Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 4 de maio de 2019

Macau - Novo pólo da Escola Portuguesa de Macau será construído na Zona A dos Novos Aterros

A expansão da EPM, anunciada pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, vai ser feita na Zona A dos Novos Aterros, adiantou ontem o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Apesar de ter afirmado que o Governo avançará com o plano “muito em breve”, ressalvou que é uma obra que levará “alguns anos”



O novo pólo da Escola Portuguesa de Macau (EPM) vai ser construído na Zona A dos Novos Aterros, adiantou ontem o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. “Penso que vamos avançar com este plano de construção muito em breve (…) Será no aterro A porque ali tem mais condições”, explicou Alexis Tam. A ampliação da EPM foi anunciada pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, durante a sua visita a Macau.

Contudo, a construção deste novo edifício levará o seu tempo. “O terreno é a primeira fase e vamos estudar. A segunda fase é a construção, mas claro que para fazer uma nova Escola Portuguesa leva alguns anos”, sublinhou Alexis Tam, que afirmou também já ter dado “indicações” à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) “para fazer a análise o mais rápido possível”.

Quanto ao espaço, a Zona A dos Novos Aterros, disse ainda que “o Governo da RAEM tem um plano para fazer algumas escolas. Penso que há condições para fazer uma Escola Portuguesa ali. Aliás, aquela zona é muito boa, e sei que mais ou menos 100 mil pessoas vão viver ali, por isso, acho que é uma boa opção”.

Sobre o financiamento desta obra nada está ainda acertado. “Ainda não entrámos em pormenores sobre se o Governo da RAEM vai financiar totalmente ou apenas uma parte. Mas, penso que o Governo tem condições para financiar a maior parte ou o total, vamos ver”, afirmou o Secretário.

Para Carlos Marreiros, até que o novo pólo esteja pronto – algo que “vai demorar algum tempo” ainda que os aterros “estejam a consolidar-se” – será necessária uma intervenção no actual edifício da EPM. “Até lá, parece-me que a estrutura actual da escola precisará sempre de obras, eventualmente a adaptação de alguns espaços”, explicou o arquitecto, acrescentando que as últimas obras foram já feitas há muito tempo.

O arquitecto, que em 2017 apresentou um anteprojecto para ampliação da EPM – que incluía, além de um novo bloco, salas de aulas, instalações desportivas, uma cantina e laboratórios -, que depois não avançou, disse ter ficado “naturalmente feliz” com a notícia. “Porque quem ganha são os actuais e futuros alunos da Escola Portuguesa e porque todos nós desejamos a melhor estrutura arquitectónica com as valências que um novo edifício pode permitir e que o presente não permite”, acrescentou.

Questionado sobre se estaria interessado em fazer parte do novo projecto, Carlos Marreiros foi peremptório: “Naturalmente que estou e também julgo que é natural que me vão dirigir este convite. Porquanto em equipa que se trabalha bem não se muda, um bocado utilizando o futebolês… Formalmente ainda não sei, não sei o que as pessoas pensam, mas naturalmente que terei muito gosto em poder vir a fazer este novo edifício”, concluiu.

O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, e o arquitecto Carlos Marreiros falavam à margem da exposição de pintura de Ieong Tai Meng “Lótus Eterno”, que se encontra patente no Instituto Português do Oriente (IPOR), estando integrada no Festival Arte Macau. Na cerimónia de inauguração, estiveram também presentes o Cônsul-Geral de Portugal, Paulo Cunha Alves, que destacou a vertente artística “que pretende colocar Macau num roteiro cultural muito importante na Ásia e no mundo”, bem como o presidente do IPOR, Joaquim Coelho Ramos.


As escolas portuguesas no estrangeiro, onde estudam 6.000 alunos de várias nacionalidades e leccionam 500 professores, vão reunir-se entre amanhã e terça-feira na capital de Cabo Verde, com o futuro do ensino da língua e cultura portuguesas na agenda. Com o tema “Língua Portuguesa e os Desafios do Futuro”, o encontro é uma iniciativa da Direcção-Geral da Administração Escolar e da Escola Portuguesa de Cabo Verde-Centro de Ensino e da Língua Portuguesa, estando prevista a presença de escolas portuguesas na CPLP e de Macau. Segundo os organizadores, trata-se de “uma oportunidade para conhecer e divulgar as escolas portuguesas no estrangeiro, os seus projectos e as suas áreas de intervenção, quer nos domínios do ensino e da formação quer ainda no sector da cooperação com os países onde estão sediadas”. O Ministro da Educação português, Tiago Brandão Rodrigues, que estará presente no encerramento do encontro, destacou o “ensino de qualidade” que estas escolas proporcionam, mantendo as “mesmas orientações educativas, pedagógicas, didácticas, científicas que as escolas no território nacional”. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau” com “Lusa”

Lusofonia - Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP celebrado com várias actividades um pouco por todo o mundo



Cidade da Praia – Conferências, seminários, festivais de cinema, exposição e concursos constam das várias actividades agendadas um pouco por todo o mundo para celebrar o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP, assinalado a 05 de Maio.

As acções vão ser organizadas pelo secretariado executivo da CPLP, pelos embaixadores dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa nas diversas capitais e acreditados junto das Organizações Internacionais, pelos observadores associados e consultivos, sociedade civil e governos nacionais.

Para esta terça-feira, 03, está prevista a realização de uma sessão solene sob o lema “A cultura e a aproximação dos povos da CPLP: realidades, desafios e perspectivas futuras”, cuja cerimónia de abertura estará a cargo do secretário executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, e pelo embaixador de Cabo Verde em Portugal, Eurico Monteiro.

Durante este mês, a sede da CPLP vai receber a III conferência sobre Mobilidade Académica na CPLP: das aspirações às concretizações, ciclo de cinema na CPLP – exibição de produtos do Programa CPLP Audiovisual e de filmes doados à CPLP, lançamento do arquivo multimédia da poesia dos países da CPLP e a estreia do documentário do programa CPLP Audiovisual (2.ª edição) – DOCTV III.

A nível das iniciativas da sociedade civil, mas com o apoio institucional da CPLP, acontece ainda a 10ª edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin), de 15 e 22 de Maio, no Fórum Lisboa, Cinema São Jorge, Cinema City Alvalade e Instituto Cervantes e a VII Bienal de Culturas Lusófonas, promovida pela Câmara Municipal de Odivelas, de 02 a 31 deste mês.

A Fábrica de Exposições do Braço de Prata acolhe ainda o evento “Arte, Cultura e Mobilidade – Eventos Culturais para a Lusofonia”, realizado pela Nimba Art Gallery, em parceria com o Braço de Ferro, Livros e Arte, de 09 e 25 deste mês.

Para hoje, está prevista a realização do seminário a “Importância da Língua Portuguesa para as Gerações Futuras”, na Fundação Oriente, em Lisboa.

A Cidade da Praia vai receber uma banca de exposição-mostra, com informações sobre o Instituto Internacional de Língua Portuguesa e divulgação das acções levadas a cabo, e à margem da reunião do conselho científico acontece a conferência “As Variações do Português”, de 27 a 29.

Em relação às iniciativas da presidência cabo-verdiana em exercício da CPLP, o Ministério da Educação vai promover um concurso de escrita em língua portuguesa para os alunos dos estados membros, actividades de divulgação dos contos tradicionais dos países da CPLP, apresentação do áudio-livro nas escolas do ensino básico e secundário e uma exposição em comemoração à data em simultâneo em todos os países da CPLP, incluindo a diáspora e os países observadores associados.

Constam ainda do programa, actividades em Berlim, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, Paris, Vietname, Washington, Hungria, Geórgia e Chile, promovida pelos grupos CPLP (em países terceiros) pelos países Observadores Associados. In “Inforpress” – Cabo Verde

Portugal - VII Bienal de Culturas Lusófonas no Município de Odivelas


Odivelas, Capital da Lusofonia 2019



Em maio, Odivelas volta a ser a Capital da Lusofonia.

Ao longo de todo o mês, a Câmara Municipal promove a VII Bienal de Culturas Lusófonas oferecendo à população um conjunto de iniciativas dedicadas, em exclusivo, à língua que nos une e que enriquece a multiculturalidade e a interculturalidade que caracterizam e identificam o nosso Concelho.

Destacamos da programação, a Feira do Livro de Autores Lusófonos, as Exposições de Artes Plásticas e de Fotografia, a Feira Multicultural, o Fórum Lusofonia, o Desfile Multicultural e o Encontro de Escritores.

Angola | Brasil | Cabo Verde | Guiné-Bissau | Moçambique | Portugal | São Tomé e Príncipe | Timor-Leste

Hungria | India | Macau | Marrocos | Uruguai

Câmara Municipal de Odivelas – Portugal


sexta-feira, 3 de maio de 2019

Macau - Apenas 7% dos alunos de cursos em português em Macau são de países lusófonos


Macau - Mais de dois mil alunos frequentam no ensino superior, em Macau, cursos de língua portuguesa ou ministrados em português, sendo que apenas cerca de 7% são de países lusófonos, segundo dados enviados à agência Lusa.

Dos 2051 estudantes matriculados em cursos de língua portuguesa ou ministrados em português, pouco mais de 1900 são na esmagadora maioria naturais do território ou da China, de acordo com os dados fornecidos pela Universidade de Macau (UM), Universidade de São José (USJ) e Instituto Politécnico de Macau (IPM).

A UM, o instituto superior com o maior número de estudantes em Macau, cerca de dez mil, oferece nesta área um total de 13 cursos na Faculdade de Artes e Humanidades e cinco na Faculdade de Direito.

Dos 1117 alunos a licenciarem-se em Estudos Portugueses, 11 são de países de língua portuguesa, enquanto que dos 251 que estudam Direito 22 são oriundos de países lusófonos.

O IPM tem cinco licenciaturas em português: Relações Comerciais Sino-Lusófonas, Administração Pública, Tradução e Interpretação Chinês-Português, Educação Internacional de Língua Chinesa e Língua Portuguesa.

O número atual de alunos matriculados nesta instituição nos cinco cursos é de cerca de 600, dos quais perto de uma centena são de países de língua portuguesa.

Já a USJ indica que dos 334 estudantes matriculados na Faculdade de Humanidades em cursos de língua portuguesa 326 são estudantes locais.

A mesma instituição de ensino superior explica que atualmente não existem cursos em português na Escola de Educação e que os alunos são de Macau (cerca de 15, ao todo, de origem chinesa), mas salienta que esta vai abrir no próximo ano um curso de Pós-Graduação em Educação em Português.

Os alunos são de Macau e têm frequentado a Universidade Católica Portuguesa (UCP), no âmbito de um acordo firmado entre o Governo de Macau e a UCP para formar professores de português no território. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

Brasil - Hidrovia Paraguai-Paraná uma alternativa para escoar a safra

"Nueva Palmira é o porto mais ao sul da hidrovia Paraguai-Paraná, a 3442 km de onde a rota transnacional se inicia, em Cáceres, no Mato Grosso,percorrendo cinco países. O capitão do porto, Hebert Marquez, está otimista com a possibilidade de receber mais cargas brasileiras e de outros vizinhos. “Esta é a última escala das barcaças que navegam os rios até os portos de ultramar. Pelo menos três estados do Brasil têm potencial para vender seus produtos utilizando este porto. Convido representantes das zonas produtivas brasileiras a fazer uma reunião de intercâmbio ou uma conferência, porque cremos que a irmandade dos povos vai se construindo com uma notícia, um conhecimento, a oportunidade de um negócio, tudo entrelaçado”.

Cargas vindas do Brasil, no entanto, são tão raras no pequeno porto como os itens de um planeta distante. Os mestres desses caminhos fluviais são os paraguaios – o país guarani tem a terceira maior frota de barcaças do mundo, com 3000 unidades operando nos meandros da Bacia do Prata. “Neste ponto, todos deveríamos nos inspirar no Paraguai. O paraguaio é um bom marinheiro, maneja com facilidade o rebocador e as barcaças. Eles têm uma cultura naval que os outros países da Bacia do Prata não têm. Por necessidade, eles aproveitam o rio muito mais do que nós”, sublinha Marquez.

Se o Paraguai domina as águas da hidrovia, a Argentina detém o maior percentual de cargas. Um estudo da Universidade Federal do Paraná para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTT), divulgado em 2017, mostra que a Argentina transportava pela hidrovia 64,60 milhões de toneladas de cargas por ano; em segundo lugar, o Paraguai (12,97 milhões de toneladas), depois o Brasil (4,47 milhões de toneladas), Bolívia (1 milhão de toneladas) e Uruguai (52 mil toneladas). Proporcionalmente às cargas transportadas por outros modais, o Brasil, com 0,6%, só não fica atrás do Uruguai, que escoa apenas 0,4% de seus produtos pelo rio. O Paraguai, em contrapartida, movimenta pela hidrovia 76,8% de suas cargas, contra 54,6% da Argentina e 12,9% da Bolívia.



De olho no Oeste do Paraná

Uma obra rodoviária, no Paraguai, pode ser o impulso que falta para que Nueva Palmira finalmente comece a receber commodities agrícolas brasileiras que, dali, seguiriam para Ásia e Europa, pelo Atlântico Sul. A rodovia batizada de “Corredor de Exportação” está sendo construída com financiamento japonês e deve ficar pronta em três anos. Os 147 km de extensão margeiam e interligam o Rio Paraná com zonas de produção, próximo à fronteira com o Brasil.

No percurso da rodovia estão onze portos fluviais, alguns deles, como o Puerto Torocuá, a apenas 100 km da zona fronteiriça do Oeste do Paraná, uma das principais regiões produtoras de grãos do estado. Em um raciocínio simples, a soja do oeste paranaense poderia seguir apenas 200 km até os portos paraguaios e fazer o restante do caminho nas balsas, evitando a viagem de 600 km de caminhão até o Porto de Paranaguá. Um comboio de 16 balsas pode transportar 24 mil toneladas, enquanto por outros modais seriam necessários 686 caminhões ou 300 vagões de trem. O estudo da UFPR para a Antaq demonstrou que o custo do transporte hidroviário é de apenas 25% do rodoviário tomando como base uma viagem de mil quilômetros.

Para o consultor de logística portuária Luiz Henrique Dividino, que durante seis anos dirigiu o Porto de Paranaguá, a saída pelo Paraguai não tem vantagem competitiva para os paranaenses. Dividino diz que o transporte de grãos por hidrovias envolve alguns gargalos operacionais – como o transbordo do caminhão para a barcaça e desta para os navios – que implicam aumento de custos, perdas físicas no manuseio e eventuais perdas de qualidade, devido às intempéries ou contaminação com outros produtos (mistura de soja e milho, por exemplo). “Todo mundo fala que o transporte por caminhão é caro, que é ineficiente. Mas hoje o que vemos na frota de granéis é a melhor geração de caminhão que já existiu, extremamente eficiente. E no Porto de Paranaguá temos o efeito natural do frete de retorno, que no outro caso não existe. Descem 23 milhões de toneladas de granéis para exportação e sobem 10 milhões de toneladas em fertilizantes, cevada e malte, entre outros produtos”, aponta.

O ex-dirigente portuário reconhece que, pontualmente, poderá haver alguns embarques do Oeste do Paraná pela hidrovia Paraguai-Paraná, “que está ali do lado de Cascavel”. “De repente, o operador não tem frete, está com a barcaça parada e decide botar o equipamento para rodar, oferecendo fazer o serviço pelo custo. Se tiver oportunidade, pode aparecer algum negócio. Mas o mercado predominante e cativo é Paranaguá”.

Expedição Safra vai até o extremo sul da Hidrovia Paraguai-Paraná

Paranaguá pode ser imbatível

O sistema de Paranaguá poderia se tornar imbatível, segundo Dividino, se fossem instalados “terminais privados puros”, como em Santos. “Paranaguá hoje tem terminais privados interligados com o cais público. Se tivermos os dois modelos, serão duas figuras disputando o mercado. Daí iríamos tomar carga de São Francisco do Sul, e digo mais, poderíamos trazer o Paraguai de volta para cá”.

Dividino se refere ao fato de que, até o início dos anos 2000, quase toda a safra de grãos do Paraguai era exportada por Paranaguá. O bloqueio das cargas transgênicas, por ordem do então governador paranaense Roberto Requião, fez com que o país vizinho descobrisse sua vocação fluvial. Hoje, 96% do que o Paraguai produz é exportado por hidrovia.

Em outros trechos da hidrovia transnacional, as cargas agrícolas brasileiras começam finalmente a dar o ar da graça. A multinacional argentina Vicentin importou 600 mil toneladas de soja do Mato Grosso do Sul, no ano passado, pelos portos de Murtinho e Ladário, no Brasil, e via Concepción, no Paraguai. No ano anterior tinham sido apenas 185 mil toneladas e, dois antes, míseras 16 mil toneladas.



“Os embarques aumentaram geometricamente. Não iríamos comprar 600 mil toneladas se estivéssemos perdendo dinheiro”, diz Peter J. Graham, diretor do grupo Vicentin. A soja do Mato Grosso do Sul, com teor mais alto de proteína, é levada para ser esmagada e fazer um blend nas indústrias argentinas de Rosário.

Para o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso e presidente da Câmara de Infraestrutura e Logística de Transportes do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Edeon Vaz Ferreira, ao fim e ao cabo tudo se resume a uma questão de custos. “Dólar por dólar, o transporte de commodities se resolve nos detalhes. Exportar soja do Mato Grosso para a Argentina, a conta não fecha. Teria de haver um frete de retorno, com fertilizante, por exemplo, para as barcaças não voltarem batendo lata em todo o trecho. Já de algumas regiões do Mato Grosso do Sul, isso é possível”, avalia.

As compras de soja do Mato Grosso do Sul para escoamento via hidrovia, até agora, foram feitas exclusivamente pelo grupo Vicentin, mas mostram a viabilidade econômica de uma rota até então inexplorada. “A soja do Mato Grosso do Sul era uma das mais baratas, mas agora até se valorizou com essas exportações. E os produtores estão plantando 5% a mais a cada ano”, diz Peter Graham, da Vicentin.

Veio para ficar

O fato é que a alternativa de escoamento da safra de Mato Grosso do Sul pela hidrovia Paraguai-Paraná veio para ficar. Juliano Schmaedecke, presidente da Aprosoja-MS, diz que só não se exporta mais pelo rio devido à falta de capacidade de embarque nos terminais brasileiros. Uma das empresas que atuam em Porto Murtinho, a FV Cereais, conseguiu licenças ambientais e já começou a ampliar a área do cais. “Vamos ter três operadores portuários e isso é muito bom. Vai trazer mais competitividade para o mercado. Hoje a gente ainda envia soja de caminhão para embarcar lá pelo porto de Rio Grande (RS), que tem mais eficiência e taxas mais baratas. Mas é uma barbaridade descer quase 2 mil quilômetros, tendo portos muito mais perto”, critica Schmaedecke.

Outro gargalo que prejudica o potencial da hidrovia Paraguai-Paraná são os atestados fitossanitários. Por falta de regulamentação e acordo entre os países, a soja brasileira tem de sair em lotes fechados, prontos para embarcar nos navios Panamax. Isso impede que as indústrias formem seus lotes na Bacia do Prata. “Na verdade, essa navegação ainda não está redonda. Para os laudos fitossanitários, é uma quantidade tão grande de documentos que exigem que isso também emperra um pouco essa negociação de venda do Brasil com a Argentina e o Uruguai”, destaca Edeon Ferreira. Segundo Schmaedecke, da Aprosoja, a questão dos laudos fitossanitários está sendo tratada diretamente pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e espera-se para breve uma solução.

Se a saída sul-matogrossense para o rio irá se consolidar, se o caminho fluvial é viável também para o Paraná e o Mato Grosso, se Nueva Palmira vai finalmente receber soja brasileira – todas essas são questões que se resolverão na planilha das empresas de logística e nas obras de infraestrutura dos governos. Cada dólar de redução nos custos, como se vê, tem o potencial de fazer a balança pender para um ou outro lado. In “Gazeta do Povo” -  Brasil

Macau e Portugal - Uma relação “única” e “diferente”

Portugal e Macau, que partilham história e uma relação “única”, devem manter-se unidos no sentido de aprofundar uma cooperação “especial”. Foi esta a mensagem que passou do encontro oficial entre o Presidente português e o líder da RAEM

“Para a China, Macau nunca foi uma colónia portuguesa, e para Portugal Macau era um território chinês sob administração portuguesa”, frisou Marcelo Rebelo de Sousa



No final da manhã, após a visita às Ruínas de São Paulo onde teve o primeiro contacto com a população, Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se à sede do Governo para o primeiro encontro oficial com as autoridades locais.

O Chefe do Executivo recebeu o Presidente português a menos de duas semanas de realizar uma visita oficial a Portugal, que incluirá deslocações a Lisboa e ao Porto, entre 11 e 19 de Maio. Para Marcelo Rebelo de Sousa, esta proximidade de visitas oficiais nos dois lados espelha bem as “ligações que existem”. “É o retrato perfeito daquilo que queremos que sejam as relações entre nós”, acrescentou o Chefe de Estado.

Na intervenção inicial dirigida ao Chefe do Executivo, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a sublinhar que os laços com a China “são excelentes”, mas “há algo de mais especial no que respeita às relações entre Portugal e a Região Administrativa Especial que completa e enriquece a relação entre a China e Portugal, porque Macau é diferente”.

Uma relação “única” e diferente “mesmo antes do momento histórico de há 20 anos”, frisou, ao destacar que, “para a China, Macau nunca foi uma colónia portuguesa, e para Portugal Macau era um território chinês sob administração portuguesa”.

Por sua vez, o líder da RAEM agradeceu a oportunidade de trocar impressões com o Presidente de um país com quem espera continuar a intensificar relações. Chui Sai On, que deixará este ano o cargo de Chefe do Executivo, manifestou o desejo de que “as relações de cooperação continuem a desenvolver-se e aprofundar-se”. O Chefe do Executivo deixou ainda caminho aberto a Marcelo para deixar “opiniões e sugestões” que contribuam, portanto, para esse estreitamento.

Importa ressalvar que a comunicação social não teve acesso a todo o encontro. Terá sido, aliás, durante essa fase da reunião em que os governantes trocaram impressões sobre o desenvolvimento do ensino da língua portuguesa, tendo Chui Sai On prometido uma colaboração activa do Governo da RAEM no que se refere aos planos de expansão da Escola Portuguesa de Macau (ver página 2).

Antes de deixar o território, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a encontrar-se com o Chefe do Executivo no jantar que este lhe ofereceu, no MGM Macau. Na ocasião, Chui Sai On colocou as relações sino-lusas Portugal numa “nova etapa histórica, da qual se espera a edificação de um futuro ainda mais belo”.

O líder da RAEM estendeu ainda agradecimentos a Marcelo Rebelo de Sousa pelo “apoio e participação” de Lisboa na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. “Tenho plena confiança de que Portugal se tornará no eixo europeu dessa iniciativa”, afirmou.

Brindando à “prosperidade e estabilidade de Portugal e Macau”, Chui Sai On prometeu trabalhar “com afinco em prol de um belo amanhã para as relações entre a China e Portugal e em prol de um belo futuro para a RAEM”. Catarina Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

Macau - Plano de expansão da Escola Portuguesa de Macau deverá “arrancar este ano”

Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido calorosamente pelos alunos, pais e pessoal da direcção da Escola Portuguesa de Macau – uma “grande escola”, como a descreveu e que recebeu ontem um “grande presente”: o apoio do Governo da RAEM para avançar já este ano com a construção de um novo pólo noutra zona da cidade. O Presidente português abraçou, distribuiu beijos e deixou-se fotografar nas várias dezenas de “selfies” durante a visita à instituição fundamental para o ensino do Português



É uma “grande escola”, logo, “merece um grande presente”. Foi desta forma que Marcelo Rebelo de Sousa partilhou a boa nova com os pais, professores, alunos e pessoal da direcção da Escola Portuguesa de Macau (EPM). “O Chefe do Executivo da RAEM hoje [ontem] deu-vos um grande presente e deu também a mim e a Portugal um grande presente: prometeu que a escola vai ser maior, vai ter um segundo pólo e que isso vai arrancar ainda este ano”, anunciou o Presidente.

Marcelo Rebelo de Sousa já tinha partilhado a informação durante a recepção à comunidade tendo, nessa altura, sublinhado que se trata da concretização de uma “ambição antiga”, que contará assim com a colaboração activa do Governo de Macau, como garantiu Chui Sai On. No comunicado relativo ao encontro dos dois altos cargos, o líder da RAEM reafirmou o apoio contínuo à EPM referindo que “uma equipa de trabalho do Governo, incluindo do departamento de planeamento, irá contactar a escola para discutir o futuro plano de expansão”.

Chui Sai On mostrou-se ainda convicto de que este projecto é uma “forma de consolidar o desenvolvimento da cultura e da língua portuguesa”, e também “permitirá alcançar um consenso preliminar sobre o plano a seguir”, lê-se, em comunicado.

Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a futura expansão da escola além de “aumentar o número de estudantes” vai permitir “melhorar o nível de ensino na divulgação da cultura e da língua portuguesa junto de mais pessoas”. Sobretudo porque está em causa um “assunto muito importante para Portugal como para os residentes de Macau”.

Não há ainda confirmação oficial do local escolhido para materializar o projecto de expansão, embora a Rádio Macau tenha apurado que o pólo será erguido nos Novos Aterros. O Jornal Tribuna de Macau tentou obter confirmação junto do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura que remeteu mais detalhes para o Chefe do Executivo. Também José Sales Marques, e Manuel Machado, ligados à Fundação da EPM e à direcção da escola, admitiram não saber mais detalhes.

Novidades à parte, a passagem de Marcelo Rebelo de Sousa pela única escola com currículos semelhantes aos de Portugal resumiu-se a abraços, “selfies” e uma troca de afectos. À chegada ao ginásio – onde os alunos de diferentes ciclos promoveram a cultura e tradições luso-chinesas em várias demonstrações artísticas -, Marcelo foi recebido com palmas e sorrisos. O “Presidente dos afectos” foi isso mesmo no encontro com os alunos e alunas que gostaria de “abraçar” – não tivesse sido essa, aliás, a sua primeira palavra. “Sabem que há 45 escolas primárias e secundárias a ensinar Português em Macau? Há milhares de alunos a aprender Português em Macau, a frequentar universidades em Macau mas eu pergunto: qual é a melhor escola de Macau e do Mundo? EPM! EPM! EPM!”, exclamou o Presidente, em “coro” com os presentes.

No palco, Marcelo Rebelo de Sousa – a quem a docência e o ensino muito lhe dizem, dada a vasta carreira como professor – dirigiu-se também aos pais e alunos mostrando-se orgulhoso. “Quero dar-vos um abraço e agradecer-vos pela obra da EPM, desta escola, de gerações de professores e alunos, a obra que tem passado, presente e futuro. Portugal orgulha-se de vós. Todos os portugueses orgulham-se de vós. Viva a EPM! Viva Macau. Viva a China e Viva Portugal, o melhor país do mundo”, exclamou.

Nesta elevação do que é a Escola Portuguesa e o que ela representa na divulgação do Português, o Presidente frisou também a história e a amizade entre a China e Portugal, pouco antes de se ouvir o hino nacional, “A Portuguesa”.

“Macau, onde se encontram aqui há muitos séculos a China e Portugal e há muitos séculos construímos uma amizade, somos irmãos e vivemos aqui felizes. Se Macau merece palmas, também merece naturalmente esse grande país que é a China. Se Macau, é muito especial e a China é um grande país, o melhor país do mundo é Portugal”, sublinhou. Catarina Almeida e Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”