Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Portugal – Programa BIP Acceleration premeia inovação no combate aos tumores cerebrais

O projeto GlioBrain-Plate, liderado por investigadoras do i3S, venceu a 5.ª edição do programa BIP Acceleration. CARGO e MyGene conquistaram o 2.º e o 3.º lugares


Qualquer diagnóstico de tumor cerebral é assustador e, muitas vezes, acompanhado de uma sensação de impotência para os pacientes. Isso é exacerbado quando a espera, quer para a confirmação da doença, quer para a decisão do melhor tratamento a adotar, é demorada. Foi com isso em mente que uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3) desenvolveu o GlioBrain-Plate. A tecnologia inovadora para triagem pré-clínica de terapias contra tumores cerebrais valeu às cientistas a conquista do primeiro lugar na edição 2026 do BIP Acceleration, o programa de aceleração da Universidade do Porto que ajuda equipas de investigação a transformar projetos em negócios.

Criado em laboratório, o GlioBrain-Plate tem como objetivo testar novos tratamentos para tumores cerebrais. “Num único teste, conseguimos perceber se um medicamento chega ao cérebro e, depois, se consegue matar ou de alguma forma atuar sobre o tumor”, explicam as investigadoras. Isto porque a inovação reproduz o tumor juntamente com a barreira natural que protege o cérebro e que impede a entrada de mais de 98% dos medicamentos. Assim, consegue identificar mais rapidamente as terapias, bem como reduzir custos, riscos, testes em animais, e acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos.

A tecnologia destina-se a empresas farmacêuticas que desenvolvem novos medicamentos. “Ao ajudá-las a identificar, numa fase inicial, os tratamentos com maior risco de falhar nos ensaios clínicos, esperamos evitar investimentos de anos e milhões de euros”, antecipam as cientistas do i3S, na esperança de que isso permita “concentrar os recursos nas terapias mais promissoras e acelerar a chegada de novas opções terapêuticas à ciência”.

Da equipa de investigação fazem parte Cláudia Martins, Cecília Ferreira, Ana Olival, Diana Ribeiro e Bárbara Macedo. Para as cientistas, conquistar o primeiro lugar no BIP Acceleration reconhece um percurso que começou fora da sua zona de conforto: “Transformar uma descoberta científica em algo que possa ser usado por outras pessoas abriu-nos as portas de um mundo novo e, até há pouco tempo, desconhecido”, avançam.

O financiamento recebido será aplicado na gestão da propriedade intelectual, e vão também aproveitar o período na UPTEC para “dar os próximos passos com mais estrutura”. As investigadoras pretendem entrar no mercado com um modelo de serviço, “trabalhando com a indústria para testar os seus medicamentos de interesse”, concluem.

Robôs inteligentes para trabalho em armazéns

No segundo e terceiro lugares do BIP Acceleration 2026 ficaram, respetivamente, os projetos CARGO e MyGene.

Nascido no INESC TEC, CARGO é um robô para a intralogística e descarregamento de contentores em armazéns. Um processo atualmente realizado maioritariamente de forma manual, sendo fisicamente exigente, não ergonómico e sujeito a condições de trabalho difíceis (como temperaturas extremas) pode, com esta solução inovadora, passar a ser automatizado e industrializado.

“Existe ainda uma lacuna de soluções robóticas europeias que sejam simultaneamente flexíveis e acessíveis para PME”, explica a equipa composta por Maria Silva Lopes, Artur José Cordeiro, Luís Freitas Rocha e João Pedro Souza.

Mas o CARGO, sendo capaz, “de forma autónoma, de retirar caixas do interior de contentores marítimos em armazéns logísticos”, não só torna o processo mais seguro e menos exigente para os trabalhadores como, consequentemente, contribui para “reduzir o impacto da crescente dificuldade de contratação de mão de obra para estas tarefas”, acrescentam. O sistema combina, numa única plataforma móvel, navegação autónoma, manipulação robótica e perceção 2D/3D com recurso a inteligência artificial (IA).

O segundo lugar no BIP Acceleration representa “um importante reconhecimento do potencial do CARGO”. Para além da visibilidade do projeto, o apoio permitirá “dar um passo importante na validação da tecnologia em contexto real, melhorando e validando os pilotos em contexto empresarial. “Apesar de já termos um piloto funcional, precisamos de o testar e validar a solução em operações reais, avaliando o seu desempenho, segurança e interação com os utilizadores”, concluem os investigadores.

E atenção redobrada para os cancros hereditários

O projeto MyGene, vencedor do terceiro prémio, está também focado na doença oncológica. Trata-se de uma plataforma digital de genética psicossocial que apoia famílias que enfrentam a angústia associada aos cancros hereditários.

“O MyGene é uma ferramenta que apoia famílias com risco de cancro hereditário, indo desde o teste genético até à comunicação do risco”, explica Esperança Lima, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da U.Porto (FPCEUP).

Da equipa criadora do MyGene fazem ainda parte António Coelho (INESC TEC e Faculdade de Engenharia da U.Porto), as investigadoras Célia Sales, Cláudia de Freitas, Juliana Monteiro e Paula Mena Matos (do Centro da Psicologia da U.Porto, FPCEUP), Hernâni Oliveira (Universidade de Évora e CPUP) e João Fernando Silva (IPO Porto).

“Quando uma pessoa descobre que tem uma mutação genética que pode causar cancro, enfrenta o choque do diagnóstico e a difícil tarefa de informar os filhos e os irmãos da que também podem estar em risco”, explica a equipa.

Prescrito pelo médico e atuando como um complemento da consulta de genética, o MyGene é um kit físico “que dá acesso a uma plataforma digital segura, na qual se disponibiliza informação validada e com linguagem simples”, acrescentam. Os conteúdos interativos – e validados pelos profissionais de saúde – ajudam a família a compreender o risco e incentivam os seus membros a realizarem testes genéticos preventivos que podem salvar vidas.

O projeto está, atualmente, a concluir “com sucesso os estudos piloto em dois hospitais portugueses”. Para a equipa, estar entre os premiados do BIP Acceleration é uma “validação crucial, pois demonstra que a investigação científica na área da genética psicossocial pode transformar-se em soluções sustentáveis, escaláveis e com impacto real na vida das pessoas e na redução de custos com a prestação de cuidados de saúde.”

“Um programa muito importante para a Universidade”

A grande final do da edição 2026 decorreu no passado dia 22 de setembro, nas instalações da Porto Business School (PBS), parceira desta edição. A avaliar os projetos finalistas esteve um júri composto por Filipa Ferreira (Portugal Ventures), Raphael Stanzani (UPTEC) e Rodrigo de Alvarenga (PBS).

Antes de anunciar os vencedores, a Vice-reitora da U.Porto para Investigação e Valorização do Conhecimento Ana Paula Pêgo, afirmou que “este é um programa muito importante para a Universidade”,

“Ganharam todos. Posso dizer-vos, da minha experiência, que todos os projetos que tive recusados vieram depois melhorados. Quando há uma nega fecha-se uma porta, mas abre-se também uma janela”, acrescentou a também investigadora do i3S, depois dos devidos agradecimentos aos membros do júri, organização e participantes.

Ao longo das cinco edições do BIP Acceleration já realizadas, foram distinguidas 15 ideias, totalizando perto de 50 mil euros em prémios atribuídos. Concorreram à iniciativa, desde 2022, 63 ideias, mobilizando mais de 200 participantes.

O BIP Acceleration 2026 teve o apoio da Caixa de Geral de Depósitos e a parceria da Porto Business School, da UPTEC e da Portugal Ventures. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 28 de julho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde acelera valorização de terapias para tumores cerebrais

Quatro investigadoras do instituto concluíram um dos principais programas nacionais de transferência de tecnologia para projetos de investigação


Uma equipa de investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto concluiu com sucesso a edição de 2026 do HiTech by HiSeedTech, um dos mais prestigiados programas nacionais de valorização e transferência de tecnologia para projetos deep tech com potencial de mercado.

O projeto GlioBrain-Plate, desenvolvido por Ana Olival, Cecília Ferreira e Diana Ribeiro, sob a liderança de Cláudia Martins, integra o grupo Nanomedicines and Translational Drug Delivery do i3S, liderado por Bruno Sarmento. “Estamos a desenvolver uma plataforma pré-clínica inovadora para o teste de novas terapias dirigidas a tumores cerebrais sólidos, com foco inicial no glioblastoma, o tumor cerebral maligno mais frequente e mortal em adultos”, explica Cláudia Martins.

A tecnologia reproduz, em laboratório, a interação entre a barreira hematoencefálica e o tumor, permitindo avaliar, em simultâneo, a capacidade de uma terapia atravessar esta barreira natural de proteção do cérebro e a sua eficácia terapêutica.

“Ao disponibilizar um modelo mais preditivo da resposta humana, o GlioBrain-Plate pretende acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos, reduzir os custos e riscos associados ao desenvolvimento clínico e contribuir para aumentar a probabilidade de sucesso de novas terapias para pacientes com tumores cerebrais”, sublinha a investigadora.

A participação no HiTech permitiu à equipa aprofundar competências em inovação, empreendedorismo e transferência de tecnologia ao longo de 18 semanas de formação, mentoria e contacto com a indústria, empreendedores e investidores. Entre todas as candidaturas submetidas a nível nacional, apenas 10 projetos foram selecionados para integrar a edição de 2026.

O programa terminou com a apresentação do pitch final no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, perante representantes da indústria, investidores, empreendedores e especialistas do ecossistema nacional de inovação. O percurso constituiu um passo importante na valorização da tecnologia desenvolvida pela equipa e na preparação da sua futura transferência para o mercado. Universidade do Porto - Portugal