Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 2 de janeiro de 2021

Angola - Plágio leva júri do Prémio António Jacinto 2020 a anular galardão

O júri do Prémio Literário António Jacinto 2020 anulou a atribuição do prémio a Lourenço Mussango por verificar na obra do laureado "confluências morfossintáticas, estruturais e de conteúdo que configuram plágio" de um conto da autoria do escritor brasileiro Paulo Cantarelli, apurou o Novo Jornal



A decisão, que vem explicada numa acta datada de 21 de Dezembro de 2020, é baseada no ponto dois do artigo 3.º do regulamento do referido prémio literário, que determina, entre outros aspectos, que as obras a concurso sejam "inéditas".

O escândalo de plágio «rebentou» em meados de Dezembro do ano passado, quando o brasileiro Paulo Cantarelli, em texto publicado no Facebook, acusou o angolano Lourenço Mussango de lhe ter "roubado" parte do conto «Serena» para compor o «Mulher Infinita», um conto do livro com o mesmo título e com o qual o autor nacional se sagrou vencedor do Prémio Literário António Jacinto.

Contudo, apesar da denúncia pública, o Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas, órgão do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA), entidade promotora do prémio, ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto.

E como o regulamento do prémio é omisso quanto ao procedimento a tomar em caso de anulação motivada por plágio, o dossier pode «subir» para os tribunais, até porque, além de o autor brasileiro ter prometido levar o processo às últimas consequências, o MCTA já entregou a Lourenço Mussango o cheque em kwanza equivalente a cinco mil dólares e publicou mil exemplares da obra laureada.

Ao ser declarado vencedor da edição de 2020 do Prémio Literário António Jacinto, cujo júri foi integrado, entre outros membros, por Joaquim Martinho (presidente) e Domingas Monte (secretária), Lourenço Mussango fora elogiado por apresentar um texto "cujo pendor imaginativo e processo criativo e 1993recria, com subtileza, temas e cenários do quotidiano com laivos intertextuais, tendo a mulher como o cerne da narrativa".

O Prémio Literário António Jacinto existe desde 1993 e é destinado a jovens angolanos sem obra. In “Novo Jornal” – Angola

Sobre a atribuição do Prémio Literário António Jacinto 2020 aceda aqui.


Moçambique - Petrolífera francesa Total reduz operações por causa do terrorismo

A petrolífera francesa Total anunciou que reduziu as operações e o número de trabalhadores envolvidos no projeto de gás natural em Moçambique devido aos ataques terroristas perto das instalações, o último a cinco quilómetros

“A Total reduziu temporariamente a sua força de trabalho no local em resposta ao ambiental atual”, disse a petrolífera em respostas à agência de informação financeira Bloomberg, não revelando, no entanto, o número de trabalhadores que foram mandados para casa nem por quanto tempo.

“A situação está em constante avaliação”, acrescentou apenas a petrolífera que lidera o projeto de exploração de gás natural no norte de Moçambique, um investimento de 20 mil milhões de dólares e que é o maior investimento privado na África subsaariana.

A violência no norte de Moçambique tem-se intensificado nas últimas semanas, com o último ataque a ocorrer na semana passada e a apenas cinco quilómetros do local onde decorrem as obras para a instalação de uma central de gás natural liquefeito, num projeto liderado pela Total, que os insurgentes dizem que pode ser o próximo alvo.

Para além do problema da violência, a Total destacou também que a pandemia de covid-19 também contribuiu para a decisão de reduzir a força de trabalho no local.

Moçambique está a tentar controlar a insurgência armada na província de Cabo Delgado, que começou em outubro de 2017 e já terá morto mais de 2500 pessoas, motivando mais de meio milhão de moçambicanos a abandonarem as suas casas para fugir à violência.

O projeto da Total, a que se junta o da italiana Eni e da norte-americana Exxon Mobil, tem o potencial de transformar a economia do país quando começarem a ser exportadas as enormes quantidades de reservas de gás natural que estão no norte do país, nomeadamente ao largo da costa, e que vão colocar o país no topo da lista dos maiores exportadores mundiais.

O segundo ataque próximo aos megaprojetos de gás em dezembro ocorreu na terça-feira, após um primeiro que ocorreu no dia 07 de dezembro na aldeia de Mute, a menos de 25 quilómetros da área onde está a ser construída a zona industrial de processamento de gás natural da Área 1 da bacia do Rovuma.

Os novos ataques de terça-feira ocorreram um dia depois de o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, pedir às Forças de Defesa e Segurança “máxima prontidão” face ao “silêncio do inimigo”, após operações com “bons resultados” por parte das forças governamentais em Macomia, outro distrito de Cabo Delgado que tem sido afetado com frequência pelas incursões dos rebeldes. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Portugal - Zoo de Lourosa lidera programa internacional

O Zoo de Lourosa, em Santa Maria da Feira, vai liderar um programa internacional apostado em aumentar a população selvagem do calau de casco cinzento, revelou o único parque ornitológico do país a propósito dessa ave ameaçada



O projeto envolve outras cinco instituições inscritas na Associação Europeia de Zoos e Aquários (EAZA), que escolheu o parque do distrito de Aveiro para coordenar a gestão em cativeiro das populações do calau da espécie ‘Ceratogymna atrata’, que é nativa das florestas do Centro-Este africano, está pouco identificada no seu habitat natural e integra a lista do Programa Europeu de Espécies Ameaçadas – também conhecido como “EAZA Ex-situ Programme”.

Como o Zoo de Lourosa tem vindo a monitorizar desde 2016 vários indivíduos dessa espécie, foi em 2020 convidado pela EAZA para aplicar a sua experiência na coordenação de um programa envolvendo outros 10 parques em território europeu.

“Dentro da EAZA existem 30 aves desta espécie de calau em cativeiro, mas poucos zoos têm conseguido a sua reprodução. Como o de Lourosa é dos poucos a nível mundial a ter sucesso reprodutivo com esta espécie e já monitoriza a respetiva população há alguns anos, foi proposto que ficássemos nós a coordenar o programa e o Comité Europeu de Espécies Ameaçadas confiou-nos essa responsabilidade”, explicou à Lusa Salomé Tavares, diretora da estrutura portuguesa.

O trabalho com o calau ‘Ceratogymna atrata’ será supervisionado pela curadora Andreia Pinto, e visa estudar o verdadeiro estatuto da espécie em estado selvagem com vista a travar “o decréscimo significativo da sua população devido ao tráfico”.

O projeto irá assim implicar investigação demográfica e genética, assim como “partilha de informação entre as várias instituições envolvidas”, no que a intenção é “manter elevados padrões de maneio da espécie em cativeiro e criar condições para que se reproduza com sucesso”.

Salomé Tavares realça que também cabe à equipa do Zoo de Lourosa “localizar potenciais futuros participantes no programa e fazer recomendações sobre a colocação dos descendentes da espécie, com o intuito de manter a sua diversidade genética”.

Em 2016 existiam apenas 13 calaus de casco negro em seis zoos membros da EAZA, mas, graças ao “sucesso pioneiro” do zoo da Feira na reprodução da espécie, os indivíduos mais jovens foram confiados a outras instituições europeias e atualmente a população da ‘Ceratogymna atrata’ aumentou para 30 aves distribuídas por 11 parques.

A primeira cria de calau de casco cinzento concebida em Lourosa nasceu em 2009. Já a ave mais jovem da espécie a juntar-se a essa família terá agora entre quatro a seis meses.

A sua idade exata é desconhecida porque, embora se tenha ouvido “uma cria a piar em julho, a mãe manteve-a selada no ninho durante algum tempo, como é típico dos calaus, e só em outubro a deixou sair pela primeira vez”.

Nessa altura, recorda Salomé Tavares, foi dupla a surpresa: “Contávamos só com uma cria, mas afinal eram duas”.

O Zoo de Lourosa abriu oficialmente as suas portas ao público em outubro de 1990, sendo nessa altura propriedade de um particular.

Em 2000 o espaço foi adquirido pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, que impôs ao local as normas comunitárias relativas à exposição de animais ao público.

Após algumas obras de remodelação, a reabertura do parque aconteceu em 2001, sendo que hoje o Zoo conta com cerca de 500 aves de 150 espécies diferentes, muitas delas raras ou ameaçadas de extinção. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

São Tomé e Príncipe - Inaugurado Jardim de Infância em Bobô-Fôrro

 


São Tomé – O Primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus acabou de inaugurar um novo Jardim de Infância, na localidade de Bobô-Fôrro, pouco menos de três km na zona este da cidade de São Tomé (capital do País), com capacidade para mais de 200 crianças.

Além de três salas de aulas, a nova instalação de Ensino Pré-escolar que recebeu o nome de Ester Will (antiga Educadora de Infância) é composta ainda por uma biblioteca, uma sala para professores e casas de banho.

O valor desta nova infra-estrutura concluída e inaugurada na última terça-feira, não foi revelada a imprensa.

Falando na ocasião, o Chefe do Governo ao congratular-se com a inauguração do imóvel, pontuou, considerando que “trata-se de cultura de resultados”.

Bom Jesus disse que “a conclusão deste Jardim de Infância, vai atender as necessidades das populações de Bobô-Fôrro, Bobô Cativo e arredores”, ao qual frisou que sinaliza “a materialização de política de levar o saber aos São-tomenses”.

Além de Jorge Bom Jesus e de Julieta Isidro, ministra da Educação e Ensino Superior tomaram parte, igualmente, na cerimónia, alguns quadros do seu gabinete e Américo Ceita, líder do Munícipio de Mé-Zóchi.

Na circunstância, a ministra da Educação afirmou que “a inauguração deste Jardim de Infância insere-se na política de proximidade e levar a Educação às Populações do País”.

A inauguração destas instalações surge dois meses depois das autoridades São-tomenses terem também inaugurado uma outra infra-estrutura idêntica na localidade de Plancas-2ª, no Distrito de Lobata, no norte da Ilha de São Tomé no arquipélago de São Tomé e Príncipe. Manuel Dênde – São Tomé e Príncipe in “STP Press”


UCCLA - Morreu Carlos do Carmo


“Lisboa, menina e moça”, “Os putos”, “Canoas do tejo” são algumas das músicas eternizadas por Carlos do Carmo, fadista que faleceu neste primeiro dia do ano de 2021. Figura incontornável do fado e da música em geral, Carlos do Carmo deixa um enorme legado na memória de todos. Nesta hora, a UCCLA expressa as mais sentidas condolências à família.

O Secretário-geral da UCCLA, Vitor Ramalho, escreveu a seguinte nota:

Como é do domínio público, Carlos do Carmo deixou definitivamente de cantar no primeiro dia deste novo ano de 2021. Isso não significa que a sua voz tenha deixado de ser ouvida como uma referência cultural incontornável do povo português. Ao tê-lo presente aqui e agora não poderia deixar que, nesta hora, deixássemos de refletir que o fado, que interpretou de forma invulgar, é resultado direto do encontro secular de culturas dos povos de língua oficial portuguesa tal como o é a morna ou o samba para além de outras formas de canto dos nossos povos.

É obrigação da UCCLA recordar esta realidade neste mundo hoje cada vez mais global, relevando o facto da própria afirmação de Portugal no mundo ter como instrumento privilegiado a lusofonia. Carlos do Carmo foi neste sentido um herói da cultura porque a cultura tem os seus heróis e Carlos do Carmo é um deles.

O melómano brasileiro José Ramos Tinhorão refletiu, como poucos, o facto das expressões musicais dos nossos povos, e entre elas o fado, terem sido resultado desses encontros seculares de cultura na obra recentemente reeditada em Portugal “Os negros em Portugal, uma presença silenciosa” de leitura obrigatória nesta data em que Carlos do Carmo nos deixou.

Tive o privilégio de o conhecer há muitos anos e o nosso primeiro contacto teve exatamente a ver com o encontro de culturas dos nossos povos e a expressão desse encontro na música.

A grandeza de Carlos do Carmo está para além e muito para além das fronteiras de Portugal.

À sua família e em especial à sua mulher e filho vão as mais sentidas condolências da minha pessoa e da UCCLA.

Nascido em Lisboa, em 21 de dezembro de 1939, Carlos do Carmo era filho da fadista Lucília do Carmo (1919-1998) e do livreiro Alfredo Almeida, proprietários da casa de fados O Faia, onde começou a cantar, até iniciar a carreira artística em 1964.

Mais informações sobre a vida e obra de Carlos do Carmo


 

Por morrer uma andorinha

 








Vamos aprender português, cantando

 

Por morrer uma andorinha

 

Se deixaste de ser minha, minha dor

não deixei de ser quem era e tudo é novo

por morrer uma andorinha sem amor

não acaba a primavera diz o povo

por morrer uma andorinha sem amor

não acaba a primavera diz o povo

 

Como vês, não estou mudado, felizmente

e nem sequer descontente ou derrotado

conservo o mesmo presente do passado

e guardo o mesmo passado bem presente

conservo o mesmo presente do passado

e guardo o mesmo passado bem presente

 

Eu já estava habituado a este fado

e a que não fosses sincera em teu amor

por isso eu não fico à espera do sabor

de uma ilusão que eu não tinha e nem renovo

se deixaste de ser minha, minha dor

não deixei de ser quem era e tudo é novo

 

Vivo a vida como dantes a cantar

não tenho menos nem mais do que já tinha

e os dias passam iguais pra não voltar

aos dias que vão distantes de seres minha

e os dias passam iguais pra não voltar

aos dias que vão distantes de seres minha

 

Horas, minutos, instantes, desta vida

seguem a ordem austera com rigor

ninguém se agarre à quimera sem valor

do que o destino encaminha e não é novo

pois por morrer uma andorinha sem amor

não acaba a primavera diz o povo


Por morrer uma andorinha sem amor

Não acaba a primavera diz o povo

 

Carlos do Carmo de Ascensão Almeida – Portugal

(Lisboa, 21 de dezembro de 1939 – Lisboa, 01 de janeiro de 2021)

 

Camané (Carlos Manuel Moutinho Paiva dos Santos) – Portugal

 

Letra – Frederico de Brito e Américo Tavares dos Santos - Portugal


Chega


 








Vamos aprender português, cantando

 

Chega

 

Bendita dor me deixa em paz

bendita dor me deixa em paz

e se ele some quando to na cama,

melhor deixar de vez

 

Pra mim não é que tanto faz

pra mim não é que tanto faz

pra mim não vale ir embora, já chegou a hora de me tornar feliz

 

Ela joga nas estradas sem mentira pra não ter demora sem demora

 

Chega chega nas estradas e não vale nada

ter dinheiro pra viver tão só sem amor e paz

chega chega nas estradas e não vale nada ter dinheiro pra viver tão

só sem amor e paz

 

É brilhantina, corpo a corpo na balada, ela não vibra sem um som que

não rola na dança, deixe essa menina solta

 

É cor de rosa, sorriso e samba, que quando solta seus olhares,

namoradeira e quando corre pé descalça, deixe essa menina solta

 

Ela joga nas estradas sem mentira pra não ter

 

Chega chega nas estradas e não vale nada

ter dinheiro pra viver tão só sem amor e paz

chega chega nas estradas e não vale nada ter dinheiro pra viver tão

só sem amor e paz

 

Sem expectativa, saturação da vida

sem expectativa, saturação da vida

sem expectativa, saturação da vida

sem expectativa, saturação da vida

 

Chega chega nas estradas e não vale nada

(sem expectativa, saturação da vida)

ter dinheiro pra viver tão só sem amor e paz

(sem expectativa, saturação da vida)

chega chega nas estradas e não vale nada

(sem expectativa, saturação da vida)

ter dinheiro pra viver tão só sem amor e paz

 

Gaia Gozzi - Itália