Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Envergonhados!

Todos os que estamos em condições de minimamente discernir sobre as coisas essenciais, sabemos que vivemos uma situação grave no país.

Alguns dos que combateram contra o colonialismo, com a sua Pide, com a sua repressão que os obrigou, a alguns, como o actual Presidente da República, a sair de Angola para o exterior, são dignitários deste Estado, que reprime da mesma ou da pior maneira angolanos, mesmo perante um evento internacional. Como acreditar que depois do Dr. Filomeno Lopes, figura respeitada no país e não só, hoje chega a vez de jornalistas conhecidos, como o Rafael Marques, o Alexandre Solombe e o Coque Mukuta que são “pisados e torturados” por polícias orientados por aqueles que se julgam legitimados para fazer isso?

É confrangedor. Todos estamos impotentes, fingindo que tudo está normal. Hoje ouvi um padre a pregar que não critiquemos os “nossos dirigentes”. “Rezemos para que Deus os proteja e os encaminhe para o bem”. E perante tudo isso, o assunto mais importante para a mídia e os comentadores de serviço são os depósitos na conta Mfuca Muzemba, militante de um partido político. O país vai enterrando de vez o conceito dignidade humana e de que a lei vale para todos. Os juízes e juízas libertam sob caução jovens que não cometeram crime nenhum. Ajudemos pelo menos, os que podemos, a pagar. Que país é este? Que justiça amordaçada?!

Estes jovens são os únicos que estão a cumprir, quase isolados, o seu dever de cidadãos, perante a indiferença de quem podia fazer alguma coisa, mesmo com um simples gesto de desaprovação. Estamos vendidos ao preço do petróleo. Todos nós estamos envergonhados. Eu pelo menos estou envergonhado. Não estava preparado para ver isso no século XXI, depois de proclamada a Paz, no meu país. Marcolino Moco – Angola in “Moco Produções”

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Emigrantes eternamente

Segundo um estudo apresentado recentemente pelo Oficio Federal das Estatísticas, a taxa de pobreza baixou na Suíça, ou seja, menos pobres em tempo de crise. No entanto, o estudo revela alguns dados curiosos. Dentro da lista dos mais afectados, vemos por último os estrangeiros. Sabemos que para usufruir de uma ajuda social, por parte do cantão de residência, o estrangeiro necessita de possuir o “Permis” B, caso contrário não pode candidatar-se a tal ajuda. O que é mais curioso, é que muitos cantões estão retirar essa autorização a todos os estrangeiros que estejam na situação de desempregados — a receber o subsídio de desemprego – em caso de estarem para renovar o “Permis B” , (a dar-lhes o Permis L em vez do B) , que lhes retira qualquer possibilidade de pedido de ajuda social, quando terminem o período de subsidio de desemprego. Ainda segundo os números apresentados, uma pessoa em cada 13, é considerada pobre, que leva a que 580 mil pessoas vivam nesta situação, que representa 7,6% da população. Por último, todas as pessoas que vivem sozinhas com menos de 2200 francos ao mês, ou se vive em união com dois filhos, e que não atingem os 4050 francos ao mês, são considerados pobres. Estamos em crer que os estrangeiros deveriam subir na lista dos mais afectados, porque conhecemos muitos que não atingem os valores apresentados no estudo.

É curioso ver na grande imprensa nacional o estigma no que se refere a notícias que tenham a ver com cidadãos nacionais que vivam no estrangeiro; tudo o que façam são emigrantes; o emigrante bateu, o emigrante teve um acidente, o emigrante fez isto ou aquilo. O mais engraçado, em alguns casos, as pessoas em questão viveram em países estrangeiros durante anos, mas a residir em Portugal definitivamente, são sempre emigrantes. Somos emigrantes no país de acolhimento e somos emigrantes no nosso país. Triste a sina do emigrante, só nos falta pôr a mala de cartão numa mão e o garrafão de vinho na outra. Adelino Sá – Suíça in “Gazeta Lusófona”

in " Os reformados da investigação"

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Palavra

A Palavra

Eleva-se entre a espuma, verde e cristalina
e a alegria aviva-se em redonda ressonância.
O seu olhar é um sonho porque é um sopro indivisível
que reconhece e inventa a pluralidade delicada.
Ao longe e ao perto o horizonte treme entre os seus cílios.

Ela encanta-se. Adere, coincide com o ser mesmo
da coisa nomeada. O rosto da terra se renova.
Ela aflui em círculos desagregando, construindo.
Um ouvido desperta no ouvido, uma língua na língua.
Sobre si enrola o anel nupcial do universo.

O gérmen amadurece no seu corpo nascente.
Nas palavras que diz pulsa o desejo do mundo.
Move-se aqui e agora entre contornos vivos.
Ignora, esquece, sabe, vive ao nível do universo.
Na sua simplicidade terrestre há um ardor soberano.

Ramos Rosa – Portugal

Em memória de António Victor Ramos Rosa
(Faro 17 de Outubro de 1924 – Lisboa 23 de Setembro de 2013)




Bibliografia

Livros de Poesia

O grito claro (Poesia), 1958
Viagem através duma nebulosa (Poesia), 1960
Voz inicial (Poesia), 1960
Sobre o rosto da terra (Poesia), 1961
Poesia, liberdade livre, 1962 ; 1986
Ocupação do espaço (Poesia), 1963
Terrear (Poesia), 1964
Estou vivo e escrevo sol (Poesia), 1966
A construção do corpo (Poesia), 1969
Líricas Portuguesas: 4.ª série, selec., pref. e notas de Ramos Rosa (Antologia Poética), 1969
Nos seus olhos de silêncio (Poesia), 1970
A pedra nua (Poesia), 1972
Horizonte imediato (Antologia), 1974
Não posso adiar o coração. Obra poética, 1º vol (Antologia), 1974
Ciclo do cavalo (Poesia), 1975
Animal olhar. Obra poética, 2º vol. (Antologia), 1975
Respirar a sombra viva. Obra poética, 3º vol. (Antologia), 1975
Boca incompleta (Poesia), 1977
A imagem (Poesia), 1977
A palavra e o lugar (Antologia), 1977
As marcas no deserto (Poesia), 1978 ; 1980
A nuvem sobre a página (Poesia), 1978
Círculo aberto (Poesia), 1979
A poesia moderna e a interrogação do real, 2 vols., 1979 ; 1980
Figurações (Poesia), 1979
Declives (Poesia), 1980
Le domaine enchanté (Poesia), 1980
O incêndio dos aspectos (Poesia), 1980
Figuras: fragmentos (Poesia), 1980
O centro na distância (Poesia), 1981
O incerto exacto (Poesia), 1982
Gravitações (Poesia), 1983
Quando o inexorável (Poesia), 1983
Matéria de amor (Antologia), 1983
Dinâmica subtil (Poesia), 1984
Ficção (Poesia), 1985
Mediadoras (Poesia), 1985
Clareiras (Poesia), 1986
Vinte poemas para Albano Martins (Poesia), 1986
Volante verde (Poesia), 1986
Incisões oblíquas, 1987
No calcanhar do vento (Poesia), 1987
A mão de água e a mão de fogo (Antologia), 1987
O deus nu(lo) (Poesia), 1988
O livro da ignorância (Poesia), 1988
Duas águas: um rio, em col. (Poesia), em colab. com Casimiro de Brito, 1989 ; 2002
Acordes (Poesia), 1989
Três lições materiais (Poesia), 1989
Obra poética, 1º vol. (Antologia), 1989
Estrias (Poesia), 1990
O não e o sim (Poesia), 1990
Facilidade do ar (Poesia), 1990
Oásis branco (Poesia), 1991
A intacta ferida (Poesia), 1991
A rosa esquerda (Poesia), 1991
A parede azul. Estudos sobre poesia e artes plásticas, 1991
Rotações, em col. (Poesia), em colab. com Agripina Costa Marques, Carlos Poças Falcão, 1991
As armas imprecisas (Poesia), 1992
Clamores (Poesia), 1992
Dezassete poemas (Poesia), 1992
Pólen-silêncio (Poesia), 1992
Lâmpadas com alguns insectos (Poesia), 1993
O centro inteiro, em col. (Poesia), em colab. com Agripina Costa Marques, António Magalhães, 1993
O navio da matéria (Poesia), 1994
O teu rosto (Poesia), 1994 ; 2002
Três (Poesia), 1995
À la table du vent, ed. bilingue, trad. Patrick Quillier, pref. Robert Brechon (Poesia), 1995
Delta seguido de Pela primeira vez (Poesia), 1996
Figuras solares (Poesia), 1996
Nomes de ninguém (Poesia), 1997
À mesa do vento seguido de As espirais de Dioniso (Poesia), 1997
Versões/Inversões (Poesia), 1997
Poemas escolhidos, org. Maria Filipe Ramos Rosa (Antologia), 1997 A imagem e o desejo (Poesia), 1998
A imobilidade fulminante (Poesia), 1998
Pátria soberana seguido de Nova ficção (Poesia), 1999 ; 2001
O princípio da água (Poesia), 2000
As palavras (Poesia), 2001
Antologia poética, pref., selec. e bibliog. de Ana Paula Coutinho Mendes (Antologia), 2001
Deambulações oblíquas (Poesia), 2001
O deus da incerta ignorância seguido de Incertezas ou evidências (Poesia), 2001
O aprendiz secreto (Poesia), 2001
Os volúveis diademas (Poesia), 2002
O alvor do mundo. Diálogo poético, em col. (Poesia), 2002
Cada árvore é um ser para ser em nós (Poesia), 2002
O sol é todo o espaço (Poesia), 2002
Os animais do sol e da sombra seguido de O corpo inicial (Poesia), 2003
Meditações metapoéticas, em col. c/ Robert Bréchon (Poesia), 2003
O que não pode ser dito (Poesia), 2003
Relâmpago do nada (Poesia), 2004
O poeta na rua. Antologia portátil, sel. e pref. de Ana Paula Coutinho Neves (Antologia Poética), 2004
Génese seguido de Constelações (Poesia), 2005
Horizonte a Ocidente (Poesia), 2007
Rosa Intacta (Poesia), 2007
Prosas seguidas de diálogos (Prosa), 2011


Revistas em que colaborou

Árvore, 1952 -1954
Cassiopeia, 1956
Cadernos do Meio-dia, 1958 -1960
Esprit
Europa Letteraria
Colóquio-Letras
Ler
O Tempo e o Modo
Raiz & Utopia
Seara Nova
Silex
Revista Vértice


Jornais em que colaborou

A Capital
Artes & Letras
Comércio do Porto
Diário de Lisboa
Diário de Notícias
Diário Popular
O Tempo


Prémios Escritor

Prémio da Bienal de Poesia de Liége, 1991
Prémio Jean Malrieu para o melhor livro de poesia traduzido em França, 1992


Prémios Obra

Prémio Fernando Pessoa, da Editora Ática (Segundo Lugar ex-aequo), 1958 (Viagem através duma nebulosa)
Prémio Nacional de Poesia, da Secretaria de Estado de Informação e Turismo (recusado pelo autor), 1971 (Nos seus olhos de silêncio)
Prémio Literário da Casa da Imprensa (Prémio Literário), 1972 (A pedra nua)
Prémio da Fundação de Hautevilliers para o Diálogo de Culturas (Prémio de Tradução), 1976 (Algumas das Palavras: antologia de poesia de Paul Éluard)
Prémio P.E.N. Clube Português de Poesia, 1980 (O incêndio dos aspectos)
Prémio Nicola de Poesia, 1986 (Volante verde)
Prémio Jacinto do Prado Coelho, do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, 1987 (Incisões oblíquas)
Grande Prémio de Poesia APE/CTT, 1989 (Acordes)
Prémio Municipal Eça de Queiroz, da Câmara Municipal de Lisboa (Prémio de Poesia), 1992 (As armas imprecisas)
Grande Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen (Prémio de Poesia), São João da Madeira, 2005 (O poeta na rua. Antologia portátil)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Zermatt

A Associação Lusófona de Zermatt realizou pela segunda vez consecutiva no passado dia 13 de Setembro de 2013, a procissão das velas em honra da Nossa Senhora de Fátima.

Zermatt é uma pequena localidade na Suíça, situada a 1620 metros de altitude e fica no sopé do pico Matterhorn, cuja altitude é de 4478 metros, é considerada a pátria do alpinismo, onde as casas são feitas de madeira e nas ruas só circulam carros eléctricos.



A língua oficial em Zermatt é o alemão, mas actualmente 40% dos seis mil cidadãos que vivem na localidade, são falantes de língua portuguesa e na escola, os alunos que falam português já ultrapassam os 50%, maioritariamente portugueses.



Este ano a procissão das velas passou pela primeira vez na artéria principal de Zermatt e a população suíça aderiu a este evento religioso, organizada pela principal comunidade imigrante local.

Enquanto nascem portugueses na Suíça, Portugal é notícia pela partida de cerca de 100 mil emigrantes num espaço de um ano e que a natalidade cai em cerca de 9% no mesmo período, devido à falta de perspectivas de trabalho para os jovens e à precariedade laboral. Baía da Lusofonia

domingo, 22 de setembro de 2013

AniMacau

O Centro Cultural retoma no próximo mês de Outubro de 2013 o festival de cinema de animação local, com dez longas-metragens europeias e asiáticas. O AniMacau volta a exibir trabalhos premiados.
 
 
 
 
O festival de cinema de animação de Macau, AniMacau, organizado pelo Centro Cultural exibe este ano uma série de dez longas-metragens de produção europeia e asiática. O evento anual decorre entre os dias 19 e 27 de Outubro, com sessões abertas a todo o tipo de público e outras orientadas para adultos.
 
A selecção do AniMacau 2013 abre, dia 19, com “O Quadro”, longa-metragem de animação do realizador francês Jean-François Laguionie nomeada para os prémios César 2012. A obra, uma aventura destinada ao público infantil cujo desenho cativa também o público adulto, vive dos personagens de uma pintura inacabada que andam à procura do seu pintor.
 
O filme de Laguionie é exibido pelas 16h30, seguindo-se no mesmo dia, às 21h30, “Alois Nebel”, policial negro realizado por Tomas Lunak, de co-produção alemã e checa. A produção foi vencedora dos Prémios de Cinema Europeu e conta a história de um trabalhador ferroviário na fronteira da antiga Checoslováquia cujos pesadelos o levam a entrar num sanatório e, mais tarde, a confrontar-se com as mudanças vividas na Europa Central.
 
A mostra de animação prossegue dia 20 de Outubro, novamente pelas 16h30, com “Ernest e Celestine”, trabalho em co-autoria dos franceses Benjamin Renner, Stéphane Aubier e Vincent Patar. A produção teve duas nomeações para a edição deste ano dos prémios César e conta a história de uma improvável amizade entre um rato e um urso.
 
Na mesma noite, às 19h30, o Centro Cultural exibe “Uma Carta para a Momo”, do japonês Okiura Hiroyuki. Uma rapariga de 13 anos muda-se de Tóquio para uma zona rural, tornando-se amiga de três espíritos que assombram a casa da família.
 
As projecções são retomadas depois a 24 de Outubro, com a exibição de uma longa-metragem do sul-coreano Yeon Sang-ho, “O Rei dos Porcos”, em torno da “cruel realidade da natureza humana”. Passa às 19h30.
 
No dia 25, às 21h30, é exibido “Aprovado para Adopção”, de Jung Laurent Boileau, numa co-produção belga, francesa, sul-coreana e suíça, de teor auto-biográfico.
 
No dia 26 há mais duas sessões. “Homem Lua”, pelas 16h30, tem produção francesa, irlandesa e alemã, com autoria de Stephan Schesch. Pelas 21h30, é exibido “A Loja de Suícidos”, filme francês de Patrice Leconte seleccionado no ano passado pelo Festival de Cannes.
 
No último dia, a 27 de Outubro, o Centro Cultural exibe pelas 16h30 “Rugas”, do espanhol Ignacio Ferreras, a retratar o encontro de dois amigos com a velhice e a morte. O festival encerra com “Crianças-lobo”, do japonês Mamoru Hosoda, premiado pela academia japonesa. In “Ponto Final” - Macau


sábado, 21 de setembro de 2013

Ollá+

A rede social de língua portuguesa
Ollá+
Rede Social de Língua Portuguesa                 
 
 
 
 
 
Há três meses que foi lançada para um período de testes a rede social lusófona Ollá+ e a resposta tem sido, conforme a administração da iniciativa, muito positiva, excedendo mesmo as suas expetativas.
 
Nesta altura, a rede tem membros de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Moçambique, de Portugal, de São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, ou seja, de todos os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Mas a rede também tem uma forte presença de galegas, das diásporas espalhadas pelo Mundo e de pessoas de outras nacionalidades que falam Português.
 
Em breve estará disponível uma aplicação que permitirá iniciativas solidárias, nas áreas da saúde, da educação, da cultura, do desporto, etc. A sua utilização é completamente gratuita. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


Casamansa - Governo no exílio?

John Stuart Mill
Casamansa: Porque não um governo no exílio?
 
“A única liberdade que merece o nome é a de buscar nosso próprio bem à nossa maneira, sem privar os outros de buscar a deles”, escreveu John Stuart Mill (1806 – 1873).
 
Desde 1960, a Casamansa nunca foi submetida a um referendo. A Constituição do Estado do Senegal foi imposta de forma autoritária e este facto não foi democrático. Alguns professores, como Emile Badiane e companhia, ansiosos de um poder elitista, afastam-se do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC) e arrogam-se de todos os direitos, incluindo o de nunca consultar os cidadãos casamanseses sobre as principais questões que se colocam numa união com o Senegal de Léopold Sédar Senghor. Eles são culpados de validar à sua maneira uma entidade perigosa que nega o direito da soberania do povo de Casamansa. Eles estão envolvidos numa Constituição que se aplica por defeito de não ser submetida pelo referendo. Estavam com medo da democracia directa? Então, não seriam democratas. Foram roubados os direitos do povo? Então, eles seriam usurpadores.
 
Sim, as mulheres e homens de Casamansa têm o desejo da grandeza democrática e é preciso ser suficientemente grande para reconhecer e aceitar as falhas dum Estado senegalês que até hoje nega os direitos de soberania e independência do povo da Casamansa.
 
Pois se o Senegal não mexe sobre este dossier, então será preciso conceder a oportunidade a este povo soberano da Casamansa de usar incondicionalmente e sem demora, os plenos poderes democráticos que são os seus? É possível se o MFDC, quer dizer todas as forças democráticas, cidadãos e forças políticas, concordem em formar um governo, porque não no exílio.
 

Além disso, não precisamos de nenhuma constituição, nenhum referendo para continuar a nossa marcha pela independência. Como prova, graças à nossa vontade de não ceder em nada de essencial, vamos realizar uma paz por todo o tempo com a Gâmbia, a Guiné-Bissau, a República da Guiné e o Mali. Quanto ao Senegal, nos impôs a guerra e a violência no nosso espaço territorial, contrariamente aos nossos costumes e às nossas leis.
 
Nossos “amigos” do outro lado da Gâmbia, nós demonstramos deste modo o que eles entendiam por Estado de direito, nós vamos agora demonstrar-lhes que existe uma auto-estima, que vem em completa contradição com a sua visão de opressão.
 
O pacto que vincularia os dois povos, diga-se, é para quebrar, porque nós não adicionámos a nossa assinatura ao documento que concede a administração ao Senegal. E isso, graças a um dos nossos, professor que seja, Emile Badiane, de farejar uma enorme intrujice para nos escravizar. A Casamansa e as suas valentes filhas e filhos não se deixam enganar. Bintou Diallo – Casamansa - Casamance