Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Angola – Satélite Angosat-2 já está na rampa de lançamento

O lançamento em órbita, esta quarta-feira, do Angosat-2, foi confirmado em Moscovo, na Rússia, pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Augusto Oliveira, que ontem, terça-feira, 11, se deslocou ao Cazaquistão, onde está a rampa de lançamento do foguete "Proton-M", com cerca de 50 metros de altura, que vai transportar o satélite angolano até ao espaço, a partir do Cosmódromo de Baikanur, por volta das 20:00, hora local (16:00 em Angola)


Questionado se há algum risco de acontecer com o Angosat-2 o que sucedeu com o primeiro satélite angolano - o Angosat-1, construído pela russa RKK Energia, por 320 milhões de dólares, acabou por ser um fracasso após falhas graves no lançamento, em 2018 - o governante afirmou, citado pelo Jornal de Angola, que "a indústria satélite é complexa" e que, apesar de as questões técnicas terem sido acauteladas, "a tecnologia é feita por homens".

"Tudo vai correr bem e Angola vai ter o satélite de comunicações, que vai contribuir para a melhoria e expansão das telecomunicações no País e com ele associados outros serviços como internet, telecomunicações que vão contribuir para a modernização administrativa do Estado, a educação, telesaúde e telemedicina, da própria indústria no País e da agricultura", acrescentou.

Este satélite, que pesa duas toneladas, possui definição de "High-throughput", ou elevada taxa de transferência de informação, um avanço considerável em relação aos clássicos FSS, de menor capacidade, vai chegar ao espaço para garantir a Angola um lugar de destaque em África neste capítulo por pelo menos 15 anos, que é a sua longevidade mínima garantida.

Esta é a segunda tentativa de Angola para entrar no clube dos países "espaciais" depois de o Angosat-1, construído pela russa RKK Energia, por 320 milhões de dólares, ter sido um fracasso após falhas graves no lançamento, em 2018.

O Angosat-2, construído pela russa ISS Reshetnev, que não representa novos custos para o Estado angolano devido às garantias existentes no primeiro projecto, acaba por ser uma vantagem para Angola, visto que chegará à sua órbita com uma capacidade incorporada para transmissão de dados, imagem e telecomunicações, muito superior, permitindo uma maior rentabilidade ao alugar parte desta capacidade a vários países africanos, como está previsto, e chegou a estar contratualizado para o Angosat-1.

O Angosat-2, desenvolvido pela russa Reshetnev, vai fornecer 13 gigabites de banda para cada uma das regiões "iluminadas" pelo alcance do seu sinal, que abrange a maior parte do continente africano e parte substancial da Europa, tendo como "casa" a plataforma Eurostar E3000, uma plataforma de acolhimento de satélites comerciais civis e militares de telecomunicações criada pela Airbus Defence and Space.

Com a chegada do Angosat-2 espera-se que o país dilua uma parte substancial das actuais dificuldades de comunicações e de acesso às tecnologias de comunicações, colocando Angola num patamar de linha da frente em África neste capítulo. In “Novo Jornal” - Angola

 


domingo, 7 de fevereiro de 2021

Brasil - Primeiro satélite totalmente feito no país tem lançamento agendado

Amazônia 1

O primeiro satélite artificial completamente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil será finalmente lançado ao espaço.

O satélite Amazônia 1, cuja principal missão será a observação e monitoramento da Terra, é fruto de um desenvolvimento conduzido pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em parceria com a AEB (Agência Espacial Brasileira).

O lançamento será no próximo dia 28 de fevereiro, às 10h24 da manhã, horário local da Índia - à 01h54 da manhã no Brasil.

As atividades de montagem, integração e testes do Amazônia 1 foram realizadas no Laboratório de Integração e Testes (LIT), situado no INPE em São José Campos (SP).

Depois de finalizado e testado, os módulos de serviço e de carga útil do satélite foram separados, acondicionados em seus contêineres e transportados para as instalações da base de lançamento em Sriharikota, na Índia.

Já nas instalações da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), o satélite foi remontado e integrado ao veículo lançador PSLV-C51.

Sem apoio

A proposta inicial era que o Amazônia 1 fosse lançado em 2010, mas a falta de priorização do setor espacial pelos diversos governos gerou adiamentos sucessivos.

Embora já vá ao espaço defasado tecnologicamente, o lançamento Amazônia 1 deve ser comemorado por ser fruto do esforço de uma pequena equipe que tenta fazer ciência espacial sem o suporte necessário. No mesmo período, países como a China e a Índia fizeram missões à Lua e à Marte.

O Amazônia 1 é um satélite de órbita polar que irá gerar imagens do planeta a cada 4 dias. Para isso, ele será dotado de uma câmera de campo amplo, capaz de observar uma faixa de 720 km com 40 metros de resolução.

Sua característica de revisita rápida aos mesmos locais permitirá a melhora nos dados de alerta de desmatamento na Amazônia em tempo real, maximizando a aquisição de imagens úteis diante da cobertura de nuvens na região. O Amazônia 1 também fornecerá imagens frequentes das áreas agrícolas brasileiras. In “Inovação Tecnológica” - Brasil

 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Angola - Angosat-2 será “primeiro satélite africano de última geração”

O Governo angolano assegurou hoje que o segundo satélite do país, Angosat-2, em construção a 50% e que deve ser lançado em órbita em 2022, “é o primeiro satélite africano de última geração, alto débito e alta capacidade”

“O Angosat-2, conforme foi dito pelo senhor ministro em dezembro, está ao nível de cerca de 50%, mas o que não significa dizer que os próximos 50% sejam os mais fáceis ou mais difíceis, é porque estamos a falar em tecnologia de alto nível, estamos a falar de um satélite última geração”, afirmou hoje o secretário de Estado das Telecomunicações angolano, Mário Oliveira.

Segundo o governante, que falava em Luanda, “apenas os grandes ‘players’ do mercado internacional, os grandes construtores e provedores de serviços de Internet são os que neste momento têm os satélites em órbita com as características do satélite Angosat-2”.

Tendo em vista à entrada em órbita do Angosat-2, que substitui o primeiro que se perdeu no espaço em 2017, decorre um “árduo trabalho” no seio dos especialistas angolanos certificados.

“E hoje já sentimos que estamos em melhores condições de poder melhor acompanhar o projeto, ser um participante integral daquilo é o projeto de construção do Angosat-2”, apontou.

O secretário de Estado, referindo-se ao Angosat-2, acrescentou: “Este satélite, em particular, com essas características que é um satélite que é conhecido de alto débito, de alta capacidade, é o primeiro satélite africano que se vai lançar”.

O responsável falava à margem de uma visita que representantes da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que participam de um ‘workshop’ de capacitação em Ampliação de Satélites, em Luanda, efetuaram ao Centro de Controlo de Missão de Satélites angolano.

Mário Oliveira referiu igualmente que a formação dirigida aos membros da SADC para “aproveitamento das facilidades do uso de infraestruturas de satélite” surge para Angola apresentar a sua experiência no domínio da tecnologia espacial.

“É uma forma também de divulgarmos os nossos projetos e tirarmos maior proveito possível daquilo que é o nosso programa espacial nacional e muito em particular o satélite Angosat-2”, realçou.

O primeiro satélite, o Angosat-1, um investimento do Estado angolano orçado em 320 milhões de dólares (290 milhões de euros), perdeu-se no espaço depois do seu lançamento em dezembro de 2017. In “Angola 24 Horas” - Angola

domingo, 22 de dezembro de 2019

Brasil - Satélite brasileiro entra em órbita para monitorar desmatamento da Amazônia

CBERS 4A custou ao Brasil R$ 160 milhões e é o sexto satélite feito em parceria com a China. Foi montado num laboratório do Inpe



O Brasil pôs em órbita, nesta sexta (20), em parceria com a China, um satélite que vai monitorar o desmatamento na Amazônia.

Na manhã desta sexta, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) receberam os primeiros sinais do novo satélite.

“Nessas primeiras 24 horas, o nosso objetivo é achar o satélite e controlá-lo. Eu vou mandar um comando para ele, para saber como que está a saúde dos equipamentos, bateria, se as câmeras ligam”, explicou Lúbia Vinhas, coordenadora de Observação da Terra do Inpe.

No domingo (22), ele deve começar a mandar imagens. O CBERS 4A foi levado ao espaço por um foguete chinês. CBERS é a sigla em inglês para a cooperação do Brasil com os chineses na área.



O lançamento aconteceu na base de Taiyuan, na China, às 11h, madrugada no Brasil. Tudo foi acompanhado por pesquisadores do Inpe, em São José dos Campos. O satélite levou 15 minutos para entrar em órbita.

A cooperação entre Brasil e China na área espacial começou em 1988. Em 2013, o lançamento do CBERS 3 falhou e o Brasil perdeu o equipamento.

O CBERS 4A custou ao Brasil R$ 160 milhões e é o sexto satélite feito em parceria com a China. Ele foi montado num laboratório do Inpe e vai fazer imagens melhores que o CBERS 4, em órbita há cinco anos e com a vida útil quase no fim.

Entre as funções do novo satélite está a de fornecer imagens para programas de monitoramento ambiental.

“Se eu estou interessado em olhar grandes áreas, como a Amazônia, me interessa mais olhar, com uma resolução média, mas olhar áreas muito grandes: 600 quilômetros, 800 quilômetros de uma vez só. Em alguns casos, nos interessa mais o detalhe; em alguns casos nos interessa mais uma visão panorâmica. O satélite tem essas duas possibilidades”, disse Marco Chamon, engenheiro do Inpe.

O CBERS 4A pode ser o último feito em parceria com a China. O acordo entre os dois países para a construção de satélites ainda não foi renovado. A vida útil dele será de cinco anos. Mas isso não significa que, depois desse prazo, o Brasil vai perder a autonomia na área de monitoramento ambiental.

O substituto será o satélite Amazônia 1, que também está sendo montado no Inpe. O equipamento 100% desenvolvido no Brasil deve ser lançado no segundo semestre de 2020.

“Ele mostra que, ao longo da parceira com a China e com outros países, o Brasil aprendeu, fez o dever de casa e conseguiu fazer seu próprio satélite. Nos qualifica para produzir os próximos satélites de observação da Terra e dos oceanos, que devem vir na sequência do Amazônia”, disse Ronaldo Buss, diretor interino do Inpe. In “G1 Globo” - Brasil

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

China – Pretende que o desenvolvimento da exploração espacial tenha Macau na “liderança”

A Administração Espacial Nacional da China assinou um acordo de cooperação com o Governo da RAEM que possibilitará a criação de um novo modelo de inovação e cooperação científica, nomeadamente a construção do Centro de Ciência e Exploração Espacial de Macau. Durante a inauguração, ontem, da exposição “Satélite de Macau – Amor Espacial e Sonho da China”, Alexis Tam divulgou o nome do primeiro satélite científico de Macau: “Ciência de Macau nº1”



A poucos dias da data que assinala o 20.º aniversário da implementação da RAEM, o director da Administração Espacial Nacional da China, Zhang Kejian, revelou que será estabelecido em Macau um Centro de Ciência e Exploração Espacial, no âmbito de um acordo de cooperação de desenvolvimento científico e tecnológico assinado com o Governo de Macau.

Antes de marcar presença na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) para a inauguração da exposição “Satélite de Macau – Amor Espacial e Sonho da China”, Zhang Kejian reuniu-se com o Chefe do Executivo, Chui Sai On, para assinar um “acordo de cooperação sobre o projecto de desenvolvimento conjunto de ciência e tecnologia de observação geomagnética e de satélite de teste de tecnologia entre a Administração Espacial Nacional da China e o Governo da Região Administrativa Especial de Macau”.

Um acordo que “simboliza a entrada numa nova fase de colaboração entre as duas partes na área da ciência, tecnologia e inovação”.

“A Administração Espacial Nacional da China tem dado muita atenção ao desenvolvimento do sector espacial de Macau e tem apoiado Macau na participação nos projectos nacionais sobre o Espaço”, começou por dizer Zhang Kejian, na inauguração da exposição “Satélite de Macau – Amor Espacial e Sonho da China”, acrescentando que o Governo Central da China tem planos para desenvolver os meios para que Macau tenha um papel de liderança em matéria de exploração espacial.

“Aproveitando as vantagens de Macau como uma zona franca de ‘Um País, Dois Sistemas’, a Administração Espacial Nacional irá estabelecer em Macau um Centro de Ciência e Exploração de Ciência Espacial de Macau de modo a poder salvaguardar o papel de liderança de Macau em matéria de exploração espacial”, referiu Zhang Kejian.

A implementação do presente acordo, além de dar um contributo importante para a investigação científica, também possibilitará a criação de “um novo modelo de inovação e cooperação científica” entre as entidades nacionais, o Governo da RAEM, e instituições da área baseadas nos dois lados, visando-se um aumento mais célere da capacidade de inovação no campo da ciência e tecnologia em Macau e nas outras cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, refere o comunicado ontem veiculado pelo gabinete do porta-voz do Governo.

Segundo Zhang Kejian, o acordo assinado com o Governo da RAEM tem como objectivo o reforço da cooperação em projectos espaciais entre a Administração Espacial Nacional e as instituições de ensino superior locais. O director da Administração Espacial Nacional da China referiu ainda ter confiança no desenvolvimento de Macau na área espacial, bem como noutras relacionadas com a ciência e tecnologia. “Também estamos aqui para encorajar mais pessoas de Macau a participarem na navegação espacial e a promover o reconhecimento nacional, incentivando o entusiasmo dos jovens de Macau em estudar ciência e explorar as incógnitas, de modo a concentrar esforços para o rejuvenescimento da Macau chinesa. E creio que com a liderança do Governo da RAEM e do Governo Nacional, assim como o Gabinete de Ligação e Fundação de Macau e de todos os patriotas de Macau, acredito que a nossa colaboração na área do Espaço trará mais resultados”, frisou Zhang Kejian, num evento que marcou o descerramento da placa do Centro de Ciência e Exploração Espacial de Macau da Administração Espacial Nacional da China, a entrega do prémio especial de contributo pelo Fundo Aerospacial da China e a inauguração da maquete do primeiro satélite científico de Macau, para além da divulgação dos resultados do concurso para o nome do referido satélite, cujo projecto arrancou no dia 9 de Outubro de 2019.

Um satélite chamado Ciência de Macau nº1

O acordo de cooperação assinado ontem visa a investigação e produção daquele que será o único satélite mundial de exploração científica a ser colocado em órbita próximo da linha do Equador, para monitorizar o campo geomagnético e o ambiente espacial da Anomalia do Atlântico Sul (SAA). Este projecto pressupõe uma investigação, em parceria com equipas científicas da China e de outros países, sobre o geomagnetismo e ambiente espacial, temas relevantes no campo científico relativos à origem e evolução da vida e do planeta.



Na cerimónia de inauguração da exposição “Satélite de Macau – Amor Espacial e Sonho da China” foram também divulgados os resultados do concurso de atribuição do nome do primeiro satélite científico de Macau, que irá monitorizar o campo geomagnético da Terra. De acordo com Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, o nome escolhido por um júri da MUST foi “Ciência de Macau nº1”. Segundo a informação divulgada pela organização, participaram mais de 1100 pessoas no concurso para baptizar o satélite de Macau num total de 1518 planos de denominação apresentados, entre os quais 1042 em língua chinesa e os restantes 476 em inglês. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Angola - Lança projecto para monitorizar seca através de dados de satélite

As autoridades angolanas vão passar a monitorizar a seca, que afecta 1,3 milhões de pessoas em quatro províncias do sul de Angola, através de dados de satélite, que vão permitir medir, quantificar e diagnosticar o problema



Trata-se do Projecto de Quantificação da Problemática da Seca no Sul de Angola, lançado em Ondjiva, capital da província do Cunene, a mais afectada pela seca, pelo Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias da Informação.

O projecto, que vai monitorizar a seca com a utilização de dados de satélite, visa demonstrar a implementação de um protótipo do sistema de exploração de dados de satélite para a gestão hídrica e monitoramento da seca, avança uma nota do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias da Informação.

"Com o Projeto de Quantificação da Problemática da Seca pretende-se explorar os dados de satélites para se combater a problemática da seca, determinar a taxa de ocupação do solo, identificar as fontes hídricas superficiais, determinar a densidade populacional, realizar análises do histórico das precipitações das regiões e do índice de vegetação e atuar na prevenção e monitorização das secas", refere o comunicado.

Na sua intervenção, o titular da pasta, José Carvalho da Rocha, disse que o projecto "é um contributo para o melhoramento das condições sociais e económicas do país, com especialistas nacionais e estrangeiros".

Uma das participantes internacionais no projecto, que actua como investigadora principal, é Danielle Wood, professora do Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos da América.

Daniele Wood destacou no seu discurso que a utilização do satélite de observação da terra permite observar a previsão do caudal dos rios, estudar o solo, vegetação e localização da população afetada pela seca.

Segundo o ministro, o projecto é um trabalho conjunto do Instituto Nacional de Meteorologia (Inamet), do GGPEN, universidades angolanas e dos ministérios do Ambiente e do Ensino Superior, "na busca de melhores caminhos para compreender cientificamente o problema da seca e as soluções".

Além do Cunene estão afectadas pelo problema da seca as províncias do Cuando Cubango, Huíla e Namibe.

O governador da província do Cunene, Virgílio Tyova, ressaltou que a seca afectou seriamente a vida e a economia daquela região no sul de Angola, vizinha da República da Namíbia, estando em curso medidas de mitigação do problema, nomeadamente a reabilitação de furos de água e a construção de 89 chimpacas (pequenos lagos artificiais) para dar de beber ao gado e irrigar campos agrícolas.

Hoje, segundo anunciou Virgílio Tyova, está previsto o lançamento da primeira pedra para a construção de três novas barragens naquela província. In “Angola 24 Horas” - Angola

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Brasil - Satélite brasileiro leva banda larga a 1 milhão de alunos da rede pública



Demorou, mas o SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas), que chegou ao espaço em maio de 2017, começa a entregar seus primeiros resultados, levando sinal de internet a áreas remotas do país. Foram pouco mais de dois anos inoperante — com um prejuízo diário de R$ 800 mil aos cofres públicos —, porém os dias de ócio chegaram ao fim.

Segundo a Telebras e a Viasat, empresas que operam o satélite em parceria, o número de escolas da rede pública conectadas chegou a 3,7 mil em maio. Ao todo, mais de 1,2 milhão de estudantes são beneficiados pelo projeto. Boa parte desses alunos vive em locais desprovidos de internet ou em regiões onde o sinal é extremamente lento.

Dados do Cetic, comitê que monitora o avanço da internet no Brasil, estimam que só 39% das escolas rurais dispõem de acesso à rede. Destas, 61% dividem entre todos os alunos uma conexão cinco vezes mais lenta que a velocidade considerada mínima para uma navegação estável (10 Mbps). Desse jeito, fazer pesquisas mais complexas e assistir a vídeos é praticamente inviável. A banda larga de 20 Mbps fornecida pelo SGDC busca minimizar esse problema.

"Tem sido exatamente como esperávamos: muitos estudantes usando tablets ou laptops para propósitos educacionais", diz Lisa Scalpone, gerente-geral da Viasat do Brasil, que ressaltou a dificuldade em instalar os aparelhos em regiões remotas. "Tem sido duro, muito mais difícil do que imaginávamos. Para chegar a muitos lugares é preciso ir de caminhão ou de barco.”

Mas o propósito do primeiro Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas não é só a inclusão digital. O projeto também pretende fortalecer a soberania nacional. Essa dualidade se reflete na própria estrutura do satélite, que opera tanto na banda X quanto na Ka. A primeira é destinada exclusivamente ao uso militar, para fornecer às forças armadas um canal de comunicação seguro e autônomo, enquanto a segunda é voltada à sociedade civil.

Não foi à toa que o governo, por meio dos ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, investiu R$ 2,8 bilhões no SGDC: é um projeto considerado estratégico para o desenvolvimento do país.

Conectar os desconectados

Para entender melhor o projeto, é preciso levar em conta a dimensão territorial brasileira e a forma como seus habitantes estão distribuídos. De acordo com um estudo da Embrapa, áreas urbanas somam menos de 1% do território nacional, mas concentram 84% da população. Ainda assim, dezenas de milhões de brasileiros vivem afastados dos centros urbanos, que praticamente monopolizam a oferta de internet — as grandes cidades são os locais de maior mercado de telecomunicação e, claro, maior lucro para as empresas.

Segundo o IBGE, em 2017 os usuários de internet no Brasil chegaram a 69% da população. Em países desenvolvidos, esse número costuma passar dos 80%. Só que, por aqui, o acesso é desbalanceado demais. Enquanto oito em cada dez domicílios urbanos estão conectados, na área rural são só quatro.

Se o governo não desse um jeito de alavancar a inclusão digital no campo, onde cabos de fibra ótica não chegam, muito provavelmente essa população permaneceria desconectada por anos ou décadas a fio. Mas essa é uma política que não traz apenas benefícios sociais: é algo que também estimula a economia.

Levantamento do Ipea concluiu que, a cada 1% de aumento no acesso à internet, o PIB cresce 0,19%. Para universalizar a conexão de qualidade no país e corrigir os desequilíbrios regionais, o governo criou em 2010 o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Reavivou no mesmo ano a Telebras, estatal desativada em 1998, para gerir o plano. E colocou nas mãos dela o projeto embrionário do SGDC.

Nos anos seguintes, o satélite foi construído na França e, após o lançamento, a estatal fechou uma parceria com a Viasat, empresa multinacional de telecomunicações, para ajudar no escoamento da banda larga espacial pelo país.

Só que o contrato ficou emperrado na Justiça, chegando ao Supremo. Isso porque outras empresas de telecomunicação, como a Via Direta, acusaram a Telebras de ter oferecido condições privilegiadas para fechar negócio com a Viasat, multinacional que ainda não atuava no Brasil. (O imbróglio jurídico foi tema de uma reportagem da GALILEU no ano passado).

Só em julho de 2018 a ministra Carmen Lúcia derrubou a liminar que suspendia a parceria público-privada. Tudo indicava que o caminho para a viabilização do uso civil do SGDC estava, enfim, desobstruído. Mas a novela continuou.

Próximos capítulos

Depois da aprovação do STF, foi a vez de o Tribunal de Contas da União (TCU) analisar o caso — e solicitar uma renegociação dos termos do contrato. De acordo com o relator Benjamin Zymler, havia "grave desequilíbrio" no modelo de compartilhamento de receitas originalmente proposto pelas duas empresas.

No TCU, o processo tramitou entre outubro e maio, mês em que o plenário aprovou os ajustes implementados no texto e liberou de vez a exploração comercial do SGDC. Ainda segundo o ministro Zymler, as mudanças farão a Telebras economizar R$ 342 milhões.

Funciona assim: imagine que a banda Ka do satélite fosse um bolo bem servido. O problema da versão original do contrato era que uma das partes cobria a maioria dos gastos com os ingredientes da receita, enquanto a outra ficava com o maior pedaço do bolo. Mais especificamente, a estatal precisava investir 36% a mais para fazer o negócio rodar, e a Viasat ganhava o direito de explorar uma fatia 38% maior de capacidade satelital.

Na avaliação de Waldemar Gonçalves, presidente da Telebras, a demora está relacionada à novidade da Lei das Estatais. Em vigor desde 2016, a legislação pretende desburocratizar e dar mais eficiência à gestão nas empresas públicas. A Telebras foi uma das primeiras a tirar proveito de um dos instrumentos da lei que permite a formação de "parcerias estratégicas" em casos específicos — e assim firmar contratos sem a necessidade de abrir uma licitação.

Para Gonçalves, a lei é uma mudança de paradigma pouco conhecida e aplicada pelos tribunais. Mas considera que o processo transcorreu com lisura. Já a gerente-geral da Viasat atribui a lentidão ao caráter sem precedentes do contrato. "É muito complexo e provavelmente único no mundo, mas será um ótimo modelo", diz Lisa Scalpone.

Otimismo

Na prática, a parceria tem funcionado por meio de um comitê que agrega membros das duas empresas. Cada uma traça suas próprias estratégias. Para a multinacional, o foco agora é expandir a equipe e consolidar novos parceiros locais para diversificar a atuação no mercado brasileiro. Até o momento já foram anunciados acordos com duas empresas: a Visiontec, que está cuidando da instalação e do gerenciamento dos equipamentos de banda larga, e a RuralWeb, que atua na distribuição dos pacotes de internet pelo país afora.

Com o SGDC, a Viasat pretende lançar uma grande variedade de produtos, como fornecer banda larga em voos e sobretudo em comunidades remotas, semelhante a um projeto da empresa no México, o Wi-Fi Comunitário, que tem alcançado bons resultados. Em pouco mais de um ano, mais de um milhão de mexicanos em 3 mil localidades ganharam acesso à internet por preços populares, a partir de R$ 2,40 pela hora de uso. Implantar o sistema é rápido e barato: a antena custa menos de mil dólares e é instalada em questão de horas. É a aposta da empresa para conectar vilarejos, quilombos e aldeias indígenas no Brasil.

Mas o principal cliente da Viasat continua sendo a Telebras. Como braço empresarial do governo no setor das telecomunicações, a empresa é a responsável pela execução das políticas públicas para levar internet a escolas, hospitais e postos de saúde em comunidades rurais, além de auxiliar as forças armadas levando conexão aos postos de fronteira. É o objetivo maior do Gesac (Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão), programa do governo federal para ampliar a conectividade no território brasileiro.

A meta é fechar 2019 com 15 mil pontos conectados, dos quais 10 mil são escolas. E, além do propósito educativo, a internet do SGDC pode ser usada em casos de acidente. Mais de 300 GB de dados e voz trafegaram pelas 22 antenas instaladas em Brumadinho para dar apoio às autoridades no resgate de vítimas do desastre que atingiu o município mineiro em janeiro, quando rompeu-se a barragem da mina do córrego do Feijão.

Agora que a banda larga do satélite está liberada, espera-se que ela siga caindo do céu a cada vez mais brasileiros — e que faça valer todo o investimento feito até aqui. In “Defesanet” - Brasil

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Portugal - Tecnologia fotónica da Universidade de Aveiro permite Internet (verdadeiramente) global

Acesso à internet via satélite no cume dos Himalaias ou no meio do oceano com a mesma qualidade e preço do acesso através da fibra ótica? Sim, é possível! O segredo está no processador fotónico desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) a pensar na próxima geração de satélites de comunicação. Levar a internet à metade da população mundial excluída da rede global é o grande objetivo do trabalho publicado na revista Nature Communications



“O trabalho apresentado na Nature Communications foi a primeira demonstração em tempo real de um processador fotónico capaz de processar quatro sinais de entrada, cada um com um débito de 1 gigabit por segundo e uma frequência de 28 gigahertz, inserido num sistema baseado em satélites de comunicação para receção de dados”, congratulam-se Vanessa Duarte, Miguel Drummond, João Prata e Rogério Nogueira, investigadores no Instituto de Telecomunicações na UA.

Fruto de um enorme trabalho de equipa a nível europeu, e publicado numa das mais prestigiantes revistas científicas a nível mundial, o trabalho mostra que o processador é escalável para muitos mais sinais, demonstrando assim que “as tecnologias fotónicas podem finalmente elevar a qualidade e reduzir os custos de serviços de satélite para os mesmos níveis da fibra ótica”.

O satélite de comunicação recebe vários sinais de alto débito provenientes de diferentes partes da Terra, pelo que é necessário um processador para separá-los, processá-los e enviá-los de volta ao planeta. Se atualmente os processadores utilizam sinais de radiofrequência (RF) e a tecnologia digital para realizar essa missão, motivo pelo qual o acesso à internet via satélite é caro e com uma qualidade bem abaixo da do acesso através da fibra ótica, o processador fotónico da UA promete revolucionar o acesso à rede global.

“Como poucos satélites servem milhares de milhões de pessoas é necessária uma capacidade muito mais elevada do que a atual. A chave para desbloquear tal capacidade reside em aplicar um processador potente como parte nuclear do satélite, algo que as tecnologias RF e digital atualmente não conseguem obter”, explica Vanessa Duarte, responsável pela integração do processador fotónico num chip de silício.

Levar a Internet a todo o planeta

O processador nascido para ser aplicado na nova geração de satélites de telecomunicações, para além de ter um peso, custo e consumo energético muito mais reduzido do que os atuais processadores, tem a capacidade de aumentar a capacidade de transmissão de dados e, muito importante, dar ao satélite uma cobertura flexível.

“O lançamento de satélites de nova geração permitirá colmatar a lacuna digital existente e fazer chegar a Internet a sítios rurais e remotos onde ela não existe”, explica Miguel Drummond. Para além disso, aponta o investigador, “esta inovação abre ainda caminho para a introdução de tecnologias emergentes em serviços de comunicação via satélite, nomeadamente serviços 5G e IoT”.

O trabalho realizado por Vanessa Duarte enquadrou-se no âmbito do Programa Doutoral em Engenharia Física no Instituto de Telecomunicações, sob orientação científica de Rogério Nogueira e Miguel Drummond, e no IHP - Leibniz-Institut für innovative Mikroelektronik (Alemanha), sob orientação científica de Lars Zimmermann. Toda a investigação decorreu no âmbito do projeto europeu BEACON onde participaram companhias como a Airbus Defence and Space, Gooch & Housego e aXenic. O princípio de operação do projeto começou a ser desenvolvido em 2010 no âmbito da tese de doutoramento de Miguel Drummond, supervisionada por Rogério Nogueira.

O artigo agora publicado na Nature Communications surge na sequência do estudo anterior de um processador fotónico para aplicação na nova geração de satélites de comunicação, vencedor do prémio de inovação Altice International Innovation Award 2018, e do prémio Born from Knowledge Awards, entregue pela Agência Nacional de Inovação. Universidade de Aveiro - Portugal

domingo, 23 de dezembro de 2018

Açores - Agência espacial portuguesa vai começar a funcionar até março



A agência espacial portuguesa deverá começar a funcionar até março e terá a sua sede na ilha açoriana de Santa Maria, onde será construída uma base de lançamento de microssatélites, disse o ministro da Ciência.

A Portugal Space, como se designará a agência, irá promover “novas atividades e negócios” no setor espacial, em particular na observação da Terra com pequenos satélites, e “facilitar uma maior participação de Portugal nos programas europeus”, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da União Europeia, adiantou Manuel Heitor.

A ideia, segundo o ministro, é “dinamizar novas indústrias, novas empresas e criar emprego qualificado em Portugal” no lançamento e fabrico de pequenos foguetões e satélites. A informação recolhida pelos microssatélites poderá ser aplicada na agricultura de precisão, na segurança marítima e no cadastro das cidades, exemplificou.

O titular da pasta da ciência e da tecnologia espera que a agência espacial Portugal Space potencie a meta nacional de, em 2030, haver mil novos empregos no setor e um investimento das empresas de 400 milhões de euros. Atualmente, a faturação das empresas aeroespaciais portuguesas ronda os 40 milhões de euros anuais em resultado da participação de Portugal em projetos da ESA, precisou Manuel Heitor.

O ministro definiu ainda como meta a captação para Portugal de 320 milhões de euros do novo programa europeu para o espaço, que tem um orçamento de cerca de 16 mil milhões de euros para o período 2021-2027.

“Para isso precisamos de um corpo profissional que nos possibilite ir para além do que atualmente faz o Grupo do Espaço da FCT [Fundação para a Ciência e Tecnologia]”, frisou Manuel Heitor, para justificar a criação da agência espacial portuguesa.

O Estado irá investir, através da FCT, entre 500 mil euros e um milhão de euros para garantir os “custos de operação e arranque” da agência, incluindo a contratação de dez técnicos especializados, adiantou, assinalando que o objetivo será “atrair financiamento europeu e das empresas” para suportar o funcionamento da Portugal Space.

A agência espacial portuguesa será dirigida por um perito internacional, a selecionar por concurso, e a sede ficará localizada na ilha de Santa Maria, em sítio a definir pelo Governo Regional dos Açores. Para Manuel Heitor, fará sentido que sede se situe próximo de instalações onde já funcionam serviços de monitorização de satélites da ESA.

Na ilha de Santa Maria será construído o já anunciado porto espacial para lançamento de microssatélites, uma iniciativa que partiu do Governo.

Espera-se que, de acordo com o calendário fixado, os primeiros lançamentos de pequenos satélites se iniciem na primavera ou no verão de 2021, depois de o contrato para a instalação e funcionamento da base ser assinado, em junho de 2019, com os consórcios ‘vencedores’.

A agência espacial portuguesa, que o ministro da Ciência prometeu estar concretizada até ao fim de 2018, depois de um grupo de trabalho apresentar uma proposta “institucional e financeira”, é um dos pilares da estratégia nacional para o setor do espaço – “Portugal Espaço 2030”.

O anúncio da criação da Portugal Space foi feita em Coimbra, durante um encontro sobre o futuro do setor espacial português, o “Portugal Space 2030”, com a presença do diretor-geral da ESA, Jan Wörner, do ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, e do secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia do Governo Regional dos Açores, Gui Menezes. In “Mundo Português” - Portugal

terça-feira, 28 de julho de 2015

Portugal - A portuguesa Tekever vai participar na próxima missão espacial chinesa

A portuguesa Tekever vai participar na próxima missão espacial chinesa. Três microssatélites vão estar equipados com tecnologia “made in Portugal”. Depois da Europa, China e Brasil, seguem-se os Estados Unidos.

Foto: Miguel Baltazar
Portugal já marcou lugar na próxima missão espacial chinesa. A descolagem vai ter lugar em Setembro e a bordo seguem três microssatélites com tecnologia nacional.

Esta é a primeira missão espacial da China que conta com a participação de uma companhia portuguesa. A “Tekever” foi a responsável por desenvolver a tecnologia que vai permitir a estes microssatélites enviarem a informação recolhida em tempo real para a Terra, lá em baixo, a 500 quilómetros de distância.

A placa com menos de 10 centímetros de largura e 85 gramas de peso “permite substituir vários sistemas de comunicação que vão normalmente a bordo de um satélite, o que permite poupar espaço, peso e energia”, explica ao “Negócios” Ricardo Mendes, administrador da empresa.

Com este equipamento, denominado Gamalink, a Tekever quis “criar no espaço um conceito semelhante à intemet, ou seja, faz a ligação entre os satélites e as estações terrestres por forma que a informação flua para quem de direito. Isto sem estarmos preocupados como é que aquilo vai chegar ao seu destino, tal como na intemet”.

Estes microssatélites, com cerca de três quilos, vão ser lançados com vários objectivos, entre as quais ambientais, como monitorizar as calotas polares, as massas de gelo. “Vamos estar a medir a variação da dimensão e das características das calotas polares face às últimas medidas conhecidas”, diz.

A missão também vai servir para fazer uma série de testes técnicos. Depois de inúmeros testes feitos na Terra, esta vai ser a primeira vez que o Gamalink vai ser utilizado no espaço. Com o teste aprovado, a empresa leva a certificação de “space qualified”, o que significa que haverá muitos negócios à sua espera. “Isso vai-nos abrir a última porta de entrada no mercado, pois passa a ter confiança para adquirir o equipamento e integrá-lo nos seus satélites.”

A “Tekever Space” foi lançada em 2009,e desde então já investiu 10 milhões de euros na sua odisseia espacial. E espera agora ultrapassar o valor do investimento "nos próximos três a cinco anos, até mais rapidamente", aponta.

A entrada na China teve início em 2006, mas somente mais tarde é que a Tekever vislumbrou uma oportunidade na área dos microssatélites. Aproximou-se do Centro de Engenharia de Micro-Satélites de Xangai para se tornar no seu “principal parceiro internacional” e para no futuro explorarem esta tecnologia em conjunto em todo o mundo. A “última fronteira” da Tekever Space deverá ser agora o mercado norte-americano, uma nova odisseia que “muito provavelmente” passará pela NASA.

O futuro parece estar assim escrito nas estrelas para a empresa portuguesa, acredita Ricardo Mendes. "Teremos um objectivo bastante ambicioso que é de ser um dos principais fornecedores, senão o principal, de sistemas de comunicação espaciais a nível mundial”.

É difícil comunicar nas regiões polares

Um dos objectivos da odisseia espacial da Tekever é também recolher informação de navios e aviões nas regiões polares. Estes, em particular os aviões, têm bastantes dificuldades em comunicar quando sobrevoam estas regiões e a Tekever quer resolver esta situação. “Na zona polar, é extremamente difícil obter comunicações com os aviões”, conta Ricardo Mendes. Um dos objectivos dos microssatélites vai ser precisamente procurar mitigar esta questão. Os problemas de comunicação acontecem “por causa do grau da curvatura da Terra e pela distância face à Terra”. Desta forma, a Tekever vai testar “uma série de equipamentos para comunicar com aviões e navios para perceber se a utilização de satélites de pequena dimensão pode ser interessante para o negócio das comunicações nas zonas polares”. Esta é assim uma nova oportunidade de negócio para a empresa portuguesa. “Este é um problema que pode ser resolvido com o uso de satélites, e pode vir a ser resolvido com o uso de pequenos satélites, de baixo custo”, destaca.

A missão na China é apenas um dos vários projectos em que a Tekever Space está envolvida. Também desenvolve actividade em Portugal e noutros países europeus. Seguem-se agora os EUA.

2017 - NOVOS PROJECTOS - Vários projectos da Tekever vão chegar ao espaço em 2017, como o da Agência Espacial Europeia e os satélites brasileiro e português:

OLHAR O SOL DE PERTO - A missão PROBA-3 da Agência Espacial Europeia (ESA) vai contar com a tecnologia nacional. O objectivo da missão, prevista para 2017, é estudar o Sol de perto e a empresa vai ser a responsável por assegurar as comunicações entre os dois satélites de pesquisa, que têm uma dimensão mais reduzida do que o habitual. O trabalho da empresa portuguesa mereceu os elogios da Agência Espacial Europeia.

VASCO DA GAMA NO AR - Entre os seus projectos encontra-se também um satélite português: o Gamasat, com lançamento previsto para 2017. Tal como nos outros produtos, também aqui surge referência ao navegador português. Fora do espaço, a empresa vai estrear-se no sector da manutenção da aviação civil como parceira tecnológica num projecto de seis milhões de euros liderado pela TAP.

BRASIL EM ÓRBITA - A empresa está actualmente a trabalhar com a rede de institutos federais no Brasil para construir um dos primeiros satélites feitos principalmente com know-how brasileiro, mas também português: 0 14 B1-Sat. O próximo passo é entrar no mercado dos Estados Unidos. No futuro, a portuguesa Tekever pode vir a trabalhar com a NASA. André Mendes – Portugal in “Jornal de Negócios”




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