Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Goa - Celebra Natal com missa em português

Duas missas, uma delas em português, assinalam na quarta-feira o Natal da comunidade católica de Goa, na Índia. À meia-noite é celebrada em concani a “missa do galo”, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Pangim, capital do estado de Goa, devendo a eucaristia das 10h30 ser rezada em português, como acontece todos os domingos nesse templo



“No que diz respeito às celebrações natalinas, perdura o mesmo espírito católico de antanho, embora, como em toda a parte, algo comercializado”, disse à agência Lusa Óscar Noronha, residente em Pangim, onde nasceu há 59 anos, quando a antiga colónia portuguesa já estava integrada na então União Indiana, desde 1961.

Para este goês, um divulgador da língua e da cultura portuguesas, “a ‘missa do galo’ é fator ‘sine qua non’” dos festejos natalícios.

“Existe só esta igreja em Goa onde se pode ouvir missa em português. Participo nela com a minha família e fazemos parte do coro, como vinham fazendo também os nossos pais”, afirmou.

A Igreja da Senhora da Conceição foi construída no século XVII, no lugar de uma ermida primitiva implantada, em 1541, na encosta poente do Monte Conceição, virada para a foz do rio Mandovi, no oceano Índico.

Nas casas de Óscar Noronha e demais católicos de Goa, “a nível doméstico, também não faltam o presépio, a estrela pendurada nos alpendres e a música natalina, bem como a consoada, que se refere aos típicos doces goeses, e as reuniões familiares”.

“A nossa gastronomia natalina é rica e maioritariamente goesa, constituída por pratos típicos, como o peixe com maionese ou o balchão, o sarapatel, a cabidela, a galinha cafreal, o ‘xacuti’ de galinha, a leitoa assada e o arroz refogado, entre outros”, descreveu o investigador e professor universitário de língua inglesa.

Como sobremesa associada ao Natal, destacou o doce de grão, o ‘neureô’, o dodol, a cocada, o ‘manddaré’, as teias de aranha, o ‘cormolam’ e a bebinca, “rainha dos doces” nos antigos territórios de Goa, Damão e Diu, administrados por Portugal como “estado da Índia”, até 1961.

“Julgo que, pelo menos hoje em dia, somente as famílias que, tradicionalmente, vieram apreciando a gastronomia portuguesa terão na sua ementa pratos como bacalhau, feijoada, vinhos do Porto e de mesa, ou doces como o ‘sans rival’ e o bolo-rei”, adiantou.

Óscar Noronha é irmão do multi-instrumentista Orlando Noronha, que toca guitarra portuguesa em espetáculos de fado e mandó, um género musical popular de Goa que pode ser cantado e dançado.

Este ano, o docente fez a primeira tradução de concani para português do hino “Sam Franciscu Xavier”, em honra do missionário jesuíta Francisco Xavier (1506-1552), que está sepultado na Basílica do Bom Jesus de Goa.

“É um hino tradicional de Goa. Dizem que data do século XIX, mas tenho um palpite que seja mesmo do século XVII”, admitiu.

A partir dos anos de 1880, porém, o compositor Raimundo Barreto (1837-1906) passou a ser considerado “o autor do mais comovente hino local, que ainda hoje fala ao coração do goês, tanto em Goa como na diáspora”.

“Em dezembro de 1961, houve romarias à velha cidade de Goa para pedir ao santo que salvasse Goa das mãos da União Indiana, mas não se realizou o pedido”, referiu Óscar de Noronha.

No dia 01 de dezembro, a versão do hino em concani teve estreia em Pangim, durante uma novena a São Francisco Xavier, com interpretação pelo coro da Igreja Matriz.

“A tradução será pelo menos um pequeno contributo à história da comunidade cristã de Goa”, disse.

Na década passada, fundou a editora Third Millennium, tendo publicado livros em português, inglês e concani.

Óscar Noronha divulga ainda a cultura indo-portuguesa através de um blogue pessoal e no Youtube, sendo também editor associado da Revista da Casa de Goa, que se publica em Lisboa. In “Bom dia Europa” Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Moçambique - Comunidade Sant’Egidio celebra Natal com desfavorecidos

Cerca de 600 pessoas desfavorecidas tiveram, ontem, um almoço solidário oferecido pela comunidade Sant’Egidio em Maputo no contexto das celebrações do Natal.

O evangelho de Jesus Cristo, cujo nascimento se celebra no Natal, diz, na Bíblia Sagrada, que a fé sem obras é morta.

A Comunidade Sant’Egidio, na Cidade de Maputo, provou, com este almoço solidário aos desfavorecidos, que a sua fé está viva e com obras em curso.

São, ao todo, 600 beneficiários entre crianças, jovens, adultos e idosos. Fátima Manjate faz parte do grupo. “Foi muito animado [o almoço]. Estamos muito contentes. O padre fez-nos uma boa coisa. É muito bonito”, descreveu Fátima Manjate, beneficiária do almoço solidário.

Fátima, de 40 anos de idade e desempregada, depende de uma cadeira de rodas para se locomover. Disse que teria passado o Natal em branco, não tivesse sido o almoço oferecido pela Comunidade Sant’Egidio.

“Nada ia preparar porque estou desprovida. Sou cadeirante, vivo ‘desenrascando’ porque não trabalho. Se não tivesse sido o padre que nos convidou, estaríamos nas nossas casas [sem o que comer]”, contou Fátima Manjate.

Há quem recebeu o convite para se juntar ao almoço solidário a partir da rua onde vive. “No dia do Natal, as pessoas ficam em casa e ninguém vai à rua. As lojas estão fechadas. Todos estão a passar festas em casa. Então, se não fosse cá, não teria onde e o que comer. Vivo na rua e sem família”, narrou Pedro Mateus, morador de rua e beneficiário do almoço.

Pedro Mateus partilha as ruas da Cidade de Maputo como sua casa com este menor de 13 anos de idade, que nos conta como foi parar lá. “Eu fui viver na rua por conta dos maus-tratos por parte da minha madrasta que não gosta de mim. Quando o meu pai vai ao serviço, ela não me dá comida”, revelou Shelton, menor de 13 anos e beneficiário do almoço oferecido pela Sant’Egidio.

Desde que saiu de casa, Shelton faz a vida nas ruas e os dias de Natal não têm sido dos melhores. Mas, este ano, teve um sabor diferente. “Se estivesse em casa, certamente estaria mais limpo. Contudo, gostei do que comi, do que de melhor tinha para comer. O Natal foi bom”, considerou.

A Comunidade Sant’Egidio diz que realizou o almoço solidário alusivo ao Natal para dar alento aos desfavorecidos. “Nós pensamos com a Comunidade Sant’Egidio em fazer um almoço para todos aqueles que não têm família, que não são acolhidos porque eles são família de Deus, do menino Jesus e da igreja”, explicou Giorgio Ferretti, Padre da Sé Catedral de Maputo em representação da Comunidade Sant’Egidio

O almoço serviu, também, para transmitir valores como solidariedade e amor ao próximo.

“Celebrar o Natal na casa de Deus, na Catedral de Maputo, é também o sinal forte para mostrar que a igreja dos pobres e todos nós devemos fazer o nosso melhor para trazermos no mundo a compaixão e a misericórdia de Deus”, apelou o padre Giorgio Ferretti.

Do Polo Norte, o Pai Natal viajou até à Sé Catedral de Maputo para distribuir presentes aos desfavorecidos. Chinelos para continuarem a sua caminhada pelas ruas da Cidade de Maputo.

E, no fim, porque não há festa sem bolo, houve bolo para todos os que estiveram presentes no almoço solidário. Dario Cossa – Moçambique in “O País”

 

domingo, 18 de dezembro de 2022

Portugal - Associação Dimitri Francisco distribui presentes de Natal a crianças hospitalizadas em Pombal e Paris

A Associação Dimitri Francisco, criada na região de Paris mas com sede em Pombal, volta a distribuir presentes no dia de Natal, às crianças de três hospitais do centro do país.

No dia 25 de Natal, um grupo de voluntários irá aos serviços de Pediatria dos hospitais de Santo André, em Leiria, Distrital da Figueira da Foz e Pediátrico de Coimbra. “Ainda estamos em conversações com o novo hospital pediátrico de São João, no Porto”, disse à Lusa o Presidente da associação, Gilberto Francisco.

A associação desafiou as crianças a escreverem uma carta ao Pai Natal e a colocarem-na numa caixa de correio fictícia. Os pedidos “vão ser atendidos dentro do possível”, referiu a mesma fonte.

Segundo Gilberto Francisco, a associação investiu cerca de cinco mil euros em presentes, valor que é suportado pelos elementos da associação, assim como por vários mecenas que apoiam a causa.

“No dia 25 de dezembro vários grupos de voluntários vão aos internamentos e urgência dos hospitais, com o pai Natal, duendes e trenó para distribuir os presentes. Queremos que haja a magia do Natal entre as crianças que estão doentes”, explicou Gilberto Francisco.

O presidente da associação, emigrante em França, na Seine et Marne, vai também distribuir presentes em sete hospitais e oito orfanatos de Paris e região parisiense. “O objetivo é fazer as crianças e os pais sorrirem”, assumiu.

A Associação Dimitri Francisco é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, com sede em Pombal, e tem por missão promover e realizar ações de solidariedade, no Natal, em hospitais e instituições particulares e cooperativas de solidariedade social.

Esta associação ampara crianças com necessidades especiais, patrocina projetos específicos em hospitais pediátricos portugueses, como a ‘newsletter’ do Hospital Pediátrico de Coimbra, a decoração/humanização da sala de Urgências do Pediátrico de Coimbra, em parceria com o projeto Marinheiros da Esperança e a Marinha Portuguesa, distribuiu milhares de equipamentos de proteção individual por múltiplas instituições particulares de solidariedade social da região durante o pico da pandemia da Covid-19, refere uma nota de imprensa.

A associação também enviou bens de primeira necessidade para as crianças na Ucrânia, assim como participou na assistência a crianças ucranianas refugiadas da guerra, em Portugal.

Esta ação começou há cerca de 30 anos nos hospitais franceses, mas, em 2016, Gilberto Francisco foi desafiado a desenvolver o projeto na sua cidade natal, criando formalmente a Associação Dimitri Francisco, em 2019, quando distribuiu presentes em sete hospitais de norte a sul do país.

O nome da associação é uma homenagem ao filho de Gilberto Francisco, que faleceu ainda com meses de vida. In “LusoJornal” - França

 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Macau - Chá Gordo de Natal apresenta 40 pratos

Será a terceira mostra do Chá Gordo macaense, mas também a última deste ano. A Associação dos Macaenses preparou um “Natal antecipado”, no dia 26 de Novembro, que vai contar com mais de 40 pratos, para dar a conhecer aquela que é uma das mais apreciadas tradições da cultura macaense e também cada vez mais rara


A Associação dos Macaenses (ADM) vai organizar a terceira e última edição deste ano do Chá Gordo macaense. “Esta mostra terá como tema o Natal, permitindo aos participantes experimentar não só a verdadeira consoada macaense – a refeição do dia 24 de Dezembro, mas também o jantar típico do Dia de Natal, um dos mais importantes celebrados pelas famílias macaenses”, indica a associação em comunicado.

A mostra está agendada para o sábado dia 26 de Novembro, das 17h30 às 20h30, na sede da associação. Os cerca de 40 pratos tradicionais serão preparados pelos chefs Marina de Senna Fernandes, Armando Sales Richie, Florita Alves, Gito de Jesus, Joyce Barros, Ivone Nogueira, Mena Pacheco Silva, Mário Novo, Paula Borges, Ivone de Senna Fernandes e Wilma Marques.

A ADM abre o apetite aos curiosos. “Com a sopa lacassá, marisco e peixe abrimos a ceia, representando a Consoada típica. Segue-se depois o jantar de Natal, com pratos conhecidos como o peru e o lombo assado, a perna de carneiro e o bacalhau, mas também os tradicionais de cabidela, o caril de badana e o ‘diabo’ – um guisado que, em rigor, era servido uma semana após as festas, com base nas sobras das refeições festivas anteriores. Não obstante, nesta mostra, o diabo será também servido, tendo em conta essa tradição”, pode ler-se.

A mostra vai permitir observar não só a influência portuguesa na ceia de Natal, como também a inglesa, “devido à comunidade macaense em Xangai e Hong Kong” – especialmente no que toca às sobremesas. A associação explica que serão preparadas mais de uma dezena de sobremesas para encerrar este “Natal antecipado”, além de que todos os participantes receberão uma lembrança.

As inscrições estão abertas, no entanto, a ADM alerta que os lugares são limitados. Os bilhetes custam entre 280 e 330 patacas para adultos e 150 patacas para crianças dos três aos onze anos.

O Chá Gordo é uma tradição macaense centenária, que acontecia principalmente nas casas típicas das antigas famílias macaenses, normalmente para celebrar feriados católicos, como a Páscoa e o Natal, mas também datas comemorativas como casamentos, aniversários e baptizados.

Na nota enviada às redacções, a ADM explica que o Chá Gordo se popularizou por ser uma refeição volante, onde as pessoas se movimentavam num ambiente descontraído. Além disso, na sua base “está a arte de bem receber e da hospitalidade e, apesar do conceito familiar deste convívio, a indumentária é algo importante” – tradicionalmente, “os convidados apareciam vestidos a rigor para petiscar numa mesa farta e variada, também decorada de forma aprumada”.

Sendo uma das mais apreciadas tradições da cultura macaense, o Chá Gordo tornou-se cada vez mais raro, “sendo, nos dias de hoje, organizado tipicamente sob forma de mostras, para manter viva a memória dos velhos tempos”, refere a organização. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Macau - Restaurantes portugueses ajudam a matar saudades

Os restaurantes portugueses em Macau querem ajudar a comunidade portuguesa, que não pode sair do território devido à covid-19, a esquecer as saudades de ‘casa’ neste Natal


Normalmente, por esta altura, era comum a comunidade portuguesa que reside em Macau regressar a Portugal por ocasião do Natal para passar as férias com as suas famílias.

Contudo, pelo segundo Natal consecutivo, milhares de portugueses não o poderão fazer: Macau, que tem seguido a política de zero casos de covid-19, impõe quarentenas de regresso que podem chegar a 35 dias dentro de um quarto de hotel e não permite sequer a entrada a quem teve covid-19 nos últimos dois meses.

“Peru, leitão, cabrito e uns bolinhos: rabanadas, bolo de cenoura com frutos secos e o nosso pão de ló habitual”, é a receita que o restaurante Mariazinha vai levar a mais de 50 famílias portuguesas no dia 24 de Dezembro, contou à Lusa Nelson Rocha, o responsável do estabelecimento da península de Macau, a poucos metros das famosas Ruínas de São Paulo e do Largo do Senado.

“Preparamos o take away para as famílias, muita gente opta por ficar em Macau, especialmente este ano que não há hipótese de sair com facilidade, e nós fazemos sempre bastante comida para o dia 24 para as pessoas levarem para casa e fazerem o seu jantar de Natal em casa”, explicou, esperando que isso seja uma ajuda para que a comunidade ‘mate’ um bocadinho as saudades de Portugal.

Já no icónico O Santos, o restaurante situado há 32 anos no coração da ilha da Taipa, a promessa, além das encomendas para fora, é estar de portas e braços abertos para acolher a comunidade na véspera de Natal.

“Este Natal é um Natal muito diferente para mim e para quase toda a nossa comunidade que vivemos aqui nesta teia de protecção por causa da covid-19, já o ano passado assim foi e este ano também”, admitiu o senhor Santos, prometendo “estar de braços abertos à espera de todos e desejar a todos um feliz Natal”

“E quando entrarem aqui já sabem que têm aquele abraço apertadinho (…) se quiserem vir aqui jantar na noite de Natal estarei aqui à vossa espera de braços abertos”, frisou Santos, uma das figuras mais conhecidas da comunidade portuguesa residente no antigo território administrado por Portugal.

O alentejano de Montemor-o-Novo admitiu que estes dois últimos anos não têm sido de todo fáceis para a comunidade e que tenta ajudar o mais que pode, na medida do possível: “todos os natais eu estou aqui e então estes dois mais que nunca agarrado à nossa comunidade, à malta de Macau portuguesa e há muita malta que não pode sair daqui. Ou melhor, pode sair, mas para voltar vai ter de cumprir aquelas regras”, afirmou.

Quarto minguante

O poder de compra e o próprio número de portugueses no território tem criado dificuldades aos restaurantes portugueses, admitiram os dois responsáveis.

Nelson Rocha sente que as pessoas estão a fazer reservas menores para este ano, fruto “da componente financeira, as pessoas também estão um bocado preocupadas e eu acho que não gastam tanto”.

Já Santos, nota que cada vez tem vistos mais portugueses a irem despedir-se ao seu restaurante. “A nossa comunidade cada vez é menor, cada vez há menos trabalho”, sublinhou. In “Hoje Macau” - Macau


sábado, 11 de dezembro de 2021

Canadá - ACAPO celebra Natal e espera que Parada de Portugal volte em grande em 2022

A ACAPO (Aliança de Clubes Portugueses e Associações de Ontário) juntou alguns dos clubes, associações e ranchos folclóricos no seu tradicional encontro de Natal. O evento decorreu na Casa do Alentejo na quarta-feira (7) e contou com a presença de membros da direção do Rancho da Nazaré, Clube de Barcelos, First Portuguese, Casa das Beiras, Casa do Alentejo, Rancho Transmontano e Casa da Madeira


A presidente da Comissão Ad Hoc da ACAPO, Katia Caramujo, disse ao Milénio Stadium que este convívio, que foi interrompido pela pandemia, seguiu todas as regras impostas pelas autoridades de saúde de Ontário e foi uma oportunidade para agradecer aos clubes o seu trabalho durante o ano.

A pandemia tem condicionado a atividade das associações portuguesas e o maior problema agora é assegurar a continuidade dos ranchos folclóricos até porque algumas das crianças ainda não estão vacinadas contra a COVID-19. “Reunimos com alguns dos clubes nos últimos dois meses e alguns ainda conseguem organizar atividades nas suas próprias sedes, mas outros nem tanto. Há receio em relação ao futuro dos ranchos folclóricos porque a dança é feita com pessoas de diferentes bolhas sociais e algumas das crianças ainda não foram vacinadas”, explicou.

Questionada pelo nosso jornal se tinha conhecimento de algum clube que corria o risco de encerrar as portas, a presidente da Comissão Ad Hoc garantiu que apesar da atual crise de saúde e económica ser desafiante, a maioria continua a funcionar. “No verão os Poveiros encerraram a sua sede, mas continuam com as suas atividades. O First Portuguese reduziu o espaço da sua sede para cortar nos custos e está a realizar as suas atividades. Não tenho conhecimento de nenhum clube que vai encerrar portas em breve”, assegurou.

Para 2022 o desejo da Comissão é eleger uma nova direção e retomar a Parada de Portugal na Dundas Street West. O antigo presidente da ACAPO, que integra agora a Comissão Ad Hoc, deixou alguns recados para o Governo de Portugal. “Não temos tido a representação política que merecemos, mas a culpa é nossa. Deixo aqui uma mensagem, votem e digam às pessoas para votarem senão nós não somos nada”, disse. Eustáquio agradeceu ainda aos ranchos de folclore, bandas filarmónicas e clubes o esforço para preservar a cultura portuguesa e lamentou que os representantes políticos viessem para Toronto apenas por nomeação e durante quatro anos.

O Cônsul-Geral de Portugal no Canadá, José Mendes Carneiro, disse por sua vez, que pediu para vir para Toronto justamente por ter ouvido dizer que a cidade tinha uma comunidade dinâmica e recordou que na Alemanha, onde esteve em funções antes de ser destacado para Toronto, lutou pela afirmação da cultura portuguesa. “Os portugueses podem sair da Dundas, mas ficam os murais (de Amália e VHILS) e o Galo de Barcelos”, disse no seu discurso.

Em declarações ao Milénio Stadium, o Cônsul explicou que o movimento associativo está em transição em Toronto e em toda a diáspora portuguesa no estrangeiro e disse que aqui cabia à ACAPO e a todas as outras estruturas associativas debater o futuro. “Que movimento associativo é que nós queremos, se está de facto em crise ou não e estando em crise quais os novos caminhos que o movimento associativo deve trilhar”, referiu.

A ACAPO foi criada em 1986 e está a funcionar com uma Comissão Ad Hoc desde 2017. Joana Leal – Canadá in “Milénio Stadium”


quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Unicef - ABBA lança música de Natal e doa direitos autorais

A iniciativa procura proteger as jovens da violência, a cada 10 minutos, uma adolescente morre ao ser vítima de agressões. Os valores irão para o Fundo Global de Proteção à Criança da Unicef


Os membros da banda musical ABBA vão doar os pagamentos dos direitos autorais do single “Little Things” para o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Cada vez que alguém compra a música do grupo sueco ou a escuta em alguma plataforma, um valor será depositado para a Unicef.

O dinheiro arrecadado pelos ABBA será destinado ao Fundo Global de Proteção à Criança da Unicef. A meta é apoiar o número crescente de crianças afetadas pelas consequências da Covid-19, como o encerramento de escola e serviços sociais.


Jovens

Os ABBA e a Unicef são parceiros de longa data. Desde 1979, a banda doa direitos arrecadados com a música Chiquitita. Desta vez, os ABBA doarão os pagamentos de “Little Things” até 2026.

A diretora executiva adjunta da Unicef, Charlotte Petri Gornitzka, agradeceu o apoio e afirmou que o fundo irá combater as raízes da desigualdade de género e promover o empoderamento das jovens em todo o mundo.

Iniciativas

As ações da Unicef visam proteger as jovens contra a violência e oferecer oportunidades de empoderamento, entre outros objetivos. Em todo mundo, milhões de crianças sofrem violência, incluindo violência sexual, todos os anos.

A cada 10 minutos, uma adolescente morre por causa da violência.

Além disso, um número crescente de crianças enfrenta desafios de saúde mental que afetam a sua segurança e bem-estar. As jovens enfrentam violações específicas, como o casamento infantil. ONU News – Nações Unidas



segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Alemanha - Coordenação do Ensino Português organiza “Natal Lusófono” virtual

 


A primeira Aula Virtual, organizada pela Coordenação do Ensino Português (Cepe) na Alemanha, que decorreu, foi dedicada ao “Natal Lusófono” e contou com mais de 30 crianças inscritas.

“Os alunos tiveram oportunidade de aprender um pouco mais a respeito de tradições lusófonas, a origem e significado do Natal, alargar o seu leque de vocabulário sobre esta época festiva, expressar os seus desejos de Natal, cantar e conviver um pouco em ambiente virtual”, revelou à Lusa Ângela Silvério, docente de apoio pedagógico em Berlim.

O projecto Aula Virtual, que teve a duração de aproximadamente 40 minutos, pretendia ser uma aula em ambiente ‘online’, destinada a lusodescendentes (com português como língua de herança) e crianças e jovens que aprendam o português como língua estrangeira.

A Aula Virtual incluiu a narração de uma história, a apresentação de aspectos culturais e a apresentação de vocabulário relacionado a diferentes temas.

“O projecto surgiu no âmbito da última participação da Cepe Alemanha na Expolíngua de Berlim, feira internacional de línguas e culturas, que se realizou em Novembro”, contou Ana Patrícia Santos, docente de apoio pedagógico em Berlim.

“Todos os anos, a Cepe Alemanha ministra um curso para adultos, porém, nesta edição, e uma vez que o evento decorreu ‘online’, foi decidido organizar um curso que se dirigisse ao seu público-alvo, crianças e jovens em idade escolar”, acrescentou.

O interesse demonstrado pelos pais e encarregados de educação foi tanto, sublinharam as duas dinamizadoras do curso, que a Aula Virtual passou a fazer parte do Plano Anual de Actividades da Cepe Alemanha.

Um dos objectivos desta iniciativa é aproximar a Cepe Alemanha a crianças, jovens, pais e encarregados de educação, através das plataformas digitais.

“O facto de, em menos de uma semana, termos mais de 30 inscrições, faz-nos pensar que o balanço é positivo e um projecto que merece ter continuidade”, confessou Ângela Silvério.

A Aula Virtual é uma iniciativa que, a partir de agora, se deverá replicar durante todo o ano lectivo, por diferentes professores, em diferentes pontos da Alemanha. A temática fica à escolha do docente. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul com “Lusa”


terça-feira, 24 de dezembro de 2019

França – Um pinheiro de Natal ecológico



Este ano o Pinheiro de Natal do Instituto Lusófono e da Associação Portuguesa Cultural e Social (APCS) de Pontault-Combault (77) tem uma cor diferente. No âmbito da reciclagem, mas sobretudo na descoberta do nosso país, o Pinheiro de Natal foi criado com rolhas de cortiça.

Um momento para falar na produção de cortiça que o nosso país tem, na importância que este produto tem na economia do país e também como é uma matéria prima que serve para a realização de diferentes objetos e suportes.

Graças aos alunos, pais, familiares e ao restaurante l’Horloge de Pontault-Combault professores e alunos conseguiram arranjar rolhas suficientes para criar este Pinheiro que foi realizado pelos alunos e por um grupo de voluntários armados de boa vontade.

“O diferente é que marca a diferença e queremos sensibilizar os nossos alunos para a importância da reutilização e ao mesmo tempo implicá-los de forma ativa para a mudança no agir e formá-los para uma cidadania responsável” explica ao LusoJornal a professora Débora Cabral Arruda. “Assim nasceu o nosso Pinheiro que está exposto na sede da APCS e Instituto Lusófono”.

Desta forma, a APCS deseja a todos festas felizes “e que 2020 seja um ano de concretizações e de ações responsáveis”. In “LusoJornal” - França

domingo, 22 de dezembro de 2019

Estados Unidos da América - Clube e escola Infante D. Henrique em South River, Nova Jersey, levaram a efeito Festa de Natal



Cerca de uma centena de crianças, alunos da escola Infante D. Henrique e filhos de sócios do clube, tiveram a sua festa de Natal na tarde de domingo do passado dia 15. Os pais também participaram em bom número, com o salão parcialmente cheio, e apoiaram vivamente os pequenos actores nas suas interpretações.

A professora Sandra deu as boas vindas aos presentes após o qual foi aberto o programa com os alunos a cantarem os hinos nacionais. Seguiram-se breves representações pelos alunos, bem aplaudidos pela assistência, e mais tarde chegou o momento mais esperado, o Pai Natal e a Mãe Natal carregados de presentes. In “Luso Americano” – Estados Unidos

domingo, 27 de dezembro de 2015

Síria – Há Natal


As fotos aí de cima foram tiradas em Latakia, na Síria, nas comemorações da noite de Natal. Há muitas mais que você pode ver no twitter de uma moça síria, Lina Arabi, aqui.

Não é outra Síria. É a Síria de verdade, que agora nos acostumamos a ver apenas nas multidões de refugiados e nas atrocidades do “Exército Islâmico”.

Um país multirreligioso, que sempre soube conviver com suas diferenças e do qual temos aqui tantos descendentes, como dos seus irmãos do Líbano, quase um povo só no nome que lhes damos e eles, de bom grado, aceitam: sírio-libaneses.

Mas o Ocidente, para derrubar o que chama de ditadura de Bashar Al-Assad fomentou, financiou e armou a Síria sanguinária, tão próxima da barbárie dos fanáticos do Isis.

Mas há mais humanidade na Síria do que imaginam os tolos, os que discriminam os muçulmanos e árabes como fossem selvagens.

A Al Jazzera noticiou que o Governo sírio permitiu que grupos rebeldes, entre eles muitos do “Exército Islâmico” se retirassem do bairro de Yarmouk, nos subúrbios da capital, Damasco, onde estavam sitiados há tempos. Deram-lhes um salvo-conduto, extensivo às suas famílias para viajarem para onde desejarem, inclusive para as áreas ainda controladas pelo Isis.

De Yarmouk e arredores, certamente, saíram muitos dos refugiados que vimos nos jornais. Da população de 160 mil pessoas, restavam apenas 18 mil sob o controle do Isis e de outros grupos.

E que, quem sabe, quando entenderem que é preciso acabar com o fruto sangrento da intervenção do Ocidente no mundo árabe, possa estar reunida em festas, cristãs ou muçulmanas, outra vez.

Como era na Síria. Fernando Brito – Brasil in “Tijolaco.com.br”

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Síria – Na cidade de Qamishli ainda há esperança

Síria - Cidade de Qamishli Natal 2015   Foto syria.liveuamap.com 


Num país dilacerado pela guerra, onde o amanhã é uma incógnita para milhares de sírios, numa cidade lá bem no nordeste do país junto à fronteira turca, na província de al-Hasakah, de nome Qamishli, os cidadãos preparam-se para a festa do Natal e para a celebração do Ano Novo.

Síria - Cidade de Qamishli Natal 2015   Foto syria.liveuamap.com


Bem longe de tudo, mas não da guerra, a cidade de Qamishli mantêm-se ligada ao mundo através da companhia de aviação Cham Wings Airlines que com apenas um avião, um Airbus A320-214, transporta regularmente pessoas e bens, permitindo ao povo desta cidade a esperança de melhores dias. Baía da Lusofonia 

Síria - Cidade de Qamishli Natal 2015   Foto syria.liveuamap.com

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal


Natal de Quem?

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!

Coelho dos Santos – Portugal

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Noite


Um homem, — era aquela noite amiga,
noite cristã, berço no Nazareno, —
ao relembrar os dias de pequeno,
e a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
as sensações da sua idade antiga,
naquela mesma velha noite amiga,
noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto... A folha branca
pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
a pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"

Machado de Assis - Brasil