Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 26 de maio de 2018

Guiné-Bissau - CMA CGM reedita o “Bijagós Shuttle”

A CMA CGM anuncia para o próximo dia 1 de Junho o arranque de mais uma temporada do Bijagós Shuttle, serviço à exportação da castanha de caju da Guiné-Bissau



O Bijagós Shuttle será operado por dois navios de 1 700 TEU cada, que ligará a capital da Guiné-Bissau aos portos vizinhos de Lomé e de Kribi. A partir de Lomé, o caju guineense será encaminhado para o mercado indiano; enquanto via Kribi seguirá até ao Vitname, via Singapura.

Os tempos de trânsito anunciados pela CMA CGM variam entre os 40 dias, no primeiro caso, e os 47, no segundo.

O novo serviço da CMA CGM operará entre Junho e o início de Setembro.

O caju assegura mais de 90% das exportações da Guiné-Bissau. In “Transportes & Negócios” - Portugal

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Portugal – Júlio Pomar, o artista plástico com um percurso de sete décadas

Nascido em Lisboa, a 10 de Janeiro de 1926, Júlio Pomar, que gostava mais de desenhar do que de jogar à bola quando era criança, vendeu o primeiro quadro a Almada Negreiros por seis escudos, numa época em que era impensável viver da pintura. Tornou-se um dos artistas mais conceituados do século XX português, com uma obra marcada por várias estéticas, do neo-realismo ao expressionismo e abstraccionismo, e uma profusão de temáticas abordadas e de suportes artísticos experimentados.

A obra foi dedicada sobretudo à pintura e ao desenho, mas realizou igualmente trabalhos de gravura, escultura e ‘assemblage’, ilustração, cerâmica e vidro, tapeçaria, cenografia para teatro e decoração mural em azulejo. Desde muito jovem começou a escrever sobre arte, tem obra poética publicada, alguma musicada e interpretada por cantores como Carlos do Carmo e Cristina Branco.

Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio e nas Escolas de Belas-Artes de Lisboa e Porto, tendo participado em 1942, em Lisboa, convidado por Almada Negreiros, na VII Exposição de Arte Moderna do Secretariado de Propaganda Nacional/Secretariado Nacional de Informação. Fez parte da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUD), e participou activamente nas lutas estudantis, o que lhe custou a expulsão das Belas-Artes do Porto.

Em 1947, realizou a primeira exposição individual, no Porto, onde apresentou desenhos, e colaborou com os jornais A Tarde, Seara Nova, Vértice, Mundo Literário e Horizonte, participando no movimento artístico “Os Convencidos da Morte”, assim denominado por oposição aos célebres “Os Vencidos da Vida”, grupo marcante na história da literatura portuguesa.

A oposição ao regime de Salazar leva-o a passar quatro meses na prisão, a apreensão de um dos seus quadros – “Resistência” – pela polícia política, e a ocultação dos frescos com mais de 100 metros quadrados, realizados para o Cinema Batalha, no Porto. Mesmo assim, Júlio Pomar conseguiu desenhar e pintar na prisão – onde circulavam papel, lápis e caneta – e fazendo um requerimento para obter materiais que lhe permitiram criar retratos dos camaradas presos, como Mário Soares, e do quotidiano no cárcere.

Num período inicial, neo-realista, foram marcantes algumas das suas obras, como “O Almoço do Trolha”, “Menina com um Gato Morto”, “Varina Comendo Melancia” ou “O Cabouqueiro”, que revelam a influência, na mesma corrente, de escritores como Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes, e artistas plásticos como o brasileiro Cândido Torquato Portinari.

Nos anos de 1950 viajou até Espanha, onde estudou a obra do pintor Goya, fundou a cooperativa Gravura, em Lisboa, para produção e divulgação de obras gráficas, que marcou várias gerações de artistas. Na década seguinte, foi viver para Paris, onde esteve como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1963 e 1966. Desse tempo destaca-se a série de quadros a preto e branco para ilustrar a versão de “D. Quixote”, de Aquilino Ribeiro, tema que usou noutras pinturas e esculturas, e iniciou a série “Tauromaquias”, que exibiu em Paris, onde também participou numa mostra dedicada ao quadro de Ingres “Le Bain Turc”, no Museu do Louvre, em 1971.

Em entrevista à agência Lusa em 2009, Júlio Pomar recordou que a vivência em Paris, nos anos de 1960, coincide com uma ruptura “mais dramática” no percurso artístico, quando sentiu que a pintura que criava “estava a desfazer-se”. “A minha pintura estava a desfazer-se e senti necessidade de dar-lhe uma estrutura”, explicou, acrescentando que as mudanças no seu percurso artístico foram feitas de um modo geral sem esforço, mas naquele caso “foi esforçada”.

Em Portugal, a primeira retrospectiva da obra de Pomar foi organizada em 1978 pela Fundação Gulbenkian e exibida na sua sede em Lisboa, também no Museu Soares dos Reis, no Porto e, parcialmente, em Bruxelas. Também em Paris e em Madrid apresentou, na década de 1990, a série sobre os índios do Alto Xingú, na Amazónia, onde passou algum tempo, e a antológica “Pomar/Brasil”, organizada pelo Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, e apresentada em Lisboa, Brasília, São Paulo, e Rio de Janeiro.

Em 2004, o Sintra Museu de Arte Moderna – Coleção Berardo apresentou uma vasta retrospectiva intitulada “Pomar/Autobiografia”, comissariada por Marcelin Pleynet, enquanto o Centro Cultural de Belém expôs a antologia “A Comédia Humana”, organizada por Hellmut Wohl. Nesse ano foi criada a Fundação Júlio Pomar e quase uma década depois, em 2013, foi inaugurado em Lisboa o Atelier-Museu Júlio Pomar, com um projecto arquitectónico de reabilitação de Álvaro Siza.

Júlio Pomar também ilustrou várias obras, como “Guerra e Paz”, de Tolstoi, “O Romance de Camilo”, de Aquilino Ribeiro, a obra “D. Quixote”, de Cervantes, “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, “Pantagruel”, de Rabelais, “Rose et Bleu”, de Jorge Luis Borges, e “Mensagem”, de Fernando Pessoa. Recentemente ilustrou o livro “O cão que comia a chuva”, de Richard Zimler, distinguido com o Prémio Bissaya Barreto de literatura para a infância.

O seu trabalho encontra-se em edifícios e espaços públicos, nomeadamente na estação de metro do Alto dos Moinhos (1983-84), em Lisboa, os frescos pintados no Cinema Batalha (Porto 1946-7), e a sala de audiência do Tribunal da Moita, com o arquitecto Raul Hestnes Ferreira (1993), e as tapeçarias executadas para as sedes do Montepio Geral e da Caixa Geral de Depósitos.

Escreveu os livros de ensaio sobre pintura “Discours sur la Cécité des Peintres” (1985), “Da Cegueira dos Pintores” (1986), e “Et la Peinture?” (2000) e “Então e a Pintura?” (2003), e publicou os livros de poesia “Alguns Eventos” (1992) e «TRATAdoDITOeFeito» (2003). É o autor do retrato oficial do antigo Presidente da República Mário Soares.

Júlio Pomar integrou a representação portuguesa na Bienal de São Paulo de 1953 e recebeu, entre outros, o Prémio Associação Internacional de Críticos de Arte em 1995, o Prémio Celpa/Vieira da Silva, em 2000, e o Prémio Amadeo de Souza Cardoso em 2003. Foi condecorado pelo antigo Presidente da República Mário Soares e também por Jorge Sampaio. Em França, foi condecorado com a comenda das Artes e das Letras. Em 2013 recebeu o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Lisboa. Deixou-nos a 22 de Maio de 2018. Agência Lusa

OIT - Impacto da SIDA na força de trabalho custa milhões em ganhos perdidos

Novo relatório da OIT destaca o custo que o VIH e a SIDA continuam a ter sobre a força de trabalho e suas implicações económicas e sociais




Além do sofrimento humano, o VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) e a SIDA (Síndrome da imunodeficiência adquirida) causam milhões de dólares em ganhos perdidos, em grande parte como resultado das mortes de centenas de milhares de trabalhadores que poderiam ser evitadas com tratamento, disse a OIT num relatório lançado quarta-feira, 23 de Maio de 2018.

Os ganhos perdidos atribuíveis à SIDA - como resultado de morte ou incapacidade para trabalhar - mostram um declínio substancial a partir de 2005, quando eles totalizaram quase 17 bilhões de dólares, mas ainda projeta-se que eles cheguem a 7,2 bilhões de dólares em 2020.

O relatório “O impacto do VIH e da SIDA no mundo do trabalho: Estimativas globais”, preparado em colaboração com o UNAIDS, examina como a evolução da epidemia do VIH e o aumento na oferta da terapia antirretroviral (TARV) tiveram impacto sobre a força de trabalho global e como estão as projeções para o futuro. Além disso, o documento faz uma avaliação sobre os impactos económicos e sociais do VIH nos trabalhadores e em suas famílias.

O relatório mostra que as mortes da força de trabalho atribuídas ao VIH e à SIDA devem cair para 425 mil em 2020, de 1,3 milhão em 2005. A maior incidência de mortalidade está entre os trabalhadores na faixa dos 30 anos. “Esta é a idade em que os trabalhadores estão normalmente no auge da sua vida produtiva. Essas mortes são totalmente evitáveis se o tratamento for ampliado e acelerado ”, disse Guy Ryder, Director-Geral da OIT.

A boa notícia é que o tratamento para o VIH está mantendo os trabalhadores produtivos. O número de trabalhadores que vivem com VIH e que estão total ou parcialmente incapazes de trabalhar diminuiu drasticamente desde 2005, e a projeção é de que esta tendência se mantenha. Estima-se que o número total de pessoas com incapacidade total para trabalhar diminua para cerca de 40.000 em 2020, de um nível de cerca de 350 mil em 2005 - um declínio de 85% para homens e de 93% para mulheres.

O relatório também analisa os “custos ocultos” - o peso dos cuidados ou tarefas adicionais para os membros da família. Em 2020, cerca de 140 mil crianças terão uma carga adicional de trabalho infantil, de acordo com a previsão mediana, enquanto um equivalente adicional de 50 mil trabalhadores em tempo integral realizarão trabalho de cuidados não remunerado.

O número de trabalhadores que vivem com o VIH aumentou de 22,5 milhões em 2005 para 26,6 milhões em 2015. A previsão é de que esse número aumente para cerca de 30 milhões em 2020, mesmo que a oferta do tratamento antirretroviral seja ampliada como projetado.

“A mera ampliação da oferta de tratamento não é suficiente. Testagem e medidas de prevenção do VIH também precisam ser intensificadas se quisermos acabar com a SIDA. Isso faz sentido tanto para as pessoas quanto para a economia”, acrescentou Guy Ryder. Organização Internacional do Trabalho - Brasil

Aceda ao relatório em língua inglesa completo aqui

quinta-feira, 24 de maio de 2018

CPLP - Uma visão ambiciosa exige uma ação determinada

Não tendo os países lusófonos fronteiras terrestres comuns, todos estão contudo ligados pelos oceanos que banham os seus territórios continentais e insulares.

Os propósitos, e a ambição subjacente, dos governos dos Estados da língua portuguesa quando decidiram, em boa hora, criar a Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) em 1996 mantêm-se intactos e válidos mais do que nunca. Por isso, compete às atuais e futuras gerações honrar e assumir a defesa e promoção dos ideais dos países fundadores da CPLP.

O facto de o atual secretário-geral da ONU ser um cidadão oriundo da língua portuguesa, bem como a integração dos nove Estados-membros da CPLP em seis espaços regionais económicos, e alguns também monetários como no caso de Portugal (euro), a Guiné-Bissau e a Guiné Equatorial (ambos franco CFA), estimando-se que se encontrem nesses espaços de presença lusófona cerca de 250 milhões que integram comunidades económicas com cerca de 1.800 milhões de pessoas, mostra bem a relevância da CPLP.

Na verdade, além da integração de Portugal na União Europeia (UE), Angola e Moçambique, são Estados-membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), Cabo Verde e Guiné-Bissau na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), S. Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Angola na Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e também à CEMAC no caso da Guiné Equatorial e S. Tomé e Príncipe, Brasil no MERCOSUL e Timor-Leste em breve na Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Embora não integrando a CPLP, Macau, região autónoma especial da China e onde a língua portuguesa é oficial a par com a língua chinesa, é sede do Fórum para as Relações Económicas e Comerciais entre a China e a CPLP, o que potenciando a aplicação do Acordo CEPA promove o investimento e o comércio.

A inserção nos mercados regionais, a identificação de distribuidores, das rotas e circuitos logísticos, de operadores certificados e dos acordos que beneficiam os países dentro das respetivas regiões das suas integrações, potenciam a dinamização das relações económicas e empresariais entre a UE, SADC, CEDEAO, CEMAC, MERCOSUL, ASEAN e Macau, China. É porém essencial derrubar as barreiras legais e administrativas à livre circulação de pessoas, bens e capitais.

Não tendo os países lusófonos fronteiras terrestres comuns, todos estão contudo ligados pelos oceanos que banham os seus territórios continentais e insulares.

Conscientes destas oportunidades para os países da língua portuguesa, as suas populações e as suas empresas, na XI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP realizada em Brasília em 2016, foi aprovada uma "Nova visão estratégica da CPLP (2016-2026)", que define as prioridades da organização para aquela década, das quais destaco o reforço da "cooperação económica e empresarial" e "o estabelecimento de mecanismos que facilitem a circulação de pessoas, bens e capitais".

Prioridades que se interligam no sentido de criar condições para dar ao setor privado bases indispensáveis para poder executar o papel fundamental que lhe compete na Agenda 2030 – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), como aliás é unanimemente reconhecido pela comunidade internacional para se poder atingir o desenvolvimento económico e social e o crescimento inclusivo no mundo, através do investimento, do comércio e da criação de emprego bem como da educação, da formação profissional vocacional e da qualificação dos trabalhadores.

Reconhecendo a importância da comunidade de língua portuguesa e da sua rede mundial, vários países têm solicitado e obtido o estatuto de observador associado da CPLP como é atualmente o caso da Geórgia, Hungria, Japão, República Checa, Eslováquia, Maurícia, Namíbia, Senegal, Turquia e Uruguai. Entretanto, Argentina, França e Itália já apresentaram os respetivos pedidos de adesão a este estatuto.

Mas, e ao contrário do que muitos julgam, a CPLP não tem estado parada. Com efeito, tem desenvolvido com sucesso várias importantes atividades de que destaco uma Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP (ESAN-CPLP), da criação do respetivo conselho e estabelecimento de conselho nacionais, a aprovação das diretrizes para Apoio à Promoção da Agricultura Familiar nos Estados-membros, onde com exceção de Portugal e Brasil, cerca de 80% das populações vivem e trabalham nas zonas rurais, a aprovação do Plano de Ação da CPLP de combate ao trabalho infantil, do qual já resultou a ratificação por parte de todos os Estados-membros da convenção n.º 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre as piores formas de trabalho infantil e da n.º 138 sobre a idade mínima de admissão ao emprego, apoio ao Programa de Capacitação dos Laboratórios de Engenharia da CPLP, apoio ao projeto que une as autoridades estatísticas de todos os EM com o objetivo de consolidar e desenvolver os sistemas estatísticos nacionais, apoio a uma base de dados jurídica que disponibiliza uma plataforma de conhecimento e partilha de informação jurídica sobre os ordenamentos jurídicos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), desenvolve a campanha pública Juntos contra a Fome, subscreveu a carta da iniciativa da ONU Sustainable Energy for All, aprovou uma Estratégia para os Mares da CPLP, criou um portal eletrónico científico produzido em língua portuguesa, realiza regularmente os Jogos Desportivos e a Bienal de Jovens Criadores da CPLP, entre outras.

É assim imperativo que os governos portugueses assumam, além de palavras e discursos, e sem quaisquer absurdos receios e complexos, que a CPLP tem de ser uma prioridade da política económica externa de Portugal.

Dignificar a CPLP exige contudo reforçar a diplomacia portuguesa com meios financeiros e logísticos, além de recursos humanos tecnicamente preparados e empenhados para atuar nas redes das capitais comunitárias regionais, nomeadamente em África e na sede da União Africana em Adis Abeba, bem como nas Multilaterais financeiras (IFI e EDFI). Francisco Mantero – Portugal in "Jornal de Negócios"

Francisco Mantero - Presidente do Conselho Estratégico para a Cooperação, Desenvolvimento e Lusofonia Económica da CIP

Cabo Verde – Pretende candidatura conjunta do Tarrafal a património da humanidade



Cabo Verde quer que a candidatura do campo de concentração do Tarrafal a património da humanidade seja conjunta com Angola e Portugal, envolvendo a Guiné-Bissau, anunciou esta segunda-feira o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas daquele país.

Em declarações à agência Lusa, em Lisboa, Abraão Vicente revelou que a intenção do Governo é “fazer do campo de concentração uma espécie de campo internacional pela paz”. “Vamos apresentar uma candidatura que não retrata apenas o sofrimento e um certo estigma que existe sobre o ex-campo de concentração do Tarrafal. Queremos criar um projecto museológico que ensina aos cabo-verdianos, aos portugueses, aos angolanos, aos guineenses e ao mundo que passa por Cabo Verde o que nós, como povo, aprendemos com a existência de um campo de concentração no nosso território e criar um campo em que se possam promover diálogos pela paz”, disse.

No final de um encontro com o ministro da Cultura português, no qual foi discutida a questão da candidatura do campo do Tarrafal a património da Humanidade, o ministro cabo-verdiano explicou que o Governo a que pertence defende “uma candidatura conjunta: Cabo Verde, Angola e Portugal, envolvendo a Guiné-Bissau”. Segundo Abraão Vicente, o seu homólogo português defendeu a ligação do Tarrafal à Fortaleza de Peniche, em Portugal, onde durante o regime do Estado Novo funcionou uma prisão política, da qual se registaram célebres fugas, como a do líder comunista Álvaro Cunhal.

A ideia final, adiantou, é “ligar o campo de concentração do Tarrafal a todo o sistema prisional construído durante a época salazarista, mas numa perspectiva cabo-verdiana”. É objectivo da iniciativa mostrar o que o povo cabo-verdiano aprendeu com “a experiência da colonização”. “A Cidade Velha, património da humanidade, é toda a experiência da fundação do povo cabo-verdiano. O campo de concentração mostra o período do final do colonialismo, a nossa ligação com Portugal e as outras colónias portuguesas, o modo como fomos inseridos num processo que também foi doloroso para Portugal”, prosseguiu. A apresentação da candidatura deverá ocorrer em 2020, tendo sido criado um grupo técnico que já está a trabalhar neste projecto. In “Ponto Final” - Macau

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Moçambique e Brasil homenageiam Língua Portuguesa

Melanie de Vales de Moçambique, Expedito Araújo e Renan Dias do Brasil, vão juntar-se, hoje, no Centro Cultural Brasil Moçambique, pelas 18:30h para dar um espectáculo musical intitulado “Certificado de amor à Língua Portuguesa”.

Melanie de Vales actriz moçambicana, que interpretou o papel de “Rosa”, no filme de Licínio de Azevedo “Comboio de Sal e Açúcar”, aceitou o convite feito pelo actor brasileiro Expedito Araújo para homenagear a língua. O evento vai abarcar poemas de renomes da literatura portuguesa, moçambicana, timorense e brasileira.

Juntamente com o músico brasileiro Renan Dias, o trio vai trazer o melhor da arte, através dos poemas que vão ser recitados, encenados e tocados pelos artistas, em nome do amor.

Expedito Araújo explica que a ideia de criar este espectáculo surge pela efeméride do dia da língua portuguesa, celebrado a 5 de Maio, Araújo diz ainda que “O amor sempre foi um assunto profícuo, tema recorrente para muitos artistas, especialmente para os artistas das palavras. Interessante notar o quanto o amor é um assunto atemporal e provavelmente nunca sairá de moda. Por isso a escolha do formato recital, sendo assim, tive a iniciativa de propor algo artístico e cultural de interesse do público para mostrar a riqueza através das palavras”.

Personalidades como: Vinícius de Moraes, Florbela Espanca, Mia Couto, Fernando Pessoa, José Craveirinha, Ruy Cinatti, Jorge Barros Duarte, Fernando Sylvan, Mário Quintana, Cora Carolina, vão ser trazidas ao palco através da junção dos três artistas de países e realidades diferentes, mas que tem um amor comum: a língua portuguesa. In “O País” - Moçambique

Moçambique - Lançado concurso “Desafio Sustentabilidade em África”

A Incubadora do Standard Bank acolheu, recentemente, o lançamento do concurso “Desafio Sustentabilidade em África” no País, uma iniciativa da CDM-ABInbev que pretende premiar, com 50 mil dólares norte-americanos, a iniciativa africana que se mostrar mais alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ou seja, ecologicamente sustentável.

São elegíveis a este aliciante prémio, empreendedores provenientes de Moçambique, Botswana, Gana, Lesoto, Tanzânia, Namíbia, Zâmbia, África do Sul, Nigéria, Uganda e Suazilândia, que desenvolvem negócios ligados à agricultura, à água e saneamento, às mudanças climáticas, à gestão de resíduos sólidos e à criação de emprego através de iniciativas ecológicas.

As iniciativas apuradas em cada país terão a oportunidade de participar na fase final do concurso, a ter lugar na maior incubadora de África, o Silicone Savannah, no Quénia, onde vão disputar o prémio de 50 mil dólares e um programa de aceleração de 10 semanas baseado em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América.

Para Hugo Gomes, administrador para Assuntos Corporativos da empresa Cervejas de Moçambique, subsidiária da ABInBev, promotora da iniciativa, referiu que o que se pretende com este concurso é que “os jovens nos apresentem soluções para os problemas das suas comunidades ou dos seus Países”.

“As ideias já existem e são suficientes, mas agora estamos numa situação em que são necessárias verdadeiras soluções para os problemas que nós temos como continente”, disse Hugo Gomes.

Por seu turno, Godfrey Munedzi, representante do Standard Bank, esta iniciativa constitui uma oportunidade para os jovens africanos contribuírem para a solução dos problemas do seu continente, com destaque para as áreas abrangidas pelo concurso.

“O Standard Bank é um banco africano e, como tal, acredita que o crescimento e o desenvolvimento deste continente dependem dos jovens, que têm neste concurso a oportunidade de melhorar as condições de vida das suas comunidades e dos seus Países”, considerou Godfrey Munedzi.

Rindzela Adriano, que testemunhou a cerimónia de lançamento, afirmou que a mais-valia da iniciativa reside no facto de “motivar os jovens moçambicanos, em particular, a apostarem ainda mais em projectos virados para o desenvolvimento do País”.

“Os participantes vão aprender muito com a iniciativa, que é uma oportunidade para mostrarem que não são só os outros Países que têm jovens que apostam em projectos virados para o desenvolvimento”, asseverou Rindzela Adriano. In “Olá Moçambique” - Moçambique