Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Portugal - Modelo de inteligência artificial Amália com melhor desempenho em português europeu face a outros modelos abertos

O modelo de inteligência artificial (IA) Amália tem melhor desempenho em português europeu face a outros modelos abertos, de acordo com o relatório técnico da equipa de investimento e desenvolvimento a que Lusa teve acesso.


“Os resultados mostram que o AMALIA-DPO [Direct Preference Optimization] atinge o melhor desempenho entre os modelos totalmente abertos por uma margem considerável, obtendo mesmo os melhores resultados entre todos os modelos em lexicologia e semântica, demonstrando um domínio robusto das competências linguísticas específicas” do português de Portugal em diversas categorias.

O LLM [Large Language Model ou, traduzindo, grande modelo de linguagem] português Amália tem estado em constante evolução pelo consórcio de universidades portuguesas que lidera o seu desenvolvimento.

De acordo com o relatório técnico, em avaliação aprofundada de português europeu, o Amália apresenta vantagens claras face a outros modelos abertos.

Nos exames nacionais portugueses (questões de resposta longa de português), o Amália “obtém a melhor pontuação entre todos os modelos totalmente ‘open source’, demonstrando uma boa compreensão de enunciados complexos e produção de texto coerente, com gramática e registo adequados”.

Neste relatório, “apresentamos um LLM que prioriza a língua portuguesa europeia e o seu contexto cultural”, lê-se no documento, que refere que o Amália utiliza dados do arquivo.pt e dados pós-treino preparados especificamente para o português europeu.

O documento indica que o LLM foi treinado com estratégias de modelação de linguagem e ajuste de instruções.

“Um desafio fundamental no desenvolvimento deste modelo foi a falta de ‘benchmarks’ [referências] para monitorizar o progresso do desempenho do modelo”, é apontado no relatório.

Para mitigar esta limitação, “utilizámos exames nacionais PT-PT, criámos um ‘benchmark’ linguístico e traduzimos vários conjuntos de dados” com um modelo de tradução automática (MT) dedicado de alta qualidade.

“A avaliação mostrou que o Amália supera todos os modelos de código aberto anteriores no PT-PT e muitos modelos ‘open-weight’ [que partilham os pesos (parâmetros treinados)]”, conclui o relatório técnico.

“As experiências em ‘benchmarks’ de compreensão e inferência de linguagem mostram resultados de última geração ou comparáveis, enquanto em ‘benchmarks’ de geração de linguagem o modelo destaca-se na qualidade do texto gerado. As experiências de segurança mostram também que o modelo está alinhado com o estado da arte”, lê-se no relatório.

No futuro, “iremos explorar outros métodos de aprendizagem por reforço e desenvolveremos novas combinações de dados de treino para melhorar as capacidades de raciocínio no PT-PT”.

Ou seja, na prática estes resultados indicam que o Amália está a tornar-se fiável como assistente em português europeu.

O relatório é elaborado por João Magalhães (UNL) e André Martins (IST), coordenadores, e uma equipa de cerca de 20 pessoas da Universidade de Lisboa e Universidade Nova de Lisboa.

O modelo Amalia é desenvolvido por uma equipa composta pela Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Coimbra, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O processo de criação do Amália começou com a recolha e processamento de dados em português europeu em larga escala, os quais foram filtrados com base na sua relevância e qualidade linguística. Para este efeito, recorreu-se ao Arquivo da Web portuguesa. O modelo foi pré-treinado com estes dados e posteriormente afinado em outros conjuntos de dados para seguir instruções, raciocinar e resolver problemas.

Para levar a cabo o treino dos modelos, foi utilizada infraestrutura computacional em grande escala, através de supercomputadores nacionais (Mare Nostrum 5 e Deucalion) e europeus (através da rede EuroHPC). In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sábado, 12 de dezembro de 2020

Brasil - Lançado primeiro assistente de escrita inteligente em língua portuguesa


Na data em que Clarice Lispector completaria 100 anos, último dia 10, chegou ao mercado brasileiro a primeira ferramenta de correção de texto inteligente em língua portuguesa.

Clarice.ai é uma plataforma que promete inovar no mercado e trazer ao usuário, tanto amador quanto profissional, um recurso que o auxiliará muito além das correções gramaticais que os corretores tradicionais, até então, oferecem.

Idealizada por Felipe Iszlaji e Lucas Spreng, a ferramenta trabalha com inteligência artificial (AI – na sigla em inglês) e é alimentada com diversos manuais de escrita para ter uma base para sugerir correções de estilo, estrutura de frase, entre outros problemas textuais.

“São mais de 80 desvios que ela consegue reconhecer”, pontua Iszlaji. Dentre eles, excessos de advérbios, adjetivos e palavras de ligação (como a preposição “de”), grandes sequências de substantivos, frases muito longas, entre outros “desvios” – termo usado pelo programa – comuns em grande parte dos textos.

A plataforma, que está em funcionamento, em versão beta, desde abril deste ano, já conta com mais de 700 usuários, que fazem avaliações e ajudam a Clarice.ai a se aperfeiçoar via Machine Learning, que permite que o programa aprenda conforme as aceitações, as recusas e as sugestões dos beta testers. Até então, a versão pré-lançamento conta com uma precisão de 75%, segundo análises.

“Hoje há mais de 100 mil redatores trabalhando com marketing de conteúdo sem ferramentas de auxílio para a sua profissão”, afirma Iszlaji, que vislumbra um mercado receptivo para o seu novo produto. “Há outras plataformas similares em outros países, mas Clarice.ai é a primeira no Brasil”, continua Felipe.

O programa funciona da seguinte forma: o usuário submete o texto na plataforma e as correções e sugestões de melhorias aparecem.

Ele tem a possibilidade de aceitar as recomendações, alterar manualmente os trechos apontados como desvios, aprovar ou não as correções e comentar se concorda com as alterações propostas, de forma que a máquina aprenda e se aperfeiçoe à medida que os usuários vão utilizando-a de forma interativa.

A plataforma conta com as versões gratuita e paga, além de um plugin para a ferramenta Google Docs. A expectativa é que o projeto identifique mais de 300 desvios – ante os 80 atuais – daqui a dois anos.

Ainda em 2021, a ideia é se lançar no mercado b2b (Business to Business). “A Clarice.ai reconhecerá os termos que a empresa não gosta, seguindo o manual de estilo da marca”, projeta Iszlaji.

A versão teste da ferramenta já é utilizada por profissionais da Rock Content, plataforma de conteúdo. “Tenho usado a Clarice.ai há um tempo, e, desde então, não entrego nenhum trabalho sem antes passar por ela. É realmente o melhor programa de revisão de textos que já usei”, relata Larissa Oliveira, usuária “beta tester”.

A Clarice.ai está disponível para desktop, mas também pode ser acessada pelo celular, com o modo edição desabilitado. Para usar a Clarice.ai, basta acessar o sítio https://clarice.ai/. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Angola - O professor licenciado em Matemática que se qualificou para o Mundial de Futebol de 2018

O árbitro assistente angolano Jerson Emiliano dos Santos, que também é professor de Matemática, área na qual se licenciou, foi convocado pela FIFA para integrar a equipa de arbitragem do Mundial de Futebol 2018, que decorre entre 14 de Junho e 15 de Julho na Rússia. A indicação consolida o seu estatuto internacional.



Natural do Lubango, Jerson Emiliano dos Santos está, aos 34 anos, no lote de convocados da FIFA para apitar os jogos do Campeonato do Mundo de Futebol da Rússia.

O angolano é um dos 10 assistentes africanos que integram a equipa de arbitragem Mundial, composta por um total de 36 árbitros principais (seis africanos) e 63 auxiliares.

A indicação de Jerson Emiliano, anunciada na passada quinta-feira, 29, pela FIFA , consolida o seu estatuto internacional, já evidenciado pelas presenças na final da Liga dos Campeões africanos de 2015, na final da Taça Cosafa de 2016, e, também em 2016, na final do Campeonato Mundial de Clubes.

O árbitro assistente também participou nas edições do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2013, 2015 e 2017, tendo, nesta última, integrado o quarteto de árbitros que apitou a final entre Camarões e Egipto, desempenho que lhe valeu o título de melhor auxiliar da prova.

A par da crescente projecção desportiva, Jerson Emiliano destaca-se no mundo académico, sendo professor de Matemática, área na qual se licenciou pelo ISCED da Huíla, província onde ainda reside e dá aulas.

"A actividade docente é realizada durante a semana (de segunda a sexta-feira). Dou aulas no período da tarde, o que permite que eu tenha o período da manhã livre. Os jogos normalmente são realizados no final de semana, posso viajar numa sexta-feira à noite, apitar no sábado e regressar no domingo", contou o árbitro, numa entrevista publicada este ano no Caderno de Fim-de-Semana do Jornal de Angola.

À mesma publicação, Jerson Emiliano considerou que o seu percurso na arbitragem "é um orgulho, mas também uma responsabilidade".

"O orgulho é também para os huilanos e os angolanos no geral. Não é fácil atingir tão altos patamares no mundo dos desportos em África e no Mundo. Requer muito esforço", assinalou o árbitro e professor. In “Novo Jornal” - Angola