Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Centro de Estudos Internacionais Iscte - YouPrise Workshop: potencia o teu mindset regenerativo e ecoempreendedor com o inovador modelo Ecoprise

No dia 18 de setembro realiza-se o primeiro Youprise Workshop, uma atividade que faz parte da fase final do projeto europeu ECOPRISE (Fevereiro 2023 – Janeiro 2027), cujo objetivo é partilhar a experiência dos/as participantes que concluíram a formação - recém-formados/as «Ecoprise Designers» - para apresentarem os seus projectos finais, nos quais implementaram o modelo inovador de regeneração e ecoempreendedorismo Ecoprise. Esta sessão contará com apresentações de projectos local-based realizados por Ecoprise Designers formados durante a fase-piloto do curso Ecoprise, bem como a apresentação do modelo regenerativo Ecoprise e do MOOC pelos tutores.

Será dada especial ênfase à apresentação do modelo Ecoprise, um framework inovador para o empreendedorismo social, cocriado por um consórcio multidisciplinar e especializado, também inspirado no design de ecoaldeias e na ética da permacultura. O workshop irá também destacar as sete dimensões centrais e interligadas do modelo Ecoprise (cultura, propósito, regeneração, propriedade e governação, redes, impacto e replicabilidade), bem como a sua abordagem ecossistémica, em torno das quatro dimensões da sustentabilidade e regeneração: Ecologia, Economia, Social e Cultura. Os participantes terão ainda a oportunidade de conhecer a formação MOOC da Ecoprise e interagir com os materiais didáticos.

Esta sessão decorre entre as 10h e as 13h, na sala A104 (Edifício 4, Iscte - Conhecimento e Inovação), e está aberta a todos os estudantes, docentes e investigadores do Iscte. É necessário a inscrição prévia através deste formulário.

Não pode participar nesta edição? Vamos ter uma 2ª edição a 16 Outubro. Preencha o formulário para saber mais e/ou subscrever a newsletter de Ecoprise Portugal.

Nota: Este evento está previsto ser em Português. No caso de inscrições em inglês, faremos os possíveis para ter tradução ou o evento em inglês.





quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Singapura - A cidade que aprendeu a combinar a natureza com a vida urbana


Como uma pequena ilha densamente urbanizada, seria perdoado esperar que Singapura seja pouco mais do que faixas de cimento.

Ocupando apenas 700 quilómetros quadrados, mas abrigando mais de 5,7 milhões de pessoas, é o segundo país mais densamente povoado do planeta - ficando atrás apenas de Mónaco, que tem apenas 40 mil habitantes em comparação.

Mas Singapura não é uma selva de cimento, muito longe disso. A cidade-estado é, em vez disso, uma lição extraordinária para o resto do mundo sobre como combinar perfeitamente a vida urbana com a natureza.

Da urbanização descontrolada ao rápido reflorestamento

Desde que foi colonizada pela primeira vez pelos britânicos em 1819, altura que Singapura foi formalmente fundada, mais de 95% da vegetação da ilha foi removida. A velocidade com que o estado cresceu, tanto em termos de infraestrutura quanto de população, foi tão rápida que perdeu a sua flora e fauna numa taxa diferente de qualquer outra nação.

Com 90% das suas florestas, 67% das suas espécies de pássaros nativos e 40% dos seus mamíferos perdidos devido ao rápido crescimento da cidade, ficou claro que o nível de industrialização não era mais sustentável.

Em 1967, dois anos após a independência de Singapura, foram lançados planos para transformar a nação numa 'cidade-jardim', designando terras como reservas naturais.

Mas o espaço verde não foi o único problema que a cidade enfrentou. A poluição do ar estava a tonar-se um problema crescente, a ponto de em 1996 o país apresentar um dos maiores níveis de emissão do planeta.

No início da década de 1990, o Plano Verde de Singapura (SGP) foi criado e, em seguida, reestabelecido dez anos depois, em 2002, como SGP 2012. Concentrou-se em três áreas principais: Ar e alterações climáticas; Água e terra limpa; Natureza e saúde pública.

O objetivo era corrigir os problemas enfrentados por Singapura em 2012, por meio de ações educacionais, campanhas de consciencialização e mudanças na infraestrutura.

Uma grande parte desse plano era sobre a recuperação de espaços verdes e encontrar maneiras inovadoras de redesenhar a cidade - que é como Singapura se tornou conhecida como uma cidade 'biofílica'.


O que é uma cidade biofílica?

A palavra 'biofílico' significa um amor pela natureza e pelo mundo natural, vindo de bio- (vida) e -philia (amigável para com). Uma organização chamada Biophilic Cities existe para trabalhar com cidades ao redor do mundo para obter o status de credenciada e reconhecimento pelo seu trabalho combinando natureza com planeamento urbano.

“Estas cidades parceiras estão a trabalhar em conjunto para conservar e celebrar a natureza em todas as suas formas [...] desde a biodiversidade até aos espaços urbanos selvagens presentes nas cidades”, explica o sítio Biophilic Cities.

“Reconhecemos a importância do contato diário com a natureza como um elemento de uma vida urbana significativa, bem como a responsabilidade ética que as cidades têm de conservar a natureza global como habitat compartilhado para vidas não humanas e pessoas.”

Singapura é membro do Biophilic Cities desde 2013, sem dúvida graças ao trabalho realizado em todo o país para reconstituir a ilha.

Grande parte da regeneração de Singapura foi liderada pelo Dr. Cheong Koon Hean, que chefiou a agência de desenvolvimento urbano do país. Parte do seu trabalho consistia em executar um programa de incentivo para encorajar construtoras e proprietários de imóveis a instalar jardins em telhados e paredes verticais de plantas.

Desde 2009, este esquema foi recriado em mais de 100 edifícios com telhados verdes, jardins comestíveis, jardins recreativos na cobertura e paredes verdejantes. Isso não apenas ajudou a melhorar a cidade de uma perspectiva ecológica, mas também estabeleceu a estética única e distinta de Singapura.

Essa vegetação adicionada ajudou a mitigar o efeito do calor urbano, ao mesmo tempo que melhorou a qualidade do ar, já que as plantas atuam como purificadores e filtros de ar.

Cheong espera que Singapura continue a ser verde, tanto em termos de eficiência de construção quanto por meio da incorporação de vegetação nos projetos. Mas também acredita que pode servir como um modelo para outras cidades aprenderem.

“Muitas cidades, especialmente as da Ásia, são densamente povoadas”, disse à National Geographic, “mas a nossa experiência mostra que essas cidades podem ser habitáveis”.

Como a pandemia de coronavírus continua a mostrar-nos toda a importância da natureza nas nossas vidas, Singapura destaca-se como um exemplo de como podemos tornar as nossas próprias cidades verdadeiramente verdes. Marthe de Ferrer – Reino Unido in “Euronews”




 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Portugal – Empresa lança sapatilhas em parceria com a O’Neill

Ao longo dos próximos dois anos, a Zouri planeia recolher 50 toneladas de plástico das praias portuguesas e transformar estes resíduos em calçado


Nesta aventura, a marca portuguesa conta com o apoio da norte-americana O’Neill, insígnia com a qual fechou uma parceria tendo em vista o desenvolvimento de sapatilhas sustentáveis.

Segundo a Zouri, trata-se de uma colaboração inédita para a indústria nacional de calçado, que culminará na criação de 12 modelos únicos feitos a partir de lixo do mar. Os primeiros exemplares chegam às lojas de 10 mercados durante este Verão.

“É inegável que o mundo precisa de soluções imediatas para a preservação dos seus ecossistemas e de uma transformação na mentalidade das novas indústrias, pois são elas os maiores agentes de desequilíbrio no nosso planeta”, indica a Zouri em comunicado, explicando a razão pela qual parcerias como esta são importantes.

Os modelos que resultam desta colaboração entre a Zouri e a O’Neill poderão ser encontrados tanto em lojas físicas como no sítio da marca portuguesa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Internacional - Estudo alerta para a fraca qualidade ecológica dos rios em todo o mundo


Uma equipa de 29 peritos de todos os continentes, liderada por Maria João Feio, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), fez o ponto da situação sobre a qualidade ecológica dos rios no mundo e as notícias não são boas.

O estudo, que abrangeu 88 países, revela fraca qualidade ecológica dos rios em todo o mundo e a sua elevada perda de biodiversidade. Cerca de metade dos troços ou rios analisados encontra-se abaixo do nível aceitável na Europa e nos Estados Unidos, um terço na Austrália e um quarto na Coreia do Sul.

Uma das consequências da fraca qualidade ecológica dos rios «é uma perda muito elevada de biodiversidade. Por exemplo, na Nova Zelândia 70% das espécies de peixes de água doce estão em perigo, enquanto no Japão 40% estão ameaçadas. Noutros países a monitorização físico-química mostra um grau de poluição muito elevado que põe em risco a saúde humana», assinala Maria João Feio no artigo científico publicado na revista Water, intitulado “The Biological Assessment and Rehabilitation of the World’s Rivers: An Overview”.

Os cientistas avaliaram também o estado de implementação da biomonitorização dos rios, ou seja, a avaliação dos rios com base nas comunidades aquáticas – por exemplo, peixes, invertebrados bentónicos, algas ou outras plantas –, e as medidas que estão a ser tomadas para os recuperar, tendo concluído que, «na maioria dos países do mundo, a monitorização biológica dos rios de forma regular não está a ser feita. Numa grande parte dos países existe, no máximo, uma análise físico-química da água o que é insuficiente para traduzir a degradação destes sistemas resultantes das ações humanas (tais como a articialização das margens, corte de vegetação, presença de espécies não nativas e espécies invasoras, açudes e barragens que alteram a circulação da água, sedimentos e espécies ao longo das bacias hidrográficas)», expõe Maria João Feio.


Em relação à implementação de medidas de reabilitação dos rios, o panorama também não é animador. Segundo os autores do estudo, «apesar de existirem bons exemplos, tanto na Europa (principalmente no norte) como nos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, concluímos que a este nível muito pouco tem sido feito a nível global».

«Se recuperados, os rios podem fornecer serviços muito importantes às pessoas, desde o fornecimento de água e alimento, e contribuir para a melhoria da qualidade do ar, do solo, a mitigação de extremos climáticos e ainda proporcionar zonas de lazer essenciais ao bem-estar humano», comenta a investigadora da FCTUC.

No que respeita aos rios portugueses, Maria João Feio diz que seguimos o padrão europeu, «com cerca de metade das massas de água analisadas em bom estado ecológico. E temos situações muito críticas ao nível dos grandes rios que estão muito alterados por barragens. Em todo o país, existem ainda casos de poluição pontual e difusa e também fortes alterações na vegetação ribeirinha, que é essencial tanto para o funcionamento do ecossistema aquático como para melhorar a qualidade do ar e do solo e filtrar as águas de escorrência que vão ter aos rios».

Tendo em vista a melhoria da qualidade dos rios, a equipa internacional de peritos produziu ainda um conjunto de recomendações, destacando-se, por exemplo, «a necessidade de definição de objetivos ecológicos realistas e claros para os planos de reabilitação/restauro; a obrigatoriedade de fazer planos de reabilitação/restauro ecológico com base em dados recolhidos, a priori, em programas de monitorização e fazer o acompanhamento desses planos também com monitorização ecológica».

Os especialistas defendem ainda a necessidade da criação de equipas interdisciplinares na elaboração dos referidos planos – cientistas conhecedores dos ecossistemas, engenheiros e ainda cientistas sociais –, de modo a «permitir envolver todos os tipos de utilizadores da água (população, indústria, decisores) num objetivo comum. É ainda essencial existir financiamento adequado e que a recuperação dos rios seja colocada nas prioridades políticas nacionais e internacionais». Universidade de Coimbra - Portugal




 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Austrália - Encontrado o primeiro gambá pigmeu depois dos incêndios

 


Os incêndios florestais que assolaram a Austrália em dezembro de 2019 e janeiro de 2020 destruíram cerca de 88% do território do gambá pigmeu.

A temporada de incêndios florestais australianos do ano passado foi tão devastadora que se tornou coloquialmente conhecida como “Black Summer”. Inúmeras espécies animais foram carbonizadas, tais como os gambás pigmeus da Ilha Kangaroo, que se julgava terem sido extintos pelas chamas.

De acordo com o The Guardian, os especialistas regionais estavam preocupados com o desaparecimento destes minúsculos gambás do sul da Austrália, onde quase metade dos seus 440500 hectares foram queimados em dezembro de 2019 e janeiro de 2020.

Felizmente, pelo menos uma destas criaturas foi encontrada. Embora o incêndio quase tenha destruído todo o seu habitat, um sobrevivente solitário finalmente apareceu. Para a alegria do grupo de conservação da Kangaroo Island Land for Wildlife, parece que será necessário mais do que uma paisagem infernal de fogo para livrar o local de seu menor gambá.

“Esta captura é o primeiro registo documentado da espécie sobrevivente após o incêndio”, disse a ecologista Pat Hodgens aos meios locais.

“O fogo queimou cerca de 88% do alcance previsto dessa espécie, então não tínhamos certeza de qual seria o impacto dos incêndios, mas é bastante óbvio que a população teria sido gravemente afetada.”

Conhecido formalmente como Cercartetus lepidus, o gambá pigmeu é descrito como o menor gambá do Planeta. Sendo uma espécie muito difícil de encontrar e estudar. De acordo com a ABC News Australia, eles habitam principalmente a Tasmânia, partes da Austrália do Sul e Victoria – e a Ilha Kangaroo.

“Houve apenas 113 registos formais da espécie [na Ilha Kangaroo]”, disse Hodgens. “Então, certamente não é muito comum e, obviamente, o incêndio florestal de verão queimou grande parte do habitat que as espécies tinham, mas certamente tínhamos esperança de encontrá-los.”

Hodgens explicou que o grupo de conservação estava a terminar um levantamento completo da floresta para avaliar quais as espécies que restaram quando encontraram o minúsculo gambá. A equipa foi inflexível em “tentar fazer tudo o que pudermos para protegê-los e garantir que eles fiquem por perto durante este período tão crítico”.

O problema agora é que os gatos selvagens abundam na ilha e são uma das maiores ameaças predatórias para estas criaturas. Os investigadores já encontraram vários gambás pigmeus nos seus estômagos e estão ansiosos para ajudá-los a escapar desses felinos até que a população de gambás prejudicada da ilha possa cuidar de si mesma.

“No momento, eles estão altamente comprometidos como espécie”, disse Hodgens.”

A descoberta do gambá pigmeu provou ser uma fresta de esperança num ano que foi totalmente desastroso em termos de populações globais de vida selvagem. Do aquecimento dos oceanos a um aumento desenfreado de incêndios em todo o planeta, qualquer boa notícia é de louvar. In “Green Savers Sapo” - Portugal


domingo, 6 de dezembro de 2020

Internacional - Investigadoras portuguesas na fronteira da exploração do mar profundo

Depois de Marte é, provavelmente, o mais enigmático local que a Humanidade não pisou: o mar profundo. Batizado de Challenger 150, em alusão ao Challenger Deep, o ponto mais profundo do planeta, um novo programa com cientistas de todo o mundo propõe trazer à superfície o conhecimento escondido no fundo dos oceanos. Ao leme, a bióloga Ana Hilário, da Universidade de Aveiro (UA), quer tornar o Challenger 150 numa referência da Década da ONU da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável


“O mar profundo [vastas extensões de água e fundos marinhos entre os 200 e os 11000 metros abaixo da superfície do oceano] é reconhecido globalmente como uma importante fronteira da ciência e da descoberta”, aponta a bióloga marinha Ana Hilário, coordenadora do Challenger 150 a par com Kerry Howell, investigadora na Universidade de Plymouth (Reino Unido) e especialista em Ecologia do Mar Profundo.

Apesar de o mar profundo representar cerca de 60 por cento da superfície da Terra, sublinha a investigadora do Centro de Estudo do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA, “uma grande parte permanece completamente inexplorada e a Humanidade conhece muito pouco sobre os seus habitats e como estes contribuem para a saúde de todo o planeta”.

Para colmatar esta lacuna, Ana Hilário e Kerry Howell juntaram à sua volta uma equipa de cientistas de 45 instituições de 17 países que propõe um programa de investigação, com a duração de 10 anos, dedicado ao estudo do mar profundo. De Portugal, para além da equipa da UA, também contribuíram para o desenho do programa também cientistas do CIIMAR (Universidade do Porto), do Okeanos (Universidade dos Açores) e do CIMA (Universidade do Algarve).


O Challenger 150 - o ano 2022 marca o 150º aniversário da expedição do navio HMS Challenger que circum-navegou o globo, mapeando o fundo do mar, registando a temperatura global do oceano, e proporcionando a primeira perspetiva da vida no mar profundo - irá coincidir com a Década das Nações Unidas da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável, que decorre de 2021 a 2030.

“Um dos grandes objetivos do Challenger 150 é a capacitação e aumento da diversidade no seio da comunidade científica, uma vez que atualmente a investigação no oceano profundo é conduzida principalmente por nações desenvolvidas com recursos financeiros suficientes e acesso a infra-estruturas oceanográficas”, explica a bióloga portuguesa.

Este programa, esperam os cientistas, irá também gerar mais dados geológicos, físicos, biogeoquímicos e biológicos através da inovação e da aplicação de novas tecnologias, e utilizar estes dados para compreender como as mudanças no mar profundo afetam todo o meio marinho e a vida no planeta. Este novo conhecimento será usado para apoiar a tomada de decisões a nível regional, nacional e internacional sobre questões como a exploração mineira nos fundos oceânicos, a pesca e a conservação da biodiversidade, bem como a política climática.

Mais e melhor colaboração e conhecimento

Mas o mergulho no mar profundo do Challenger 150 só será possível através da cooperação internacional. Por isso, os investigadores do programa publicam hoje um apelo na revista Nature Ecology and Evolution enquanto, simultaneamente, publicam um esquema detalhado do Challenger 150 na revista Frontiers in Marine Science.


Liderada por membros das redes internacionais Deep-Ocean Stewardship Initiative (DOSI) e Scientific Committee on Oceanic Research (SCOR), a lista de autores dos dois artigos inclui cientistas de países desenvolvidos, emergentes e em desenvolvimento de seis dos sete continentes. Os cientistas alegam que a Década anunciada pela ONU proporciona uma oportunidade ímpar de unir a comunidade científica internacional para dar um salto gigantesco no nosso conhecimento das profundezas do oceano.

“A nossa visão é a de que, dentro de 10 anos, qualquer decisão que possa ter impacto no mar profundo, seja de que forma for, será tomada com base num conhecimento científico sólido dos oceanos”, aponta Kerry Howell. Para que isso seja alcançado, sublinha a investigadora britânica, “é necessário que haja consenso e colaboração internacional”.

Ana Hilário antevê que “a Década proporciona a oportunidade de construir um programa a longo prazo de formação e capacitação de recursos humanos em ciências do oceano”. Com o Challenger 150, “pretendemos formar a próxima geração de biólogos do mar profundo. Vamos concentrar-nos na formação de cientistas de países em desenvolvimento, mas também de jovens cientistas de todas as nações, incluindo Portugal”.

Tal formação, acredita, “irá criar uma rede reforçada que permitirá aos países exercer plenamente o seu papel nos debates internacionais sobre a utilização dos recursos marinhos dentro e fora das suas fronteiras nacionais”. Universidade de Aveiro - Portugal







sexta-feira, 15 de maio de 2020

Brasil – “O maior depósito de coronavírus do mundo” está na Amazónia

A intervenção humana em áreas protegidas pode gerar desequilíbrios ecológicos e contribuir para o salto de vários vírus dos animais para os seres humanos



A próxima pandemia poderá vir a ter origem na Amazónia, onde a penetração humana no habitat de outros animais gera desequilíbrios ecológicos e contribui para o aparecimento de doenças zoonóticas. É o alerta dado pelo ecologista brasileiro David Lapola numa entrevista à AFP sublinhando que "a Amazónia é um grande depósito de vírus" e, ao eliminá-la, "estamos a pôr a nossa sorte à prova".

Formado em ecologia, Lapola recorda que nas décadas anteriores o mundo já sofria de VIH, ébola e dengue. "É uma relação histórica, todos eles eram vírus que se propagavam muito largamente com base em desequilíbrios ecológicos".

Lapola afirma que, segundo estudos, esta transmissão ocorre mais frequentemente no sul da Ásia e em África, onde se encontram certas famílias de morcegos, mas que a diversidade amazónica pode caraterizar a região como "o maior depósito de coronavírus do mundo".

Contudo, adverte que “a culpa não é dos morcegos e não é para sair e matá-los", sublinhou o investigador brasileiro do Centro de Pesquisa Meteorológica e Climática Aplicada à Agricultura da Unicamp.

Lapola assinala que a situação actual, com o avanço do coronavírus, que no Brasil já matou 12 400 pessoas, torna ainda mais difícil a monitorização da já ameaçada floresta tropical. Nos primeiros quatro meses de 2020, foram abatidos 1202 km quadrados de floresta, segundo dados de satélite do Instituto Nacional de Investigação Espacial (INPE). É um aumento de 55% em comparação com o mesmo período em 2019, quando o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro enfrentou duras críticas dentro e fora do Brasil por minimizar o avanço dos incêndios que consumiam quantidades recorde de floresta.

Bolsonaro, um ex-capitão que defende a abertura da Amazónia à exploração mineira e agrícola, enviou esta semana um contingente militar para combater a desflorestação.

Os números vão mostrar se esta foi uma estratégia bem sucedida. "A questão mais grave é a utilização do exército para qualquer problema no Brasil. Isto mostra uma certa crise institucional e o desmantelamento do Instituto Brasileiro do Ambiente (Ibama)", considera.

"Ficou provado que o avanço da desflorestação depende de quem nos governa. A boa notícia é que os governos são temporários. Espero que na próxima administração tratemos com mais cuidado este enorme tesouro biológico, talvez o maior do planeta".

O investigador defende que é necessário "restabelecer a relação entre a sociedade e as florestas". Lapola salienta que, embora a propagação de novas doenças a partir do coração da floresta "seja demasiado complexa para prever, é melhor usar o princípio da precaução e não testar a nossa sorte". In “Contacto” - Luxemburgo

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

França – Um pinheiro de Natal ecológico



Este ano o Pinheiro de Natal do Instituto Lusófono e da Associação Portuguesa Cultural e Social (APCS) de Pontault-Combault (77) tem uma cor diferente. No âmbito da reciclagem, mas sobretudo na descoberta do nosso país, o Pinheiro de Natal foi criado com rolhas de cortiça.

Um momento para falar na produção de cortiça que o nosso país tem, na importância que este produto tem na economia do país e também como é uma matéria prima que serve para a realização de diferentes objetos e suportes.

Graças aos alunos, pais, familiares e ao restaurante l’Horloge de Pontault-Combault professores e alunos conseguiram arranjar rolhas suficientes para criar este Pinheiro que foi realizado pelos alunos e por um grupo de voluntários armados de boa vontade.

“O diferente é que marca a diferença e queremos sensibilizar os nossos alunos para a importância da reutilização e ao mesmo tempo implicá-los de forma ativa para a mudança no agir e formá-los para uma cidadania responsável” explica ao LusoJornal a professora Débora Cabral Arruda. “Assim nasceu o nosso Pinheiro que está exposto na sede da APCS e Instituto Lusófono”.

Desta forma, a APCS deseja a todos festas felizes “e que 2020 seja um ano de concretizações e de ações responsáveis”. In “LusoJornal” - França

terça-feira, 12 de março de 2019

Portugal - O que se sabe sobre os rios portugueses?

64 cientistas de todo o país uniram-se por uma causa comum: reunir toda a informação disponível sobre os rios de Portugal e partilhá-la com a sociedade, contribuindo para a promoção de uma consciência ecológica que reconheça a diversidade de ambientes e organismos dos rios portugueses e os impactos que as populações humanas têm sobre estes ecossistemas.

Desta união resultou o livro “Rios de Portugal. Comunidades, Processos e Alterações”, editado por Maria João Feio e Verónica Ferreira, investigadoras do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Ao longo dos 17 capítulos do livro, que é o primeiro a reunir o conhecimento científico sobre rios portugueses de forma tão ampla, e numa linguagem simples, acessível ao público em geral, são abordadas várias temáticas associadas aos rios. Assim, a obra começa pelos aspetos físicos fundamentais dos rios nacionais: a hidrologia e os sedimentos. Seguem-se oito capítulos dedicados aos organismos aquáticos: algas, fungos e bactérias, vegetação aquática e ribeirinha, invertebrados, peixes, anfíbios e répteis, mamíferos e aves.

Os capítulos seguintes apresentam os processos que decorrem nos rios, as atividades antrópicas que causam fortes alterações na qualidade dos ecossistemas, a monitorização ecológica, e a restauração dos rios degradados. O penúltimo capítulo é focado nos estuários e, finalmente, o último capítulo versa sobre as fontes termominerais que estão fortemente ligadas aos cursos de água.

O grande objetivo desta obra, segundo as editoras, «é compilar num único suporte a informação disponível sobre os rios de Portugal, e apresentá-la de modo acessível ao leitor. Esperamos que este livro contribua para o desenvolvimento de uma consciência ecológica que reconheça a diversidade de ambientes e de organismos dos rios portugueses e os impactos que as populações humanas têm sobre estes e que, consequentemente, leve a uma mudança de comportamentos com vista à preservação destes ambientes que fornecem serviços preciosos a essas mesmas populações, como por exemplo, água de boa qualidade, alimento, espaços de lazer e de contemplação.»

De uma forma geral, os cientistas pretendem apresentar o que se sabe sobre os rios de Portugal. Assim, o livro «poderá ser útil a qualquer pessoa com interesse pelo tema. Está escrito numa linguagem que se espera seja acessível ao público não científico, mas mantendo o rigor científico de modo a poder ser usado também em contexto académico. Poderá por isso ser útil a estudantes do ensino básico e secundário mas também universitário e aos respetivos professores, podendo complementar temas ligados a esta área», referem as investigadoras da FCTUC.

E apesar do grande número de investigadores envolvidos, Maria João Feio e Verónica Ferreira afirmam que a tarefa de coordenação foi fácil, pois «todos os autores estavam conscientes da dimensão e da relevância deste projeto e facilitaram muito o nosso trabalho como editoras.»

A versão eletrónica do livro é de acesso livre na UCdigitalis: aqui. Já a versão impressa e o ebook podem ser adquiridos via Amazon. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Cabo Verde - Ecovida quer implementar projecto de soluções ecológicas para uso da água na ilha do Maio

Porto Inglês – O coordenador do projecto Ecovida, Fernando Jorge Anes, disse hoje à Inforpress que quer implementar, na ilha do Maio, a sua experiência de soluções ecológicas para o uso da água, com olhos postos no mercado nacional e internacional

Em conversa com a Inforpress, Fernando Jorge Anes assegurou que em Cabo Verde existe muito “potencial” para se utilizar a água do Maio, acreditando que para isso seja necessário utilizar a tecnologia da bioressonância ou bioquântica, que revitaliza a água e que possibilita o equilíbrio do micro sistema.

Para o responsável, com este projecto pretende-se apoiar a ilha no plano económico, social e ecológico, e, a partir disso, inspirar as outras ilhas a seguirem o mesmo caminho, e, quiçá, alarga-lo a nível internacional.

“Este movimento já conta com apoio dos investidores internacionais, que vão ajudar na sua divulgação no exterior e trazer pessoas de outras paragens que estão interessadas em aplicar esta tecnologia nos seus países e também descobrir o que de bom existe na ilha do Maio, por forma a ajudar a crescer a economia local”, adiantou.

Segundo aquele especialista, que vem partilhando a sua experiência com alguns países da Europa e da América, é preciso criar o circuito fechado da água, a ponto de não ser necessário ir busca-la em outros pontos, realçando que “este pensamento é transversal a tudo”.

“Nós temos que deixar a água fluir, porque água retida é água morta. Por exemplo, quando se faz a dessalinazação da água do mar retira-se todo o micro-organismo da água, que é abundante, e que é informação da água. Portanto, há que saber retirar, mas este pensamento é transversal a tudo, na agricultura, mesmo que não pareça, mas é um circuito fechado. Com o processo de oxidação e redução das plantas cria-se um circuito fechado da água e da revitalização”, frisou.

Fernando Jorge Anes avançou ainda que este projecto vai abarcar tanto a área social, como por exemplo a saúde, bem como a indústria, em particular a agricultura, a piscicultura ou aquacultura.

“Em Cabo Verde, ainda temos uma boa qualidade da água do mar”, disse, defendendo que é preciso garantir qualidade da água e evitar a perda deste líquido precioso que neste momento, com o processo da dessalinização, regista-se uma perda a rondar os 30 por cento.

Por seu lado, Arlindo Cardoso, que também é um dos promotores deste projecto, explicou que esta ideia surgiu a partir do encontro estratégico para o futuro da ilha do Maio, durante o qual aquele cientista, que possui três laboratórios em França a trabalhar no projecto ecológico para água, mostrou interesse em apoiar a ilha neste aspecto, ajudando a ilha a criar mais postos de trabalho e assegurar mais qualidade de vida.

“Hoje em dia, fala-se muito do turismo, mas o que mais se procura é o turismo ecológico e a ecologia está no centro do homem, porque somos o que consumimos e o que fazemos”, informou.

O projecto Ecovida já tem a sua representação na ilha e pretendem iniciar as suas actividades o mais “breve” possível e a começar a produzir os equipamentos, aproveitando os materiais existentes na ilha, informou Arlindo Cardoso. In “Inforpress” - Cabo Verde