Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 26 de maio de 2025

Portugal - Maria João Fonseca vai liderar maior rede europeia de museus e centros de ciência

Diretora de Comunicação do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto foi eleita presidente da Ecsite, rede que junta mais 300 museus e centros científicos de toda a Europa



A Diretora de Comunicação do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP), Maria João Fonseca, foi recentemente eleita para o cargo de Presidente da Direção (Board) da Ecsite (The European Network of Science Centres and Museums), a maior rede europeia de museus e centros de ciência.

Fundada em 1989 com o propósito de capacitar organizações e profissionais “no sentido de ampliar o envolvimento científico”, a Ecsite conta atualmente com mais de 300 membros – entre museus, centros de ciência, empresas, etc. – de diferentes países que, em conjunto, mobilizam anualmente mais de 40 milhões de pessoas através de programas educativos, exposições, debates, entre outras iniciativas.

Para Maria João Fonseca, que é também Diretora da Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva do MHNC-UP e professora convidada na Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP), esta nomeação representa “um motivo de grande orgulho e uma enorme responsabilidade”, mas também “uma evidência incontornável do reconhecimento do investimento que a U.Porto tem vindo a fazer no seu MHNC-UP”.

Na verdade, este é o corolário de um caminho iniciado em 2016, quando o maior museu da U.Porto se juntou à Ecsite, e reforçado um ano depois, com a organização da conferência anual da rede.

“Desde então, “temos vindo a percorrer um longo e intenso caminho de aproximação aos nossos públicos, e de diversificação dos mesmos, posicionando-nos como uma importante plataforma de promoção da cultura científica”, descreve Maria João Fonseca, sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido na Galeria da Biodiversidade (inaugurada em 2017), no histórico Jardim Botânico da U.Porto e no Polo Central (Reitoria) do MHNC-UP (em fase de reconstrução).

Não escondendo a “grande alegria” pela “confiança que em nós é depositada por esta incrível comunidade de peritos em museus e centros de ciência”, a ainda Vice-Presidente da direção da Ecsite lembra que “é agora tempo de retribuir este reconhecimento”. O rumo, esse, está traçado: “contribuir para a nossa missão partilhada de promover o envolvimento de todos na produção de conhecimento científico e tecnológico e na sua aplicação à resposta aos maiores desafios societais que hoje enfrentamos (…), como a emergência climática, a crise da biodiversidade, a utilização sustentável de recursos e a regeneração ambiental”.

Reorganização interna e compromisso com a crise climática

No que toca às prioridades para o mandato de dois anos que vai iniciar a 1 de julho à frentes dos destinos da Ecsite, Maria João Fonseca promete focar-se na “construção de uma rede ainda mais participativa e diversa, incluindo também instituições de menor dimensão”.

“Neste momento, contamos com 301 membros em mais de 50 países, dentro e fora da Europa. Para além de 180 museus e centros de ciência e 22 museus de história natural, temos centros de investigação, empresas, festivais e redes profissionais, entre outras instituições. A rede é, pois, vasta e variada. Mas há sempre espaço para ampliação e diversificação”, nota.

A “visão” da recém-eleita direção do Ecsite promete ainda privilegiar “a colaboração em detrimento da competição, num apelo a um ainda mais intenso trabalho de proximidade entre os membros”. Tudo isto para melhorar a resposta a desafios como o combate às “crises climática e da biodiversidade, dois temas globais e prementes em que a rede se tem vindo a focar nos últimos anos e que terão de continuar a estar no centro das nossas preocupações”.

“Para tal, poderemos recorrer a um vasto leque de estratégias e ferramentas, contrariando os efeitos da desinformação, investindo num regresso ativo à natureza, aproveitando o poder da inteligência artificial, recorrendo à emoção, às narrativas, cocriando experiências com os nossos públicos, alimentando o diálogo e o debate, e proporcionando um terreno seguro para a intervenção e o ativismo”, projeta Maria João Fonseca.

Sobre Maria João Fonseca

Licenciada em Biologia e doutorada em Ensino e Divulgação das Ciências pela Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP), Maria João Fonseca é Diretora de Comunicação do MHNC-UP desde 2017. Um cargo que acumula, desde 2020, com o de Diretora da Galeria da Biodiversidade – Centro de Ciência Viva, onde é responsável pela administração geral e pela coordenação e promoção de atividades de comunicação e divulgação de ciência.

Anteriormente, foi Coordenadora de Comunicação de Ciência do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da U.Porto entre 2013 e 2017.

Membro da direção da Ecsite desde 2020, tomou posse, em 2023, como Vice-Presidente daquele organismo. No mesmo ano, voltou a “casa” para assumir o lugar de Professor Auxiliar Convidada do Departamento de Biologia da FCUP. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Portugal - Há vespas asiáticas e europeias - mas não à solta - na Reitoria da Universidade do Porto

As "Invasões biológicas" são o tema proposto pelo "Breviário" do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto para o mês de novembro


Durante o mês de novembro, o Breviário, ciclo mensal de exposições promovido pelo Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP), volta a abrir uma janela para as suas reservas. Desta vez, no átrio de entrada do edifício da Reitoria (Praça de Gomes Teixeira, aos Leões), vamos poder observar espécimes de uma coleção moderna: vespas (europeias e asiáticas).

Perante o tema “invasões biológicas”, ou seja, as espécies exóticas que se tornam invasoras, José Manuel Grosso-Silva, curador de Entomologia do MHNC-UP, escolheu a vespa asiática, também conhecida por vespa de patas amarelas.

Embora tivesse chegado à Europa anteriormente, esta espécie chegou a Portugal em 2010/2011, “causando alguns problemas” em termos de saúde pública, mas, principalmente, à apicultura (criação de abelhas com ferrão), “nomeadamente às colmeias”. A questão, afirma José Manuel Grosso-Silva, é que esta vespa asiática alimenta as larvas com as abelhas que consegue capturar. “As vespas adultas precisam de energia (do néctar ou pólen) e caçam as abelhas para obterem a proteína com que vão alimentar as suas larvas”, explica o curador.

Em exposição na Reitoria vão estar agora “dois exemplares de vespa asiática (que é a mais escura das duas) e dois exemplares da vespa europeia que é mais colorida, embora tenha as patas escuras, em contraste com a asiática”. Também há diferenças gerais de comportamento, acrescenta José Manuel Grosso-Silva. “A vespa asiática faz os ninhos (os vespeiros) mais frequentemente em árvores (no meio da copa de uma árvore) do que em cavidades”.

Já a vespa europeia dá outra estrutura aos ninhos que constrói, basicamente, em cavidades. Ainda em termos comportamentais há outras diferenças, sendo aqui que reside o facto de ser um problema de saúde pública. A vespa europeia “é mais pacífica na proximidade do seu vespeiro”, em comparação com a asiática que é bem mais nervosa e protetora da colónia. “Se sentir alguma ameaça tem uma resposta de defesa que corresponde a um ataque em grupo àquilo que interpreta como uma ameaça à colónia”. Pode ser interpretado como ameaça alguém que passe muito perto ou que produza alguma espécie de vibração na proximidade do vespeiro.



Os exemplares em exposição foram colhidos por José Manuel Grosso-Silva, na região do grande Porto, com o objetivo de criar uma coleção de referência, com diferentes espécies de insetos. Trata-se de uma coleção moderna, do MHNC-UP, acrescenta o curador, “em constante crescimento”, e que tem por objetivo auxiliar a identificação de espécies por parte dos estudantes que desconheçam estes grupos e, assim, para além da bibliografia, têm um apoio em exemplares já identificados previamente.

Da etnografia aos instrumentos científicos, passando pela arqueologia, paleontologia e zoologia, o Breviario expõe, a cada mês, na “casa mãe” da Universidade, uma nova seleção de objetos das coleções do MHNC-UP, convidando os visitantes a conhecer o seu acervo. Universidade do Porto - Portugal