Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Macau - Restrições à residência afastam docentes portugueses

A directora do Instituto Português do Oriente (IPOR) disse à Lusa que as restrições impostas por Macau aos pedidos de residência têm afastado docentes que estavam interessados em vir trabalhar para a região.

O Centro de Língua do IPOR tem actualmente 16 professores em Macau e um em Pequim, para dar mais de 100 cursos previstos para este ano, um número semelhante ao registado em 2019, antes da quebra devido à pandemia. Nos últimos dois anos, o IPOR contratou quatro docentes vindos de Portugal, para substituir outros que “ou regressam a Portugal ou têm outras oportunidades de emprego aqui em Macau”, explicou Patrícia Quaresma.

Todos vieram como trabalhadores migrantes, recebendo o chamado ‘blue card’, uma autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação.

Desde Agosto de 2023 que Macau não aceita novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As novas orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999.

Patrícia Quaresma admitiu que a mudança teve impacto: “algumas das pessoas seleccionadas, e já nos aconteceu em alguns concursos, depois de saberem as condições, recusam”.

A dirigente diz que alguns candidatos “não sentem que têm segurança para o futuro em termos de trabalho e também condições para viver em Macau”, nomeadamente que “não lhes compensa financeiramente”.

Quaresma dá como exemplo uma professora que queria inscrever a filha na Escola Portuguesa de Macau (EPM), onde, sem estatuto de residente, teria de pagar a propina por inteiro. A EPM cobra anualmente 36.870 patacas no ensino primário e 47.700 patacas no ensino secundário, valores que caem para menos de metade para alunos residentes, graças a um subsídio do Governo local.

“Ela repensou e não quis vir para Macau nessas condições”, diz a directora do IPOR.

Em Março de 2025, a presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António, disse à Lusa que as limitações têm afectado a contratação de profissionais para integrarem a Escola de Arte e Ofícios da associação. Mencionando a relação estratégica entre a China e o universo de língua portuguesa e o interesse de Pequim na língua portuguesa, a líder associativa lamentou a postura “um pouco contraditória”.

“Não podemos fazer omeletas sem ovos, nós que estamos aqui e que trabalhamos com a cultura portuguesa e com a língua portuguesa, temos muita dificuldade em ter pessoas que substituam aquelas que foram saindo. Saíram muitos portugueses de Macau, e trabalhar nestas áreas com essa falta [de pessoas com essas qualificações] é muito complicado”, rematou.

A Lusa tentou voltar a entrar em contacto com Amélia António, mas não obteve resposta.

A Lusa perguntou também ao presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa em Macau se os membros da associação tinham sentido dificuldades em contratar portugueses, mas Carlos Cid Álvares preferiu não comentar.

Macau tem apostado no ensino do português para servir como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países lusófonos e, assim, diversificar a economia local, altamente dependente dos casinos.

Mas, em Abril, Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino, disse que não basta ensinar a língua portuguesa e que é preciso “olhar para o futuro”. “Não vejo muito como é que a influência portuguesa se pode manter aqui, mantendo esta situação. Uma coisa é os chineses falarem português, outra coisa muito diferente é os portugueses estarem em Macau”, sublinhou.

A directora do IPOR, Patrícia Quaresma, diz que a instituição tem sempre conseguido autorização das autoridades para contratar professores portugueses, mas admite que o processo é agora “um pouco mais moroso”.

Antes de 2023, “era muito mais rápido”, diz. “Nós conseguíamos tratar da obtenção do BIR, que demorava cerca de um a dois meses”, recorda a dirigente.

Com uma autorização de trabalho a demorar “cerca de quatro a seis meses”, o IPOR tem de “antecipar muito” a avaliação dos recursos humanos, para que os novos professores possam chegar a tempo, explica Quaresma.

A directora diz que as autorizações de trabalho também aumentam a papelada no que toca aos protocolos que o IPOR celebrou para dar aulas de português em outras instituições, incluindo a Universidade de São José.

“Uma pessoa que tem um ‘blue card’ normalmente tem de ter um local de trabalho específico. E isso quer dizer que, quando fazemos alterações, tem de ser sempre reportado”, diz Quaresma.

Menos portugueses vêm para a RAEM e maioria tem vínculo precário

O número de portugueses que emigraram para Macau tem vindo a cair e, nos últimos dois anos, a maioria chegou à região com vínculos laborais precários. Numa resposta escrita à Lusa, o Corpo de Polícia de Segurança Pública disse que o número de trabalhadores migrantes de nacionalidade portuguesa – ou seja, que chegam sem o estatuto de residente – passou de 39 no final de 2023 para 78 no fim do ano passado. Macau não aceita, desde Agosto de 2023, novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. Em resultado, o número de portugueses a tornar-se residente caiu de 70 em 2023 para 23 em 2025, muito longe do recorde de 390 registado em 2013, de acordo com dados fornecidos à Lusa pela Direcção dos Serviços de Identificação. O CPSP disse que recebeu 14 pedidos de residência de portugueses em 2025, dos quais 10 foram aceites, todos por reunião familiar. Dos restantes, dois ainda estão a ser analisados, enquanto um foi rejeitado e outro cancelado. A única alternativa para garantir o BIR passa agora por uma candidatura ao programa de captação de quadros qualificados, que entrou em vigor em Julho de 2023. Em 2024, o então secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, Chao Chong Hang, admitiu que a maioria das 464 candidaturas aprovadas vinha da China continental (80%) ou da vizinha região de Hong Kong (10%). Os censos de 2021 indicam que havia mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-Geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Macau - Restrições fizeram cair pedidos de residência de portugueses

O número de pedidos de residência feitos por portugueses e aprovados por Macau caiu em 2024, em termos anuais, de acordo com dados da Polícia de Segurança Pública, e após a imposição de restrições à emigração portuguesa



Vinte pedidos de residência foram encaminhados por cidadãos portugueses às autoridades de migração de Macau no ano passado e, destes, 13 (65%) foram aprovados, segundo dados da Polícia de Segurança Pública (PSP). Em 2023, o número de solicitações totalizou 56, sendo que foi dada luz verde a 52 (92%).

Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência para portugueses, para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. A alternativa para um português garantir o bilhete de identidade de residente (BIR) passa agora por uma candidatura aos recentes programas de captação de quadros qualificados. Outra hipótese é a emissão de um ‘bluecard’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação.

Os números mostram ainda que 2024 apresenta valores inferiores aos do período da pandemia da covid-19, quando Macau implementou rigorosas restrições, incluindo o encerramento das fronteiras.

Em 2022, cidadãos portugueses apresentaram 32 pedidos de residência, com as autoridades a aprovarem 31 (96%); em 2021 registaram-se 20 pedidos, com 17 a obterem uma avaliação favorável (85%), e em 2020 – que inclui processos de 2021 – foram apresentados 56 pedidos e a taxa de aprovação foi de 100%. Recuando a 2019, o último ano pré-pandemia, as autoridades deferiram 112 dos 116 pedidos, com uma taxa de aprovação de 96%.

Sobre as novas orientações das autoridades para a vinda de técnicos especializados portugueses, o cônsul-geral de Portugal em Macau, Alexandre Leitão, afirmou, em Dezembro, ser um sinal. “Obviamente, esta decisão foi um sinal. E é um sinal que tem leituras, como todos os sinais. E uma mudança súbita, depois da [pandemia da] covid-19, numa altura em que se falava da recuperação e da necessidade de diversificação económica, quando isso significa em qualquer cidade do mundo e da própria China, abertura”, considerou. “Digamos que temos o direito de olhar para este sinal como algo frustrante e contrário às nossas expectativas e sobretudo de difícil compreensão pelo momento e pelo facto de que objectivamente são poucos os portugueses que vêm de Portugal procurar Macau”, salientou. Alexandre Leitão disse acreditar “ser do interesse da região poder beneficiar do contributo qualificado de mais portugueses”.

Os censos de 2021 indicam mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 19 de setembro de 2023

Macau - Restrições aos pedidos de residência deixam comunidade portuguesa preocupada

As autoridades da RAEM não estão a aceitar novos pedidos de residência para portugueses sob a fundamentação do exercício de funções técnicas especializadas, ao contrário daquilo que aconteceu até ao início de Agosto. Estas restrições estão a deixar a comunidade portuguesa apreensiva e Pereira Coutinho adiantou ao Ponto Final que vai abordar o assunto junto do Chefe do Executivo


Os Serviços de Migração já não estão a aceitar novos pedidos de residência para portugueses sob a fundamentação do exercício de funções técnicas especializadas. A notícia foi avançada pela Lusa e pode ser confirmada no portal do Governo da RAEM, onde estão publicadas as orientações relativas aos novos pedidos de residência para nacionais portugueses. As anteriores instruções permitiam que houvesse pedidos por agrupamento familiar, por anterior ligação à RAEM e por exercício de funções especializadas. As orientações publicadas em Agosto deste ano já excluem a possibilidade de fazer o pedido tendo por base o exercício de funções especializadas.

Ao Ponto Final, José Pereira Coutinho mostrou-se preocupado. “[É uma situação que] Preocupa todos os portugueses residentes em Macau e, mais que isso, vai dificultar a vinda de técnicos especializados nas diversas áreas e a continuidade da comunidade portuguesa em Macau”, afirmou.

O deputado e antigo conselheiro das comunidades portuguesas adiantou que irá chamar a atenção do Chefe do Executivo para este assunto aquando da reunião do Governo com a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), que irá acontecer no dia 29 deste mês, no âmbito da preparação para as Linhas de Acção Governativa.

Reiterando que a medida irá ter “um impacto bastante grande” na comunidade portuguesa, Coutinho defende que, “desde que haja boa vontade, todos os problemas se vão resolver”.

Gilberto Camacho, actual conselheiro das comunidades portuguesas, também se mostra desconfiado relativamente às novas orientações: “Não compreendo a necessidade de se colocarem mais entraves à vinda de portugueses qualificados para Macau”. Até porque “o que torna Macau original e diferente das restantes cidades chinesas é a sua portugalidade patente na arquitectura, gastronomia, língua e demais vertentes e que gozam de uma simbiose cultural e social pacífica e harmoniosa que não existe em mais nenhum lugar do mundo”.

“Criar condições cada vez menos apelativas para a vinda de portugueses é colocar todo este património único cada vez mais frágil e sujeito à erosão da sua identidade”, afirma Gilberto Camacho, concluindo que “não se devem criar condições para enfraquecer ainda mais esta identidade única de Macau”.

Em declarações à TDM Canal Macau, Amélia António também disse estar “muito preocupada” com as novas orientações, que significam um “golpe profundíssimo no funcionamento das instituições, empresas, associações e empresas que produzem em português”. “É isso que dá substância e consolida uma comunidade portuguesa em Macau, que acrescenta à cultura local o valor da diferença de Macau”, disse a presidente da Casa de Portugal à estação. “Neste omento, a grande expectativa é que isto seja uma grande confusão, uma falta de esclarecimento muito grande”, referiu.

À Agência Lusa, o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong reagiu, afirmando que tem havido conversações entre Portugal e Macau sobre as restrições aos pedidos de residência. André Vinagre – Macau in “Ponto Final” com “Lusa”


sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Macau - Serviços de migração restringem pedidos de residência para portugueses

Os Serviços de Migração não estão a aceitar novos pedidos de residência para portugueses fundamentados com o “exercício de funções técnicas especializadas”, como acontecia aqui, noticiou a Lusa. O Consulado de Portugal está em conversações com as autoridades da RAEM. Entretanto, há já entidades portuguesas que estão a ser afectadas por esta alteração, como é o caso do IPOR, uma vez que teve de solicitar a emissão de ‘blue cards’ na contratação dos dois últimos professores

Macau não está a aceitar novos pedidos de residência para portugueses nos Serviços Migração fundamentados com o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de agrupamento familiar ou anterior ligação ao território.

As novas orientações, a que a agência Lusa teve acesso, datam do início de Agosto e eliminam uma prática firmada logo após a transição de Macau para a China, apesar do formulário disponibilizado pelos Serviços de Migração ainda contemplar a possibilidade de se solicitar a residência pelo exercício de funções técnicas especializadas.

“Por ora, pela informação de que dispomos, só são aceites com base nos fundamentos de ‘agrupamento familiar’ e de ‘anterior ligação à RAEM’” quaisquer novos pedidos de residência feitos por cidadãos portugueses via Serviços de Migração, através do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), disse à Lusa o advogado Pedro Meireles.

Ou seja, agora, a alternativa para um português garantir a residência passa por uma candidatura aos recentes programas do regime jurídico de captação de quadros qualificados enquadrados na lei nº 7/2023 “em pé de igualdade com cidadãos de qualquer outra nacionalidade, não sendo a nacionalidade portuguesa do candidato facto positivo ou negativo de apreciação da candidatura”, explicou o advogado da JNV – Advogados e Notários.

Outra hipótese é a emissão de um “blue card”, um vínculo laboral atribuído a não residentes, sem benefícios ao nível da saúde ou educação e sem possibilidade de garantir a residência permanente na RAEM.

“Se um cidadão português quiser emigrar para a RAEM, para aqui trabalhar em ‘funções técnicas especializadas’, caso não haja programa aberto ao abrigo do regime jurídico de captação de quadros qualificados a que se possa candidatar e/ou não seja caso de reunificação familiar com residentes da RAEM, a solução que nos parece ser viável (…) é a sua (futura) entidade patronal na RAEM pedir autorização de contratação (quota)” e, depois, em caso de deferimento, “pedir a emissão de ‘blue card’”, explicou o advogado.

Entre Abril de 2003 e Novembro de 2021, os pedidos de residência de portugueses eram expressamente mencionados na lei e equiparados aos pedidos de residência de cidadãos chineses, mas isso mudou com a nova legislação. “Os pedidos de residência de (…) portugueses deixaram de ser expressamente mencionados (quer na lei nº 16/2021, quer no regulamento administrativo nº 38/2021)”, ou seja, “desapareceu essa menção ‘especial’”, notou Pedro Meireles.

Contudo, na prática, continuou-se a aceitar, até Agosto, os pedidos de residência com o fundamento de exercício de funções técnicas especializadas.

O advogado José Abecasis rejeitou que “as circunstâncias presentes justifiquem uma mudança de posição radical, nada transparente e que apanhe a comunidade – se não mesmo as entidades oficiais – completamente desprevenida”.

Mas, na realidade, tudo se modificou com as novas orientações, que surgiram pouco depois da publicação da lei nº 7/2023, no final de Maio.

As autoridades terão “alterado os seus procedimentos por causa da entrada em vigor da Lei nº 7/2023, sendo, no entanto, de notar que (…) em nada alterou e/ou revogou a lei nº 16/2021”, assinalou Pedro Meireles, defendendo também que tal “não deveria ter afectado o actual sistema de concessão de autorização de residência via Serviços de Migração”.

José Abecassis reforçou este entendimento, sustentando que “a aprovação da Lei nº 7/2023 (…) nada alterou no procedimento ou requisitos”, tanto mais que, “o portal do Governo da RAEM continua a informar que os pedidos apresentados por cidadãos de nacionalidade portuguesa devem continuar a ser apreciados em função da lei nº 16/2021”.

No caso das renovações, ainda se contempla o fundamento “exercício de funções técnicas especializadas na RAEM”, ressalvou Meireles.

IPOR já está a ser afectado

O facto de Macau não estar a aceitar novos pedidos de residência para portugueses fundamentados com o “exercício de funções técnicas especializadas” está já a afectar entidades portuguesas no território ao nível da contratação, como é o caso do Instituto Português do Oriente (IPOR).

A directora disse à Lusa que o IPOR teve de solicitar a emissão de ‘blue cards’ na contratação dos dois últimos professores. Constrangimentos que prejudicam a capacidade de contratar professores oriundos de Portugal, mas não só, disse Patrícia Ribeiro.

“Se se prolongar esta situação”, e não existir uma solução diplomática, “vai haver um momento em que não vamos conseguir mais quotas” para ‘blue card’, uma vez que é preciso equilibrar o número possível de não residentes empregados com a obrigatoriedade de contratação local.

“E isso é um problema, porque já fizemos algumas contratações locais, mas no segundo concurso já não encontrámos [candidatos] com as qualificações que pretendíamos”, explicou.

Por outro lado, a alternativa apresentada nos Serviços de Migração, o recente programa de captação de quadros qualificados, “não se adapta a muitas entidades e ao próprio IPOR”, acrescentou.

Recorde-se de que a 1 de Setembro, Macau anunciou dois programas para captar quadros qualificados em áreas de tecnologia de ponta, os primeiros no âmbito de uma lei que entrou em vigor em Julho, e que procura captar para o território desde vencedores do prémio Nobel a campeões olímpicos – considerados “quadros qualificados de elevada qualidade” -, até “quadros altamente qualificados e profissionais de nível avançado”.

“Este programa não se vai adaptar a muita gente, porque têm exigências que vão desde prémios, nível de vencimento muito elevado e uma permanência mínima de sete anos em Macau, que não podemos assegurar”, exemplificou a directora do IPOR.

A Lusa tentou contactar o director da Escola Portuguesa de Macau, Manuel Machado, que não respondeu em tempo útil. O mesmo aconteceu com o Corpo de Polícia de Segurança Pública, responsável pela recepção dos pedidos de autorização de residência via Serviços de Migração.

Consulado em conversações com autoridades da RAEM

O Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong está em conversações com as autoridades da RAEM devido às recentes restrições na autorização de residência para portugueses, disse à Lusa o Cônsul-Geral. “Existe um conjunto de questões relacionadas com o tema da pergunta que estão a ser objecto de conversações com as autoridades” do território, disse Alexandre Leitão. Na resposta do secretariado do responsável diplomático é dito ainda que o Cônsul-Geral “não considera conveniente fazer mais declarações”. In “Jornal Tribuna de Macau” com “Lusa”


quarta-feira, 5 de abril de 2023

Tunísia – Abastecimento de água à população cortado durante sete horas noturnas, devido à seca

A Tunísia está a cortar o abastecimento de água aos cidadãos durante sete horas por noite. A medida extrema é uma resposta à pior seca já registada no país.

A água será cortada diariamente das 21h às 4h, com efeito imediato, disse a empresa estatal de distribuição de água SONEDE num comunicado.

O Ministério da Agricultura do país introduziu anteriormente um sistema de cotas para água potável e proibiu o seu uso na agricultura até 30 de setembro.

A Tunísia está a lutar contra uma seca que já está no seu quarto ano.


O que está a causar a seca na Tunísia?

Anos de seca secaram os reservatórios da Tunísia, diminuíram as colheitas e levaram o governo a aumentar os preços da água canalizada para residências e empresas.

Atribuindo a seca sem precedentes às alterações climáticas, o chefe da SONEDE, Mosbah Hlali, pediu aos tunisinos que entendam a decisão de cortar o abastecimento de água.

A região do Mediterrâneo experimentou um calor elevado nos últimos verões e uma falta de chuvas no inverno. Em agosto de 2021, a Tunísia experimentou temperaturas recorde de mais de 50°C.

A capacidade das barragens do país caiu para cerca de mil milhões de metros cúbicos, ou 30% do máximo, de acordo com o alto funcionário do Ministério da Agricultura, Hamadi Habib.

A represa Sidi Salem, no norte do país, uma importante fornecedora de água potável para várias regiões, diminuiu para apenas 16% da sua capacidade máxima, mostram dados oficiais.

A colheita de cereais da Tunísia será "desastrosa", com a safra atingida pela seca caindo para 200 mil -250 mil toneladas este ano, de 750 mil toneladas em 2022, disse o representante sénior do sindicato dos agricultores, Mohamed Rjaibia, à agência de notícias Reuters.

Quão severas são as restrições de água da Tunísia?

Além de cortar o abastecimento de água durante a noite, o Ministério da Agricultura da Tunísia proibiu o uso de água potável para lavar carros, regar áreas verdes e limpar ruas e locais públicos.

Os infratores enfrentam multa e prisão por um período de seis dias a seis meses.

Moradores dizem que as autoridades tunisinas cortaram a água potável à noite em algumas áreas da capital e outras cidades nas últimas duas semanas, numa tentativa de reduzir o consumo.

A medida gerou revolta generalizada.

A nova decisão ameaça alimentar a tensão social num país cuja população sofre com os serviços públicos precários, alta inflação e uma economia fraca.

Os agricultores também foram instados a parar de irrigar os campos hortícolas com água das barragens e, em alguns casos, enfrentam limites.

A Tunísia já tem problemas de abastecimento de alimentos devido aos altos preços mundiais e às próprias dificuldades financeiras do governo, que reduziram a sua capacidade de comprar alimentos importados e subsidiar quintas domésticas.

A seca elevou os preços da forragem, contribuindo para uma crise na indústria de laticínios da Tunísia, já que os agricultores vendem os rebanhos que não podem mais manter, deixando as prateleiras dos supermercados vazias de leite e manteiga.

Os europeus enfrentarão restrições de água neste verão?

A Europa está em seca desde 2018, de acordo com um estudo recente da Universidade de Tecnologia de Graz, na Áustria.

A baixa chuva de inverno e a queda de neve deixaram os países em risco de outro verão extremo, alertou a Comissão Europeia.

O norte da Itália, a França e a Espanha estão a preparar-se para as restrições, que no ano passado limitaram alguns residentes da Catalunha a usar água por cerca de quatro horas por dia. Angela Symons – Reino Unido in Euronews.green


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Europa - 'Nós não temos água': veja como é viver o verão mais seco na memória


A Europa enfrenta um dos verões mais secos de sempre.

Ondas de calor brutais varreram o continente, incêndios florestais devastaram a terra e os rios estão a secar.

E, depois de um inverno com poucas chuvas seguido de temperaturas recordes em alguns países, milhões de pessoas agora enfrentam as consequências de uma seca severa.

Para alguns, está a tomar a forma de pequenas proibições de mangueiras ou piscinas vazias. Para outros, o impacto nas suas vidas diárias foi muito mais extremo.

Acesso limitado à água potável

No final de julho, os reservatórios da Espanha estavam com apenas 40 por cento da capacidade. O país enfrenta o seu clima mais seco há pelo menos 1200 anos, de acordo com um artigo recentemente publicado na revista Nature Geoscience.

Para as cerca de 800 pessoas que vivem na vila de Bonastre, ao sul de Barcelona, ​​a seca fez com que as suas torneiras secassem.

Restrições severas foram postas em prática com níveis de reservatórios ainda mais baixos que a média nacional. Os moradores só têm acesso à água das 7:00 às 10:00 e das 20:00 às 23:00 todos os dias.

“Teoricamente, temos quatro horas de água por dia”, diz Mario Ferrario, 43 anos, dono de uma gráfica na vila.

“Levo as minhas filhas de manhã cedo para a escola de verão e não temos água.”

Se tiver sorte, pode tomar banho quando voltar. Se não, ele tem que esperar até à noite ou mesmo no dia seguinte.

“E isso se houver água novamente porque muitas vezes os horários não são seguidos. Eles [autoridades locais] estabelecem um cronograma e depois o alteram sem nos avisar”.

Um ano extremo para Bonastre, Espanha

A prefeita da vila, Ester Barta, descreveu a situação em Bonastre este ano como particularmente “extrema”. O poço que abastece a aldeia é abastecido pelo aquífero de Gaià, onde os efeitos da seca são visíveis há meses.

A princípio, o conselho pediu que as pessoas fossem responsáveis ​​com o seu uso e começou a restringir o fluxo de água nos finais de semana. Desde então, as coisas pioraram progressivamente. Em algumas ocasiões, a água foi cortada por dias inteiros para tentar ajudar os suprimentos a recuperarem-se.

Para Mario, isso significa que as tarefas cotidianas como lavar roupas ou preparar o jantar para as suas duas filhas se tornaram um luxo. Embora os moradores tentem armazenar água quando não há cortes, se esquecem, ficam sem nada.

“As pessoas estão bastante irritadas com a situação em geral porque não é a primeira vez que isso acontece”, diz ele.

Os moradores de Bonastre estão cansados ​​e Mario explica que os políticos locais pouco fizeram para ajudar. Ele mora na vila há quatro anos e as restrições de água foram impostas nos últimos três. Este ano, porém, a situação é muito pior.

“Nos verões anteriores tivemos acesso a um pouco mais de água, mas este foi catastrófico. As restrições são muito mais severas do que nos anos anteriores.”

Lutando para se refrescar sem água

O calor extremo está a tornar ainda mais difícil lidar com a situação, pois as pessoas lutam para se refrescar. Mais de 1000 pessoas morreram durante as altas temperaturas sem precedentes de julho, segundo o Ministério da Saúde da Espanha.

“Há pessoas cuja situação é muito pior do que a minha porque não têm poço e, com o calor, é impossível viver sem água”, diz Núria Pons, que também vive em Bonastre.

“Eles estão tendo dificuldades porque passamos a maior parte do dia sem água. Há uma caixa d'água na aldeia trazida pela prefeitura, mas há pessoas idosas que não podem subir e descer carregando jarras de água.”

A Câmara Municipal culpou os aldeões por não usarem a água de forma responsável, mas Núria diz que esta é uma desculpa familiar.

“Isso é o que todas as autoridades locais sempre dizem. Claro, você pode encontrar pessoas que não se importam com nada e não dão muito apoio, mas não é o caso da maioria da população.”

Quem mais usa água, acredita ela, são as pessoas com casas de veraneio na aldeia que só a visitam entre julho e agosto. O aumento da procura só piora a situação em Bonastre.

Medidas extraordinárias no norte da Itália

Na Itália, as regiões do norte enfrentam a pior crise hídrica em 70 anos. Algumas províncias chegaram perto de ficar sem água para o cultivo de alimentos.

Ferrara na região de Emilia-Romagna geralmente não é afetada pelas condições quentes do verão devido a uma rede de canais que abastecem os seus campos. Mas este ano, medidas extraordinárias também são necessárias aqui, com os níveis no rio Po caindo para um nível recorde.

O Ferrara Land Reclamation Consortium acaba de instalar mais de 20 bombas temporárias que visam “reciclar” a água em direção ao oceano. As bombas transportam milhões de litros por dia para as valas de irrigação que alimentam os campos.

Este tipo de intervenção nunca foi feito antes, mas vem enchendo os canais deixados vazios pelo rio que seca rapidamente. Agora, no entanto, os suprimentos estão tão baixos que mesmo novas ideias não conseguem manter a água fluindo.

“Essas soluções extraordinárias são essenciais em tempos de extrema dificuldade, mas todo o sistema está no limite há várias semanas”, enfatiza Stefano Calderoni, presidente do Ferrara Land Reclamation Consortium.

Algo muito pequeno pode agora derrubar todo o sistema de defesa que o Consórcio implantou, acrescenta.

“A crise hídrica não é mais apenas uma emergência, mas está a tornar-se uma condição estrutural real, exigindo intervenções públicas maciças. A emergência de 2022 deve tornar-se uma oportunidade para proteger o país e o território, superando as divisões da política”.

Legumes que não crescem

Não são apenas os agricultores do norte da Itália que sentem o impacto da seca severa. Produzir alimentos tornou-se difícil noutras partes do país - mesmo para quem procura abastecer os seus próprios frigoríficos.

Chiarina Arguti, 75, vive num subúrbio rural de Foligno, na região central italiana da Úmbria. A sua casa pertencia à sua avó, que a comprou com dinheiro que o estado lhe deu depois que o seu marido morreu na Primeira Guerra Mundial.

"Temos um campo de um hectare, do qual apenas uma parte é usada; quando o meu marido estava cá, era usado inteiramente", explica Chiarina.

"O racionamento não foi feito até agora porque não há regulamentação específica, não temos problemas de irrigação porque temos o poço, que não contém água potável."

O problema é principalmente o das altas temperaturas e a falta de chuvas.

“No ano passado fiz 100 potes de molho de tomate, este ano são cerca de metade”, diz Chiarina.

“Há vegetais que não podem ser usados, outros simplesmente não crescem”. Euronews.green   


 

sábado, 15 de agosto de 2020

Europa - Novos surtos levam a “guerra de fronteiras”

Milhares de europeus que se encontram de férias fora dos seus países estão a antecipar o regresso para casa devido ao aumento de casos de covid-19 na Europa e às consequentes restrições que alguns países estão a impor



Num balanço feito pela EFE, países como França, Reino Unido, Alemanha e Espanha estão entre os mais afetados por aquilo que se admite poder ser uma segunda onda da pandemia na Europa, com o movimento de férias de muitos europeus a contribuir para o crescimento de infetados e a alimentar uma ‘guerra de fronteiras’, ainda que estejam oficialmente abertas.

A quarentena obrigatória nos regressos é uma das medidas que está a provocar regressos antecipados de turistas que as tentam evitar, numa altura em que alguns países europeus voltaram a registar totais de casos diários acima dos mil infectados.

O Reino Unido, que voltou a registar mais de mil novos casos em 24 horas, decidiu impor uma quarentena obrigatória a todos os cidadãos com origem em França, o que levou milhares de turistas britânicos a antecipar o regresso de férias para contornar a medida que entrou em vigor neste sábado, aplicável também a quem chegue dos Países Baixos, Mônaco, Malta, as ilhas britânicas Turcas e Caicos e Aruba, nas Caraíbas.

França não gostou da decisão e prometeu responder ‘na mesma moeda’, estando ainda a decidir uma resposta “com critérios de reciprocidade”, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.

No curto prazo, as medidas britânicas prejudicam em primeiro lugar o turismo em França, privado no que resta do verão de boa parte dos visitantes do Reino Unido, com 160 mil turistas britânicos em território gaulês quando foi anunciada a quarentena obrigatória.

Também a Bélgica está a impor restrições a quem chega de França, obrigando a quarentena e teste à covid-19.

Os receios relativos à segunda onda e as medidas de contenção e restrições que estão a ser impostas podem ter como efeito perverso o impacto no setor do turismo, justamente na época alta na Europa, podendo acrescentar mais prejuízos aos que já estavam estimados e previstos.

Nem só o turismo é afetado. A Grécia está a reter milhares de albaneses nas suas fronteiras, que ali permanecem em condições precárias, à espera de autorização de entrada no país, a maioria dos quais emigrantes que trabalham na Grécia e tinham voltado à Albânia de férias.

O grande afluxo que se regista é uma forma de tentar evitar as restrições que entram em vigor a partir da próxima semana, quando a Grécia vai começar a restringir as entradas no país por via terrestre para evitar a propagação de contágios.

A Albânia está a enfrentar uma nova onda de infeções por coronavírus, com tendência crescente devido à falta e cuidado relativamente às medidas de prevenção, especialmente entre os mais jovens, mas também devido a casamentos e funerais com uma grande quantidade de pessoas, como é tradição no país.

A Alemanha, também a braços com um aumento crescente de novos casos diários de covid-19, com quase 1.500 novos casos registados na sexta-feira, decidiu impor restrições a quem viaja para Espanha, impondo quarentena obrigatória a quem regressa se não tiver teste negativo para a doença, e desaconselhando viagens para território espanhol, com exceção das ilhas Canárias, mas não o proibindo.

Espanha, que na sexta-feira registou quase três mil novos casos diários, impôs novas medidas de contenção da pandemia, como o encerramento de locais de diversão noturna, restrições nos horários dos restaurantes e a proibição de fumar ao ar livre em locais como esplanadas e sempre que não esteja garantida uma distância de segurança de dois metros.

Já Itália continua em tendência crescente nos novos casos diários, com mais de 600 novas infeções registadas hoje, com as autoridades a manifestarem preocupação com o peso de casos importados. Há ainda uma preocupação com o impacto das atividades de lazer noturnas.

Desde dia 13 que as autoridades de saúde estão controlando as chegadas de quem viaja de Espanha, Malta, Grécia e Croácia, considerados países de risco.

Em Portugal, o presidente considerou que a atividade turística no Algarve está melhor, com a ocupação de alguns hotéis a 70%, e questionou o que estará a impedir o Reino Unido de abrir um corredor aéreo com Portugal. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Macau - Oito portugueses pediram ajuda ao consulado

Pelo menos oito portugueses pediram ajuda ao Consulado-Geral na RAEM para voltar ao país, na sequência das restrições que foram surgindo devido à pandemia

O Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves, confirmou à Rádio Macau que, pelo menos oito portugueses no território pediram ajuda ao Consulado por não conseguirem regressar ao país. “Temos ouvido as pessoas, (…) têm vindo apresentar os casos pessoalmente”, afirmou, indicando que os pedidos que chegaram à representação diplomática nas últimas três semanas “não têm residência em Macau e encontram-se retidos no território”.

Porém, o Cônsul sublinhou que em nenhum dos casos se trata de uma situação dramática, tal como envolver questões de saúde. Segundo indicou Paulo Cunha Alves, as razões que motivaram estas viagens prenderam-se pela fuga à epidemia do novo tipo de coronavírus em Portugal ou deslocações a Macau em trabalho ou férias. No entanto, acabaram “presos” pelas restrições impostas pelos Governos das duas regiões administrativas especiais, entre as quais a proibição de entrada a todos os estrangeiros em Hong Kong, onde fica o aeroporto mais utilizado para os viajantes com destino a Portugal, para além dos cancelamentos de voos para a Europa pelas companhias aéreas.

Entre as opções analisadas estão viagens de Macau para a Europa via Singapura, Tailândia ou China, mas Paulo Cunha Alves observou que, à data, todas as alternativas se afiguram inviáveis, por não estarem a aceitar a entrada de estrangeiros. Paulo Cunha Alves disse que na prática, “é muito arriscado”, tratando-se de uma viagem “com custos elevados” e sem garantias de chegar a Portugal.

Em Hong Kong também há casos de residentes portugueses afectados pelas restrições. Recorde-se que, apesar de os residentes de Hong Kong podem entrar no território terão de cumprir uma quarentena de 14 dias quando chegam Macau e outra observação no regresso.

Paulo Cunha Alves disse ter conhecimento de “um ou dois casos” de portugueses nesta situação e que, perante as actuais circunstâncias, têm de pedir a familiares ou amigos que residam em Macau para ir levantar passaportes ou cartões de cidadão ao Consulado. O levantamento é feito mediante autorização do requerente. Depois, é ainda necessário enviar o documento pelos Correios, ou através das empresas de distribuição (DHL ou Fedex), um processo que actualmente também está sujeito a atrasos.

Mas, apesar de todos os inconvenientes, Paulo Cunha Alves desdramatiza sublinhando que “como estamos num período em que as pessoas não podem viajar, não é o fim do mundo”. “Espero que Maio nos traga boas notícias”, apontou. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

terça-feira, 24 de março de 2020

África do Sul - Impõe restrições à chegada do navio-escola Sagres à Cidade do Cabo devido ao covid-19




A tripulação do navio-escola Sagres vai ficar confinada ao navio quando aportar esta semana na Cidade de Cabo devido aos riscos de contaminação com a Covid-19, disse à Lusa fonte diplomática.

O navio-escola português, a navegar no Atlântico Sul rumo à África do Sul, está autorizado a atracar no porto para receber apoio logístico, mantimentos, energia e outros, mas a tripulação não pode sair do navio, disse a mesma fonte à Lusa.

A informação foi confirmada na passada quinta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores e Cooperação sul-africano, referiu a mesma fonte, adiantando que as autoridades portuárias sul-africanas estão a analisar “navio a navio” no âmbito das restrições anunciadas pelo Governo para contrariar o surto de Covid-19 no país.

As autoridades sul-africanas concederam em Dezembro uma autorização de aportagem diplomática de 72 horas à Sagres, segundo a fonte da Lusa.

Todos os eventos previstos em torno da visita do NRP Sagres à Cidade do Cabo foram também cancelados, acrescentou.

As associações e colectividades portuguesas na capital sul-africana anunciaram também o cancelamento de todas as actividades sociais agendadas, adiantou.

O navio-escola português era aguardado no próximo dia 27 na Cidade do Cabo no âmbito da celebração dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou já mais de 400 pessoas nas nove províncias da África do Sul, anunciou o Governo.

O novo coronavírus já infetou mais de 380 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 16 500 morreram. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul com “Lusa”

quinta-feira, 19 de março de 2020

Macau - Trabalhadores não-residentes estrangeiros proibidos de entrar no caso de não terem residência na China, Hong Kong ou Taiwan

No dia em que foram diagnosticados dois novos casos de infecção pelo COVID-19 em portadores de ‘blue card’, o Governo anunciou restrições à entrada de trabalhadores não-residentes estrangeiros no território: estão proibidos de entrar todos aqueles que não tenham residência na China, Hong Kong ou Taiwan. Há ainda uma nova medida: quem é sujeito aos testes terá obrigatoriamente de aguardar pelos resultados no hospital. As autoridades apelaram ainda à cooperação de todos os que chegam, lembrando que as medidas de inspecção nos postos fronteiriços “são eficazes”, pois já ajudaram a detectar três casos da doença. Por outro lado, foi garantido transporte especial de Hong Kong até ao final do mês



Desde as zero horas que é proibida a entrada de trabalhadores não-residentes estrangeiros em Macau. O despacho do Chefe do Executivo foi publicado ontem em Boletim Oficial e determina que estão excluídos os “titulares do título de identificação de trabalhador não-residente que sejam residentes do Interior da China, Hong Kong e Taiwan”. A medida é justificada com a necessidade de “prevenir a importação de casos de infecção do exterior e proteger a saúde dos residentes de Macau”.

O despacho admite ainda que pode haver excepções à interdição na fronteira por “motivo de interesse público”, como emergência ou socorro, ou para garantir a “manutenção do funcionamento normal” de Macau ou das “necessidades básicas de vida dos residentes”.

A publicação da medida surgiu depois de, na habitual conferência diária, o Governo ter avançado que estava a ponderar restringir a entrada dos trabalhadores não-residentes (TNR) estrangeiros no território. “Estamos a ponderar a proibição de entrada de TNR que estiveram fora da Grande China. Ainda estamos a pensar se será ou não vedada a sua entrada em Macau”, afirmou Lei Wai Seng, médico adjunto do Centro Hospitalar do Conde São Januário. O mesmo responsável disse que o anúncio seria feito em breve.

No espaço de três dias, o número de casos de infecção pelo coronavírus em Macau subiu para 15. Só ontem, foram diagnosticados dois novos pacientes com a doença: dois portadores de ‘blue card’ vindos da Indonésia e Filipinas. Desde ontem que a RAEM fechou as fronteiras para o mundo, com excepção para residentes do Interior da China, Hong Kong e Taiwan, residentes de Macau e trabalhadores não-residentes.

O aumento do número de casos importados nos últimos tempos levou a que as autoridades avançassem também com uma nova medida: a partir de agora os pacientes que forem testados para o COVID-19 têm de aguardar obrigatoriamente pelos resultados no hospital. “Houve alguns casos em que deixámos [os pacientes] voltar a casa antes de o teste dar negativo. Agora, todas pessoas que estiveram fora da Grande China e apresentarem sintomas têm que esperar o resultado do teste no hospital. Já não podem voltar para casa”, observou Lei Wai Seng.

Foi precisamente o que sucedeu com os 14º e 15º casos. Uma mulher de 42 anos, doméstica, que esteve em Jacarta, capital da Indonésia, com o filho e o marido a visitar familiares. Depois de passar a Ponte do Delta, acusou febre apesar de não ter quaisquer sintomas, tendo sido levada para o hospital público. “Depois de ter feito um exame no hospital com as amostras recolhidas, o marido levou a mulher para casa”, explicou Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença.

Segundo a médica, o marido, um trabalhador não-residente, começou a ter febre, tendo sido transferido para o hospital para ser testado. “Caso seja confirmado, terá de ficar na enfermaria de isolamento. Se for negativo, tem de cumprir quarentena no Alto de Coloane durante 14 dias”, apontou.

Já o 15º caso diz respeito a um trabalhador não-residente filipino, de 31 anos. É empregado de mesa de um hotel e esteve nas Filipinas a visitar a família. O doente recorreu ao Hospital Kiang Wu para a consulta devido a uma dor de dentes e erupção cutânea, onde foi classificado como um caso de risco moderado. Depois da recolha de amostra para a realização do teste de ácido nucleico, regressou a casa. Encontra-se actualmente na enfermaria em tratamento.

Foi ainda detectado um caso suspeito de COVID-19. Diz respeito a uma residente de Macau, de 19 anos, estudante no Reino Unido. Ontem, nas amostras foi detectado o resultado positivo preliminar no teste do ácido nucleico. “O estado clínico da doente é normal, sem indisposição e foi encaminhada, via ambulância, para a Urgência Especial do Centro Hospitalar Conde de São Januário, de modo a proceder o teste de zaragatoa nasofaríngea para diagnóstico”.

No dia 16 de Março partiu do Reino Unido, via Hong Kong e quando chegou a Macau foi remetida, pelo pessoal de quarentena dos Serviços de Saúde no posto fronteiriço, para observação médica no domicílio por 14 dias, conforme as medidas daquela altura.

Transporte especial até 31 de Março

Ontem foi também prolongado o período de garantia de transporte especial para os residentes de Macau que regressem da Europa e EUA até 31 de Março. Inês Chan, dos Serviços de Turismo, sublinhou que se trata de uma operação em cooperação com as autoridades de Hong Kong, razão pela qual não pode continuar por período indeterminado.

“Temos de depender da colaboração de Hong Kong. Por isso temos de ter uma data fechada, ou seja, não podemos prolongar, sem fim, este transporte especial do aeroporto para Macau. Por enquanto, de acordo com a negociação entre as autoridades de Macau e Hong Kong, a data fixada é 31 de Março. Depois ainda não sabemos como será”, afirmou.

Estava previsto que ontem chegassem ao território 120 residentes através do transporte especial. No dia anterior tinham chegado 78. Os residentes que queiram fazer uso deste apoio devem registar-se no site dos Serviços de Ensino Superior com 16 horas de antecedência em relação à hora da chegada ao Aeroporto Internacional de Hong Kong.

Recorde-se que todas as pessoas que entrem no território vindas de locais que não sejam China, Hong Kong ou Taiwan estão obrigadas a cumprir quarentena. No caso de virem de zonas consideradas de alto risco são encaminhados para a Pousada Marina Infante e para o Hotel Golden Crown, junto ao aeroporto.

Inês Chan avançou que 800 residentes já manifestaram vontade de voltar. “Claro que os dois hotéis vão sentir pressão, mas as pessoas não vão chegar ao mesmo tempo. Além disso, já estamos a pensar numa hipótese de alojamento”, frisou.

Admitindo que nos últimos dias não há “mãos a medir”, as autoridades pediram a cooperação de quem chega nos trabalhos de prevenção e controlo até porque as medidas têm surtido efeito. “A inspecção no posto fronteiriço é muito importante porque já detectámos três casos [da doença], por isso, as nossas medidas são eficazes”, sustentou Leong Iek Hou.

Ainda assim, excluíram a hipótese de fazer um teste nas fronteiras para aliviar a pressão nos hospitais, até porque o período de incubação da doença é de 14 dias, podendo o resultado ser negativo naquele momento e mais tarde acusar positivo, além de que actualmente “não há um teste rápido fiável”. Lei Wai Seng defendeu que “o único teste fiável é o do ácido nucleico” e garantiu haver stock suficiente. “Temos 17 mil reagentes. Já usámos 5000, mas encomendámos cerca de 10 mil”.

Autocarros dourados não permitem temperatura superior a 37,3ºC

As autoridades de saúde indicaram ontem que os residentes que queiram regressar ao território vindos de Hong Kong, via Ponte do Delta, já não o podem fazer através dos autocarros dourados, apenas por transporte especial do Governo. Além disso, há também uma nova medida: “Todos os passageiros que apanham o autocarro dourado têm de fazer a medição da temperatura: se ultrapassar 37,3ºC, o autocarro não vai transportar essas pessoas”, indicou Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Chile – Restrições a turistas e residentes na ilha da Páscoa

O crescimento do turismo e a expansão dos projectos imobiliários na Ilha de Páscoa levaram o Governo chileno a apertar as regras para visitantes e os critérios para a fixação de residência. O “Mayor” local alerta para o facto dos estrangeiros estarem a mudar a cultura milenar



A turística Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico, passou a estar sujeita a um limite para a permanência de turistas e residentes devido ao crescente número de estrangeiros que querem ser moradores permanentes.

Aprovada em Março pelo Congresso chileno, a restrição entrou agora em vigor em todo este território insular chileno localizado a 3.500 km de distância do continente, reduzindo de 90 para 30 dias o limite máximo de permanência dos visitantes. A medida visa tanto os chilenos que não pertencem à etnia “rapa nui” como os estrangeiros.

O novo regulamento estabelece ainda uma série de requisitos para as pessoas interessadas em residir na Ilha de Páscoa, cujos primeiros habitantes eram maioritariamente da etnia polinésia “rapa nui”. Anualmente, o território acolhe mais de 100 mil turistas, seduzidos principalmente pelas “Moais”, as enigmáticas estátuas de pedra.

O último Censo, de 2017, concluiu que a população da Ilha de Páscoa é de 7750 pessoas, cerca do dobro do número registado há algumas décadas, acompanhando o crescente auge do turismo e o desenvolvimento imobiliário.

“Os estrangeiros estão a tomar a ilha”, lamenta o presidente da Câmara local, Pedro Pablo Edmunds Paoa, advertindo que actualmente há um excesso de cerca de 3000 pessoas a viver na ilha. “Estão a prejudicar a idiossincrasia local. A cultura milenar está a mudar (…) e isso não é positivo”, sublinhou o “mayor” à agência AFP, assumindo ainda preocupação com o aumento da criminalidade e violência.

Por outro lado, segundo Ana María Gutiérrez, assessora ambiental do município, a pressão turística deixou no limite todos os serviços básicos da ilha, especialmente a gestão do lixo.

Ao abrigo das novas regras, o estatuto de residente na ilha depende de vários requisitos: por exemplo, os candidatos devem ser pais, mães, cônjuges ou filhos de uma pessoa que pertença ao povo “rapa nui”. Fora desta ascendência, apenas poderão viver na ilha funcionários públicos, trabalhadores de organizações que prestem serviços ao Estado e pessoas que desenvolvam alguma actividade económica independente nesse território juntamente com as respectivas famílias.

A partir de agora, quem entrar na ilha também está obrigado a apresentar a reserva do hotel onde se hospedará ou uma carta de convite de algum residente.

O regulamento estabelece ainda uma capacidade máxima demográfica, determinada por um conselho que será constituído especialmente para estes fins. Ainda assim, o “mayor” entende que as medidas são insuficientes para proteger a identidade da Ilha de Páscoa.

“Não estou de acordo com esta normativa, não é suficiente porque não abrange todas as aspirações da ilha”, considera Pedro Pablo Edmunds Paoa, admitindo que a sua postura e a de “muitos rapa nui” era a de “fecho total” para a chegada de novos residentes. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau