Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 3 de janeiro de 2015

Brasil - OMC: balanço de 20 anos

SÃO PAULO – A Organização Mundial do Comércio (OMC), entidade com sede em Genebra e hoje dirigida pelo diplomata brasileiro Roberto Azevêdo,  chega a 2015, ano em que completa 20 anos de atuação, com um desafio pela frente: encontrar uma forma mais eficiente de operar, convencendo seus países-membros de que constitui ainda o melhor instrumento para conectar os mercados e promover  o desenvolvimento do comércio mundial.

Para tanto, deveria não só procurar estimular a transferência de tecnologia para países menos desenvolvidos a fim de que estes possam aumentar sua produtividade e atrair investimentos externos como tratar de concluir a Rodada Doha, com a implementação do conjunto de decisões adotadas em dezembro de 2013 em Bali, na Indonésia, que buscam a revitalização do comércio mundial. Como se sabe, o acordo deveria ter sido ratificado em julho de 2014, não fosse a oposição da Índia que só ao final de novembro concordou em assinar o tratado, depois de obter algumas garantias.

Se a OMC não conseguir cumprir essas metas, certamente, o mundo haverá de regredir ao modelo que havia no século 18, quando as regiões menos desenvolvidas serviam apenas como fornecedoras de matérias-primas para os países mais desenvolvidos. Se àquela época esse esquema funcionou, hoje, constitui uma bomba de efeito retardado que poderá levar em breves anos o mundo a uma situação explosiva.

É de se lembrar que o Brasil teve papel importante na Rodada do Uruguai (1986-1994), que culminou com a criação da entidade a 1º de janeiro de 1995 depois da assinatura do acordo de Marrakech, no Marrocos, em substituição ao Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que começou em 1948. E que a OMC nasceu com o objetivo de fornecer uma estrutura para negociação e formalização de acordos comerciais, além de estabelecer um processo de resolução de conflitos, eliminando restrições ao comércio internacional e outras medidas que perturbem a concorrência e as relações comerciais.

Seu principal objetivo hoje seria concluir a Rodada Doha, que, lançada em 2001, foi marcada por vários pontos de discórdia que têm impedido o desenvolvimento de novas negociações. Como resultado desse impasse, tem sido registrado um número significativo de acordos de livre comércio bilaterais.

Organizações da sociedade civil brasileira e do mundo comemoraram o colapso das negociações da Rodada de Doha, a pretexto de que a liberalização do comércio de bens industriais e serviços por parte dos países do Sul, em troca da abertura de mercados no Norte para exportações agrícolas, cristalizariam um modelo em que os países em desenvolvimento continuariam como exportadores de commodities agrícolas e os países desenvolvidos como fornecedores de tecnologia e bens e serviços de maior valor agregado.

Mas, pelo que se vê hoje, não foi necessária nenhuma Rodada Doha para se chegar a esse patamar: segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), em 2014, apenas 20% das exportações brasileiras foram de produtos manufaturados e 80% de commodities. Portanto, se a OMC precisa de uma razão de existir, essa será a de evitar o agravamento dessa tendência. Milton Lourenço – Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

Guiné-Bissau – Semanário Nô Pintcha melhora apresentação

Bissau – O Jornal “Nô Pintcha” passa, a partir de Janeiro de 2015 a sair a cores, pelo menos na primeira e última pagina de cada edição, revelou o seu director-geral.

Bacar Baldé que falava na passada quarta-feira, 31 de Janeiro de 2014, em exclusivo à ANG, revelou ainda que a partir de agora, o semanário estatal passará de uma para duas vezes por semana e no tamanho A3, em vez de GTO como era habitual.

Aliás, a última edição do ano imprimida no dia 31 de Dezembro passado, saiu a cores.

“Em articulação com o Ministério da Comunicação Social estamos a imprimir uma nova dinâmica, o que aliás temos vindo a fazer desde a nossa chegada na direção deste órgão”, garantiu.

O DG do Nô Pintcha prometeu, assim que as condições forem reunidas, transformar de bi-semanário para diário as saídas regulares das edições do jornal.

Bacar Baldé referiu estar empenhado na melhoria das condições de trabalho no Nô Pintcha, tendo lamentado a falta de equipamentos ao nível da redacção do mesmo, apesar de algumas inovações levadas a cabo.

A grande aposta para o ano que agora se iniciou, segundo confidenciou, relaciona-se com realizações de reportagens no interior do país, apesar dos custos que isso irá acarretar ao órgão. Agência de Notícias da Guiné – Guiné-Bissau

Brasil - Dragagem do Porto de Santos

Futuro ministro dos Portos, o deputado federal Edinho Araújo (PMDB-SP) defendeu a regularização da dragagem do Porto de Santos, atualmente mantida por contratos emergenciais. Segundo ele, o serviço “precisa ser permanente. Esta é uma preocupação para o escoamento da produção”.

Araújo comentou a situação da dragagem do complexo santista em entrevista exclusiva a “A Tribuna” na tarde de terça-feira (30), logo após se reunir, pela primeira vez, como atual ministro dos Portos, César Borges. O encontro ocorreu na sede da Secretaria de Portos (SEP), em Brasília, e marcou o início da transição na pasta.

Edinho Araújo garantiu que a SEP terá continuidade de projetos em sua gestão. E, neste contexto, manter a infraestrutura de acesso aquaviário no Porto de Santos tem uma grande importância. A SEP pretende contratar, em breve, uma empresa para elaborar os projetos básico e executivo da dragagem santista e executá-la. A ideia é deixar o canal de navegação (parte central do estuário) e as áreas de acesso aos berços (locais) de atracação com uma profundidade de 15,4 a 15,7 metros e as regiões dos próprios berços com 7,6 a 15,7 metros.

O serviço custaria ao Governo cerca de R$500 milhões. Após duas tentativas fracassadas, já que as concorrentes apresentaram propostas acima do limite estabelecido pela SEP, a pasta realizará uma terceira concorrência pública. A última licitação teve R$ 545 milhões como a proposta mais baixa.

A expectativa é que, agora, o contrato seja de dois anos. Com isso, o valor será menor e as empresas não terão tantos riscos financeiros, como a variação cambial, que é uma preocupação entre os concorrentes.

O futuro ministro também destacou seus planos para a liberação do processo de arrendamentos portuários, travado no Tribunal de Contas da União (TCU) há mais de um ano. O primeiro pacote de áreas a serem licitadas envolve terrenos em Santos e em complexos do Pará.

Araújo reafirmou que a solução dessa pendência será sua prioridade. Esse compromisso já havia sido assumido por ele em entrevista a A Tribuna publicada na edição do último dia 25. “Esta será a primeira coisa a ser feita. Assumo no dia 2 e já vou manter contato com o presidente (do TCU, Augusto Nardes)”, disse.

Reunião

A dragagem de Santos e o pacote de arrendamentos foram dois dos temas da reunião entre Araújo e Borges. No encontro, o próximo titular da pasta conheceu os projetos e o plano de investimentos, além dos avanços e os desafios da SEP. Ele promete continuar se inteirando sobre os portos brasileiros hoje, em uma nova reunião.

O ministro nomeado destacou sua atuação na Comissão de Viação e Transportes da Câmara, mas afirmou que, agora, terá “um outro olhar, A ideia é manter o que vai bem e aperfeiçoar. Isso tudo, ouvindo os atores – trabalho, capital, empreendedor - e buscar o melhor”.

Na reunião entre Araújo e Borges, também estava presente o primeiro escalão da SEP – o secretário-executivo da pasta, Guilherme Penin Santos de Lima, e o secretário de Infraestrutura Portuária, Américo Leite de Almeida. Fernanda Balbino – Brasil in “A Tribuna”

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Angola – Acção para a Terceira Alternativa

Levantar-se em ATA (Acção para a Terceira Alternativa, em Angola), em 2015

O fim do ano de 2014 e o início de 2015 estão a coincidir com o fim de um meu trabalho de investigação académica, gratamente patrocinada por uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, o que me retirara alguma acutilância na intervenção cívico-política, nos últimos tempos, já para não falar de uma maior dedicação à família e amigos.

Na minha idade, não é a mera projecção académica que me move com este trabalho, mas a busca de uma maior compreensão dos fenómenos africanos nas componentes História, Antropologia, Estado e Direito, no âmbito daquilo a que o filósofo congolês Mudimbe entendeu chamar e, muito bem, a “invenção de África”.

Ainda assim, durante este empreendimento que me levou cerca de um lustro, em 2012, arranjei algum tempo para deixar algumas ideias no opúsculo “Angola: a terceira alternativa”, que, como costumo repetir, não se trata de um programa político mas de uma proposta e um método para se tentar sair da situação complicada em que o país caiu. Curiosamente depois do fim da guerra civil, especialmente a partir de 2002, encurralado num regime pessoal do longevo presidente José Eduardo dos Santos, neste momento, o mais antigo Chefe de Estado em África (ex.aequo com o presidente da Guiné Equatorial), de quem, nas condições em que o País se encontrava e pelo papel positivo que parecia ter jogado, se esperava um rumo muito diferente.

A minha preocupação com essa longevidade, em que todos os truques são inventados, para demonstrar que não há saída com outras personalidades, mesmo dentro do seu bem apetrechado partido, com a montagem de uma cerca de formalizações carnavalescas, não reside em si nisso mesmo, visto que não sou nada formalista. Na verdade, se o Presidente Santos conseguisse toda essa longevidade e não houvesse problemas graves, eu nem me importava. Escreveria e falaria de outras coisas, brincava com os meus netos e gargalhava com os meus amigos.

O problema grave é que nesses últimos anos foi montado um dispositvo de ostensivo apartheid sistémico. Um sistema que cria perigosas tensões, ao ponto de gerar mortes e tortura de jovens que o querem legitimamente renovar de forma pacífica. Obriga toda a gente (comunicadores, empreendedores, artistas e homens de cultura, etc. etc.) a arregimentarem-se a volta do partido no poder, que por sua vez foi extirpado de vozes críticas internas, nas questões fundamentais, para uma sintonia incondicional com as intenções, quase sempre inesperadas do “Chefe” e sua corte. E o que deveria preocupar muita gente, mas parece não preocupar a quem devia, é que Angola está a ficar isolada neste caminho, que nunca pode acabar, hoje ou amanhã, minimamente bem.

Enquanto escrevo este texto, oiço ou leio trechos da mensagem de Ano Novo do Presidente José Eduardo dos Santos. Ele afirma, por exemplo, que o Estado deverá cuidar de diminuir a intolerância política; que deve haver diálogo para a resolução de questões no âmbito político; que deve respeitar-se as regras de convivência política, máxime, as previstas na Constituição, aplicadas, quando necessário, pelo Tribunal Constitucional; e deve trabalhar-se para a reposição dos valores ético-morais!

Simplesmente, não é possível atingir esses objectivos com o sistema que o próprio Presidente vem consolidando, na base dos recursos enormes baseados no petróleo que controla, terminada a guerra. Veja-se como o Presidente resolveu – ou desenvolveu – o escandaloso caso BES-BESA?!

Assim, quem vai acabar com a intolerância política se ela parte dos próprios arredores palacianos matando jovens pacíficos como Ganga ou torturando estudantes como Laurinda Gouveia? Diálogo político com os principais meios de comunicação sem qualquer independência do poder, num país democrático? Que Constituição que só é valida quando defende os interesses do Chefe e que Tribunal Constitucional que se substitui ao Parlamento logo que se note alguma lacuna na Constituição para tornar, por exemplo, o chefe do executivo e todos os seus colaboradores, irresponsáveis pelos seus actos e omissões? Finalmente, que valores ético-morais, para quem e para quê, onde do alto do próprio poder se promove e protege abertamente entidades suspeitas de casos graves de “endinheiramento” ilícito, para depois se ameaçar ou persuadir outros Estados, também abertamente, a desistirem da sua faceta de independência do poder judicial contra essas tão notórias falcatruas? Não é o Presidente Santos o pai de quem compra, na vista de todos nós, avultados valores financeiros no exterior de um país que se diz ter dificuldades por estar a sair da guerra, enquanto ao lado prolifera a miséria dentro do país? Não é o Presidente Santos o Chefe do Executivo que tem os únicos ministros do mundo que se exibem abertamente como empresários dentro e fora do país, contra a lei da probidade que o próprio promoveu e promulgou, para atirar área aos olhos da opinião pública?

Quando alguns jovens se pronunciam sobre as minhas intervenções e atitude crítica (e de vários activistas contra este sistema) como as de alguém que não teve sucesso na vida, bem se vê que ideia “chico-espertista” é que está a ser, perigosamente, incutida aos jovens sobre o que é ser bem-sucedido.

Erguer-me em ATA, não será ainda um movimento cívico para tentar por em execução as ideias deixadas no opúsculo “Angola: a terceira Alternativa”. É apenas a reafirmação do meu engajamento individual, sem obstinações ou obsessões, para continuar a contribuir para a superação do problema que vivemos, de forma pacífica; partindo das experiências acumuladas como educador, advogado, consultor, antigo governante e agente internacional e antigo político no activo (que neste momento não sou, por vontade própria, para maior disponibilidade para este múnus que me imponho). Para todos, FELIZ ANO NOVO. Marcolino Moco – Angola in “Moco Produções”

Brasil – Quem ri melhor

Quem ri melhor

Se você está pensando
Que eu estou me importando
Claro que eu estou
Eu não sou feito essa gente
Que ama e de repente
Tchau, e se acabou
Não, eu sofri muito, demais
Porque a minha grande paz
Vinha toda de você
É, pus você alto demais
Com cuidados tão legais
Que nem vi você descer

Mas a gente continua
Sai e anda na rua
Entre a multidão
Os amigos dão mão forte
E há nada que conforte
Mais que o violão
É, vou cuidar melhor de mim
Vou fazer meu samba assim
Bem alegre e natural
É, você vai saber de mim
Muita nota no Ibrahim
Muito nome no jornal

Ri melhor que ri no fim
Melhor quem ri no fim
Melhor quem ri no fim


Vinicius de Moraes - Brasil

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Indonésia – Novo terminal de contentores no porto de Tanjung Priok

Novo terminal de contentores offshore previsto para ser construído no porto de Tanjung Priok.


Os novos portos que vão sendo anunciados nas várias regiões do globo têm a particularidade de serem quase exclusivamente portos offshore, isto é, em zonas fora dos leitos dos rios, havendo alguns exemplos de portos construídos em áreas flúvio-marítimas, como por exemplo o London Gateway junto à foz do Tamisa. A grande excepção a este movimento internacional que se prepara para o tráfego comercial dos grandes porta-contentores, mais económicos, menos poluidores, é precisamente a dinâmica à volta do Porto do Barreiro em Portugal, que em linguagem futebolística mais será um porto de um campeonato regional de seniores do que um porto de uma primeira liga.

Um consórcio constituído por quatro empresas, a PT Pelabuhan Indonésia II (IPC), a Mitsui & Co. (Mitsui), a Nippon Yusen Kabushiki Kaisha (NYK Line) e a PSA International (PSA) vai desenvolver o projecto de ampliação do porto de Tanjung Priok, o PT New Priok Container Terminal One (NPCT1), em Jacarta, capital da Indonésia.

O novo terminal terá um custo de US$ 300 milhões, terá a capacidade anual de cerca de 1,5 milhões TEUs, um comprimento de cais de 850 m e uma profundidade de 16 metros, ligeiramente superior aos actuais terminais existentes no porto, permitindo a atracagem dos porta-contentores Classe E.


O NPCT1 pretende ser um “Terminal Verde” explorando o uso de instalações ambientalmente amigáveis, como o "cold ironing", permitindo que os navios obtenham energia a partir do terminal enquanto estão operando no cais.


Em 2013, o porto de Tanjung Priok foi o 21º porto com maior movimento de contentores, ao movimentar 6,5 milhões de TEU, segundo a classificação da “Ports World Top 120”. Baía da Lusofonia

Timor-Leste - Lembranças propositadas

Lembranças propositadas

Sinto ainda o cheiro do
sândalo e lembro o aroma vértil no reinício da
vida e a expectativa de
colheitas abundantes.
Lembro também coisas belas
no seio das famílias
humildes plantadas no solo
timorense.
Lembro o Natal herdado,
o café sempre presente,
o arroz, o milho, o búfalo...
Tudo numa harmonia que
escapava à percepção
porque a ecologia é útil,
não é poesia. É sobretudo expressão de viver!
Lembro ainda o Natal sem prendas,
sem fartura...
Lembro um Natal herdado,
certo, um Natal só com um presépio,
a partilha de uma noite ou um dia,
um Menino e doces,
canções pedindo a companhia dos anjos ou
que se repetisse a magia
de Belém.
É que encanto pode vir
tão só de uma noite de
pobreza cantada que de um
minuto preso à esperança
de dias belos!


Crisódio Marcos – Timor-Leste