Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Afroinsularidade

Deixaram nas ilhas um legado
de híbridas palavras e tétricas plantações

engenhos enferrujados proas sem alento
nomes sonoros aristocráticos
e a lenda de um naufrágio nas Sete Pedras

Aqui aportaram vindos do Norte
por mandato ou acaso ao serviço do seu rei:
navegadores e piratas
negreiros ladrões contrabandistas
simples homens
rebeldes proscritos também
e infantes judeus
tão tenros que feneceram
como espigas queimadas

Nas naus trouxeram
bússolas quinquilharias sementes
plantas experimentais amarguras atrozes
um padrão de pedra pálido como o trigo
e outras cargas sem sonhos nem raízes
porque toda a ilha era um porto e uma estrada sem regresso
todas as mãos eram negras forquilhas e enxadas

E nas roças ficaram pegadas vivas
como cicatrizes — cada cafeeiro respira agora um
escravo morto.

E nas ilhas ficaram
incisivas arrogantes estátuas nas esquinas
cento e tal igrejas e capelas
para mil quilómetros quadrados
e o insurrecto sincretismo dos paços natalícios.
E ficou a cadência palaciana da ússua
o aroma do alho e do zêtê d'óchi
no tempi e na ubaga téla
e no calulu o louro misturado ao óleo de palma
e o perfume do alecrim
e do mlajincon nos quintais dos luchans

E aos relógios insulares se fundiram
os espectros — ferramentas do império
numa estrutura de ambíguas claridades
e seculares condimentos
santos padroeiros e fortalezas derrubadas
vinhos baratos e auroras partilhadas

Às vezes penso em suas lívidas ossadas
seus cabelos podres na orla do mar
Aqui, neste fragmento de África
onde, virado para o Sul,
um verbo amanhece alto
como uma dolorosa bandeira.

Conceição Lima – São Tomé e Príncipe

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Chove. É Dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
e o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
o Natal da convenção,
quando o corpo me arrefece
tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
e o Natal a quem o fez,
pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa - Portugal

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Golfo da Guiné

A Paramount Group a maior empresa privada de segurança e defesa a trabalhar em África, estima que durante o ano de 2013, tenha ocorrido um acto de pirataria por dia no Golfo da Guiné, em áreas tão distintas como o transporte de crude e gás, o tráfico de drogas, contrabando de armas, despejo de resíduos tóxicos, abastecimento ilegal ou pesca ilegal.

A empresa prevê que os números dupliquem para 2014, principalmente devido ao desvio deste tipo de actividades do oceano Índico para o Atlântico, mais principalmente para o Golfo da Guiné, onde também têm aumentado os movimentos de terrorismo e de tráfego humano.

Países como a Namíbia, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Cabo Verde e Guiné Bissau estão no centro deste problema, que pode causar danos irreparáveis e irreversíveis, se não forem tomadas posições conjuntas para debelar a actividade da pirataria.

Uma das situações mais graves, o despejo de resíduos tóxicos que já minou as águas da Somália e que tem levado ao aumento de casos de cancro nos países desenvolvidos devido ao consumo de peixe contaminado, obriga que estes países comecem rapidamente a realizar reuniões concertadas para debelar tais situações e a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), pode vir a ser a organização que mais depressa pode dar a resposta adequada, com países como Brasil, Portugal e Moçambique, com vastas áreas marítimas, a terem também de se preocupar com esta nova realidade no Atlântico. Acrescente-se às boas intenções de actividades culturais e sociais, situações económicas concretas, como o desígnio “Mar” comum a todos os países da CPLP, países associados ou que se pretendem associar. Baía da Lusofonia

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Reformados portugueses

Nestes últimos dias, Dezembro de 2013, cruzei-me com vários portugueses reformados, nas lojas, nas ruas, estavam tristes, uma revolta em surdina, indignados, pois mais uma vez sentiam-se enganados.

Tinham passado pelo banco para verem o extracto da conta, onde pensariam eles estaria depositado a reforma de Dezembro, mais o acostumado e necessitado subsídio de Natal, que serve normalmente para equilibrar as contas que foram ficando deficitárias durante o ano.

Devido à idade avançada e ao não perceberem a linguagem utilizada pelos jornalistas, comentadores, políticos, através da televisão, linguagem demasiada técnica e erudita, não se aperceberam que o ligeiro aumento, uma mão cheia de nada de euros que recebiam mensalmente, era o subsídio, ou o que restava dele, após os descontos para os impostos que entretanto foram aplicados a quem já recebe tão pouco.



Frustrados, cabisbaixos, envergonhados, encolhiam os ombros, marcados pelo triste fado de uma vida de enganos, quando há trinta anos atrás lhes prometeram a terra prometida, a Europa, recheada de bons vencimentos, boas reformas, saúde, segurança, bem-estar, em três décadas, o que viram foi o desaparecimento da indústria, da agricultura, da pesca, a troco de esmolas que encheram os bolsos de alguns.

Ao contrário de moldavos e romenos, cidadãos que vivem há mais de um ano, debaixo dos viadutos do eixo norte-sul em Campolide, desafiando as leis de Portugal no que diz respeito à cidadania, calcorreando as ruas de Lisboa pedindo esmolas, transmitindo doenças devido à falta de higiene, os reformados portugueses, após uma vida de trabalho, ao serviço do seu país, vêem-se condenados a fecharem-se em casa, sempre envergonhados pela falta de dinheiro, preferindo morrer com dignidade, longe dos olhares dos seus compatriotas, reflectindo uma educação recebida durante a longa noite de obscurantismo que viveram no século passado. Baía da Lusofonia

domingo, 22 de dezembro de 2013

Emprego pelo mundo

O site Emprego pelo Mundo divulga em português ofertas de trabalho em diferentes países. Diogo Lino Ribeiro, fundador, cresceu em Macau e estuda na República Checa. O projecto é seguido por mais de 172 mil pessoas no Facebook e recebe em média um milhão de visitas mensais online.

As boas ideias às vezes aparecem sem querer. Foi assim com Diogo Lino Ribeiro, jovem de 25 anos que em Fevereiro fundou o site Empregos pelo Mundo (www.empregopelomundo.com). Hoje, o portal recebe largos milhares de visitas todos os dias porque oferece, em português, informação sobre muitos postos de trabalho para aqueles que queiram largar mundo fora.

Diogo Lino Ribeiro
Diogo Lino Ribeiro, que passou parte da infância e adolescência em Macau, olhou para o desemprego jovem em Portugal, leu os sinais que lhe foram trazidos por um projecto familiar e resolveu avançar. Hoje conta com uma equipa de dez pessoas, divulga milhares de ofertas de emprego e, acredita, ajuda pessoas. Mesmo assim, continua os estudos no Instituto de Química de Praga, na República Checa. Não vê grandes melhorias para os portugueses nos próximos tempos.

- Como surgiu a ideia de criar o site Emprego pelo Mundo?

Diogo Lino Ribeiro – A ideia de criar este grupo de partilha de informações de emprego no estrangeiro e em Portugal, que ganhou visibilidade no Facebook, surgiu a partir de um pedido da minha família, para que colocasse para arrendar, em sites especializados, uma casa localizada em Búzios, no Brasil. Nessa altura, resolvi criar um blogue onde também promovia aquele destino. Inesperadamente, comecei a receber currículos de pessoas que me pediam emprego, pensando que se tratava de um resort ou de uma guest house. Muitos eram jovens que pediam com uma humildade, um desespero e uma vontade de trabalhar que não podiam deixar ninguém indiferente. Como tinha experiência na área da pesquisa, adquirida numa empresa onde trabalhei na República Checa, comecei a publicar no meu blogue oportunidades de emprego. O reconhecimento foi tal que o passo seguinte foi criar o Emprego pelo Mundo.

- Dê-nos alguns números do projecto. Quantas visitas recebe o site em média? E quantas ofertas de trabalho já publicou?

D.L.R. – O portal Emprego Pelo Mundo recebe em média um milhão de visitas e cerca de três milhões de visualizações por mês. Já publicámos milhares de ofertas de emprego dependendo das empresas e das áreas, publicamos cerca de 30 mil oportunidades por mês. Formamos uma equipa de dez jovens que trabalham segmentos de mercado diferentes. Uns mais vocacionados para as ofertas de trabalho individualizadas, outros em ofertas mais gerais que abarcam várias áreas numa só empresa, normalmente multinacionais. Não conseguimos ter uma estimativa das pessoas que já conseguiram oportunidades através do site, mas até hoje e desde que o site está activo já recebemos milhares de agradecimentos.

- Falemos da Ásia. Há muitas ofertas de trabalho para esta zona do globo? É um mercado com potencial para a mão-de-obra lusófona?

D.L.R. – Sendo nós portugueses um povo universalista, com uma história de relacionamento pacífico e mesmo amistoso com todos os povos do mundo, e tendo nós também das melhores universidades europeias que têm formado nas últimas décadas jovens comprovadamente talentosos, reconhecidos em todo o mundo, não será descabido pensar que esses jovens muito qualificados poderão ser uma mais-valia, em qualquer parte do mundo e aí também. Basta que lhes sejam oferecidos lugares onde possam não só desenvolver as suas capacidades criativas e o seu talento, como também colaborar através da troca de conhecimentos e visões do mundo, favorecendo a criação de soluções inovadoras e permitindo àqueles que neles confiam o acompanhamento eficaz das mudanças num mundo que anda cada vez mais veloz.

- Concretamente em relação a Macau, há oportunidades para portugueses que podem ser encontradas através do seu site? Alguns exemplos específicos?

D.L.R. – Apresento no meu site um link dedicado completamente a Macau. Como viver e trabalhar aí. Como procurar emprego. Tem sido muito visitado. Como esta crise veio para ficar e há cada vez mais desempregados, os portugueses têm tendência a procurar emprego nos países cujos povos partilharam connosco partes da sua história e que por isso lhes oferecem mais confiança por os julgarem amigos.

- Viveu em Macau. Quer recordações guarda desses tempos? Ainda é um lugar que o atraia, também do ponto de vista profissional?

D.L.R. – Vivi em Macau dos três aos 14 anos. Cresci em Macau. Passei a minha infância a percorrer as suas ruas, a correr para as suas escolas, a casa na Taipa. Os meus amigos de infância são daí, ou passaram por aí e continuam a estabelecer contactos regulares comigo. Macau faz parte de mim, dos meus sonhos, dos meus desejos, das minhas memórias, do meu ser. Será um lugar onde sempre voltarei… onde espero encontrar sempre símbolos dessas vivências que tive. Ou até personalidades que me tornaram feliz em criança pela amizade que me dedicaram. Por exemplo, o Domingos, ex-motorista do meu pai e meu grande amigo, que fazia comigo o totoloto de Hong Kong em sociedade. Mas não sei se voltarei para trabalhar aí. Por enquanto não faz parte dos meus planos. O meu projecto de vida não se encaminha para ser realizado por esses lados. Porém, como se costuma dizer, ‘o futuro a Deus pertence’.

- Considera que, regra geral, os portugueses que trabalham no estrangeiro são apreciados ou nem tanto?

D.L.R. – Acho que os portugueses são apreciados em todo o mundo. Como dizia um escritor inglês, “toda a gente gosta dos portugueses com excepção deles próprios”. Os portugueses são um povo bom, tolerante, com capacidade de se entregar a causas. São um povo leal, solidário e com uma capacidade de sofrimento e de resignação emocionantes. Veja o que está a acontecer nesta crise. As reacções dos portugueses e de outros povos são muito distintas. Só um povo muito bom é capaz de suportar com paciência isto e aguentar tanto sofrimento de modo resignado.

- Qual é o destino preferencial do português qualificado e sem emprego neste momento?

D.L.R. – As preferências dos portugueses são regra geral os países de língua portuguesa. Brasil e Angola têm sido grandes receptores do trabalho dos nossos imigrantes. Mas o maior número de jovens qualificados tem ido para a Europa, com a Alemanha, Noruega, Dinamarca, Inglaterra e Irlanda a aproveitarem esses talentos que Portugal desperdiça neste momento.

- Como olha para a situação actual em Portugal?

D.L.R. – Portugal vive um período muito crítico da sua história e não se vislumbra uma saída para a crise a curto prazo. Não temos indústria, agricultura, pescas. O comércio tornou-se monopólio de poucos. Sinceramente vejo tudo muito mal.

- Acaba por ser também um empreendedor, ao lançar este projecto. O site é já lucrativo para si, que o fundou?

D.L.R. – Para já o site paga-se a si próprio, pago o trabalho dos colaboradores e tenho estado a investir o resto. Vamos apresentar muito em breve uma nova versão mais moderna e prática que permitirá a empregadores e candidatos funcionalidades que facilitam o recrutamento. Hélder Beja – Macau in “Ponto Final”

sábado, 21 de dezembro de 2013

Jogos da Lusofonia - Goa 2014


Aceda aqui ao sítio dos Jogos da Lusofonia – Goa 2014

18 de Janeiro a 29 de Janeiro de 2014 – A Festa da Lusofonia

Jojo, o Galo Majestoso

Baía da Lusofonia 

Balança Comercial Angolana

Nos primeiros nove meses de 2013, a balança comercial angolana teve um saldo positivo de $31688 milhões de dólares, segundo cálculos “Baía da Lusofonia” baseados na informação trimestral provisória divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola.

As exportações angolanas ascenderam no período de Janeiro a Setembro de 2013, a $51120 milhões de dólares, um ligeira quebra de -3,7%, referente ao período homólogo de 2012. Os combustíveis corresponderam a 98,3% do total das exportações, sendo por isso, o crude praticamente o único produto comprado por alguns países, onde se destaca como principal importador desta matéria-prima, a China com $23000 milhões de dólares, 45% do total das vendas angolanas, registando uma diminuição de -9,2% face ao mesmo período do ano anterior. Índia, Estados Unidos da América, Taiwan, Canadá e no 3º trimestre de 2013 a Espanha, são os outros principais compradores no mercado angolano.



Para o mesmo período de Janeiro a Setembro de 2013, as importações angolanas registaram um valor de $19432 milhões de dólares, um acréscimo de 8,6%, quando comparado com igual período de 2012. Os veículos e outro material de transporte, 23,3% do total, as máquinas e aparelhos eléctricos, 20,9%, são os dois grandes grupos de mercadorias importados por Angola, evidenciando-se no 3º trimestre de 2013, uma grande importação de combustíveis, o segundo grupo mais elevado neste espaço de tempo, fazendo com que este conjunto, no período acumulado de Janeiro a Setembro equivalha a 7,5% do total das importações.

Portugal é o principal fornecedor de Angola, 16,6% do total, mantendo o mesmo nível de valor do ano anterior, a China com 11,4% do total, teve um crescimento nas vendas a Angola de 8,6%, enquanto os Estados Unidos da América, terceiro fornecedor, 6,5% do total, teve uma quebra de -10,6%, o Brasil o quarto, 4,8% do total, teve um acréscimo nas vendas de 3%, ultrapassando a África do Sul que passou a ser o quinto vendedor de mercadorias com 4,7% do total. Baía da Lusofonia