Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Macau - Associação dos Macaenses mantém dificuldades financeiras

Nada mudou nos critérios de atribuição de subsídios, pelo que a Associação dos Macaenses continua, segundo Miguel de Senna Fernandes, com dificuldades financeiras para manter as suas actividades, algumas das quais já estão suspensas. A cantina é uma delas, sendo que a associação quer reabri-la o mais rápido possível. Outro foco é direccionado para um novo colóquio sobre a identidade macaense

O cancelamento da festa de Natal em Dezembro foi um claro sinal de que a situação de falta de recursos humanos, a que se juntam as dificuldades financeiras, resultantes da redução de subsídios, continuam a afectar as actividades da Associação dos Macaenses (ADM).

Em declarações proferidas há pouco mais de um ano, Miguel de Senna Fernandes, presidente da associação, falou em “paralisação”, em virtude desses cortes no apoio financeiro que vem sendo atribuído à ADM por parte da Fundação Macau e em que outras associações são igualmente contempladas, como por exemplo, a Casa de Portugal.

“A situação não mudou nada nestes últimos meses e nós continuamos a ter de nos habituar aos novos tempos, temos de nos reinventar, mesmo que isso possa vir a alterar o rumo normal das associações”, começou por dizer ao Jornal Tribuna de Macau aquele representante da comunidade macaense.

Apesar das dificuldades provenientes sempre da questão financeira, a Associação dos Macaenses tem, ainda assim, apostado e concretizado várias actividades, dentro das condições mínimas de que dispõe, como foi o caso do Chá Gordo.

Para este ano de 2023 e atendendo a que “nada se alterou nesta política de atribuição de subsídios e por isso não há milagres”, Miguel de Senna Fernandes tem como prioritárias, para além de algumas actividades já conhecidas, a reabertura da cantina e a realização de um colóquio, que esteve previsto para o ano passado.

Sobre a cantina, Senna Fernandes lamenta que ainda não esteja de novo em funcionamento, porque há falta de mão-de-obra. “Mas de facto é pena que a existência de uma cantina não seja entendida como uma forma de convívio entre os membros, como faz parte dos critérios de funcionamento de uma associação do nosso tipo. Esses convívios são a chave da sobrevivência, uma vez que com isso chamamos os sócios”, salienta Miguel de Senna Fernandes.

Aposta em mais um colóquio sobre a identidade macaense

Para além do Chá Gordo, “que foi possível manter, esse sim um claro e indispensável convívio”, a Associação volta a apostar nos colóquios, que para o número um da ADM, “são de extrema importância para a identidade macaense”.

Isso dará continuidade à ideia, que começou a ser colocada em prática há uns anos e que agora assume um papel mais actual, que é “o desfasamento entre gerações, pois se o colóquio anterior se centrou em abordar a passagem de testemunho, o próximo pretende focar-se naquilo que é a nova geração”, isto mesmo foi dito por Miguel de Senna Fernandes, aquando das celebrações do aniversário, há pouco mais de um ano.

Quando a associação comemorou duas décadas e meia, o líder da ADM referiu que temia que a instituição pudesse desaparecer se “deixássemos de estar numa missão de alerta da própria comunidade.”

E esse receio mantém-se na actualidade… “Reinvenção é o termo que hoje em dia mais utilizamos, nesta luta de sobrevivência, mas é na verdade diferente daquilo que sempre fizemos bem. Continuo a pensar que tem de haver uma contenção nos gastos das associações. Eu não sou contra, uma vez que estão a gastar o erário público e no passado registaram-se alguns abusos, mas com estas regras instituições como a nossa ou se reinventam, ou se descaracterizam”.

O presidente da Associação dos Macaenses, que reconhece ter sorte no espaço que a instituição detém, é peremptório ao afirmar que “não houve sensibilidade, na altura da decisão de reduzir os subsídios, em ver as nuances muito próprias das associações portuguesas.”

A concluir, Miguel de Senna Fernandes diz estar optimista, que, não obstante todas estas dificuldades face às verbas atribuídas, “possamos reabrir a cantina e prosseguir o espírito para o qual criámos a ADM”, em Outubro de 1996. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 15 de novembro de 2022

Macau - Chá Gordo de Natal apresenta 40 pratos

Será a terceira mostra do Chá Gordo macaense, mas também a última deste ano. A Associação dos Macaenses preparou um “Natal antecipado”, no dia 26 de Novembro, que vai contar com mais de 40 pratos, para dar a conhecer aquela que é uma das mais apreciadas tradições da cultura macaense e também cada vez mais rara


A Associação dos Macaenses (ADM) vai organizar a terceira e última edição deste ano do Chá Gordo macaense. “Esta mostra terá como tema o Natal, permitindo aos participantes experimentar não só a verdadeira consoada macaense – a refeição do dia 24 de Dezembro, mas também o jantar típico do Dia de Natal, um dos mais importantes celebrados pelas famílias macaenses”, indica a associação em comunicado.

A mostra está agendada para o sábado dia 26 de Novembro, das 17h30 às 20h30, na sede da associação. Os cerca de 40 pratos tradicionais serão preparados pelos chefs Marina de Senna Fernandes, Armando Sales Richie, Florita Alves, Gito de Jesus, Joyce Barros, Ivone Nogueira, Mena Pacheco Silva, Mário Novo, Paula Borges, Ivone de Senna Fernandes e Wilma Marques.

A ADM abre o apetite aos curiosos. “Com a sopa lacassá, marisco e peixe abrimos a ceia, representando a Consoada típica. Segue-se depois o jantar de Natal, com pratos conhecidos como o peru e o lombo assado, a perna de carneiro e o bacalhau, mas também os tradicionais de cabidela, o caril de badana e o ‘diabo’ – um guisado que, em rigor, era servido uma semana após as festas, com base nas sobras das refeições festivas anteriores. Não obstante, nesta mostra, o diabo será também servido, tendo em conta essa tradição”, pode ler-se.

A mostra vai permitir observar não só a influência portuguesa na ceia de Natal, como também a inglesa, “devido à comunidade macaense em Xangai e Hong Kong” – especialmente no que toca às sobremesas. A associação explica que serão preparadas mais de uma dezena de sobremesas para encerrar este “Natal antecipado”, além de que todos os participantes receberão uma lembrança.

As inscrições estão abertas, no entanto, a ADM alerta que os lugares são limitados. Os bilhetes custam entre 280 e 330 patacas para adultos e 150 patacas para crianças dos três aos onze anos.

O Chá Gordo é uma tradição macaense centenária, que acontecia principalmente nas casas típicas das antigas famílias macaenses, normalmente para celebrar feriados católicos, como a Páscoa e o Natal, mas também datas comemorativas como casamentos, aniversários e baptizados.

Na nota enviada às redacções, a ADM explica que o Chá Gordo se popularizou por ser uma refeição volante, onde as pessoas se movimentavam num ambiente descontraído. Além disso, na sua base “está a arte de bem receber e da hospitalidade e, apesar do conceito familiar deste convívio, a indumentária é algo importante” – tradicionalmente, “os convidados apareciam vestidos a rigor para petiscar numa mesa farta e variada, também decorada de forma aprumada”.

Sendo uma das mais apreciadas tradições da cultura macaense, o Chá Gordo tornou-se cada vez mais raro, “sendo, nos dias de hoje, organizado tipicamente sob forma de mostras, para manter viva a memória dos velhos tempos”, refere a organização. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



terça-feira, 6 de abril de 2021

Moçambique – Novo aeroporto de Chongoene na província de Gaza estará pronto até ao mês de Outubro


A empresa pública Aeroportos de Moçambique (ADM) garante que o aeroporto de Chongoene, em construção na província de Gaza, estará pronto até Outubro próximo. A garantia é dada pelo Administrador Financeiro e Porta-voz da instituição, Saíde Júnior.

Em entrevista exclusiva à “Carta”, Júnior lembrou que por efeitos da crise pandémica, as obras de construção da infra-estrutura demoraram um semestre, mas garantiu-nos que daqui a seis meses o aeroporto estará aberto ao tráfego aéreo nacional e regional.

Em termos de execução da infra-estrutura, que conta com um terminal de carga de 300 metros quadrados, o nosso entrevistado falou de níveis acima de 80%.

Refira-se que um ano antes do término das obras, a ADM desencadeou uma campanha, em que prevê investir 1.6 milhão de Meticais em marketing daquele aeroporto, de modo a evitar que após abertura ao tráfego não se torne num “elefante branco”, como o aeroporto internacional de Nacala, na província de Nampula.

Conforme noticiamos recentemente, o investimento está a ser aplicado para a realização de actividades como reuniões, espectáculos musicais, material de publicidade e campanhas de comunicação, formação de pessoal de atendimento/protocolo, técnico e operacional para o acto de inauguração da infra-estrutura.

Ademais, a empresa pública que gere os aeroportos em Moçambique pretende tornar aquela infra-estrutura sustentável, através do desenvolvimento de diversos negócios, com destaque para turísticos e logísticos.

O aeroporto de Chongoene está projectado para receber 220 mil passageiros por ano. A infra-estrutura está avaliada em 60.3 milhões de USD, financiados pela China. Evaristo Chilingue – Moçambique in “Carta de Moçambique”


 

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Moçambique - Aeroportos vão poder contar com “conhecimento tecnológico” português e francês

A empresa Aeroportos de Moçambique (ADM, EP) vai cooperar com a ANA – Aeroportos de Portugal e a francesa VINCI Airports, com vista a optimizar a gestão dos aeroportos, sustentar o seu crescimento, bem como reposicionar-se para projectar os aeroportos moçambicanos com serviços de primeira classe em África, alinhados com padrões internacionais.

Para a materialização deste objectivo, através da concepção de soluções para a exploração e desenvolvimento dos aeroportos nacionais, as três entidades celebraram na segunda-feira, 15 de Abril, em Maputo, um memorando de entendimento, num acto testemunhado pelo ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita.

Na ocasião, o governante referiu que a identificação de parceiros com vasta experiência internacional como a ANA – Aeroportos de Portugal e a VINCI Airports, tem por objectivo a optimização da capacidade instalada nos aeroportos moçambicanos, através de um trabalho de planificação sobre os caminhos a trilhar para a exploração eficiente do potencial existente.

“Encoraja-nos a experiência comprovada dos nossos parceiros como o caso da VINCI Airports, um dos líderes do sector aeroportuário internacional que gere 45 aeroportos nos mercados mais exigentes como Estados Unidos da América, França, Reino Unido, Portugal, incluindo em países em via de desenvolvimento como Camboja, Chile, Sérvia e outros”, indicou Carlos Mesquita, destacando que os aeroportos geridos pela VINCI Airports são servidos por mais de 200 companhias aéreas que movimentam mais de 195 milhões de passageiros.

Do conjunto dos grandes desafios que a empresa ADM, EP deverá ultrapassar nos próximos tempos, o ministro enfatizou a manutenção em condições aceitáveis de operacionalidade e rentabilidade a imensa rede aeroportuária espalhada pelo País, cumprindo com o seu papel de dinamizador da economia, impulsionando o desenvolvimento do turismo nacional e internacional.

“Com este memorando, é nossa expectativa que os parceiros apresentem igualmente uma melhor abordagem para óptimas soluções de investimento e de concessão para desenvolver os aeroportos, a médio e longo prazos”, frisou o governante.

Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da ANA - Aeroportos de Portugal, José Luís Arnaut, disse que a sua empresa foi em 2012 objecto de um contrato de privatização e concessão, por um período de 50 anos, pela empresa VINCI Airports, e foi um projecto que logrou grande sucesso até ao momento, tendo duplicado de 16 milhões de passageiros, em Lisboa, para 30 milhões, apenas em 4 anos.

“A ANA - Aeroportos de Portugal está satisfeita em poder colaborar, activamente, na concretização deste memorando de entendimento, ora celebrado, que tem dois aspectos a realçar, nomeadamente a possibilidade de, no âmbito da nossa experiência, podermos contribuir com um estudo mais aprofundado das potencialidades de Moçambique, pois nós acreditamos seriamente nas potencialidades do desenvolvimento turístico, económico e da plataforma que Moçambique poderá representar, e a experiência com a VINCI Airports, que foi muito positiva”, concluiu.

Importa realçar que a empresa ADM, EP tem neste memorando uma oportunidade para se apropriar do know-how destes conceituados parceiros, na sua missão de garantir a gestão, manutenção, planificação, desenvolvimento de infra-estruturas aeroportuárias, navegação aérea e prestar serviços de controlo de tráfego aéreo. In “Fim de Semana” - Moçambique

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Brasil - ADM planeja reconfigurar linhas férreas da Ponta da Praia

Esse pode ser um dos investimentos necessários para uma nova renovação de contrato

Redesenhar, ainda neste ano, as linhas férreas localizadas na Ponta da Praia e facilitar o acesso de trens carregados com cargas aos terminais daquela região. Esse é o objetivo de um estudo que vem sendo elaborado pela ADM do Brasil, em parceria com terminais vizinhos. E esse pode ser um dos investimentos necessários para uma nova renovação de contrato de arrendamento com o Governo Federal.

Até janeiro do próximo ano, a ADM pretende concluir seu plano de modernizar suas instalações e ampliar em 50% a exportação de grãos da unidade. Com esse aporte, a empresa aumentará a capacidade de embarque dos grãos de sua unidade portuária dos atuais 6 milhões para 8 milhões de toneladas por ano. O plano foi feito com o objetivo de garantir a renovação do contrato de arrendamento do terminal que, agora, vale até 2037. O projeto prevê um investimento de R$ 280 milhões.

“A gente está avaliando outros investimentos na Baixada Santista, mais voltados à área ferroviária. Também não deixa de ser um ponto positivo para a sociedade essa mudança com uma matriz mais ferroviária do que rodoviária. A gente está, sim, investindo e avaliando novos projetos nessa área”, destaca o diretor de Portos e Logística da ADM, Eduardo Carvalho Rodrigues.

Segundo o executivo, a empresa está conversando com os operadores ferroviários e com os terminais localizados na Ponta da Praia. O objetivo é redesenhar as linhas férreas em toda região e ampliar a utilização da matriz ferroviária, principalmente no Corredor de Exportação.

De acordo com Rodrigues, atualmente na ADM, 60% das cargas utilizam o modal ferroviário para chegar ao terminal. Mas a ideia é fazer com que esse volume cresça ainda mais, reduzindo a dependência de caminhões e, consequentemente, o tráfego de veículos nas vias urbanas.

Segundo dados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a estatal que administra o Porto de Santos, a média de participação do modal ferroviário nas atividades dessas instalações é de 64%, atualmente. No período mais crítico da safra agrícola (entre maio e outubro), em razão da demanda, o índice cai para 39%, enquanto que em meses ociosos, como dezembro, a utilização de trens sobe para 94%.

Executivos do terminal chegaram a avaliar a construção de uma pera ferroviária. Trata-se de uma linha férrea montada no formato da fruta, utilizada para a realização do descarregamento dos vagões e a manobra dos trens. Mas o projeto não foi considerado viável.

“A gente avaliou a construção da pera, mas ali, por ser o final, ela iria ocupar um pedaço daquele terreno do Ministério da Pesca, que vai virar a Polícia Federal, se eu não me engano. Então, isso foi descartado. Também havia uma complexidade de projeto, porque, se fizesse essa pera, a gente teria que construir uma ponte para a pera passar por baixo e os caminhões entrarem no terminal por cima. A engenharia e os departamentos locais descartaram essa possibilidade”, explica Rodrigues sobre o projeto.

Investimento

Para o diretor da ADM, ainda é cedo para definir os valores que serão investidos na reconfiguração das linhas férreas. Mas é possível que ele se torne uma das contrapartidas para uma futura renovação do contrato de arrendamento do terminal.

A ADM iniciou suas operações no Porto de Santos em 1997 e tinha 20 anos, estabelecidos em contrato, para as operações. Em 2015, o terminal garantiu a continuidade da exploração até 2037, usando como contrapartida o investimento de R$ 280 milhões na construção de um novo armazém e ainda na aquisição de equipamentos capazes de mitigar os impactos das operações no meio ambiente.

Mas agora, com o novo marco regulatório do setor, o Decreto dos Portos, nº 9.048, os contratos podem ser renovados até o prazo máximo de 70 anos. Com isso, a ADM pode pleitear mais 30 anos de operações no cais santista.

“A gente está acompanhando de perto essas mudanças na Lei dos Portos e é até nesse sentido que a gente vem dando mais ritmo nesse investimento sobre a ferrovia. Porque nós estamos avaliando a questão de os terminais arrendados passarem para 70 anos na sua concessão”, destaca o executivo.

Segundo Rodrigues, esta é uma estratégia que está sendo cogitada pela empresa. “O Porto de Santos é muito importante para a estrutura da ADM no Brasil. Então, para nós, ganhar esses 30 anos adicionais, sim, faria muito sentido no nosso plano estratégico e, consequentemente, traríamos mais investimentos para continuar mais tempo aqui na Baixada Santista”, destaca o diretor do terminal. Fernanda Balbino – Brasil in “A Tribuna”