, que tem vários livros publicados, e que é professor na rede de ensino de português em França. Também foi, durante vários anos, colaborador do LusoJornal.

Também no escalão Juvenil-Adulto A1-A2, o prémio foi atribuído a Leya Gonçalves Desse, do Lycée International Montebello em Lille, com o conto A voz do menino que o mundo não ouviu. O júri destacou a sensibilidade do texto e a forma como a autora soube articular o tema dos direitos humanos com uma narrativa de forte impacto emocional.

O concurso, este ano subordinado ao tema “Direitos Humanos: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades?”, reuniu mais de 120 textos provenientes da Europa, África, América e Ásia, refletindo o carácter verdadeiramente global da língua portuguesa e o papel das redes de ensino do Instituto Camões, dos leitorados e dos Centros de Língua Portuguesa.

Além das vitórias atribuídas ao Canadá, França e China, o júri – presidido pela escritora Maria Inês Almeida – decidiu ainda atribuir menções honrosas a participantes de Espanha, França e China, reconhecendo a qualidade literária e a pertinência temática dos contos apresentados.

Os textos premiados e distinguidos serão publicados no livro digital “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2026”, que ficará disponível no sítio da Porto Editora.

Promovido desde 2020, o concurso tornou-se uma plataforma essencial para estimular a escrita criativa em português, reforçar o vínculo afetivo dos jovens à língua e valorizar a diversidade cultural e linguística que caracteriza a lusofonia. A presença de dois vencedores em França confirma a vitalidade desta comunidade educativa e o papel crescente do português no panorama escolar francófono. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


segunda-feira, 19 de julho de 2021

Angola - Antologia de poesia angolana integra Plano Nacional de Leitura de Portugal

«Entre a Lua, o Caos e o Silêncio: a Flor», a mais abrangente antologia de poesia angolana já publicada, organizada por Irene Guerra Marques e Carlos Ferreira, consta do Plano Nacional de Leitura de Portugal


A antologia poética "Entre a Lua, o Caos e o Silêncio: a Flor", organizada pela professora Irene Guerra Marques e pelo poeta e jornalista Carlos Ferreira, publicada recentemente, acaba de integrar a lista de livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura (PNL) de Portugal.

A sua leitura é recomendada pelos especialistas do PNL a leitores a partir dos 15 anos e adultos. A informação foi tornada pública esta semana pela Guerra & Paz Editores, editora da obra. Com 700 páginas divididas em três partes: Formas de arte verbal ou oratura, os precursores (séculos XVII a XIX), bem como modernidade e contemporaneidade (séculos XX e XXI), "Entre a Lua, o Caos e o Silêncio: a Flor" é considerada a mais completa antologia que reúne os períodos e os autores mais marcantes da sua história.

"É uma viagem encantatória pelo património riquíssimo de vários séculos, dos precursores Luís Félix Cruz ou Cordeiro da Matta aos clássicos do século XX como Alda Lara, Agostinho Neto, Viriato da Cruz, Mário António, Ruy de Carvalho, Jorge Macedo, Mário Pinto de Andrade, entre outros". Hélder Caculo – Angola in “Novo Jornal”

 


sexta-feira, 16 de julho de 2021

Portugal - Sonetos de Camões traduzidos para língua cabo-verdiana por José Tavares integram Plano Nacional de Leitura


Lisboa – O livro Ku ki Vos/Com que Voz, resultado da tradução feita para a língua cabo-verdiana, por José Luiz Tavares, de 65 sonetos de Luís de Camões, foi incluído no Plano Nacional de Leitura de Portugal.

A informação está no sítio do programa Ler+ do Plano Nacional de Leitura consultado hoje pela Inforpress e posteriormente confirmada pelo autor e pela editora Abysmo, que destacou as “qualidades pedagógicas” desse volume.

“A escolha do Ku Ki Vos/Com Que Voz acaba sendo um singelo reconhecimento do valor do trabalho de criação de um corpus literário pujante em cabo-verdiano pelo José Luiz Tavares, mas também das potencialidades pedagógicas deste volume”, considerou o fundador da editora João Paulo Cotrim, em comentário enviado à Agência Inforpress.

Luís Vaz de Camões, prosseguiu João Paulo Cotrim, “renova-se com esta transmigração” e “encontrará novos leitores, sobretudo na comunidade escolar”.

“Pelo menos, nisso depositamos esperança”, concluiu.

Contactado pela Inforpress, o autor de “Paraíso Apagado por um Trovão”, Prémio Mário António de Poesia 2004, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian à melhor obra de autor africano de língua portuguesa e de Timor-Leste publicada no triénio 2001-2003, explicou que quando traduziu os sonetos de Camões não tinha público algum em vista.

“Fi-lo, primeiramente, para o meu próprio prazer de ouvir aqueles poemas a reverberar na minha língua materna, e, segundo, na tentativa de dar um corpus poético relevante à língua cabo-verdiana”, esclareceu.

O objectivo maior deste livro é a defesa da diversidade cultural dentro da unidade, tendo para tal o autor dado a ganhar, à língua cabo-verdiana, um “monumento literário” onde se poderão, mais tarde, alicerçar outros poetas, como explica o autor no prefácio da obra.

“Sirva este trabalho (ambicioso enquanto ideia, se não pelo resultado) como pretexto de um fito bem maior: a construção de uma comunidade de povos, línguas e culturas, ao abrigo de tentações hegemónicas, tutelares ou neoimperiais, ainda que urdidas sob os véus da `política da língua`”, escreve José Luiz Tavares.

José Luiz Tavares nasceu a 10 de Junho 1967, no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia em Portugal, onde vive.

Entre 2003 e 2020 publicou catorze livros espalhados por Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Colômbia.

Recebeu uma dezena de prémios atribuídos em Cabo Verde, Brasil, Portugal e Espanha, sendo o autor cabo-verdiano mais premiado de sempre. Não aceitou nenhuma medalha ou comenda, até agora.

Traduziu Camões e Pessoa para a língua cabo-verdiana. As obras do poeta estão traduzidas para inglês, castelhano, francês, alemão, mandarim, neerlandês, italiano, catalão, russo, galês, finlandês e letão. In “Inforpress” – Cabo Verde