Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Internacional - Estudo liderado pela UC deteta microplásticos e contaminantes químicos em aves marinhas subantárticas

Um estudo internacional liderado por investigadores do Centre for Functional Ecology (CFE) do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) detetou microplásticos e compostos químicos associados à produção de plásticos (aditivos) em aves marinhas que se reproduzem em regiões subantárticas, nomeadamente na Geórgia do Sul. Alguns destes compostos são reconhecidos como disruptores endócrinos.


Neste estudo, publicado na revista Journal of Hazardous Materials, foram analisados indivíduos de sete espécies de aves marinhas subantárticas, algumas das quais classificadas como vulneráveis ou em perigo de extinção. No total, foram identificadas 1275 partículas de origem antropogénica nos tratos gastrointestinais dos indivíduos analisados, correspondendo a uma média de cerca de 17 partículas por indivíduo.

“As análises revelaram que a maioria das partículas identificadas era de origem sintética (59%), em particular plástico. Foram também identificadas partículas de origem natural, como celulose e algodão, mas de origem industrial, podendo conter compostos adicionais, como corantes, que podem persistir no ambiente”, explica Joana Fragão, aluna de doutoramento em Biociências da FCTUC e do British Antarctic Survey, no Reino Unido.

O estudo analisou ainda a presença de compostos com potencial ação como disruptores endócrinos no fígado e no músculo das aves. Estes compostos, que podem interferir com o sistema hormonal, foram detetados, incluindo retardadores de chama, com concentrações mais elevadas no fígado.

“Os resultados evidenciam a presença simultânea de microplásticos e destes compostos em aves marinhas de regiões remotas, não tendo sido ainda estabelecida uma relação direta entre ambos nem avaliados os seus efeitos biológicos”, sublinha Filipa Bessa, coautora do estudo.

Ainda assim, os investigadores destacam que estes dados contribuem para uma melhor compreensão da exposição da fauna marinha a diferentes tipos de poluentes, sublinhando a importância de reforçar medidas internacionais que visem a redução da poluição marinha e a proteção da biodiversidade, incluindo a implementação de programas de monitorização de plásticos e contaminantes químicos, mesmo em ecossistemas considerados isolados. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 20 de julho de 2021

Internacional - Estudo revela a presença de microplásticos em pinguins da Antártida há mais de 15 anos

Um estudo internacional liderado por cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) demonstrou a presença de microplásticos (partículas com menos de 5 mm), como poliéster e polietileno, entre outras partículas de origem antropogénica, em pinguins na Antártida.

Neste estudo, no qual participaram também investigadores da Universidade de Nova de Lisboa, do Museo Nacional de Ciencias Naturales (Espanha) e do British Antarctic Survey (Reino Unido), foram utilizadas amostras de fezes de três espécies de pinguins – pinguim Adelie (Pygoscelis adeliae), pinguim de barbicha (Pygoscelis antarcticus) e pinguim gentoo (Pygoscelis papua) – recolhidas entre 2006 e 2016.

As análises realizadas permitiram verificar a presença generalizada de microplásticos em todas as espécies, colónias e anos do estudo. Além das partículas de plástico, foram encontradas em quantidades semelhantes outras partículas processadas, na maioria fibras, que, apesar de serem de origem natural (celuloses), são produzidas artificialmente e podem ter compostos, como tintas, que podem persistir no ambiente.

Este estudo, já publicado na revista Science of the Total Environment, segundo os autores, «demonstra que os microplásticos estão cada vez mais difundidos nos ecossistemas marinhos, identificados agora na Antártida, o que é preocupante dada a sua persistência no meio ambiente e a sua acumulação nas cadeias alimentares».

Joana Fragão, autora principal do estudo e investigadora do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC e do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), salienta que «o mais impressionante dos resultados foi verificar que os microplásticos estavam presentes na dieta das três espécies de pinguins, em vários locais e nos vários anos do estudo (2006, 2007, 2008, 2012, 2013, 2014 e 2016), o que demonstra que estas partículas se encontram já bem difundidas no ecossistema marinho Antártico».

Por seu lado, Filipa Bessa, coautora do estudo e especialista em poluição por microplásticos da UC, afirma que, «agora que sabemos que várias espécies de pinguins de regiões remotas como a Antártida ingerem microplásticos, mas que não existe um foco específico para a origem destas partículas, o próximo passo é também avaliar os efeitos destas partículas nestes ambientes».

Os resultados obtidos, sublinha José Xavier, autor sénior do artigo científico, «vão certamente ser muito úteis para abrir novas áreas de investigação nesta temática e avançar com políticas para reduzir o impacto da poluição por plásticos no Oceano Antártico no contexto do Tratado da Antártida».

Ou seja, concluem os três cientistas da FCTUC, «são necessários mais estudos para entender melhor a dinâmica espaço-temporal, destino e efeito dos microplásticos nesses ecossistemas, e controlar a contaminação por plásticos na Antártida». Universidade de Coimbra - Portugal