Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Macau - A nova arte macaense na pintura chinesa em exposição na Fundação Rui Cunha

A Associação de Pinturas e Caligrafia Macau Oriente apresentou esta terça-feira os últimos trabalhos dos seus associados numa conjugação de poesia, pintura e caligrafia através de uma fusão da estética oriental e ocidental.

A terceira edição da Exposição dos Associados da Associação de Pintura e Caligrafia Macau Oriente que está patente ao público até ao próximo dia 5 de Outubro, foi ontem inaugurada, na Galeria da Fundação Rui Cunha, com a apresentação de obras de 11 artistas diferentes em que a busca pela personificação da beleza dos choques dinâmicos entre culturas encontra uma simbiose estética com Macau no centro deste intercâmbio entre a China e o Mundo.

Na procura de uma linguagem universal que conjugue o equilíbrio estético à harmonia espiritual, os trabalhos expostos pela Associação de Pinturas e Caligrafia Macau Oriente (APCMO) apresentam como grande novidade a divulgação de pinturas chinesas acompanhadas por poemas em português, patuá, italiano e inglês.



“Nas pinturas chinesas, as ilustrações vêm acompanhadas de poemas ou versos em chinês, mas a nossa iniciativa é colocar para além dos poemas ou versos em chinês, poemas em português, inglês, patuá e italiano para salientar Macau como um centro cultural específico”, começou por dizer ao Ponto Final André Avelino António, um dos artistas em exposição na Galeria da Fundação Rui Cunha e vice-presidente do Conselho de Administração da APCMO. “Há muitas pessoas que depois de verem as obras com poemas em língua estrangeira ficam muito espantadas porque nunca tinham observado pinturas chinesas com poemas em português ou noutras línguas”, acrescenta André Avelino António.

Criada para divulgar e promover a pintura e caligrafia chinesa, a Associação de Pinturas e Caligrafia Macau Oriente exibe na terceira exposição uma centena de quadros dos quais se destacam 40 pinturas chinesas, pinturas acrílicas, pinturas a óleo e caligrafias chinesas.

Um dos artistas em destaque na mostra é Leong Iok Fai, Fundador da APCMO e mestre de André Avelino António e do seu irmão Fernando António, outro dos artistas em exposição. “Na pintura chinesa, todos as linhas unem-se à caligrafia num equilíbrio harmonioso. Nunca se pode fazer uma pintura assim, uma linha bonita, mas sem vida, sem naturalidade. A linha tem de ter vida, como a música sem ter aqueles sinais das partituras”, afirmou Leong Iok Fai, ao Ponto Final, sobre a conjugação da poesia e da caligrafia à pintura chinesa.



“A pintura chinesa fala sempre em equilíbrio. A caligrafia e pintura têm de ser sempre ligadas. É um tipo de equilíbrio”, acrescenta André Avelino António, depois de traduzir as declarações do Mestre Leong Iok Fai em cantonense. “Todas as pinturas chinesas têm de ter um carimbo da pessoa que pinta e da pessoa que fez o verso. Para além da assinatura, o artista tem de colocar o carimbo. Quando se aprecia um quadro, além de apreciar o desenho em si, há também a caligrafia, e mesmo onde colocar o carimbo também tem regras, o tal equilíbrio”, frisa ainda André Avelino António sobre outro dos pormenores das pinturas chinesas em exposição.

Procura da harmonia

Um dos temas recorrentes nas pinturas chinesas são os cenários de natureza idílica com uma figura humana à procura da harmonia nas montanhas longe do turbilhão da civilização. “Procuras a harmonia das coisas no regresso à natureza. Uma figura de um homem sentado aí, quer dizer, as pessoas da cidade voltam para a natureza. A maior parte das pinturas chinesas tem a sua base no taoísmo, não no budismo. É por isso que é importante colocar os versos no devido lugar. Se virmos a pintura só, sem as palavras, não tem grande equilíbrio. Quando vemos em conjunto já é outra coisa. Está sempre interligado, só a caligrafia pode preencher uma pintura”, conta André Avelino António ao Ponto Final.

“Às vezes, o que é escrito no poema não tem de ter ligação com a pintura em si. Pode ter ligação com a pintura, mas também pode não ter nada a ver com a pintura. O que importa é escrever uma coisa com equilíbrio. O artista procura sempre esse equilíbrio. O próprio acto de pintar já é espiritualidade”, acrescentou André Avelino António.



Um dos traços característicos da obra de Leong Iok Fai e dos seus pupilos foi a introdução da cor na pintura chinesa, tradicionalmente a preto-e-branco, e que causou grande impacto na China. “Depois da primeira exposição há três anos, fomos convidados para várias exposições dentro da China em que as pessoas ficaram pasmadas com o que viram pois eram obras diferentes do tradicional”, revelou André Avelino António, para contar a história de um senhor já de idade avançada que viajou centenas de quilómetros de autocarro pelo interior da China para observar as obras da APCMO. “Até numa cidade muita antiga e remota do interior da China houve um senhor de idade que pintava já há muitos anos e que quando soube da nossa ida lá pediu à neta para apanhar um autocarro para fazer uma viagem de seis horas só para ver as nossas obras”, sentenciou André Avelino António.

A terceira edição da exposição dos Associados da Associação de Pinturas e Caligrafia Macau Oriente conta com artistas chineses, macaenses, portugueses e um japonês. As obras de Leong Iok Fai, Syoichi Okamoto, Chio Vai Fu, Amy Chan, Fernando António, André Avelino António, Chao Iok Leng, Leong Wai Chao, Gonçalo Cardoso Menezes e Catarina António Ganhão vão estar em exposição na Galeria Fundação Rui Cunha até 5 de Outubro. In “Ponto Final” – Macau

pontofinalmacau@gmail.com

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