Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 13 de maio de 2020

África do Sul - Investigadores admitem ter encontrado a mais antiga civilização do mundo na África Austral

A História dá como certo que foi na Suméria, região da Mesopotâmia, situada entre as bacias dos rios Tigre e Eufrates, no que é conhecido hoje como Iraque, que surgiu a primeira civilização, há cerca de 6000 anos, mas essa certeza está prestes a ser demolida por dois pesquisadores que dizem ter encontrado indícios claros de que entre 160 mil e 200 mil anos atrás existiu uma civilização sólida no sul do continente africano, podendo isso mudar totalmente a forma como é contada a evolução da humanidade



Em vez do continente asiático, no actual Médio Oriente, na antiga Mesopotâmia, dois autores sul-africanos defendem que foi no nordeste da África do Sul, junto à fronteira com Moçambique, que a humanidade ergueu a sua primeira civilização.

Como conta a revista de arqueologia Archaeology world, uma estrutura em pedra, ruínas, datada de há 160 mil a 200 mil anos por métodos modernos, que pode levar a que a História da humanidade seja reescrita, foi "descoberta" em 2007 por Michael Tellinger (na foto), um investigador e escritor sobre as origens do Homem, e Johan Heine, piloto, tendo levado à produção de um livro com o título "Templos dos Deuses Africanos - Temples Of The African Gods".

Citado pela Archaeology world, Tellinger defende que se tratam de evidências que sugerem fortemente que a história da humanidade é muito diferente daquilo que hoje é dado como adquirido.

Esta estrutura organizada de 1500 quilómetros quadrados, datada pelas modernas técnicas como tendo até 200 mil anos, é parte, conta a revista, de uma organização social mais vasta, com mais de 10 mil quilómetros quadrados, consistindo em gigantescos círculos de perda, enterrados na areia, podendo ser vistas apenas de avião ou por imagens de satélite.

Do ar pode-se ver que entre os diversos círculos existem redes de estradas, com diversas minas de ouro nas proximidades, e ainda uma área agrícola, sendo uma forte sugestão para a existência de uma "muito avançada civilização" que pode, para além da agricultura, ter praticado a mineração de metais, incluindo ouro, com base numa estrutura social bem definida.

A revista admite ser "muito curioso" que até então, ninguém tenha prestado atenção a este complexo conjunto de círculos e de ruínas, à sua origem e antiguidade, apesar de as populações locais falarem deles há muito tempo e com eles conviverem desde sempre.

As civilizações mesopotâmicas são de forma consistente apontadas hoje como berço da civilização, tendo dado origens a invenções fundamentais que mudaram o mundo, como a noção de tempo, matemática, a roda, barcos à vela, mapas e, provavelmente a mais destacada de todas, a escrita.

A ideia de civilização corresponde a um conjunto alargado de noções de antropologia e história, onde grupos humanos se fixam numa determinada geografia, erguendo comunidades cidades complexas, como cidades, com rituais organizados e onde a barbárie dá lugar à construção de um modelo sujeito a regras sociais definidas, desde o ensino aos primeiros cuidados de saúde, entre outros, como o estudo da matemática, tendo marcado a passagem do estádio de caçadores/recolectores para a produção agrícola e técnicas rudimentares de produção de utensílios.

E é isso que os investigadores admitem ter encontrado nesta "cidade" do nordeste sul-africano que estava claramente "perdida no tempo", como o demonstram os artefactos ali encontrados, nomeadamente o facto de esta "urbe" ter, extraordinariamente, precedido todas as outras por muitas dezenas de milhares de anos.

Michael Tellinger acredita mesmo que esta antiga cidade é a "mais antiga estrutura erguida por humanos na Terra", colocando mesmo como forte possibilidade que tanto os sumérios como os egípcios terem adquirido conhecimentos a partir desta avançada civilização austral.

E uma das observações que Tellinger produz é que no local encontram-se imagens semelhantes a deuses egípcios com muitos milhares de anos a mais que aqueles que tem a emergência da civilização egípcia.

Este investigador admite que estas descobertas "são tão desconcertantes" que os historiadores, arqueólogos e outros académicos "mainstream" vão ter "muitas dificuldades em digerir" o que têm pela frente, porque exige uma " volta completa aos paradigmas actuais" sobre a forma como olhamos para a história da humanidade.

Para a revista Archaeology world, que desde 1969 conta histórias sobre descobertas arqueológicas em todo o mundo, o importante agora é que esta descoberta possa atrair mais investigadores de forma a que esta cidade antiga possa ser estudada e que se faça luz sobre esta civilização perdida nas brumas do tempo. Ricardo Bordalo - Angola In “Novo Jornal”

sábado, 9 de maio de 2020

África do Sul – Proibição de venda de bebidas alcoólicas reduz pressão nos serviços de saúde

A South African Breweries, um dos maiores fabricantes de cerveja do mundo, anunciou que poderá ter de despejar 400 milhões de garrafas devido à proibição da venda de álcool na África do Sul no âmbito das medidas de contenção da propagação da covid-19.

A África do Sul suspendeu todas as vendas de álcool quando o confinamento no país entrou em vigor, em 27 de Março, e a empresa viu a cerveja amontoar-se nas suas instalações.

A cervejeira está a tentar obter do Governo uma autorização especial para transferir a cerveja para outras instalações de armazenamento, uma vez que o transporte de álcool também foi proibido.

A South African Breweries disse à estação noticiosa eNCA que, se não for capaz de transportar a cerveja, que ascende a cerca de 130 milhões de litros (34 milhões de galões), será forçada a “descartá-la”, o que representa um prejuízo de cerca de oito milhões de dólares (7,3 milhões de euros), uma perda que colocaria em risco dois mil postos de trabalho, adiantou a empresa.

A África do Sul é um dos poucos países que proibiram a venda de álcool como parte da sua estratégia de luta contra o novo coronavírus. A Índia e a Tailândia também tinham banido a venda de álcool, mas levantaram recentemente as suas restrições. O Panamá e o Sri Lanka ainda têm proibições em vigor.

O Governo sul-africano também proibiu a venda de cigarros durante o confinamento e tem sido criticado pela sua abordagem restritiva.

Um dos principais conselheiros de Saúde do Governo sobre a pandemia da covid-19, Salim Abdool Karim, defendeu na quarta-feira a proibição do álcool, durante um encontro com jornalistas.

O especialista explica que o álcool é um factor que contribui significativamente para a criminalidade violenta e os acidentes rodoviários na África do Sul, e a proibição da sua venda tem reduzido a pressão sobre os serviços de saúde.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 278 mil mortos e infectou mais de 4 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Mais de um 1,4 milhões de doentes foram considerados curados.

O “Grande Confinamento” levou o Fundo Monetário Internacional a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contracção de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão. In “ O Século de Joanesburgo” – África do Sul

sábado, 2 de maio de 2020

África do Sul – Faleceu Denis Goldberg, o companheiro branco de Mandela

Por ser branco, Denis Goldberg, passou 22 anos preso numa cadeia para brancos, sendo, assim, obrigado a ficar longe dos seus companheiros de combate contra o regime racista sul-africano que estavam, com Nelson Mandela, detidos pelas mesmas razões na famosa prisão de Robben Island, destinada aos combatentes negros. Morreu na noite de quarta-feira, pouco antes da meia-noite, aos 87 anos



Foi em 1964, dois anos depois de Nelson Mandela ter sido detido, que Denis Goldberg foi condenado por traição e enjaulado por 22 anos pela sua actividade anti-apartheid, tendo mantido até ao seu desaparecimento físico a mesma convicção sobre a importância da luta travada até 1994, quando Mandela foi eleito o primeiro Presidente de uma África do Sul libertada.

Sendo judeu, filho de imigrantes vindos em família do Reino Unido, nasceu em 1933 na Cidade do Cabo, e, como o próprio descreveu num dos seus muitos registos, compreendeu que o que se passava na África do Sul sob o domínio do regime racista era "muito semelhante ao que ocorrera com a Alemanha Nazi", que perseguiu e matou mais de 6 milhões de judeus, para além de ciganos, negros, deficientes...

Antes da sua condenação a 22 anos de cadeia em 1964, quatro anos antes, em 1960, já tinha passado quatro meses preso por participar numa manifestação contra o regime após a polícia ter matado a tiro 69 pessoas durante o famoso massacre de Sharpeville, tendo entrado oficialmente nesse momento para o braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC).

Seria detido em Rivonia, próximo de Joanesburgo, durante um raide policial, em 1963, quando preparava mais uma acção com outros combatentes do ANC, o que lhe valeu 22 anos de cárcere.

Mandela sempre elogiou Goldberg a quem não se cansava de reconhecer um sentido de humor excepcional, especialmente durante o julgamento que ficou para a história como Julgamento de Rivonia, onde foram ambos condenados, entre outros.

O duplo castigo do regime foi enviá-lo para uma prisão destinada a brancos, em Pretória, quando os seus companheiros acabaram na distante prisão de Robben Island. In “Novo Jornal” - Angola

terça-feira, 28 de abril de 2020

África do Sul – Ajuda cubana no combate à covid-19

O Governo de Cuba enviou um grupo de 216 profissionais de saúde para África do Sul para ajudar na luta contra a covid-19, após um pedido de ajuda de Pretória à ilha.

O grupo, composto por 85 médicos, 20 enfermeiros e 111 profissionais de várias áreas da saúde, viajou num voo especial da South African Airways, que chegou domingo à base aérea militar de Waterkloof, em Pretória, anunciou o ministério dos negócios estrangeiros sul-africano.

A África do Sul é o quarto país africano a que acodem profissionais cubanos, devido à pandemia.

A brigada médica inclui especialistas de medicina geral, bioestatística, biotecnologia, técnicos e epidemiologistas, e faz parte do contingente internacional de emergências “Henry Reeve”, que durante os últimos 15 anos prestou assistência em desastres naturais e crises sanitárias em cerca de 20 países.

Cada profissional foi cuidadosamente seleccionado de acordo com a experiência e conhecimento na planificação, execução e gestão de casos clínicos, asseguraram as autoridades cubanas, citadas pela agência noticiosa espanhola EFE.

Os profissionais cubanos serão destacados em diversas províncias do país “segundo os planos estratégicos” do governo sul-africano, foi anunciado.

Cuba enviou pessoal médico para outros países africanos, como Cabo Verde ou Angola e Togo.

No total, quase 1500 especialistas cubanos saíram da ilha, desde o início da pandemia, para 21 nações da América Latina e Caribe, Europa, África e Médio Oriente, entre as quais Itália, Catar, México, Honduras, Venezuela, Haiti e Jamaica.

Segundo Havana, mais de 400 mil especialistas cubanos prestaram serviço em 164 países, até ao final de 2019.

Actualmente, há cerca de 37 mil profissionais de saúde em 67 países, muitos deles com casos de covid-19.

O contingente médico internacional “Henry Reeve” foi criado pelo falecido presidente Fidel Castro em 2005 para ajudar o Estado de Nova Orleans (EUA), após a devastadora passagem do furacão Katrina, mas Washington recusou a ajuda.

Há cinco anos, a brigada “Henry Reeve” ajudou a controlar a epidemia de Ébola em África e o seu trabalho foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com um prémio em 2017.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 200 mil mortos a nível global e infectou mais de 3 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Perto de 800 mil doentes foram considerados curados.

A África do Sul regista 4546 casos confirmados de infecção e 87 óbitos em resultado da covid-19. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Moçambique - Mais de 14 mil moçambicanos retornaram da África do Sul desde o início da pandemia

O regresso dos trabalhadores representa um risco de novas infeções, a agência da ONU ajuda a evitar o crescimento do surto, identificando migrantes, confirmando se apresentam sintomas e informando sobre a prevenção

Em apenas alguns dias no final de março, quando a África do Sul declarou um bloqueio de suas fronteiras devido à covid-19, mais de 14 mil moçambicanos a viver no país vizinho decidiram voltar para casa.

A maioria destas pessoas regressou às suas comunidades nas províncias do sul de Maputo, Gaza e Inhambane, de onde parte a maioria dos moçambicanos para a África do Sul.

Trabalho

Nas últimas semanas, a Organização Internacional para Migrações, OIM, ativou a sua rede de agentes comunitários para identificar estas pessoas e informar sobre medidas que deveriam ser tomadas para evitar contágios.

Até ao momento, mais de 850 migrantes foram chamados. Nenhum tinha sintomas.

Para identificar as pessoas que regressaram, os agentes comunitários usam listas de trabalhadores de minas, registos de estabelecimentos de saúde, redes comunitárias, líderes comunitários e praticantes de medicina tradicional.

Profissionais de saúde verificam se o trabalhador ou os membros da sua família apresentam sintomas e dão informações sobre a quarentena obrigatória e medidas de prevenção, que devem ser partilhadas com a família, amigos e vizinhos. Os dados são compartilhados semanalmente com o Ministério da Saúde.

Exemplo

Um dos migrantes disse à agência que ficou “muito assustado quando soube da doença que estava a matar pessoas em todo o mundo.”

O trabalhador de minas Laissane Tivane, de Inhambane, contou que ficou "surpreso” quando recebeu a ligação de um agente comunitário, explicando os sintomas e medidas de prevenção.

O migrante disse que cumpriu a quarentena de 14 dias que foi recomendada e continua em casa com a sua família, só saindo em caso de necessidade urgente. Todas as pessoas que os visitam lavam as mãos com água e sabão.

Situação

Moçambique declarou o seu primeiro caso em 22 de março. Até segunda-feira, 20 de abril, tinha confirmado 35 casos, localizados na capital, Maputo, e na província de Cabo Delgado.

A OIM diz estar preocupada com um surto do vírus num país que já enfrenta problemas de saúde pública com HIV, tuberculose, desnutrição e doenças crónicas, especialmente hipertensão.

O supervisor de campo da OIM em Inhambane, Andre Chambal, disse que “esse esforço tem um impacto positivo porque ajuda a garantir a segurança das famílias.”

Diáspora

A iniciativa faz parte da ajuda que a OIM tem dado ao governo de Moçambique, centrada em comunidades afetadas pela migração.

Estima-se que mais de 11 milhões de moçambicanos morem no exterior, sendo a África do Sul um dos principais destinos. Empregos em mineração e agricultura são a regra para os moçambicanos que vivem no país vizinho. ONU News – Nações Unidas

quinta-feira, 26 de março de 2020

Moçambique - Organização Internacional para as Migrações apoia sobreviventes de veículo de carga encontrado com 64 mortos

Dezenas de etíopes morreram asfixiados num veículo de carga que seguia para a África do Sul, os sobreviventes foram hospitalizados e recebem tratamento para desidratação, exaustão e trauma grave



A Organização Internacional para as Migrações, OIM, coordena com as autoridades de Moçambique como oferecer ajuda imediata aos sobreviventes encontrados num veículo de carga onde morreram 64 etíopes asfixiados.

As catorze pessoas recebem tratamento no maior hospital na província central de Tete para desidratação e exaustão grave. De acordo com a agência, o grupo também recebe alimentos e roupas.

Traumatizados

O contentor era transportado num veículo pesado quando foi interpelado num posto de controlo na passada terça-feira. Os sobreviventes estão “profundamente traumatizados”, de acordo com os relatos.

O Serviço Nacional de Migração de Moçambique, SENAMI, também informou os funcionários da OIM que o motorista do veículo, de nacionalidade moçambicana, está sob custódia.

Os etíopes viajavam sem documentos para a África do Sul. A província moçambicana de Tete está situada a 4 mil km a sul da capital etíope, Adis Abeba, e a 1400 km a norte da cidade sul-africana de Pretória.

Moçambique faz parte da chamada Rota do Sul, uma via migratória usada com frequência por migrantes do extremo leste da África para o território sul-africano na procura de oportunidades económicas, protecção e educação.

Regresso

A agência da ONU disse ter apoiado mais de 400 etíopes no regresso ao seu país de forma voluntária desde 2018.

A África do Sul abriga cerca de 4,2 milhões de migrantes e 290 mil candidatos a asilo e refugiados. Os principais países de origem são Zimbabué, Somália, Malawi, República Democrática do Congo e Etiópia. O Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM registou pelo menos 70 migrantes mortos em estradas moçambicanas, por motivos incluindo acidentes nos últimos cinco anos. A maioria era etíope com destino à África do Sul. ONU News – Nações Unidas

terça-feira, 24 de março de 2020

África do Sul - Impõe restrições à chegada do navio-escola Sagres à Cidade do Cabo devido ao covid-19




A tripulação do navio-escola Sagres vai ficar confinada ao navio quando aportar esta semana na Cidade de Cabo devido aos riscos de contaminação com a Covid-19, disse à Lusa fonte diplomática.

O navio-escola português, a navegar no Atlântico Sul rumo à África do Sul, está autorizado a atracar no porto para receber apoio logístico, mantimentos, energia e outros, mas a tripulação não pode sair do navio, disse a mesma fonte à Lusa.

A informação foi confirmada na passada quinta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores e Cooperação sul-africano, referiu a mesma fonte, adiantando que as autoridades portuárias sul-africanas estão a analisar “navio a navio” no âmbito das restrições anunciadas pelo Governo para contrariar o surto de Covid-19 no país.

As autoridades sul-africanas concederam em Dezembro uma autorização de aportagem diplomática de 72 horas à Sagres, segundo a fonte da Lusa.

Todos os eventos previstos em torno da visita do NRP Sagres à Cidade do Cabo foram também cancelados, acrescentou.

As associações e colectividades portuguesas na capital sul-africana anunciaram também o cancelamento de todas as actividades sociais agendadas, adiantou.

O navio-escola português era aguardado no próximo dia 27 na Cidade do Cabo no âmbito da celebração dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou já mais de 400 pessoas nas nove províncias da África do Sul, anunciou o Governo.

O novo coronavírus já infetou mais de 380 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 16 500 morreram. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul com “Lusa”

terça-feira, 17 de março de 2020

África do Sul - Cônsul na Cidade do Cabo cria equipa de ciclismo para elevar nome de Portugal




O cônsul-geral português na Cidade do Cabo, José Carlos Arsénio, criou uma equipa de ciclismo para elevar o nome de Portugal na África do Sul e angariar apoios solidários para a comunidade portuguesa residente no país.

A equipa Portugal Sempre, que se estreou recentemente no Cape Town Cycle Tour, importante prova internacional do calendário desportivo da modalidade na África do Sul, integra seis elementos com experiência de longa data de envolvimento e de prática na modalidade do ciclismo, entre os quais duas ciclistas de nacionalidade sul-africana.

“Além de nós procurarmos sempre elevar a nossa representatividade a todos os sectores e a todos os níveis e, neste caso, até a nível desportivo, achei que podia ser motivador para se criar esta equipa, pois gostaria de um dia deixar este posto e de ver que há uma equipa portuguesa que vai continuar sempre a representar o nosso Portugal e a nossa comunidade”, disse José Carlos Arsénio, em declarações à Lusa por telefone.

O diplomata avançou que o objectivo é também conseguir patrocinadores para angariar alguns fundos, “nomeadamente para apoiar no plano do associativismo os jovens estudantes portugueses e também as pessoas mais desfavorecidas” da comunidade que eventualmente necessitem de algum apoio.

“Portanto há aqui uma componente também institucional com vista a reunir as condições para ajudar a comunidade naquilo que precisar”, salientou o responsável à Lusa.

O cônsul-geral disse que na recente volta à pitoresca região da península da Cidade do Cabo, que este ano juntou cerca de 31 mil concorrentes, a equipa Portugal Sempre acabou por “ser surpreendida” pelo elevado número de pessoas portugueses a apoiar.

“Pudemos realizar que afinal de contas entre o público do dia-a-dia existem muitos portugueses porque mesmo depois da prova muitas pessoas vieram ter connosco dizendo eu também sou português”, sublinhou o diplomata.

Na volta ao Cabo, a equipa portuguesa fez um total de 109 quilómetros num percurso de estrada através de várias vilas piscatórias e etapas de montanha.

“No meu caso foi 3 horas e 29 minutos que levei a fazer a prova […] e chegámos todos ao final e todos em boa forma até porque os elementos desta equipa são elementos que já tem alguma experiência”, contou José Carlos Arsénio à Lusa.

Questionado sobre o nome “Portugal Sempre”, o diplomata explicou: “porque é sempre a nossa pátria, é sempre o nosso país, é sempre aquilo que nos dá a saudade e a África do Sul fica muito distante do nosso Portugal”, salientou.

“Portugal permanece sempre no nosso coração, na nossa memória e nas nossas intenções das nossas aspirações, por isso achei que é um título bem oportuno e bem representativo do que é o sentimento que nós temos em relação à nossa pátria Portugal. Portugal Sempre”, vincou.

No final da prova, houve um almoço de convívio com a comunidade num restaurante tipicamente português “em que mais uma vez nós, à nossa maneira, quisemos elevar o nosso Portugal”.

O cônsul português considerou ainda que os portugueses na África do Sul “estão bem”, sendo uma comunidade “muito válida, muito bem integrada, muito constituída pelas segundas e terceiras e até quartas gerações”, que são “bons portugueses como também bons sul-africanos, têm esta dualidade” que faz com que a comunidade seja “muito válida”. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul com “Lusa”

terça-feira, 10 de março de 2020

África - Covid-19: Consequências econômicas serão graves e duradouras

África tem-se mantido “relativamente resiliente” às infecções pelo novo coronavírus, mas os impactos na economia de um continente fortemente dependente da China já são significativos e poderão piorar, segundo uma análise do sul-africano Institute for Security Studies (ISS).

“Embora África tenha sido até agora relativamente resiliente em relação às infeções da Covid-19, o contrário é válido quando se consideram os efeitos econômicos. Apesar do impacto nos mercados financeiros ser quase imediato, é provável que as consequências econômicas sejam mais profundas e durem significativamente mais tempo”, apontou o centro de pesquisa, numa análise do seu consultor associado Ronak Gopaldas.

O também diretor da consultora especializada em África Signal Risk questionou: “Será que as economias africanas vão resistir ao coronavírus?”

Para Ronak Gopaldas, embora a taxa de infeções em África “tenha sido mínima até à data, está a aumentar a preocupação de que a sua chegada em maior escala seja iminente e que o continente não esteja adequadamente preparado para as suas consequências”.

O analista estimou que uma pandemia “afetaria desproporcionadamente África, dado o seu setor de saúde relativamente subdesenvolvido, infraestruturas insuficientes e fronteiras porosas”.

“As consequências econômicas para o continente serão provavelmente graves e duradouras. Muitos dos seus países têm uma elevada dependência das exportações de mercadorias para a China, contas públicas fracas, elevados encargos com a dívida e moedas voláteis, entre numerosas outras fragilidades externas”, acrescentou.

O consultor do centro com sede na África do Sul referiu como uma das primeiras consequências, o enfraquecimento das moedas africanas, com o rand a desvalorizar 5% em relação ao dólar e a moeda zambiana a perder mais de 3% para o dólar.

“Moedas mais fracas significam que o custo do reembolso e do serviço das dívidas em obrigações emitidas em moeda estrangeira aumenta drasticamente”, salientou.

Outro dos impactos significativos na economia africana far-se-á sentir, de acordo com o consultor do ISS, no setor mineiro.

Ferro (África do Sul), cobre (Zâmbia) e petróleo (Nigéria, Angola e Gana) têm sido os setores mineiros mais atingidos, mas o analista do ISS estimou que setores como a aviação, turismo e congressos e hotelaria serão “severamente afetados”, com várias conferências e eventos a serem já cancelados.

África do Sul, Maurícias, Madagáscar, Quênia, Tanzânia e Seicheles, países fortemente dependentes do turismo, deverão ser os mais atingidos.

“É impossível separar completamente os efeitos econômicos das questões políticas. Embora o acordo sobre a zona de livre comércio em África (AfCFTA, na sigla em inglês) ainda não tenha arrancado, quaisquer encerramentos de fronteiras ou quedas dramáticas nos volumes de comércio podem deitar por terra as suas ambições e desacelerar o crescimento africano a médio prazo”, frisou, por outro lado, Ronak Gopaldas.

O consultor alertou ainda para a possibilidade de aumento da xenofobia em relação aos asiáticos, situação que, sustentou, “será exacerbada pelo aumento do desemprego e competição por recursos escassos à medida que os volumes de comércio se contraem”.

Ronak Gopaldas considerou ainda que a epidemia de Covid-19 poderá “muito bem ser usada como uma oportunidade para que os líderes em exercício no continente adiem eleições nacionais programadas para 2020, numa tentativa de prolongar os seus mandatos”.

Segundo o Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças (AfricaCDC), da União Africana (UA), que coordena a resposta técnica dos países africanos à epidemia, atualmente há 80 casos de infeções pelo novo coronavírus registados em nove países do continente.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 3800 mortos.

Cerca de 110 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países. Mais de 62 mil recuperaram.

Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, com 366 mortos e mais de 7300 contaminados pelo novo coronavírus, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

domingo, 23 de fevereiro de 2020

África do Sul – Ministra elogia comunidade portuguesa

A ministra das Relações Internacionais e Cooperação sul-africana, Naledi Pandor, disse que Pretória quer reforçar cooperação bilateral e que os portugueses na África do Sul são exemplo da diversidade e união que Pretória quer promover no mundo.

“Na África do Sul, temos a terceira maior comunidade portuguesa no mundo, a seguir ao Brasil e a França, e nós valorizamos os portugueses neste país como sul-africanos devido à sua contribuição para este país, mas mais importante do que isso, porque são exemplo dos nossos valores e princípios de um país unido na sua diversidade e na diversidade do nosso povo”, afirmou Naledi Pandor a jornalistas antes de iniciar um almoço de trabalho, em Pretória, com o seu homólogo português, Augusto Santos Silva.

“A presença dos vossos cidadãos e cidadãs no país reforça a nossa ambição constitucional e faz com que a África do Sul se destaque como uma nação que respeita e acolhe outros povos”, adiantou a chefe da diplomacia sul-africana.

“Estou otimista em relação ao trabalho que pretendemos fazer entre os dois nossos países, mas também na arena internacional […] os nossos países têm uma relação histórica e a sua visita à África do Sul é um sinal de que iremos dar um ímpeto ainda maior a este relacionamento”, salientou.

“Posso confirmar que as pessoas de nacionalidade portuguesa desempenham um papel muito importante na África do Sul, em várias profissões, na medicina, no direito e no setor empresarial, particularmente nas PME, e contribuem de forma imensa para a economia do nosso país e para a nossa identidade nacional”, referiu Naledi Pandor.

A governante sul-africana disse que o sexto encontro bilateral entre a África do Sul e Portugal produziu recentemente “excelentes resultados que estão a ser implementados”.

“As interações ao nível de chefe estado têm sido importantes para os nossos dois países e estou particularmente satisfeita com esta sua visita, porque a nível ideológico, há várias perspetivas que partilhamos, ambos somos progressistas na nossa orientação política e nesse sentido é importante reforçar as nossas relações”, precisou Pandor.

A ministra da Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul reuniu-se, em privado, durante quase meia hora, com Augusto Santos Silva, antes de iniciar um almoço de trabalho com as delegações dos dois países. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Moçambique - Academia sul-africana vai reforçar competências na formação profissional de moçambicanos

O Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC) assinou, na quinta-feira, 26 de Setembro, um memorando de entendimento com a M2 Engineering Academy, da África do Sul, com vista ao estabelecimento de mecanismos de cooperação entre as duas instituições, no domínio da formação profissional e inserção dos formandos no mercado de trabalho.

O memorando tem como objectivos a garantia do acesso às acções de formação profissional adequada às necessidades do mercado de trabalho, o fortalecimento da gestão dos centros de formação profissional e unidades móveis, a criação de capacidades para o reconhecimento nacional e internacional das competências adquiridas, a implantação do modelo dual de formação nos centros do IFPELAC, entre outros.

Para o efeito, caberá ao IFPELAC indicar o pessoal necessário para a implementação das actividades previstas no memorando, prestar assistência para o desenvolvimento dos trabalhos, ceder a gestão de um dos centros como piloto à M2 Engineering Academy, bem como disponibilizar formadores e gestores para serem capacitados pela sua contraparte.

Por seu turno, a M2 Engineering Academy terá a responsabilidade de elaborar estudos de viabilidade detalhados sobre os programas requeridos pelo mercado, alocar unidades de formação móveis e apoiar na sua gestão, gerir o centro de formação profissional-piloto, transferir o know-how para a parte moçambicana, apoiar a certificação internacional dos centros de formação do IFPELAC e implementar as melhores práticas das suas operações na África do Sul, incluindo o sistema electrónico de gestão (M2 Hut).

Para a ministra do Trabalho, Emprego e Formação Profissional (MITESS), Vitória Diogo, que dirigiu a cerimónia de assinatura do memorando, a parceria entre o IFPELAC e a M2 Engineering Academy deve contribuir para a elevação das competências e capacidades do sector nos domínios técnicos e de gestão, concorrendo, desse modo, para a certificação internacional dos centros de formação profissional de modo a responder às necessidades do mercado.

“As duas instituições vão partilhar as suas valências, contribuindo para a certificação profissional com vista a enfrentar a demanda das empresas, que se mostra cada vez mais selectiva”, disse a ministra.

Na ocasião, Vitória Diogo referiu que o País formou, através dos centros de formação profissional públicos e privados, cerca de 715 mil cidadãos, na sua maioria jovens, durante o quinquénio 2015-2019.

Já o director executivo da M2 Engineering Academy, Mayileni Makwakwa, realçou a importância desta parceria, que, na sua opinião, vai ajudar os jovens a tirarem proveito das oportunidades existentes no mercado e a tornarem-se auto-suficientes, através do auto-emprego.

Na sua intervenção, Mayileni Makwakwa apontou a falta de certificação internacional como um obstáculo à formação profissional no País, o que dá a falsa percepção de que os seus cidadãos não são competentes.

“Não é verdade. Os moçambicanos são muito competentes. Se forem para a África do Sul, vão notar que uma boa parte dos técnicos que trabalham em grandes empresas e indústrias são moçambicanos. Eles têm conhecimento”, sublinhou o director executivo da M2 Engineering Academy. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Angola - Promove Programa de Privatizações em fórum internacional na África do Sul


A Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX) e a Câmara de Comércio e indústria Angola-África do Sul (CACIAAS) promovem na Cidade de Cabo, um fórum de agro-negócios e ecoturismo Angola - África do Sul. A apresentação do Programa de Privatizações do Governo é um dos pontos altos do programa



O fórum junta empresários dos dois países e acontece no Centro de Convenções internacional da Cidade do Cabo com o objectivo de promover o comércio e o investimento na região da África Austral.

De acordo com uma nota de imprensa da AIPEX, o evento pretende ser uma plataforma de interacção que facilite a promoção de investimentos nas áreas do agro-negócio e do eco-turismo. O encontro será desdobrado em três painéis, designadamente "Produção Agrícola e Pecuária", "Ecoturismo" e "Apoio Financeiro ao Sector Privado".

A apresentação do Programa de Privatizações (PROPRIV) será feito por Ana Paulo Zango, do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE). O encerramento do evento estará a cargo da administradora da AIPEX, Sandra Dias dos Santos. In “Novo Jornal” - Angola

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

África do Sul - Navio negreiro português classificado como património nacional

Classificação coincide com nova exposição sobre o São José Paquete de África, um dos primeiros a fazer a ligação Moçambique-Brasil. Estima-se que 212 escravos tenham morrido neste naufrágio ocorrido a 27 de Dezembro de 1794 nas imediações do Cabo da Boa Esperança



Os destroços do navio negreiro português São José, que naufragou ao largo da Cidade do Cabo em 1794, causando a morte a mais de 200 escravos, foram declarados este mês património nacional da África do Sul. Este sítio arqueológico subaquático, a que correspondem aqueles que serão eventualmente os primeiros vestígios alguma vez encontrados de um navio que se afundou ainda com escravos africanos a bordo, está agora classificado e é motivo de uma nova exposição.

O São José Paquete de África transportava 512 negros acorrentados. Vinha de Lisboa, de onde saiu em Abril de 1794, e passou por Moçambique para carregar escravos. Em Dezembro, encetava uma viagem que se previa que durasse perto de quatro meses, rumo ao Brasil, onde os escravos eram esperados como mão-de-obra forçada nas plantações de cana-de-açúcar. Mas a difícil travessia do Cabo da Boa Esperança revelar-se-ia fatal. Fará precisamente 224 anos esta quinta-feira, 27 de Dezembro, que o navio encontrou um rochedo e se estilhaçou, a cerca de 50 metros da costa, na zona de Clifton, perto da Cidade do Cabo. O comandante, o português Manuel João Perreira (irmão do proprietário do barco, António Perreira), e a tripulação sobreviveram, mas estima-se que 212 pessoas — metade dos escravos — terão morrido afogadas. Os escravos sobreviventes foram depois vendidos na Cidade do Cabo.

Durante mais de dois séculos, o navio esteve submerso. Os caçadores de tesouros que primeiro encontraram os seus destroços, há cerca de 30 anos, identificaram-no inicialmente como um navio holandês, mas em 2015, depois de uma investigação dos arqueólogos do projecto Slave Wrecks Project, concluiu-se que se tratava do navio português São José Paquete de África.

Um dos elementos essenciais para a sua identificação foram as barras de ferro com que o navio saíra de Portugal e que serviam de lastro ou contrapeso, conforme a carga humana variável. A informação constava do manifesto de carga do São José depositado no Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa.

A classificação oficializada no início do mês coincidiu com a inauguração de uma exposição no Museu Iziko, da Cidade do Cabo. Unshackled History: The Wreck of the Slave Ship, São José, 1794 exibe alguns artefactos recuperados do fundo do mar, incluindo, além das referidas barras de ferro, grilhetas e correntes usadas para prender os moçambicanos escravizados, que estavam cobertas por sedimentos e areia.

Se não tivesse naufragado pelo caminho, o São José Paquete de África teria cumprido uma das primeiras viagens de tráfico humano entre Moçambique e o Brasil, rota que se tornaria frequente e estaria activa durante mais de um século. “Estima-se que mais de 400 mil pessoas da costa oriental africana tenham feito essa viagem entre 1800 e 1865. Transportadas em condições desumanas em viagens que demoravam dois a três meses, muitas não sobreviveram à viagem”, recorda o museu sul-africano.

A mostra conta ainda com uma simulação interactiva do local do naufrágio e dos respectivos destroços, uma ferramenta desenvolvida pelo Museu Smithsonian de História e Cultura Afro-Americana, que acolheu já uma exposição sobre o navio português e que está intimamente associada ao projecto – não sem algumas críticas pela sua preponderância sobre a do país africano. De acordo com a South African Broadcasting Corporation, o United States Ambassador’s Fund for Cultural Preservation doou cerca de 420 mil euros para a investigação do Slave Wrecks Project em 2016.

“Portugal foi pioneiro no tráfico transatlântico. Mais de 40% dos escravos foram levados em navios portugueses, um valor superior ao de qualquer outro país – Espanha, Grã-Bretanha, França, Holanda”, lembrava em 2016 ao Público o antropólogo Stephen Lubkemann, coordenador internacional do Slave Wrecks Project.



Um naufrágio coloca sempre algumas questões sobre a titularidade do património – no caso, o navio é português, as vítimas são moçambicanas, os destroços foram encontrados em águas sul-africanas. Esta classificação pela África do Sul visa, independentemente disso, contar a história do São José e das suas vítimas. “Era uma nota de rodapé na História”, comentou à emissora pública sul-africana o arqueólogo marinho Jaco Boshoff, envolvido na coordenação da exposição.

“Dar memória à história do São José num contexto global é um projecto significativo e notável”, destaca em comunicado Rooksana Omar, presidente do Museu Iziko. “É mais do que história africana, americana, moçambicana ou europeia. É uma história sobre as nossas histórias partilhadas.” Joana Cardoso – Portugal in "Público"

sábado, 1 de dezembro de 2018

África do Sul - Alunos universitários veem o português como uma língua de futuro profissional



A língua portuguesa é ensinada nas três mais importantes universidades da África do Sul, estando ainda prevista a introdução do português em outras duas instituições de ensino superior sul-africanas.

Na Universidade de Witwatersrand (Wits) estão atualmente inscritos 46 alunos, entre os quais oito alunos inscritos para o honours em 2019. A Universidade de Pretória teve, no segundo semestre deste ano, 45 alunos inscritos. A Universidade do Cabo teve um total de 78 alunos no ano letivo que agora termina, quatro dos quais concluíram este ano o major em Português. Há ainda seis novos alunos inscritos para 2019. “Tenciona-se introduzir o ensino de português nas Universidades do Free State, de Mpumalanga – em instalação, tendo sido aprovada este ano pelo Ministério do Ensino Superior a Faculdade de Humanidades – e do Kwazulu Natal. A concretizar-se, ficarão cobertas cinco das nove principais províncias da África do Sul”, revela Carlos Gomes da Silva.

Um grupo heterogéneo

No geral, na África do Sul os alunos a nível universitário formam um grupo heterogéneo, mais visível na Universidade de Witwatersrand onde há alunos sul-africanos, lusodescendentes, lusófonos e de outras nacionalidades a estudar a língua portuguesa. “Uma larga maioria dos alunos são sul-africanos que começam a aprender português pela primeira vez na universidade, no entanto, são os alunos lusodescendentes e lusófonos, que chegam ao ensino universitário com conhecimento prévio da língua, que completam o programa de major”, sublinha o coordenador do EPE no país.

Também na Universidade do Cabo o perfil dos alunos é variado. No primeiro ano, muitos escolhem português como disciplina de opção. São, em grande parte, alunos dos cursos de engenharia que pretendem, no futuro, trabalhar em Moçambique. Há ainda um considerável número de alunos que têm pais ou avós portugueses, angolanos ou moçambicanos e outros com motivações diversas, “desde curiosidade, visitas feitas a Moçambique sobretudo, e desejo de conhecer mais a cultura lusófona”, conta Carlos Gomes da Silva.

Já na Universidade de Pretória, de uma forma geral, os alunos aprendem português por razões familiares “ou por verem na língua portuguesa uma forma de maior empregabilidade”, completa.

A Coordenação do EPE na África do Sul tutela ainda o ensino em outros países da região sul do continente africano. A nível universitário, na Universidade da Namíbia a adjunta de coordenação assegurou a continuidade do programa de bolsas para a formação de professores de português e na Universidade do Botsuana os cursos de português para adultos chegam atualmente a 70 alunos. Neste país, a docente colabora ainda com o Secretariado da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), onde leciona um curso de língua para os funcionários daquela organização internacional.

Na Universidade da Suazilândia, a leitora está a preparar os programas e currículo para serem incluídos na licenciatura com a variante de Português (‘Portuguese Bachelor Education Programme’) e colabora ainda com o National Curriculum Centre (NCC), no desenvolvimento dos currículos de português para o ensino básico e secundário. E na Universidade do Zimbabué – onde há um leitor moçambicano ao abrigo de um protocolo de cooperação do Camões, I.P. com as universidades Eduardo Mondlane e do Zimbabué – o programa de português inclui cursos livres, major e honours, frequentados por 51 alunos.

Novidades em 2019

Para o próximo ano letivo, que começa no início de 2019, há várias novidades. Na Universidade de Witwatersrand vai começar a pós-graduação em Estudos Portugueses, que inclui uma componente de ensino de português como língua estrangeira, e está também pré-aprovado o mestrado para o ano de 2020, revela Carlos Gomes da Silva. Na Universidade da Namíbia, a licenciatura em ‘Estudos Portugueses’ foi renovada, “garantindo-se também a continuidade do estudo de português como opção na maior parte das licenciaturas da faculdade”.

Na Universidade do Botsuana o currículo da licenciatura em ‘Português e Estudos Lusófonos’ e respetivos programas foram revistos pela atual docente. Foi submetida para a aprovação do Senado “e esperamos que os primeiros cursos sejam lançados no próximo ano-letivo”, informa ainda.

Outra aposta do Camões, I.P. é o estabelecimento de protocolos entre universidades portuguesas e sul-africanas. A Universidade de Pretória tem já protocolos de cooperação com universidades portuguesas, de que é exemplo a Universidade do Porto, bem como com a Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique. Há neste momento um processo de negociações para a concretização destes protocolos, “que poderão passar por investigação conjunta e/ou intercâmbio de alunos e professores”, explica o coordenador do EPE.

Já este mês, na sequência da visita da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Teresa Ribeiro, e do Presidente do Camões, I.P., Luís Faro Ramos, à África do Sul, vão ser iniciados contatos entre a Universidade de Witwatersrand e algumas instituições universitárias portuguesas, intermediados pelo Camões, I.P., para o estabelecimento de protocolos de cooperação que têm por objetivo o intercâmbios entre estudantes e docentes dos dois países.

Cursos b-learning: uma aposta a manter

A Coordenação do EPE tem apostado ainda nos cursos b-learning, modalidade de ensino que combina a formação à distância e a formação presencial, e é reconhecida como projeto-piloto para as restantes línguas não oficiais na Universidade de Witwatersrand.

Os programas b-learning permitem “racionalizar os recursos e custos”, sublinha o coordenador, sendo desenvolvidos em vários cursos dos programas de português, nomeadamente língua, cultura, literatura e cinema dos países de língua portuguesa, nas plataformas das instituições universitárias.

Carlos Gomes da Silva refere que a Universidade de Witwatersrand tem atualmente o programa curricular de português mais completo, “oferecendo desde janeiro de 2017 todos os cursos de língua, cultura e literatura dos países de língua portuguesa em modelo b-learning – 50% presencial, 50% online”. A modalidade é desenvolvida pela leitora e um docente do ensino secundário da rede EPE, em estreita colaboração com a Coordenação de Ensino, o que permite oferecer todos os cursos do programa de major e honours.

“Na discussão desta modalidade, garantimos que as componentes dos cursos online poderiam ser partilhadas pelas restantes universidades anglófonas da sub-região. As Universidades de Pretória, do Cabo, do Botsuana e do Zimbabué foram abordadas durante a segunda metade de 2016, tendo todas, manifestado interesse pela adoção do b-learning”, sublinha o responsável.
Cabe aos leitores e docentes das várias universidades, monitorizarem as componentes online, num processo que, segundo Carlos Gomes da Silva, representa uma redução de mais de 40% da carga horária de cada um deles, “tornando o processo de ensino e de aprendizagem mais económico e interativo”. Ana Grácio – Portugal in “Mundo Português”