Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 16 de abril de 2025

Brasil – Portuguesa Cuca Roseta lança CD dedicado às canções brasileiras

Considerada uma das maiores fadistas da sua geração, com 15 anos de carreira, Cuca Roseta revisita alguns clássicos da Música Popular Brasileira (MPB) no seu décimo álbum, “Até a fé se esqueceu”, com nove faixas, uma obra idealizada e produzida por João Mário Linhares para o selo MP, B / Som Livre.



O álbum, que chegou às plataformas de streaming no passado dia 11 de abril, reúne três convidados: Seu Jorge, Zé Renato e Zeca Pagodinho e os músicos Marcelo Caldi (piano e acordeão), Guto Wirtti (baixo) e Pedro Franco (violão, bandolim e cavaquinho).

A MPB faz parte da vida profissional de Cuca, após gravar com Ivan Lins e Djavan, compositores-cantores que estão entre os mais destacados do Brasil. A artista portuguesa já cantou com Pierre Aderne e foi produzida pelo jornalista, letrista e escritor Nelson Motta.

A fadista revisitou a história musical brasileira e teve como ponto de partida algumas canções de 1937 e avançou no tempo até chegar a 2024. Com todo o repertório organizado, mas sem uma cronologia estabelecida por ano, as canções que brilharam nas vozes de Dori Caymmi, Tom Jobim, Jorge Ben Jor, entre outros, integram uma playlist a ser apresentada numa minitemporada de shows por algumas cidades brasileiras, no fim de abril.

“Escolhemos grandes compositores e poetas e demos toda a atenção à palavra. É uma declamação de poesia cantada, uma história que vem do coração. Ela só ganha asas se for cantada pela voz da alma. Também no fado português, colocamos nosso ego de lado e nos entregamos a cada palavra como se nela coubesse todo o mundo”, revelou Cuca.

Uma das músicas escolhidas é o samba-canção “Saia do caminho”, lançado por Aracy de Almeida em 1946, “como um lado B”, com melodia de Custódio Mesquita e “letra confessional e sofrida” de Evaldo Ruy, que foi interpretada por Cuca como “uma canção de poesia cantada”.

Sendo assim, Cuca Roseta estará entre algumas consagradas cantoras que interpretaram a icónica canção: Dalva de Oliveira, Zezé Gonzaga, Gal Costa, Nana Caymmi, Ângela Maria, Elza Soares, Rosa Passos, Olivia Byington, Verônica Sabino, Marisa Gata Mansa, Eliana Pittman, “para não falar da mais marcante, Miúcha, com o piano de Tom Jobim”.

Cuca confessou que gravar “Saia do caminho” é quase um “olá, estou chegando” para apresentar o novo trabalho. Para ela, a canção “representa o glorioso período do samba-canção — em termos conceituais e temáticos, não muito diferente dos dramáticos fados portugueses, também sobre desamores”.

Com a regravação de Cuca, “Saia do caminho” é redefinida: “em vez do piano jobiniano, o samba-canção é todo conduzido pelo acordeão de Marcelo Caldi, que fez um arranjo inédito para uma canção já gravada de tudo quanto é jeito”.

A faixa “Sem você” (1958), de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, representada no álbum na linhagem das canções “camerísticas” brasileiras, a cantora “palmilha a canção num registro cool, quase bossa-novista, sem qualquer perda de intensidade em sua interpretação. Em alguns momentos, até chega a sutis vibratos dramáticos do fado. É uma aula de música luso-brasileira, um diálogo entre seus dois estilos básicos”.

Em “Arranha-céu” (1937), de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, com dueto de Cuca e o sambista brasileiro Zeca Pagodinho, definida como “seresta clássica” ganha uma “levada de fado” no arranjo de Marcelo Caldi, que “mistura um piano moderno com um acordeão nostálgico, como se a reunisse ‘Saia do caminho’ e ‘Sem você’, numa trilogia de canções de (des)amor”.

“Zeca Pagodinho é o Rei, assim o chamamos aqui em Portugal. Cantar com ele é inacreditável, principalmente Sílvio Caldas, algo tão profundo e triste. Presenciar Zeca contando essa história comigo é uma emoção única”, revela a cantora.

A jornada pela música brasileira chega a 2024, em faixa que traz melodia de Zé Renato sobre letra da própria cantora, “Até a fé se esqueceu”, primeiro single do álbum, lançado em abril do ano passado.

“Essa canção de amor totalmente contemporânea, em letra e música, mereceu arrojado arranjo de violão de Marcelo Gonçalves (do Trio Madeira Brasil), executado por João Camarero, com participação vocal de Seu Jorge. Aqui é como se Cuca Roseta encontrasse a mais refinada e moderna música brasileira de hoje. Não por acaso, mas por sua grandeza, ‘Até a fé se esqueceu’ dá título ao álbum”.

Há outras paradas nessa viagem de Cuca Roseta pela canção brasileira. “História antiga” (1990), de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, “é uma espécie de seresta moderna”. Bem como “Chama acesa” (2000), de Zé Renato (que participa nos vocais) e Paulinho Moska, que dialogam com os românticos sambas-choro dos anos 1940. “História antiga” está no “Brazilian Serenata”, de Dori e “Chama acesa”, em “Cabô”, disco só de sambas autorais de Zé Renato.

Cuca Roseta “visita dois estilistas inimitáveis da canção brasileira”: Dorival Caymmi, com “Não tem solução” (1950), um samba-canção, e “Dzarm” (1995), com “sua levada rítmica única, embora uma canção menos conhecida, também pode ser considerada um Jorge Ben Jor clássico”. Os arranjos são de Marcelo Caldi e “reinventados para este álbum a partir do estilo de seus compositores: com violão e bandolim de Pedro Franco e o baixo acústico de Guto Wirtti, dois virtuoses gaúchos radicados no Rio”.

Nesta viagem de Cuca Roseta pela canção brasileira, a grande corrente central da MPB se faz presente em “Mistérios”, de Maurício Maestro e Joyce Moreno, lançada no álbum “Clube da Esquina 2” de Milton Nascimento. A canção ganhou um arranjo de Marcelo Caldi para o piano e o acordeão do arranjador, o bandolim de Pedro Franco e o contrabaixo acústico de Guto Wirtti. Ígor Lopes – Brasil in “Mundo Lusíada”


sábado, 1 de fevereiro de 2025

Goa - Está de volta o Monte Music Festival e melhor do que antes

Durante três dias em Goa e um dia em Nova Deli, músicos da Índia e de Portugal vão deslumbrar o Monte Music Festival em concertos que serão recordados tanto pela música como pelo cenário



“A ideia de mudanças no 23.º Monte Music Festival surgiu porque estamos a comemorar o 30.º aniversário da Fundação Oriente em Goa. Acreditamos que é importante ter uma edição especial do Monte Music Festival, para comemorar isso”, diz Paulo Gomes, diretor da fundação em Goa.

O festival de três dias abre com, diz Gomes, "dois dos instrumentos musicais mais emblemáticos da Índia e de Portugal – o sitar e a guitarra portuguesa – para prestar homenagem aos dois países".

O sitarista Asad Khan, músico premiado com o Grammy, e Ricardo J Martins, um dos mais brilhantes guitarristas portugueses, juntar-se-ão no palco para criar algo mágico, enquanto se apresentam tendo como pano de fundo o pôr do sol.

Ao cair da noite, o grupo local Ekchar subirá ao palco com uma homenagem a Goa, apresentando fado, música folclórica e contemporânea, proporcionando uma experiência indo-portuguesa única ao público.

“A história do Ekchar é muito interessante, pois, em 2023, eu estava a conversar com esses músicos e convidei-os a apresentarem-se como um grupo, eles concordaram e então tiveram de inventar um nome. Ekchar foi sugerido e ele ficou”, diz Gomes.

A primeira apresentação de sábado (1.º de fevereiro) será um recital de Odissi por um dos expoentes mais promissores da forma, Krishnendu Saha e seus discípulos da Escola Nrityormi de Odissi, intitulado 'Pravaha, Uma Bênção'.

Em seguida, acontecerá o World Violin Fusion, de Sharat and Friends, onde Sharat Chandra Srivastava será acompanhado pelo seu filho Raghav Chandra para um jugalbandi clássico hindustani, e depois por Mayank Bedekar na tabla, Amar Tirkey na guitarra, Jagtinder Singh Sidhy nos vocais e Sina Fakhroddin na percussão, de Nova Déli.

Falando sobre Saha, Paulo Gomes disse: “No ano passado, eles vieram, mas apenas como um casal e apresentaram-se com as suas filhas foi incrível. Acho que é importante para os alunos terem esse tipo de palco e gostaríamos de promover estas escolas.”

A fechar as cortinas em Goa estará uma das mais aclamadas fadistas da sua geração, Cuca Roseta, com o desempenho intitulado, ' Mandovi -Tejo', que faz alusão à importância dos dois rios para os respetivos locais. Ela trará o fado e os ritmos goeses para o palco.

“O título 'Mandovi -Tejo', dois rios de Portugal e Goa, é porque Cuca Roseta trará músicas de Lisboa, os seus originais, mas ela também canta em concani e acho que ela cantará aqui também, mas ela convidará músicos goeses para se juntarem a nós e trará um músico de Moçambique que tem laços goeses”, disse Gomes.

Falando sobre o concerto como um todo, ele disse: “Temos uma grande variedade aqui, com grupos de Goa, Rajastão, Deli e Portugal, e é muito equilibrado, com instrumentais, vocais e dança.”

“Por ocasião do 50.º aniversário do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Índia, nós, juntamente com o Conselho Indiano para as Relações Culturais e a Embaixada de Portugal, decidimos realizar este concerto em Deli para comemorar isso”, disse Gomes.

Iniciado em 2002 na restaurada Capela de Nossa Senhora do Monte, do século XVI, esta edição do Monte Music Festival é organizada pela Fundação Oriente e Taj Cidade de Goa, com o apoio da Goa Tourism Development Corporation, ICCR, The Souza Group, Embaixada de Portugal, INTACH, Goa, Healthway Hospitals, Furtados Music e o Departamento de Arqueologia do Governo de Goa. Alexandre Barbosa – Goa in “Gomantak Times”

Detalhes do evento

DIA 1, Sexta-feira, 31 de janeiro

17h45: 'Between Strings', de Asad & Ricardo J Martins, recital de Sitar e

Guitarra Portuguesa

19h00: Ekchar apresenta fado, mando, música goesa

DIA 2, sábado, 1 de fevereiro  

17h45: Krishnendu Saha e seus discípulos apresentam ‘Pravaha uma bênção’

19h00: ‘World Violin Fusion’ por Sharat Chandra Srivastava e amigos

Dia 3, domingo, 2 de fevereiro

17h45: 'Ecos do Deserto' de Manganiar

19h00: 'Mandovi-Tejo' de Cuca Roseta

LOCAL: Capela de Nossa Senhora de Monte, Velha Goa

A entrada é gratuita, não são necessários passes; haverá transporte disponível a partir do Gandhi Circle, Velha Goa


sábado, 2 de maio de 2020

Traz outro amigo também











Vamos aprender português, cantando


Amigo maior que o pensamento
por essa estrada amigo vem
por essa estrada amigo vem
não percas tempo que o vento
é meu amigo também
não percas tempo que o vento
é meu amigo também

Em terras
em todas as fronteiras
seja benvindo quem vier por bem
seja benvindo quem vier por bem
se alguém houver que não queira
trá-lo contigo também
se alguém houver que não queira
trá-lo contigo também

Aqueles
aqueles que ficaram
em toda a parte todo o mundo tem
em toda a parte todo o mundo tem
em sonhos me visitaram
traz outro amigo também
em sonhos me visitaram
traz outro amigo também

Cordis – Portugal

Piano - Paulo Figueiredo – Portugal
Guitarra portuguesa – Bruno Costa – Portugal

Cuca Roseta – Portugal

Opus Quatro - Portugal

Letra e música – José Afonso - Portugal