Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Napoleão do século XXI

Napoleão do Século XXI

in"Desciclopedia.org"
Outrora, em tempos muitos idos, um governante quando tinha problemas dentro das suas fronteiras, arriscava sempre num conflito externo para encobrir as mazelas que afligiam a sua má governação.

Em pleno século XXI há um governante relativamente recente de um país desenvolvido que não consegue resolver as questões internas, estando estas a proliferar e a causar dificuldades aos seus concidadãos.
in"Flickr.com"

A solução que este Presidente tem para tentar desviar a atenção da população do seu país é acenar com possíveis teatros de guerra e quando tem uma oportunidade, seja numa zona de antiga influência estratégica, seja numa antiga colónia do seu país ou de qualquer outro, mal ele vê num qualquer mosquito, um possível inimigo que seja necessário combater, aí está este napoleão do século XXI, sentado no seu cavalo branco, disponível, ansioso, armado, para poder mandar avançar as suas tropas comportando-se como um "napoleão polichinelo", que de socialista é que ele nada tem. Baía da Lusofonia

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Beatriz Quintella

Beatriz Quintella foi fundadora da Operação Nariz Vermelho, que visitou, desde a sua fundação, mais de 311 mil crianças hospitalizadas

Faleceu a mulher que escolheu viver a partilhar sorrisos com crianças hospitalizadas.
 
A Mentora, fundadora, Presidente e “Doutor Palhaço” da Operação Nariz Vermelho, Maria Beatriz Quintella faleceu hoje, dia 04 de Setembro de 2013, com 50 anos, deixando uma obra que é a maior prova da sua filantropia, abnegação, carisma e amor pelas crianças.

A Operação Nariz Vermelho tem como principal motivação levar alegria e felicidade às crianças hospitalizadas. Atualmente, os Doutores Palhaços visitam cerca de 40.000 crianças hospitalizadas por ano que continuarão a sorrir, dando seguimento ao sonho de Beatriz Quintella.

Mensagem da família
Com tristeza infinita partilhamos a perda de Maria Beatriz, amada incondicionalmente - esposa e parceira de vida; Mãe com M maiúsculo; Super-Sogra; nora, irmã e cunhada querida e avó de uma menina com nariz de batata.

Italo Calvino, seu autor preferido escreveu: "O sentido último a que remetem todas as narrativas comporta duas faces: o que há de continuidade na vida, o que há de inevitável na morte." A nossa busca será a partir de hoje a de continuar a viver e a encontrar novas formas para nossas vidas, com uma tentativa diária de transformar as saudades eternas que nos causam angústias profundas apenas nas mais maravilhosas memórias. Sempre com uma certeza mais que absoluta - a de que Beatriz está viva nas pessoas que a amaram e que ela amou, nos seus gestos humanos e generosos, na pessoa realmente Única que foi.

A seu pedido não haverá velório nem qualquer tipo de cerimónia. Por favor respeitem a sua vontade. Que cada um a relembre como ela sempre viveu, com um sorriso enorme e alegria contagiante.

Posso morrer porque amei e fui amada.
Os dias vão-se
Eu não
(excertos de poemas sublinhados por Maria Beatriz in Adília Lopes ´Dobra´, Poesia Reunida) in www.narizvermelho.pt - Portugal


(1963 - 2013)

Caos logístico

  Caos logístico: o tamanho do prejuízo
                                                                                 
Finalmente, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) tomou uma decisão que pode colocar um fim nos congestionamentos provocados pelo excesso de caminhões nas rodovias que levam ao Porto de Santos. Segundo a estatal, os terminais portuários serão obrigados a condicionar a expedição de documentação fiscal ao prévio agendamento do embarque de cargas.

Dessa maneira, os caminhões que transportam produtos para o Porto terão de sair de sua origem, nas regiões agrícolas, já com a identificação visível do terminal de destino. Obviamente, essa exigência dificilmente será cumprida se não houver um policiamento mais eficiente do que aquele que se vê atualmente, além da colaboração de todas as partes envolvidas nas operações de embarque das safras agrícolas.

Nunca é demais repetir que o nó logístico criado com o escoamento das safras pelas duas margens do Porto vem acarretando sensíveis prejuízos à indústria e à população. Levantamento feito pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) mostra que os congestionamentos em seis meses causaram prejuízos avaliados em R$ 1,2 milhão às empresas do Polo Industrial de Cubatão. O cálculo leva em conta que, para compensar a ausência ou atraso de funcionários que ficam retidos no trânsito, as empresas tiveram de pagar 62.493 horas-extras. A isso devem ser acrescentadas as perdas com o atraso no recebimento de mercadorias.

Na verdade, esses detalhes são apenas os mais visíveis. É preciso levar em consideração também que os congestionamentos favorecem a ocorrência de acidentes nas rodovias, além de causar danos ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores bem como stress a todos aqueles que são obrigados a permanecer de duas a quatro horas presos no trânsito.

Para piorar, o governo do Estado hesita em implantar pátios reguladores nas regiões do Planalto de São Paulo, ao longo do Rodoanel. Com isso, Cubatão vem sofrendo as conseqüências da sobrecarga que há em seus dois pátios reguladores de caminhões que se destinam à margem esquerda do Porto de Santos, que fica em Guarujá.      

De fato, Cubatão, encravado entre as quatro principais rodovias da região, é o município que mais sofre as conseqüências dos gargalos no acesso às vias portuárias. Esses prejuízos incluem não só a perda de qualidade de vida por parte da população como queda na arrecadação municipal. Portanto, a Secretaria Especial de Portos (SEP) também precisa se mobilizar para encontrar logo uma saída para esse caos logístico. Afinal, o futuro do Porto passa por Cubatão, o município da região que mais oferece áreas livres para a instalação de terminais portuários privativos e de estaleiros para a indústria naval. Milton Lourenço - Brasil

 __________________________________________________________
Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pessanha

A edição da poesia de Camilo Pessanha

SOBRE UMA PROPOSTA DE PUBLICAÇÃO DOS POEMAS DE CAMILO PESSANHA

[Este texto foi escrito para ser apresentado no I Colóquio Internacional do LIA: 500 anos Portugal-China: contrastes, mudanças e desafios, realizado na USP nos dias 26 a 30 de agosto de 2013 – motivos de ordem pessoal me impediram de estar presente]

Em primeiro lugar, quero apresentar as minhas desculpas e a minha tristeza por não poder integrar esta mesa e rever amigos queridos e colegas que ainda não conheço pessoalmente, mas cujo trabalho admiro de longa data.

Se eu aqui estivesse, teria muito gosto em ouvir as comunicações e, principalmente, aprender com os debates que certamente ocorrerão.

Entretanto, do ponto de vista da minha própria participação na primeira parte dos trabalhos, não creio que farei falta, pois apenas repetiria aqui o que tenho dito em tantos outros momentos, seja sobre os critérios da edição que fiz em tempos, seja sobre as críticas que recebi. Nesse particular – e mais exatamente no que diz respeito à falta de honestidade intelectual de uma professora italiana, Barbara Spaggiari, e um seu acólito português, António Barahona – publiquei também há tempos um longo texto, disponível no meu blog, ao qual remeto algum eventual interessado no bas-fond da vida intelectual.[1]

Mas talvez deva dizer ainda uma vez algumas palavras, principalmente porque talvez haja estudantes presentes, para os quais o estado da matéria possa ainda ser desconhecido.

E então, começando pelo começo, gostaria de dizer que nunca pretendi, nem fiz, uma “edição crítica” no sentido comum dessa expressão.

Isso porque nunca pretendi “fixar” um texto, no sentido de afirmar que aquela era a versão a ser lida, e não outras.

Pelo contrário, percebendo logo que seria impossível dar uma forma fixa ao conjunto dos poemas de Pessanha e me recusando, desde o princípio, a arvorar-me em reorganizador da sua obra segundo algum desenho temático ou formal que me parecesse mais sedutor, decidi pela forma mais radical de trabalho, que passo a expor.

A palavra radical, aqui, está sendo usada quase no sentido botânico: interessou-me sobretudo observar a história de cada um dos poemas de Pessanha, tanto do ponto de vista da sua elaboração (isto é: datação, identificação – quando possível – da primeira versão e descrição das sucessivas alterações até a última forma comprovadamente autoral), quanto do ponto de vista da sua história pública (isto é: cópias por terceiros, publicações esparsas a partir de fontes várias, publicações em volume).

Sendo assim, meu trabalho tinha uma direção oposta à dos trabalhos de edição crítica, que traçam uma árvore que permita chegar à raiz mais segura ou indubitável. Minha preocupação, pelo contrário, foi descrever o processo de transformação, a partir dos muitos autógrafos e publicações desse poeta que absurdamente alguns julgaram avesso ao registro escrito.

Muito longe de querer estabelecer “o texto”, o que eu quis foi apresentar ao leitor eventual a maior quantidade possível de informações para que ele pudesse se decidir pelo texto – ou o momento textual, por assim dizer – que lhe parecesse melhor.

Para poder anotar as várias campanhas, os vários gestos de escrita de Pessanha, eu precisava de um ponto de referência, de um momento congelado no tempo, a partir do qual os leitores pudessem percorrer o caminho de elaboração e as várias versões sucessivas (quando identificáveis temporalmente) de cada verso.

Fiz isso, como disse há pouco e repeti exaustivamente no aparato, considerando apenas como referência a última versão comprovadamente autoral. É certo que há casos muito difíceis, pois a autoridade do autor que escreve “limpa” numa versão num dado momento, é contrariada pela autoridade do mesmo autor que publica uma versão diferente em um momento posterior. E há vários textos nos quais não se consegue discernir com segurança se as correções terminaram por configurar uma nova versão (quando não há indicação “limpa” no autógrafo ou ao lado do texto impresso emendado) ou apenas anotações inacabadas para ajustes futuros.

Expor claramente os pontos de dúvida e de risco foi, assim, um objetivo importante na redação das muitas notas que compõem o aparato da edição que organizei.

Tomando taticamente a última versão comprovadamente autoral como ponto de referência para anotar as variações, restava fazer um cuidadoso e difícil trabalho de reconstituição da história de cada poema, para que as anotações se fizessem em ordem o mais possível cronológica. Aqui também houve momentos de dúvida angustiosa, mas sempre me pareceu melhor enfrentá-la e expô-la claramente, do que eludi-la, escudando-me em argumento sobre “o método adotado”. Afinal, o método foi construído para abordar o objeto na sua dimensão mais ampla e não para amputá-lo de sua complexidade.

Ao mesmo tempo, os autógrafos disponíveis nem sempre eram de fácil leitura ou estavam bem reproduzidos. Por isso, desenvolvi um sistema de anotação dos gestos de escrita, marcando ordem, natureza e lugar de alteração ou inserção, de modo que os leitores, com a minha edição em mãos, pudessem decifrar com menos dificuldade os autógrafos disponíveis, cuja localização em arquivos ou bibliotecas mapeei minuciosamente.

Para deixar completamente claro o meu objetivo, na hora de distribuir espacialmente os textos em volume – o que implica ordenação sequencial – renunciei a qualquer desenho temático ou formal (como disse) e, registrando isso na introdução, escolhi o critério mais abstrato possível: a ordem cronológica. Mas não a ordem cronológica da composição do poema – que seria um objetivo impossível, dada a natureza do material e da informação disponível – mas a ordem cronológica do primeiro registro autógrafo ou primeira publicação. O que é muito diferente, pois num caso teríamos uma aposta na ordenação, digamos, “evolutiva” e no outro um simples registro de ocorrência.

Renunciei também à escolha do que incluir no livro. Poemas ou mesmo fragmentos: tudo aí teria lugar, pois minha única ambição era constituir o mais amplo e completo (naquele momento) repositório de informações e versos de Camilo Pessanha.

É certo que fiz três concessões. Duas delas de livre vontade e outra de menos livre vontade.

A primeira que fiz de livre vontade foi abrir o conjunto com a quadra “eu vi a luz...”, porque, num autógrafo que consultei na casa de Carlos Amaro, Pessanha escreveu que aquele era para ser o primeiro poema de seu livro, “em tempos delineado”. A segunda foi fechar o volume com o poema que começa “ó cores virtuais”, como nas edições dos Osórios, aceitando o argumento deles de que o poema fora escrito para encerrar o volume. Ou seja, como sempre fiz desde que não tivesse indícios ou elementos de contradição, aceitei nesse ponto o testemunho dos Osórios.

A concessão que fiz de menos livre vontade foram na verdade duas: intitular o conjunto “Clepsidra” e deixar escrever “edição crítica” na ficha do volume. Ambas foram exigências do editor, a que me dobrei – talvez feliz por poder assim justificar o belo título e certamente infeliz por meu trabalho ser apresentado como o que não era, ou seja, uma edição crítica.

Esse foi, em linhas gerais, o meu trabalho. E talvez agora deva encerrar dizendo alguma coisa sobre o que não se percebeu dele e também sobre uma discordância que tenho com relação a algumas das edições dos poemas de Pessanha que foram feitas posteriormente a ele.



O que não se percebeu foi que, do ponto de vista da aproximação à obra de Pessanha, a minha edição propunha um trabalho com o universo textual do autor, no qual não necessariamente a última versão de um poema era a mais importante ou a mais significativa do ponto de vista da leitura ou da interpretação.

Ou seja: o que não se percebeu é que, ao contrário do que também se busca fazer atualmente no campo da edição de autores contemporâneos, meu interesse não era afirmar uma versão mais próxima ou fiel à suposta ou real intenção do autor. O que pretendi foi, isso sim, afirmar o caráter inacabado e inacabável do que teria sido o livro de Pessanha, tornando as várias versões disponíveis equivalentes, do ponto de vista do interesse da leitura.

E foi justamente o rendimento dessa hipótese o que tentei mostrar no estudo que fiz a seguir sobre os versos de Pessanha – o ensaio Nostalgia, exílio e melancolia – leituras de Camilo Pessanha –, no qual trabalho em vários momentos a história dos textos e as suas versões, confrontando versos com cartas, declarações, texto em prosa, na tentativa de refletir o caráter movente da poesia do autor e identificar o que me parecem dois modos, duas poéticas que organizam as imagens, símbolos e temas dispersos ao longo do universo textual que chamamos de Camilo Pessanha.

No que diz respeito à discordância, a questão é a seguinte. Clepsidra é o título que Pessanha, comprovadamente, em algum momento, imaginou para a publicação em volume de um conjunto de seus poemas. Mas não temos nenhum registro seguro de quais poemas integrariam esse livro, nem como nele seriam dispostos.

Assim, só me parece haver dois usos razoáveis para esse título. O primeiro é quando se trata de reproduzir a edição de 1920. Não porque essa edição seja uma edição autoral. Como julgo ter demonstrado, a edição de 1920 foi a recolha possível dos versos disponíveis de Pessanha naquele momento e para aquela editora, arranjados em partes e sequência segundo um critério que nada indica (pelo contrário) terem sido de autoria de Pessanha – e ainda utilizando versões problemáticas, recolhidas de publicações precárias e não autorizadas. Ou seja: o uso apenas documental, diplomático. O segundo, menos razoável – mas mais defensável –, é o que fiz dele: já que não se sabe o que iria no livro, abrigam-se sob esse título todos os poemas hoje encontráveis.

O terceiro uso já me parece problemático. É o que fazem os editores que tomam por base a última edição de João de Castro Osório e o que fez o meu querido amigo Gustavo Rubim, ao denominar Clepsidra a uma antologia de poemas. Sei que ele vai falar sobre isso, pois no título da sua fala comparece a palavra “sobranceria” e foi como essa palavra que qualifiquei – invejável sobranceria, eu disse – a forma como organizou, sem justificativas e escudado apenas no seu (quanto a mim, indubitável) gosto, uma antologia, que apresentou sob o nome do livro perdido ou nunca conseguido por Pessanha.

Mas a discordância com Rubim não diz respeito ao ato sobranceiro da escolha. Quanto a isso, desde o começo estou de acordo e o trabalho que fiz de edição teve por objetivo permitir que leitores de Pessanha pudessem escolher sobranceiramente, no banco de dados textual, o que melhor lhes parecesse representar a poesia do autor.

Minha discordância diz respeito apenas à redução – por conta da aplicação restritiva do título, sem a informação modalizadora de que se trata de uma antologia, no sentido próprio da palavra – do livro inexistente a esse livro particular. Denominasse ele a sua seleção “antologia”, ou registrasse que se tratava de seleta, nenhuma discordância haveria entre nós quanto ao direito de fazer – apenas divergências quanto à escolha, pois creio que ele deixou de fora poemas muito notáveis sob qualquer ponto de vista.

E aqui devo registrar que sinto imensamente não poder participar do colóquio também porque gostaria muito de ouvir o que esse crítico notável tem a dizer sobre as nossas diferenças.

Enfim, era isso o que eu diria se aqui estivesse.

E mais uma vez me desculpando pela ausência, deixo aqui os meus cumprimentos à organização do congresso e aos colegas que não pude, desta vez, rever. Paulo Franchetti – Brasil                    Campinas, agosto de 2013

[1] http://paulofranchetti.blogspot.com.br/2012/05/editarcamilo-pessanha-metodo-e-de.html

_______________ 
Paulo Franchetti é um crítico literário, escritor e professor brasileiro, titular no Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É mestre pela Unicamp, doutor pela USP e livre-docente pela Unicamp. Desde 2002, dirige a Editora da Unicamp. Autor de "Nostalgia, Exílio e Melancolia - Leituras de Camilo Pessanha

Paulo Franchetti é professor titular de Teoria Literária na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Diretor da Editora Unicamp. É autor, entre outros livros, de Estudos de literatura brasileira e portuguesa (2007), Oeste/Nishi (2008) e Memória futura (2010). 

___________________________ 
Camilo de Almeida Pessanha – (Coimbra 0709.1867 - Macau 01.03.1926) Divulgou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920): poemas, correspondência, dedicatórias e outros textos, foi publicado sem a sua participação (pois se encontrava em Macau) por Ana de Castro Osório, a partir de autógrafos e recortes de jornais. Graças a essa iniciativa, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições foram publicadas em 1945, 1954 e 1969. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Comércio Internacional - CPLP e Portugal

Comércio Internacional – CPLP e Portugal
A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi criada em 17 de Julho de 1996 como fórum multilateral privilegiado para o aprofundamento da amizade mútua e da cooperação entre os seus membros, com os seguintes objectivos gerais:
- Concertação político-diplomática entre os seus Estados-membros, nomeadamente para o reforço da sua presença no cenário internacional;
- Cooperação em todos os domínios, inclusive os da educação, saúde, ciência e tecnologia, defesa, agricultura, administração pública, comunicações, justiça, segurança pública, cultura, desporto e comunicação social;
- Materialização de projectos de promoção e difusão da língua portuguesa.
Foram países fundadores Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Em 2002, após a independência, Timor-Leste foi também integrado na Comunidade. Em 2006 foram admitidos como observadores associados a Guiné Equatorial e as Maurícias, e em 2008 também o Senegal.
Disseminada por quatro continentes, a CPLP estende-se por mais de 10,7 milhões de quilómetros quadrados (cabendo cerca de 80% desta área ao Brasil), com uma população que se aproximava em 2010 dos 250 milhões de habitantes.
As trocas comerciais entre os membros da Comunidade são em geral ainda pouco expressivas, sendo certo que constituem um vector da maior importância não só para o desenvolvimento económico de cada um dos parceiros mas também uma das vias para o aprofundamento dos laços de cooperação nos mais diversos domínios.
Ainda recentemente no Brasil, José Ramos-Horta, Prémio Nobel da Paz de 1996, criticando a forma como a comunidade tem sido desenvolvida até hoje, defendeu que Timor-Leste, ao assumir a presidência da CPLP no próximo ano, crie ações para aproximar a organização das populações dos países membros.





De acordo com dados de base do “Internacional Trade Centrte-ITC”, é o Brasil quem lidera, à distância, as Importações e as Exportações globais dos Estados-membros da CPLP. Do lado das Importações seguiram-se, em 2012, entre os países mais representativos, Portugal, Angola e Moçambique e, na vertente das Exportações, Portugal e Angola alternaram as respectivas posições.






Ao longo do último quinquénio dois dos oito parceiros da CPLP, Angola e o Brasil, apresentaram sucessivos saldos positivos na sua balança comercial de mercadorias, cabendo os maiores saldos a Angola. Todos os restantes países registaram défices nas suas balanças comerciais, à excepção da Guiné-Bissau em 2011, sendo os mais acentuados os de Portugal. Em 2012, para além de Portugal, seguiram-se por ordem decrescente os défices de Moçambique, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de São Tomé e Príncipe e de Timor-Leste.
Entre 2008 e 2012 Portugal ocupou sempre a primeira posição entre os países fornecedores de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe. Também em Angola figurou em primeiro lugar até 2011, ano em foi ultrapassado pela China. Em termos globais, Angola foi o quarto mercado de destino das exportações portuguesas de mercadorias, à excepção do ano de 2010, em que ocupou a 5ª posição.
Na Guiné-Bissau, Portugal ocupou a segunda posição entre os seus fornecedores nos dois primeiros anos do período em análise, passando ao primeiro lugar a partir de então.
Nos últimos cinco anos Portugal ocupou a 2ª posição nas exportações de Cabo Verde, a seguir à Espanha.
De assinalar que a China ocupou sempre neste período a primeira posição no ranking das exportações de Angola, o mesmo sucedendo com o Brasil a partir de 2009. 
Mas são ainda escassas em geral, dadas as potencialidades existentes, as trocas comerciais efectuadas no interior do espaço comum. 
Peso relativo dos Estados-membros nas importações Intra-CPLP

Foram nulas, ao longo do quinquénio, as importações dos seguintes Estados-membros com as origens indicadas:
Angola – de Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste;
Brasil – de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste;
Cabo Verde – de Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste;
Guiné-Bissau – de Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste;
Moçambique – da Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste;
São Tomé e Príncipe – de Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste;
Timor-Leste – de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Portugal foi o único país que nos últimos cinco anos efectuou importações de mercadorias de todos os parceiros comunitários, e em todos os anos, à excepção de São Tomé e Príncipe em que só se realizaram em 2010.
Peso relativo dos Estados-membros nas exportações Intra-CPLP

Foram nulas, ao longo do quinquénio, as exportações dos seguintes Estados-membros para os destinos indicados:
Angola – para a Guiné-Bissau e Timor-Leste;
Cabo Verde – para Timor-Leste;
Guiné-Bissau – para Angola e Moçambique;
Moçambique – para a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe;
São Tomé e Príncipe – para Angola, Guiné-Bissau, e Timor-Leste;
Timor-Leste – para Angola, Guiné-Bissau, e São Tomé e Príncipe.
Portugal, e agora também o Brasil, foram os dois únicos países que nos últimos cinco anos efectuaram exportações de mercadorias para todos os parceiros comunitários, e em todos os anos.
- Portugal e a CPLP no 1º semestre de 2013 -
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal para o 1º semestre de 2013, as importações portuguesas com origem na CPLP centraram-se em Angola (80,5% do total) e no Brasil (18,1%), a que se seguiu Moçambique (1,2%).
 Do lado das exportações prevaleceu ainda Angola (67,7%) e o Brasil (17,1%), mas assumiram já algum significado os restantes parceiros: Moçambique (7,3%), Cabo Verde (4,8%), Guiné-Bissau (1,6%), São Tomé e Príncipe (1,2%) e Timor-Leste (0,2%).
Foi o seguinte o panorama das importações e das exportações portuguesas, em termos de produtos transaccionados,  no âmbito do conjunto dos países da CPLP em 2011, 2012 e 1º semestre de 2012 e 2013:
IMPORTAÇÕES


EXPORTAÇÕES


Walter Marques - Portugal

Walter Anatole Marques - Assessor Principal da Função Pública (AP), Eng.º Electrotécnico (IST)


domingo, 1 de setembro de 2013

Mangokouro

 
 
Mangokouro, este bairro de Ziguinchor, no coração do espírito de paz e independência de Dezembro de 1982.
 
A libertação em duas fases dos sapadores que estavam detidos, as três mulheres primeiro e finalmente os nove homens, foi um momento histórico acrescido à grande marcha pela paz e independência de Dezembro de 1982 munida no sangue pelo exército senegalês.
 
 
 
Na verdade, o surgimento espontâneo de milhares de casamansenses amantes da liberdade na sede do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC) para assistirem em directo ao regresso à liberdade dos presos, sacudiu o sistema autoritário e colonial imposto pelo Senegal em Casamansa.
 
Em Mangokouro, estamos pois no coração do espírito de Dezembro de 1982. Regressar hoje a esse espírito é um imperativo face ao completo impasse na qual se encontra actualmente o nosso país, a Casamansa.
 
Vendo a sacerdotisa Tellé Diémé rodeada por centenas de mulheres, Edmond Bora, Abdou Elinkine Diatta, os delegados das secções, os representantes da juventude independentista e simpatizantes de todos os lugares da Casamansa, acredita-se que um novo horizonte para a luta democrática no interior da Casamansa foi desencadeado. 
 
Suportada pela reivindicação identitária, linguística, cultural e independentista, uma dinâmica sem precedentes desenvolveu-se sob o impulso dos ramos combatentes e do exterior do MFDC.
 
Quatro fenómenos indicadores que nos retêm a atenção:
 
O primeiro refere-se à súbita auto-organização dos independentistas através de comités autónomos em ruptura com as estruturas enquadradas na autoridade e poder senegalês e das suas organizações de massas pela via das ONG’s e plataformas de mulheres ou outros grupos de estudo e reflexão.
 
O segundo é a reapropriação do espaço público. A rua, os edifícios e outras infra-estruturas estão quase arrancadas para servir daqui em diante a causa da independência.
 
O terceiro fenómeno é a utilização das novas tecnologias da comunicação para servir a luta. Os casamansenses mostram todos os dias um grande talento em formas e meios de expressão na internet. É nesta mesma dinâmica que todos os casamansenses encontram-se em conformidade com o activismo.
 
Enfim, o último fenómeno, o manifesto e crescente nervosismo do governo senegalês e do seu exército, desprovido de ideias, instigam-se sempre contra a população civil: o assassínio de Antoine Robert Sambou, a detenção de 15 civis sem acusação há seis anos, a destruição dos acantonamentos do MFDC, as barragens de controlo pelos militares, a impunidade nos assassínios de civis e das vítimas do navio Joola para citar alguns exemplos e mesmo hoje em dia, a criação de milícias para prender os casamansenses.  
 
Levaremos esta mensagem de paz do Abade Diamacoune, inscrita nas costas da t-shirt de cada detido liberto em Mangokouro:
 
“Se ele é corajoso para fazer a guerra, muito mais corajoso será para fazer a paz.”
 
Para evitar novas tragédias, sim, nós os casamansenses estamos sempre imbuídos nas nossas reflexões e diligências destes valores libertadores incorporados pelos fundadores da nação casamansense: Fodé Kaba Doumbouya, Moussa Molo, Aline Sitoé Diatta, Victor Diatta, Abbé Diamacoune, etc… Uma situação verdadeiramente e continuamente revolucionária! Bintou Diallo – Casamansa - Casamance
 
Bandeira da Casamansa
 


Serra do Mar

 
 Uma nova pista na Serra do Mar                                                                                  
 
Apesar de promessas e até iniciativas que começam a dar maior ênfase aos modais ferroviário e hidroviário, parece fora de dúvida que o Porto de Santos vai continuar dependendo do modal rodoviário para suportar a demanda de cargas prevista para a próxima década – em 2024, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) espera ter uma capacidade instalada de 11 milhões de TEUs (unidade  equivalente a um contêiner de 20 pés) contra uma demanda de aproximadamente 9 milhões de TEUs ou 230 milhões de toneladas.
 
É o que se conclui da intenção da Codesp de começar a estudar agora, com as autoridades responsáveis, a construção de uma nova ligação rodoviária entre o Planalto de São Paulo e o Porto. É uma questão difícil porque não se sabe se a Serra do Mar suportará uma nova estrada nos moldes da Rodovia dos Imigrantes. E quais os prejuízos ambientais que podem advir dessa nova obra.
 
Sem contar que não se sabe como será possível construir uma nova ponte descendente que não tenha tanta inclinação como a atual pista Sul da Rodovia dos Imigrantes, que foi vetada para a descida de caminhões e ônibus, tal a possibilidade de que esses veículos, impulsionados pelo declive, possam causar acidentes graves. E não se pode correr o risco de se construir outra pista para ficar reservada só para os automóveis, ficando os veículos pesados restritos a velha e decadente Via Anchieta, construída nas décadas de 1940 e 1950.
 
Enquanto não se define a inevitabilidade dessa nova rodovia, o que se sabe é que as atuais obras – cuja conclusão está prevista para 2017 – deverão atender à demanda estimada para os próximos quatro anos. Entre as obras já realizadas ou em andamento, estão a implantação da Avenida Perimetral na margem esquerda, a duplicação de trechos na Rodovia Cônego Domênico Rangoni e a recuperação da Rua Idalino Pinez, mais conhecida como Rua do Adubo, na margem esquerda, no Guarujá.
 
Nos próximos meses, deverão ter início obras para a reformulação do sistema viário na entrada de Santos e do Viaduto da Alemoa, além da ampliação da Avenida Augusto Barata, que será feita pela Brasil Terminal Portuário (BTP). Também deverão ser iniciadas as obras do Trecho I da Avenida Perimetral da margem direita, na Alemoa, e do Mergulhão, passagem subterrânea rodoviária que passará entre o Cais do Saboó e os armazéns do Valongo.
 
Com essas obras – que já deveriam ter sido concluídas há pelo menos dez anos – , o que se espera é que o Porto tenha capacidade para suportar o crescimento previsto para a sua movimentação até o início da próxima década. Isso significa que, apesar dos problemas causados pelos congestionamentos nos últimos tempos, a imagem de que o Porto de Santos é ineficiente e caro não condiz com a realidade, pois o complexo tem crescido e atraído investidores.
 
Para a década de 2020, é provável que seja necessário a construção de uma nova pista Sul na Rodovia dos Imigrantes, sem tanta inclinação, ficando as duas atuais pistas só para a subida. Já o destino da Via Anchieta será o mesmo da antiga Rodovia Caminho do Mar, mais conhecida como Estrada Velha de Santos, hoje aberta só para visitação turística. Mauro Dias - Brasil
 
______________________________
Mauro Lourenço Dias, engenheiro eletrônico, é vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP, e professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br