Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

China - Futebol da Escola Portuguesa de Macau ganha experiência num Torneio Internacional Juvenil

A Escola Portuguesa de Macau está a participar no Torneio Internacional Juvenil da China, em Zhuhai, destinado a equipas de futebol da Grande Baía e algumas estrangeiras. A formação do território, Sub-18, é a única a nível escolar e terá como adversários dois conjuntos chineses e um da Coreia do Sul. Para um dos treinadores, Luís Moura, o convite “foi uma surpresa” e vai permitir preparar os jovens para o campeonato escolar do próximo ano lectivo


Uma formação de futebol representativa da Escola Portuguesa de Macau (EPM) foi convidada a participar na primeira edição do Torneio Internacional Juvenil “Futuras Estrelas”, que arrancou no Continente, mais concretamente na Academia Desportiva de Zhuhai.

A EPM é a única formação escolar da prova. Os restantes participantes são clubes da Grande Baía, que se dedicam aos escalões etários mais jovens, e ainda três formações da Coreia do Sul. “O convite foi uma surpresa, uma vez que se trata de uma competição que se realiza pela primeira vez”, disse ao Jornal Tribuna de Macau o treinador Luís Moura, que faz dupla com Arlindo Serro.

A base da equipa é o escalão A, de jogadores com idade inferior a 18 anos, que ficou esta temporada em quarto lugar no campeonato promovido pelos Serviços de Educação, mas a comitiva integra ainda alguns elementos do escalão B, com estudantes mais novos, tendo como objectivo “preparar o conjunto para as provas escolares do próximo ano lectivo”, sublinhou Luís Moura.

O “onze” da EPM integra um dos quatro grupos da prova, cabendo-lhe defrontar duas equipas do Continente e uma sul-coreana. Os dois primeiros de cada série seguirão para a fase seguinte, enquanto os restantes farão mais alguns jogos para discutir o troféu de consolação.

“Vamos ter dificuldade em conseguir o apuramento, uma vez que as restantes equipas têm bastante qualidade”, observa o treinador, que considera ser muito importante competir neste nível superior.

O técnico dos jovens estudantes destaca a “disponibilidade” demonstrada pelo director da escola, Acácio de Brito, assim como dos pais, porque “sem a aceitação deles não seria possível a participação”, admite. Acrescenta que “muitos dos alunos têm exames nacionais e por isso teria de haver um esforço da parte de todos, o que aconteceu, para que pudéssemos estar presentes”.

A delegação está instalada na própria Academia de Zhuhai, recinto que dispõe de “condições excelentes”, frisou Luís Moura, para quem o Centro é “de alto nível”, integrando 12 campos relvados e vários serviços de apoio, como ginásios, restaurantes e dormitórios.

O torneio é organizado pelo Grupo Soka de Guangdong, contando com o apoio da Fundação Chinesa para o Desenvolvimento do Futebol e a orientação da Associação Provincial de Futebol da Província de Guangdong, da Escola Técnica Soka de Zhuhai e do Centro Económico e Comercial China-Portugal de Hengqin. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Caretos de Podence e Kankuram aproximam Portugal e a Guiné-Bissau

As tradições dos mascarados proporcionaram um encontro entre Portugal e a Guiné-Bissau num momento que junta os Caretos de Podence Património da Humanidade e o Kankuran, um símbolo cultural do povo guineense.


O encontro aconteceu, em Bissau, proporcionado pelo Centro Cultural Português em Bissau, que convidou os Caretos de Podence, os tradicionais mascarados de Trás-os-Montes, em Portugal, e o emblemático Kankuran da Guiné-Bissau para “celebrar a cultura como ponte entre tradições”.

Trata-se, como explica o Centro Cultural Português, numa nota enviada à Lusa, de aproximar “Portugal e a Guiné-Bissau através de duas expressões culturais profundamente enraizadas nas suas tradições”.

“Vindos de contextos distintos, partilham algo essencial: a força da máscara, do ritual, do movimento e da comunidade”, descreve, destacando que partilham ainda “a capacidade de transformar a rua em palco, a tradição em identidade viva, e a celebração em momento de pertença colectiva”.

A figura endiabrada, a máscara e o colorido das vestes é comum aos Caretos de Podence, com os fatos de lã amarelos, verdes e vermelhos, e ao Kankuran, com um fato todo vermelho, tradicionalmente feito de material de uma árvore local.


A tradição dos caretos esteve praticamente extinta na aldeia portuguesa de Podence, em Macedo de Caveleiros, que conseguiu nas últimas décadas levar os tradicionais mascarados do Entrudo Chocalheiro, que saem à rua pelo Carnaval, à categoria de Património da Humanidade.

O Kankuran é uma figura mítica da Guiné-Bissau associado sobretudo às cerimónias do fanado (circuncisão) dos jovens homens, mas também à protecção da floresta e ao combate a feitiçarias.

O Centro Cultural Português em Bissau deu a conhecer melhor “estas duas expressões do património imaterial de Portugal e da Guiné-Bissau” numa cerimónia no espaço Camões, no final de sexta-feira.

Além da actuação dos tradicionais mascarados, o momento serve para a apresentação do livro Ser Careto - Caminhada Rumo à Unesco de António Carneiro, o rosto dos Caretos de Podence, que tem acompanhado esta caminhada nas últimas décadas.

António Carneiro disse à Lusa que esta deslocação a Bissau “é um momento único e histórico” para os Caretos de Podence, que vieram actuar pela primeira vez em África, no país irmão que é a Guiné-Bissau.

Depois da passagem por “dezenas de países”, da Europa à Ásia, os Caretos de Podence estão na Guiné-Bissau a convite da Embaixada de Portugal, imediatamente a seguir ao Entrudo Chocalheiro, que no último fim de semana e até ao dia de Carnaval encheu com milhares de forasteiros nacionais e estrangeiros as ruas da pequena aldeia transmontana com cerca de 200 habitantes.

O Carnaval de Podence ganhou novo impulso com a elevação a Património Mundial da Unesco em 2019 e António Carneiro espera que possa ser “uma inspiração” para outras tradições e símbolos culturais.

De Bissau, os Caretos de Podence seguem para Itália e têm já agendadas novas apresentações além-fronteiras, em Macau e nos Estados Unidos. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”




Suíça - Uma basílica medieval preserva o órgão mais antigo do mundo

O órgão da catedral Notre-Dame de Valère, em Sion, remonta ao século XV, tornando-o o órgão mais antigo do mundo ainda em funcionamento. Poupado pelo fogo e pela guerra, ele ainda atrai amantes de música de todo o mundo


Erguendo-se majestosamente no topo de uma colina, a Basílica de Notre-Dame de Valère, antiga residência de cónegos, domina a cidade de Sion, capital do cantão do Valais, no sudoeste da Suíça. Aqui, a história desenrola-se numa geografia mística e sagrada.

Construída no século XII, Notre-Dame guarda um tesouro: o órgão mais antigo do mundo ainda em funcionamento. Este instrumento, que remonta à década de 1430, deve a sua sobrevivência ao que poderia ser chamado de um milagre.

Restaurado e embelezado ao longo dos anos, assim como a basílica que o abriga, ele é objeto de curiosidade internacional. “Se eu disser que sou do Valais, as pessoas dirão: ‘Ah, Valère’”, diz Edmond Voeffray, organista da Notre-Dame e coautor do guia publicado pela Sociedade Suíça de História da Arte em agosto passado, intitulado “Les orgues du Valais: itinéraire d’un patrimoine vivant” (Os órgãos do Valais: um itinerário do património vivo).

Fabricante desconhecido

O cantão do Valais tem 250 órgãos. O guia destaca 20 deles, testemunhas de 600 anos de história. Entre os 20 destacados está, naturalmente, o órgão de Valère, que chama a atenção dos leitores e visitantes.

“É o destino deste órgão que o torna uma exceção na Suíça e mesmo além das nossas fronteiras. Ele tem uma tradição da Borgonha, mas não sabemos quem o fabricou. Temos poucos registos sobre o assunto”, explica Voeffray.

“O que sabemos é que ele foi salvo do fogo, junto com a basílica, por um fator meteorológico: a direção do vento que poupou a colina de Valère, mas destruiu Sion, durante um incêndio no final do século XVIII.”

O órgão foi poupado pelas chamas, mas também pelas guerras e disputas internas que devastaram a Europa. “Especialmente a Revolução Francesa, que levou à destruição de muitas igrejas e dos seus órgãos. A Suíça também sofreu, mas o acesso à colina de Valère era muito difícil na época, o que de certa forma protegeu a basílica e as suas obras de arte”, conta.

O valor patrimonial do órgão não se limita à sua idade. É também iconográfico. Com seus dois painéis, um à esquerda e outro à direita dos tubos, o órgão reflete uma parte da fé cristã. À esquerda, o casamento místico de Santa Catarina, padroeira de Valère. À direita, Maria Madalena encontrando o Cristo ressuscitado. O autor dessas pinturas foi Peter Maggenberg (c. 1380-1463), de Friburgo.

Os Carlens e os Walpens

Os países germânicos têm uma grande tradição em órgãos. “Dito isto, a Reforma Protestante no nosso país causou muitos danos aos órgãos, chegando ao ponto de descrevê-los como ‘gaitas do diabo’. Pior ainda, Calvino e Ulrich Zwingli mandaram destruir órgãos em Genebra e Zurique, respectivamente”, diz Voeffray com pesar.

O Valais, um cantão muito católico, viu a construção de órgãos florescer, particularmente no início do século XVIII. Duas famílias do Valais, primas entre si, destacaram-se neste campo: os Carlens e os Walpens. Eles “aceitaram quase todas as encomendas e estabeleceram uma verdadeira tradição valaisana, que foi exportada até à Saboia e à vizinha Itália”, segundo o guia. A dinastia Carlen continuou a operar do outro lado do Atlântico, em Chicago, onde um de seus descendentes se estabeleceu. Ela chegou ao fim em 1960.

Nesse mesmo ano, Hans-Jakob Füglister, de Zurique, fundou a fábrica de órgãos Fuglister em Arbaz, acima de Sion. Até hoje, ela goza de reputação internacional pela restauração de instrumentos antigos e pela fabricação de novos órgãos.

Notas sacras e seculares

Inúmeros fiéis e visitantes de todas as nacionalidades acorrem à Notre-Dame, atraídos em particular pelo órgão. Em 1969, foi criado o Festival Internacional de Órgão de Valère. Todos os anos, ele recebe inúmeros fãs.

“Durante o festival, recebemos pedidos de organistas de todo o mundo que querem se apresentar aqui”, diz Voeffray.

Que tipo de música é tocada no órgão, secular ou sacra? “A fronteira entre as duas continua indefinida”, responde ele, citando a “Marcha Nupcial” de Mendelssohn, frequentemente tocada em casamentos religiosos. “As pessoas pensam que é música religiosa, mas Mendelssohn a compôs para uma apresentação da peça Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare”, explica.

Quase todos os grandes compositores europeus, especialmente os dos séculos XVII e XVIII, eram organistas. Mas nem todos escreveram partituras exclusivamente religiosas. “Na Suíça, os compositores de órgão são contemporâneos. É difícil encontrá-los se voltarmos no tempo. Quando quero tocar música do Valais para órgão, tenho de procurá-la no repertório do século XX”, diz Voeffray. Céline Stegmüller – Suíça in “Swissinfo”

 

Os seis órgãos da Basílica do Palácio Nacional de Mafra

A Basílica do Palácio Nacional possui um conjunto instrumental de seis órgãos históricos que, pela sua singularidade, é único em todo o mundo. A sua disposição arquitetónica, aliada ao facto de terem sido projetados em conjunto e a possibilidade de serem tocados individualmente ou em simultâneo, configuram uma realidade patrimonial de exceção.


Os seis instrumentos foram construídos para substituir outros existentes, da época de D. João V. O trabalho foi executado pelos dois mais importantes organeiros do seu tempo- Joaquim António Peres Fontanes e António Xavier Machado e Cerveira, entre 1792 e 1807- época áurea da construção de órgãos em Portugal. É nesta reforma que os instrumentos são preparados para tocar em conjunto.

Na época foram produzidas várias composições musicais para estes órgãos. No entanto, as Invasões Napoleónicas e o consequente exílio da Corte portuguesa no Brasil conduziram a um declínio no uso dos instrumentos.

Até 1998 os Órgãos foram sujeitos apenas a intervenções superficiais. Desde esse ano até 2010 procedeu-se ao restauro global do conjunto, confiado ao organeiro português Dinarte Machado.

Desde então, os seis órgãos da Basílica do Palácio Nacional de Mafra tornaram-se largamente conhecidos em todo o mundo. O som destes seis órgãos, com os seus cerca de 12.000 tubos, propicia uma experiência que só é possível neste monumento. “Palácio de Mafra” - Portugal




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Portugal - Novo cone de conífera com cerca de 133 milhões de anos descoberto no Cretácico Inferior

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) identificou uma nova espécie de conífera, com cerca de 133 milhões de anos, na flora de Vale Cortiço, na região de Torres Vedras. 


Trata-se de um cone masculino muito bem preservado, composto por microsporófilos imbricados e dispostos helicoidalmente, no qual se observam grãos de pólen do género Classopollis. O achado enquadra-se no género Classostrobus (porque produzia pólenes do género Classopollis) e foi descrito como Classostrobus amealensis, derivando o restritivo específico do nome da pequena localidade de Ameal, onde foi encontrado.

«As floras do Cretácico português são ricas em coníferas da família Cheirolepidiaceae (atualmente extintas) de grande importância para a compreensão das condições paleoclimáticas e dos ecossistemas em que viveram», explica Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e professor da Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Nesta família enquadram-se os frenelopsídeos pertencentes aos géneros Frenelopsis e Pseudofrenelopsis. Atendendo ao que tem sido observado no registo fóssil, estas plantas tinham uma notável capacidade de adaptação, habitando uma ampla gama de habitats, desde ambientes semiáridos a áridos e, em certos casos, regiões interiores com condições mais amenas.

«A presença destes frenelopsídeos, mas, sobretudo, dos seus pólenes característicos atribuíveis ao género Classopollis, é um indicador chave de climas quentes, semiáridos ou áridos. A flora de Vale Cortiço é rica em restos de frenelopsídeos pertencentes às espécies Frenelopsis teixeirae e Pseudofrenelopsis dinisii, sendo a primeira, particularmente, abundante nos níveis fossilíferos de onde provém o novo cone masculino agora descrito. Portanto, além dos restos vegetativos, foi encontrada, agora, uma estrutura reprodutiva masculina», revela o especialista.

Mário Miguel Mendes já tinha estudado, com detalhe, a associação esporo-polínica desta jazida fossilífera e identificou pólenes que suspeitava pertencerem à espécie Classopollis martinottii. No entanto, e porque apenas os observou em microscopia ótica, optou por classificá-los dentro do género Classopollis e como espécie indeterminada.

«Os pólenes observados in situ foram estudados minuciosamente, através da técnica de microscopia eletrónica de transmissão. Os resultados obtidos permitiram concluir tratar-se da espécie Classopollis martinotii, o que significa que o novo cone, Classotrobus amealensis, produzia pólenes da espécie Classopollis martinottii. Todavia, o novo cone não se encontrava anexado a nenhum ramo vegetativo – Frenelopsis teixeirae ou Pseudofrenelopsis dinisii», esclarece o paleobotânico.

No entanto, conclui, «a predominância de fragmentos de Frenelopsis teixeirae, no mesmo nível fossilífero, e a organização dos estomas observada nas cutículas de Classostrobus amealensis, sugere que a espécie Frenelopsis teixeirae dava origem a cones da espécie Classotrobus amealensis que, por sua vez, produziam pólenes atribuíveis a Classopollis martinottii».

Este trabalho foi realizado em parceria com investigadores do Paleontological Institute of the Russian Academy of Sciences (Rússia), do National Museum Prague (República Checa) e do Naturalis Biodiversity Center (Leiden, Países Baixos), tendo recebido financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency.

O estudo será publicado no volume de maio da revista internacional Cretaceous Research e pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


Portugal – Universidade do Porto leva saúde e bem-estar a alumni com mais de 60 anos

Novo programa exclusivo tem como objetivo promover o envelhecimento ativo através do exercício físico, acompanhamento nutricional e convívio


A Universidade do Porto acaba de lançar o programa “Saúde e Bem-Estar 60+ – Corpo e Mente Ativos”. A iniciativa dirige-se toda a comunidade alumni com 60 ou mais anos e pretende promover a saúde física e mental num ambiente seguro e tecnicamente orientado.

Resultado de uma parceria entre o Centro de Desporto da U.Porto (CDUP-UP), o Núcleo Alumni da U.Porto (NAUP) e a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação  (FCNAUP) , este projeto traduz “a responsabilidade da Universidade em promover o envelhecimento ativo e saudável, valorizando o papel dos nossos antigos estudantes na comunidade”.

Além disso, “cuidar da saúde e do bem-estar dos alumni é também uma forma de manter viva a ligação à Universidade e de reconhecer o seu percurso e contributo”, aponta Joana Carvalho, Vice-Reitora para as Relações Internacionais, Responsabilidade Social e Desporto da U.Porto.

A decorrer entre 18 de fevereiro e 17 de julho, o “Saúde e Bem-Estar 60+” combina atividade física regular, acompanhamento nutricional especializado e momentos de formação e convívio.

A componente prática inclui duas sessões semanais de UPFit 60+, às quartas e sextas-feiras, das 15h30 às 16h30, no CDUP-ICBAS/FFUP.

Os participantes terão ainda acesso a duas consultas de nutrição na FCNAUP, uma no início e outra no final do programa. Adicionalmente, terão acesso a um workshop sobre alimentação saudável, com refeição incluída, e uma palestra temática de encerramento.

No que toca às mais valias do programa, estas incluem a manutenção da força muscular, fundamental na prevenção da sarcopenia. Ao mesmo tempo, pretende-se melhorar o equilíbrio, reduzir o risco de quedas, promover rotinas alimentares saudáveis e ajudar a controlar os indicadores metabólicos.

Inscrições abertas

Com vagas limitadas a 20 participantes, o programa tem um custo de 110 euros, valor que inclui o acesso a todas as atividades previstas e o seguro desportivo. O pagamento pode ser feito em duas tranches de 55 euros.

As inscrições decorrem online no portal do CDUP-UP, através do preenchimento do respetivo formulário. Universidade do Porto - Portugal


Duas obras imperdíveis para leitores iniciantes

Livros de Lourenço Cazarré já podem ser considerados clássicos da literatura juvenil  

                                                                                                     

                                                           I

O livro mais vendido do premiado escritor Lourenço Cazarré, A fabulosa morte do professor de Português (Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 2026), chega agora a sua terceira edição, com ilustrações do artista gráfico Negreiros. Trata-se de um admirável exemplo de como se pode fazer literatura juvenil, sem deixar de agradar ao leitor experiente e exigente. Escrito inicialmente como conto policial para uma coletânea destinada a adultos que não saiu à luz, a novela foi remodelada com o olhar voltado especialmente para a garotada, como explicou o próprio autor

Em linhas gerais, lê-se a movimentação de dois pré-adolescentes que receberam da professora a incumbência de escrever uma reportagem para o jornal do colégio e foram destacados para cobrir a inauguração de uma livraria, onde estariam presentes vários intelectuais e artistas da cidade. E, como já anuncia o título, durante o acontecimento, ocorrem vários fatos que culminam com a morte de um professor de Português e também crítico literário, que não seria bem visto pelos intelectuais da cidade.

Dono de um estilo fluido, ágil e envolvente, de que Contos pelotenses (Florianópolis, Editora Insular, 2025) e Breve memória de Simeão Boa Morte e outros contos poéticos (Rio de Janeiro, Faria e Silva Editora, 2025), obra publicada em Portugal em 2024 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, dentro da Coleção Comunidades Portuguesas, são os mais destacados e recentes exemplos, Cazarré, a cada dia, assume-se como o principal escritor brasileiro voltado para a literatura juvenil, atividade em que está empenhado desde 1985.  

Afinal, o seu Clube dos leitores de histórias tristes, lançado em 2005, foi considerado pela revista Veja como o melhor livro para leitores de dez a doze anos. E tanto Nadando contra a morte (1998) quanto A cidade dos ratos – uma ópera-roque (1993), ambos publicados pela Editora Formato, foram considerados altamente recomendados para jovens pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Sem contar que a novela Isso não é um filme americano (Editora Ática, 2002) recebeu menção honrosa no Concurso Nacional de Literatura João-de-Barro da Biblioteca Municipal de Belo Horizonte.

Um exemplo desse estilo direto que, ao mesmo tempo, passa lições de sabedoria aos jovens leitores e especialmente para aqueles que ainda sonham com a profissão de jornalista, extremamente vilipendiada nestes tempos de inteligência artificial e quejandos, é este diálogo entre pai e filha que se lê logo às primeiras páginas deste A fabulosa morte do professor de Português:

“(...) – Seja discreta – continuou o pai. – Tente ser invisível pra poder anotar tudo sem que as pessoas percebam que você é repórter. Não faça como a maioria dos jornalistas, que se acham mais importantes do que os entrevistados...

– Pai, eu também estou preocupada com o depois... Será que vou saber escrever a reportagem?

– Saberá... Escreva só frases diretas: sujeito, verbo e predicado. Não use mais de duas vírgulas por frase. E não faça cambalhotas estilísticas... O bom jornalista aprende a escrever lendo os bons autores...

– Mas eu não penso em ser jornalista, pai!

– Então leia pra aprender a pensar melhor... E, agora, vamos ao feijão com arroz.(...)”.

 

                                                 II

Outra obra dirigida ao público juvenil é Um velho velhaco e seu neto bundão (Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 2024), também já em terceira edição, que, como confessa o autor, foi escrita com a imaginação voltada para os anos em que teve de viver com o seu avô paterno, enquanto estudava numa escola técnica em Pelotas, entre 1965 e 1968. “Meu avô, claro, não era cretino como o personagem do livro. Mas eu era bundinha como o menino Candinho”, diz.

Ou seja, aqui se conta o relacionamento entre um menino ingênuo, mas esperto, e um velhote brincalhão, porém, ao mesmo tempo rigoroso e exigente, que procura ensinar o neto a amar os esportes e a leitura e a estudar com método. Ou, nas palavras do autor: “Ensina também que nunca estamos suficientemente preparados para enfrentar as muitas surpresas da vida e que, pensando bem, é melhor não viver chorando porque chorar demais só faz ranho”.

Como o enredo é povoado por personagens dotados de língua bem afiada, o livro está repleto de diálogos hilariantes, que, afinal, tratam de atrair o jovem leitor iniciante, entretê-lo e deixá-lo alegre por alguns momentos. Mas que, de certo modo, procura resgatar e recriar a picaresca clássica, aquela de Lazarillo de Tormes (1554), de autoria desconhecida, e El Buscón (1626), de Francisco de Quevedo (1580-1645), ao mostrar o cotidiano de pobretões que têm sonhos e querem satisfazê-los, mas que, para tanto, precisam contornar as regras do jogo oficial da vida, tornando-se assim pessoas astutas, ardilosas, espertas, burlescas e trapaceiras.

Trata-se de um livro divertido, de humor, tal como aquelas obras da picaresca clássica. Ou melhor: estamos diante de um exemplo bem acabado de neopicaresca. Até porque a picaresca clássica espanhola é irrepetível e só tem sentido se associada aos séculos XVI e XVII.

 

                                                 III  


Nascido em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Lourenço Cazarré (1954) é descendente de portugueses de Cinfães que emigraram para o Brasil ao final do século XIX. Fez o curso ginasial em Pelotas e formou-se radiotécnico “com a nota mínima”, ao mesmo tempo em que devorava impiedosamente todos os livros da seção infantil da Biblioteca Pública da cidade. Em 1975, graduou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas.

Depois de um breve período como operador de telex, trabalhou um ano como repórter na sucursal de Pelotas dos jornais Correio do Povo, Folha da Manhã e Folha da Tarde, que pertenciam à empresa Caldas Júnior, de Porto Alegre. Em junho de 1976, transferiu-se para Florianópolis, onde permaneceu por seis meses como repórter da sucursal local do grupo Caldas Júnior, antes de se transferir para a redação do jornal O Estado.

Como escritor passou a ser reconhecido depois que ganhou a 1ª Bienal Nestlé, em 1982, com o romance O calidoscópio e a ampulheta (1983), em que conta as desventuras de um ditador livremente inspirado em Getúlio Vargas (1882-1954). Em 1977, transferiu-se para o Distrito Federal, onde passou a trabalhar como redator do Jornal de Brasília.

Por essa época, já escrevia contos que publicava em jornais e revistas. Em 1979, começou a escrever Agosto, Sexta-Feira, Treze, seu primeiro romance, publicado em 1981. Depois de um retorno ao Rio Grande do Sul, estabelecendo-se na praia de Laranjal, na costa Oeste da Lagoa dos Patos, onde viveu dos parcos recursos acumulados com os empregos e os prêmios literários conquistados, voltou a Brasília. Dessa época, são os contos da primeira edição de Enfeitiçados todos nós (São Paulo, Melhoramentos, 1984).

Em 1983, em Brasília, passou a trabalhar em uma assessoria de imprensa na Câmara dos Deputados. Em seguida, tendo sido aprovado em concurso para professor de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, retornou para Pelotas, mantendo-se em trânsito entre o Rio Grande de Sul e Santa Catarina por alguns meses, até desistir da carreira e transferir-se definitivamente para Brasília. Em 1987, exerceu por alguns meses a função de chefe de editoração da Editora da Universidade de Brasília (UnB), até que, em 1988, aprovado por concurso público, assumiu o cargo de redator no Senado Federal, onde trabalhou até se aposentar. Atualmente, é colaborador do jornal Correio Braziliense. Hoje, vive em Brasília.

Autor profícuo, Cazarré publicou mais de 40 livros, desde romances e coletâneas de contos a novelas juvenis, entre os quais se destacam também o romance A longa migração do temível tubarão (2008), as novelas Estava nascendo o dia em que conheceriam o mar (2011) e Os filhos do deserto combatem na solidão (2016), as coletâneas de contos A arte excêntrica dos goleiros (2004) e Exercícios espirituais para insônia e incerteza (2012) e as novelas juvenis Kandimba (2019) e Amor e guerra em Canudos (2021).

Em 2018, com Kzar, Alexander, o louco de Pelotas (Curitiba, Editora Paraná, 2018), venceu na categoria romance o Prêmio Paraná de Literatura, promovido pela Biblioteca Pública daquele Estado. O romance premiado trata da paixão alucinada de um homem pela literatura. Em parceria com Pedro Almeida Vieira, publicou em fascículos, no site Página Um, a novela policial de humor A misteriosa morte de Miguela de Alcazar. Adelto Gonçalves - Brasil

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A fabulosa morte do professor de Português, de Lourenço Cazarré, com ilustrações de Negreiros. Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 112 páginas, R$ 43,49, 2026.  Um velho velhaco e seu neto bundão, de Lourenço Cazarré, com ilustrações de Vito Quintans. Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 126 páginas, R$ 45,00, 2024. E-mail: atendimento@grupoautentica.com.br Site: www.editorayellowfante.com.br

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp)/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-Latas da Madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado os Estados Unidos e na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


 


Portugal – Apresentação do livro de Ana M. C. Serra “Entre a Luz e a Sombra” no Centro Cultural Palácio do Egito em Oeiras

O Centro Cultural Palácio do Egito acolhe, no dia 07 de março, sábado, pelas 15H 30M, a apresentação do livro de Ana M. C. Serra “Entre a Luz e a Sombra” na vila de Oeiras


Com a chancela da Âncora Editora e com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, o livro será apresentado pela historiadora Irene Flunser Pimentel.

Entre a Luz e a Sombra leva-nos para um Portugal dos anos quarenta e cinquenta do século passado, conta-nos uma história verdadeira de tempos que não pretendemos que voltem. Baía da Lusofonia

Sinopse

Durante a ditadura portuguesa, José Rocha e Laurinda viveram entre a luz e a sombra. Ele foi preso e torturado pela PIDE, evadiu-se uma vez da prisão de Caxias e duas do Forte de Peniche. Tiveram quatro filhos, mas foram obrigados a separarem-se de cada um deles, antes de atingirem a idade escolar. Entre a Luz e a Sombra retrata a vida clandestina nas décadas de quarenta e cinquenta do século XX, através da história de dois protagonistas, dos seus companheiros e da sua família. Os nomes são fictícios, mas não o que se conta nesta história.

“A narrativa é aliciante e com recurso a uma linguagem forte em imagens – o livro daria um excelente filme – com recurso a flashbacks, e à descrição das ações das diferentes personagens num mesmo período histórico (…).

Irene Flunser Pimentel - Enquanto historiadora, expresso a minha admiração pela excelente escrita da autora, tanto na sua forma como conteúdo. Se o livro se baseia nas memórias familiares de Ana Serra, em que silêncios, sentimentos e o desconhecido são ficcionados, estes ficam sempre o mais próximo possível da realidade e da verosimilhança.