Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 19 de maio de 2026

Portugal - ESA BIC Centro: 60 mil euros para impulsionar startups portuguesas com ADN espacial

O Instituto Pedro Nunes (IPN), através do ESA BIC Centro, está à procura de startups portuguesas com soluções espaciais inovadoras ou que utilizem tecnologias ou dados do Espaço. As candidaturas para esta open call decorrem até ao próximo dia 24 de maio de 2026


A iniciativa, integrada na rede oficial da Agência Espacial Europeia (ESA), visa transformar projetos de elevado potencial em negócios escaláveis e competitivos à escala global.

As startups selecionadas beneficiam de um incentivo financeiro direto de 60 mil euros, sem cedência de capital (equity-free), destinado ao desenvolvimento de protótipos, produtos e estratégias de entrada no mercado.

Para além do apoio financeiro, o programa oferece um ecossistema de incubação completo durante até dois anos:

  • Acesso Técnico: Ligação direta a especialistas e infraestruturas da ESA.
  • Mentoria de Negócio: Apoio em modelos de negócio, estratégias de go-to-market e proteção de Propriedade Intelectual (PI).
  • Networking Global: Integração numa rede internacional de investidores e líderes da indústria aeroespacial.
  • Consultoria Especializada: Orientação jurídica e apoio em processos de licenciamento.

O concurso está aberto a Startups portuguesas constituídas há menos de cinco anos, Empreendedores/Projetos ainda em fase de constituição de empresa, Soluções que demonstrem ambição comercial e que utilizem tecnologia espacial (ex: comunicações, satélites, GNSS, novos materiais) ou dados de observação da Terra para aplicações terrestres.

O ESA BIC Centro é uma rampa de lançamento para o talento nacional, provando que o Espaço não é apenas o destino, mas uma ferramenta poderosa para inovar em setores como a agricultura, energia, mobilidade e ambiente.

O prazo para o próximo ciclo de avaliação termina a 24 de maio de 2026. Os interessados devem submeter a sua candidatura através do portal oficial: space.ipn.pt/apply.

O ESA BIC Centro é uma iniciativa da ESA implementada pelo IPN em colaboração com o Pampilhosa da Serra Business Center e a Incuba+ Santa Maria. É financiado pela subscrição portuguesa à ESA, pela Câmara Municipal de Coimbra e pela CIM Região de Coimbra.

Entre 2014 e 2024, a coordenação do programa ESA BIC em Portugal foi assegurada pelo IPN. Em 2026, a iniciativa entrou numa nova fase, prevista até 2028, em que passa a contar com dois programas: o ESA BIC Centro, liderado pelo IPN e o ESA BIC Tagus, coordenado pelo Instituto Superior Técnico.

Para mais informações aceda aqui. Instituto Pedro Nunes - Portugal


terça-feira, 17 de março de 2026

Angola e Rússia formalizam cooperação espacial que consolida parceria iniciada com os Angosat

O acordo estabelece o quadro jurídico para investigação, desenvolvimento tecnológico e actividades comerciais no espaço, bem como define regras sobre financiamento, propriedade intelectual e controlo de exportações. E institucionaliza ainda uma parceria que já dura há mais de uma década no programa espacial angolano


A cooperação espacial entre Angola e a Federação Russa ganhou um novo enquadramento jurídico com a publicação do acordo bilateral que estabelece as bases institucionais para o desenvolvimento de actividades conjuntas no domínio da exploração e utilização do espaço exterior para fins pacíficos.

O documento, agora formalizado em Diário da República, procura organizar e dar previsibilidade a uma relação tecnológica que, na prática, já existe há mais de uma década, sobretudo desde o início do programa Angosat. A parceria não surge, portanto, como uma novidade estratégica, mas antes como a consolidação institucional de um eixo de cooperação que tem sido determinante para a entrada de Angola no sector espacial.

Foi com a Rússia que o País desenvolveu os seus dois principais projectos nesta área - o Angosat-1, lançado em 2017, e o Angosat-2, colocado em órbita em 2022 - ambos concebidos com tecnologia russa e lançados a partir de infra-estruturas controladas por Moscovo. O entendimento estabelece que a execução do acordo ficará a cargo, do lado angolano, do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação (MTTI) e do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, enquanto a Rússia será representada pela corporação espacial estatal Roscosmos.

Estes organismos passam a assumir o papel de autoridades competentes responsáveis por coordenar programas, projectos e contratos específicos que possam surgir no âmbito desta cooperação. No plano formal, o acordo define como objectivo central a criação de uma base organizacional e jurídica para o desenvolvimento de cooperação científica, tecnológica, industrial e comercial no domínio das tecnologias espaciais. O texto prevê a promoção de investigação conjunta, o desenvolvimento e operação de sistemas espaciais, a troca de tecnologias e conhecimento especializado e o estabelecimento de condições para actividades comerciais associadas ao lançamento de veículos espaciais.

Quadro jurídico e financiamento

No entanto, uma leitura mais atenta do documento revela que o acordo funciona sobretudo como um quadro jurídico geral, deixando praticamente todas as decisões operacionais para futuros "acordos específicos". Ou seja, embora estabeleça princípios amplos de cooperação, o texto não define projectos concretos, metas tecnológicas ou compromissos financeiros relevantes. Esta abordagem é comum em acordos intergovernamentais deste tipo, mas também significa que o impacto real da parceria dependerá da capacidade das instituições angolanas de negociar e executar programas subsequentes.

As áreas de cooperação previstas são amplas e cobrem praticamente todo o espectro das atividades espaciais: investigação científica no espaço, sensoriamento remoto da Terra, comunicações por satélite, navegação, meteorologia espacial, geodesia, medicina espacial e até voos tripulados.

O acordo inclui igualmente a formação e reciclagem de quadros especializados, um ponto relevante para um país que ainda possui uma base científica limitada neste domínio. Apesar desta amplitude temática, o documento não define qualquer estratégia clara para a transferência efectiva de conhecimento ou para a criação de capacidade industrial local. A experiência do programa Angosat mostra que a maior parte do valor tecnológico continua concentrado nos parceiros externos, enquanto Angola permanece sobretudo como utilizador de serviços e operador de infra-estruturas adquiridas no exterior. Outro elemento relevante do acordo é o regime de financiamento. O texto estabelece que as actividades conjuntas serão financiadas de acordo com a disponibilidade de fundos nos orçamentos nacionais, podendo também envolver recursos de empresas ou outras entidades participantes. Ao mesmo tempo, o documento deixa explícito que as partes não assumem automaticamente responsabilidades financeiras pelos contratos celebrados entre instituições ou empresas envolvidas nos projectos.

Na prática, esta formulação significa que o acordo não cria obrigações financeiras concretas para os Estados, funcionando mais como um instrumento facilitador para projectos futuros. A ausência de compromissos financeiros directos reduz o risco orçamental imediato, mas também deixa em aberto a questão sobre a dimensão real dos investimentos que poderão resultar desta parceria. In “Expansão” - Angola

 


terça-feira, 5 de novembro de 2024

Europa - Universidade de Coimbra lidera lançamento do foguetão Falcon 9 para a Estação Espacial Internacional da Agência Espacial Europeia

Rui Curado Silva, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigador do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), em colaboração com Jorge Maia, investigador da Universidade da Beira Interior (UBI), vai liderar a experiência científica GLOSS - Gamma-ray Laue Optics and Solid State detectors, lançada pelo foguetão Falcon 9, da Space X, para a Estação Espacial Internacional da Agência Espacial Europeia (ESA), na madrugada deste dia 5 de novembro, pelas 02h29, na Flórida. A designação de código deste lançamento foi Dragon CRS-2 SpX-31.

«Durante cerca de um ano, as amostras de materiais (CZT: telureto de cádmio e zinco) das câmaras dos futuros telescópios de raios gama estarão expostas ao ambiente espacial (radiação orbital, amplitudes térmicas extremas e oxidação).  Estes sensores, quando em operação no espaço, degradam-se e perdem sensibilidade. Até ao presente, a relação entre o tempo de exposição destes sensores ao ambiente espacial e a degradação das suas prestações nunca foram estudadas com a requerida profundidade», revela o professor da FCTUC.  
De acordo com o líder da experiência GLOSS, para observarmos o Universo nas bandas dos raios X e dos raios gama (astrofísica de altas energias), é necessário colocar no espaço telescópios equipados de sensores capazes de captar imagens do céu nestas bandas do espectro eletromagnético porque a atmosfera absorve este tipo de radiação antes de chegar à superfície da Terra.
«Estes sensores serão transportados até à Estação Espacial Internacional por uma cápsula Dragon da Space X. Após a atracagem da cápsula à Estação Espacial, os astronautas transportarão os sensores instalados num suporte metálico até à escotilha exterior da estação. De seguida, um braço robótico do Canada instalado no exterior, recolherá os sensores da escotilha e transportá-los-á até à plataforma Bartolomeo», descreve.
Esta plataforma exterior está exposta ao ambiente de radiação, bem como a variações de temperatura extremas, cerca de -150ºC quando a Estação Espacial orbita do lado noturno da Terra, e a temperaturas na ordem dos 120°C quando a Estação se encontra do lado do sol. «Após um ano de exposição à radiação e a ciclos extremos de variação de temperatura na plataforma Bartolomeo, os sensores de CZT vão ser devolvidos para Coimbra, onde será avaliado o nível de degradação operacional e comparadas as suas prestações com as prestações dos sensores antes do envio para o espaço», explica o físico. 
A partir desta análise, a equipa poderá então validar ou não estes sensores para serem integrados nos futuros telescópios espaciais para astrofísica de altas energias, bem como perceber como será possível otimizá-los. «Este trabalho permite contribuir para desenvolver instrumentação para astrofísica de altas energias e por conseguinte a sensibilidade de observação, que poderá ter impactos importantes na compreensão da física das recém-descobertas ondas gravitacionais, que são medidas em instalações terrestres em simultâneo com fortes explosões de raios gama que são medidas no espaço por telescópios espaciais».
A experiência GLOSS foi financiada pelo programa PRODEX da ESA e pela Agência Espacial Portuguesa, tendo sido selecionada no âmbito do concurso Euro Material Ageing promovido pela ESA. Além da FCTUC, esta experiência integra equipas do Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço de Bolonha, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF/OAS-Bologna), e do Instituto de Materiais para Eletrónica e Magnetismo do Conselho Nacional de Investigação de Parma (CNR/IMEM-Parma, Itália). Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Macau - Universidade de Ciência e Tecnologia inaugura laboratórios de análise de amostras espaciais

As plataformas experimentais inauguradas ontem na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) são únicas em todo a China e dão a Macau argumentos para receber e analisar amostras espaciais. Para André Antunes, investigador português que lidera a equipa de astrobiologia da MUST, este pode ser o primeiro passo para tornar Macau numa referência global


Pode ter sido um pequeno passo para Macau, mas é certamente um grande passo para a investigação espacial de toda a China, e não só. Quem o diz é André Antunes, investigador português que lidera a equipa de Astrobiologia da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

Segundo o investigador, as plataformas experimentais de Astrobiologia e Cosmoquímica inauguradas ontem na MUST através do Laboratório Estatal de Referência das Ciências Lunares e Planetárias (State Key Lab) é único em toda a China e tem, por isso, o condão de fazer de Macau “um centro e referência global” e “o ponto focal para este tipo de actividades para toda a China”.

“Macau tem estado muito envolvido nas missões à Lua e tido algum envolvimento nas missões a Marte. A abertura destas plataformas experimentais é mais um passo nesta direcção, ou seja, de aumentar o contributo que Macau dá para a exploração espacial chinesa”, começou por dizer André Antunes.

Para o também coordenador das plataformas de Astrobiologia e Cosmoquímica da MUST, os dois novos laboratórios permitem que o contributo que Macau dá à investigação espacial deixe de ser apenas ligado “à análise e dados e modelação”, mas também à “componente experimental”.

“O facto de criarmos estas plataformas experimentais permite-nos ter outro tipo de dinâmica e aceder a outro tipo de áreas. Criámos aqui a capacidade laboratorial para receber e analisar amostras, fazer trabalho com elas e dar contributos mais relevantes para a ciência”, acrescentou.

Universo é o limite

Do lado da Astrobiologia, os novos equipamentos que habitam agora na MUST irão permitir, através do estudo de ambientes na Terra que partilham semelhanças com Marte ou com luas do Sistema Solar, “recolher informação vital para planear futuras missões chinesas”, destinadas, por exemplo, a recolher amostras de Marte. O objectivo último passa, eventualmente, por conseguir “detectar a presença de vida”, através do estudo das amostras.

“Os estudos que fazemos no nosso planeta irão ser úteis para condicionar parcialmente que sítios serão apropriados para recolher amostras no futuro e isso é importante, não só para a agência espacial chinesa, mas também para o mundo da investigação em geral”, apontou André Antunes.

À margem da inauguração dos novos espaços que contou com a presença, entre outros, do presidente da MUST, Liu Liang, e do subdirector da Direcção dos Serviços do Ensino Superior (DSES), Che Weng Keong, o investigador português afirmou esperar que o contributo que os novos laboratórios vão dar a futuras missões a Marte irá aumentar.

Isto, tendo em conta que a missão chinesa a Marte, Tianwen-1, que já se encontra em curso, conta apenas “com alguns componentes” que ficaram a cargo da unidade da MUST. Sobre a missão propriamente dita, que não deverá chegar a Marte antes de Junho de 2021, André Antunes diz que “está a correr tudo bem”.

Também à margem da inauguração, Shaolin Li, investigador que lidera a área da Cosmoquímica da MUST, apontou que os três novos equipamentos do laboratório do seu departamento irão permitir armazenar, analisar e interagir com amostras, sobretudo lunares, que não podem entrar em contacto com o ar, pois “correriam o risco de ver as suas características físicas e químicas alteradas”. Pedro Arede – Macau in “Hoje Macau”


Pedro Arede - Jornalista com 31 anos de idade. Começou na área de economia mas escreve sobretudo sobre política, cultura e sociedade. Tem experiência em produção audiovisual e é atleta de alta competição na modalidade de esgrima.




domingo, 9 de fevereiro de 2020

Portugal - Instituto Pedro Nunes lança projeto de financiamento para ideias de negócios inspiradas no Espaço

Ao todo, a instituição dispõe de 600 mil euros para distribuir pelas startups portuguesas que estejam interessadas em desenvolver serviços e produtos inspirados no Espaço

O Instituto Pedro Nunes (IPN) vai lançar um novo programa de financiamento para empresas nacionais que estejam interessadas em desenvolver serviços e produtos inspirados no Espaço. Ao todo, a instituição dispõe de 600 mil euros para distribuir pelas startups portuguesas. As bolsas de incentivos serão divulgadas no próximo dia 10 de fevereiro, num evento que conta com a presença da Portugal Space, a Agência Espacial Portuguesa.

O novo quadro de apoio do IPN tem como objetivos duplicar as oportunidades para startups que incubem no ESA BIC Portugal, apoiando até 12 empresas nacionais por ano e maximizar os casos de sucesso de transferência de tecnologia com novas candidaturas para financiar provas de conceito em Portugal. Em destaque está também o aumento das possibilidades de financiamento de projetos que recorrem a dados de satélite através da plataforma ESA Business Applications.

O IPN indica, em comunicado à imprensa, que durante o Space19+, o último conselho ministerial da ESA, Portugal atribuiu 12,5 milhões de euros ao programa ARTES (Telecomunicações e Aplicações Integradas), tendo em vista o reforço do investimento na criação de “aplicações e serviços que unam os setores espacial e não espacial”, permitindo o desenvolvimento de novos modelos de negócio.

A nível global, Portugal reforçou a sua contribuição na ESA para cerca de 103 milhões de euros. Espera-se a criação de cerca de mil empregos qualificados nos próximos 10 anos, designadamente nas áreas da Observação da Terra, Telecomunicações e desenvolvimento de pequenos satélites, o que acontecerá através de uma estratégia nacional desenvolvida em consonância com a Agência Espacial Portuguesa, a indústria nacional e internacional e instituições de interface. In “Tek Sapo” - Portugal

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Internacional - Estudo conclui que nem todos os deltas identificados em Marte são verdadeiros



Um estudo liderado por David Vaz, da Universidade de Coimbra (UC), e Gaetano Di Achille, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF), apresenta novos dados para o debate sobre as implicações climáticas, hidrogeológicas e astrobiológicas dos depósitos sedimentares deltaicos em Marte.

Nas duas últimas décadas, dezenas de possíveis depósitos sedimentares deltaicos foram identificados na superfície de Marte, tendo a sua formação sido atribuída à existência de antigos lagos e rios marcianos. Esse tipo de depósito sedimentar é considerado uma das principais evidências para sustentar a ideia de que, no passado, Marte apresentava condições climáticas mais favoráveis que permitiram a presença de água líquida no planeta.

No entanto, o estudo agora publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters conclui que não é bem assim, ou seja, uma grande parte dos depósitos anteriormente identificados no planeta vermelho não é de origem deltaica (os deltas formam-se pela acumulação de sedimentos transportados pelos rios), ao contrário do que a comunidade científica defendia. 

A partir de topografia de alta resolução fornecida por imagens de missões espaciais europeias e americanas, os investigadores analisaram 60 depósitos sedimentares de diferentes zonas de Marte e, com surpresa, verificaram que apenas «30 por cento são realmente deltas, ou seja, depósitos associados a ambientes subaquáticos e que consequentemente indicam de facto a existência de lagos e de uma maior quantidade de água. A maioria deles terá uma origem diferente, tendo-se depositado em ambientes principalmente subaéreos, ou seja, existiram menos lagos do que se pensava em Marte», afirma David Vaz, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço (CITEUC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).



Estes depósitos sedimentares que não têm origem deltaica «podem ser produto de atividade hidrológica efémera e transitória gerada por mecanismos locais, ligados, por exemplo, a atividade vulcânica, tectónica, impacto de meteoritos ou cometas, que poderiam ter derretido o gelo subterrâneo, gerando fluxos de água», esclarece.

Segundo o investigador do CITEUC, as conclusões deste trabalho são um contributo importante para futuras missões espaciais, pois «são indicadores geomorfológicos importantes para a escolha de locais ideais para missões com objetivos astrobiológicos, sugerindo que muitos dos possíveis lagos anteriormente identificados como tal deveriam ser cuidadosamente reanalisados para excluir a ocorrência de mecanismos locais que geraram atividade hidrogeológica efémera, não necessariamente associada a um clima global favorável à presença estável de água líquida durante longos períodos de tempo».



Por outro lado, sublinha David Vaz, os resultados deste estudo trazem novos elementos para a discussão sobre a evolução climática em Marte, sugerindo que «a formação dos verdadeiros deltas poderá ter sido mais limitada no espaço e no tempo». 

Para caracterizarem os depósitos sedimentares, os investigadores efetuaram um balanço volumétrico entre os sedimentos erodidos (estimando o volume dos vales formados pela ação dos rios no passado) e os volumes depositados nos possíveis deltas. «Esse balanço foi utilizado como indicador para decifrar os mecanismos sedimentares predominantes durante a formação dos depósitos», remata David Vaz. O artigo pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra - Portugal

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

China – Pretende que o desenvolvimento da exploração espacial tenha Macau na “liderança”

A Administração Espacial Nacional da China assinou um acordo de cooperação com o Governo da RAEM que possibilitará a criação de um novo modelo de inovação e cooperação científica, nomeadamente a construção do Centro de Ciência e Exploração Espacial de Macau. Durante a inauguração, ontem, da exposição “Satélite de Macau – Amor Espacial e Sonho da China”, Alexis Tam divulgou o nome do primeiro satélite científico de Macau: “Ciência de Macau nº1”



A poucos dias da data que assinala o 20.º aniversário da implementação da RAEM, o director da Administração Espacial Nacional da China, Zhang Kejian, revelou que será estabelecido em Macau um Centro de Ciência e Exploração Espacial, no âmbito de um acordo de cooperação de desenvolvimento científico e tecnológico assinado com o Governo de Macau.

Antes de marcar presença na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) para a inauguração da exposição “Satélite de Macau – Amor Espacial e Sonho da China”, Zhang Kejian reuniu-se com o Chefe do Executivo, Chui Sai On, para assinar um “acordo de cooperação sobre o projecto de desenvolvimento conjunto de ciência e tecnologia de observação geomagnética e de satélite de teste de tecnologia entre a Administração Espacial Nacional da China e o Governo da Região Administrativa Especial de Macau”.

Um acordo que “simboliza a entrada numa nova fase de colaboração entre as duas partes na área da ciência, tecnologia e inovação”.

“A Administração Espacial Nacional da China tem dado muita atenção ao desenvolvimento do sector espacial de Macau e tem apoiado Macau na participação nos projectos nacionais sobre o Espaço”, começou por dizer Zhang Kejian, na inauguração da exposição “Satélite de Macau – Amor Espacial e Sonho da China”, acrescentando que o Governo Central da China tem planos para desenvolver os meios para que Macau tenha um papel de liderança em matéria de exploração espacial.

“Aproveitando as vantagens de Macau como uma zona franca de ‘Um País, Dois Sistemas’, a Administração Espacial Nacional irá estabelecer em Macau um Centro de Ciência e Exploração de Ciência Espacial de Macau de modo a poder salvaguardar o papel de liderança de Macau em matéria de exploração espacial”, referiu Zhang Kejian.

A implementação do presente acordo, além de dar um contributo importante para a investigação científica, também possibilitará a criação de “um novo modelo de inovação e cooperação científica” entre as entidades nacionais, o Governo da RAEM, e instituições da área baseadas nos dois lados, visando-se um aumento mais célere da capacidade de inovação no campo da ciência e tecnologia em Macau e nas outras cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, refere o comunicado ontem veiculado pelo gabinete do porta-voz do Governo.

Segundo Zhang Kejian, o acordo assinado com o Governo da RAEM tem como objectivo o reforço da cooperação em projectos espaciais entre a Administração Espacial Nacional e as instituições de ensino superior locais. O director da Administração Espacial Nacional da China referiu ainda ter confiança no desenvolvimento de Macau na área espacial, bem como noutras relacionadas com a ciência e tecnologia. “Também estamos aqui para encorajar mais pessoas de Macau a participarem na navegação espacial e a promover o reconhecimento nacional, incentivando o entusiasmo dos jovens de Macau em estudar ciência e explorar as incógnitas, de modo a concentrar esforços para o rejuvenescimento da Macau chinesa. E creio que com a liderança do Governo da RAEM e do Governo Nacional, assim como o Gabinete de Ligação e Fundação de Macau e de todos os patriotas de Macau, acredito que a nossa colaboração na área do Espaço trará mais resultados”, frisou Zhang Kejian, num evento que marcou o descerramento da placa do Centro de Ciência e Exploração Espacial de Macau da Administração Espacial Nacional da China, a entrega do prémio especial de contributo pelo Fundo Aerospacial da China e a inauguração da maquete do primeiro satélite científico de Macau, para além da divulgação dos resultados do concurso para o nome do referido satélite, cujo projecto arrancou no dia 9 de Outubro de 2019.

Um satélite chamado Ciência de Macau nº1

O acordo de cooperação assinado ontem visa a investigação e produção daquele que será o único satélite mundial de exploração científica a ser colocado em órbita próximo da linha do Equador, para monitorizar o campo geomagnético e o ambiente espacial da Anomalia do Atlântico Sul (SAA). Este projecto pressupõe uma investigação, em parceria com equipas científicas da China e de outros países, sobre o geomagnetismo e ambiente espacial, temas relevantes no campo científico relativos à origem e evolução da vida e do planeta.



Na cerimónia de inauguração da exposição “Satélite de Macau – Amor Espacial e Sonho da China” foram também divulgados os resultados do concurso de atribuição do nome do primeiro satélite científico de Macau, que irá monitorizar o campo geomagnético da Terra. De acordo com Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, o nome escolhido por um júri da MUST foi “Ciência de Macau nº1”. Segundo a informação divulgada pela organização, participaram mais de 1100 pessoas no concurso para baptizar o satélite de Macau num total de 1518 planos de denominação apresentados, entre os quais 1042 em língua chinesa e os restantes 476 em inglês. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Japão - Sonda espacial Hayabusa-2 capturou imagens de asteroide

A sonda espacial Hayabusa-2 capturou imagens do asteroide Ryugu a 930 metros de distância de sua superfície e analisou seu campo gravitacional.



As fotos e os dados foram publicados no website JAXA (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial).

A estação automática Hayabusa-2 foi lançada no espaço no início de dezembro de 2014 para estudar e coletar amostras do asteroide Ryugu. Cientistas esperam que ela traga para a Terra as primeiras amostras "puras" de matéria primária do Sistema Solar.

O dispositivo japonês atingiu seu objetivo no início de junho e começou um longo procedimento de aproximação do asteroide, cujo formato "mudava" repetidamente à medida que a sonda se aproximava dele para melhorar a qualidade das fotografias.

A princípio, os cientistas pensaram que o asteroide tivesse o formato de uma bola perfeita. Posteriormente, as fotos revelaram que o corpo celeste tem formato angulado semelhante a um cubinho de açúcar.

A Hayabusa-2 oficialmente chegou ao Ryugu no início de julho, parando a 20 quilômetros da superfície do asteroide. Durante algumas semanas, a sonda passou a acionar e diagnosticar os instrumentos científicos e também estudar as formas e as propriedades físicas do asteroide.



Na semana passada, a sonda conduziu uma série de manobras para medir a força de campo gravitacional do asteroide.

Segundo a JAXA, na quarta-feira (8), a Hayabusa-2 se aproximou do asteroide a uma distância de 851 metros. Em virtude disso, as câmeras conseguiram capturar imagens com alta resolução — cerca de 50 centímetros por pixel.

Os dados coletados ajudarão os cientistas a estudar o campo de gravidade do Ryugu e o quanto ele atrai a Hayabusa e outros objetos. O estudo, como observado pelos planetólogos japoneses, ajudará a entender a estrutura interior do asteroide e se ele possui grandes espaços vazios. In “Sputnik Brasil” - Brasil