Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Itália - “Uma nova Pompeia” emerge das cinzas



A tentativa de proteger uma fronteira de três quilómetros que separa a parte investigada nas ruínas de Pompeia e a outra ainda intacta e inóspita do local, alvo de frequentes deslizamentos, levaram a novas descobertas nas últimas semanas, de acordo com o director do parque arqueológico. Os trabalhos na “frente de escavação” começaram em Novembro do ano passado e, embora nos primeiros meses não tenha surgido qualquer novidade, agora durante a aplanação do terreno, “está a ser revelado um mundo novo”, explicou Massimo Osanna à agência EFE.

A área não explorada de Pompeia corresponde a um terço de todo o sítio, descoberto em 1748. No total, são 22 hectares cobertos pelas cinzas solidificadas do vulcão que destruiu a vida da então próspera cidade às margens do Golfo de Nápoles.

“Entre este material piroplástico vão continuar a sair mais descobertas nas próximas semanas”, antecipou Osanna.

Um dos últimos e surpreendentes achados é o esqueleto de um homem atingido por uma enorme pedra quando tentava salvar a vida nos dramáticos momentos que deve ter vivido durante a erupção, que também arrasou Herculano, Oplontis e Estábia. As primeiras análises identificam-no como um indivíduo de mais de 30 anos, com problemas numa perna, o que terá impedido a sua fuga, pelo que acabou por morrer no beco das Bodas de Prata, onde foi localizado quase dois milénios depois.

Presume-se que fugia com a esperança de se salvar, pois sob o esqueleto foi encontrado um pequeno saco com 20 moedas de prata, seguramente denários, e dois ases de bronze, que permitiriam a uma família de três membros viver meio mês, segundo estimaram os especialistas.

Até agora, foram examinadas pelo menos 15 moedas de cronologia variada, na sua maioria do período republicano, sendo a mais antiga uma moeda de prata legionária de Marco António. No botim havia poucas moedas da era imperial, destacando-se entre essas uma provável moeda de prata de Otávio Augusto e duas de Vespasiano.

Susceptíveis de permitir recriar a vida na cidade e o caos que a sepultou, estes fascinantes achados são apenas uma pequena parte de tudo o que se espera. Ossana prevê encontrar novas cantinas, casas com pinturas originais e inclusive inscrições eleitorais.

Se no passado não se documentaram correctamente as escavações, os novos exames no sítio arqueológico são realizados com as técnicas mais avançadas e todo o cuidado. “Há uma nova Pompeia”, assegurou o director-geral.

O sítio tem um passado recente marcado pela decadência e deslizamentos, mas que parece já ter superado graças ao “Grande Projecto Pompeia”, aprovado em 2012 e dotado de 100 milhões de euros da União Europeia, montante que poderia ser perdido se não fosse usado.

Em 2014, quando assumiu a direcção do sítio, Osanna decidiu impulsionar a licitação de obras de restauro e adequação das pedreiras. “Este projecto está quase completo e transformou totalmente Pompeia”, possibilitando reabrir áreas fechadas desde o terramoto de 1980, destacou o director.

Mas a busca de maravilhas não é só do interesse dos arqueólogos, pois há muito tempo que os criminosos também procuram tesouros nas ruínas soterradas que estão em propriedades privadas fora do sítio arqueológico. Trata-se de “escavações ilegais” que, apesar de tudo, levaram recentemente à recuperação do decalque de gesso de um cavalo enfeitado, além de utensílios de cozinha e uma cama.

Disposto a combater estes depredadores que podem provocar um prejuízo irreparável, Osanna conta com a cooperação das forças da ordem para os perseguir. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

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