Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Lusofonia - Duas alunas de França entre os vencedores do concurso “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2026”

A 6.ª edição do concurso internacional “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa” distinguiu jovens autores de quatro continentes e voltou a sublinhar a vitalidade do português como língua de criação literária em contextos não maternos. Os resultados foram anunciados esta semana, em Lisboa, no âmbito do festival literário 5L, numa iniciativa conjunta da Porto Editora, do Instituto Camões e do Plano Nacional de Leitura (PNL).


Entre os premiados, a França destacou-se com duas vitórias, ambas no escalão Juvenil-Adulto e Infantil-Juvenil, confirmando o dinamismo do ensino do português no país e o talento crescente dos seus jovens aprendentes.

Na categoria Infantil-Juvenil B1-B2, Julija Bambalaite Garcia, do Lycée International de Saint-Germain-en-Laye, conquistou o primeiro prémio com o conto A Fábrica Pinhais. Esta é já a quarta distinção da jovem autora neste concurso, um feito raro que evidencia a maturidade da sua escrita e a consistência do trabalho desenvolvido no ensino de português língua estrangeira em França. Julija Garcia é filha do escritor Nuno Gomes Garcia, que tem vários livros publicados, e que é professor na rede de ensino de português em França. Também foi, durante vários anos, colaborador do LusoJornal.

Também no escalão Juvenil-Adulto A1-A2, o prémio foi atribuído a Leya Gonçalves Desse, do Lycée International Montebello em Lille, com o conto A voz do menino que o mundo não ouviu. O júri destacou a sensibilidade do texto e a forma como a autora soube articular o tema dos direitos humanos com uma narrativa de forte impacto emocional.

O concurso, este ano subordinado ao tema “Direitos Humanos: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades?”, reuniu mais de 120 textos provenientes da Europa, África, América e Ásia, refletindo o carácter verdadeiramente global da língua portuguesa e o papel das redes de ensino do Instituto Camões, dos leitorados e dos Centros de Língua Portuguesa.

Além das vitórias atribuídas ao Canadá, França e China, o júri – presidido pela escritora Maria Inês Almeida – decidiu ainda atribuir menções honrosas a participantes de Espanha, França e China, reconhecendo a qualidade literária e a pertinência temática dos contos apresentados.

Os textos premiados e distinguidos serão publicados no livro digital “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2026”, que ficará disponível no sítio da Porto Editora.

Promovido desde 2020, o concurso tornou-se uma plataforma essencial para estimular a escrita criativa em português, reforçar o vínculo afetivo dos jovens à língua e valorizar a diversidade cultural e linguística que caracteriza a lusofonia. A presença de dois vencedores em França confirma a vitalidade desta comunidade educativa e o papel crescente do português no panorama escolar francófono. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


terça-feira, 17 de junho de 2025

Portugal - 15 anos da morte de José Saramago no dia 18 de junho na Fundação José Saramago

No dia 18 de junho, quando passam 15 anos sobre o desaparecimento físico de José Saramago, a Fundação José Saramago preparou um dia cheio para recordar o escritor que disse que «a única defesa contra a morte é o amor».


Programa

Das 10 às 18h – Entrada livre durante todo o dia na Fundação José Saramago – Casa dos Bicos.

14h – Será exibido no auditório da FJS o documentário, inédito em Portugal, «José Saramago. O tempo de uma memória», da realizadora chilena Carmen Castillo.

18h – Auditório da FJS: Abertura da exposição «Mulheres Saramaguianas», com serigrafias e gravuras de artistas portugueses e textos de escritoras de língua portuguesa.

18h30 – Auditório da FJS: «As personagens Femininas de José Saramago», por Sara Grünhagen.

20 h – Espaço da Porto Editora na Feira do Livro de Lisboa: Performance teatral a partir de «Ensaio sobre a Cegueira» (primeira apresentação pública do espetáculo de teatro imersivo «Cegueira», com encenação de Miguel Thiré, a estrear em breve).

22h55 – Exibição, na RTP2, do documentário «José Saramago. O tempo de uma memória», de Carmen Castillo. Fundação José Saramago - Portugal


domingo, 8 de janeiro de 2023

Portugal - Alunos de português no estrangeiro: escrevam as vossas histórias!

Está aberta a terceira edição do concurso “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa”, uma iniciativa da Porto Editora, em articulação com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e o Plano Nacional de Leitura (PNL2027)


Até 28 de fevereiro de 2023, os milhares de alunos da rede do Camões, I.P., que frequentam cursos de Língua e Cultura Portuguesas por todo o mundo (rede de Ensino Português no Estrangeiro, Leitorados, universidades, Centros de Língua Portuguesa) são motivados a escrever um conto inédito em português.

Esta terceira edição tem como padrinho o escritor Valter Hugo Mãe e como temas «O que significam 100 anos na memória coletiva?» e «Um mundo melhor para todos: sustentabilidade e alterações climáticas», dando aos candidatos liberdade de escolha do tema.

O regulamento do concurso pode ser consultado aqui.

Os contos vencedores serão anunciados nas celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a 5 de maio de 2023.

Os contos vencedores e as menções honrosas de 2022 estão publicados no sítio das  Bibliotecas Camões, I.P.

Veja aqui as mensagens dos alunos vencedores da 2.ª edição do concurso e incentive os seus alunos a expressarem a sua voz literária e criativa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


 

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Rafael Gallo vence o Prémio Literário José Saramago 2022 com "Dor Fantasma"

O autor brasileiro, oriundo de São Paulo, é o 12º vencedor deste galardão. Rafael Gallo vai ter a sua obra, "Dor Fantasma", publicada em Portugal e no Brasil, além de receber 40 mil euros


Promovido pela Fundação Círculo de Leitores, com o apoio da Fundação José Saramago, da Porto Editora e da Globo Livros, o prémio foi entregue durante uma cerimónia no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), sala onde o Estado Português recebeu e homenageou José Saramago, em 1998, ano em que foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura.

Rafael Gallo torna-se o quarto autor brasileiro a receber este galardão, depois de Adriana Lisboa, Andréa del Fuego e Julián Fuks, tendo submetido "Dor Fantasma" à consideração sob o pseudónimo "Pestana".

Nascido na cidade de São Paulo, no Brasil, em 1981, Rafael Gallo tem "criado histórias e inventado personagens desde pequeno", destacam os promotores do prémio, acrescentado que as suas primeiras incursões na área da literatura foram os contos que acabou por compilar num volume intitulado “Réveillon e outros dias”, que propôs a várias editoras, sem nunca ter sido aceite ou publicado.

Tudo mudou quando concorreu ao Prémio SESC de Literatura, um concurso brasileiro para autores de obras inéditas, que lhe permitiu publicar o livro, em 2012, pela editora Record e, de certa forma, tornar-se escritor. Em 2015, lançou o seu primeiro romance, “Rebentar”, também pela editora Record, que foi distinguido com o Prémio São Paulo de Literatura, na categoria de autores estreantes com menos de 40 anos.

Desde então, não publicou outro livro, embora tivesse um romance inédito, “Dor fantasma”, e 40 anos de idade quando foi divulgada a abertura de candidaturas para a mais recente edição do Prémio Literário José Saramago.

Bruno Vieira Amaral, elemento do júri destacado para fazer o elogio da obra vencedora, enalteceu a qualidade de escrita do vencedor: “é mão cirúrgica, aplicando incisões seguras e sábias, é mão de pintor, na pincelada criativa e intencional, é mão de maestro segurando a batuta e guiando a orquestra num crescendo de som e fúria que culmina no magistral desenlace do romance”.

Durante o seu discurso, Rafael Gallo evocou o episódio de um imigrante haitiano que terá confrontado Jair Bolsonaro no início da pandemia da Covid-19, em março de 2020, dizendo ao presidente do Brasil "acabou, você não é presidente mais", comparando essa circunstância com a atual, em que saiu derrotado das eleições presidenciais deste ano.

O autor admitiu ter caído de joelhos no chão quando recebeu a chamada de que tinha vencido este prémio, após ter ressalvado que na sua lista de romances favoritos constam três galardoados com este mesmo troféu.

Como leitor e como escritor, Rafael Gallo sublinhou que a atribuição desta distinção será doravante "a pedra onde se baseará um novo capítulo" da sua vida.

O encerramento desta sessão ficou a cargo do ministro da Educação, João Costa, que pontou a sua intervenção com a leitura de um poema de Paulo José Miranda, o primeiro vencedor do Prémio Literário José Saramago.

Saudando os perto de 1000 alunos convidados para comparecer no Grande Auditório do CCB para esta sessão, João Costa dirigiu-se tanto à minoria que não frequenta um curso de Humanidades — realçando que já é possível fazerem disciplinas dessa área — como à maioria que optou por esta área de estudos.

O ministro da Educação reforçou também o papel da literatura no combate "aos discursos fáceis" ao introduzir complexidade na vida, terminando com uma citação de José Saramago: "não nos vemos se não sairmos de nós".

Um prémio reformulado

Para esta 12.ª edição do galardão, recorde-se, houve uma alteração no modelo de concurso, passando a distinguir inéditos ainda não publicados de autores até 40 anos — anteriormente, o limite era de 35 anos. Até à edição anterior, de 2019, o prémio distinguia uma obra já publicada.

Essa mudança dos modelos, aliás, é aludida na nota biográfica que o autor assinou a propósito da conquista deste prémio. Gallo já tinha concorrido ao Prémio Literário José Saramago em 2017 com "Rebentar", não tendo vencido. "Eu tinha exatamente 35 anos. Fiquei contente pela vitória de Julián Fuks, outro escritor brasileiro e um amigo, mas também triste por não poder mais concorrer", admite.

No entanto, com a mudança do limite para os 40 anos, nova oportunidade de concorrer surgiu — e o alento reavivou-se também.

"Não publiquei outro livro desde então. Tinha um romance inédito, Dor fantasma, e 40 anos de idade quando foi publicado o edital mais recente do Prémio José Saramago. Havia nele duas mudanças fundamentais: seriam contemplados romances inéditos e a idade limite passava a ser de 40 anos. O grande sonho se refazia para mim", escreve.

Gallo recebe o valor pecuniário de 40000 euros e a publicação da sua narrativa em Portugal (Porto Editora) e Brasil (Globo Livros), sendo distribuída nos restantes países de língua portuguesa. Até agora, o escritor paulista não tinha obra publicada no nosso país.

A Fundação Círculo de Leitores, promotora do galardão, tinha referido que a alteração ao modelo “gerou um grande interesse e permitiu um claro aumento do número de participantes”.

As candidaturas estiveram abertas de 08 de janeiro até 31 de maio deste ano, tendo sido recebidas “cerca de 600, maioritariamente oriundas de Portugal e do Brasil, tendo-se verificado também uma significativa participação de Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe”, segundo comunicado da entidade organizadora.

Durante a apresentação, a Presidente do Júri, Guilhermina Gomes, ressalvou que "mais de 40% das participações foram de mulheres", ressalvando que "o prémio é dado por mérito e não por quotas".

A cerimónia de entrega desta edição do Prémio Literário José Saramago contou com a presença de todos os membros do júri desta edição, nomeadamente José Luís Peixoto, Prémio Literário José Saramago 2001; Gonçalo M. Tavares, Prémio Literário José Saramago 2005; João Tordo, Prémio Literário José Saramago 2009; Bruno Vieira Amaral, Prémio Literário José Saramago 2015; Pilar del Río, Presidenta da Fundação José Saramago; Guilhermina Gomes, em representação da Fundação Círculo de Leitores; e Nélida Piñon, Membro Honorário.

A primeira edição do Prémio José Saramago de literatura foi em 1999, tendo sido vencedor Paulo José Miranda com o romance “Natureza Morta”. Já o vencedor da anterior edição, em 2019, foi Afonso Reis Cabral com a obra “Pão de Açúcar”.

O Prémio Saramago já distinguiu 11 autores, maioritariamente de nacionalidade portuguesa – sete -, três brasileiros e um angolano, Ondjaki, em 2013, com “Os Transparentes”.

José Luís Peixoto ("Nenhum Olhar"), Adriana Lisboa ("Sinfonia em Branco"), Gonçalo M. Tavares ("Jerusalem"), Valter Hugo Mãe ("O Remorso de Baltazar Serapião"), João Tordo ("As Três Vidas"), Andréa del Fuego ("Os Malaquias"), Bruno Vieira Amaral ("As Primeiras Coisas") e Julián Fuks ("A Resistência") são os outros vencedores.

O Prémio José Saramago foi instituído em 1999 e tem uma periodicidade bienal, pelo que a última edição deveria ter-se realizado em 2021, o que não aconteceu devido à pandemia, obrigando ao adiamento para 2022. Moura dos Santos – Portugal in “Sapo 24” com “Lusa”


domingo, 6 de fevereiro de 2022

Portugal - Instituto Camões e Porto Editora renovam cooperação para difusão da língua portuguesa

O Instituto Camões e a Porto Editora assinaram um protocolo que renova a cooperação no âmbito do programa Empresa Promotora da Língua Portuguesa


Foi assinado no dia 4 de fevereiro de 2022, na sede do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., em Lisboa, um Protocolo entre o Camões, I.P. e a Porto Editora, S.A. que visa o apoio à promoção da Língua Portuguesa. A cooperação foi celebrada pelo Presidente do Camões, I.P., João Ribeiro de Almeida, e pelo Diretor do Departamento Internacional da Porto Editora, S.A., Miguel Martins.

Cerca de 2500 alunos estrangeiros aprenderam português nos Estados Unidos, Canadá, África do Sul e Venezuela, através da parceria entre o Camões, I.P. e a Porto Editora.

A Porto Editora contribuirá para o apoio à promoção da língua portuguesa, nomeadamente no âmbito de projetos nas áreas de ensino do Português Língua Estrangeira e das Tecnologias da Língua Aplicadas ao Português, permitindo que os alunos, através do Camões, I.P., tenham contacto com o português

A parceria, agora renovada por dois anos, vai permitir chegar a mais alunos residentes em vários países, com o objetivo de reforçar a estratégia de internacionalização da língua portuguesa e de promover a nossa cultura. Camões, Instituto da Cooperação e da Língua - Portugal




segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Portugal - “Saudade” foi a palavra do ano para a Porto Editora

“Saudade” foi eleita a “Palavra do Ano” de 2020, escolhida por pouco mais de 25% “dos cerca de 40 mil internautas” que participaram na votação ‘online’, anunciou esta segunda-feira a Porto Editora, promotora da iniciativa desde 2009

“Dos cerca de 40 mil internautas que participaram nesta votação, 26,8% escolheram [Saudade], vocábulo tantas vezes associado à alma dos portugueses”.

A votação em “Saudade” superou as de “covid-19” e “pandemia”, colocadas em segundo e terceiro lugar, respetivamente, segundo comunicado do grupo editorial, enviado à agência Lusa.

“Covid-19” ficou em segundo lugar, não muito distante, com 24,4%, seguida de “pandemia”, com 17,03%, segundo a editora.

Fora do pódio ficaram “confinamento”, que conquistou 16,23% dos votos ‘online’, seguida de “zaragatoa” (7%), “telescola” (2,58%), “discriminação” (1,85%), “infodemia” (1,59%), “digitalização” (1,33 %) e, em último lugar, “sem-abrigo” (1,16 %).

Esta foi a 12.ª edição da iniciativa “Palavra do Ano”, e a votação ‘online’ decorreu de 01 a 31 de dezembro do ano passado.

A lista de palavras sujeitas a votação foi construída com base “nas pesquisas efetuadas no Dicionário da Língua Portuguesa, em www.infopedia.pt, no trabalho permanente de observação e acompanhamento da realidade da língua portuguesa, levado a cabo pela Porto Editora”, e nas sugestões feitas através do ‘site’ www.palavradoano.pt, explica o grupo editorial.

Nesta edição, segundo a Porto Editora, houve mais 10.000 votantes do que no ano passado.

A votação em Portugal decorreu em simultâneo com as de Angola e Moçambique, promovidas pela Plural Editores, do Grupo Porto Editora, que divulgará mais tarde os respetivos resultados.

“Saudade”, escolhida em 2020, sucede a “violência [doméstica]” (2019) a “enfermeiro” (2018), “incêndios” (2017), “geringonça” (2016), “refugiado” (2015), “corrupção” (2014), “bombeiro” (2013), “entroikado” (2012), “austeridade” (2011), “vuvuzela” (2010) e “esmiuçar” (2009). In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 31 de maio de 2020

Portugal - O livro de Herberto Hélder proibido pela ditadura chega às livrarias 52 anos depois

A edição original de "Apresentação do Rosto" surgiu em 1968, na Editora Ulisseia, e foi rapidamente apreendida pela PIDE, que destruiu os quase 1500 exemplares impressos. A obra não voltou a ser editada



"Apresentação do Rosto", um chamado "autorretrato romanceado" de Herberto Hélder, publicado em 1968 e de imediato apreendido pela PIDE, a polícia política da ditadura, chega às livrarias ao fim de 52 anos, na próxima quinta-feira, anunciou a editora.

"A presente edição, feita por iniciativa de Olga Lima, viúva de Herberto Hélder [1930-2015], segue o texto da publicação original, corrigindo diversos lapsos e erros tipográficos assinalados pelo autor, num exemplar de trabalho", escreve a Porto Editora, no anúncio da data de publicação.

Para esta edição, no entanto, "não foram tomadas em conta restantes anotações, cortes e sinais, que constam desse exemplar, por não estabelecerem claramente uma nova organização do livro, indicando apenas hipóteses de alteração textual ou as referidas deslocações de fragmentos para outras obras do autor", acrescenta a Porto Editora.

A edição original de "Apresentação do Rosto" surgiu em 1968, na Editora Ulisseia, e foi rapidamente apreendida pela PIDE, que destruiu os quase 1500 exemplares impressos. A obra não voltou a ser editada.

O despacho de proibição, datado de 22 de julho de 1968, descreve-a como "autobiografia do autor, que é de índole esquerdista, escrita em linguagem surreal e hermética, que como obra literária não mereceria qualquer reparo, se não apresentasse passagens de grande obscenidade".

Num artigo publicado na Página da Educação sobre a "Censura Fascista", em agosto de 2008, o editor Serafim Ferreira (1940-2015), ex-diretor literário do Círculo de Leitores, recordou o processo e o modo como um dos agentes da PIDE, que entraram na Ulisseia, disse haver na obra “uma evidente carga de pornografia, o que não podia de forma nenhuma ser tolerado”.

Em 1968, quando surgiu o seu livro, Herberto Hélder era condenado no âmbito do processo relacionado com a publicação de "Filosofia de Alcova", de Marquês de Sade, pelas Edições Afrodite, de Fernando Ribeiro de Mello.

Na altura, Herberto somava já perto de década e meia de atividade literária, desde a publicação dos primeiros poemas (1953/1954) e do primeiro livro, "O Amor em Visita" (1958). A sua bibliografia contava então com obras como "A Colher na Boca" (1961), "Os Passos em Volta" (1963), "Húmus" e "Retrato em Movimento" (1967), "O Bebedor Nocturno" (1968), além da primeira recolha, "Ofício Cantante 1953-1963".

"Apresentação do Rosto" é o livro em que explica: "Temos enfim o silêncio: é uma autobiografia. É algo que se conquista à força de palavras (...). E ele [Autor] realizará uma autobiografia ativa, uma sufocante acumulação do crime".

O livro prefigura-se assim como o processo de fazer ver um rosto, à partida impessoal, mas que ganha vida, um rosto que se apresenta em permanente transformação, e que se define na improbabilidade de o fazer: "Eu sou um movimento", escreve Herberto Hélder, em jeito de autorretrato.

Apesar de ausente das livrarias, "Apresentação do Rosto" tem sido alvo de estudos literários, de análise, de teses de mestrado e doutoramento, motivando múltiplas abordagens, como o livro "Uma Espécie de Crime - Apresentação do Rosto de Herberto Hélder", de Manuel de Freitas (&etc. 2001).

Sequências da obra estão também noutros títulos do poeta, como "Os Passos em Volta" (desde a 3.ª edição, de 1970), "Vocação Animal" (1971), "Retrato em Movimento" (nas versões de 1973 e 1981, para "Poesia Toda"), "Photomaton & Vox" (1979) e "Do Mundo" (1994).

A edição original de "Apresentação do Rosto" tinha capa do artista plástico Espiga Pinto (1940-2014).

Herberto Hélder, que a investigação literária e os seus pares colocam entre os maiores poetas da Língua Portuguesa, nasceu no Funchal, em 1930, e morreu em Cascais, aos 84 anos, em março de 2015.

Na altura, o presidente da Associação Portuguesa de Autores, José Manuel Mendes, referiu-se ao poeta como o criador "da obra mais fulgurante em Portugal".

O escritor Manuel Alegre considerou-o "um dos maiores poetas de todos os tempos".

O crítico Pedro Mexia identificou-lhe uma apropriação da palavra sem desconfianças, ironias ou cinismos e considerou-o, por essa força verbal, o maior poeta da segunda metade do século XX, tal como Fernando Pessoa o foi, na primeira.

Herberto Hélder, que deu a última entrevista em 1968, que recusou o Prémio Pessoa, em 1994 ("Não digam a ninguém e dêem o prémio a outro", disse ao júri), e editou o livro "A Morte sem Mestre", em 2014, foi "um mestre" para outros escritores, como o poeta Nuno Júdice admitiu.

Foi um "poeta tão diferente, tão vulcânico" que mostrou "tudo o que é mágico e inexplicável na poesia”, afirmou o professor Fernando Pinto do Amaral.

Herberto frequentou a licenciatura de Direito, na Universidade de Lisboa, que trocou por Filologia Românica, que deixou ao fim de três anos. Colaborou em periódicos como A Briosa, Renhau-nhau, Búzio, Folhas de Poesia, Graal, Cadernos do Meio-dia, Pirâmide, Távola Redonda e Jornal de Letras, Artes & Ideias.

No final dos anos de 1960, foi diretor literário da editorial Estampa.

Em 1971, partiu para África, onde realizou uma série de reportagens para a revista Notícias.

Entre os seus livros contam-se "Poemacto", "A Cabeça Entre as Mãos", "As Magias", "Última Ciência", "A Faca Não Corta o Fogo – Súmula & Inédita", "Servidões", "Poemas Canhotos".

Em 2016, surgiu "Letra Aberta", livro de inéditos recolhidos nos cadernos do escritor. Neles, elogia a "beleza sem gramática" e o "ferocíssimo esplendor" do poema. In “Contacto” – Luxemburgo com “Lusa”

sexta-feira, 29 de março de 2019

Lusofonia - 'Português Mais Perto' já tem 600 utilizadores em todo o mundo

A plataforma online desenvolvida pelo Instituto Camões e pela Porto Editora para o ensino de português online chegou aos 600 utilizadores no segundo ano de funcionamento



O universo de utilizadores da plataforma "Português Mais Perto", que foi lançada no ano letivo 2017/2018, «é positivo e tem crescido», considerou o presidente do Instituto, Luís Faro Ramos, explicando que há pessoas a aprender português de forma remota nos cinco continentes.

«É uma plataforma online que pode ser usada com ou sem tutor», descreveu o responsável, acrescentando que esta permite aceder ao currículo que é dado em Portugal até ao 12.º ano.

O objetivo é dar a possibilidade de estudar «em sítios onde não há escolas que ensinem a nossa língua», havendo a possibilidade de escolher Português como língua estrangeira e Português como língua de herança.

O Camões pretende agora intensificar a divulgação da plataforma, cujo lançamento inicial foi feito através de projetos pilotos em escolas dos Estados Unidos e do Canadá, que receberam as licenças de forma gratuita.

No corrente ano letivo, o Instituto alargou as experiências a escolas na África do Sul, Austrália e Venezuela, e registou um crescimento dos utilizadores individuais ou grupos, que pagam licenças entre 40 e 90 euros conforme solicitem ou não um tutor.

«É importante que as pessoas saibam que existe a plataforma Português Mais Perto», frisou Luís Faro Ramos, considerando que a licença anual «não é cara».

Esse trabalho vai passar pelo novo coordenador adjunto de ensino de português na Califórnia, Duarte Pinheiro, que acaba de entrar em funções e irá coordenar a divulgação com as associações, professores e escolas.

O início da representação institucional direta do Camões na Califórnia deverá dar um impulso às atividades de promoção da língua, num Estado onde há «um potencial de crescimento».

Os protocolos estabelecidos entre o Instituto e universidades na Califórnia registam neste momento 370 alunos de português no ensino superior. In “Mundo Português” - Portugal

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Lusofonia - Plataforma “Português Mais Perto” chega a 31 países e aos cinco continentes



A plataforma "Português Mais Perto", ferramenta digital de ensino à distância, estendeu-se a 31 países no ano letivo de 2017/2018, repartidos pelos cinco continentes, com a frequência de 575 alunos portugueses ou lusodescendentes, segundo dados do instituto Camões.

O número de países do Português Mais Perto, plataforma desenvolvida pelo Camões – Instituto de Cooperação e da Língua e pela Porto Editora apresentada há dois anos, aumentou de 26 no ano letivo de 2017/18, também em todos os continentes, para mais de três dezenas em 2018/19.

Segundo o presidente do instituto Camões, “o projeto será aplicado em mais três países – a África do Sul, a Austrália e a Venezuela – num âmbito de estratégia de diversificação que está a ser colocada em prática, permitindo o acesso dos alunos a conteúdos de qualidade em áreas não abrangidas pela rede” de ensino de português.

No caso da Austrália, Luís Faro Ramos esclareceu que, “perante um número relativamente baixo de estudantes de português, o esforço é direcionado para estimular essa aprendizagem de forma gratuita, em estabelecimentos selecionados pela coordenação do ensino do português”.

A gratuitidade do ensino Português Mais Perto aplica-se igualmente na África do Sul e Venezuela neste ano letivo, ao contrário do Canadá (Otava, Montreal e Toronto) e dos Estados Unidos (Califórnia, Massachusetts, Connecticut, Nova Iorque e Nova Jérsia), onde “o nível de vida médio permite, em geral, que os utentes utilizem a plataforma pagando”.

O alargamento da rede do Instituto Camões na plataforma Português Mais Perto sucede-se ao projeto-piloto de utilização da ferramenta multimédia no Canadá e nos Estados Unidos, com 11 escolas, 33 professores e 486 alunos no ano letivo de 2017/18 com “o intuito de se familiarizar os possíveis utilizadores com a plataforma”.

“Um dos principais resultados deste projeto-piloto é a intenção já manifestada pelo Conselho Consultivo Consular do consulado-geral de Portugal em São Francisco de alargamento de utilização da plataforma a todas as escolas comunitárias e do ensino oficial onde se aprende português”, explicou Luís Faro Ramos.

Há 535 inscrições, individuais e institucionais

No ano letivo de 2017/18, com um universo de 33 professores, 575 alunos inscreveram-se na ferramenta Português Mais Perto, “de particular relevância nos países onde não há rede oficial do instituto Camões, uma vez que surge como recurso complementar de utilização em sala de aula, com tutores/professores locais”.

Em África, os alunos inscritos estavam radicados em Moçambique, Reunião (departamento ultramarino francês no Oceano Índico) e África do Sul.

Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Jérsia, Luxemburgo, Noruega, Holanda, Polónia, Reino Unido, Roménia, Rússia, Sérvia e Suíça, além de Portugal, foram os países europeus com inscritos na plataforma virtual, com oferta no 1.º ciclo (1.º ao 4.º ano), no 2.º ciclo (5.º e 6.º), no 3.º ciclo (7.º ao 9.º) e secundário (10.º ao 12.º).

O recurso multimédia teve em 2017/18 inscritos no Brunei, China, Emirados Árabes Unidos, Macau, Turquia e Vietname. No continente americano, além de alunos do Canadá e Estados Unidos, registaram-se também inscrições no Uruguai e Bermudas.

Neste ano letivo de 2018/19, “existem atualmente 535 inscrições, individuais e institucionais”, com “a maioria dos utilizadores a frequentar cursos de português língua de herança (523)”, destinado para alunos que sempre frequentaram a escola no estrangeiro, com um registo residual a pertencer ao português língua materna, para os que estiveram em escolas em Portugal e têm no horizonte voltar ao sistema de ensino português.

Venezuela (150 alunos), África do Sul e Estados Unidos (125) são os países que, até ao presente, têm mais alunos inscritos na plataforma virtual. Austrália (Camberra, Melbourne e Nova Gales do Sul) e Canadá (Edmonton e Montreal) apresentam 50 inscritos cada. Do total de inscrições neste ano letivo – 535 -, 35 referem-se a registos individuais de setembro a dezembro do ano passado, dos quais 30 sem tutor. In “Mundo Português” - Portugal

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Angola - Escola portuguesa de Saurimo ganha biblioteca

Projecto vai ser financiado pela Câmara de Vila Nova de Gaia, cidade que vai ser geminada com a capital da Lunda Sul.

A Escola Portuguesa da Lunda Sul, em Saurimo, vai ganhar uma biblioteca patrocinada pela Câmara de Vila Nova de Gaia, cidade portuguesa junto ao Porto, anunciou o presidente da câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, à agência Lusa.

O projecto vai ser financiado com EUR 5000 (USD 5590) e o transporte de livros escolares e didácticos será garantido pela Porto Editora, no âmbito do acordo de cooperação assinado entre as três entidades: câmara, escola e editora.

A biblioteca, que vai chamar-se Vila Nova de Gaia, vai assim aumentar a qualidade de ensino na escola recentemente inaugurada e que conta com 121 alunos, entre os quatro e os 11 anos.

“Vila Nova de Gaia e Saurimo, capital da província de Lunda Sul, têm em curso um processo conducente à geminação das respectivas cidades, destinado a fortalecer os laços históricos, culturais e linguísticos que unem indelevelmente os povos angolanos e português”, afirmou o autarca, citado pela Lusa.

A geminação entre estes dois municípios contribuirá para fomentar e dinamizar o intercâmbio e a cooperação entre instituições das suas regiões, nomeadamente em projectos de educação e ensino visando a valorização recíproca e o progresso e bem-estar das populações, explicou. In “Rede Angola” (com Lusa) - Angola