Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Macau - Quatro professoras levam 100 alunos a expor na Fundação Rui Cunha



São artistas dos sete aos 80 anos, aqueles que terão as suas pinturas expostas a partir de hoje na Fundação Rui Cunha. A ideia foi de um colectivo de docentes. As pinturas são feitas em arte Zentangle, uma expressão que deixa fluir as linhas simples a partir de padrões mais ou menos complexos, geométricos ou curvilíneos.

Esta história começa há sete anos, quando a então jovem de 23 anos, Vibian Kou, entrou numa loja de livros. Pegou num compêndio de arte Zentangle e ficou maravilhada. A partir daí não mais quis parar de desenhar, e a paixão foi tão grande que começou a ensinar como fazê-lo. A exposição que hoje começa, às 18h30, na Fundação Rui Cunha é resultado desse percurso, no qual Vibian se juntou a mais três colegas e começou a dar workshops desta arte em várias associações de Macau. Agora o colectivo mostra ao público o resultado desse trabalho.

A mostra irá dar a conhecer 16 conjuntos de trabalhos feitos por cerca de 100 alunos das oficinas criativas em que as quatro artistas locais – Vibian Kou, Ron Loo, Velda Chan e Katniss Ao Ieong – têm vindo a promover pelo território. “Os nossos alunos vão desde os mais jovens até aos mais velhos, dos sete aos 80 anos, com diferentes tipos de carreiras… alguns já faziam arte há muitos anos, e outros é apenas a primeira vez que estão a juntar-se a nós”, explica Vibian Kou. A “Exposição de Arte Colectiva ZENTANGLE” é resultado dos trabalhos das sessões de aprendizagem criadas por estes artistas certificados com os seus estudantes.

A arte Zentangle surgiu nos Estados Unidos da América, como um estilo criativo emergente com cada vez mais adeptos por todo o mundo. Um estilo que se baseia em figuras repetitivas de plantas e outras formas naturais que ocupam um espaço branco como caleidoscópios. “Quem também nunca aproveitou para colorir as bonitas mandalas, cornucópias, mosaicos e borboletas a traço preto nas folhas dos cadernos de “mindfulness”?”, lê-se no panfleto de promoção da exposição.

Vibian conta ao Ponto Final que ela própria não era artista, e que teve contacto “com esta arte através de uma loja de livros”. “Fiquei tão apaixonada com aqueles desenhos tão bonitos, que quis aprender. Comprei o livro, e comecei a praticar em casa”, recorda.



A professora, que tem leccionado inúmeros workshops em Macau, revela que na sua opinião esta é uma arte em que se podem fazer coisas bonitas, “mesmo que não se seja bom a desenhar”. “Pode-se fazer algo que se gosta. Daí ter investido. E quis poder ensinar a outros, o que tinha aprendido, e quão bonito pode ser este trabalho”, enfatiza. O objectivo, confessa a curadora da exposição de 30 anos, é “fazer arte”, mas ao mesmo tempo “alcançar a paz e o relaxamento da mente”. “Porque quando nos focamos nos desenhos, podemos relaxar”, frisa.

Esta professora diz que muitos dos seus alunos “são já idosos”, e que é surpreendente a forma como ficam cativados por esta actividade. “Eles durante toda a vida tiveram de seguir regras, mas com a Zentangle podem fazer o que querem, serem livres. E isso fá-los felizes”, valoriza.

Abstracção zen

O desenho de Zentangle consiste em deixar fluir as linhas simples a partir de padrões mais ou menos complexos, geométricos ou curvilíneos, que se expandem organicamente dentro de estruturas e formas, permitindo aos autores um estado de abstracção quase zen. Trata-se de uma prática de desenho que incorpora mecanismos de relaxamento e meditação para aliviar a pressão e o stress diário, na busca de calma, concentração e até autoconhecimento.

Segundo Vibian, desde que começou a expor há três anos que o público em Macau tem aumentado o interesse por este tipo de pinturas e em conhecê-las melhor. “Não era muito popular na altura, e o meu objectivo era mostrar que se eu faço, mais pessoas podem fazer”, lembra.



As imagens que serão expostas na Fundação Rui Cunha são feitas de modo colaborativo, “inspirados elementos de fusão artística que contam histórias interessantes evidenciadas pelos alunos”.

“A mensagem desta mostra é provar que a arte é tangível, não é intocável, e deve ser experimentada por todos”, lê-se também no comunicado de promoção do evento.

O colectivo das quatro professoras organiza posteriormente dois Zentangle Workshops no dia 11 de Janeiro, sábado, das 15h00 às 16h30 e das 17h00 às 18h30, na Galeria da FRC, para todos os interessados em conhecer melhor esta arte e os seus métodos. As sessões serão conduzidas em língua chinesa. João Malta – Macau in “Ponto Final”

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