Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 29 de novembro de 2024

São Tomé e Príncipe - Cidadãos pedem justiça pelas vítimas do caso de 25 de Novembro

Dezenas de cidadãos manifestaram-se em São Tomé e Príncipe, para exigir justiça, no caso 25 de Novembro, quando quatro homens foram  mortos, com sinais de agressão e tortura, no quartel militar, depois de suposta tentativa de Golpe de Estado.


 

Uma manifestação que durou cerca de uma hora, encerrando-se na Praça Yon Gato, a poucos metros do gabinete do primeiro-ministro São-tomense, Patrice Trovoada.

“O Estado matou meu filho … nós queremos justiça, desses tropas que os mataram sem necessidade… queremos justiça”, apelou Elalia da Glória, mãe de uma das vítimas, na altura com 33 anos. 

Em causa, está o ataque ao quartel do Morro, em São Tomé e Príncipe, na noite de 24 de Novembro de 2022, depois do qual, três dos quatro assaltantes civis foram submetidos a maus-tratos e acabaram por morrer, nas instalações militares. In “O País” - Moçambique 


quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Internacional - Programa de Avaliação de Alunos (PISA) analisa os conhecimentos de alunos de todo o mundo

Os alunos portugueses de 15 anos pioraram os seus desempenhos nos testes internacionais de Matemática e Leitura do PISA de 2022, invertendo a tendência de melhoria que se vinha registando na última década.


O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) voltou a analisar os conhecimentos a Matemática, Leitura e Ciência de alunos de todo o mundo - em 2022 participaram cerca de 690 mil alunos de 81 países e economias - e o retrato do desempenho dos estudantes releva "uma quebra sem precedentes", em que Portugal não foi exceção.

Aos jornalistas, o governante referiu que "mesmo com queda de resultados", há "convergência" com a média da OCDE. Referiu, no entanto, ser "muito difícil" apontar os fatores ou as políticas educativas responsáveis pelos resultados.

"​​​​​​De acordo com a OCDE há uma descida que tem a ver com a pandemia [de covid-19], mas a pandemia não explica tudo, porque há uma queda na média da OCDE desde 2012, em particular, que não foi ainda suficientemente explicada", disse o ministro.

João Costa referiu que "esta quebra nos resultados acontece em países até com políticas curriculares bastante diferenciadas".

O ministro sublinhou que interessa agora "é agir, depois das avaliações".

Os quase sete mil alunos de 224 escolas portuguesas que realizaram as provas de 2022 obtiveram piores resultados do que os seus colegas em 2018, colocando Portugal entre os países que mais baixaram de pontuação a Matemática, refere o relatório da OCDE hoje divulgado.

"Em comparação com 2018, o desempenho médio caiu dez pontos de pontuação em Leitura e quase 15 pontos de pontuação em Matemática, o que equivale a três quartos de um ano de aprendizagem", sublinha Mathias Cornmann, secretário-geral da OCDE, no texto introdutório do relatório.

Em Portugal, os resultados dos alunos foram ainda mais graves: Os estudantes obtiveram 472 pontos a Matemática, ou seja, menos 20,6 pontos do que nas provas realizadas em 2018. Já em comparação com os resultados nas provas de 2012, desceram 14,6 pontos.

Portugal surge assim na lista dos 19 países que baixaram mais de 20 pontos a Matemática, sendo que as notas desceram entre os alunos mais carenciados, mas também entre os mais privilegiados.

Três em cada dez alunos não conseguiram demonstrar ter conhecimentos mínimos a Matemática, ou seja, não atingiram o nível dois numa escala de seis valores.

Apenas 7% dos estudantes portugueses se destacaram, atingindo os níveis de proficiência mais elevados (5 e 6) a Matemática, uma disciplina que voltou a ser dominada por seis países asiáticos.

Em Singapura, 41% dos estudantes demonstrou conhecimentos bastante elevados, assim como 32% dos estudantes de Taiwan.

Seguiram-se os alunos de Macau e China (29% com muito bons resultados), Hong Kong (27%), Japão (23%) e Coreia (23%).


A condição socioeconómica é um dos fatores que mais influencia os resultados académicos e, em Portugal, os estudantes portugueses de famílias mais privilegiadas tiveram uma pontuação média de 522 pontos, ou seja, 101 pontos acima da média dos alunos mais carenciados.

Esta diferença de resultados não se afasta muito da média dos países da OCDE (93 pontos), segundo o estudo hoje divulgado, que procurou os casos de sucesso entre os mais carenciados.

Em Portugal, cerca de 9% dos estudantes desfavorecidos conseguiram estar entre os melhores alunos a Matemática, sendo a média da OCDE de 10%.

Apesar de o PISA de 2022 estar mais focado no retrato dos conhecimentos a Matemática, também foi feita uma prova de Leitura e, mais uma vez, os resultados médios pioraram: Os estudantes portugueses obtiveram 477 pontos, o que representa uma descida de 15,2 pontos em relação a 2018 e de 12,8 pontos face a 2012.

Apesar da descida, 77% dos alunos portugueses conseguiram atingir, pelo menos, o nível dois, ficando acima da média da OCDE (74%). Este resultado significa que estes jovens conseguem, pelo menos, identificar as ideias principais num texto de extensão moderada, encontrar informação e refletir sobre o propósito e a forma de um texto.

Apenas 5% dos portugueses conseguiram obter um nível 5 ou 6 em Leitura (7% é a média da OCDE), um nível que já implica ser capaz de compreender textos bastante longos, lidar bem com conceitos abstratos e conseguir estabelecer distinções entre um facto e uma opinião.

Já na prova de Ciências, Portugal surge como um caso de sucesso, ao contrariar a tendência de agravamento dos resultados: Em 2022, obtiveram 484 pontos, apenas menos 7,3 pontos do que em 2018 e do que em 2012.

O relatório indica que 78% dos alunos conseguiram ter, pelo menos, nível dois (OCDE é 76%). Entre estes, 5% tiveram desempenhos muito bons (nível 5 e 6), mostrando ser capazes de aplicar de forma criativa e autónoma os seus conhecimentos de ciência numa variedade de situações.

Numa comparação entre sexos, os rapazes portugueses voltam a ser melhores a Matemática (mais 11 pontos) e as raparigas a Leitura (mais 21 pontos).

No texto introdutório do relatório, Mathias Cornmann alertou que "um em cada quatro jovens de 15 anos é atualmente considerado como tendo um fraco desempenho em Matemática, Leitura e Ciências, em média, nos países da OCDE". InDiário de Notícias” - Portugal




terça-feira, 14 de novembro de 2023

Silviano Santiago defende uma língua portuguesa multiétnica ao receber o Prémio Camões

O poeta e ensaísta brasileiro Silviano Santiago reivindicou uma língua portuguesa multiétnica e previu "choques sísmicos duradouros" na literatura, ao receber o Prémio Camões numa cerimónia no Rio de Janeiro

“Chegou a hora de liberar a literatura brasileira para as águas amazónicas, as águas atlânticas africanas e todas as correntes da diáspora”, declarou o vencedor do mais importante prémio literário de língua portuguesa.

O autor escolhido como vencedor do prémio em 2022 referiu-se em termos metafóricos à história violenta do Brasil e afirmou que “navios multiétnicos não atracavam em Porto Seguro”, local onde os portugueses pisaram em terra brasileira pela primeira vez em 1500.

“As tripulações amazónicas, atlânticas e mediterrânicas só receberam autorização para transitar como cidadãos sob os cuidados de etnógrafos nacionais e estrangeiros ou sob a bandeira menor e suplementar do património folclórico”, disse o escritor.

Agora, porém, Santiago afirmou que os navios da língua viajam “livremente pelas águas democráticas” que se abriram após a pandemia e a derrota do ex-presidente brasileiro de extrema-direita Jair Bolsonaro, cujo nome não mencionou, mas sobrevoou a cerimónia.

Na mesma linha de Santiago, a ministra brasileira da Cultura, Margareth Menezes, apoiou uma visão diversificada e multicultural da língua e destacou a importância de premiar escritores africanos, como a moçambicana Paulina Chiziane, vencedora do prémio em 2021.

Santiago, que é ensaísta, romancista e contista, nasceu em 1936, em Formiga, Minas Gerais, Brasil.

Doutorado em Letras Francesas pela Universidade de Sorbonne, de Paris, em 1968, com uma tese sobre "Os Moedeiros Falsos", de André Gide, é identificado igualmente, na biografia divulgada pelo Prémio Camões, como bacharel em Letras Neolatinas pela Universidade Federal de Minas Gerais (1959), com especialização em Literatura Francesa, e bolseiro do Centre d`Études Supérieures de Français, no Rio de Janeiro, entre 1960 e 1961.

A cerimónia de entrega também foi palco de declarações a favor da cooperação cultural entre Brasil e Portugal que passaram por momentos baixos durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).

“Estas celebrações são uma forma de assinalar simbolicamente o regresso do Brasil a uma fraternidade comprometida com os países de língua portuguesa”, afirmou o ministro português da Cultura, Pedro Adão e Silva, numa mensagem gravada.

Silviano Santiago recebeu, entre outros prémios, o Jabuti em 2017, o Prémio Oceanos em 2015, com o romance "Mil Rosas Roubadas", e o segundo lugar do Prémio Oceanos, em 2017, com "Machado", sobre Machado de Assis.

Professor em universidades norte-americanas durante grande parte da carreira, Silviano Santiago publicou nos Estados Unidos obras como o romance “Stella Manhattan” e os ensaios sobre letras latino-americanas “The Space In-Between”.

A par da obra ensaística, predominante no seu percurso, escreveu poesia e ficção, como os contos reunidos em “Keith Jarrett na Blue Note – Improvisos de Jazz” e “Mil Rosas Roubadas”, romance com que venceu o Prémio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa em 2015. “Genealogia da Ferocidade”, análise da obra “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, está entre os seus mais recentes títulos.

O júri da 34.ª edição do Prémio Camões foi constituído pelos professores universitários portugueses Abel Barros Baptista e Ana Maria Martinho, da Universidade Nova de Lisboa, a são-tomense Inocência Mata, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, os brasileiros Jorge Alves de Lima, membro da Academia Paulista de História e da Academia Campinense de Letras, e membro do Conselho Científico do Centro de Memória da Unicamp, que presidiu o júri, Raúl Cesar Gouveia Fernandes, do Departamento de Ciências Sociais e Jurídicas do Centro Universitário FEI, em São Bernardo do Campo, e a moçambicana Teresa Manjate, docente e investigadora na Universidade Eduardo Mondlane. In “Sapo Mag” – Portugal com “Lusa”


terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Segunda “100 Power List” junta personalidades negras mais influentes da lusofonia em 2022


A BANTUMEN, plataforma online focada na cultura negra da Lusofonia, com o apoio das plataformas de comunicação Balai CV, Rádio Cidade (Cabo Verde), Mundo Negro (Brasil), No Balur (Guiné-Bissau), PlatinaLine (Angola), STP Digital (São Tomé) e Xonguila (Moçambique), revelou neste sábado, 3 de dezembro, a Power List 100 Personalidades Negras Mais Influentes da Lusofonia em 2022. O evento anual de apresentação da iniciativa aconteceu no São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa.

Nomes como Ivandro (Artista de Música), Jarbas Vargas Nascimento (Académico), Zicky Té (Futsalista), Paula Nascimento (Arquiteta e Curadora Artística) José Lino Neves (Vice-Presidente Ass. Batoto Yetu Portugal), Alice Neto Sousa (Poeta), Janice Silva (Futsalista), Grada Kilomba (Artista interdisciplinar), Mónica de Miranda (Artista e Investigadora Cultural), Carlos Andrade aka Artolash (Humorista) ou Sebastião Coana (Artista), entre vários outros, compõem a lista de 2022 das 100 Personalidades Negras Mais Influentes de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Moçambique.

Foram celebradas personalidades de diversas áreas de atuação, desde artistas, académicos, influenciadores digitais, desportistas, empreendedores e muito mais, que criam um impacto positivo e notável na sociedade. Conheça todos os nomeados, as suas histórias e percursos de excelência no sítio Power List 100.

A lista de homenageados foi apurada através de um sistema de votação que incluiu as sete plataformas editoriais parceiras, com 74 jornalistas e produtores de conteúdo, em seis países diferentes.

Este ano, foram também atribuídos prémios a três empreendedores e agentes de inovação. O “Djassi Award” foi para Ricardo Lima, Head of Startups da Web Summit, que se destacou pelo seu papel impulsionador de ecossistemas de inovação favoráveis a Afro-empreendedores. O galardão de “Empreendedor Promissor BANTUMEN”, entregue em parceria com a Startup Portugal, a Nuno Varela, fundador do espaço comunitário Kriativu, em Chelas, um projeto de impacto social que impulsiona jovens explorarem o seu talento. Por sua vez, António Rocha, fundador da startup Smartex, venceu o “Prémio de Mérito – Empreendedor BANTUMEN”, também em parceria com a Startup Portugal, pelo seu incrível espírito de inovação e irreverência no ecossistema empreendedor.

Cláudio Bento França, pivô da SIC, foi o anfitrião do evento de apresentação da iniciativa, que foi animada ainda pelas atuações em palco da produtora, cantora e multi-instrumentista Nayela, o quarteto de cordas Active Mess e o trio de arte performativa Aurora Negra (Nádia Yracema, Isabél Zuaa e Cleo Diara).

A organização desta iniciativa teve o patrocínio da marca About Real Music, de Lisandro Silva, e o apoio de: Decoraçon by Daniela Reis, Mapogos Legacy, Monte Velho, NS, Events, Sogrape, Tigra e Yuri Style. In “BANTUMEN” - Portugal


 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Brasil - Prêmio Oceanos anuncia lista de dez finalistas


A seleção conta com autores brasileiros, moçambicanos e portugueses

O Itaú Cultural e o Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa divulgam as dez obras finalistas da edição 2022 da premiação. São dois livros de contos, um de crônica, um de poesia e seis romances. Confira abaixo a lista dos selecionados:

Alexandra Lucas Coelho, Líbano, labirinto (crônica)

Ana Martins Marques, Risque esta palavra (poesia)

Djaimilia Pereira de Almeida, Maremoto (romance)

Maria Fernanda Elias Maglio, Quem tá vivo levanta a mão (conto)

Micheliny Verunschk, O som do rugido da onça (romance)

João Paulo Borges Coelho, Museu da revolução (romance)

José Gardeazabal, Quarentena – uma história de amor (romance)

Pedro Pereira Lopes, O livro do homem líquido (conto)

Tatiana Salem Levy, Vista chinesa (romance)

Teresa Noronha, Tornado (romance)

Dessa lista, quatro autores são brasileiros: Ana Martins Marques, Maria Fernanda Elias Maglio, Micheliny Verunschk e Tatiana Salem Levy. Os restantes são moçambicanos – João Paulo Borges Coelho, Pedro Pereira Lopes e Teresa Noronha – e portugueses – Alexandra Lucas Coelho, Djaimilia Pereira de Almeida e José Gardeazabal. In “Itaú Cultural” – Brasil

Concorrentes

Os 2452 títulos concorrentes ao Oceanos 2022 foram escritos por autores de 17 diferentes nacionalidades e publicados em sete países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal.

Houve crescimento de 34% no número de obras inscritas em relação à edição anterior: 621 livros a mais que os 1831 concorrentes ao Oceanos 2021.

Apenas do continente africano, o aumento foi de 121% no número de escritores participantes. Foram inscritos 62 livros de autores nascidos em Angola (18), Cabo Verde (8), Guiné-Bissau (3), Moçambique (31) e São Tomé e Príncipe (2), todos escrevendo e publicando originalmente em língua portuguesa.

Entre os gêneros literários avaliados, a poesia – com 1.130 livros – correspondeu a 46,1% das inscrições. Os romances somaram 743 obras e representaram 30,3% do total; os livros de contos – 372 inscrições – perfizeram 15,2%, seguidos por 156 volumes de crônicas – 6,3% – e 51 obras de dramaturgia – 2,1%.

A lista de livros concorrentes está disponível aqui.

Acesse o Regulamento do Oceanos 2022.

Curadoria e coordenação

Participam da curadoria do Oceanos 2022 o moçambicano Nataniel Ngomane, professor da Universidade Eduardo Mondlane e presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, os jornalistas Isabel Lucas, de Portugal, e Manuel da Costa Pinto, do Brasil, e a pesquisadora Matilde Santos, de Cabo Verde, que também é curadora da Biblioteca Nacional do país. A coordenação-geral fica a cargo da gestora cultural luso-brasileira Selma Caetano.

Parcerias

O Oceanos é realizado via Lei de Incentivo à Cultura, pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, e conta com o patrocínio do Banco Itaú e da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas da República Portuguesa (DGLAB); com o apoio do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa, do Itaú Cultural (IC) e do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde; e com o apoio institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Semifinalistas

A edição 2022 do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa classificou 65 obras semifinalistas. Concorreram autores de distintas nacionalidades: 45 escritores brasileiros, 12 portugueses, cinco moçambicanos, uma luso-angolana, um angolano e um cabo-verdiano. Concorreram obras publicadas por 40 diferentes editoras – 25 do Brasil, 11 de Portugal, três de Moçambique e um de Cabo Verde. Quanto à diversidade de gêneros literários, foram selecionados 27 romances, 18 livros de poemas, 14 de contos, cinco de crônicas e uma dramaturgia.

Nesta edição, oito autores semifinalistas foram publicados em mais de um país de língua portuguesa – número mais representativo desse intercâmbio literário entre todas as edições do prêmio. Editados no Brasil e em Portugal, concorreram A pediatra, da brasileira Andréa Del Fuego (Companhia das Letras Brasil e Portugal), As doenças do Brasil, do português Valter Hugo Mãe (Porto e Biblioteca Azul), Atirar para o torto, da portuguesa Margarida Vale de Gato (Tinta-da-china e Macondo), Mundo, da portuguesa Ana Luísa Amaral (Assírio & Alvim Portugal e Brasil), Museu da revolução, do moçambicano João Paulo Borges Coelho (Editorial Caminho e Kapulana), e Vista chinesa, da brasileira Tatiana Salem Levy (Todavia e Elsinore).

O caçador de elefantes invisíveis, do moçambicano Mia Couto, foi editado em Moçambique e Portugal (Fundação Fernando Leite Couto e Editorial Caminho), e Safras de um triste outono, do cabo-verdiano Arménio Vieira, foi publicado em Cabo Verde e no Brasil (Rosa de Porcelana e Casa Brasileira de Livros).

Mundo, da escritora portuguesa Ana Luísa Amaral, concorreu de maneira póstuma, uma vez que o regulamento do prêmio admite a premiação de escritores que venham a falecer após a inscrição do livro. Ana Luísa morreu em 5 de agosto.

Houve ainda sete autores estreantes entre os semifinalistas, todos brasileiros: Caetano Romão, com Um nome inteiro disposto à montaria (7Letras); Carol Braga, com Minha raiva com uma poesia que só piora (Urutau); Fábio Horácio-Castro, com O réptil melancólico (Record); Luciana Tiscoski, com Área de broca (Nave); Luiza de Carvalho Fariello, com Essa palavra eu não falo (Patuá); Marana Borges, com Mobiliário para uma fuga em março (Dublinense); e Vinícius Mahier, com Eu confundi um vaga-lume com um acidente de avião (Macondo).

Processo

Entre maio e agosto deste ano, os 2452 livros inscritos foram lidos e avaliados por um júri internacional composto de 122 escritores, poetas, professores e críticos literários. Esse primeiro júri elegeu as 65 obras semifinalistas e escolheu, por votação, os membros dos júris subsequentes (intermediário e final).

Conheça aqui os jurados da primeira fase do Oceanos 2022.

Conheça os semifinalistas do Oceanos 2022

- A gaivota ou a vida em torno do lago, de Susana Fuentes | 7Letras – poesia brasileira

- A nota amarela, de Gustavo Melo Czekster | Zouk – romance brasileiro

- A pediatra, de Andréa Del Fuego | Companhia das Letras Brasil e Portugal – romance brasileiro

- Afastar-se (treze contos sobre água), de Luísa Costa Gomes | D. Quixote – conto português

- Alguns dias violentos, de Ismar Tirelli Neto | Macondo – poesia brasileira

- América – um poema de amor, de Mariana Ianelli | Ardotempo – poesia brasileira

- Área de broca, de Luciana Tiscoski | Nave – conto brasileiro

- As doenças do Brasil, de Valter Hugo Mãe | Porto e Biblioteca Azul – romance português

- As formigas do Tavinho e outras recordações, de Almiro Lobo | Alcance – conto moçambicano

- Atirar para o torto, de Margarida Vale de Gato | Tinta-da-china e Macondo – poesia portuguesa

- Autobiografia não autorizada, de Dulce Maria Cardoso | Tinta-da-china – crônica portuguesa

- Baixo esplendor, de Marçal Aquino | Companhia das Letras – romance brasileiro

- Bicho geográfico, de Bernardo Brayner | Cepe – romance brasileiro

- Clube dos niilistas, de Tom Correia | Urutau – conto brasileiro

- De cada quinhentos uma alma, de Ana Paula Maia | Companhia das Letras – romance brasileiro

- Degeneração, de Fernando Bonassi | Record – romance brasileiro

- Deste silêncio em mim, de Rui Conceição Silva | Visgarolho – romance português

- Deus pátria família, de Hugo Gonçalves | Companhia das Letras Portugal – romance português

- Discurso sobre a metástase, de André Sant’Anna | Todavia – conto brasileiro

- Elefantes no céu de piedade, de Fernando Molica | Patuá – romance brasileiro

- Essa palavra eu não falo, de Luiza de Carvalho Fariello | Patuá – conto brasileiro

- Eu confundi um vaga-lume com um acidente de avião, de Vinícius Mahier | Macondo – poesia brasileira

- Impressão sua, de André Dahmer | Companhia das Letras – poesia brasileira

- Introdução à pintura rupestre, de José Tolentino Mendonça | Assírio & Alvim – poesia portuguesa

- Jerusalém de nós – peça em um ato, de Leo Lama | É Realizações – dramaturgia brasileira

- Líbano, labirinto, de Alexandra Lucas Coelho | Editorial Caminho – crônica portuguesa

- Máquina, de Eleazar Venancio Carrias | Urutau – poesia brasileira

- Maremoto, de Djaimilia Pereira de Almeida | Relógio D’Água – romance português

- Menino sem passado, de Silviano Santiago | Companhia das Letras – romance brasileiro

- Minha raiva com uma poesia que só piora, de Carol Braga | Urutau – poesia brasileira

- Mobiliário para uma fuga em março, de Marana Borges | Dublinense – romance brasileiro

- Mundo, de Ana Luísa Amaral | Assírio & Alvim Portugal e Brasil – poesia portuguesa

- Museu da revolução, de João Paulo Borges Coelho | Editorial Caminho e Kapulana – romance moçambicano

- Nós só compreendemos muito depois, de Laís Araruna de Aquino | Corsário-Satã – poesia brasileira

- Notas sobre a impermanência, de Paula Gicovate | Faria e Silva – romance brasileiro

- O caçador de elefantes invisíveis, de Mia Couto | Fundação Fernando Leite Couto e Editorial Caminho – conto moçambicano

- O canto dela, de Ana Kiffer | Patuá – romance brasileiro

- O castiçal florentino, de Paulo Henriques Britto | Companhia das Letras – conto brasileiro

- O deus das avencas, de Daniel Galera | Companhia das Letras – conto brasileiro

- O drible da vaca, de Mario Prata | Record – romance brasileiro

- O evangelho segundo Madalena, de Marcelo Pagliosa | Reformatório – romance brasileiro

- O livro do homem líquido, de Pedro Pereira Lopes | Gala-Gala Edições – conto moçambicano

- O livro dos pequenos nãos, de Heloisa Seixas | Companhia das Letras – romance brasileiro

- O mais belo fim do mundo, de José Eduardo Agualusa | Quetzal – crônica angolana

- O réptil melancólico, de Fábio Horácio-Castro | Record – romance brasileiro

- O rinoceronte na parede, de Frederico de Oliveira Toscano | Urutau – conto brasileiro

- O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk | Companhia das Letras – romance brasileiro

- Purgatório, de Pedro Eiras | Assírio & Alvim – poesia portuguesa

- Quarentena – uma história de amor, de José Gardeazabal | Companhia das Letras Portugal – romance português

- Quem tá vivo levanta a mão, de Maria Fernanda Elias Maglio | Patuá – conto brasileiro

- Querida cidade, de Antônio Torres | Record – romance brasileiro

- Resistências íntimas e outros itinerários, de Lucilene Machado | Patuá – crônica brasileira

- Risque esta palavra, de Ana Martins Marques | Companhia das Letras – poesia brasileira

- Safras de um triste outono, de Arménio Vieira | Rosa de Porcelana e Casa Brasileira de Livros – poesia cabo-verdiana

- Só as hienas matam sorrindo, de Aramyz | Urutau – conto brasileiro

- Também guardamos pedras aqui, de Luiza Romão | Nós – poesia brasileira

- Tornado, de Teresa Noronha | Exclamação – romance moçambicano

- Transfer, de Kevin Kraus | Editacuja – crônica brasileira

- Tristia, de António Cabrita | Porto – poesia portuguesa

- Um nome inteiro disposto à montaria, de Caetano Romão | 7Letras – poesia brasileira

- Uma exposição, de Leda Magri | Relicário – romance brasileiro

- Vazão 10.8 – a última gota de morfina, de Diógenes Moura | Vento Leste – romance brasileiro

- Vingar, de Danielle Magalhães | 7Letras – poesia brasileira

- Virando o Ipiranga, de Guilherme Purvin | Terra Redonda – conto brasileiro

- Vista chinesa, de Tatiana Salem Levy | Todavia e Elsinore – romance brasileiro

Finalistas

O Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa 2022 anunciou os dez livros finalistas, que passam para a última etapa de avaliação. Integram a lista diferentes gêneros literários – dois livros de contos, um de crônicas, um de poesia e seis romances.

Os dez finalistas contemplam três nacionalidades: quatro brasileiras – Micheliny Verunschk, com O som do rugido da onça; Maria Fernanda Elias Maglio, com Quem tá vivo levanta a mão; Ana Martins Marques, com Risque esta palavra, e Tatiana Salem Levy, com Vista Chinesa –, três moçambicanos – João Paulo Borges Coelho, com Museu da Revolução; Pedro Pereira Lopes, com O livro do homem líquido, e Teresa Noronha, com Tornado – e três portugueses – Alexandra Lucas Coelho, com Líbano, labirinto; Djaimilia Pereira de Almeida, nascida em Angola, com Maremoto, e José Gardeazabal, com Quarentena – Uma história de amor.

Júri intermediário

O júri inicial – formado por 122 poetas, professores e críticos literários – elegeu, pela plataforma digital que recebe os livros inscritos, os dois júris subsequentes. Do júri intermediário, que selecionou as dez obras finalistas entre as 65 semifinalistas, participaram Jeferson Tenório, Nina Rizzi, Paulo Scott e Prisca Agustoni, do Brasil; João Luís Barreto Guimarães e José Riço Direitinho, de Portugal; e Teresa Manjate, de Moçambique.

Júri final

Do júri final, que lê e avalia os livros finalistas para escolher os três vencedores, participam Cristhiano Aguiar, Guilherme Gontijo Flores, Joselia Aguiar e Júlia de Carvalho Hansen, do Brasil; Artur Bernardo Minzo, de Moçambique; e Ana Cristina Leonardo e Helena Vasconcelos, de Portugal.

O conjunto dos livros foi publicado no Brasil, Moçambique e Portugal, e apenas dois deles publicados em mais de um país: Museu da Revolução e Vista Chinesa – ambos publicados no Brasil e em Portugal.

Eventos com escritores finalistas

Para dar a conhecer as obras selecionadas nesta etapa, será realizado um ciclo de conversas com os escritores finalistas no Brasil, em Moçambique e em Portugal.

Três unidades da Livraria da Travessa – Pinheiros, em São Paulo; Leblon, no Rio de Janeiro, e Lisboa, em Portugal –, recebem os escritores brasileiros e portugueses entre a última semana de novembro e a primeira de dezembro. Em Moçambique, a programação será em Maputo.

Anúncio dos vencedores

O anúncio dos vencedores do Oceanos acontece pela primeira vez em um país de língua portuguesa do continente africano. Uma comitiva do prêmio – formada pela gestora cultural e coordenadora do Oceanos Selma Caetano, a jornalista e curadora Isabel Lucas e o escritor Luís Cardoso, vencedor do Oceanos 2021 – vai a Moçambique para assinar um Memorando de Entendimento com o Ministério da Cultura e Turismo de Moçambique.

Nos dias 8 e 9 de dezembro, o Oceanos realizará em Maputo uma programação literária com escritores de Brasil, Moçambique e Portugal. Ainda no dia 9, às 13h do Brasil, 17h de Portugal e 18h de Moçambique, os vencedores do Oceanos 2022 serão anunciados em cerimônia transmitida em tempo real pelo YouTube do prêmio.

O valor total do prêmio é de 250 mil reais – 120 mil para o primeiro colocado, 80 mil para o segundo e 50 mil para o terceiro. In “Oceanos Prêmio” - Brasil

Conheça os finalistas do Oceanos 2022

- Líbano, labirinto, de Alexandra Lucas Coelho – Editorial Caminho – Crônica portuguesa

- Maremoto, de Djaimilia Pereira de Almeida | Relógio D'Água – Romance português

- Museu da Revolução, de João Paulo Borges Coelho | Editorial Caminho e Kapulana – Romance moçambicano

- O livro do homem líquido, de Pedro Pereira Lopes | Gala-Gala Edições – Conto            moçambicano

- O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk | Companhia das Letras – Romance brasileiro

- Quarentena – Uma história de amor, de José Gardeazabal | Companhia das Letras Portugal | Romance português

- Quem tá vivo levanta a mão, de Maria Fernanda Elias Maglio | Patuá – Conto brasileiro

- Risque esta palavra, de Ana Martins Marques | Companhia das Letras – Poesia brasileira

- Tornado, de Teresa Noronha | Exclamação – Romance moçambicano

- Vista Chinesa, de Tatiana Salem Levy | Todavia e Elsinore – Romance brasileiro


 

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Lusofonia - Escritor brasileiro Silviano Santiago vence Prémio Camões 2022


O escritor brasileiro Silviano Santiago é o vencedor do Prémio Camões 2022, anunciou o ministro português da Cultura, Pedro Adão e Silva.

“Silviano Santiago, além de escritor com uma obra literária com vários prémios nacionais e internacionais (Jabuti, Oceanos, etc.), é um pensador capaz de uma intervenção cívica e cultural de grande relevância, com um contributo notável para a projeção da língua portuguesa como língua do pensamento crítico, no Brasil e fora dele (nos países ibero-americanos, africanos, nos Estados Unidos e na Europa)”, indicou o júri da 34.ª edição do Prémio Camões, citado pelo comunicado do Ministério português da Cultura.

Ensaísta, romancista, poeta e contista, Silviano Santiago, de 86 anos, é autor de cerca de 30 obras, e afirmou-se pela inovação de basear os seus estudos sobre literatura brasileira nas teorias dos estudos pós-coloniais.

No ano passado, o Prémio Camões foi atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane, autora de “Balada de Amor ao Vento” e “Ventos do Apocalipse”.

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil, com o objetivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Segundo o texto do protocolo constituinte, assinado em Brasília, em 22 de junho de 1988, e publicado em novembro do mesmo ano, o prémio consagra anualmente “um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga.

Em 2019, o prémio distinguiu o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, autor de “Leite Derramado” e “Budapeste”, entre outras obras; em 2020, o professor e ensaísta português Vítor Aguiar e Silva (1939-2022).

O Brasil lidera a lista de distinguidos com o Prémio Camões, com 14 premiados cada, seguindo-se Portugal, com 13 laureados, Moçambique, com três, Cabo Verde, com dois, mais um autor angolano e outro luso-angolano.

A história do galardão conta apenas com uma recusa, exatamente a do luso-angolano Luandino Vieira, em 2006.

Presidente

O Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa saudou a atribuição da edição deste ano ao brasileiro Silviano Santiago, destacando o seu percurso como poeta, ficcionista e ensaísta.

“Professor com uma distinta carreira em universidades do seu país e dos Estados Unidos, poeta e ficcionista, vencedor dos prémios Jabuti e Oceanos, é também um destacado ensaísta, tendo estudado a literatura do período colonial e as obras de Carlos Drummond de Andrade e João Guimarães Rosa, entre outros, e publicado instigantes ensaios de crítica político-cultural, por exemplo sobre a ideia do Brasil ou sobre a América Latina”, destacou o chefe de Estado numa nota da Presidência da República.

“Faço votos de que possa estar para breve a oportunidade de lhe entregarmos o Prémio Camões, bem como aos galardoados dos últimos anos”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Fundação Calouste Gulbenkian - Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2022 distingue IPBES e IPCC

O júri do Prémio distinguiu, ex-aequo, duas organizações intergovernamentais que produzem conhecimento científico, alertam a sociedade e contribuem para que os decisores tomem medidas mais fundamentadas no combate às alterações climáticas e à perda de biodiversidade.


A Plataforma Intergovernamental Ciência-Política sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services – IPBES) é um organismo intergovernamental independente, criado em 2012 com o objetivo de melhorar a relação entre o conhecimento científico e os decisores políticos, em questões de biodiversidade, proteção dos ecossistemas, bem-estar humano e sustentabilidade.

O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC), Prémio Nobel da Paz em 2007 (juntamente com Al Gore), é o organismo das Nações Unidas que, desde 1988, promove a criação de conhecimento científico no sentido de avaliar os impactos climáticos da ação humana e que apoia os governos na tomada decisão e implementação de medidas de combate às alterações climáticas. O IPCC tem tido um trabalho determinante no acompanhamento dos compromissos do Acordo de Paris sobre alterações climáticas, através da publicação regular de relatórios, resultado do trabalho voluntário de milhares de cientistas de todo o mundo.

Estas duas entidades – IPBES e IPCC – foram selecionadas de entre 116 nomeações de 41 nacionalidades, provenientes dos 5 continentes.

Na sua apreciação, o Júri salientou que este Prémio vem reconhecer “o papel da ciência, na linha da frente do combate às alterações climáticas e à perda de biodiversidade”. “A evidência baseada na ciência”, considerou o Júri, “tem sido fundamental não só para o avanço de muitas ações políticas e públicas, mas também para a necessidade de colocar um ‘caráter de urgência’ na forma como, em termos de agenda política, é abordada a questão do combate à crise climática”.

O IPBES e o IPCC têm-se “destacado na promoção da relação entre ciência, clima, biodiversidade e sociedade, representando o melhor que se faz nesta área, em todo o mundo” e, ainda segundo o Júri, “reconhecer estas duas organizações vem pôr em destaque a necessidade de olhar para a crise climática e da biodiversidade em conjunto, de forma concertada, e recorrendo a soluções baseadas na natureza.” Leia mais aqui. Fundação Calouste Gulbenkian


quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Portugal - Escritor luso-cabo-verdiano vence prémio Literário Natália Correia 2022


O escritor luso-cabo-verdiano Henrique Levy é o vencedor do prémio Literário Natália Correia 2022, cujo resultado foi anunciado no último sábado, 3 de Setembro

Neste ano de 2022, este prémio foi atribuído ao poeta e romancista Henrique Levy com a obra "Vinte e Sete Cartas de Artemísia", um romance epistolar.

Segundo uma informação partilhada por Ana Aguiar de Pina, o júri do prémio Literário Natália Correia, instituído pela Câmara Municipal de Ponta Delgada (Portugal) decidiu por unanimidade atribuir, no ano de 2022, o prémio supracitado, na modalidade de narrativa, à obra intitulada "Vinte e Sete Cartas de Artemísia", assinada com o pseudónimo Gertrudes Magna, da autoria de Henrique José de Aguiar Fonte Leandro dos Santos Levy.

Para o júri a obra "Vinte e Sete Cartas de Artemísia" constitui um romance notável pela originalidade de escrita e de pensamento, em que se cruzam inquietação e sabedoria nas indagações respeitantes à condição humana.

“Através de um estilo singular e de marcante opulência literária, a narrativa percorre domínios invulgares na linguagem e no imaginário, que conduzem a protagonista a universos multifacetados sem jamais se prejudicar a coesão da estrutura global da narrativa”, refere.

E que a arquitetura formal deste romance revela-se de uma sensibilidade surpreendente aos caminhos do romance contemporâneo, “deixando-se atrair pela impureza criadora que o género tem desenvolvido nos últimos tempos, ao ousar transgredir convenções para explorar todo um território em que a literatura se abre à epistolografia, à poesia, ao ensaio filosófico e à História”.

Conforme a mesma fonte, o prémio Literário Natália Correia é internacional e é destinado às obras originais e inéditas, redigidas em língua portuguesa.

Henrique Levy foi convidado e participou na 4ª edição do Festival de Literatura-Mundo do Sal, em Junho último, ocasião em que se fez na Praia o lançamento da sua mais recente obra poética intitulada "Poemas do Próximo Livro", em homenagem às culturas e línguas da Macaronésia e apresentada numa versão trilíngue, português, língua cabo-verdeana/crioulo e castelhano/espanhol.

Nascido em Lisboa, com nacionalidade cabo-verdiana, Henrique Levy viveu em diversos países da Europa, Ásia, África e América. Reside na ilha de São Miguel, nos Açores.

É autor de seis romances, "Cisne de África" (2009), "Praia - Lisboa" (2010), "Maria Bettencourt: diários de uma mulher singular" (2019), "Segredo da Visita Régia aos Açores" (2020), "Memórias de Madre Aliviada da Cruz" (2021) e "Vinte e Sete Cartas de Artemísia" (2022).

Publicou sete livros de poesia, “Mãos Navegadas” (1999); “Intensidades” (2001); “O silêncio das Almas” (2015); “Noivos do Mar” (2017); “O Rapaz do Lilás” (2018), “Sensinatos” (2019) e “Poemas do Próximo Livro” (2022).

Editou, em co-autoria com Ângela de Almeida, em 2020, o livro de poemas, “Estado de Emergência”. Editou e anotou " A Sibylla" - versos philosophicos (2020) de Mariana Belmira de Andrade, cuja 1ª edição data de 1884.

Tem contos, poemas e ensaios literários publicados em jornais, revistas e antologias. Coordena a Nona Poesia, a única editora açoriana dedicada exclusivamente à poesia. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”



 

domingo, 21 de agosto de 2022

Moçambique - Feira do Livro de Maputo 2022 celebra a literatura e homenageia Luís Bernardo Honwana

De 20 a 22 de Outubro de 2022, será realizada a VIII edição da Feira do Livro de Maputo, na cidade de Maputo, em formato híbrido (presencial e virtual).

Organizada pelo Conselho Municipal de Maputo, a Feira do Livro de Maputo tem como objectivo celebrar a literatura moçambicana e internacional e, neste ano, vai homenagear o escritor moçambicano, Luís Bernardo Honwana, autor da obra “Nós Matamos o Cão Tinhoso”.


Luís Bernardo Honwana nasceu em 1942, na cidade de Lourenço Marques, atual Maputo, capital de Moçambique, e cresceu em Moamba, cidade do interior, onde seu pai trabalhava como intérprete.

1964 foi o ano da primeira publicação de Nós matamos o Cão Tinhoso!. No mesmo ano, Honwana, militante da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), foi preso pelas suas atividades anticolonialismo, e permaneceu encarcerado por três anos.

Em 1970, foi para Portugal estudar Direito na Universidade Clássica de Lisboa.

Após a Independência de Moçambique, em 1975, foi nomeado Diretor de Gabinete do Presidente Samora Machel, e participou ativamente da vida política do país.

Em 1982, tornou-se Secretário de Estado da Cultura de Moçambique e, em 1986, foi nomeado Ministro da Cultura de Moçambique.

Em 1987, foi eleito membro do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Em 1991, fundou e foi o primeiro Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

Em 1994, foi convidado para entrar para o Secretariado da UNESCO e foi nomeado Diretor do escritório regional da organização, com base na África do Sul.

Honwana é membro fundador da Organização Nacional dos Jornalistas de Moçambique, da Associação Moçambicana de Fotografia e da Associação dos Escritores Moçambicanos. Atualmente, é o diretor executivo da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND). In “Moz Entretenimento” – Moçambique com “Kapulana”


quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Brasil - Vai incluir na contagem do Censo 2022 refugiados da Venezuela e apátridas

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, celebrou um acordo de cooperação técnica com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Ibge, para apoiar entrevistas. A iniciativa considera especialmente a população venezuelana nos estados de Roraima, Amazonas e Pará e as perguntas serão formuladas em castelhano e na língua Warao

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Ibge, e a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, assinaram um acordo de cooperação técnica e ações conjuntas durante a realização do Censo Demográfico deste ano, lançado nesta segunda-feira.

Com a assinatura do documento, o Acnur apoiará o Ibge na recolha e análise de dados sobre a população refugiada, solicitante da condição de refugiado e apátrida que vive no Brasil, especialmente a população venezuelana nos estados de Roraima, Amazonas e Pará.

Deslocação forçada

Um dos tópicos de atuação conjunta é o apoio do Acnur para que o Ibge realize o Censo num contexto de deslocação forçada.

Para isso, a agência da ONU apoiará equipas de recenseadores para garantir o acesso a abrigos que acolhem pessoas refugiadas e acompanhará a realização das entrevistas, garantindo o respeito às normas culturais e à organização social, de maneira especial das pessoas refugiadas e migrantes de diferentes etnias indígenas.

No Pará, o Acnur já realizou formação para os coordenadores da pesquisa demográfica deste ano a fim de garantir uma abordagem culturalmente qualificada aos indígenas venezuelanos da etnia Warao.

Perguntas feitas na língua local e em castelhano

Além disso, apoiou a elaboração de um vídeo sobre o Censo no idioma Warao, com legendas em castelhano, e a identificação de intérpretes que serão contratados para auxiliar a realização do recenseamento no Estado junto a essa população.

No Amazonas, os promotores comunitários e voluntários da Caritas Arquidiocesana de Manaus, capital do estado, estão a facilitar o entendimento das pessoas de outras nacionalidades sobre o que é o Censo 2022, traduzindo materiais informativos e apoiando os recenseadores a incluírem pessoas refugiadas na pesquisa.

Em Roraima, o Acnur forneceu formação para os recenseadores e apoiará as entrevistas nos abrigos da Operação Acolhida.

Estruturar políticas públicas

O representante interino do Acnur no Brasil, Federico Martinez, comentou sobre os ganhos a serem conquistados pelo compromisso do Ibge de integrar as pessoas refugiadas no Censo 2022.

Para ele, é por meio do levantamento de dados de qualidade que será possível compreender o perfil da população refugiada acolhida no Brasil e estruturar políticas públicas que dialoguem com as solicitações de cada segmento.

Martinez acrescentou que, considerando a ampla área do território brasileiro e o potencial de deslocamento das pessoas refugiadas na procura de oportunidades em diferentes cidades, a realização do Censo nos abrigos possibilita expandir o conhecimento de necessidades e contribui para as ações de integração nas cidades de acolhimento. ONU News – Nações Unidas com “Acnur Brasil”