Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

África do Sul - Navio negreiro português classificado como património nacional

Classificação coincide com nova exposição sobre o São José Paquete de África, um dos primeiros a fazer a ligação Moçambique-Brasil. Estima-se que 212 escravos tenham morrido neste naufrágio ocorrido a 27 de Dezembro de 1794 nas imediações do Cabo da Boa Esperança



Os destroços do navio negreiro português São José, que naufragou ao largo da Cidade do Cabo em 1794, causando a morte a mais de 200 escravos, foram declarados este mês património nacional da África do Sul. Este sítio arqueológico subaquático, a que correspondem aqueles que serão eventualmente os primeiros vestígios alguma vez encontrados de um navio que se afundou ainda com escravos africanos a bordo, está agora classificado e é motivo de uma nova exposição.

O São José Paquete de África transportava 512 negros acorrentados. Vinha de Lisboa, de onde saiu em Abril de 1794, e passou por Moçambique para carregar escravos. Em Dezembro, encetava uma viagem que se previa que durasse perto de quatro meses, rumo ao Brasil, onde os escravos eram esperados como mão-de-obra forçada nas plantações de cana-de-açúcar. Mas a difícil travessia do Cabo da Boa Esperança revelar-se-ia fatal. Fará precisamente 224 anos esta quinta-feira, 27 de Dezembro, que o navio encontrou um rochedo e se estilhaçou, a cerca de 50 metros da costa, na zona de Clifton, perto da Cidade do Cabo. O comandante, o português Manuel João Perreira (irmão do proprietário do barco, António Perreira), e a tripulação sobreviveram, mas estima-se que 212 pessoas — metade dos escravos — terão morrido afogadas. Os escravos sobreviventes foram depois vendidos na Cidade do Cabo.

Durante mais de dois séculos, o navio esteve submerso. Os caçadores de tesouros que primeiro encontraram os seus destroços, há cerca de 30 anos, identificaram-no inicialmente como um navio holandês, mas em 2015, depois de uma investigação dos arqueólogos do projecto Slave Wrecks Project, concluiu-se que se tratava do navio português São José Paquete de África.

Um dos elementos essenciais para a sua identificação foram as barras de ferro com que o navio saíra de Portugal e que serviam de lastro ou contrapeso, conforme a carga humana variável. A informação constava do manifesto de carga do São José depositado no Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa.

A classificação oficializada no início do mês coincidiu com a inauguração de uma exposição no Museu Iziko, da Cidade do Cabo. Unshackled History: The Wreck of the Slave Ship, São José, 1794 exibe alguns artefactos recuperados do fundo do mar, incluindo, além das referidas barras de ferro, grilhetas e correntes usadas para prender os moçambicanos escravizados, que estavam cobertas por sedimentos e areia.

Se não tivesse naufragado pelo caminho, o São José Paquete de África teria cumprido uma das primeiras viagens de tráfico humano entre Moçambique e o Brasil, rota que se tornaria frequente e estaria activa durante mais de um século. “Estima-se que mais de 400 mil pessoas da costa oriental africana tenham feito essa viagem entre 1800 e 1865. Transportadas em condições desumanas em viagens que demoravam dois a três meses, muitas não sobreviveram à viagem”, recorda o museu sul-africano.

A mostra conta ainda com uma simulação interactiva do local do naufrágio e dos respectivos destroços, uma ferramenta desenvolvida pelo Museu Smithsonian de História e Cultura Afro-Americana, que acolheu já uma exposição sobre o navio português e que está intimamente associada ao projecto – não sem algumas críticas pela sua preponderância sobre a do país africano. De acordo com a South African Broadcasting Corporation, o United States Ambassador’s Fund for Cultural Preservation doou cerca de 420 mil euros para a investigação do Slave Wrecks Project em 2016.

“Portugal foi pioneiro no tráfico transatlântico. Mais de 40% dos escravos foram levados em navios portugueses, um valor superior ao de qualquer outro país – Espanha, Grã-Bretanha, França, Holanda”, lembrava em 2016 ao Público o antropólogo Stephen Lubkemann, coordenador internacional do Slave Wrecks Project.



Um naufrágio coloca sempre algumas questões sobre a titularidade do património – no caso, o navio é português, as vítimas são moçambicanas, os destroços foram encontrados em águas sul-africanas. Esta classificação pela África do Sul visa, independentemente disso, contar a história do São José e das suas vítimas. “Era uma nota de rodapé na História”, comentou à emissora pública sul-africana o arqueólogo marinho Jaco Boshoff, envolvido na coordenação da exposição.

“Dar memória à história do São José num contexto global é um projecto significativo e notável”, destaca em comunicado Rooksana Omar, presidente do Museu Iziko. “É mais do que história africana, americana, moçambicana ou europeia. É uma história sobre as nossas histórias partilhadas.” Joana Cardoso – Portugal in "Público"

sábado, 1 de dezembro de 2018

África do Sul - Alunos universitários veem o português como uma língua de futuro profissional



A língua portuguesa é ensinada nas três mais importantes universidades da África do Sul, estando ainda prevista a introdução do português em outras duas instituições de ensino superior sul-africanas.

Na Universidade de Witwatersrand (Wits) estão atualmente inscritos 46 alunos, entre os quais oito alunos inscritos para o honours em 2019. A Universidade de Pretória teve, no segundo semestre deste ano, 45 alunos inscritos. A Universidade do Cabo teve um total de 78 alunos no ano letivo que agora termina, quatro dos quais concluíram este ano o major em Português. Há ainda seis novos alunos inscritos para 2019. “Tenciona-se introduzir o ensino de português nas Universidades do Free State, de Mpumalanga – em instalação, tendo sido aprovada este ano pelo Ministério do Ensino Superior a Faculdade de Humanidades – e do Kwazulu Natal. A concretizar-se, ficarão cobertas cinco das nove principais províncias da África do Sul”, revela Carlos Gomes da Silva.

Um grupo heterogéneo

No geral, na África do Sul os alunos a nível universitário formam um grupo heterogéneo, mais visível na Universidade de Witwatersrand onde há alunos sul-africanos, lusodescendentes, lusófonos e de outras nacionalidades a estudar a língua portuguesa. “Uma larga maioria dos alunos são sul-africanos que começam a aprender português pela primeira vez na universidade, no entanto, são os alunos lusodescendentes e lusófonos, que chegam ao ensino universitário com conhecimento prévio da língua, que completam o programa de major”, sublinha o coordenador do EPE no país.

Também na Universidade do Cabo o perfil dos alunos é variado. No primeiro ano, muitos escolhem português como disciplina de opção. São, em grande parte, alunos dos cursos de engenharia que pretendem, no futuro, trabalhar em Moçambique. Há ainda um considerável número de alunos que têm pais ou avós portugueses, angolanos ou moçambicanos e outros com motivações diversas, “desde curiosidade, visitas feitas a Moçambique sobretudo, e desejo de conhecer mais a cultura lusófona”, conta Carlos Gomes da Silva.

Já na Universidade de Pretória, de uma forma geral, os alunos aprendem português por razões familiares “ou por verem na língua portuguesa uma forma de maior empregabilidade”, completa.

A Coordenação do EPE na África do Sul tutela ainda o ensino em outros países da região sul do continente africano. A nível universitário, na Universidade da Namíbia a adjunta de coordenação assegurou a continuidade do programa de bolsas para a formação de professores de português e na Universidade do Botsuana os cursos de português para adultos chegam atualmente a 70 alunos. Neste país, a docente colabora ainda com o Secretariado da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), onde leciona um curso de língua para os funcionários daquela organização internacional.

Na Universidade da Suazilândia, a leitora está a preparar os programas e currículo para serem incluídos na licenciatura com a variante de Português (‘Portuguese Bachelor Education Programme’) e colabora ainda com o National Curriculum Centre (NCC), no desenvolvimento dos currículos de português para o ensino básico e secundário. E na Universidade do Zimbabué – onde há um leitor moçambicano ao abrigo de um protocolo de cooperação do Camões, I.P. com as universidades Eduardo Mondlane e do Zimbabué – o programa de português inclui cursos livres, major e honours, frequentados por 51 alunos.

Novidades em 2019

Para o próximo ano letivo, que começa no início de 2019, há várias novidades. Na Universidade de Witwatersrand vai começar a pós-graduação em Estudos Portugueses, que inclui uma componente de ensino de português como língua estrangeira, e está também pré-aprovado o mestrado para o ano de 2020, revela Carlos Gomes da Silva. Na Universidade da Namíbia, a licenciatura em ‘Estudos Portugueses’ foi renovada, “garantindo-se também a continuidade do estudo de português como opção na maior parte das licenciaturas da faculdade”.

Na Universidade do Botsuana o currículo da licenciatura em ‘Português e Estudos Lusófonos’ e respetivos programas foram revistos pela atual docente. Foi submetida para a aprovação do Senado “e esperamos que os primeiros cursos sejam lançados no próximo ano-letivo”, informa ainda.

Outra aposta do Camões, I.P. é o estabelecimento de protocolos entre universidades portuguesas e sul-africanas. A Universidade de Pretória tem já protocolos de cooperação com universidades portuguesas, de que é exemplo a Universidade do Porto, bem como com a Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique. Há neste momento um processo de negociações para a concretização destes protocolos, “que poderão passar por investigação conjunta e/ou intercâmbio de alunos e professores”, explica o coordenador do EPE.

Já este mês, na sequência da visita da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Teresa Ribeiro, e do Presidente do Camões, I.P., Luís Faro Ramos, à África do Sul, vão ser iniciados contatos entre a Universidade de Witwatersrand e algumas instituições universitárias portuguesas, intermediados pelo Camões, I.P., para o estabelecimento de protocolos de cooperação que têm por objetivo o intercâmbios entre estudantes e docentes dos dois países.

Cursos b-learning: uma aposta a manter

A Coordenação do EPE tem apostado ainda nos cursos b-learning, modalidade de ensino que combina a formação à distância e a formação presencial, e é reconhecida como projeto-piloto para as restantes línguas não oficiais na Universidade de Witwatersrand.

Os programas b-learning permitem “racionalizar os recursos e custos”, sublinha o coordenador, sendo desenvolvidos em vários cursos dos programas de português, nomeadamente língua, cultura, literatura e cinema dos países de língua portuguesa, nas plataformas das instituições universitárias.

Carlos Gomes da Silva refere que a Universidade de Witwatersrand tem atualmente o programa curricular de português mais completo, “oferecendo desde janeiro de 2017 todos os cursos de língua, cultura e literatura dos países de língua portuguesa em modelo b-learning – 50% presencial, 50% online”. A modalidade é desenvolvida pela leitora e um docente do ensino secundário da rede EPE, em estreita colaboração com a Coordenação de Ensino, o que permite oferecer todos os cursos do programa de major e honours.

“Na discussão desta modalidade, garantimos que as componentes dos cursos online poderiam ser partilhadas pelas restantes universidades anglófonas da sub-região. As Universidades de Pretória, do Cabo, do Botsuana e do Zimbabué foram abordadas durante a segunda metade de 2016, tendo todas, manifestado interesse pela adoção do b-learning”, sublinha o responsável.
Cabe aos leitores e docentes das várias universidades, monitorizarem as componentes online, num processo que, segundo Carlos Gomes da Silva, representa uma redução de mais de 40% da carga horária de cada um deles, “tornando o processo de ensino e de aprendizagem mais económico e interativo”. Ana Grácio – Portugal in “Mundo Português”

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Moçambique - Cabo Delgado tenta captar investimento sul-africano

As autoridades provinciais estão a tentar captar investimento sul-africano para Cabo Delgado, destacando as oportunidades ligadas aos investimentos em gás natural, anunciaram num encontro com empresários.

"Esperamos que este encontro promova oportunidades e estreite relações e conhecimento acerca dos negócios locais", destacou António Mapure, dirigente provincial de Cabo Delgado, citado hoje pelo departamento governamental de Indústria e Comércio da África do Sul, após receber investidores na região.

"A missão empresarial chegou numa altura importante", em que a província do norte do país já é palco de obras das infraestruturas de processamento de gás, referiu – áreas que deverão entrar em funcionamento dentro de quatro a cinco anos. A África do Sul "sempre foi um parceiro privilegiado de Moçambique. A sua participação no sector agrícola é muito activa, o que é motivo de interesse nesta província", acrescentou, além do sector do gás.

A missão sul-africana, que está a visitar Moçambique durante uma semana e que vai seguir para sul, em direcção a Maputo, é acompanhada pelo alto-comissário no país lusófono, Mandisi Mpahlwa, que garantiu que os empresários "estão atentos", ao mesmo tempo que "todo o mundo" olha para Cabo Delgado.

"Achamos que podemos contribuir com produtos e serviço de qualidade" para "construir o futuro", sublinhou. A par dos investimentos em gás e da atenção de empresários, Cabo Delgado está desde há um ano a sofrer com uma onda de violência que atinge locais remotos. Desde há um ano, segundo números oficiais, já terão morrido cerca de 100 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança. A violência ganhou visibilidade após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia, em Outubro de 2017, em que dois agentes foram abatidos por um grupo com origem numa mesquita local que pregava a insurgência contra o Estado e cujos hábitos motivavam atritos com os residentes, pelo menos, desde há dois anos. Depois de Mocímboa da Praia, os ataques têm ocorrido sempre longe do asfalto e fora da zona de implantação da fábrica e outras infraestruturas das empresas petrolíferas que vão explorar gás natural, na península de Afungi, distrito de Palma. In “Olá Moçambique” - Moçambique

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

África do Sul - Será primeiro país não europeu com ensino complementar de língua portuguesa

A África do Sul será no próximo ano o primeiro país fora da Europa a implementar a modalidade de ensino complementar de língua portuguesa



“Ficou assente com a coordenação do ensino da língua portuguesa o objetivo de lançarmos no decurso de 2019 os projetos de ensino de língua portuguesa enquanto ensino complementar, ou seja, mantendo o ensino integrado e, para aqueles que o quiserem, a oferta de ensino paralelo, mas lançando uma nova modalidade que já foi também desenvolvida no Luxemburgo e que terá na África do Sul o primeiro exemplo fora da Europa de modalidade de ensino complementar", afirmou José Luís Carneiro.

Em declarações à agência Lusa, no final de uma visita de quatro dias à África do Sul e eSwathini (antiga Swazilândia), José Luís Carneiro esclareceu que Portugal passa, assim, a disponibilizar três modalidades de ensino e de promoção do ensino da língua portuguesa neste país africano, antiga colónia britânica.

O governante português sublinhou que a medida é um dos "quatro importantes objetivos alcançados" na sua terceira visita à África do Sul.

"Quanto à África do Sul, eu destacaria a continuidade do reforço e dignificação dos serviços consulares, por intermédio da inauguração das novas instalações da secção consular na embaixada em Pretória, no seguimento dos investimentos realizados no Consulado-Geral de Joanesburgo", afirmou.

José Luís Carneiro referiu depois a homenagem e o reconhecimento realizado às Academias do Bacalhau, enquanto movimento de solidariedade internacional, por ocasião do seu 47.º Congresso Mundial que juntou em Joanesburgo, capital das tertúlias, dirigentes do movimento de todo o mundo.

Nesta ocasião, o secretário de Estado português homenageou com a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, no grau ouro, o presidente da Academia, José Contente, "um dos líderes mais carismáticos deste movimento".

Na deslocação à África do Sul, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas destacou ainda os encontros que manteve com empresários no âmbito da South African Portuguese Chamber of Commerce e dos investidores portugueses na África do Sul, "quer também hoje com um grupo cada vez mais vasto de portugueses que, sendo investidores na África do Sul, investem em Portugal".

"E pude encontrar dois fluxos, quer um fluxo de reforço dos investimentos que estão a ser realizados, quer na modernização de infraestruturas empresariais, quer na criação de novas infraestruturas empresariais na África do Sul, quer também na aposta que hoje existe por parte de muitos desses empresários em Portugal", precisou.

Nos contactos que manteve com dirigentes associativos de Joanesburgo e Pretória, o governante adiantou que lhes lançou o desafio de lançar na África do Sul "um contrato coletivo de apoio ao desenvolvimento comunitário nas múltiplas dimensões da sua intervenção".

Segundo José Luís Carneiro, este "movimento agregador" visa desenvolver projetos associativos nas áreas humanitária, desportiva, social, cultural, promoção da língua portuguesa e de apoio aos empreendedores portugueses da diáspora com investimentos na África do Sul.

Sobre a visita ao reino de eSwathini (antiga Swazilândia), o secretário de Estado disse que no encontro com mais de uma centena de portugueses - a maioria com origens na região Norte e Centro de Portugal, sentiu "uma comunidade muito bem enraizada, com vontade de ali permanecer", tendo assumido o compromisso de relançar o ensino da língua portuguesa "na medida em que há cerca de 500 alunos como vontade de se inscreverem". In “Diário de Notícias” - Portugal

domingo, 30 de setembro de 2018

África do Sul - Universidade de Witwatersrand terá pós-graduação em Estudos Portugueses em 2019

No próximo ano letivo, o Departamento de Português da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, vai iniciar um programa de Pós-graduação em Estudos Portugueses, informa o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.).

“No seguimento da aprovação pelo Senado da universidade, o Departamento de Português estreará os estudos pós-graduados com um programa moderno, integrado e adaptado à política educativa sul-africana, utilizando o sistema de ensino Blended-Learning”, lê-se na nota divulgada pelo Camões, I.P..

O currículo contempla os módulos Métodos de Investigação, Língua Portuguesa Aplicada, Literatura Lusófona Africana, Seleção de temas em Língua e Literatura Portuguesas, Introdução ao Ensino de Línguas Estrangeiras: metodologia e prática e Projeto de Investigação.

“Esta oferta de estudos avançados na área do Português surgiu no sentido de consubstanciar os novos programas da licenciatura implementados em 2017 e, simultaneamente, desenvolver projetos de investigação em Língua, Cultura e Literatura portuguesas”, refere ainda o Camões, I.P., revelando que a procura tem sido “significativa”, havendo a registar a pré-inscrição de diversos alunos. In “Mundo Português” - Portugal

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Moçambique - CFM voltam a transportar carvão da África do Sul

Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) vão voltar a transportar carvão da África do Sul para o porto da Matola, após uma interrupção de 20 anos, disse hoje à “Lusa” fonte da empresa

Com este regresso, a empresa pública prevê que o número de comboios que transportam carvão para os portos de Maputo e Matola passe de quatro para sete por dia, o que representará o transporte de cerca 21 mil toneladas por dia na linha de Ressano Garcia, que liga Moçambique e África do Sul.

Para garantir que a linha, de 88 quilómetros, suporte estas operações, está em curso um plano de reabilitação. Além da reconstrução de duas pontes, a empresa prevê a substituição de travessas numa extensão de 24 quilómetros.

A previsão da empresa é de que os comboios dos CFM transportem anualmente cerca de sete milhões de toneladas na linha de Ressano Garcia, aumentando a captação de receitas.

O transporte de carvão da África do Sul para o porto da Matola usando locomotivas dos CFM foi interrompido em 1998 devido à falta de meios da empresa moçambicana, explicou Adélio Dias, porta-voz dos CFM.

As operações ficaram entregues, nestas duas décadas, à operadora sul-africana Transnet Freight Rail (TFR). In “Transportes & Negócios” - Portugal

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Internacional – SADC vai organizar Conferência de Solidariedade com o Sahara Ocidental

A XXXVII Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) aprovou uma moção em que pede a convocação de uma Conferência de Solidariedade da SADC com o Sahara Ocidental.

A cimeira que encerrou os seus trabalhos no passado dia 20 de Agosto em Pretoria, República da África do Sul, expressou a sua preocupação pelo facto do colonialismo no continente não ter ainda sido erradicado.

Segundo o comunicado final publicado após o termo da cimeira, os resultados serão comunicados à Comissão da União Africana.

A XXXVII Cimeira Ordinária da SADC advogou a promoção da industrialização e de construção de infraestruturas na África Austral.

A SADC, fundada em 1980, é um grupo regional integrado por 15 Países: Angola, Botsuana, Lesoto, Madagáscar, Maláui, Maurício, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué, África do Sul, República Democrática do Congo e Ilhas Seychelles. In “Sahara Ocidental Informação”

domingo, 2 de abril de 2017

Manhã de Carnaval














Vamos aprender português, cantando


Manhã tão bonita manhã
de um dia feliz que chegou
um sonho seu surgiu
e em cada cor brilhou

Por todo sonho então
ao coração

Depois deste dia feliz
não sei se outro dia haverá
é nossa manhã tão bela afinal
manhã de carnaval

Manhã tão bonita manhã
não sei se outro dia haverá
é nossa manhã tão bela afinal
manhã de carnaval

Canta o meu coração
a alegria voltou
tão feliz
a manhã desse amor

Miriam Makeba – África do Sul


Música e Letra - Luís Bonfá e Antônio Maria

sexta-feira, 15 de abril de 2016

África do Sul - Apoio à criança contribui para reduzir a pobreza

Na África do Sul, 11,7 milhões de crianças pobres beneficiam de prestações sociais que têm um impacto positivo nas suas vidas diárias


GENEBRA - Cerca de 69 por cento das 23 milhões de crianças sul-africanas vivem na pobreza. Prestar apoio às famílias mais pobres foi identificado como uma prioridade pelas autoridades.


O apoio de abono de família é um dos benefícios da protecção social para as crianças que disseminou-se significativamente ao longo das últimas décadas. Quando foi introduzido em 1998 o abono de família cobria 10% das crianças pobres, em 2015 atingiu os 85% (11,7 milhões). Este crescimento é o resultado de um aumento no número de crianças elegíveis para o subsídio através de campanhas de sensibilização eficazes.

O abono de família proporciona uma contribuição financeira de 330 rands mensais para as crianças pobres (US $27) até aos 18 anos de idade. Em suplemento, é acompanhado por outros serviços similares como o subsídio de assistência social, bem como a educação gratuita, alimentação escolar e serviços de saúde acessíveis.

Elizabeth Mkase cuida do seu neto numa favela na África do Sul. "Eu nem me lembro há quantos anos atrás, o meu neto vive comigo desde a morte dos seus pais. A vida era difícil porque eu não tinha trabalho. Estou grata pela ajuda que recebo através do subsídio, caso contrário, eu não sei como poderíamos sobreviver, "afirmou.

Na África do Sul, onde o desemprego é alto e a pobreza ainda é generalizada, o subsídio é usado principalmente para comprar comida. Isto tem um impacto positivo na saúde e na nutrição das crianças. Uma nota oficial publicada no início deste ano cita um estudo mostrando que as crianças que beneficiam do subsídio são em média 3,5 centímetros maiores do que as outras crianças.

Superando a linha de pobreza

"A concessão de apoio à criança tem ajudado as crianças a sair da pobreza," disse Frank Earl, Director Geral da Administração do Subsídio no Organismo da Segurança Social da África do Sul (SASSA), que também observou os progressos registados nos termos de cuidados médicos e educação básica gratuita.

Parte do sucesso deve-se à criação da SASSA, que fez a distribuição de subsídios sociais com transparência e independente das considerações políticas. Um programa de sensibilização específico ajuda as pessoas que vivem em áreas remotas a registarem-se para evitar ser excluídas dos benefícios da protecção social.

Utilizar as tecnologias modernas

O sofisticado sistema de registo electrónico requer que as crianças e as pessoas responsáveis ​​pelos seus cuidados enviem os seus dados biométricos, incluindo fotografias, impressões digitais e gravação de voz. Esta informação, juntamente com o número de identificação do beneficiário, é armazenada num chip electrónico, que é o único instrumento utilizado para os identificar.

Com um olhar para o futuro, a África do Sul está planeando expandir o acesso às prestações sociais, como o subsídio de apoio à criança.

"Actualmente, o subsídio é atribuído com base no rendimento. No entanto, pensamos alargá-lo a todas as crianças, mesmo aquelas com mais de 18 anos, porque consideramos ser útil continuar a apoiá-los para que possam completar a sua educação e formação, "declarou Brenton van Wrede, Director de Assistência Social do Departamento de Desenvolvimento Social. "Na verdade, uma força de trabalho bem formada contribuirá para reduzir o desemprego e construir uma sociedade mais produtiva, " acrescentou.

Uma forte vontade política

"O exemplo da África do Sul mostra que a extensão da protecção social às crianças é viável e acessível em países de rendimento médio, especialmente porque o país manifestou uma forte vontade política de aumentar a despesa pública com a protecção social, "explicou Valérie Schmitt, chefe de serviço de política social, governança e normas do Departamento da Protecção Social da OIT. "O apoio financeiro para as crianças, bem como serviços de educação gratuita e da alimentação escolar e da saúde a preços acessíveis contribuem para a redução da pobreza e da vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, garantem às crianças acesso à nutrição, educação e cuidados de saúde," afirmou.

Hoje, a África do Sul redistribui cerca de 3,5% do seu PIB, através de programas de assistência social.

Construir pisos de segurança social

Os pisos de protecção social nacional (PPP) garantirão o acesso aos cuidados essenciais de saúde e a uma segurança de rendimento básico para as crianças, para as pessoas em idade activa e para os idosos.

Aprovada por 185 países, a Recomendação sobre os Pisos de Protecção Social, 2012 (n. 202)O Departamento de Protecção social da OIT publica uma série de notas por país apresentando experiências inovadoras de todas as regiões do mundo com vista à extensão da protecção social. Organização Internacional do Trabalho

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Fernando Pessoa, empregado de escritório

Para aqueles que hoje medem a importância de um homem pelo saldo de sua conta bancária, decididamente, Fernando Pessoa não teria sido alguém que pudesse dar lições de empreendedorismo

Em janeiro de 1926, aos 38 anos de idade, com alguma experiência no campo econômico e comercial, o poeta Fernando Pessoa (1888-1935) entendeu que tinha conhecimentos suficientes para editar uma publicação mensal ligada a esses dois setores, a “Revista de Comércio e Contabilidade”, que fundou em Lisboa em parceria com seu cunhado Francisco Caetano Dias. Mas, olhando sem “parti pris”, o currículo que o poeta carregava era a de empreendedor desastrado e de empregado de escritório, um guarda-livros, tal como o seu heterônimo Bernardo Soares, que, se experiência tinha, seria só para ensinar a arte do trabalho contábil. Na verdade, Pessoa ganhava a vida mais como tradutor de inglês para o português, o que lhe permitia desempenhar a atividade para várias casas comerciais, aproveitando-se da larga dependência de Portugal em relação a Inglaterra.

Como empreendedor, de fato, nunca teve êxito: a própria publicação dedicada ao comércio e à contabilidade teria vida efêmera, apenas seis números, assim como a editora e tipografia Íbis, que, instalada em 1907 no bairro da Glória, mal chegou a funcionar. Em 1921, fundou a Editora Olisipo, de ruinosa carreira comercial. Nela publicou os seus “English Poems I e II” e “English Poems III”, e “A Invenção do Dia Claro”, de Almada Negreiros (1893-1970). Em 1923, a Olisipo lançou o folheto “Sodoma Divinizada”, de Raul Leal (1886-1964), que foi alvo de um ataque moralizador da Liga dos Estudantes de Lisboa e apreendido por ordem do governo, junto com as “Canções”, de António Botto (1897-1959).

Pela Olisipo, Pessoa pretendia lançar uma série de livros importantes — a maioria traduzida (ou com tradução prevista) por ele mesmo, talvez para evitar maiores custos. Na acanhada Lisboa de sua época, com meia dúzia de livrarias e editoras, esse também não seria um ramo muito promissor para quem não dispunha de maiores recursos para empreendimentos mais ousados num mercado restrito. E já ocupado por algumas casas tradicionais, que se acotovelavam no Chiado e na Baixa.

Levando em conta, porém, a boa formação que Pessoa recebera na África do Sul, de 1896 a 1905, seria de esperar que tivesse tido uma carreira profissional de maior sucesso — “a vida que podia ter sido, e que não foi”, como diria o poeta Manuel Bandeira (1886-1968) —, e não a obscura vida de empregado de escritório, o que lhe permitiu apenas viver em quartinhos em casas de familiares ou alugados na rua da Glória, no largo do Carmo, nas ruas Passos Manuel, Pascoal de Melo, D. Estefania e Almirante Barroso, entre outros locais, até que se transferiu de vez para a casa da família na rua Coelho da Rocha, 16, onde viveu os últimos 15 anos de sua vida  e hoje está a fundação que leva o seu nome.

Para aqueles que hoje medem a importância de um homem pelo saldo de sua conta bancária, decididamente, Fernando Pessoa não teria sido alguém que pudesse dar lições de empreendedorismo ou organização comercial. Nem mesmo ânimo — ou, quem sabe, maiores recursos financeiros — teve para estudar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, quando retornou de sua temporada africana, como pretendia. Talvez tivesse tido uma boa carreira como professor, se houvesse primeiro superado a timidez, o que nunca fez.

Ao passar os anos de sua formação em Durban, na África do Sul, à época colônia britânica, em companhia da mãe e do padrasto, o jovem Pessoa teve a oportunidade de estudar na Convent School, uma escola privada (liceu) e, depois, na Commercial Schoool, de 1902 a 1903, e na Durban High School, sob a orientação de Mr. W.H. Nicholas, homem de personalidade notável que, possivelmente, serviu de modelo para o seu heterônimo Ricardo Reis.

Na Durban High School, fez um curso de contabilidade e comércio, depois de ter sido um aluno brilhante no liceu nas disciplinas de Humanidades, como se pode constatar no livro “Fernando Pessoa na África do Sul: a Formação Inglesa de Fernando Pessoa”, de Alexandre E. Severino (Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1983). Se a sua educação havia sido essencialmente humanista até àquela altura, o que o teria levado à mudança tão brusca? Provavelmente, porque sua família entendia que um curso comercial lhe daria conhecimentos mais práticos para ganhar a vida. Até porque na colônia britânica não havia, àquela altura, escolas superiores, o que se deu só a partir de 1918. Se quisesse (e pudesse), teria de fazer o curso superior em Londres.

Fosse como fosse, foi em seu arsenal de conhecimentos comerciais que Fernando Pessoa se baseou quando decidiu escrever textos para a “Revista de Comércio e Contabilidade”. São textos um tanto ingênuos, do ponto de vista comercial, que incluem uma visão do mundo da publicidade, mas que trazem a marca inconfundível do literato que os produziu. Tanto que levou o ficcionista, poeta e jornalista português António Mega Ferreira, ex-editor do “Jornal de Letras”, a recolhê-los em “Fernando Pessoa. O Comércio e a Publicidade” (Lisboa, Cinevoz/Lusomedia, 1986).

São estes textos que agora ganham versão em italiano em “Fernando Pessoa: Economia & Commercio: Impresa, Monopólio, Libertà” (Perugia, Edizioni dell´Urogallo, 2011), traduzidos pelo professor Brunello De Cusatis, da Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Perugia,  autor de uma esclarecedora introdução. O volume inclui ainda o iluminado ensaio-posfácio “O Evolucionismo Comercial de Fernando Pessoa”, do poeta, tradutor e ensaísta Alfredo Margarido (1928-2010), recentemente falecido, a cuja memória o livro é dedicado.

Tudo o que se disse linhas acima se pode constatar neste trecho: “Um comerciante, qualquer que seja, não é mais do que um servidor do público, ou de um público; e recebe uma paga, a que chama o seu “lucro”, pela prestação desse serviço. Ora toda gente que serve deve, parece-nos, buscar a agradar a quem serve. Para isso é preciso estudar a quem se serve (...); partindo não do princípio de que os outros pensam como nós, ou devem pensar como nós (...), mas do princípio de que, se queremos servir os outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como eles” (FERREIRA, 1986, p. 46).

Pode-se a partir deste texto concluir que Pessoa pensava um pouco longe para o seu tempo. Afinal, naqueles anos em que a publicidade ainda começava a se impor, poucos fabricantes levavam em conta pesquisa de mercado antes de lançar qualquer produto. Funcionavam como senhores todo-poderosos que seguiam só a própria intuição e gosto - o público que tratasse de consumir o que ofereciam. Até porque a concorrência era mínima. E Pessoa já advogava que se devia consultar o gosto do consumidor antes de colocar qualquer novidade no mercado. Era um pensamento revolucionário.

Foi a partir de 1925 que Pessoa passou a trabalhar também na área de publicidade e propaganda, ao conhecer Manuel Martins da Hora, que seria o fundador da Empresa Nacional de Publicidade, a primeira agência de publicidade de Portugal. Mas a experiência não foi bem sucedida, como lembra De Cusatis na introdução. Foi por volta de 1926-1927 que o poeta imaginou um slogan para a Coca-Cola, que então estava sendo lançada em Portugal, representada pela firma Moitinho d´Almeida Lda., empresa para a qual o poeta prestou serviços como profissional autônomo.

O slogan dizia: “Primeiro estranha-se. Depois entranha-se”. Há um jogo de palavras que se pode chamar de inventivo ou genial, mas, por trás, havia certa sugestão que hoje nem mesmo um publicitário muito ousado seria capaz de formular, ainda mais pensando nas conveniências de seu cliente. Em outras palavras: o que se queria dizer com aquilo é que, primeiro, a bebida teria um gosto um tanto estranho para a época, mas que, depois, com a continuidade, poderia oferecer certo êxtase, obviamente em função de sua toxicidade.

O resultado foi óbvio: não durou muito para que a autoridade sanitária de Lisboa proibisse a distribuição do produto e determinasse o seu sequestro. Convenhamos: do ponto de vista comercial, foi um desastre. A tal ponto aquilo ficou marcado que a Coca-Cola só haveria de voltar ao mercado português quase meio século depois, ao final da ditadura fascista (1928-1974), cujo grande ícone foi o professor António de Oliveira Salazar (1889-1970). Olhando com olhos comerciais, o slogan só poderia ter saído da cabeça de um inconsequente. Só mesmo um nefelibata seria capaz de imaginar que aquilo não poderia trazer consequências funestas para seu cliente, ainda mais na sociedade portuguesa de então em que as forças do fascismo começavam a cobrir a nação com suas asas funéreas. Isso não significa dizer que o slogan não tenha qualidades.

Pelo contrário. Preenche todos os requisitos modernos que se exigem de um bom slogan publicitário. Tanto que, recentemente, em Portugal, por ocasião do lançamento do “Frize”, uma água limão-cola, o slogan foi recriado para: “Primeiro prova-se; depois aprova-se”, como observou Andréia Galhardo, da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa (UFP), do Porto, no artigo “Sobre as práticas e reflexões publicitárias de Fernando Pessoa” (http://bit.ly/hStOCn).

É claro que, ao que se saiba, até hoje, ninguém escreveu isto com todas as letras, até porque Pessoa foi canonizado e entronizado no altar dos pais da pátria portuguesa, ainda que, em vida, nunca ninguém lhe tenha dado muita importância. Até para publicar seus versos sempre encontrou dificuldades, o que o levou a acumular seus escritos numa arca, que foi o inestimável espólio que legou à Literatura Portuguesa.

Mas, seja como for, Pessoa não pode ser tomado como gênio das finanças ou da publicidade — até porque, nestes dois campos de negócios, a genialidade está diretamente ligada à capacidade de fazer os clientes obterem lucros e, obviamente, também lucrar muito com eles. Nem por isso se pode deixar de reconhecer em Pessoa, depois da leitura destes textos didáticos, um funcionário de boa formação comercial e econômica, mas daí a imaginá-lo um mago das finanças ou do mercado é ir além da conta.

Não se pode deixar de assinalar também que Pessoa sempre foi um antidemocrata pagão, antiliberal e anticatólico, mais propenso a aceitar as ideias da maçonaria, o que fez no artigo “As Associações Secretas: análise serena e minuciosa a um projeto de lei apresentado ao Parlamento”, publicado em 1935 no “Diário de Lisboa”, e de certo esoterismo, características que De Cusatis ressaltou com sagacidade em “Esoterismo, Mitogenia e Realismo Político em Fernando Pessoa. Uma Visão de Conjunto” (Porto, Edições Caixotim, 2005).

Era um homem um tanto contraditório, uma alma angustiada, o que, provavelmente, o levou à dependência alcoólica. Mas era, sobretudo, um excepcional poeta. Educado em escolas que seguiam as mais puras tradições britânicas, se tivesse ido para Londres, em 1905, em vez de Lisboa, como era de sua pretensão, para tornar-se um poeta inglês, é de imaginar que teria tido melhor sorte na vida, mas aqui de novo adentramos o perigoso terreno do imponderável: “a vida que podia ter sido, e que não foi...” Adelto Gonçalves – Brasil in “Jornal Opção”



Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

sábado, 5 de setembro de 2015

África do Sul – Desigualdade social

Estátuas de Bartolomeu Dias e Vasco da Gama em risco de serem demolidas na África do Sul

A euforia de milhares de estudantes perante a remoção da estátua do colonizador Cecil Rhodes foi o culminar dos protestos contra o racismo institucional, mas para o movimento “Rhodes must fall”, este é só o início. Duas décadas após o fim do ’apartheid’ na África do Sul, ainda estão por sarar as feridas abertas por séculos de colonialismo. As estátuas de Bartolomeu Dias e Vasco da Gama também podem vir a ser demolidas.

A juventude sul-africana de amanhã dirá que foi 2015, e não 1994, o ano em que a mudança realmente começou”, diz um estudante, momentos antes de a estátua do colonizador Cecil Rhodes ser removida da Universidade da Cidade do Cabo (UCT), perante a euforia de milhares de alunos.

“O que queremos é a descolonização da mente, a descolonização das instituições”, afirma Masixole Mlandu, do movimento Rhodes Must Fall (“Rhodes tem de cair”). Muitos vêem nesse dia, a 9 de Abril, o desfecho vitorioso de um mês de protestos, que começou quando um estudante atirou um balde de fezes contra o monumento. Os estudantes ocuparam um edifício da universidade, acusando a instituição de contribuir para a perpetuação duma narrativa de supremacia do homem branco, e por todo o país símbolos do colonialismo foram atacados com tinta.

Vasco da Gama
Pelo Cabo há também estátuas de Vasco da Gama e Bartolomeu Dias, a lembrar que os portugueses foram os primeiros europeus a dobrar o Cabo da Boa Esperança e a pisar estas terras. E foram os portugueses quem deu o tiro de partida para o genocídio das tribos San e KhoiKhoi, que habitavam a região há milénios.

Há quem acuse os jovens de desrespeitar a história do país, fomentar um nacionalismo negro e passar ao lado dos verdadeiros problemas actuais, como a corrupção. Mas o que parece certo é que as feridas abertas pelo colonialismo europeu estão longe de saradas.

“As estátuas são só uma metáfora. Representam o sofrimento negro, a nossa derrota enquanto negros neste mundo. Crescemos com a inferioridade gravada no corpo, privados da nossa própria terra, desconectados de nós mesmos. Os negros continuam a viver com a violência todos os dias, em todos os lados. Escravidão, supremacia branca, capitalismo – é esse o verdadeiro legado de Rhodes”, desabafa Masixole, que todos os dias passava pela figura de bronze a caminho do curso de Ciências Políticas e Sociologia – até agora.

Bartolomeu Dias
O magnata inglês Cecil Rhodes foi primeiro-ministro da colónia do Cabo em 1890. Apologista da supremacia racial britânica, construiu uma das maiores fortunas da época através da apropriação da terra dos povos africanos e da exploração de trabalhadores negros nas minas de diamantes. Foi da sua fortuna que surgiu a UCT.

A mais antiga universidade do país, e das mais importantes de África, localiza-se hoje meio caminho entre miseráveis ’townships’ (guetos reservados para não-brancos até ao fim do apartheid, onde continua a viver grande parte da população negra e pobre) e alguns dos mais luxuosos bairros do continente. No seu corpo académico, apenas 3% são sul-africanos negros. Pelo país fora, de resto, a riqueza continua a ser largamente ditada pela cor da pele: a população branca perfaz menos de 10%, mas detém metade das receitas nacionais e 70% das terras.

Uma semana depois de Rhodes ter caído, uma tragédia substituía a polémica das estátuas no topo dos noticiários. Cinco pessoas da Etiópia, Zimbabué e Moçambique morriam vítimas de uma nova onda de ataques xenófobos em Durban e Joanesburgo, e mais de mil fugiam das suas casas. Eventos que, duas décadas depois do fim do apartheid, trazem à luz do dia a realidade de miséria, violência e escassez de emprego nas zonas mais pobres.

As homenagens a Nelson Mandela no fim de 2013 poderão bem ter sido as últimas celebrações em torno da ideia da “nação arco-íris”. A reconstrução da África do Sul assentou na narrativa de paz e reconciliação, mas poucos pediram perdão e poucos foram presos pelos crimes do apartheid. Para os estudantes, trata-se de uma mitologia que permitiu a quem estava no poder manter os seus privilégios. E que está a “sufocar o país”.

“Só nos preocupámos com a retórica da nação arco-íris e em cantar ‘kumbaya’, enquanto a nossa economia continua a reflectir as mesmas disparidades sócio-económicas da era do apartheid”, denuncia Ramabina Mahapa, presidente do conselho de estudantes da UCT. “A democracia garantiu uns poucos lugares negros à mesa dos senhores, o resto continua a lutar pelas migalhas que caem da mesa”.

Apesar das leis anti-discriminação e dos programas de assistência social do governo ANC, o número de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza duplicou e o fosso entre ricos e pobres não parou de aumentar, fazendo do país um dos mais desiguais do planeta. Em 2012, as imagens da polícia sul-africana a assassinar 36 mineiros, em greve contra os salários miseráveis, chocavam o mundo. Nesse mesmo ano, a multinacional mineira De Beers, fundada por Rhodes, facturava seis mil milhões de dólares.

“Substituiu-se uma forma de opressão por outra. Quando dizemos ’Rhodes tem de cair’, queremos dizer que a supremacia branca, o capitalismo, o patriarcado e toda a opressão sistemática baseada em relações de poder têm de cair. Atacando os seus símbolos, estamos a lançar uma verdadeira conversa sobre nós mesmos, a transformar as nossas escolas, a sociedade e o mundo”, diz Masixole.

“E ainda dizem que é só pelas estátuas!”, ironizam os estudantes, para quem este é apenas o início. Da luta de libertação de Moçambique vem um dos slogans mais usados pelo movimento. Em português: “A luta continua.“ Francisco Pedro – África do Sul in “Contacto” - Luxemburgo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nelson Mandela





Nelson Rolihlahla Mandela (Mvezo, 18 de Julho de 1918 – Johannesburg, 05 de Dezembro de 2013)

Escultura de Marco Cianfanelli – Johannesburg – África do Sul

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Zuma

A Dra. Nkosazana Dlamini-Zuma, a primeira mulher a chefiar a Comissão da União Africana, instou durante a 102ª Conferência Internacional do Trabalho realizada em Genebra na Suíça, os Estados africanos e os parceiros internacionais a investirem mais em África, a fim de promoverem a criação de empregos no continente.




Conforme informação veiculada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Presidente da Comissão da União Africana, a Dra. Nkosazana Dlamini-Zuma, pediu mais investimentos para promover a criação de emprego, alcançar um crescimento inclusivo e erradicar a pobreza num continente que nos próximos cinquenta anos terá mil e cem milhões de trabalhadores, mais de um terço da força de trabalho global. A senhora Zuma afirmou: “Estamos determinados a intensificar os nossos esforços para promover a criação de emprego, trabalho para a erradicação da pobreza, atingir o crescimento e permitir a distribuição equitativa, particularmente para as mulheres e os jovens.” Há desafios significativos pela frente e a senhora Zuma continuou: “Por todas as estimativas, o nosso continente africano é dos jovens e está a ficar cada vez mais jovem. Estima-se que em 2025 a juventude africana será um quarto da população mundial. Em 2040 metade da população jovem no mundo será africana, a maioria mulheres e raparigas. Significa que nos próximos cinquenta anos, cerca de mil e cem milhões de trabalhadores estarão em África.”

O Director Geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder afirmou que a Organização que dirige está empenhada em continuar a trabalhar em conjunto com a União Africana para que o direito ao trabalho para todos os africanos seja uma realidade no continente. Baía da Lusofonia

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Nkosazana Clarice Dlamini-Zuma – nasceu na África do Sul no Natal em 27 de Janeiro de 1949 e foi um activista anti-apartheid, foi Ministra da Saúde na presidência de Nelson Mandela (1994 – 1999) e Ministra dos Negócios Estrangeiros (1999 – 2009) nas presidências de Thabo Mbeki e Kgalema Molanthe.

sábado, 8 de setembro de 2012

Desafios

“Este também é um período importante da história. De um lado, vimos os povos na chamada Primavera Árabe reafirmarem, com energia e sede de liberdade, o valor da governança democrática para a felicidade coletiva e o bem-estar social.

Do outro lado, trabalhadores e trabalhadoras tornam-se as grandes vítimas da crise econômica internacional, em especial no Velho Mundo.

Eles são penalizados por erros de uma minoria tão poderosa quanto imprudente. Apenas soluções criativas e políticas voltadas para a justiça social e para o fortalecimento da democracia poderão resolver esse impasse do nosso tempo.

Em dias desafiadores como esses em que vivemos, precisamos cultivar a memória das lutas e dos exemplos encarnados por Nelson Mandela.

Este homem, que acabou de comemorar seus 94 anos, comungou com o amor e a esperança de seus irmãos, soube mobilizar as pessoas sem ódio e fortalecer a união de sua gente para enfrentar barreiras políticas e econômicas de seu país. Até então, isso parecia impossível. A força do legado de Mandela, um dos maiores líderes da nossa história, precisa estar nos corações e mentes de cada um de nós.

Neste dia de fraternidade, alegria e luta, quero mandar a vocês, daqui do Brasil, um abraço forte, e agradecer de todo o coração a honra que me concederam. É uma pena não estar aí para ouvir a voz de todos os presentes. Saibam que, apesar da distância, meus melhores desejos e minha esperança estão com vocês.” Lula da Silva - Brasil