Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 19 de maio de 2021

Portugal - Todos os lusodescendentes no estrangeiro passam a poder candidatar-se ao ensino superior

O contingente especial de acesso ao ensino superior dirigido a emigrantes e seus familiares foi alargado para permitir a candidatura às instituições de ensino superior portuguesas de todos os lusodescendentes, de nacionalidade portuguesa e residentes no estrangeiro


As condições especiais de acesso ao ensino superior em Portugal destinadas a emigrantes e seus familiares vão ser alargadas no próximo ano letivo a todos os lusodescendentes. A informação foi avançada esta terça pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

Assim, já a partir do próximo ano letivo de 2021/2022 os cidadãos com, pelo menos, um ascendente de nacionalidade portuguesa originária até ao segundo grau, (por exemplo, um jovem nascido no Luxemburgo mas com um dos pais ou avós portugueses) que não tenha perdido essa nacionalidade, podem concorrer ao Concurso Nacional de Acesso através deste contingente.

Para estas pessoas o acesso ao ensino superior público contempla agora o designado "contingente especial para candidatos emigrantes portugueses, familiares que com eles residam e lusodescendentes" do Concurso Nacional de Acesso, reservando 7% da totalidade das vagas para candidatos provenientes das comunidades da diáspora portuguesa.

Apesar do aumento de 52% do número de candidatos emigrantes nos últimos dois anos, o Governo português pretende aumentar ainda mais essa fasquia. O objetivo é chegar ao fim de 2030 com seis em cada dez jovens a frequentar o Ensino Superior "e que estes números sejam preenchidos também pelos emigrantes e seus familiares, bem como pelos lusodescendentes, que procuram prosseguir estudos e desejam encontrar em Portugal uma oportunidade de qualificação", escreve em comunicado o MNE.

No total existem cerca de 3500 vagas, em 34 instituições públicas e mais de 1000 cursos, em todas as universidades e institutos politécnicos públicos em Portugal. In “Contacto” - Luxemburgo


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Estados Unidos da América - Emigrantes estão a perder a língua portuguesa

A comunidade luso-americana apontou como principal prioridade a retenção da língua e o investimento em aulas de português na segunda edição do Índice Nacional do Conselho de Liderança Luso-Americano (PALCUS, na sigla em inglês), apresentado esta quarta-feira nos Estados Unidos


“O maior desafio que as pessoas consideram que a comunidade luso-americana enfrenta é a retenção da língua portuguesa”, afirmou a investigadora Dulce Maria Scott notando que esta preocupação aumentou desde o primeiro índice, realizado em 2017.

Os luso-americanos inquiridos na pesquisa selecionaram, por isso, as aulas de português como maior prioridade de investimento na comunidade. “Temos uma população que está interessada em aprender português, por isso precisa de mais aulas de português”, resumiu a investigadora.

Alguns inquiridos disseram que não vivem perto de uma comunidade portuguesa e sentem dificuldade em aprender a língua, apesar da vontade.

Embora a investigadora tenha sublinhado que o índice não tem ainda uma amostra representativa de toda a população luso-americana, algo que o PALCUS planeia conseguir na próxima edição, os dados recolhidos mostram um declínio acentuado nas capacidades linguísticas de português à medida que as gerações avançam.

Este é um fenómeno “que acontece com todos os grupos de emigrantes”, disse Dulce Maria Scott. No índice, 41,7% dos inquiridos de todas as gerações reportam fluência em português, sendo que 52,6% dos falantes aprenderam em casa com os pais e familiares.

“Muito poucos usam português nos seus empregos, o que mostra o elevado nível de integração dos luso-americanos na sociedade americana”, sublinhou Dulce Maria Scott.

A dificuldade de retenção reflete-se no facto de que 49,2% dos filhos dos inquiridos não falam português.

A investigadora sublinhou também “surpresa” com a falta de conhecimento sobre os programas que estão disponíveis para estudar em Portugal: 71,8% disseram não saber sobre os mesmos e 63,7% afirmaram que gostariam de aproveitar estas oportunidades.

A questão da educação é uma das preocupações mais evidentes da comunidade, nomeadamente os custos elevados nos Estados Unidos da América e a complexidade do processo de entrada no ensino superior.

O índice também concluiu que “parece haver um maior investimento na política nacional”, com mais donativos a campanhas políticas e a causas reportados pelos luso-americanos que em 2017.

Com dados detalhados sobre nível de educação, tipo de emprego, rendimentos e demografia dos luso-americanos inquiridos, o índice mostra uma integração cimentada na sociedade americana ao mesmo tempo que há preocupação com a manutenção das organizações lusas e a preservação da língua e tradições.

O elevado número de inquiridos que visitou Portugal recentemente mostra “que existe ainda um turismo da saudade” e vontade de manter as ligações.

Segundo os dados mais recentes do American Community Survey (ACS), que também foi analisado nesta sessão, havia em 2018 1358190 luso-americanos contabilizados nos Estados Unidos, uma redução de 5% em relação a 2010.

“O índice PALCUS e o ACS mostram que os luso-americanos são um grupo estabelecido que continua a progredir no seu caminho de integração na sociedade americana”, resumiu Dulce Maria Scott.

“Em simultâneo, continuam empenhados na sua herança portuguesa, ainda que reconhecendo que é difícil manter a língua e replicar tradições étnicas”, frisou.

Angela Simões, dirigente do PALCUS, indicou que a pesquisa para o próximo índice será conduzida em 2022. Entretanto, a organização irá apresentar os resultados de uma pesquisa relativa às tendências de voto dos luso-americanos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 1 de setembro de 2020

Estados Unidos da América - Emigrante portuguesa dá aulas de cozinha tradicional

A portuguesa Anabela Viralhadas, que vive na Califórnia desde 2016, lançou a série ‘online’ “Cooking with Bela” para ensinar culinária tradicional aos americanos interessados em aprender a fazer pratos típicos de Portugal

“A quarentena chegou e eu estava a sentir as pessoas muito tristes”, disse à Lusa Anabela Viralhadas, explicando que foi por isso que teve a ideia de começar a dar aulas de cozinha usando a plataforma Zoom. “Muita gente aderiu logo, porque gostam muito da minha comida”, acrescentou.

O público-alvo é sobretudo o americano e inclui pessoas com alguma ligação à comunidade portuguesa, que não têm grandes conhecimentos de cozinha. “Tenho muitas que dizem que a sogra é portuguesa e gostavam de lhe fazer uma surpresa”, explicou, ou em que “o marido é português e não sabem fazer nada”.

Desde maio, Anabela Viralhadas já ensinou a fazer pão, feijoada à portuguesa, sangria, pão de ló, pão com chouriço, serradura e queijadas de leite, entre outros pratos típicos.

“Ver um sorriso na cara de uma senhora de 60 anos que pela primeira vez conseguiu fazer pão na vida dela é fantástico”, admitiu a portuguesa, que vive em Brentwood, norte da Califórnia. “Acho que as famílias americanas são muito desconectadas nesse sentido”, frisou.

A maior dificuldade que sentiu foi a adaptação dos ingredientes. “Houve um desafio muito grande que era traduzir as receitas portuguesas para a qualidade dos produtos em vários países, o que não é fácil”, explicou.

“Aqui a farinha é pesadíssima em relação à farinha portuguesa e o açúcar é três vezes mais doce”, apontou, frisando que a manteiga e o leite também não são iguais. Para fazer as receitas normais, “e dar a conhecer a cultura portuguesa”, foi preciso experimentar e ajustar constantemente.

Nem sempre essa adaptação é possível, reconheceu. “Há uma coisa que não consegui: adorava a minha tarte de maçã em Portugal e aqui é difícil arranjar maçã reineta”.

Após a experiência dos últimos meses, Anabela Viralhadas está a começar a alargar o seu plano e a pesquisar alternativas sem glúten e vegetarianas, que irá abordar no futuro. Pretende também criar um formato individual.

“Agora estou com uma ideia nova de dar aulas particulares, porque notei que as pessoas ficam com vergonha de dizer que não sabem quando estão 20 pessoas numa classe de Zoom”, adiantou a portuguesa, notando que pode ser difícil para alguém com muito poucos conhecimentos acompanhar uma aula de grupo. “O que eu gosto mesmo é ensinar àquela pessoa que não sabe nada. O meu alvo são essas pessoas”, vincou.

Com as aulas a crescerem em popularidade junto do público norte-americano, Anabela começou também a ter alunos de outras partes do mundo, incluindo África do Sul e mesmo Portugal.

“Estou também a ter público português”, afirmou, o que a deverá levar a traduzir o seu ‘site’ e blogue, atualmente em inglês. “Mesmo portugueses de Portugal estão super interessados nas minhas coisas”, assegurou, algo que considerou notável e não planeado.

A periodicidade das aulas “Cooking with Bela” deverá passar a ser repartida entre grupos e particulares, com a portuguesa a apontar para três vezes por semana.

Antes da pandemia de covid-19 obrigar ao confinamento, Anabela estava a estudar contabilidade, um plano que agora está em suspenso. As aulas de culinária marcaram uma mudança na sua vida que foi inesperada.

“Gosto muito de conviver e tive sempre muitas amigas que gostavam da minha comida, dava festas, fazia comida para toda a gente e tentava explicar e ensinar”, contou. “A minha paixão pela cozinha esteve sempre em mim”, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

domingo, 23 de agosto de 2020

Portugal - Monumentos ao Emigrante



A dimensão e relevância da emigração no território nacional, uma constante estrutural da sociedade portuguesa, têm impelido a construção nos últimos anos, um pouco por todo o país, de vários monumentos ao emigrante, com o objetivo de reconhecer e homenagear o contributo que prestam ao desenvolvimento das suas terras de origem.

Como observam as sociólogas Alice Tomé e Teresa Carreira no artigo Emigração, Identidade, Educação: Mitos, Arte e símbolos Lusitanos, este fenómeno de construção de monumentos ao emigrante “marca na atualidade a paisagem portuguesa”, sendo em grande medida o reflexo da “alma de um povo lutador, trabalhador, fazedor de mitos que, pelas mais variadas razões, não hesita em dobrar fronteiras”.

São muitos e variados os exemplos de monumentos aos emigrantes que povoam a paisagem portuguesa, como facilmente se comprova através de uma simples pesquisa na Internet. No Minho, por exemplo, alfobre tradicional da emigração portuguesa, há dois anos foi inaugurada na freguesia de Belinho, concelho de Esposende, uma estátua que celebra os emigrantes da povoação, e cuja simbologia alarga-se ao município numa homenagem a todos aqueles que “deram novos mundos ao mundo”.

No concelho de Ourém, um município localizado na região do Centro que se construiu com a emigração, ergueu-se em 2011, na freguesia de Espite, num território que é conhecido como o “berço” dos franceses, um monumento ao emigrante. No Funchal, capital do arquipélago da Madeira, região indelevelmente marcada pelo fenómeno da emigração, desde a década de 1980 que subsiste um monumento ao emigrante madeirense, e que homenageia os emigrantes naturais da “Pérola do Atlântico” instalados por todo o mundo. Na mesma esteira, em Ponta Delgada, no Arquipélago dos Açores, existe desde o fim do séc. XX, um monumento aos emigrantes e que laureia o povo açoriano disperso pelo mundo.

Nesta última região autónoma, foi inaugurado no mês passado na Ribeira Grande, também na ilha de S. Miguel, a Praça do Emigrante, um espaço público urbano que homenageia os emigrantes açorianos que partiram em busca de melhores condições de vida, e cuja animação cultural passa a estar a cargo da AEA – Associação dos Emigrantes Açorianos, um organismo independente, com sede nas instalações do Museu da Emigração Açoriana.

Uma praça, cujo centro é ocupado por um imponente globo revestido a pedra de calçada portuguesa, com quatro metros de diâmetro, concebido por Luís Silva, e intitulado “Saudades da Terra”, expressão que Gaspar Frutuoso, personagem insigne do passado micaelense, utilizou no século XVI para resumir um sentimento maior, comum não só aos emigrantes açorianos, mas a todos os emigrantes portugueses.

Além do globo, a Praça do Emigrante é engrandecida por um desenho na calçada em redor, denominado “Shore To Shore”, da autoria do escultor canadiano Luke Marston, trineto do picoense Joe Silvey, um pioneiro da sociedade multicultural no Canadá. Assim como por uma “Calçada dos Mundos”, concebida por Liliana Lopes, e dois murais, um deles com bandeiras dos principais destinos da emigração açoriana (Bermudas, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, Havai e Uruguai). Daniel Bastos – Portugal in “Mundo Lusíada”

sábado, 15 de agosto de 2020

Suíça – Rádio portuguesa emite desde Aarau

Chama-se Rádio Familiar, funciona numa cave em Aarau, na Suíça, tem ao leme um casal português de emigrantes e passa quase exclusivamente música ligeira portuguesa, sempre com a bandeira nacional em destaque no estúdio. No ar desde 14 de fevereiro, o projeto radiofónico tem como rostos Leandro Pereira, natural de Lamego, e a mulher, Elisabete Vieira da Silva, oriunda da Póvoa de Lanhoso



“Pode-se dizer que somos uma rádio de emigrantes portugueses para emigrantes portugueses, mas é claro que estamos abertos a todos quantos nos quiserem ouvir”, disse Leandro Pereira. O projeto, 100% online, é ligeiro, terra-a-terra e despretensioso e aposta, sobretudo, na proximidade e na interação com o ouvinte, através do Facebook.

Das 24 horas diárias de emissão, a esmagadora maioria é assegurada pelo “piloto automático”, mas, ao final da tarde, após o trabalho, Leandro e Elisabete dão a cara, saudando pessoalmente cada ouvinte que entra e soltando, despreocupadamente, estados de alma.

“Z’imbora”, abreviatura de “vamos embora”, é a expressão recorrentemente usada por um e outro, para incentivar o ouvinte a entrar no espírito da rádio, que é acompanhar, cantando ou dançando, o artista que a cada momento está no ar.

Leandro, que já foi cantor, sabe quase todas as letras de cor das canções que passa e, volta e meia, lá “sai” até um karaoke.

Mantém, por norma, uma pose séria, profissional, que, como diz, “a música não é brincadeira” e a rádio “não é para qualquer um”.

Em contraponto, Elisabete faz da simpatia a sua grande arma, mas também ela não abdica de trautear os temas que vão passando.

“Quando estamos no estúdio, os ouvintes podem pedir os temas que querem ouvir”, assegura Leandro.

Ele tem 25 anos e trabalha na construção civil, assegurando também serviços de jardinagem, sempre que é preciso. Ela é 10 anos mais velha e faz limpezas.

Depois de “largarem”, é no estúdio instalado numa cave, com 32 metros quadrados, que alimentam o “bichinho” da rádio. Por dia, passarão ali uma hora e meia, duas horas, depende.

Passam música, quase toda portuguesa, cantam, saúdam os ouvintes, dançam um com o outro, mandam recados, atendem pedidos.

“Sentimo-nos acarinhados, sentimos que fazemos bem a quem nos ouve, e, enquanto assim for, vamos continuar”, atira Leandro.

A bandeira nacional, essa, está sempre “escarrapachada” na parede do estúdio, para que não fiquem dúvidas sobre o “orgulho de ser português” que ambos sentem.

“Estou na Suíça há 21 anos, mas esta é, e será sempre, a minha bandeira. É por ela que o meu coração bate”, atira Leandro. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

domingo, 5 de julho de 2020

Portugal - Autarca e médico pede testes à chegada para emigrantes

João Casteleiro, presidente da Assembleia Municipal da Covilhã no final dos trabalhos de uma reunião da autarquia, descrevendo que “não gosta de usar esse palco para falar sobre a pandemia”, vestiu a pele de presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário da Cova da Beira e voltou a apelar aos presidentes de junta de freguesia que testem os emigrantes que cheguem à região

“Temos de ter cuidado e peço aos presidentes de junta que estão mais perto dos nossos emigrantes, que os testem e que lhes digam para fazer a quarentena”, referiu João Casteleiro, acrescentando que “o papel do presidente de junta é muito importante para poder esclarecer as pessoas e proporcionar condições de segurança a quem não as tenha, para cumprir a pandemia”.

O presidente do conselho de administração do CHUCB salientou ainda o perigo dos assintomáticos, uma situação “que causou perturbações de anos desconhecidos”. João Casteleiro alertou que “os assintomáticos são as pessoas mais perigosas neste momento”, pois não sabendo que estão infetados, “agem como se não estivessem”, referiu.

A terminar, João Casteleiro pediu ainda que os presidentes de junta de freguesia “insistam para que as pessoas usem máscara e evitem os ajuntamentos no café”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

domingo, 26 de abril de 2020

França - Português de Paris oferece tablets a crianças de Soure

As crianças de Figueiró de Campo, no concelho de Soure, receberam tablets oferecidos por um emigrante português a residir em Paris.

Francisco Sousa, apesar de não ser natural dessa freguesia do concelho de Soure, decidiu ajudar porque a sua mulher tem aí as suas origens.

“Quando soube que havia falta de aparelhos para estudar em casa durante a pandemia, não hesitei em ajudar”, afirma o português de Paris.

Francisco Sousa ficou a par das necessidades de muitas crianças com dificuldades financeiras através das redes sociais e tomou a decisão de ajudar.

Assim, Francisco Sousa financiou, a junta de freguesia e a escola colaboraram na entrega dos equipamentos eletrónicos. “É um pouco da minha contribuição, estando longe”, comentou o português. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo