Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Portugal - Celebrações dos 100 anos de Zeca Afonso respeitam cunho popular do artista

A apresentação de um manifesto abre simbolicamente a celebração do centenário do nascimento do músico José Afonso, marcado para 2029, antevendo-se uma comemoração com “um cunho popular forte”, revelou a Associação José Afonso (AJA)


“Queremos que as comemorações sejam com um cunho popular forte, com capacidade de suscitar a iniciativa das diferentes escalas do mundo associativo, independentemente de podermos fazer articulações a nível institucional. (…) É o carácter popular de que José Afonso tanto gostava, de se movimentar nesses meios populares”, explicou à agência Lusa o historiador João Madeira, da AJA.

O “Manifesto 100 anos de José Afonso”, a apresentar esta quarta-feira, em Lisboa, é assinado por mais de uma centena de personalidades portuguesas, da música, cinema, teatro, jornalismo, investigação e sociedade civil e continua aberto para mais subscrições.

Luís Cília, Garota Não, Sérgio Godinho, Capicua, Luca Argel, Manuela Azevedo – todos da área da música – assim como os jornalistas Adelino Gomes e Joaquim Furtado, os capitães de abril Vasco Lourenço e Jorge Aires, a investigadora Irene Flunser Pimentel e o musicólogo Rui Vieira Nery estão entre os primeiros signatários.

No manifesto pode ler-se que existe vontade não só de celebrar “a criatividade e o impacto duradouro” da obra de José Afonso, como também “o exemplo cívico, feito de coerência, modéstia e persistência, e a sua busca de uma sociedade mais livre, mais justa e mais solidária”.

“É um momento simbólico, uma primeira iniciativa no âmbito das comemorações e o manifesto é uma declaração de intenções, do que pode ser feito”, explicou João Madeira.

No âmbito da celebração do centenário, a AJA quer iniciar um novo processo de classificação da obra fonográfica de José Afonso, uma vez que o anterior foi arquivado em 2025 pela Museus e Monumentos de Portugal, por falta de “acesso físico aos bens a classificar”.

“Não recebemos uma resposta à contestação. O que nos move é enfatizar a obra do Zeca Afonso”, sublinhou João Madeira.

Entre outras iniciativas a desenvolver, depois de estabelecidas parcerias, estão concertos, exposições, tertúlias, a publicação ou reedição de projetos editoriais e recolha e preservação de documentação e testemunhos relacionados com José Afonso.

“A obra de José Afonso constitui um património cultural fundamental, parte viva do nosso imaginário coletivo, pertença popular, cuja valorização e reconhecimento pelos poderes públicos consideramos essenciais”, afirma a associação.

“Cantor, poeta e cidadão profundamente atento ao seu tempo”, José Afonso nasceu em Aveiro, a 02 de agosto de 1929.

Começou a cantar enquanto estudante em Coimbra, tendo gravado os primeiros discos no início dos anos 1950 com fados de Coimbra, mas ao longo da carreira ficou conhecido, sobretudo, pelas canções de intervenção cívica, contra o regime ditatorial.

A obra completa de José Afonso começou a ser reeditada em 2021, numa iniciativa da família com a editora Mais 5, disponibilizando em novos formatos álbuns como “Cantigas do Maio” (1971), “Venham Mais Cinco” (1973) e “Coro dos Tribunais” (1974), assim como o concerto “Ao Vivo no Coliseu”, de 1983.

Autor de “Grândola, Vila Morena”, uma das canções escolhidas para senha do avanço das tropas, na Revolução de 25 de Abril de 1974, José Afonso morreu a 23 de fevereiro de 1987, em Setúbal, de esclerose lateral amiotrófica.

Quase 40 anos depois da morte de José Afonso, João Madeira sublinha a atualidade do pensamento e da obra musical do cantautor, que se colocou “no plano da intervenção cultural, intervenção cívica face aos grandes problemas do mundo contemporâneo”.

“São problemas que têm a mesma raiz, de um certo posicionamento contra a prepotência, as desigualdades, em defesa da paz do mundo e que fazem todo o sentido nos dias de hoje. As expressões de natureza cultural hoje podem ser diferentes, mas também percebemos que há um legado que estabelece um fio de continuidade entre o que era a realidade em tempos antigos e a realidade que é hoje”, disse.

O “Manifesto 100 anos de José Afonso” vai ser apresentado hoje na Casa Capitão, em Lisboa, e contará com atuações de Ana Lua Caiano e Couple Coffee.

A Associação José Afonso, que se apresenta como uma “associação cultural e cívica, não confessional”, foi formalizada em novembro de 1987, poucos meses depois da morte do cantautor, com o objetivo de preservar “a memória e o exemplo” de José Afonso. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




domingo, 5 de outubro de 2025

Vejam bem










Vamos aprender português, cantando

 

Vejam bem

 

Vejam bem

que não há só gaivotas em terra

quando um homem se põe a pensar

quando um homem se põe a pensar

 

Quem lá vem

dorme à noite ao relento na areia

dorme à noite ao relento do mar

dorme à noite ao relento do mar

 

E se houver

uma praça de gente madura

e uma estátua

e uma estátua de febre a arder

 

Anda alguém

pela noite de breu à procura

e não há quem lhe queira valer

e não há quem lhe queira valer

 

Vejam bem

daquele homem a fraca figura

desbravando os caminhos do pão

desbravando os caminhos do pão

 

E se houver

uma praça de gente madura

ninguém vem

ninguém vem levantá-lo do chão

 

Anda alguém

pela noite de breu à procura

e não há quem lhe queira valer

e não há quem lhe queira valer

 

Vejam bem

que não há só gaivotas em terra

quando um homem se põe a pensar

quando um homem se põe a pensar

 

Quando um homem se põe a pensar

quando um homem se põe a pensar

quando um homem se põe a pensar

quando um homem se põe a pensar

 

Gisela João – Vejam bem

Composição:

José Afonso – Portugal


 

domingo, 16 de fevereiro de 2025

A morte saiu à rua









Vamos aprender português, cantando


A morte saiu à rua


A morte saiu à rua num dia assim

naquele lugar sem nome pra qualquer fim

uma gota rubra sobre a calçada cai

e um rio de sangue dum peito aberto sai


O vento que dá nas canas do canavial

e a foice duma ceifeira de Portugal

e o som da bigorna como um clarim do céu

vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

o pintor morreu, o pintor morreu, o pintor morreu


Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual

só olho por olho e dente por dente vale

à lei assassina à morte que te matou

teu corpo pertence à terra que te abraçou


Aqui te afirmamos dente por dente assim

que um dia rirá melhor quem rirá por fim

na curva da estrada há covas feitas no chão

e em todas florirão rosas duma nação


O vento que dá nas canas do canavial

e a foice duma ceifeira de Portugal

e o som da bigorna como um clarim do céu

vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

o pintor morreu, o pintor morreu 

o pintor morreu, o pintor morreu


Gisela João – Portugal

Composição:

José Afonso – Portugal


Vamos recordar, cantando

Canção ao coração


domingo, 14 de abril de 2024

Portugal - Em Outubro haverá um congresso internacional dedicado a José Afonso

Um congresso internacional para discutir “a prática musical” e a “intervenção cívica” do músico José Afonso vai acontecer em Outubro em Setúbal, revelou a Associação José Afonso

O congresso está marcado para 26 e 27 de Outubro, no Fórum Municipal Luísa Todi, e a organização espera que seja “uma oportunidade, até hoje inédita, de amplo cruzamento de vários saberes sobre o percurso de José Afonso”, numa altura em que se assinalam os 50 anos do 25 de Abril.

Além disso, a associação quer “estimular a localização e recolha de documentação e material fonográfico relacionado com José Afonso para posterior preservação”.

Ainda sem programa oficial anunciado, estão previstas conferências, comunicações, “sessões testemunhais”, exposições e concertos e a espera-se que reúna tanto “especialistas dedicados ao estudo das várias facetas” da obra de José Afonso, como “colaboradores e amigos do cantor”.

Entre os temas a abordar no Congresso estão a intervenção política de José Afonso antes e depois do 25 de Abril de 1974, “o impacto dos anos de Moçambique”, “os aparelhos repressivos”, as “influências culturais e filosóficas” ou ainda “a mulher na obra de José Afonso”.

A comissão organizadora integra responsáveis da Associação José Afonso, do Instituto de História Contemporânea, da câmara municipal de Setúbal e do Instituto de Etnomusicologia.

José Afonso nasceu em 1929, em Aveiro, e morreu em 1987, em Setúbal, cidade se encontram sepultados os seus restos mortais.

A obra do cantautor tem estado a ser reeditada, em acordo com a família, num plano editorial que se iniciou em 2021 e que se prolongará pelos próximos dois anos, disponibilizando álbuns que há muito estavam indisponíveis no mercado e que atestam o percurso lírico e musical do compositor.

Neste plano editorial foram reeditados, por exemplo, o disco de estreia na editora Orfeu, “Cantares do Andarilho” (1968), e também “Cantigas do Maio” (1971), “Venham Mais Cinco” (1973) e “Com as Minhas Tamanquinhas” (1976).

Autor de “Grândola, Vila Morena”, uma das canções escolhidas para senha do avanço das tropas, na Revolução de Abril de 1974, José Afonso morreu em 23 de Fevereiro de 1987, de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada cinco anos antes.

Em 2020, o Ministério da Cultura abriu um processo de classificação da obra de José Afonso, mas, até Dezembro passado, estava por concluir, porque nem todos os proprietários permitem uma avaliação dos bens e materiais fonográficos, segundo informações divulgadas no final de 2023 pela então designada Direcção-Geral do Património Cultural. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 5 de abril de 2024

Macau - Pedro Jóia e José Salgueiro evocam Abril com músicas de Zeca Afonso no Teatro D. Pedro V

No dia 13 de Abril, o Teatro D. Pedro V será palco de um concerto em que as músicas do repertório de Zeca Afonso serão interpretadas pelo guitarrista Pedro Jóia e pelo percussionista José Salgueiro. Organizado pela “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa”, o espectáculo está integrado nas comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos


As músicas de intervenção política de José Afonso, mais conhecido por Zeca Afonso, vão preencher um concerto agendado para o Teatro D. Pedro V, no próximo dia 13, sábado, com interpretação de Pedro Jóia, na guitarra, e José Salgueiro, na percussão.

A “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” (SOMOS – ACLP), promotora da sessão musical que se insere nas comemorações dos 50 anos da Revolução de Abril, sublinha que o cantor já falecido “vai para além da força do seu repertório, com reinterpretações de versões instrumentais de parte da melhor música portuguesa produzida no último meio século”. Sendo Zeca Afonso “uma das figuras incontornáveis” da história artística e do processo revolucionário português, “este concerto homónimo vai ressoar grande parte da sua obra”, realça a Somos – ACLP, acrescentando que “o mote para este espectáculo é justamente o disco Zeca, no qual Pedro Jóia transforma as canções de Zeca Afonso em versões instrumentais”.

A noite musical do D. Pedro V incluirá ainda a interpretação de temas de outros grandes nomes da música portuguesa, como o compositor e guitarrista Carlos Paredes.

O público poderá ainda ouvir alguns trechos originais compostos por Pedro Jóia, que foram sendo registados em oito discos ao longo dos últimos 25 anos de carreira.

O disco Zeca, editado pela Sony Music e lançado em Maio de 2020, ocupou o primeiro lugar do Top Português durante várias semanas e foi distinguido em Junho de 2021 com o Prémio Carlos Paredes pela Sociedade Portuguesa de Autores. Desde o seu lançamento já correu vários palcos em Portugal e fora do país, chegando agora a Macau, “para despertar uma ampla gama de emoções apenas com a linguagem poética dos instrumentos em palco e a evocação de reminiscências e íntimas reflexões”, destaca o texto da organização.

Dado tratar-se de uma “fusão de culturas e identidades”, o concerto contará também com um convidado especial, o instrumentista Fang Teng, concertino da Orquestra Chinesa de Macau. Vai interpretar obras emblemáticas da cultura musical portuguesa, “fortalecendo desta forma laços que unem os nossos povos há séculos e criando um momento de perfeito vínculo musical e cultural”, refere a Somos.

Fang pontuará as notas da música portuguesa “com a capacidade dramática e melancólica do erhu”, instrumento tradicional chinês de duas cordas e tocado com um arco.

Sobre os instrumentistas lusos que se deslocam a Macau, Pedro Jóia começou a tocar guitarra aos sete anos de idade na Academia dos Amadores de Música, em Lisboa, passando aos 15 para o Conservatório Nacional, onde viria a concluir os estudos de guitarra clássica. Aos 19 apresentou-se a solo e com outras formações instrumentais. Em 2008 recebeu o Prémio Carlos Paredes com o seu álbum “À Espera de Armandinho” e recebeu a mesma distinção em 2020 com o álbum Zeca.

José Salgueiro, por seu turno, tem-se dedicado à bateria e percussão. Estudou na Academia dos Amadores de Música, Conservatório Nacional, Hot Clube de Portugal e no Taller de Músics, em Barcelona.

A sua actividade musical passou por concertos, gravações de discos e espectáculos de televisão com vários artistas nacionais, tendo participado em workshops de improvisação, bateria e trompete, em Barcelona e, em Março de 2001, integrou o Quinteto de Wayne Shorter, num espectáculo inserido na programação de jazz da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Integrou grupos 3 como Trovante, Cal Viva, Tim Tim por Tim Tum (mentor e produtor), Gaiteiros de Lisboa, e El Fad (de José Peixoto), e participou também a solo nas mesmas orquestras de Pedro Jóia.

Quanto a Fang Teng, terminou em 2025 o curso no Conservatório de Macau e foi admitido no Conservatório Central de Música. Foi professor de erhu na Escola de Educação Contínua do Conservatório Central de Música, convidado da Orquestra Chinesa de Macau, e actualmente é professor desse instrumento tradicional chinês na Escola Secundária Hou Kong de Macau.

O concerto Zeca, que tem apoio e patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura de Macau, bem como do Instituto Português do Oriente e Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, começa às 21 horas e terá uma duração de cerca de 70 minutos sem intervalo. Os bilhetes custam 200 patacas e podem ser adquiridos através da Macauticket. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 12 de novembro de 2023

Canção de embalar


 











Vamos aprender português, cantando

 

Canção de embalar

 

Dorme meu menino a estrela d'alva

já a procurei e não a vi

se ela não vier de madrugada

outra que eu souber será pra ti

outra que eu souber será pra ti

ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô

 

Outra que eu souber na noite escura

sobre o teu sorriso de encantar

ouvirás cantando nas alturas

trovas e cantigas de embalar

trovas e cantigas de embalar

ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô

 

Trovas e cantigas muito belas

afina a garganta meu cantor

quando a luz se apaga nas janelas

perde a estrela d'alva o seu fulgor

perde a estrela d'alva o seu fulgor

ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô

 

Perde a estrela d'alva pequenina

se outra não vier para a render

dorme quinda à noite é uma menina

deixa-a vir também adormecer

deixa-a vir também adormecer

ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô

 

Duo Ibero-Americano – Uruguai / Portugal

Florência Ribero – Uruguai

João Vasco Ferreira – Portugal

 

Composição:

José Afonso - Portugal


quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Galiza - Sai do prelo livro sobre Zeca Afonso, uma parceria galego-portuguesa

Vários episódios da vida de José Afonso são contados num livro ilustrado com textos de Teresa Moure e ilustrações Maria João Worm.

Uma parceria entre a editora galega aCentral Folque e o selo português Tradisom, publicam “Balada do Desterro – Zeca Afonso” um projeto de iniciativa galega que foi escrito pela escritora e professora na Universidade de Santiago de Compostela, Teresa Moure, com desenhos da ilustradora portuguesa Maria João Worm.

No livro, de 192 páginas, José Afonso é retratado como tendo um “caráter melancólico”, que vivia os concertos como “se fosse colocado numa montra para a contemplação pública”, que adorava Joan Baez, Bob Dylan e Jacques Brel, mas que detestava “modas e modernices”.

A narrativa segue uma cronologia da vida de José Afonso, e vai ligando as diferentes experiências do cantor na África, em particular a sua relação com Moçambique, e também com a Galiza, cujo apreço pela música do cantautor permanece até à atualidade.

Cruzando ficção e realidade, as autoras desta banda desenhada sublinham ainda a figura feminina na vida do músico, nomeadamente com referência às duas filhas, que teve com duas mulheres, ou com algumas músicas referenciais na sua obra como são “Teresa Torga” e “As Sete Mulheres do Minho”.

Com um trabalho visual que se assemelha a um teatro de sombras, “Balada do Desterro” faz também referência à censura do Estado Novo, à prisão de José Afonso em Caxias, à revolução de 25 de Abril de 1974, e à importância de ‘Grândola, Vila Morena’, tanto em Portugal como na Galiza.

Na nota de apresentação de “Balada do Desterro”, Teresa Moure e Maria João Worm dizem sentir “fascínio por aquele homem que cantava causas políticas”. Mas, entre palavras e silhuetas, ambas tecem uma rede para sustentar um Zeca mais íntimo do que habitualmente os seus camaradas lembram, refere a Tradisom. In “Portal Galego da Língua”

domingo, 7 de agosto de 2022

Quem me vê










Vamos aprender português, cantando

 

Quem me vê

 

Quem me vê não sabe bem

de verdade quem eu sou,

vê o olhar da minha mãe 

que o herdou do meu avô.

Quem me vê, vê o meu pai

neste meu jeito de ser

que o meu pai herdou do pai

que herdou do pai, 

ainda antes de nascer. 

 

Sou um pouco da essência de tanta gente. 

Sou mistura de tanta coisa diferente. 

Vindo de tanto lado, 

o meu fado é castiço, 

é mestiço e é isso que eu sou.

Tal como era o meu avô. 

 

Quem olhar pra me entender

não vislumbra só os meus pais. 

Lá no fundo, pode ver

que eu sou muito, muito mais. 

Quem me vê encontra a serra

do avô do meu avô, 

que andou de terra em terra e guerra em guerra

e que sem querer me moldou. 

 

Sou um pouco da essência de tanta gente. 

Sou mistura de tanta coisa diferente. 

Vindo de tanto lado, 

o meu fado é castiço, 

é mestiço e é isso que eu sou.

Tal como era o meu avô.

 

Sou um pouco da essência de tanta gente. 

Sou mistura de tanta coisa diferente. 

Vindo de tanto lado, 

o meu fado é castiço, 

é mestiço e é isso que eu sou.

Tal como era o meu avô.

Tal como era o meu avô.

Tal como era o meu avô.

 

Luís Trigacheiro – Portugal

 

Composição:

(Letra) Tiago Nogueira – Portugal

(Música) Tiago Nogueira e Ricardo Lis Almeida – Portugal


 

Vamos recordar, cantando

Era de noite e levaram

domingo, 8 de maio de 2022

Galiza - 'Grândola, Vila Morena' volve á Universidade de Santiago de Compostela cincuenta anos despois da estrea

O Auditorio da Facultade de Filoloxía da Universidade de Santiago de Compostela (USC) acollerá a homenaxe 'Zeca. Maior que o pensamento' o vindeiro 10 de maio. Nela actuarán Uxía Senlle, João Afonso, Couple Coffee, Nacho Faia Lar e Xico de Carinho


Cincuenta anos despois, os acordes da canción Grândola, Vila Morena, emblema da revolución que puxo fin á ditadura portuguesa, volverán soar na USC grazas ao acto conmemorativo que, co título de 'Zeca. Maior que o pensamento', acollerá o vindeiro 10 de maio o Auditorio da Facultade de Filoloxía a partir das 19 horas.

Na presentación da homenaxe, o reitor da USC, Antonio López, afirmou que Grândola, Vila Morena foi "o elemento detonante da revolución en Portugal" e "rememorar" ese fito histórico, así como o concerto realizado en Compostela dous anos antes, vai "pór en valor o peso do movemento estudantil en Compostela".

Nesta mesma liña, o decano de Filoloxía, Elias J. Feijó, definiu o acto como un exercicio de "gratitude da Universidade ás persoas que dedicaron o seu tempo e entusiasmo para combater o franquismo, tamén de maneira cultural, artística e lúdica".

Pola súa parte, a cantante Uxía Senlle, que actuará nesta homenaxe, definiu o propio evento como todo "un acto de amor á obra e á figura do Zeca".


Coloquio e concerto

A homenaxe principiará cun coloquio no que participarán Zélia Afonso, viúva de Zeca Afonso; Maite Angulo, viúva do cantante Benedicto García que convenceu a Zeca Afonso para dar en Compostela o concerto de 1972; Francisco Fanhais, presidente da Associação José Afonso; e o ex presidente da Xunta da Galiza, Emilio Pérez Touriño, que presentou o mítico recital. Suso Iglesias conducirá o coloquio e intervirán as estudantes da USC Claudia Pernas e Iria Nande.

O ramo da xornada será o concerto coa propia Uxía Senlle, João Afonso, Couple Coffee, Nacho Faia Lar e Xico de Carinho. O acto estará conducido polo actor Carlos Blanco. In “Nòs Diario” - Galiza

domingo, 17 de outubro de 2021

domingo, 25 de abril de 2021

Portugal - Álbuns de José Afonso lançados entre 1968 e 1981 vão ser reeditados


Os 11 álbuns de José Afonso lançados originalmente entre 1968 e 1981 vão ser reeditados, anunciou hoje a família do músico, que vai avançar para o projecto em parceria com a editora Lusitanian Music.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a família de José Afonso revelou que, “neste 25 de Abril, o lançamento digital do ‘single’ ‘Coro da Primavera’ marca o regresso às edições discográficas da obra de José Afonso”.

“A família de José Afonso decidiu, em parceria com a editora Lusitanian Music, avançar com a edição dos 11 álbuns de José Afonso originalmente editados entre 1968 e 1981 mas indisponíveis há vários anos, assumindo a importância cultural de disponibilizar esta música ao mundo”, pode ler-se no texto.

José Afonso lançou em 1968 o seu disco de estreia na editora Orfeu, de Arnaldo Trindade, sob o título “Cantares do Andarilho”, que incluía temas como “Natal dos Simples” e “Vejam Bem”.

Até 1981, editou uma série de álbuns que se tornaram marcos da música portuguesa, desde “Contos Velhos Rumos Novos” (1969) a “Fados de Coimbra e Outras Canções” (1981), passando por “Traz Outro Amigo Também” (1970), “Cantigas do Maio” (1971), “Eu Vou Ser Como a Toupeira” (1972), “Venham Mais Cinco” (1973), “Coro dos Tribunais” (1974), “Com as Minhas Tamanquinhas” (1976), “Enquanto há Força” (1978) e “Fura Fura” (1979).

Segundo o mesmo comunicado, “o projecto prevê uma sequência de edições, nos formatos clássicos (CD e vinil) e no ecossistema digital, lançadas sob um novo selo, agora criado pela Lusitanian para divulgar esta obra única no panorama da música nacional e internacional”.

Os 11 discos já haviam sido alvo de reedição pela Orfeu, entre 2012 e 2013, para assinalar os 25 anos da morte do compositor.

Na altura, os 11 álbuns foram restaurados e remasterizados digitalmente pelo engenheiro de som António Pinheiro da Silva, e a edição contava com novos textos que contextualizam o momento em que foram feitos, no percurso de José Afonso.

Em setembro do ano passado, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) abriu o processo de classificação da obra fonográfica do músico José Afonso por considerar que representa “valor cultural de significado para a Nação”.

De acordo com o anúncio então publicado em Diário da República, foi determinada a abertura do procedimento de classificação de um conjunto de 30 fonogramas da autoria do compositor e intérprete José Afonso, bem como de 18 cópias digitais de ‘masters’ de produção de um conjunto de cassetes gravadas pelo autor e de um conjunto de entrevistas.

Esta foi a primeira vez que a DGPC iniciou um processo de classificação de uma obra fonográfica, revelou o Ministério da Cultura, acrescentando que ajudará a “consolidar informação relativa à obra gravada, publicada ou não, do artista”.

A decisão surgiu um ano depois de o parlamento ter aprovado um projeto de resolução do Partido Comunista Português (PCP) que recomendava ao Governo a classificação da obra de José Afonso como de interesse nacional, com vista à sua reedição e divulgação.

Na altura, em nota divulgada à Lusa, a família de José Afonso, detentora dos direitos da obra musical, manifestava o apoio à classificação da obra e recordava que estava a “colaborar directamente com o Ministério da Cultura, desde 2018”, para que se desenvolvesse o processo.

Ainda em 2019, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmava publicamente que não foi por falta de vontade que o processo de classificação não se iniciou mais cedo, mas porque não existia acesso às ‘masters’ e ao conteúdo das gravações originais de José Afonso.

Quando foi lançada a petição de pedido de salvaguarda, o presidente da AJA, Francisco Fanhais, explicava que se estava perante “um imbróglio jurídico”, porque a Movieplay, a editora que detém os direitos comerciais da obra de José Afonso, estava “em situação de insolvência” e não se sabia “do paradeiro dos ‘masters’ das músicas gravadas pelo Zeca Afonso”, comprometendo a sua reedição.

José Afonso nasceu em 02 de agosto de 1929 em Aveiro e começou a cantar enquanto estudante em Coimbra, tendo gravado os primeiros discos no início dos anos 1950 com fados de Coimbra, pela Alvorada, “dos quais não existem hoje exemplares”, refere a AJA na biografia oficial do músico.

Autor de “Grândola, Vila Morena”, uma das canções escolhidas para senha do avanço das tropas, na Revolução de Abril de 1974, que hoje assinala 47 anos, José Afonso morreu em 23 de fevereiro de 1987, em Setúbal, de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada cinco anos antes. In “Lux 24” - Luxemburgo




sábado, 2 de maio de 2020

Traz outro amigo também











Vamos aprender português, cantando


Amigo maior que o pensamento
por essa estrada amigo vem
por essa estrada amigo vem
não percas tempo que o vento
é meu amigo também
não percas tempo que o vento
é meu amigo também

Em terras
em todas as fronteiras
seja benvindo quem vier por bem
seja benvindo quem vier por bem
se alguém houver que não queira
trá-lo contigo também
se alguém houver que não queira
trá-lo contigo também

Aqueles
aqueles que ficaram
em toda a parte todo o mundo tem
em toda a parte todo o mundo tem
em sonhos me visitaram
traz outro amigo também
em sonhos me visitaram
traz outro amigo também

Cordis – Portugal

Piano - Paulo Figueiredo – Portugal
Guitarra portuguesa – Bruno Costa – Portugal

Cuca Roseta – Portugal

Opus Quatro - Portugal

Letra e música – José Afonso - Portugal



sábado, 25 de abril de 2020

Portugal - Original de ‘Cantares de José Afonso’ de 1964 está pela primeira vez online



O disco ‘Cantares de José Afonso’, de 1964, que inclui a canção ‘Oh Vila de Olhão’, está disponível nas plataformas digitais, anunciou a discográfica Valentim de Carvalho.

“Agora que se comemora o 25 de Abril e todas as mudanças benéficas que trouxe ao nosso país, a Valentim de Carvalho lança pela primeira vez no mundo digital o EP ‘Cantares de José Afonso’ de José Afonso”, indica a editora.

Editado em vinil em 1964, ‘Cantares de José Afonso’ inclui quatro temas originais, com destaque para ‘Ó vila de Olhão’, uma faixa censurada na altura e composta nos começos da década de 1960, quando José Afonso (1929-1987) era professor do ensino secundário, em Faro.

Por esse motivo, a primeira edição foi retirada do mercado. A segunda edição, já em 1969, tinha apenas o instrumental da música. Em 1974 foi lançado o single ‘Ó vila de Olhão’ já com letra e capa composta por uma pintura de Maluda, intitulada ’Olhão’.

“José Afonso é reconhecido como um dos mais importantes nomes da cultura nacional. Cantautor, artista e político de corpo inteiro, foi fundamental na inspiração e empoderamento de um país em luta contra o fascismo, pela liberdade, equidade, fraternidade”, recorda a Valentim de Carvalho.

O disco ‘Cantares de José Afonso’ inclui ainda as canções ‘Coro dos Caídos’, ‘Maria’ e ‘Canção do Mar’, todas com letra e música de José Afonso.

A editora lembra que José Afonso revolucionou “a canção de Coimbra, o canto de intervenção e a música popular, experimentou e lançou pistas para a descoberta das ligações entre África e a Beira Baixa, por exemplo”. In “Mundo Português” - Portugal