Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Estados Unidos da América - Cientistas descobrem forma de travar proteína “culpada por 75% de todos os casos de cancro em humanos”

A proteína MYC é parte da atividade celular regular saudável, mas quando se desenvolvem células cancerígenas, fica descontrolada e sai do seu papel para ajudar o cancro a espalhar-se pelo organismo. Um novo estudo científico revelou uma forma de evitar que tal suceda.


O problema verificado pelos investigadores é que a MYC é uma proteína sem forma ou estrutura, pelo que é difícil para os medicamentes administrados que consigam identificar as proteínas e as mantenham no mesmo comportamento ‘normal’. Assim, uma equipa de investigadores da Universidade de Riverside, na Califórnia, EUA, desenvolveu um composto peptídico que é capaz de se ligar ou interagir com a MYC, e ajudá-la a recuperar o controlo.

“A MYC é menos parecida com um alimento para as células cancerígenas e mais com um esteroide que promove o rápido crescimento do cancro. É por isso que é a culpada por 75% de todos os casos de cancro humano”, aponta Min Xue, um dos investigadores responsáveis pelo estudo, publicado no Journal of the American Chemical Society.

A atividade da proteína fica descontrolada e hiperativa, sem regulação adequada. Os investigadores estudaram pequenas quantidades da estrutura da MYC, de forma a construir uma biblioteca dos peptídeos que tivessem capacidade de se prender a essa estrutura.

Em particular um deles, o NT-B2R revelou-se particularmente adequado a desativar a MYC. Em testes feitos em culturas de células cancerígenas do cérebro humano, o peptídeo mostrou se capaz de se ligar à proteína e mudar a forma como as células regulam muitos dos seus genes, incluindo a diminuição do metabolismo e proliferação das células cancerígenas.

“Melhoramos o desempenho de ligação deste peptídeo em relação às versões anteriores em duas ordens de grandeza. Isto o torna mais próximo de nossos objetivos de desenvolvimento de medicamentos”, continua o investigador-chefe.

Mas antes de desenvolver medicação, ainda há muito a fazer pela frente. Em primeiro lugar, o peptídeo estudado é entregue através de esferas gordurosas chamadas nanopartículas lipídicas, que não são veículo adequado para distribuição de medicamentos.

Outra alteração prende-se com os testes rigorosos em humanos que terão de ser feitos, mas os investigadores acreditam que se encontrou um método potencial para impedir uma das formas a partir das quais o cancro “sequestra” os processos biológicos saudáveis do organismo para sobreviver. Pedro Gonçalves - Portugal In “Executive Digest”


domingo, 12 de novembro de 2023

Estados Unidos da América - A árvore mais alta do mundo tem 115 metros e mais de 800 anos

A árvore mais alta do mundo é a Hyperion, uma sequoia gigante que existe no parque nacional de Redwood, na Califórnia, embora a localização exacta seja mantida em segredo para a proteger de possíveis danos e excesso de turistas.


Foi “descoberta” por Chris Atkins e Michael Taylor em 2006, e devidamente medida por especialistas que a acompanham o seu crescimento desde então.

Estima-se que esta sequoia gigante tenha entre 600 e 800 anos, e que poderá continuar a somar anos e metros de altura.

Os responsáveis do parque natural de Redwood dizem que o tamanho desta árvore, e de outras também de dimensões consideráveis, que existem no mesmo parque se deve às condições climáticas favoráveis encontradas na Califórnia, incluindo temperaturas amenas durante todo o ano e fortes chuvas anuais. In “Green Savers” - Portugal


quarta-feira, 12 de julho de 2023

Estados Unidos da América – Novo comboio de alta velocidade da Califórnia pode ser o primeiro a ser movido inteiramente por energia renovável

O tão esperado comboio de alta velocidade da Califórnia será movido a energia solar, de acordo com a Autoridade Ferroviária de Alta Velocidade da Califórnia


Tem sido uma estrada pedregosa até agora para o novo projeto promissor da Autoridade Ferroviária de Alta Velocidade da Califórnia.

Este comboio de alta velocidade que liga 1287,5 quilómetros do estado foi chamado de "comboio bala que é ao mesmo tempo um dos mais caros por milha e um dos mais lentos do mundo" afirmou Elon Musk .

Era para ser o início de um novo sistema de transporte revolucionário conectando a costa oeste dos EUA até Vancouver, no Canadá. Também iria para o leste, para Las Vegas, antes de finalmente abrir caminho por todo o continente. O esquema foi endossado pelos presidentes Obama e Biden.

Quando aprovado em 2008, o preço estimado do projeto era de $ 33 mil milhões de dólares (€ 30 mil milhões) e a sua data de inauguração programada era 2020. Em 2023, o sistema está longe de ser concluído e acumulou $ 19,8 mil milhões de dólares (aproximadamente € 18 mil milhões). até agora, com uma fatura total estimada em US$ 128 mil milhões (€ 116 mil milhões).

No mês passado, no entanto, 15 anos após sua aprovação inicial, a Autoridade Ferroviária de Alta Velocidade da Califórnia anunciou que o novo sistema agora seria totalmente movido a energia solar, apoiando-se na sua promessa inicial como uma alternativa ecológica para rodovias e voos.

Quanta potência precisa o comboio?

Para alimentar este comboio gigante, serão necessários 44 megawatts de energia, teoricamente gerados por painéis solares. As baterias a bordo terão como objetivo armazenar 62 megawatts-hora de energia.

Grande parte dessa energia será utilizada simplesmente para impulsionar o comboio, que estima-se atingir velocidades máximas de aproximadamente 354 km/h. No entanto, uma grande proporção também será necessária para ajudar o veículo a lidar com o intenso clima californiano e manter-se em movimento se os serviços públicos locais falharem.

De acordo com Margaret Cederoth, diretora de planeamento e sustentabilidade da autoridade, eles estão atualmente em negociações com vários fornecedores de energia na tentativa de garantir um sistema de escala de utilidade de $ 200 milhões de dólares (€ 181 milhões) que eles irão possuir e operar.

O serviço de alta velocidade conectará partes importantes do estado

Através de 10 fases de implementação, o sistema conectará os passageiros de San Diego até Sacramento. Viajará por Los Angeles, Central Valley, Fresno e San Jose.

Atualmente, 191,5 quilómetros de vias estão em construção.

A primeira fase concentra-se nos 836,8 quilómetros entre Merced em San Francisco e Anaheim em Los Angeles. A segunda fase visa melhorar as conexões existentes entre os locais em preparação para o uso do transporte.

A construção foi adiada por uma série de problemas

Nos últimos anos, surgiram problemas significativos de financiamento para o projeto e, posteriormente, muitas críticas.

Muitos críticos questionaram o plano de rota - especificamente por que estava a passar pelo Vale Central da Califórnia. De acordo com Brian Kelly, CEO da Autoridade Ferroviária de Alta Velocidade da Califórnia, a conexão dessa área foi um componente fundamental para a aprovação do projeto.

O Vale Central é historicamente subfinanciado, apesar de abrigar aproximadamente 4 milhões de residentes. Além de conectar seis das dez maiores cidades do estado, desenvolver o crescimento económico nessa área era fundamental para o projeto.

Quando se trata de questões de financiamento, Brian admite: “Sabíamos que tínhamos uma lacuna de financiamento desde o início do projeto. O que sei é o seguinte: quanto mais cedo o construirmos, mais barato ficará.”

Atrasos e custos crescentes foram parcialmente informados pela isenção ambiental necessária para construir a pista, que atravessa quilómetros de terras privadas. Negociar pagamentos com proprietários de terras e autoridades locais, bem como garantir que o projeto atenda aos padrões ambientais, custou US$ 1,3 mil milhão (€ 1,2 mil milhão).

No entanto, Margaret Cederoth, diretora de planeamento e sustentabilidade da autoridade, disse à Forbes que o trabalho numa fonte de energia renovável pode começar em 2026 para garantir que esteja pronto para alimentar os comboios até 2030, a data de abertura prevista para o segmento inicial da ferrovia. In “Euronews.green”


terça-feira, 14 de junho de 2022

Estados Unidos da América – Os estados norte-americanos onde a comunidade portuguesa aufere melhores rendimentos

Nova Jersey e Califórnia são os estados onde os luso-americanos obtêm maiores rendimentos e ficam acima da média da população norte-americana, disse a investigadora Dulce Maria Scott, da Anderson University, durante a cimeira anual da coligação de luso-americanos na Califórnia, CPAC (‘California Portuguese American Coalition’)


“Rhode Island tem o nível de rendimento mais baixo, seguido da Florida, e Nova Jersey tem o mais elevado”, acrescentou.

Os dados foram compilados a partir das estatísticas do American Community Survey (ACS) 2019 do U.S. Census Bureau e mostram que os luso-americanos em Nova Jersey têm um rendimento familiar médio de 122,967 mil dólares (116,849 mil euros) por ano, enquanto na Califórnia este é de 116,4 mil dólares (110,609 mil euros).

Em Massachusetts, o rendimento médio anual dos luso-americanos é de 103,4 mil dólares, enquanto na Florida é de 86,4 mil dólares e em Rhode Island 85,2 mil. Por comparação, a média nos Estados Unidos é de 93,5 mil dólares (88,8 mil euros) anuais.

Na sua pesquisa, Dulce Maria Scott encontrou dados agregados (ACS 2015) que mostram que os luso-americanos obtiveram um total de 43,1 mil milhões de dólares (40,9 mil milhões de euros), estando os residentes de origem portuguesa na Califórnia à frente com 11,6 mil milhões.

Em termos de profissões, os luso-americanos na Califórnia têm a maior percentagem (42,1%) nos segmentos mais bem pagos – ciência, finanças, artes e gestão – seguidos dos residentes na Florida (41,9%), Nova Jersey (38,2%), Massachusetts (37,2%) e Rhode Island (34,2%).

É em São Francisco que se concentra a maior percentagem de pessoas de origem portuguesa que estão nestes segmentos (60,6%), seguido de Orange County e Los Angeles.

A apresentação também se debruçou sobre o nível educativo dos luso-americanos e mostrou uma evolução exponencial desde 2000, com 31,6% a terem já educação superior. A média nos Estados Unidos da América é de 33,1%.

Com dados que indicam uma assimilação rápida da comunidade portuguesa, a investigadora Dulce Maria Scott frisou a preocupação que existe quanto à manutenção da língua e cultura.

“Há quatro preocupações diaspóricas: manter a língua portuguesa, conseguir que mais pessoas se envolvam nas organizações comunitárias, manter a cultura e manter laços com Portugal”, afirmou.

“Manter a língua portuguesa é uma preocupação da diáspora porque é importante para a manutenção da identidade cultural”, continuou, referindo estatísticas obtidas na pesquisa do Conselho de Liderança Luso-Americano (PALCUS) 2019-2020.

Os números do ACS 2019 dizem que 73,2% dos luso-americanos só falam inglês em casa. A fluência, de acordo com a pesquisa PALCUS, desce consideravelmente a partir da segunda geração.

As preocupações estendem-se à ligação das comunidades com Portugal. “O país de origem é onde a diáspora fundamenta a sua identidade. Precisamos das ligações ao país de origem para nos fundamentarmos como luso-americanos”.

Na pesquisa, parte dos inquiridos disse que é difícil conseguir que os mais novos se envolvam nas organizações comunitárias, o que complica a viabilidade futura.

“Se não tivermos organizações comunitárias, não seremos uma diáspora no longo prazo”, frisou Dulce Maria Scott. “É bom que as pessoas tenham preocupações diaspóricas, mas mau que sintam estas questões ameaçadas”, notou.

Os números da investigadora também mostram que o total da população de origem portuguesa nos Estados Unidos tem vindo a diminuir nas últimas décadas. Passou de 1,426 milhões nos censos de 2010 para 1,372 milhões no ACS 2015 e 1,363 milhões no ACS 2020.

Califórnia, Massachusetts e Rhode Island registaram declínios significativos a partir de 2010, enquanto a Florida e o Texas foram os estados que mais cresceram. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 6 de abril de 2022

Estados Unidos da América - Milhares esperados no festival mais português da Califórnia

O Festival Português do Vale de São Joaquim estará de volta a Turlock, Califórnia, em 09 e 10 de abril, retomando o calendário que tinha sido alterado por causa da pandemia de covid-19


“Tentamos abranger os diferentes aspetos da cultura portuguesa neste fim de semana”, disse à Lusa Elaina Vieira, diretora-executiva da Carlos Vieira Foundation, que organiza o evento. “As pessoas estão entusiasmadas por terem celebrações e por se reunirem com a comunidade portuguesa outra vez”, acrescentou.

O festival vai abrir com uma “Parada Portuguesa” e seguirá com as atuações de várias bandas filarmónicas e grupos folclóricos. Haverá uma tourada à corda no sábado e uma tourada sem sangue no domingo, eventos que nas edições anteriores foram dos mais populares entre a audiência.

No programa de entretenimento estão também as atuações dos comediantes Taylor Amarante e Vavo Brito, da fadista Marisa Silva Rocha e dos cantores populares Anthony Morais, Luízinho, David DeMelo, Emily e Alcides Machado.

Esta será a terceira edição do festival que celebra a cultura luso-americana no vale central da Califórnia, onde há uma grande concentração de pessoas de origem portuguesa, e terá entrada gratuita no sábado, para atrair o maior número possível de visitantes.

“Há muitos jovens que não estão tão envolvidos na comunidade portuguesa e não estão interessados em ir às Festas, e podem até nem saber o que é este festival, mas irão porque a entrada é gratuita”, explicou Elaina Vieira. “Queremos incentivar essas pessoas a virem, dar-lhes a oportunidade de descobrirem mais e envolverem-se”.

A organização antecipa que o evento atraia dez mil visitantes durante todo o fim de semana, com cerca de sete mil no sábado e três mil no domingo, dia em que a entrada para a tourada sem sangue custará 15 dólares. “Esperamos que seja um regresso à normalidade. Parece que vamos ter um bom nível de participação”, salientou a responsável.

Com 50 a 60 empresas expositoras, que irão desde a Ginja9 e PortuCali à Avila Imports e Azorean Brothers, o festival também terá uma prova de vinhos e queijos portugueses.

“Um dos grandes objetivos da celebração é apelar a todas as audiências”, afirmou Elaina Vieira. “Queremos convidar os mais velhos da comunidade a virem e a desfrutarem da cultura e dos portugueses do vale central, mas também queremos reacender esse sentimento nas gerações mais novas”, explicou.

Estará ainda patente uma exposição cultural, com a participação do Museu Histórico Português de São José, que comemora 25 anos, do Centro Histórico Português de San Diego e algumas exibições especiais.

“Tentamos trabalhar para que isto seja algo apelativo para as gerações de portugueses mais novas e mais velhas e também para os que não são portugueses e querem saber mais sobre a cultura”, realçou Vieira.

A dirigente disse que a Fundação trabalha “muito de perto” com o patrocinador principal, Portuguese Fraternal Society of America (PFSA), “que tem como um dos seus propósitos manter a cultura portuguesa viva”.

As receitas geradas pelo festival vão reverter, como nos anos anteriores, para a campanha permanente que a Fundação Carlos Vieira tem para apoiar crianças autistas, denominada “Race for Autism”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Estados Unidos da América – O peixe-olhos-de-barril

Um grupo de cientistas do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI) na Califórnia (Estados Unidos), detetaram um novo ser raro na zona crepuscular do oceano local


O protagonista capturado pelas câmaras do ROV Tiburon é o peixe-olhos-de-barril (Macropinna microstoma), um ser com cabeça transparente que habita regiões de escuridão total.

Descoberto em 1939 por W. M. Chapman, o peixe-olhos-de-barril foi fotografado vivo pela primeira vez em 2004, visto apenas nove vezes após mais de 5,6 mil mergulhos bem-sucedidos e mais de 27,6 mil horas de vídeo. Habitante de profundidade marítima entre 600 e 800 metros, o animal esconde-se em zonas com ausência de luz para manter a temperatura do corpo e evitar que a sua frágil cabeça seja afetada.

O M. microstomas, pertencente à família Opisthoproctidae e único sobrevivente da família Macropinna, pode ser encontrado no Mar de Bering, Japão e Baja Califórnia, pairando quase imóvel nas águas, ali como uma espécie de detetives atrás das suas presas — pequenos crustáceos e sifonóforos — pelas silhuetas, devido à pouca iluminação. Estes seres, quando atingem a fase adulta, podem alcançar até 15 centímetros de tamanho.

Características estranhas

Através de uma cúpula transparente, preenchida por fluidos, que protege os órgãos da cabeça, é possível observar as lentes dos olhos do animal e diversas outras estruturas por trás dos tecidos. No entanto, devido à fragilidade do fluido e à necessidade de se manter sob temperaturas amenas, há imagens antigas que comprovam a existência do peixe-olhos-de-barril que não mostram a sua cabeça, já que ela é destruída pela luz do sol quando a espécie atinge a superfície.

Outro detalhe que chama a atenção é a presença de olhos em formato de barril, capazes de girar em várias direções para detetar comida ou direcionar as rotas de passagem entre a escuridão da zona crepuscular. Até 2009, acreditava-se que os animais conseguiam olhar apenas para cima, mas imagens recentes provaram que os órgãos visuais dos M. microstomas têm um alcance significativamente maior e móvel que o previsto. In “Milénio Stadium” - Canadá


sábado, 15 de maio de 2021

Estados Unidos da América - Eduardo Mayone Dias: uma vida dedicada à escrita sobre a Diáspora

No dia 24 de abril, com a bonita idade de 94 anos faleceu em Los Angeles um dos nomes mais conhecidos na Diáspora portuguesa em terras americanas: Eduardo Mayone Dias. O académico português na Califórnia que dedicou uma vida à nossa comunidade, a pesquisar e a contar as nossas histórias. Se hoje temos alguma história da presença portuguesa neste estado devemo-la, em grande parte a Eduardo Mayone Dias. A sua dedicação às vivências portuguesas, e de uma forma particular açorianas, no mundo académico californiano, é única. Teremos para sempre uma grande divida para com este intelectual, que sempre esteve com a nossa diáspora.

Co-autor de um dos primeiros manuais para o ensino da língua portuguesa nos Estados Unidos, especialmente para o ensino superior, embora também utilizado ao nível do ensino secundário, este á acima de tudo um compendio que fulgura pelo contexto cultural que apresenta aos alunos: quer ao nível de Portugal, quer ao nível das comunidades. Portugal: Língua e Cultura, cuja primeira edição data de 1974 pela extinta editora The Cabrillo Press, e com segunda edição em 1995 pela Língua Text, foi um dos livros mais utilizados nos estabelecimentos onde se ensina a língua portuguesa. Este manual deu lugar a uma edição posterior dedicada ao ensino do português do Brasil, o qual teve co-autoria de Eduardo Mauone Dias—Brasil: Língua e Cultura. 

Foi a partir de 1977, e depois de ter publicado em 1975 a tese Menéndez Pelayo e a Literatura Portuguesa, com a chancela da Biblos de Coimbra, que este distinto catedrático, lançou uma série de livros sobre as nossas comunidades portuguesas e que merecem não só ser lidos pelos dados históricos que fornecem a cada leitor, mas ainda pela prosa escorreita, o estilo subtil e delicado com que o Professor trata cada um dos detalhes que nos conta. As suas crónicas, os seus ensaios, são mais do que simples relatos de ocorrências ou de pessoas.  Cada frase é trabalhada e cada crónica ou ensaio é uma obra de arte.  A arte de bem contar. Miguel Torga disse algures que “descrever é fácil, escrever é difícil”. A obra do Dr. Mayone Dias é, toda ela, um exercício de belíssima escrita que nos deixa mais ricos e ao fim e ao cabo é dessa riqueza humana que se faz a humanidade.

A biografia, em 1977, Crónicas das Américas em 1981; Cantares de Além-Mar em 1982; Coisas da L(USA)lândia em 1983; A literatura Portuguesa na Califórnia (separata da revista Arquipélago da Universidade dos Açores) em 1983; Cem Anos de Poesia Portuguesa na Califórnia (co-autor com o Professor Doutor Donald Warrin) em 1986; Novas Crónicas da Américas em 1986; Portugueses na América do Norte em 1987; Falares Emigreses, uma abordagem ao seu estudo em 1989; Crónicas da Diáspora em 1992; Escritas de Além-Atlântico em 1993; O Meu Portugal Antigo e Distante em 1997; Misclânea Lusalandesa em 1997;  Portugal’s Secret Jews, The End of an Era em 1999; Criptojudeus Portugueses, o fim de uma Era (edição bilingue) em 1999; Portugueses na Guerra do Vietname (co-autor com Adalino Cabral) em 2000 e A Presença Portuguesa na Califórnia, que foi lançado na cidade de Tulare, num dos últimos Filamentos da Herança Atlântica.  As últimas obras publicadas foram Crónicas Americanas, da coleção Rio Atlântico, coordenada por Onésimo Teotónio Almeida, e em 2017, a biografia ficcionada, como lhe chamou Francisco Cota Fagundes, que escreveu o prefácio, publica com o nome de Eduardo Alberto De Oliveira Rocha, e com a chancela da Portuguese Heritage Publications of California, Memórias de um Burocrata Invisível.

Uma vasta obra que reflete a dedicação que o Professor Doutor Eduardo Mayone Dias tem tido pelas comunidades e pelas ligações Portugal/Diáspora. Tal como afirmou o Professor Doutor Onésimo Teotónio Almeida, catedrático da prestigiosa Universidade Brown, numa alocução feita no sul da Califórnia a propósito de uma homenagem feita ao Professor Mayone Dias em 1985 e mais tarde publicada no livro L(USA)lândia a décima ilha: “a obra de Eduardo Dias é uma excelente prova de que, afinal, a cultura é algo vivo. É de que, se é passado, é também presente, pois as duas dimensões não se excluem.” Em todos os livros de Eduardo Mayone Dias encontra-se retratado o seu empenho em dignificar as vivências portuguesas em terras americanas. Ele que no meio da cosmopolita cidade de Los Angeles, leccionando e investigando num das mais prestigiosas universidades públicas dos Estados Unidos, não se fechou numa redoma, pelo contrário, viajou pela Califórnia lés-a-lés recolhendo dados sobre as nossas comunidades.  Tal como foi escrito no livro “Abraço Verbal a Eduardo Mayone Dias” inserido no livro que já referimos de Onésimo Teotónio Almeida “...na comunidade portuguesa, Eduardo Dias é um homem simultaneamente dela e da Universidade.  Ele mantém sempre escancaradas as portas que vão de um mundo ao outro...da minha parte, não conheço na história da comunidade portuguesa nos Estados Unidos professor universitário nenhum que tanto e tão bom tenha feito por essa comunidade. A sua obra está aí a desafiar quem por mera hipótese queira verificar empiricamente esta minha afirmação.”

São muitos os seus companheiros do ensino e da escrita que admiram a obra deste académico.  Não há, nos Estados Unidos, quem no campo universitário não conheça o nome e o trabalho que este distinto professor desempenhou em prol das gentes portuguesas na Califórnia. É impressionante notar o seu compromisso perante as vivências dos portugueses, e seus rebentos, em terras do Eldorado, assim como extraordinária admiração que as comunidades, desde o político ao vaqueiro, do professor ao empregado fabril, lhe dedicavam. É que tal como afirmou o critico literário Vamberto Freitas no prefácio para o livro Miscelânea Lusalandesa: “A esta quase incrível persistência e dedicação à história e registo da atualidade dos portugueses na Califórnia, junta-se qualidade como uma natural capacidade de empatia que Mayone Dias sempre demonstrou pelo grupo e, ao mesmo tempo, a ausência de qualquer condescendência ante o que ele entende ser defeitos ou meras fraquezas coletivas nossas.” 

Um dos seus últimos livros foi, A Presença Portuguesa na Califórnia, publicado pela Peregrinação de José Brites. Trata-se, essencialmente, do primeiro livro da história dos portugueses na Califórnia.  Mais do que uma coletânea de crónicas, que do professor Dias seriam uma delícia, este livro dá-nos, em 124 páginas, a história das gentes portuguesas no gigantesco estado da Califórnia.  Começando com um trabalho intitulado “Os primeiros tempos: presenças fugazes” onde percorremos os primórdios da nossa presença desde João Rodrigues Cabrilho a Sebastião Rodrigues Sermenho, passando para “Os primeiros emigrantes” no qual encontramos a história de António José Rocha e a sua vinda em 1814 até ao baleeiro jorgense Joseph Miller (José de Sousa Neves) que à Califórnia chegou por volta de 1836, ao ensaio “A emigração em massa” que nos relata em prosa de quem sabe penetrar os labirintos da escrita, as sucessivas ondas de emigração para este estado do pacífico.

A leitura deste pequeno/grande livro de história, nem que os livros se medissem aos palmos ou ao peso, encontramos a nossa experiência e o nosso contributo nas indústrias dos laticínios, da caça à baleia, à pesca do atum.  Há um capítulo dedicado às festas sociais da nossa comunidade, desde o Espírito Santo ao Carnaval, passando pelo fenómeno recente (das últimas décadas) das touradas, de praça e à corda, que mobilizam milhares de pessoas em todo o Vale de San Joaquim e no sul da Califórnia, mais concretamente nas cidades limítrofes de Los Angeles: Artesia e Chino. O movimento fraternal que ainda movimenta milhões de dólares de poupanças e investimentos da comunidade e que continua a ser uma importante parcela da nossa vida social.

Um dos capítulos mais aprazíveis é o que o Professor dedicou ao fenómeno da mistura dos dois idiomas no linguajar das nossas comunidades.  O “portinglês” é um ensaio que explicita as razões destes vocábulos e a riqueza dos mesmos.  Vistos em tempos idos como algo depreciativo, tratados em Portugal e nos Açores pejorativamente, foi Eduardo Mayone Dias que sempre lutou, com todo o rigor académico, e patenteou perante os puristas de todos os “Terreiros do Paço” que a utilização destes vocábulos no discurso quotidiano das nossas gentes era, e é, indicador do poder de adaptação dos emigrantes.

Dedicando um longo capítulo à “comunicação social de expressão portuguesa” o autor mostra-nos, ainda mais esta vez, a tal empatia que Vamberto Freitas nos falava.  Um estudioso da nossa comunicação social e um colaborador fiel da mesma, Mayone Dias sempre colaborou nos jornais, nas rádios e nas televisões das nossas comunidades. Muitos dos seus artigos, dos seus ensaios, colecionados em vários dos seus livros, viram primeiro a luz do dia em jornais da Califórnia, da Costa Leste, do Canadá e claro também de Portugal continental e dos Açores. Nos momentos de pujança e de contratempo as crónicas do Professor sempre brilharam nas páginas da nossa imprensa. Nos 16 anos que fiz rádio, nunca me recusou uma entrevista, um comentário, uma conversa.  E foi ainda o responsável pelo guião que conduziu a produção videográfica que  David Martins realizou: “Os Portugueses na Califórnia.”  Daí que o seu capítulo sobre a comunicação social seja um dos mais enriquecedores desta história dos Portugueses na Califórnia. 

Outro capítulo deslumbrante é o que dedica à nossa literatura de expressão portuguesa neste estado. Não tivesse sido ele um dos responsáveis pelo seu estudo durante tantos anos! Desde a literatura de cariz popular aos escritos mais eruditos, Mayone Dias, dá-nos um retrato fidelíssimo das narrativas dos portugueses nesta parcela norte-americana. E termina, muito ao seu estilo de observador eminente: “E o futuro? É evidente que esta literatura oferece um carácter intrínseco e de considerável efemeridade, já que é produzida por e para o núcleo transplantado. A ser interrompido o fluxo migratório, ficará inexoravelmente condenada a tornar-se peça de museu.”

Já na parte final deste livro há “Um Balanço Geral” em que o escritor e estudioso das nossas comunidades e da vida, disserta sobre o que fomos e somos. São três páginas de prosa empolgante convidando os leitores a refletirem as vivências e o futuro, a curto e longo prazo, da nossa presença neste estado, e a tal metamorfose que todos, aqueles vivem e se interessam pelas nossas comunidades, andámos a falar já lá vão muitos anos. E é nesta prosa sadia que termina, afirmando: “Será difícil prever por que trajetória enveredará a emigração portuguesa para a Califórnia. Nas últimas décadas as chegadas diminuíram substancialmente. A manter-se este decréscimo será, pois, de conceber um envelhecimento da comunidade e um progressivo domínio da vida social por uma geração de luso-descendentes. Não é, porém, de crer que com facilidade desapareça a tradição cultural que os portugueses trouxeram a essa região e que tão vigorosamente tem marcado a sua presença por mais de 180 anos.” 

As últimas páginas de A Presença Portuguesa na Califórnia são de uma riqueza prodigiosa para a nossa história de comunidades portuguesas neste estado banhado pelo pacífico. Primeiro apresenta uma cronologia (1542 a 1999) da nossa presença com os principais acontecimentos que marcaram as nossas comunidades, segundo, as bibliografias (especial e geral) são documentos riquíssimos para os arquivos comunitários.

Daí que se recomende a leitura deste livro em português ou na tradução para inglês por Kathie Baker, com a qual colaborei. A sua presença em língua portuguesa é importantíssima para uma geração que ainda consegue ler em português, para os estudos das nossas comunidades nas universidades americanas e portuguesas, para as bibliotecas em Portugal onde devem estar as obras de quem nas comunidades, corajosamente, ainda escreve em português para que a nossa língua sobreviva mais algum tempo, para registar, com todo o rigor, os nossos feitos em terras americanas e estabelecer a tal ponte que todos queremos entre a terra de origem e a diáspora. Em português ainda, porque tal como outras obras da nossa emigração, este livro deveria ser leitura obrigatória pelos políticos portugueses antes de visitarem as nossas comunidades. E em inglês, na tradução publicada pela Portuguese Heritage Publications of California, porque sem ser maçador, este pequeno/grande livro traça a história dos portugueses na Califórnia. A história, que muitos luso-descendentes, desconhecem e estão apetitosos para conhecê-la.

Os contributos do Professor Doutor Eduardo Mayone Dias às comunidades portuguesas da Califórnia, à história do povo português que tal como escreveu um dia Miguel Torga, tem por “sina não caber no berço,” são inúmeros. A sua dedicação nunca será esquecida. Aliás, a melhor forma de o homenagearmos é lendo os seus livros e reeditando muitos livros que estão esgotados. Há vários anos em casa, e com saúde debilitada, Eduardo Mayone Dias, foi uma das vozes mais significativas sobre a presença portuguesa em terras americanas. Foi ainda um amigo e um mentor de muitos homens e mulheres, particularmente da minha geração. Aprendi muito com ele. A diáspora portuguesa, e a açoriana, está de luto. É que apesar de não ser destas ilhas, foi um verdadeiro açoriano em terras americanas. Diniz Borges – Estados Unidos in “Portuguese Times”        

 

domingo, 18 de abril de 2021

Estados Unidos da América - Thamnophis sirtalis infernali, a cobra mais bonita do mundo

A indescritível cobra-liga vermelha da Califórnia é frequentemente descrita como uma das cobras mais bonitas do mundo


A cobra-liga vermelha da Califórnia (Thamnophis sirtalis infernalis) é uma subespécie da cobra-liga comum.

A maioria destas cobras tem um padrão de listas azuis num fundo preto e vermelho. O seu tamanho médio é de cerca de 55 cm, mas podem chegar a medir pouco mais de um metro.

As cobras-liga comuns são nativas apenas da região neoártica. Estão presentes em grande parte da América do Norte, embora sejam pouco comuns no árido sudoeste dos Estados Unidos.

A Thamnophis sirtalis infernalis apresenta um padrão básico de três faixas, incluindo listas amarelas ou azuis sobre um corpo principalmente vermelho, com uma fileira de pontos pretos ou manchas aparecendo num padrão semelhante a uma faixa.

Esta subespécie apresenta uma cabeça laranja ou vermelha e pode variar significativamente na aparência com base na localização geográfica da cobra.

A cobra-liga vermelha da Califórnia é uma cobra delgada, mais pequena e mais leve que a cobra-cobra de São Francisco. As fêmeas atingem tipicamente 90 a 100 cm, enquanto os machos atingem 65 a 75 centímetros e são mais magros que as fêmeas.

As cobras-ligas foram consideradas por muito tempo não-venenosas, mas alguns estudos cientificos no início dos anos 2000 revelaram que produzem um veneno neurotóxico.

Apesar de serem venenosas, a pequena quantidade de veneno que produzem não é suficiente para ferir ou matar um ser humano. In “Green Savers Sapo” - Portugal



sábado, 20 de março de 2021

Estados Unidos da América - Ponta-Garça lança livro sobre a emigração portuguesa na Califórnia

O empresário e realizador Nelson Ponta-Garça publicou o livro “Portuguese in California: The History of Generations” com base em mais de 300 entrevistas que documentam a história e o legado da comunidade portuguesa na Califórnia


Partindo do seu documentário “Portuguese in California”, realizado em 2013, Ponta-Garça escreveu um livro que regista histórias de vida inéditas no estado com a maior comunidade de origem portuguesa nos Estados Unidos.

“A comunidade portuguesa deu um contributo incrível à Califórnia, começando com [João] Rodrigues Cabrilho em San Diego até ao João Rocha em Los Angeles”, disse à Lusa o autor. “É uma comunidade que deu uma contribuição muito maior do que aquela que hoje em dia lhe é reconhecida”.

Ponta-Garça sublinhou que a comunidade lusa no estado é quase invisível quando comparada com outras comunidades imigrantes, e que o seu impacto justifica uma perceção diferente.

“Espero que este livro seja um contributo para que a história dos portugueses na Califórnia seja reconhecida”, afirmou, referindo que a obra inclui tanto pessoas em cargos de destaque como famílias de origens humildes, emigrantes que saíram sem nada de Portugal, chegaram em botes baleeiros ilegais e transformaram-se em grandes empresários.

“Portuguese in California” mereceu a atenção do Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou no lançamento tratar-se de um livro “importante” que não só conta a história da comunidade lusa como também “ajuda a estabelecer pontes com uma comunidade mais vasta que inclui todos nós”.

O chefe de Estado afirmou que o livro confirma a ideia de que Portugal é “um país que não se limita às suas fronteiras físicas, mas que está presente onde estiver um português”.

Nelson Ponta-Garça explicou que a primeira edição, com número limitado de exemplares e em inglês, está focada no mercado dos Estados Unidos e Canadá, encontrando-se à venda na livraria online Amazon. “O alvo é toda a gente que está interessada na história e na cultura portuguesa”, afirmou.

O autor revelou também que os projetos da saga “Portuguese In” (que além da Califórnia incluem Nova Inglaterra e Havai) têm atraído em particular o interesse de mulheres entre os 40 e os 65 anos, “normalmente com nomes que não são portugueses, que procuram a sua identidade e querem mostrar aos filhos as suas raízes”.

Em conversações com editoras em Portugal para publicar uma versão portuguesa, Ponta-Garça referiu que o livro serve igualmente como “o mais atual e mais completo diretório da comunidade portuguesa” na Califórnia, uma dimensão interessante dos dois lados do Atlântico.

A obra inclui muitas entrevistas que foram feitas após a conclusão do documentário, como é o caso de Ângelo Garcia, presidente da divisão de imobiliário da Lucasfilm.

“São mais de 300 portugueses, em áreas desde a tecnologia à agricultura a Hollywood. Do cidadão que é presidente da Filarmónica ao mais ilustre português na Califórnia”, descreveu Ponta-Garça.

O livro está dividido em capítulos por zonas geográficas e começa por contar como os portugueses chegaram à costa oeste, partindo de João Rodrigues Cabrilho, que em 1542 foi o primeiro europeu a atracar na baía de San Diego.

Ponta-Garça reiterou que Cabrilho era português ao serviço da coroa espanhola, e não espanhol, como trabalhos recentes têm defendido.

Entre as entrevistas que mais o tocaram, o autor mencionou um português de São Jorge que perdeu o seu negócio de vacaria três vezes e conseguiu recuperá-lo “do nada”. Noutra ocasião, entrevistou um senhor em Sacramento e só no fim da conversa se apercebeu que ele era cego.

“Uma parte destas pessoas já faleceram”, disse Ponta-Garça. Sem este trabalho, “perdiam-se aqui histórias de vida incríveis, que não tinham sido documentadas”.

Já com uma segunda edição a ser trabalhada, o autor explicou que financiou pessoalmente todo o projeto porque quis fazê-lo “livre de restrições e orientações comerciais de editores”, chamando-lhe um “projeto de coração”.

“Foi um grande desafio lançar o livro no meio da pandemia”, afirmou.

Este não será o único, uma vez que já há entidades interessadas no Havai em patrocinar um livro baseado no documentário “Portuguese in Hawaii”, que estreou em 2019.

Ponta-Garça gostaria que o lançamento do segundo livro coincidisse com a passagem do navio-escola Sagres pelo Havai. Se tal não for possível, a intenção será lançar em outubro.

Depois, seguir-se-á o livro baseado no outro documentário dedicado a Nova Inglaterra.

Conselheiro das comunidades, fundador da NPG Multimedia, produtor e realizador, Nelson Ponta-Garça nasceu na Califórnia e cresceu nos Açores, tendo regressado em adulto. A sua intenção é viver entre Portugal e a Califórnia. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



terça-feira, 1 de setembro de 2020

Estados Unidos da América - Emigrante portuguesa dá aulas de cozinha tradicional

A portuguesa Anabela Viralhadas, que vive na Califórnia desde 2016, lançou a série ‘online’ “Cooking with Bela” para ensinar culinária tradicional aos americanos interessados em aprender a fazer pratos típicos de Portugal

“A quarentena chegou e eu estava a sentir as pessoas muito tristes”, disse à Lusa Anabela Viralhadas, explicando que foi por isso que teve a ideia de começar a dar aulas de cozinha usando a plataforma Zoom. “Muita gente aderiu logo, porque gostam muito da minha comida”, acrescentou.

O público-alvo é sobretudo o americano e inclui pessoas com alguma ligação à comunidade portuguesa, que não têm grandes conhecimentos de cozinha. “Tenho muitas que dizem que a sogra é portuguesa e gostavam de lhe fazer uma surpresa”, explicou, ou em que “o marido é português e não sabem fazer nada”.

Desde maio, Anabela Viralhadas já ensinou a fazer pão, feijoada à portuguesa, sangria, pão de ló, pão com chouriço, serradura e queijadas de leite, entre outros pratos típicos.

“Ver um sorriso na cara de uma senhora de 60 anos que pela primeira vez conseguiu fazer pão na vida dela é fantástico”, admitiu a portuguesa, que vive em Brentwood, norte da Califórnia. “Acho que as famílias americanas são muito desconectadas nesse sentido”, frisou.

A maior dificuldade que sentiu foi a adaptação dos ingredientes. “Houve um desafio muito grande que era traduzir as receitas portuguesas para a qualidade dos produtos em vários países, o que não é fácil”, explicou.

“Aqui a farinha é pesadíssima em relação à farinha portuguesa e o açúcar é três vezes mais doce”, apontou, frisando que a manteiga e o leite também não são iguais. Para fazer as receitas normais, “e dar a conhecer a cultura portuguesa”, foi preciso experimentar e ajustar constantemente.

Nem sempre essa adaptação é possível, reconheceu. “Há uma coisa que não consegui: adorava a minha tarte de maçã em Portugal e aqui é difícil arranjar maçã reineta”.

Após a experiência dos últimos meses, Anabela Viralhadas está a começar a alargar o seu plano e a pesquisar alternativas sem glúten e vegetarianas, que irá abordar no futuro. Pretende também criar um formato individual.

“Agora estou com uma ideia nova de dar aulas particulares, porque notei que as pessoas ficam com vergonha de dizer que não sabem quando estão 20 pessoas numa classe de Zoom”, adiantou a portuguesa, notando que pode ser difícil para alguém com muito poucos conhecimentos acompanhar uma aula de grupo. “O que eu gosto mesmo é ensinar àquela pessoa que não sabe nada. O meu alvo são essas pessoas”, vincou.

Com as aulas a crescerem em popularidade junto do público norte-americano, Anabela começou também a ter alunos de outras partes do mundo, incluindo África do Sul e mesmo Portugal.

“Estou também a ter público português”, afirmou, o que a deverá levar a traduzir o seu ‘site’ e blogue, atualmente em inglês. “Mesmo portugueses de Portugal estão super interessados nas minhas coisas”, assegurou, algo que considerou notável e não planeado.

A periodicidade das aulas “Cooking with Bela” deverá passar a ser repartida entre grupos e particulares, com a portuguesa a apontar para três vezes por semana.

Antes da pandemia de covid-19 obrigar ao confinamento, Anabela estava a estudar contabilidade, um plano que agora está em suspenso. As aulas de culinária marcaram uma mudança na sua vida que foi inesperada.

“Gosto muito de conviver e tive sempre muitas amigas que gostavam da minha comida, dava festas, fazia comida para toda a gente e tentava explicar e ensinar”, contou. “A minha paixão pela cozinha esteve sempre em mim”, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

domingo, 2 de agosto de 2020

Estados Unidos da América – Alzuleycha, a empresa de decoração portuguesa na Califórnia

A designer Ana Guerreiro lançou a empresa de decoração Alzuleycha, na Califórnia, partindo de detalhes da arquitetura e do design português para construir peças que fazem lembrar azulejos e apelam a um público diversificado



“Não é só a comunidade portuguesa que se revê nestes padrões”, disse à Lusa a designer, mencionando que as peças de decoração que produz também têm despertado o interesse de consumidores de origem latina e do médio oriente.

Situada em Sunnyvale, que se enquadra na região conhecida como Silicon Valley, a Alzuleycha “é uma marca de decoração para casa que é inspirada na arquitetura e no design português”, disse Ana Guerreiro. Do seu portfólio constam peças em fibra de madeira MDF, impressões, puzzles de parede, almofadas decorativas, chávenas, aventais e capas para telemóvel.

Apesar do nome da marca, que vem de uma palavra de origem árabe da qual derivou ‘azulejo’, a designer explicou que a inspiração é mais alargada. “São todos os detalhes da arquitetura que vemos”, indicou.

“Uso pormenores de portas em madeira, janelas, portões, esculturas feitas em pedra nas fachadas, os pormenores de desenhos feitos com esses materiais”, explicou Ana Guerreiro.

“Acabo por olhar para eles, tirá-los e conjugá-los para fazer um novo padrão”, acrescentou.

As coleções têm nomes em português, tal como as séries “Folha de Oliveira”, “Alfama” ou “Coração”. Ana Guerreiro disse que os itens que mais vendem através da loja ‘online’, por estes dias, são as almofadas e as peças de cozinha (panos e aventais), uma área em que só entrou por sugestão de uma amiga que começou a dar aulas de cozinha.

Antes da pandemia de covid-19, a Alzuleycha tinha começado a aparecer em mercados locais, no condado de Santa Clara, mas a situação forçou Ana Guerreiro a alterar o seu plano estratégico.

“Estou a tentar fazer parcerias com empresas de ‘staging'”, afirmou, referindo que muitas lojas continuam fechadas. “Há empresas ‘online’ de design e estou a tentar chegar a elas. Quero fazer parcerias para ter os meus produtos disponíveis para os seus designers”, apontou a designer.

Neste momento, os produtos são feitos nos Estados Unidos e no México, mas a empresária está a ponderar transferir alguma da produção para Portugal, nomeadamente as peças de decoração de parede.

Apesar do impacto negativo da pandemia, Ana Guerreiro notou que a crise levou a uma maior abertura das organizações luso-americanas nas redes sociais e realçou o papel do conselho de liderança PALCUS. “Se não fosse a pandemia, talvez não tivesse a oportunidade de chegar tanto às comunidades portuguesas”, refletiu a empresária.

“Foi mau, porque está a cortar um caminho que eu queria seguir, mas é uma questão de encontrar outros caminhos e seguir por eles”, afirmou Ana Guerreiro.



“O mais importante é fazer parcerias com outras empresas que estejam ligadas ao que eu faço, na decoração”, concluiu.

Com uma licenciatura em arquitetura e design de interiores, Ana Guerreiro estava a trabalhar numa empresa de remodelações em Portugal quando teve a ideia que viria a tornar-se na Alzuleycha. A designer mudou-se para a Califórnia em 2017 e abriu a empresa nos Estados Unidos no final de 2019. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 14 de julho de 2020

Estados Unidos da América - Portugueses organizam debate sobre o racismo

A Coligação Luso-Americana da Califórnia (CPAC) organiza esta quarta-feira, dia 15 de julho, um fórum sobre racismo e discriminação, com intervenção de Antelmo Faria, Mary Xavier, Anthony Esteves, José Luís Da Silva e Rosemary Serpa-Caso



A iniciativa, organizada com o apoio da FLAD – Fundação Luso-Americana, pretende abordar questões que até agora não foram discutidas na comunidade portuguesa, posicionando-se no rescaldo do movimento de justiça racial que foi para a rua após a morte do afro-americano George Floyd, no final de maio.

“Queremos escutar os mais novos da comunidade, que estão muito mais no mundo americano que dentro do mundo da aldeia da comunidade portuguesa”, disse Diniz Borges, presidente da CPAC. “Continuamos a ver que há racismo dentro da comunidade, como em todas”, afirma o responsável, “e há uma grande quebra entre o emigrante e os lusodescendentes, que estão mais preocupados com este assunto e o racismo dentro da comunidade”.

Segundo Diniz Borges, as gerações mais velhas de emigrantes “têm a ideia de que não os afeta e que não são contas do nosso rosário”. No entanto, os mais jovens “acham que é tempo que se tenha este diálogo dentro da comunidade portuguesa”.

É o que pensa Anthony Esteves, 38 anos, escritor e autor do ‘podcast’ “Based on a True Journey”. “Vejo as gerações mais novas de portugueses quererem fazer parte de uma mudança”, disse o lusodescendente, um dos convidados do fórum. “Esta é a altura em que pode haver uma mudança na forma como olhamos para os direitos civis e os direitos humanos e como podemos tomar parte disso”.

Baseado em Sacramento, norte da Califórnia, Anthony Esteves cresceu a falar português em casa e muito envolvido na comunidade luso-americana. “Ainda temos gerações que lançam mão do que ficou para trás, nos tempos do Salazar”, afirmou. “Embora a revolução dos cravos tenha sido em 1974, ainda tempos uma mistura de portugueses que são conservadores da velha guarda e outros mais liberais”.

Mary Xavier, que também participará no debate, disse que continua a ver essas tensões na comunidade portuguesa, entre os que emigraram durante a ditadura e os que já cresceram em solo americano.

“Tal como noutras comunidades, há racismo encapotado e muitas microagressões que acontecem com pessoas de cor”, afirmou.

“A história de Portugal está entrincheirada no racismo, escravatura, colonização. Não foi assim há tantos anos, ainda tenho familiares que estiveram na guerra em Angola”, disse. “Essas experiências dos soldados portugueses e a sua perceção de como foram recebidos quando tentaram preservar aquele território passaram de geração em geração”, considerou. “As histórias que trouxeram, a maioria negativas, tornaram-se naquilo que muitos portugueses sabem sobre os africanos”.

Casada com um afro-americano de origem jamaicana e com dois filhos birraciais, Mary Xavier disse que é importante ter estas discussões agora e levar as pessoas de gerações anteriores a saírem da zona de conforto. “Tendemos a ser uma comunidade conivente e é difícil ter este tipo de conversas. Se não falarmos nisto, é como se não estivesse a acontecer”.

Aos 44 anos, Mary Xavier trabalha como assistente social e vê “um efeito nas crianças de cor, na sua autoestima, na saúde mental, sentem-se sem esperança e pensam que não importa o quão bem-sucedidos sejam, porque serão sempre julgadas pela cor da sua pele”.

Segundo a lusodescendente, a discussão que a CPAC se propõe realizar será importante para abrir mentalidades. “É importante ter empatia e perceber as formas diferentes como as pessoas experienciam a vida na América”.

Depois do primeiro fórum, a CPAC pretende trabalhar com outras organizações, como o Conselho de Liderança Luso-americano (PALCUS), para abordar mais questões sociais de relevo.

“Queremos também ter debates além deste assunto do Black Lives Matter e do racismo, tratar temas como a discriminação sexual e outros assuntos que têm sido tabu na comunidade portuguesa”, explicou Diniz Borges. A série de debates deverá estender-se até outubro, ao ritmo de um por mês.

O responsável enquadrou os diálogos na missão da CPAC de ajudar a eleger lusodescendentes. “Os jovens têm-nos dito que são assuntos que nunca foram debatidos na comunidade portuguesa, mas que precisamos de debatê-los, para que aqueles que queiram depois ter alguma liderança política possam estar preparados”, explicou Diniz Borges. “Queremos que estes fóruns também sirvam para preparar novos líderes”.

O fórum será transmitido via Zoom e Facebook Live. In “Milénio Stadium” - Canadá

sábado, 27 de junho de 2020

Estados Unidos da América - Cem anos de rádio portuguesa na Califórnia

Um novo projeto do Instituto Português Além-Fronteiras e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) vai recolher sons, entrevistas e dados sobre o centenário da rádio em português, que foi lançada na Califórnia em 1920

“Foi a primeira vez que se fez rádio em língua portuguesa no mundo”, disse à Lusa Diniz Borges, presidente do Instituto Português Além-Fronteiras, que está sediado na Universidade Estadual da Califórnia, Fresno.

O responsável sublinhou que as emissões começaram antes da chegada da rádio a Portugal, que aconteceu em 1924.

“Quando começaram as primeiras estações de rádio começou logo a rádio em língua portuguesa, o que é fascinante”, afirmou, dizendo que as primeiras estações de rádio nos Estados Unidos chegaram em 1919.

A rádio em português foi inaugurada em 10 de junho de 1920 por José Vitorino, um emigrante açoriano oriundo da ilha Terceira. A emissão era feita a partir da cidade de Stockton, no vale de São Joaquim, intitulava-se “Vasco da Gama” e passava na estação de rádio KBMC, que entretanto deixou de existir.

De acordo com uma entrevista a outro pioneiro luso-americano da rádio, Frank Mendonça, Vitorino era analfabeto, o que o professor considera notável. A emissão era feita com a companhia de um amigo que tocava viola e assim proporcionava momentos musicais aos emigrantes que sintonizavam a estação.

“Ele foi o único a ter rádio em língua portuguesa entre 1920 e 1930. Dois anos mais tarde, em 1922, começou um programa em Visalia, uma vez por semana”, contou Diniz Borges.

O projeto do Instituto (PBBI, na sigla inglesa) e da FLAD vai durar um ano e passará pela recolha de gravações antigas de pessoas a falarem dos anos iniciais, gravações dos programas de rádio e entrevistas com luso-americanos que têm memória das décadas seguintes.

“Estamos a ter conversas com pessoas que ainda se lembram não de 1920, obviamente, mas que se lembram da rádio nos anos quarenta e cinquenta”, disse Diniz Borges.

“Depois estamos a ter conversas com pessoas que foram pioneiras da segunda onda da rádio, a que começou pós-vulcão dos Capelinhos”, explicou, referindo-se à erupção nos Açores em 1958, que levou a uma grande vaga de emigração para a Califórnia.

O objetivo é arquivar todo o material dentro do projeto alargado das histórias orais e organizar uma exposição cronológica sobre a rádio de língua portuguesa na Califórnia, quando regressarem as atividades presenciais após a pandemia de covid-19.

“A rádio foi de suma importância para a comunidade”, sublinhou Diniz Borges. “Os programas de rádio eram a grande fonte de informação para a comunidade e para a ligar à língua portuguesa”, acrescentou, afirmando que foi vital para as famílias continuarem a ter uma ligação a Portugal.

As emissões deram também um “enorme contributo” para a continuação da língua portuguesa na Califórnia, com um peso importante antes de serem lançados os primeiros cursos de português nas escolas secundárias e nas universidades.

De acordo com uma entrevista arquivada na história oral da Universidade Estadual da Califórnia, Berkeley, José do Couto Rodrigues, sobrinho do radialista Agnelo Clementino, disse que entre 1963 e 1971 houve 53 programas de rádio em português na Califórnia. Estes programas tinham, inclusive, clubes de fãs associados.

“Os locutores da rádio eram uma espécie de deuses da comunidade, eram líderes no verdadeiro sentido da palavra e comunicadores por excelência”, afirmou Diniz Borges. “Havia sempre algum despique entre um e outro”.

Agnelo Clementino e Joaquim Esteves, dois dos maiores locutores da rádio na Califórnia, chegaram a organizar um debate frente a frente em Oakland, que segundo o presidente do Instituto levou mais de 900 pessoas a assistir.

As emissões em português continuam até hoje com vários programas em frequências FM, AM e via internet. O programa em português mais antigo em toda a América do Norte chama-se “Saudades da Nossa Terra” e é de Miguel Canto e Castro, que completa em 2 de julho 59 anos no ar.

Em Los Banos, vale central da Califórnia, a estação KLBS ainda transmite em português 14 horas por dia e em São José, a KSQQ fala português quatro horas diárias.

Diniz Borges, que apresenta o programa em inglês “Portuguese-American Hour” na KGST, refere que este é um bom momento para “falar da audácia do senhor José Vitorino há cem anos” e fazer um trabalho de pesquisa, “porque mesmo aqueles que estiveram envolvidos na rádio nos anos sessenta já são pessoas com idade” e é preciso “registar esses acontecimentos”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”