Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Mali - Remove a história francesa do seu sistema escolar

A reforma educacional no Mali procura fortalecer a identidade nacional por meio de alterações no ensino de história

O governo do Mali anunciou a remoção da história francesa do currículo escolar nacional como parte de uma reforma educacional que visa dar prioridade ao ensino da história do Mali e da África. A medida integra uma política estatal focada no fortalecimento da identidade nacional e na redefinição do conteúdo educacional ministrado nas escolas do país.

Segundo as autoridades, o novo currículo enfatizará os processos históricos, culturais e sociais do Mali, bem como os principais eventos africanos. A decisão implica uma reestruturação dos materiais didáticos e dos programas de ensino em todos os níveis do sistema escolar. O governo afirmou que a reforma procura adaptar a educação às realidades nacionais e promover uma maior compreensão da história local e regional entre os alunos. A remoção da história francesa do currículo escolar ocorre em meio a uma revisão das relações históricas e políticas entre o Mali e a França. Nos últimos anos, o país africano implementou diversas medidas com o objetivo de redefinir o seu modelo institucional e educacional, dando prioridade a abordagens próprias em setores-chave, como a formação académica.

As autoridades educacionais indicaram que a implementação do novo currículo será gradual e acompanhada por livros didáticos atualizados e formação de professores. O objetivo é garantir a continuidade do processo educativo durante a transição para o novo conteúdo histórico. Juan Nka – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


segunda-feira, 24 de março de 2025

Portugal - Startup da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto lidera projeto para criar airbag de satélites

A startup da UPTEC vai desenvolver um dispositivo inovador que acelera a remoção de satélites inativos da órbita terrestre



O consórcio internacional liderado pela SpaceO, startup incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, venceu o contrato para o desenvolvimento de uma nova tecnologia de recolha de satélites em fim de missão e lixo espacial.

O projeto SWIFT (Spacecraft With Inflatable Termination), orçamentado em 3 milhões de euros e que conta com o apoio da Agência Espacial Europeia (ESA), prevê o lançamento no espaço de uma vela de arrasto insuflável para acelerar a desorbitação e garantir um ambiente espacial mais sustentável.

O SWIFT foi concebido para se tornar o equipamento padrão a bordo de todos satélites a serem lançados no futuro. “Atualmente, os satélites completam a sua missão e permanecem na órbita terrestre durante décadas, agravando o problema dos detritos espaciais,” sublinha João Pedro Loureiro, fundador da SpaceO.

O processo de remoção de satélites inativos – e existem cerca de 9900 a sobrevoar a Terra – pode demorar décadas. “A nossa tecnologia permitirá que, no futuro, os satélites sejam desintegrados de forma controlada – uma vez obsoletos iniciam uma trajetória descendente que os fará incandescer e desintegrar – contribuindo para reduzir o lixo espacial”, acrescenta o responsável da empresa.

O sistema tem dimensões compactas, ocupando apenas 100 mm3, e quando ativado insufla uma vela de arrasto de 1,5 m2 capaz de “abraçar” satélites do tipo 12U até 24 quilogramas de peso. “Embora tenha sido inicialmente concebido para pequenos satélites, o design o SWIFT é escalável e poderá ser adaptado para satélites de maior porte e até constelações de satélites,” refere Pedro Miguel Carneiro, co-fundador da SpaceO.

SpaceO: líder de consórcio multinacional europeu

A SpaceO vai liderar ambas as fases do projeto SWIFT: a fase de desenvolvimento em solo e a fase de lançamento e experimentação orbital. “Quando tudo estiver concluído em 2028, é muito provável que o lançamento do SWIFT seja feito nos Estados Unidos pela SpaceX,” esclarece João Pedro Loureiro.

O consórcio liderado pela SpaceO integra mais três empresas europeias: a luxemburguesa GomSpace, a francesa SpaceLocker e a neerlandesa SolidFlow.

A SpaceO recebeu, em 2023, financiamento da Portugal Ventures no âmbito da call INNOV-ID. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Portugal - Projeto testa aplicação de microalgas para remover poluentes de águas residuais convertendo essa biomassa em produtos verdes

O projeto “NABIA - New Approach to Bioremediation using Algae”, liderado por Telma Encarnação e Abílio Sobral, investigadores do Centro de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a testar a aplicação de microalgas para remover poluentes de águas residuais, aproveitando essa biomassa para a produção de produtos de base biológica.


«Este projeto aborda a necessidade de encontrar uma potencial solução para o problema da poluição da água por poluentes emergentes e propõe a descontaminação de águas residuais com recurso a microalgas, com uma abordagem baseada na geração de biomassa e na sua respetiva valorização económica», começa por explicar Telma Encarnação.

A investigação, continua a química, «focou-se na biorremediação de águas residuais geradas pela transformação de lentes oftálmicas na indústria ótica, usando como casos de estudo empresas parceiras. Uma vez que estes materiais estão na sua maioria protegidos por patentes e segredo industrial, analisámos a sua composição», revela.

A equipa de investigadores começou por identificar os químicos ambientais persistentes em fontes de águas residuais e avaliar a eficácia e eficiência da utilização de microalgas na biorremediação de produtos químicos sintéticos. Neste momento, os especialistas estão a testar a viabilidade da transformação da biomassa em produtos inovadores, tais como lentes oftálmicas “verdes” e ainda um fotobioreator, otimizando o processo para maximizar o conteúdo de biomateriais das microalgas.

«Com o NABIA, pretende-se não só solucionar problemas emergentes relacionados com poluentes em águas residuais, mas também incentivar o desenvolvimento económico sustentável, promovendo uma economia circular através da valorização de recursos biológicos», conclui a investigadora da FCTUC.

O projeto NABIA conta com o apoio das empresas parceiras Farmi, Mlab, Moldetipo, Opticentro e PTScience, podendo ser acompanhado através deste sítio. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Portugal - Desenvolvido tratamento inovador que remove fármacos das águas residuais através da biofiltração da amêijoa asiática

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Faculdade de Farmácia (FFUC), desenvolveu um tratamento inovador que utiliza a biofiltração da amêijoa asiática para remover fármacos das águas residuais.

Este trabalho está a ser desenvolvido no âmbito do projeto Development of biofiltration strategies for water recovery (BIOFREE), um dos vencedores da 4.ª edição dos Prémios Projetos Semente de Investigação Científica Interdisciplinar da Universidade de Coimbra.

«Este projeto pretende tirar partido da amêijoa asiática, dando-lhe uma aplicação e, simultaneamente, ajudar no seu combate, uma vez que é uma espécie invasora. O objetivo é remover fármacos presentes nas águas residuais permitindo a sua reutilização mais segura», esclarece João Gomes, investigador do Centro de Engenharia Química e Recursos Renováveis para a Sustentabilidade (CERES) do Departamento de Engenharia Química (DEQ).

Até ao momento, «fizemos quatro ensaios laboratoriais em que testámos a eficácia deste processo por 24 e 48 horas e também com amêijoa reutilizada. Detetámos 17 compostos pertencentes a seis grupos fármaco-terapêuticos diferentes, sendo que onze foram removidos com sucesso pelas amêijoas», revela André Pereira, docente da FFUC.

De acordo com os investigadores do projeto, não há uma diferença considerável ao nível dos tempos testados. «Obtivemos uma média de remoção de 44% em 24 horas e em 48 horas a percentagem é de 46, ou seja, o aumento de tempo não promoveu diferenças significativas. Apesar de parecer abstrato, é bom, pois implica que o volume de água a reter no tratamento seja menor. Este sistema funciona claramente bem», asseguram.

Segundo João Gomes, «o grande desafio foi construir um biofiltro eficiente que permita que a amêijoa fique retida, pois como espécie invasora convém que não haja libertação desta para o meio ambiente, apenas da água tratada», desvenda.

Com este projeto pretende-se prevenir futuros problemas ambientais, mas também de saúde animal e humana. Para André Pereira, não é possível dissociar a saúde animal da humana e ambiental. «A questão dos fármacos é um bom exemplo. O que acontece é que depois de os tomarmos vão para a ETAR e daí para o rio, afetando o ecossistema animal, ambiental e, posteriormente, a nossa saúde, através da água do rio que é captada para consumo humano. É sempre importante perceber que estamos a atuar nestas três vertentes, que são indissociáveis», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal 


segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Portugal - Cientistas da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto usam pó da cortiça para remover poluentes das águas

Cientistas da FCUP estão a estudar o reaproveitamento de um resíduo da produção da cortiça para agarrarem os maiores poluentes das águas residuais


Portugal é o maior produtor de cortiça do mundo e já se conhecem muitas aplicações verdes deste material já de si associado à sustentabilidade. Um dos resíduos que resultam da transformação da cortiça – por exemplo para as rolhas das garrafas – o pó, é tipicamente queimado. Mas agora, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), está a ser reaproveitado para criar um método mais sustentável para a remoção de poluentes das águas residuais.

Os cientistas envolvidos no projeto “Corkcatcher: Adsorventes magnéticos com base em resíduos de cortiça para remediação ambiental”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, já alcançaram resultados promissores. Estão a adicionar propriedades a este pó para agarrar alguns dos poluentes mais preocupantes nas águas residuais: iões de metais pesados, corantes e antibióticos. São depositados, diariamente, cerca de dois milhões de toneladas de resíduos nas águas, em todo o mundo.

“O pó da cortiça é um material extremamente interessante visto possuir porosidade, ou seja, cavidades que podem acomodar os poluentes de águas”, começa por explicar o líder do projeto Carlos Granadeiro, investigador do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE) na FCUP. “Contudo, esta porosidade não é acessível, isto é, não há uma passagem do exterior até aos poros”, comenta.

Assim, através do método de síntese desenvolvido no projeto Corkcatcher, “foi-nos possível tornar essa porosidade acessível (e até aumentá-la) e simultaneamente conferir propriedades magnéticas ao material”. E quanto maiores os poros, maior a capacidade de armazenar os poluentes. O objetivo dos investigadores é tornar a aplicação deste resíduo viável do ponto de vista económico e ambiental.


“A grande vantagem destes materiais renováveis magnéticos é o facto de serem facilmente separados magneticamente de águas, evitando passos adicionais de recuperação (ex. filtração, sedimentação) como acontece com os adsorventes tradicionais”, concretiza. Para além disso, os resíduos, depois de cumprirem a sua função de adsorver os poluentes, podem ser novamente reutilizados.

Estes materiais podem ser utilizados em Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) e pretende-se, na próxima fase do projeto, aplicá-los na própria ETAR da empresa corticeira J.A. Veiga de Macedo, que colabora com o projeto. Universidade do Porto - Portugal




segunda-feira, 19 de junho de 2023

Portugal - Cientistas desenvolvem sistema que remove contaminantes de preocupação emergente das águas residuais

Uma equipa de cientistas do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um sistema reacional de fotocatálise solar, utilizando catalisadores suportados, capaz de remover contaminantes químicos e biológicos das águas residuais domésticas.


O projeto PhotoSupCatal, que termina ainda este mês, tem como principal objetivo encontrar um tratamento terciário que consiga eliminar contaminantes de preocupação emergentes de maneira a proteger os ecossistemas e tentar obter uma água que possa ser reutilizável, por exemplo para irrigação. Para além dos compostos químicos, os investigadores avaliaram também a possibilidade de desinfeção, mais concretamente, verificaram qual o impacto que este processo tem na bactéria Escherichia coli e os resultados são promissores.

«Apesar das águas residuais domésticas passarem pelos tratamentos biológicos habituais, ainda não são tidos em conta alguns compostos químicos poluentes que estão a surgir nas águas e que advêm do consumo humano, nomeadamente de produtos de cosmética e farmacêuticos. Estes produtos libertam para as águas residuais moléculas que aparecem em concentrações muito pequenas, mas que devido à sua complexidade não conseguem ser tratadas por via biológica, que é o processo mais comum nas estações de tratamento de águas residuais municipais», começa por explicar Rui Martins, docente do DEQ e investigador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF).


Assim, prossegue Rui Martins, «o processo de tratamento que estamos a analisar é de fotocatálise, ou seja, temos um catalisador que é ativado pela luz e com essa ativação há produção de radicais, que são compostos muito instáveis e reativos, que vão degradar os compostos orgânicos. Como os radicais são pouco específicos conseguem atacar, teoricamente, toda a matéria orgânica existente», fundamenta o docente, acrescentando que neste processo será utilizada a energia solar como fonte de radiação, uma vez que tem um baixo custo.

Para produzir este novo sistema, a equipa da FCTUC desenvolveu um sistema catalítico sustentado com suportes à base de polímeros, nomeadamente PDMS e polianilina. «Os resultados mostram-nos que estes catalisadores conseguem degradar eficientemente os contaminantes orgânicos que estamos a testar e que são estáveis para vários testes de reutilização. Nesta fase, estamos a testar o reator em contínuo, a uma escala mais próxima do piloto», revela, esclarecendo que já foram realizados teste à escala laboratorial com resultados promissores.


De acordo com o docente do DEQ, este projeto terá impacto na indústria, porque vai oferecer uma tecnologia de baixo custo para refinar a qualidade da água tratada, permitindo a sua reutilização, e no ambiente, pois é seguida a premissa da poluição zero, uma vez que são removidos estes compostos de preocupação emergente.

«Estes compostos são persistentes no meio ambiente, o que significa que, apesar de serem descarregados em quantidades muito pequenas, se vão acumulando, podendo ter impacto nos ecossistemas e na saúde. Este tipo de tecnologia permite-nos removê-los antes dos efluentes serem lançados para os cursos hídricos, protegendo-os e, noutro sentido, permitir-nos-á chegar a uma água que seja adequada para reutilização, por exemplo, na agricultura, que é altamente consumidora de água», conclui.

O projeto, co-financiado pela União Europeia, através do FEDER, conta com a participação de nove investigadores do CIEPQPF e é coordenado pela Adventech – Advanced Environmental Technologies, Lda, empresa especializada no desenvolvimento e construção de ETARs e Sistemas de Tratamento de Emissões Gasosas. Universidade de Coimbra - Portugal




 


quarta-feira, 10 de maio de 2023

Portugal - Investigadores da UC desenvolvem bioprocesso para remoção de microplásticos nas estações de tratamento de águas

Uma investigação, liderada pela Universidade de Coimbra, evidencia que os efluentes industriais não são os que apresentam maior contribuição para a contaminação por microplásticos quando comparados com efluentes domésticos provenientes de Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR’S) municipais. Os investigadores envolvidos estão a desenvolver um bioprocesso à base de resíduos agroflorestais para a remoção destas partículas.

Este estudo, que tem como principal objetivo perceber qual o potencial de contaminação proveniente de efluentes industriais após tratamento nas estações de tratamento interno das empresas, está a ser desenvolvido por uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) no âmbito do projeto “Make water cleaner”.


De acordo com Solange Magalhães, investigadora do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF) do DEQ, «já foi possível identificar qual a composição dos principais microplásticos encontrados, sendo que o mais abundante nos efluentes das diferentes indústrias é o polietileno tereftalato (PET), um polímero largamente usado em diferentes indústrias».

Verificou-se ainda que «as propriedades físico-químicas dos microplásticos encontrados indicam que, na sua maioria, estes apresentam carga de superfície negativa, pelo que os biofloculantes que estão as ser desenvolvidos e que foram obtidos a partir de resíduos agroflorestais e de biomassa proveniente de espécies invasoras, promovem uma eficiente floculação e, posterior, remoção dos efluentes», explica a investigadora da FCTUC, acrescentando que a floculação é uma etapa essencial no tratamento tradicional de efluentes, muito utilizada nas ETAR’s.

Dado o elevado consumo de plásticos e o pouco cuidado por parte dos utilizadores em fazer uma correta separação e encaminhamento para reciclagem, a contaminação do meio ambiente por microplásticos tornou-se num problema emergente em todo o mundo. Portanto, para a equipa da FCTUC, «todas as tecnologias que permitam minimizar essa problemática têm elevado interesse a nível ambiental e social. A valorização de um resíduo de biomassa e o desenvolvimento de um produto que previne a contaminação ambiental, evitando o uso de compostos de origem sintética, tem também um alto impacto», conclui.

O projeto “Make water cleaner”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), conta também com a participação de investigadores do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) da Universidade do Algarve, e do Centro de Investigação FSCN da MidSweden Univeristy, na Suécia. Universidade de Coimbra - Portugal




segunda-feira, 20 de março de 2023

Portugal - Cientistas desenvolvem “nanoesponja” para remover pesticidas da água

Uma equipa de investigadores do Centro de Química de Coimbra (CQC) do Departamento de Química (DQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um método eficiente para remover o pesticida imidacloprid da água, utilizando materiais porosos com baixo impacto ambiental baseados em nanoesponja de ciclodextrina.


O imidacloprid é um inseticida neonicotinoide bastante utilizado na agricultura e em veterinária, altamente solúvel em água e persistente no solo, que pode facilmente contaminar o solo e os recursos hídricos próximos das áreas agrícolas alcançando organismos não-alvo, nomeadamente aves, abelhas, minhocas e mamíferos.

Assim, com o objetivo de remover este pesticida de forma eficaz, foi utilizada uma «nova abordagem de síntese e caracterização de novas estruturas moleculares complexas, formadas a partir da agregação de moléculas mais simples, que se unem cooperativamente através de ligações químicas fracas, e que inclui estudos de remoção.  Esta abordagem é conjugada com a modelação e simulação molecular para resolver o problema da contaminação de água por pesticidas», explicam Gianluca Utzeri e Tânia Firmino Cova, investigadores do CQC e coautores do estudo.

No entanto, de acordo com a equipa de cientistas da FCTUC, a novidade do estudo, já publicado no Chemical Engineering Journal, «consiste na via sintética caracterizada por um procedimento mais rápido e limpo assistido por micro-ondas, que envolve o uso de agentes de reticulação de tamanho variável. A combinação de estudos experimentais e computacionais permitiram explicar, ao nível molecular, o papel dos agentes de reticulação na eficiência de remoção de imidacloprid pelas nanoesponjas».

Com esta investigação foi possível mostrar que «o uso de agentes de reticulação com cadeias de carbono lineares (ou cadeias alifáticas) de diferentes tamanhos, não só alteram as caraterísticas dos materiais como também influenciam a eficiência das nanoesponjas. O reticulante com cadeia alifática longa favorece a formação de nanosponjas com maior estabilidade térmica e grau de reticulação. Já o reticulante de cadeia curta favorece a formação de nanosponjas com maior eficiência de remoção com um máximo de 288 mg g-1 para a formulação comercial do pesticida, um valor quatro vezes maior do que o obtido na remoção do imidacloprid puro», descreve a equipa.

Segundo os investigadores, este é um estudo relevante uma vez que possibilitou o desenvolvimento de um método eficiente para remover o imidacloprid da água, «que também pode ser aplicado para capturar outros pesticidas e poluentes orgânicos da água e ainda, contribuir para o controlo da poluição ambiental através de processos de remediação direcionados e controlados». Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 7 de março de 2022

África do Sul - Escuteiros portugueses resgatam réplica do Padrão dos Descobrimentos na cidade de Joanesburgo

Um grupo de escuteiros portugueses em Joanesburgo resgatou um Padrão dos Descobrimentos com 40 anos, abandonado num jardim municipal, devido à elevada insegurança e degradação que afeta o bairro de La Rochelle, mas as autoridades negam ter conhecimento da iniciativa


“Aconteceu porque está abandonado e desprezado, e desde 2012 nós temos estado em conversas com o City Council [Câmara Municipal] para removê-lo, e deram-nos a autorização agora e mudámo-lo”, declarou à Lusa Amândio Cordeiro, presidente do 1º Grupo de Escuteiros de São Jorge.

“O Padrão vai ser renovado, vamos repor as placas e vamos pô-lo lá nas nossas instalações onde está bem guardado”, vincou.

Amândio Cordeiro explicou à Lusa que a estrutura está agora na sede dos escuteiros na coletividade Luso África, em Germiston, a cerca de 20 quilómetros do parque municipal onde foi erguido pela comunidade em 1982.

A mesma fonte referiu que a remoção do monumento histórico, considerado pela imprensa comunitária local como “o símbolo de portugalidade na Cidade do Ouro”, foi autorizada por escrito “há duas semanas” pela autarquia de Joanesburgo, sem avançar mais detalhes.

“Nós falamos com o consulado [Consulado-Geral de Portugal em Joanesburgo] há anos e nada foi feito”, frisou ainda o líder dos escuteiros lusodescendente, acrescentando que “o consulado disse que era melhor removê-lo para lugar mais seguro, mas acabou aí, nada mais foi feito e nada mais foi dito”.

Desde 2012, referiu Amândio Cordeiro, os escuteiros “têm tentado remover o Padrão, obter as autorizações do Governo”, acrescentando: “Falámos com vários clubes, com os líderes lusos, com muita gente, tudo isto começou com o meu antecessor”.

Segundo Amândio Cordeiro, a “única” pessoa que zelava pelo Padrão no parque municipal em La Rochelle “era o senhor Braga, que o colocou, e que já faleceu”.

“Nós falámos com o filho do senhor Braga e ele deu-nos a autorização de removê-lo. O nome dele era Miguel e faleceu há dois anos”, adiantou.

Questionado pela Lusa se a direção do Luso África autorizou receber o monumento histórico no seu recinto, o líder dos escuteiros salientou: “Isso foi pedido, mas a direção não sabe quando é que o padrão foi retirado”.

Todavia, à Lusa, o dirigente associativo do Luso África, Joaquim Melo, escusou-se a comentar a iniciativa dos escuteiros, afirmando: “Para mim também é notícia”.

A cônsul-geral, Graça Fonseca, referiu à Lusa que “o Consulado-Geral em Joanesburgo não deu autorização ao agrupamento de escuteiros 1 São Jorge para remover a dita réplica do Padrão dos Descobrimentos que se encontrava no Parque Portugal, em La Rochelle”, sem avançar detalhes.

Contactada pela Lusa, a Câmara Municipal de Joanesburgo mostrou-se surpreendida com a mudança do Padrão português do parque municipal de La Rochelle.

“É a primeira vez que ouvimos sobre a mudança do monumento”, disse o diretor adjunto do departamento das Artes, Cultura e Património da autarquia sul-africana, Eric Itzkin, em reposta a um pedido de esclarecimento da Lusa.

“Não foi recebido um pedido de realocação do 1º Grupo Escuteiros de São Jorge, e a mudança não foi aprovada ou autorizada pelo nosso departamento”, salientou.

Eric Itzkin, que é o responsável pelo Património Imovível no município de Joanesburgo, a capital económica do país, sublinhou que “também não foi concedida autorização pelo Johannesburg City Parks [entidade responsável pela manutenção dos jardins e parques públicos]”.

Por seu lado, o conselheiro português na área consular de Joanesburgo, Vasco Pinto de Abreu, referiu à Lusa que a iniciativa dos escuteiros reflete a necessidade “urgente” de a comunidade portuguesa salvaguardar a memória coletiva e o seu património na África do Sul. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”  



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Portugal - Equipa da FCTUC desenvolve géis para remoção de hidrocarbonetos de petróleo

Uma equipa do Centro de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu e testou um conjunto de géis com elevada capacidade de remediação de ambientes contaminados com hidrocarbonetos de petróleo.

O projeto, focado no desenvolvimento de uma solução inovadora e de baixo custo para recuperação de ambientes contaminados com compostos (hidrocarbonetos) provenientes do petróleo, foi conduzido pelo investigador Cesar Cavalcante Filho, no âmbito do seu doutoramento em Química, no ramo de especialização em Química Macromolecular e supervisionado pelo professor Artur Valente, do Departamento de Química da FCTUC.

O investigador explica que optou por desenvolver um sistema polimérico constituído por géis porque «são sistemas de baixo custo, baseados em constituintes naturais, entre os quais quitosano (obtido da carapaça de crustáceos) e pectina (obtida da casca de algumas frutas). São géis promissores, desenvolvidos pela primeira vez neste trabalho e preparados através de metodologias simples.»

Sabendo-se que os hidrocarbonetos de petróleo podem ter efeitos adversos na saúde humana e afetam o ecossistema, a equipa de investigação procurou «uma solução inovadora, de baixo custo e alternativa para os métodos atualmente utilizados na recuperação de ambientes contaminados com compostos derivados do petróleo. Pretende-se a remoção eficaz de hidrocarbonetos do ambiente, quando ocorrem derrames de petróleo», conta o investigador.

Os derrames de petróleo podem suceder frequentemente como resultado de erros humanos, atos deliberados, como vandalismo, ou na sequência de desastres naturais, como terramotos ou furacões.

Da bateria de testes realizados em amostras que mimetizam soluções reais baseadas em petróleo, «os resultados obtidos são promissores e indicativos para a aplicação destes géis no meio ambiente. Os géis apresentaram elevada capacidade de remoção dos hidrocarbonetos de petróleo», refere Cesar Cavalcante Filho, sublinhando, no entanto, a necessidade de realizar «mais estudos para que estes materiais possam ser utilizados em condições ambientais complexas.»

«Os resultados alcançados permitem prever as potencialidades dos géis sintetizados em aplicações ambientais reais, mas ainda há muito trabalho a fazer para que um produto com base nesta solução chegue ao mercado», reforça.

Por agora, conclui Cesar Cavalcante Filho, o seu grupo de investigação no Departamento de Química da FCTUC está a estudar o potencial dos géis produzidos neste trabalho «para a remoção de outros poluentes, que não os hidrocarbonetos aromáticos, demonstrando assim outras potenciais aplicações destes materiais.»

A investigação foi financiada pela agência brasileira CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), através do Programa Ciência sem Fronteiras, e pelo Centro de Química da Universidade de Coimbra. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal