Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Brasil – Pirataria aumenta custo dos fretes

Porto Velho - A conta dos ataques de piratas a embarcações de transporte de carga na Amazônia é bem maior que o prejuízo de R$ 100 milhões estimado com o roubo de mercadorias. Para evitar e se proteger dos criminosos, empresas de transporte têm reportado um custo adicional de milhões de reais por ano com a contratação de empresas de vigilância e escolta armada. A conta, essencial para a proteção das cargas, é repassada ao frete e, mais adiante, ao consumidor.

Uma das líderes no setor de cargas na região, a Transportes Bertolini (TBL) gasta cerca de R$ 4 milhões por ano com o serviço para proteger cargas de eletrônicos da Zona Franca de Manaus no trajeto de Belém a Santarém. "É um problema muito sério na Amazônia. No Estreito de Breves (canal fluvial de acesso ao Arquipélago do Marajó), até mataram um comandante", diz Irani Bertolini, dono da TBL e presidente da Fetramaz, entidade que reúne as empresas de transporte na Região Amazônica.

Dois profissionais fardados e armados viajam a bordo nos comboios e trabalham em regime de revezamento, fazendo uma ronda nas embarcações. Nos trechos de maior incidência de ataques piratas, ambos ficam em alerta. Ao todo, 40 profissionais prestam serviço para a TBL.

Antes da contratação do serviço, em 2015, a empresa havia sido alvo de seis ataques de piratas que resultaram em prejuízo de R$ 500 mil, sobretudo com roubo de combustível. Os piratas chegam em barcos menores e velozes e atacam de surpresa. "É a linha vermelha da Amazônia. O risco é iminente", diz Ricardo Bonatelli, gerente de navegação da TBL. Após a empresa contratar os serviços de escolta armada, no entanto, os ataques cessaram.

A companhia de vigilância Prosegur teve alta de 30% na demanda por seus serviços de 2016 para cá, principalmente no Amazonas e no Pará, segundo o diretor Bruno Jouan. À medida que os "piratas amazônicos" ficam mais ousados, a companhia também renova seu "portfólio" - agora, está usando drones para monitorar cargas.

Em busca de segurança, no entanto, as empresas têm procurado o serviço de cabotagem, que representa quase 90% do transporte de mercadorias de valor agregado da Zona Franca de Manaus. Segundo Eduardo Carvalho, presidente do Sindicato dos Armadores do Pará (Sindarpa), isso tem tirado algumas empresas de transporte fluvial comum de circulação.

"Apesar de a cabotagem ser mais lenta, ela é mais segura. O contêiner sai da fábrica e chega ao destino final com mais segurança do que o caminhão em cima da balsa e depois por estrada", diz Claudomiro Carvalho Filho, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma).

O delegado Geraldo Pimenta Neto, superintendente regional da Polícia Civil de Marajó Ocidental, no município de Breves, afirma que os casos de roubo de carga na região têm diminuído com a vigilância privada e a intensificação do monitoramento pelo Grupamento Fluvial de Segurança Pública no Pará (GFLU), formado pelas polícias civil e militar e pelo Corpo de Bombeiros.

À frente das operações da polícia civil em dez municípios na região das Ilhas de Marajó desde dezembro, o delegado disse que com o aumento do policiamento, os piratas migraram para roubos a residências e estabelecimentos nas margens dos rios, sobretudo em busca de óleo diesel.

Seguro

Outro problema é a dificuldade de se fazer o seguro de cargas. "Ninguém consegue fazer seguro de roubo de carga na Amazônia. Quando a seguradora aceita, o preço é impagável", afirma Carvalho. Procurada, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) informou não ter dados sobre essa situação de seguros na Amazônia.

Outra consequência é o fracionamento da carga em várias embarcações - o que também pesa no frete. "São custos que atentam contra o desenvolvimento da Amazônia", afirma Getulio Bezerra Santos, coordenador do Programa de Segurança das Operações de Transporte de Cargas e Prevenção ao Delito (Proteger), da Confederação Nacional do Transporte. A meta é construir uma base de dados sobre pirataria pelos boletins de ocorrência, criando um sistema interligado de dados.

Adalberto Tokarski, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, afirma que os ataques piratas preocupam o órgão regulador. "É algo bastante complexo e já estive conversando com algumas instituições, incluindo a Polícia Federal e a Marinha, para ver qual é a solução para desmantelar e inibir essas ações." Um dos principais entraves para coibir esse crime é a jurisdição dos órgãos de segurança, pois algumas áreas são de competência de órgãos estaduais e outras, de entidades federais. "É necessário criar ações coordenadas de inteligência", defende Tokarski. As informações são do jornal. Karla Mendes – Brasil in “Estado S. Paulo”

Brasil - Comércio exterior: a retomada

SÃO PAULO – Se mais um indicativo de que a economia do País se aproxima de um novo ciclo virtuoso fosse necessário, basta o que o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) acaba de anunciar: a balança comercial fechou o primeiro semestre com o melhor saldo da história para o período. Nos seis primeiros meses do ano, o Brasil exportou US$ 36,2 bilhões a mais do que importou. De janeiro a junho, o saldo da balança comercial acumulou alta de 53,1% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

De acordo com o MDIC, nos seis primeiros meses do ano, as exportações somaram US$ 107,7 bilhões, o quinto melhor primeiro semestre da história, com crescimento de 19,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Mais: as exportações de semimanufaturados aumentaram 17,5%, impulsionadas pelas vendas de semimanufaturados de ferro e aço (70,6%), ferro fundido (48,5%) e açúcar bruto (36,4%). Já as exportações de manufaturados subiram 10,1%, com destaque para óleos combustíveis (122%), veículos de carga (59,2%), açúcar refinado (56,5%) e automóveis (52,8%).

A boa performance do comércio exterior tem contribuído sobremaneira para a recuperação da indústria. Basta ver que, no primeiro semestre, o total de produtos vendidos a outros países chegou a US$ 37,7 bilhões, com uma evolução de 10,1% em comparação com o mesmo período de 2016. As exportações de semimanufaturados têm acompanhado esse crescimento, chegando à marca de US$ 15 bilhões, o que resultou num crescimento de 17,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Com isso, o governo, com base no crescimento nos preços internacionais e na quantidade exportada, já prevê um superávit de US$ 60 bilhões na balança comercial em 2017, depois de fazer uma estimativa de US$ 55 bilhões no começo do ano. Se isso se efetivar, será o melhor saldo comercial da história para o País, o que não será pouco, levando-se em conta as tribulações provocadas na economia por uma classe política que está longe de merecer o respeito do cidadão de bem.

É verdade que os números da balança foram beneficiados pela recuperação do preço das commodities (bens primários com cotação internacional), mas os dados positivos de vários setores mostram que, se não houver mais irresponsabilidade no trato das questões políticas, a perspectiva é que haja uma retomada na economia, depois de uma fase de recuo em precedentes na história do País, que deve ser atribuída à inaptidão política da ex-presidente e à incompetência de sua equipe econômica.

É verdade que as fábricas apresentam ainda uma capacidade ociosa em torno de 25%, que se reflete diretamente na compra de máquinas e equipamentos e no desemprego para boa parte do operariado, o que acaba por afetar também os setores de alimentos e vestuário e outros. Mas, seja como for, é indiscutível que o aumento nas exportações e importações aponta para uma retomada do crescimento econômico do Brasil. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 25 de julho de 2017

Portugal - Figueira de Castelo Rodrigo abre Plataforma de Ciência Aberta

A Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo inaugurou uma Plataforma de Ciência Aberta, na aldeia de Barca d´Alva, para levar a ciência aos mais jovens

Barca d’Alva foi o local escolhido para instalar a Plataforma de Ciência Aberta, um projeto estruturante não só para o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, mas também para o distrito da Guarda, onde está inserido.

O projeto foi apelidado de observatório de astronomia e tem como objetivo promover o gosto pela ciência junto dos jovens de uma forma lúdica. Pedro Russo, astrofísico de renome internacional, referiu na inauguração do espaço que “este projeto tenta trazer a ciência, a tecnologia e a inovação a uma zona do país que muitas vezes está afastada”.

O cientista, nascido no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, recordou que os jovens daquela região estão a mais de duas e três horas de centros de ciência o objetivo da Plataforma de Ciência Aberta é alterar esse paradigma “e tentar mostrar que o que se faz em ciência e tecnologia pode ser feito por esta região e isso é um ponto importante”. “Fazemo-lo em Barca d’Alva e não na sede de concelho porque o potencial turístico de uma plataforma como esta é bastante grande. Nós queremos aproveitar para mostrar aos turistas que chegam a este país que Portugal não é só paisagem, não é só gastronomia, não é só história, que é única neste momento, mas é também ciência, tecnologia e inovação que são motores da economia”, explicou o astrofísico.

Por sua vez o presidente da Câmara afirmou que ter um projeto ligado à ciência em Figueira de Castelo Rodrigo “é de facto inovador, é diferenciador e tem uma potencialidade enorme”. “Muitas pessoas pensariam que era uma loucura fazer um projeto desta natureza, numa terra tão distante, quase junto à fronteira. Pois estes projetos têm essa finalidade. Fazer projetos desta natureza em zonas quase rurais, fronteiriças e despovoadas porquê? Porque a ciência pode chegar a todos, aos mais jovens, aos mais idosos, pode chegar a todos aqueles que se interessarem e pode ser uma forma de viragem e de incentivo aos mais jovens para despertar para novas realidades ligadas à ciência. Espero sinceramente que este projeto tenha sucesso e que naturalmente seja uma revolução não só para Barca d’Alva, mas para todo o concelho”, defendeu Paulo Langrouva.

Uma revolução em Figueira de Castelo Rodrigo

O presidente da Câmara disse ainda estar convencido que a Plataforma de Ciência Aberta “vai ser uma revolução neste concelho” e fez votos para que “haja cada vez mais visitantes, cada vez mais pessoas interessadas em vir ver aquilo que foi feito de um antigo edifício que era uma escola, estava já na sua génese a educação, e que curiosamente vamos manter com a finalidade educativa”.

Presente na inauguração, o ministro da Economia elogiou o presidente da câmara de Figueira de Castelo Rodrigo ao referir que este projeto “mostra acima de tudo que o dinamismo e determinação de um presidente da câmara pode fazer a diferença”. “Fazer a diferença marcando espaços, levando-os à frente com determinação e criando novas razões, novas centralidades em espaços de baixa densidade, remotos, como muitas vezes dizem”, elogiou Manuel Caldeira Cabral.

Na expectativa de resultados, o governante acrescentou que a Plataforma de Ciência Aberta “está completamente dentro do que temos feito com o Turismo de Portugal, mas está também muito em linha com o que o governo está a fazer com a estrutura de missão para o desenvolvimento do interior”. “O que queremos é desenvolver, é criar polos de dinamismo e mostrar às pessoas que há um outro Portugal, um Portugal interessante e mostrar isso aos portugueses é um enorme ganho”, concluiu.

A Plataforma de Ciência Aberta está direcionada para os alunos das escolas mas também para a investigação internacional, através da associação a investigadores de renome internacional, como o próprio Pedro Russo, investigador mundial na área da astrofísica, que está ligado à Universidade de Leiden, na Holanda. A Plataforma de Ciência Aberta está inserida na rede internacional Open Science Centre e "pretende aproximar a ciência, a tecnologia e a inovação à sociedade, nomeadamente em regiões fronteiriças e de baixa densidade populacional", segundo os promotores.

Na cerimónia de inauguração marcaram presença investigadores e personalidades vindos de França, da Itália, da Alemanha, do Reino Unido e da Holanda. In “Mundo Português” - Portugal

Portugal – Venda de energia eólica a cliente industrial espanhol

O grupo português EDP firmou em Espanha o seu primeiro contrato bilateral de venda de energia eólica a um cliente industrial, uma empresa que atua no ramo agro-alimentar

A EDP firmou com a empresa Calidad Pascual o seu primeiro contrato bilateral de venda de energia eólica em Espanha. Trata-se de um contrato a cinco anos que garantirá à companhia espanhola do ramo agro-alimentar um preço estável de energia com garantia de eletricidade 100% renovável.

A Calidad Pascual, que detém, entre outras, as marcas Vive Soy (produtos à base de soja) e Moccay (café), informou em comunicado que o contrato com a EDP Renováveis começará em janeiro de 2018.

O grupo português tem em Espanha o seu maior mercado europeu de energia eólica, que começa a ser competitiva para a realização de contratos bilaterais de compra e venda de energia.

A EDP Renováveis tem vindo a firmar contratos semelhantes com grandes clientes nos Estados Unidos da América, mas em Espanha é a primeira vez que estabelece um acordo de venda de energia do género.

Em Espanha e em Portugal a maior parte das indústrias contrata o seu fornecedor de energia elétrica em negociações ou concursos com um conjunto de comercializadores, que adquirem a energia no mercado grossista ibérico para a revender aos clientes finais.

O estabelecimento de contratos de aquisição de energia (CAE) a partir de fontes renováveis tenderá no futuro a crescer, à medida que os parques eólicos e fotovoltaicos mais antigos terminam os respetivos períodos de tarifas garantidas. Findos esses períodos, e amortizados os investimentos, os parques têm condições para oferecer preços relativamente reduzidos quando comparados com o preço do mercado grossista.

Além disso, a evolução tecnológica, tanto na energia eólica como na solar, vem permitindo construir novos projetos com preços mais competitivos, cada vez mais próximos dos praticados, com alguma volatilidade, no mercado ibérico.

O facto de soluções como a energia eólica e a solar implicarem essencialmente um investimento previsível (o capital inicial para comprar e instalar os equipamentos), com reduzidos custos operacionais ao longo da vida útil (e custos de combustível nulos) é também um factor que joga a favor das empresas de energias renováveis na estruturação de contratos de médio ou longo prazo para a venda de energia a um cliente pré-determinado. Miguel Prado – Portugal in “Jornal Expresso”

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Ilha do Príncipe - Conclusões do IV Congresso Internacional de Educação Ambiental



Linhas de reflexão e ação

“O Príncipe é uma pequena terra… A Terra é uma pequena ilha”.

Dada a escala, riqueza e complexidade académica, social e cultural dos produtos que chegaram à comissão relatora, dando conta das visões, recomendações, propostas, desafios e reflexões, fruto dos painéis, da apresentação de comunicações, das conferências plenárias, das mesas redondas, dos eventos paralelos e outras atividades do congresso, estamos conscientes, pela nossa própria natureza humana que a proposta que aqui apresentamos é mais um conjunto de intuições que de conclusões.

Na abertura o presidente do Príncipe colocou-nos uma pergunta que poderia fazer parte da filosofia da rede de educadores e educadoras ambientais dos países de Língua Portuguesa e Galiza: como poderemos, ainda, edificar a esperança, junto das nossas comunidades, depois do esgotamento de algumas certezas que, nalguns casos, supúnhamos intemporais e, até, tinham suporte cultural, aparentemente insubstituível, que suportavam a nossa velha ideia de progresso económico e social?

A presente declaração aponta possíveis linhas para responder a essa questão. Neste sentido, partimos da necessidade de que a CPLP e todas as entidades envolvidas, apoiem os seguintes pontos gerais:

Criar um grupo de trabalho permanente com um secretariado executivo para apoiar as atividades de continuidade dos congressos. O grupo seria constituído por dois representantes de cada um dos países.

A exemplo do que ocorreu no Príncipe, os congressos subsequentes deverão integrar as comunidades locais em sua programação, valorizando a cultura e os saberes tradicionais. O acolhimento das comunidades locais do Príncipe foi um aspeto positivo destacado pelos participantes do evento. Elas nos mostraram uma grande paixão pelo seu modo de viver, por sua capacidade de auto-organização em torno de seu sustento econômico (baseadas em modelos de economia social e solidária) e pela integração de todos os membros.

As estratégias educativas são especialmente importantes para o envolvimento das comunidades na definição de políticas que combinem o cuidado das áreas protegidas com a valorização da cultura e as formas de vida das comunidades locais. As organizações e instituições deverão assumir o compromisso e a responsabilidade por manter um equilíbrio entre as necessidades das comunidades e a sustentabilidade socioambiental.

Destaca-se a importância da formação para reforçar o papel da Educação Ambiental no desenvolvimento de uma cultura de transição para sociedades sustentáveis e equitativas, além das necessidades sociais e seus desafios para os países da CPLP e Galiza. Em especial, destacamos a iniciativa de um grupo de participantes do evento em promover um processo de formação de formadores dirigido a formação escolar a ser construído de maneira participativa e apresentado ao secretariado executivo da CPLP.

Entre os temas para a elaboração de projetos integradores foram apontados os seguintes: mudanças climáticas globais, bio e geodiversidade, saúde ambiental, estilos de vida (relacionados a resíduos, energia e alimentação), migrações, riscos e vulnerabilidades.

Educação Ambiental não tem fronteiras, pois partilha espaços e saberes com outras experiências educativas centradas na justiça social e ambiental, a igualdade de gênero, a comunicação ou nos valores da cooperação e da solidariedade. É por isso que se deve buscar alianças, contatos e momentos de participação em eventos comuns, nos quais se encontrem educadores e educadoras ambientais e outros agentes sociais. Neste sentido, destaca-se a necessidade de realizar encontros setoriais entre cada congresso dos países de Língua Portuguesa.

Propor ao secretariado executivo da CPLP que reconheça e viabilize a realização de um mapeamento e uma rede de centros e equipamentos de Educação Ambiental.

Estimular e apoiar a elaboração e fortalecimento de políticas públicas de Educação Ambiental em diferentes níveis e esferas de organização política, criando condições para evitar processos de descontinuidade associados às mudanças políticas. Ainda, é fundamental a garantia de recursos econômicos e humanos para viabilizar e executar políticas de Educação Ambiental.

As comunidades locais organizadas fazem a diferença entre um coletivo vulnerável e uma comunidade resiliente frente a uma mudança socioambiental global. A Educação Ambiental pode ser um elemento fundamental na construção da resiliência social. É importante capacitar a diferentes grupos sociais por meio de metodologias participativas para reduzir a sua vulnerabilidade diante das situações de risco e catástrofe.

O acesso responsável à terra, ao teto e ao trabalho são direitos humanos fundamentais para os quais a Educação Ambiental deve contribuir. É necessário que a Educação Ambiental incentive e apoie o conhecimento crítico sobre as necessidades materiais e simbólicas que emergem do contexto social. Complementariamente, também deve contribuir para desvelar as formas de produção e consumo baseadas no lucro, no patenteamento da vida, na ganância e na acumulação privada em detrimento do Bem Comum. Para isto, é preciso promover a simplicidade voluntária, a frugalidade e o decrescimento. Para que esses valores se tornem hegemónicos é necessário formar uma cidadania ambiental politicamente ativa.

É preciso considerar a transversalidade e pluralidade de atores e agentes de Educação Ambiental (professores e professoras, autoridades, gestores e gestoras, etc.) e reconhecer sua capacidade transformativa.

As diferenças de gênero são universais concretizando-se em cada lugar pela carga de trabalho com o cuidado da casa e dos membros da família atribuída às mulheres. É preciso apoiar programas que visibilizem às mulheres e sua liderança, que incrementem a sua formação e que equilibrem os rendimentos do trabalho feito em favor da comunidade.

Os livros escolares e materiais didáticos tem distorções e ausências significativas sobre as alterações climáticas e a crise socioambiental global, por isso há necessidade de melhorar a qualidade destes e aprimorar a forma de inserção curricular desta temática.

É importante identificar e difundir experiências emblemáticas e boas práticas que são desenvolvidas nos países da CPLP e Galiza, que possam ser replicados em outros contextos geográficos. Como exemplo, se poderia citar o programa “Príncipe sem plástico”, “Projeto Rios” e outros que foram apresentados durante o congresso.

Ampliar os investimentos e ações de formação em espaços educativos informais, especialmente no que se refere a formação de guias e intérpretes do patrimônio natural e cultural, considerando a igualdade de gênero no acesso à formação.

É reconhecida a necessidade de um estudo sobre o estado da arte do campo da Educação Ambiental nos países de Língua Portuguesa e Galiza, baseado em metodologias que permitam um rigor no tratamento dos dados, de forma a auxiliar a planificação e avaliação de políticas públicas.

Rentabilizar Plataformas Digitais existentes no contexto da CPLP, nomeadamente, plataforma online “Ambiente CPLP” para uso dos diferentes atores sociais, de forma a democratizar a difusão dos conhecimentos e recursos construídos pela comunidade dos países de Língua Portuguesa e Galiza. Nesta linha é preciso impulsionar revistas, espaços virtuais e outras publicações de caráter científico e divulgativo em que se partilhem as reflexões e as práticas de EA que se desenvolvem no espaço CPLP e Galiza. A revista “Ambientalmente Sustentable” é o instrumento possível para este fim, podendo outros ser identificados e integrados.

Como encaminhamento final, destaca-se que é preciso iniciar a elaboração de uma agenda comum de pesquisa para partilhar metodologias, marcos teóricos, conhecimentos e processos de construção interdisciplinar e transcultural do conhecimento entre os investigadores e investigadoras da Educação Ambiental.

Esta agenda deveria incentivar projetos de investigação e de ação devem ter como suporte a perspetiva da cooperação democrática e horizontal entre os países. Neste sentido, as seguintes edições do congresso deveriam dar prioridade à apresentação de pesquisas, relatos de experiências e programas educativos que impliquem equipas de pesquisa, educadores e educadoras ambientais de mais do que um país ou comunidade.

Por fim, os participantes do IV Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países de Língua Portuguesa e Galiza sugerem que, em reconhecimento à contribuição e ao compromisso com os saberes tradicionais da guia principense, Nuna, que nos deixou no início deste congresso, que este documento se chame Declaração Nuna. In “Téla Nón” – São Tomé e Príncipe”

domingo, 23 de julho de 2017

Depende de nós












Vamos aprender português, cantando


Depende de nós
quem já foi ou ainda é criança
que acredita ou tem esperança
quem faz tudo pro mundo melhor

Depende de nós
que o circo esteja armado
que o palhaço esteja engraçado
que o riso esteja no ar
sem que a gente precise sonhar

Que os ventos cantem nos galhos
que as folhas bebam orvalhos
que o sol descortine mais as manhãs

Depende de nós
se esse mundo ainda tem jeito
apesar do que o homem tem feito
se a vida sobreviverá

Depende de nós
quem já foi ou ainda é criança
que acredita ou tem esperança
quem faz tudo pro mundo melhor

Depende de nós
que o circo esteja armado
que o palhaço esteja engraçado
que o riso esteja no ar
sem que a gente precise sonhar

Que os ventos cantem nos galhos
que as folhas bebam orvalhos
que o sol descortine mais as manhãs

Depende de nós
se esse mundo ainda tem jeito
apesar do que o homem tem feito
se a vida sobreviverá

Depende de nós
Depende de nós
Depende de nós


Ivan Lins e Sarah Lorena - Brasil




Brasil - 12º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

A Fundação Memorial da América Latina, o Governo do Estado de São Paulo e a Associação do Audiovisual, apresentam pelo 12º ano consecutivo, o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que reúne filmes de 18 países da América Latina e do Caribe.

Premiado internacionalmente pelos filmes “Os Matadores”, “O Invasor” e “Crime Delicado”, o cineasta homenageado deste ano, Beto Brant, realiza a pré-estreia mundial de dois longas-metragens no festival: “Zócalo” e “Ilú Obá De Min – Homenagem a Elza Soares, a Pérola Negra”. Durante os oito dias de evento, até 02 de agosto, sua filmografia será exibida em 26 pontos culturais da capital e da cidade de Campinas.

Neste ano, o FestLatino conta com mais de 90 filmes de representantes de 18 países da região: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba Equador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

A Galeria Marta Traba se transforma em espaço de encontro do evento. Já no Auditório da Biblioteca Latino-americana serão promovidas, pela primeira vez, projeções de longas-metragens com temática infantil e familiar. In “Vá de Cultura” - Brasil

Serviço:

12º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo
Data: De 26 de julho a 2 de agosto de 2016
Abertura: 26 de julho de 2016, quarta-feira, às 20h30, no Memorial da América Latina
Locais: Memorial da América Latina, Cinesesc, Cine Olido, Centro Cultural São Paulo e unidades do CEU

A programação completa você confere no sítio Festival de Cinema Latino-Americano.