Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 17 de março de 2026

Angola e Rússia formalizam cooperação espacial que consolida parceria iniciada com os Angosat

O acordo estabelece o quadro jurídico para investigação, desenvolvimento tecnológico e actividades comerciais no espaço, bem como define regras sobre financiamento, propriedade intelectual e controlo de exportações. E institucionaliza ainda uma parceria que já dura há mais de uma década no programa espacial angolano


A cooperação espacial entre Angola e a Federação Russa ganhou um novo enquadramento jurídico com a publicação do acordo bilateral que estabelece as bases institucionais para o desenvolvimento de actividades conjuntas no domínio da exploração e utilização do espaço exterior para fins pacíficos.

O documento, agora formalizado em Diário da República, procura organizar e dar previsibilidade a uma relação tecnológica que, na prática, já existe há mais de uma década, sobretudo desde o início do programa Angosat. A parceria não surge, portanto, como uma novidade estratégica, mas antes como a consolidação institucional de um eixo de cooperação que tem sido determinante para a entrada de Angola no sector espacial.

Foi com a Rússia que o País desenvolveu os seus dois principais projectos nesta área - o Angosat-1, lançado em 2017, e o Angosat-2, colocado em órbita em 2022 - ambos concebidos com tecnologia russa e lançados a partir de infra-estruturas controladas por Moscovo. O entendimento estabelece que a execução do acordo ficará a cargo, do lado angolano, do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação (MTTI) e do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, enquanto a Rússia será representada pela corporação espacial estatal Roscosmos.

Estes organismos passam a assumir o papel de autoridades competentes responsáveis por coordenar programas, projectos e contratos específicos que possam surgir no âmbito desta cooperação. No plano formal, o acordo define como objectivo central a criação de uma base organizacional e jurídica para o desenvolvimento de cooperação científica, tecnológica, industrial e comercial no domínio das tecnologias espaciais. O texto prevê a promoção de investigação conjunta, o desenvolvimento e operação de sistemas espaciais, a troca de tecnologias e conhecimento especializado e o estabelecimento de condições para actividades comerciais associadas ao lançamento de veículos espaciais.

Quadro jurídico e financiamento

No entanto, uma leitura mais atenta do documento revela que o acordo funciona sobretudo como um quadro jurídico geral, deixando praticamente todas as decisões operacionais para futuros "acordos específicos". Ou seja, embora estabeleça princípios amplos de cooperação, o texto não define projectos concretos, metas tecnológicas ou compromissos financeiros relevantes. Esta abordagem é comum em acordos intergovernamentais deste tipo, mas também significa que o impacto real da parceria dependerá da capacidade das instituições angolanas de negociar e executar programas subsequentes.

As áreas de cooperação previstas são amplas e cobrem praticamente todo o espectro das atividades espaciais: investigação científica no espaço, sensoriamento remoto da Terra, comunicações por satélite, navegação, meteorologia espacial, geodesia, medicina espacial e até voos tripulados.

O acordo inclui igualmente a formação e reciclagem de quadros especializados, um ponto relevante para um país que ainda possui uma base científica limitada neste domínio. Apesar desta amplitude temática, o documento não define qualquer estratégia clara para a transferência efectiva de conhecimento ou para a criação de capacidade industrial local. A experiência do programa Angosat mostra que a maior parte do valor tecnológico continua concentrado nos parceiros externos, enquanto Angola permanece sobretudo como utilizador de serviços e operador de infra-estruturas adquiridas no exterior. Outro elemento relevante do acordo é o regime de financiamento. O texto estabelece que as actividades conjuntas serão financiadas de acordo com a disponibilidade de fundos nos orçamentos nacionais, podendo também envolver recursos de empresas ou outras entidades participantes. Ao mesmo tempo, o documento deixa explícito que as partes não assumem automaticamente responsabilidades financeiras pelos contratos celebrados entre instituições ou empresas envolvidas nos projectos.

Na prática, esta formulação significa que o acordo não cria obrigações financeiras concretas para os Estados, funcionando mais como um instrumento facilitador para projectos futuros. A ausência de compromissos financeiros directos reduz o risco orçamental imediato, mas também deixa em aberto a questão sobre a dimensão real dos investimentos que poderão resultar desta parceria. In “Expansão” - Angola

 


quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Angola - Angosat-2 finalmente em órbita

Angola conseguiu, finalmente, colocar um satélite no espaço. Na tarde desta quarta-feira, 12, às 16:00, como estava previsto, o Angosat-2, construído pela russa ISS Reshetnev, foi transportado pelo foguete "Proton-M", a partir do Cosmódromo de Baikanur, e já está em órbita


Este satélite, que pesa duas toneladas, possui definição de "High-throughput", ou elevada taxa de transferência de informação, um avanço considerável em relação aos clássicos FSS, de menor capacidade, vai garantir a Angola um lugar de destaque em África neste capítulo por pelo menos 15 anos, que é a sua longevidade mínima garantida.

O Angosat-2, construído pela russa ISS Reshetnev, depois de o Angosat-1, construído pela RKK Energia, por 320 milhões de dólares, ter sido um fracasso após falhas graves no lançamento, em 2018, não representa novos custos para o Estado angolano devido às garantias existentes no primeiro projecto, acaba por ser uma vantagem para Angola, visto que tem uma capacidade incorporada para transmissão de dados,

imagem e telecomunicações, muito superior, permitindo uma maior rentabilidade ao alugar parte desta capacidade a vários países africanos, como está previsto, e chegou a estar contratualizado para o Angosat-1.

O Angosat-2, desenvolvido pela russa Reshetnev, vai fornecer 13 gigabites de banda para cada uma das regiões "iluminadas" pelo alcance do seu sinal, que abrange a maior parte do continente africano e parte substancial da Europa, tendo como "casa" a plataforma Eurostar E3000, uma plataforma de acolhimento de satélites comerciais civis e militares de telecomunicações criada pela Airbus Defence and Space.

Com a chegada do Angosat-2 espera-se que o país dilua uma parte substancial das actuais dificuldades de comunicações e de acesso às tecnologias de comunicações, colocando Angola num patamar de linha da frente em África neste capítulo. In “Novo Jornal” - Angola

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Angola – Satélite Angosat-2 já está na rampa de lançamento

O lançamento em órbita, esta quarta-feira, do Angosat-2, foi confirmado em Moscovo, na Rússia, pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Augusto Oliveira, que ontem, terça-feira, 11, se deslocou ao Cazaquistão, onde está a rampa de lançamento do foguete "Proton-M", com cerca de 50 metros de altura, que vai transportar o satélite angolano até ao espaço, a partir do Cosmódromo de Baikanur, por volta das 20:00, hora local (16:00 em Angola)


Questionado se há algum risco de acontecer com o Angosat-2 o que sucedeu com o primeiro satélite angolano - o Angosat-1, construído pela russa RKK Energia, por 320 milhões de dólares, acabou por ser um fracasso após falhas graves no lançamento, em 2018 - o governante afirmou, citado pelo Jornal de Angola, que "a indústria satélite é complexa" e que, apesar de as questões técnicas terem sido acauteladas, "a tecnologia é feita por homens".

"Tudo vai correr bem e Angola vai ter o satélite de comunicações, que vai contribuir para a melhoria e expansão das telecomunicações no País e com ele associados outros serviços como internet, telecomunicações que vão contribuir para a modernização administrativa do Estado, a educação, telesaúde e telemedicina, da própria indústria no País e da agricultura", acrescentou.

Este satélite, que pesa duas toneladas, possui definição de "High-throughput", ou elevada taxa de transferência de informação, um avanço considerável em relação aos clássicos FSS, de menor capacidade, vai chegar ao espaço para garantir a Angola um lugar de destaque em África neste capítulo por pelo menos 15 anos, que é a sua longevidade mínima garantida.

Esta é a segunda tentativa de Angola para entrar no clube dos países "espaciais" depois de o Angosat-1, construído pela russa RKK Energia, por 320 milhões de dólares, ter sido um fracasso após falhas graves no lançamento, em 2018.

O Angosat-2, construído pela russa ISS Reshetnev, que não representa novos custos para o Estado angolano devido às garantias existentes no primeiro projecto, acaba por ser uma vantagem para Angola, visto que chegará à sua órbita com uma capacidade incorporada para transmissão de dados, imagem e telecomunicações, muito superior, permitindo uma maior rentabilidade ao alugar parte desta capacidade a vários países africanos, como está previsto, e chegou a estar contratualizado para o Angosat-1.

O Angosat-2, desenvolvido pela russa Reshetnev, vai fornecer 13 gigabites de banda para cada uma das regiões "iluminadas" pelo alcance do seu sinal, que abrange a maior parte do continente africano e parte substancial da Europa, tendo como "casa" a plataforma Eurostar E3000, uma plataforma de acolhimento de satélites comerciais civis e militares de telecomunicações criada pela Airbus Defence and Space.

Com a chegada do Angosat-2 espera-se que o país dilua uma parte substancial das actuais dificuldades de comunicações e de acesso às tecnologias de comunicações, colocando Angola num patamar de linha da frente em África neste capítulo. In “Novo Jornal” - Angola

 


quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Angola - Angosat-2 será “primeiro satélite africano de última geração”

O Governo angolano assegurou hoje que o segundo satélite do país, Angosat-2, em construção a 50% e que deve ser lançado em órbita em 2022, “é o primeiro satélite africano de última geração, alto débito e alta capacidade”

“O Angosat-2, conforme foi dito pelo senhor ministro em dezembro, está ao nível de cerca de 50%, mas o que não significa dizer que os próximos 50% sejam os mais fáceis ou mais difíceis, é porque estamos a falar em tecnologia de alto nível, estamos a falar de um satélite última geração”, afirmou hoje o secretário de Estado das Telecomunicações angolano, Mário Oliveira.

Segundo o governante, que falava em Luanda, “apenas os grandes ‘players’ do mercado internacional, os grandes construtores e provedores de serviços de Internet são os que neste momento têm os satélites em órbita com as características do satélite Angosat-2”.

Tendo em vista à entrada em órbita do Angosat-2, que substitui o primeiro que se perdeu no espaço em 2017, decorre um “árduo trabalho” no seio dos especialistas angolanos certificados.

“E hoje já sentimos que estamos em melhores condições de poder melhor acompanhar o projeto, ser um participante integral daquilo é o projeto de construção do Angosat-2”, apontou.

O secretário de Estado, referindo-se ao Angosat-2, acrescentou: “Este satélite, em particular, com essas características que é um satélite que é conhecido de alto débito, de alta capacidade, é o primeiro satélite africano que se vai lançar”.

O responsável falava à margem de uma visita que representantes da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que participam de um ‘workshop’ de capacitação em Ampliação de Satélites, em Luanda, efetuaram ao Centro de Controlo de Missão de Satélites angolano.

Mário Oliveira referiu igualmente que a formação dirigida aos membros da SADC para “aproveitamento das facilidades do uso de infraestruturas de satélite” surge para Angola apresentar a sua experiência no domínio da tecnologia espacial.

“É uma forma também de divulgarmos os nossos projetos e tirarmos maior proveito possível daquilo que é o nosso programa espacial nacional e muito em particular o satélite Angosat-2”, realçou.

O primeiro satélite, o Angosat-1, um investimento do Estado angolano orçado em 320 milhões de dólares (290 milhões de euros), perdeu-se no espaço depois do seu lançamento em dezembro de 2017. In “Angola 24 Horas” - Angola