Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Estados Unidos da América – Portuguesa restaura instrumentos musicais antigos

Ana Sofia Silva é uma das poucas especialistas no mundo em conservação e restauro de instrumentos musicais antigos, uma arte na qual se especializou num país que é hoje a sua única oportunidade para “consertar música”, os Estados Unidos

Desde maio que é curadora associada no Museu Nacional de Música de Vermillion (Dakota do Sul, EUA), uma das grandes instituições do género no mundo, com uma coleção de mais de 14.800 instrumentos americanos, europeus e não ocidentais de praticamente todas as culturas e períodos históricos.

“Após uma ponderada consideração em conjunto com a família, que me apoia incondicionalmente, decidi aceitar a proposta de trabalho e regressar ao Estados Unidos que, no fundo, é o único país que me continua a dar valor”, disse em declarações à agência Lusa.

Ana Sofia Silva faz agora parte dos cerca de 1,4 milhões de portugueses e lusodescendentes a viver nos Estados Unidos, país que este ano foi um dos locais de celebração do Dia de Portugal.

Licenciada em Conservação e Restauro de Bens Culturais pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, mestre em música com a especialização em História dos Instrumentos Musicais, Ana Sofia, 35 anos, tem ainda formação em Ciências Musicais e Engenharia Florestal para compreender a anatomia e biodegradação da madeira.

A música faz parte da sua vida desde os onze anos quando se iniciou como clarinetista nas filarmónicas do concelho do Seixal. Nunca mais se afastou dela e hoje, além de tocar, adquiriu a arte de estudar, restaurar, catalogar e preservar os instrumentos musicais.

A sua aventura americana começou em 2009, com a oportunidade de realizar um estágio no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque. Um sonho que lhe custou um empréstimo bancário, mas que lhe devolveu experiência e conhecimento, sempre fora de portas e longe da família, uma distância que é a parte menos agradável da sua rica vivência profissional.

Entre 2009 e 2018 foi contratada nos EUA e no Reino Unido, para projetos de curta e média duração, dependentes de financiamento para os desenvolver.

Depois do estágio no Metropolitan, Ana Sofia Silva regressou a Portugal, e procurou alternativas, mas em vão. Regressou aos Estados Unidos para, desta vez, fazer um mestrado de História dos Instrumentos Musicais, que é exclusivamente disponibilizado pela Universidade de Dakota do Sul, em colaboração com o National Music Museum.

Para este novo sonho ganhou uma bolsa de estudante/trabalhador oferecida pela universidade de Dakota do Sul e, findo o mestrado, o National Music Museum, de Vermillion, faz-lhe um contrato por um ano.

O Musical Instrument Museum, em Phoenix (Arizona, EUA), foi o desafio seguinte, tendo sido contratada para conservadora. Contudo, face à necessidade de renovação de visto e à insistente tentativa de conseguir estar mais próxima da família, Ana Sofia Silva candidatou-se a um projeto na Europa.

É nesta altura que surge a oportunidade de ir para Londres, e, em 2016, é escolhida para o projeto MINIM-UK liderado pelo Royal College of Music, de catalogação da maior coleção virtual de instrumentos musicais existentes em museus públicos de todo o Reino Unido.

“Essencialmente, o meu trabalho foi catalogar e fotografar instrumentos musicais existentes nas coleções de museus que visitei durante o projeto. Trabalhei em conjunto com um outro catalogador, o Matthew Hill. No espaço de um ano, visitei 20 museus na região sul do país e cataloguei cerca de 1400 instrumentos!”, explicou.

Um ano depois e com o fim desta iniciativa, Ana Sofia parte novamente à descoberta de outra oportunidade em Portugal, junto da família e onde toda a sua vivência emocional tem raízes, mas, mais uma vez, não encontrou espaço para a sua arte apesar das elevadas qualificações.

Em cada regresso a casa traz sempre essa esperança. A última vez foram oito meses de procura intensa de trabalho na área e uma sensação de frustração que terminou com esta nova proposta, novamente nos Estados Unidos, agora com um contrato de três anos para participar no projeto de expansão do Museu Nacional de Música de Vermillion.

“Sim, volto a estar longe de Portugal e da minha família, mas a alternativa de estar perto, desempregada e deprimida não era saudável para ninguém. Após um longo processo de burocracia e espera relacionados com o visto de trabalho dei por mim a regressar àquela que, para mim, continua a ser a terra da oportunidade”, disse Ana Sofia Silva que brinca com a situação, lembrando que os sobrinhos já a chamam de “tia das Américas”. In “Sapo24” – Portugal com “Lusa”

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